Bônus: Estadão reage

Postado originalmente na Uol em 30/01/2011

O Estadão já reage à possibilidade do Secretário de Educação de São Paulo rever o pagamento por mérito de professores na rede pública, menina dos olhos do então Governador Serra e de seu Secretário Paulo Renato. É o que mostra o texto abaixo.

Os jeitinhos na educação básica

O Estado de São Paulo, 28/01/2011 – São Paulo SP

(…) o sistema de “valorização pelo mérito”, que concede aumento salarial aos melhores professores e foi implantado no ano passado – poderá ser revogado, como o novo secretário da Educação, Herman Voorwald, já deu a entender. “Já determinei a elaboração de uma política salarial que faça com que a carreira do magistério seja atrativa. Não gosto da palavra meritocracia, Acho que ela está carimbada de forma equivocada”, disse ele. É por causa dessa profusão de jeitinhos e da falta de continuidade da política educacional que a rede pública estadual continua oferecendo um ensino fundamental muito abaixo dos padrões de qualidade que se poderia esperar da mais rica unidade da Federação.

Leia a matéria em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,os-jeitinhos-na-educacao-basica,672123,0.htm

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Conservadores ingleses copiam New York: privatização avança

Postado originalmente na Uol em 30/01/2011

Não são só os liberais brasileiros. Os conservadores ingleses (mesmo partido de M. Tatcher, lembram-se…) estão copiando a ideia de “charter School” de New York. O Governo Cameron e seu Ministro de Educação Michael Gove assumiram esta proposta como parte significativa de sua política educacional. Oito escolas já foram autorizadas e há mais de 250 pedidos em exame na Inglaterra.

Nem mesmo a decisão do Congresso dos Liberais-Democratas, membro da coalisão com os conservadores, de não apoiar a privatização via “charter schools” – numa decisão surpreendente – conseguiu barrar a ideia. “Alunos não são latas de feijão” – disse um dos participantes do Congresso contrários à reforma.

Na Inglaterra, as “escolas charter” vão se chamar “escolas livres ou independentes”. O governo pretende dar um novo impulso às escolas livres mesmo depois de meses em que a política está sob ataque dos sindicatos e dos parceiros da coalizão os liberais-democratas.

Mais de 400 pais, professores e instituições de caridade participam neste fim de semana (29-01-2011) de uma conferência sobre as escolas livres que serão abordados por especialistas os EUA, onde as escolas charter educam mais de 1 milhão de crianças.

A conferência inclui o ex-secretário de educação municipal de New York Joel Klein, defensor do movimento que tem inspirado as reformas de Gove.

Segundo o Jornal Guardian o governo deu aprovação inicial a 35 grupos.

As escolas livres têm enfrentado forte oposição dos sindicatos, que acusou os apoiadores de uma escola livre em Wandsworth de definir a sua área de influência de forma a excluir as crianças mais pobres. Os membros do partido liberal-democra votaram contra as escolas livres porque argumentam que isso alimentará o “risco crescente de divisão social e de desigualdade”. Os sindicatos partilham preocupações de que a criação das novas escolas vai levar a um sistema dualista de ensino.

Gove disse ontem:

“Sim, há adversários, pessoas que tentam parar isso. Dessa forma é muito importante que os reformadores de toda parte e em todos os países conversem entre si.”

Ainda segundo o Guardian, “Fazendo eco destas preocupações, Baker” – outro conferencista do Seminário de hoje – “disse que era muito mais difícil demitir um professor por falta, em uma escola pública.

“É preciso uma quantidade enorme de esforço para se livrar de um professor ineficaz [na rede pública]. As Charter Schools têm contratos anuais, não existe tal coisa como estabilidade. Algumas pessoas estão dispostas a trocá-la pela oportunidade de fazer parte do planejamento, que faz parte do processo colaborativo. Nossos professores não têm de ser sindicalizados…”.

Para o Gardian, os resultados das escolas charters americanas têm sido mistos pois há estudos que apontam, em alguns casos, atuação melhor das escolas públicas frente as charters, mas também há pesquisas que dizem que as crianças mais pobres e imigrantes vão melhor em escolas charters.

O leitor deste Blog tem acesso a este e outros estudos em postagens anteriores. De fato a situação dessas escolas é pior do que a divulgada pelo Guardian: em 10 dos 16 Estados americanos com escolas charter avaliados, elas são piores ou iguais às escolas públicas. Os estudos que apontam melhoria para as crianças pobres são igualmente controversos e dependem da disciplina considerada. Às vezes vão melhor em leitura, mas não tão bem em matemática.

Independentemente, da questão de ser ou não melhor que as escolas públicas, há a questão dos objetivos educacionais e da concepção de educação que estas reformas veiculam. Temos que discutir o que significa ser uma “escola bem sucedida”.

Leia matéria completa (inglês) em:

http://www.guardian.co.uk/education/2011/jan/29/free-schools-approved

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A armadilha da importância do professor…

Postado originalmente na Uol em 2/02/2011

O governo continua enigmático quando se trata de educação. Novamente a Presidenta Dilma volta a centrar os avanços na qualidade de educação no professor. Disse em seu discurso no Congresso hoje que:

“De forma a que todas essas diretrizes sejam viabilizadas, é de fundamental importância a valorização do professor. Em parceria com Estados e Municípios, consolidaremos o processo de focalização do ensino na figura do professor, já iniciado com a criação do piso salarial (grifos meus).”

Obama também disse mais ou menos isso. Resultado: pagamento variável para professor por valor agregado medido a partir da pontuação dos alunos em teste. Um desastre.

Este discurso é uma armadilha já que ao centrar na figura do professor, esquecem-se as demais variáveis que afetam o desenvolvimento do processo educativo e as cobranças vão direto para o professor como se ele fosse o único responsável pela aprendizagem do aluno.

Como não houve até agora um detalhamento de como se pretende fazer isso, a questão fica aberta.

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Exame docente: anotar para a história

Postado originalmente na Uol em 3/02/2011

Entrevista dada por Fernando Haddad ao IG em 31-12-2010.

iG: O senhor acredita que ela vai influenciar também os cursos de graduação?

Haddad: Vai rebater na formação, evidentemente, a partir do momento que você define uma matriz que diz quais os conhecimentos que um professor deve ter. As provas têm esse fim. Os países com alto desempenho nos exames internacionais têm um excelente processo de ingresso à carreira e nós não temos isso. O estágio probatório é um expediente pouco explorado no Brasil, ao contrário do que deveria ocorrer. No caso do docente, isso é essencial. Muitas vezes você tem conhecimentos teóricos, mas a atividade exige vocação específica para o exercício da profissão.

Leia a entrevista completa em:

http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/primeira+prova+nacional+para+professores+sera+em+2012+diz+haddad/n1237904591229.html

 

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Fernando Veloso ou ‘meu mundo caiu’…

Postado originalmente na Uol em 5/02/2011

O livro de Diane Ravitch deixou conservadores e liberais – em especial o pessoal que circula pelas Secretaria de Educação ganhando dinheiro para montar sistemas de meritocracia –, literalmente, “com a brocha na mão”. Venderam atalhos e  ilusões baseadas na ideologia de mercado e dos negócios pelo Brasil afora e, de repente, uma implementadora das mesmas idéias deles diz: Opa! Isso não funciona. Diane teve a honestidade intelectual que falta a estes senhores.

O livro de Diane tem 280 páginas de argumentos, dados e fatos sobre o fracasso das políticas meritocráticas e de responsabilização americanas. Não bastasse isso, é possível encontrar nos centros de pesquisas americanos independentes dúzias de estudos que dizem o mesmo, conforme tenho disponibilizado neste Blog. Mas os liberais tentam apagar as chamas…

O artigo de Veloso na Folha de Hoje (5-02-2011) “Meritocracia na Educação” sobre o livro de Diane (A morte e a vida do grande sistema educacional americano) é a maior fraude interpretativa de uma produção literária de que já tive conhecimento.

Diane vai listando ao longo de seu livro situações inúmeras de falácias produzidas pelas políticas de meritocracia e responsabilização e, com sua objetividade científica, não encontrada em Veloso e típica dos liberais, passa também por experiências que apontam alguma evidência de sucesso – claramente minoritárias. Mas tudo isso, tem uma direção: o capítulo final do livro cujo título sugestivo é : Lições Aprendidas. E quais são as lições que Diane aprendeu (pgs. 224 – 242 em tradução livre abaixo) e que Veloso não quer aprender:

1.       É pouco provável que as políticas que nós estamos seguindo hoje melhorem nossas escolas. Ao contrário, muito do que os formuladores de política demandam hoje muito provavelmente tornarão as escolas menos eficazes e podem futuramente rebaixar a capacidade intelectual de nossos cidadãos.

2.       Os fundamentos da boa educação são encontrados na sala de aula, em casa, na comunidade e na cultura, mas os reformadores de nosso tempo continuam a procurar por atalhos e respostas rápidas.

3.       Nossos problemas educacionais são função de nossa falta de visão educacional, não um problema de gestão que requer o recrutamento de uma armada de consultores de negócios .

4.       Nossas escolas não vão melhorar se funcionários indicados se intrometem no território pedagógico e tomam decisões que apropriadamente deveriam ser tomadas por educadores profissionais. O Congresso e legisladores estaduais não deveriam dizer a professores como ensinar, mais do que eles dizem aos médicos sobre como realizar uma operação.

5.       Nossas escolas não melhorarão se nós continuarmos a focar somente o ensino de matemática e leitura enquanto ignoramos os outros estudos que são elementos essenciais da boa educação.

6.       Nossas escolas não melhorarão se nós focarmos exclusivamente nos testes para como meio para decidir o destino de estudantes, professores, diretores e escolas.

7.       Nossas escolas não melhorarão se nós continuarmos a fechar escolas nas comunidades em nome da reforma.

8.       Nossas escolas não melhorarão se nós as introduzirmos no mágico mundo do mercado. Mercados têm ganhadores e perdedores .

9.       Nossas escolas não melhorarão se as escolas charter continuarem a sugar das escolas públicas regulares os alunos mais motivados e suas famílias nas comunidades mais pobres.

10.   Nossas escolas não melhorarão se esperamos delas que atuem como empresas privadas, lucrativas. Escolas não são negócios, elas são um bem público. O objetivo da educação não é produzir altas pontuações, mas educar as crianças para serem pessoas responsáveis com pensamento bem desenvolvido e bom caracter. Não se deve esperar que as escolas produzam lucro na forma de pontuações de valor agregado.

11.   Nossas escolas não vão melhorar se nós a usarmos para todo e qualquer propósito (…) As escolas devem trabalhar com outras instituições e não substituí-las.

12.   Se nos queremos melhorar a educação, nós antes de tudo temos que ter uma visão do que é uma boa educação.

13.   O objetivo da avaliação não é identificar escolas que devem ser fechadas, mas identificar escolas que precisam de ajuda.

14.   O mercado não é o mecanismo correto para fornecer proteção policial ou proteção contra fogo, nem é o mecanismo correto para fornecer educação pública.

Veloso deveria reler o livro. Se estas lições aprendidas não questionam sua meritocracia é porque sua ideologia – e não os fatos – não o permite.

Ora, de onde vem a meritocracia: da área dos negócios, de um entendimento de que o ser humano tem que ser administrado por consequências: positivas através de bônus, negativas através de demissão. É assim que funciona a iniciativa privada.

Daine é clara em dizer que o mundo dos negócios não funciona em educação.

Mais polêmicas interpretativas à parte, há um argumento muito simples para demolir as expectativas de Veloso com a meritocracia: ele não melhorou o desempenho dos Estados Unidos no PISA – o “santo” e “inquestionável” PISA dos próprios liberais. Antes da meritocracia e responsabilização americanas os Estados Unidos estavam na média do PISA, dez anos depois destas políticas, continuam na média do PISA.

O Brasil, ainda que abaixo da média, pelo menos avançou significativamente. Finlândia, Shangai e outras que estão no topo do PISA não usam a meritocracia de Veloso.

O mundo dos negócios educacionais brasileiro está em chamas…

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Fraude: Beverly Hall sai

Postado originalmente na Uol em 5/02/2011

A Superintendente de Atlanta Beverly Hall vai se demitir

NOTÍCIAS DE ATLANTA 9:05 pm sábado, 20 de novembro de 2010

A Superintendente das Escolas Públicas de Atlanta Escolas Públicas Beverly Hall anunciou no sábado que ela vai deixar o cargo em junho, encerrando um notável mandato de 11 anos que foi elogiado a nível nacional, mas azedaram sob o brilho de uma investigação de fraude em testes.

O sistema escolar de Atlanta enfrenta dois inquéritos – um pelo Ministério Público Federal, e outro por investigadores nomeados pelo governador Sonny Perdue – que investigam  alegações de fraude em testes em 58 escolas primárias e secundárias de Atlanta que poderiam significar acusações criminais contra os funcionários das escolas. (…)

“Eu não vejo em que a saída ou permanência da Dra. Hall afeta o que nós devíamos fazer”, disse Bowers, um ex-procurador geral do Estado. “Nossa missão principal, desde o primeiro dia, e isso é direto do governador, é chegar à verdade.”

A notícia completa está aqui.

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Atualizando Fernando Veloso

Postado originalmente na Uol em

Fernando Veloso escreve na Folha de Hoje (5-02-2011) edificando a experiência de Atlanta nos Estados Unidos para justificar a utilização de meritocracia na educação – ver postagem anterior.  Segundo Fernando, citando Diane,  Atlanta seria um exemplo onde a meritocracia funcionaria.  Diane não se fixa em Atlanta, antes, encontra nela indícios positivos, mas seu livro tem um desfecho “lições aprendidas” onde ela alerta para a produção da burla em sistemas que são baseados em testes de alto impacto. Mas para “salvar a lavoura”, Fernando Veloso agarra-se neste ponto do livro, esquecendo das demais análises da autora que apontam para o risco de fraude em sistemas focados em testes e meritocracia.

Vamos mostrar, então, que Fernando está desatualizado em relação aos acontecimentos recentes em Atlanta (USA). Lá a meritocracia deu em fraude, como mostro abaixo. A bolha de sucesso estourou como em New York.

Quem conduz a meritocracia de Atlanta nos últimos 11 anos é Beverly Hall a Superintendente das Escolas Públicas. Vejamos o que Cynthia Tucker do AJC tem a dizer sobre ela:

WASHINGTON – Há mais de uma década, Beverly Hall, superintendente de escolas públicas de Atlanta, mostrou-se brilhante em proteger sua reputação. Quando ela chegou em Julho de 1999, ela começou a cultivar um círculo de empresários na maioria brancos para servir como conselheiros e defensores leais.

Não é nenhuma surpresa que Sam Williams, presidente da Metro Atlanta Chamber, estava profundamente envolvido em ajudar Hall junto  à tíbia investigação do distrito escolar. Quando eu era editora do Atlanta Journal-Constitution na sua página editorial, Hall costumava visitar o conselho editorial com um ou dois executivos a tiracolo – para testemunhar suas realizações.

Mas Hall se saiu bem como campeã de excelência educacional. Sua resposta inicial ao escândalo das fraudes nos testes deixa claro que ela tem se preocupado mais com a aparência de seu sucesso do que realmente com a melhoria dos níveis académicos.

Continue lendo em:

http://blogs.ajc.com/cynthia-tucker/2010/08/26/beverly-hall-needs-to-retire/

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Contrariando Obama…

Postado originalmente na Uol em 5/02/2011

Yong Zhao, em seu blog, escreve sobre o discurso de início de ano feito pelo Presidente Obama no Congresso, nos Estados Unidos. Vale a pena ler alguns de seus trechos.

“O presidente Obama quer ganhar o futuro: “inovar mais, educar mais, e construir mais o  mundo”. Se queremos ganhar o futuro – se queremos inovação para gerar empregos na América e não no exterior -, então também temos de vencer a corrida para educar nossos filhos. Como vencer a corrida para educar nossos filhos? Mais matemática, mais ciência, mais diplomados nas high schools, mais graduados da faculdade, mais Race to the Top, mais standards e normalização, cenouras e porretes para os professores e escolas, e não ver TV. Por quê? Porque China e Índia “começaram a educar os seus filhos mais cedo e terminam mais tarde, com maior ênfase em matemática e ciência;” porque “[a] qualidade do nosso ensino de matemática e ciência está atrasada em relação a muitas outras nações;” e porque “os Estados Unidos caíram para nono lugar na proporção de jovens com um diploma universitário.”

Isso tudo parece muito confuso ou é falso.

(…)

É verdade que “a China e a Índia começam a educar os seus filhos mais cedo e terminam  mais tarde, com maior ênfase em matemática e ciência?”

Não, a China realmente começou a reduzir o tempo de estudo para seus filhos, com menos ênfase em matemática e ciências.  (…) A idade de início escolar na China permanece a mesma idade de seis anos desde a década de 1980 quando pela primeira vez a China aprovou a Lei de Educação Compulsória em 1986. Desde os anos 1990, a China lançou uma série de reformas educacionais destinadas a reduzir o horário escolar e diminuir a ênfase em matemática. Segundo um comunicado recente do Ministério da Educação: “Desde a implementação do “Novo Currículo”, o montante total do tempo de aula durante o período de ensino obrigatório (graus 1-9) foi reduzida em 380 horas/aula. Durante o ensino fundamental (séries 1-6), o tempo da aula de matemática foi reduzido em 140 horas/aula, enquanto adicionou-se  mais 156 horas aula para a educação física. No ensino médio, 347 horas de aula foram retiradas de cursos obrigatórios e 410 horas/aula em disciplinas optativas foram acrescentadas.”

Leia a matéria completa em:

http://zhaolearning.com/2011/01/30/%E2%80%9Cit-makes-no-sense%E2%80%9D-puzzling-over-obama%E2%80%99s-state-of-the-union-speech/

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Ravitch analisa a meritocracia de Obama

Postado originalmente na Uol em 6/02/2011

Teste continua sendo o problema

26 de janeiro de 2011

Diane Ravitch

O discurso do Presidente Obama não continha surpresa sobre a política educativa. Seus objetivos são indiscutíveis: ele quer que os americanos sejam mais bem educados. Ele quer que as escolas incentivem a inovação, a criatividade e a imaginação. Ele quer que os professores sejam tratados com respeito.

A centralização do Race to the Top desestimula a inovação, criatividade e imaginação. Infelizmente, o programa Race to the Top, que ele chamou de “a reforma mais significativa de nossas escolas públicas em uma geração”, é um atentado a estes objetivos. Não é um repúdio da impopular lei No Child Left Behind, mas uma continuação. Como ela, o Race to the Top põe a prioridade em testes de leitura e matemática.

Continue lendo (inglês) em:

http://www.nytimes.com/roomfordebate/2011/01/26/grading-the-education-president/tests-from-the-top-down

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Entrevista ao Jornal Valor Econômico – Parte I

Postado originalmente na Uol em 6/02/2011

Disponibilizo aos leitores a primeira parte de entrevista dada ao Jornal Valor Econômico, por solicitação de Luciano Maximo em 23-01-2011, parcialmente utilizada na reportagem.

“1. Qual sua opinião sobre a tendência de cada vez mais Estados se interessarem pela meritocracia/pagamento de extras para trabalhadores da educação?

Os políticos sempre gostaram de atalhos, de olho nos votos. Mas não há atalhos para a boa educa-ção. E boa educação não se resume em tirar notas altas no PISA ou na Prova Brasil – embora possa reeleger políticos ( cf. www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100802/not_imp589143,0.php ) Envolve um projeto de educação com valores, um currículo rico e não apenas centrado em português, matemática e ciências, identidade nacional, enfim, uma proposta para a juventude. As elites brasileiras são tão ineptas que elas não conseguem sequer ter uma proposta para a nossa juventude que não seja apenas sair-se bem no ENEM ou no PISA.

A meritocracia significa introduzir a lógica dos negócios na educação. Nos negócios, os instrumentos de controle são a demissão e o pagamento de bônus – que mostrou um de seus lados perversos na crise financeira dos bancos em 2009. Entretanto, os professores não estão nas salas de aula apenas pelo dinheiro. Precisam de salários dignos, mas se o profissional da educação fosse movido a dinheiro ou quisesse ficar rico provavelmente ele escolheria outra profissão. A maior motivação do professor é observar o progresso dos seus estudantes. Focar em dinheiro extra – ao invés de salário digno -, não produz, portanto, os mesmos resultados que se obtém na iniciativa privada. Motivadores intrínsecos são mais eficazes e duradouros do que motivadores extrínsecos, sabemos disso desde que eu era estudante de psicologia na década de 80.

Há que se agregar que a introdução da lógica dos negócios prepara a privatização da educação. No plano federal, o governo Lula segurou estas tentativas, mas nos Estados, elas estão sendo adotadas, como mostra sua reportagem. Vejo com tristeza o Brasil enveredar por este caminho. Se o governo Dilma apoiar estas iniciativas, como diz um Secretário de Educação petista em sua entrevista, será um estelionato eleitoral, porque isso é o que o Serra fez em São Paulo.

2. De onde vem a prática de meritocracia na educação? O sr. saberia dizer quem inspirou os modelos adotados no Brasil?

Estes modelos são utilizados em alguns países, entre eles os Estados Unidos. E quais foram os resultados? Nefastos. Os americanos, antes de fazer uso mais aprofundado da lógica dos negócios com a lei federal de responsabilização No Child Left Behind, em 2001, estavam com resultados na média do PISA, em torno de 500 pontos. Quase dez anos depois da introdução destas medidas continuam na média do PISA, “empacados”. Entretanto, está com seu sistema público de ensino destruído por tais medidas. Em compensação, o Brasil, sem estas medidas avançou significativamente no mesmo período no PISA e apresenta uma curva de desempenho na Prova Brasil da 4ª. Série ascendente desde 2003.

Estas políticas visam transformar os serviços públicos de educação em mercado a ser explorado por OSIPs, Institutos privados, ONGs, Fundações – enfim abrir espaço para a indústria da educação através da privatização dos serviços públicos.

3. Quando se fala em meritocracia, pagamento de bônus vinculado ao atingimento de metas, logo se pensa em empresa. A educação pode aprender alguma coisa, pode avançar em alguns aspectos, ao absorver certas práticas desenvolvidas e praticadas em empresas? Ou é cada um para o seu lado, não deve existir interação?

Escolas não são pequenas empresas. Podemos aprender com os países que tentaram aplicar a lógica das empresas à educação o seguinte: a lógica dos negócios não serve para a educação. Esta é a conclusão de pesquisadores americanos como Diane Ravitch, que trabalhou exatamente na implementação destas ideias por lá. Em um recente livro ela faz um profundo balanço dos prejuízos deste enfoque para os Estados Unidos em “The death and life of the great American School System” (Basic Books, 2010). A educação não é uma mercadoria, é um direito, portanto, não se adapta à lógica de mercado.

A eficácia destas propostas é também avaliada por técnicas que merecem reparos. Nada contra a avaliação e o monitoramento de redes, mas vinculá-las a pagamento de bônus, é problemático. A educação não se comporta de acordo com a curva normal da estatística, já que a educação não é um fenômeno aleatório e ao acaso. A educação é um fenômeno intencional, portanto, quando o desempenho de um conjunto de alunos comporta-se de acordo com a curva normal, isso só é um indicador do nosso fracasso. A maioria das técnicas estatísticas usadas para analisar a educação e seus resultados (uma exceção é a Análise por Envoltória de Dados, DEA), está baseada na suposição de que o fenômeno se comporte de acordo com a curva normal estatística, mas a educação não é algo ao acaso ou aleatório. Todos os alunos e cada um deles devem aprender tudo o que se considera ser necessário para sua formação. Portanto, temos que rever o objetivo do uso destas ferramentas na análise do desempenho dos alunos. E é esta tecnologia que é usada para mostrar o sucesso ou não das políticas públicas usadas.

Há mais questões ainda, a Teoria da Resposta ao Item unidimensional, por exemplo, usada em todas as avaliações no Brasil, não é a mais adequada para avaliar processos educacionais – embora possa ser para outros. No caso da educação é mais adequada a Teoria da Resposta ao Item multidimensional, pois a educação não é um fenômeno unidimensional. Entretanto, esta última, não se presta com facilidade ao ranqueamento, razão pela qual não é utilizada e mais desenvolvida. E os políticos e a indústria da
educação precisam do ranqueamento.

Novamente, nada contra avaliar, nada contra a TRI, mas daí usar os resultados para pagamento de professores ou da equipe escolar, se converte em um problema. Os Estados Unidos tentaram várias estratégias de pagamento de salário variável (individual e em grupo) e não há consenso sobre sua adequação – nem mesmo quando se tenta calcular por valor agregado (cf. http://epi.3cdn.net/b9667271ee6c154195_t9m6iij8k.pdf ou http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-learning-about-teaching  ).

Está claro que estas técnicas provocam competição não saudável entre professores, escolas, estados e minam as relações humanas no interior da escola. Sem credibilidade nas relações internas da escola, a qual é substituída pela competição, a escola não avança.”

Continua.

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Entrevista ao Jornal Valor Econômico – Parte II

Postado originalmente na Uol em 8/02/2011

Disponibilizo a segunda parte da entrevista dada ao Jornal Valor Econômico, por solicitação de Luciano Máximo em 23-01-2011, parcialmente utilizada na reportagem.

4. É possível afirmar ou comprovar que pagamento de bônus a professores e funcionários de escolas está relacionado a um melhor desempenho profissional, que irá redundar em elevação do nível de qualidade da educação?

Não há comprovação empírica disso. A educação é um fenômeno complexo, produto de muitas variáveis. Há estudos que apontam que esta possibilidade existe e há estudos que apontam que ela não existe. Não há consolidação de tendências. A adoção destas políticas não favoreceu sequer os mais pobres ou necessitados – apesar do insistente discurso nesta direção. Nos Estados Unidos a indústria educacional floresceu com o discurso do direito dos pobres à boa educação. Algo que não se cumpriu nos últimos 20 anos ( http://www.cato-unbound.org/2008/04/07/richard-rothstein/a-nation-at-risk-twenty-five-years-later/  ) . Fazer política pública com ações que não têm resultados consistentes é irresponsabilidade.

Não precisamos ir a New York para observar os problemas da proposta, basta olharmos para o Esta-do de São Paulo que começou a usar quase simultaneamente com New York o pagamento de bônus para a equipe de escola. A fala do atual Secretário de Educação em entrevista por ocasião do início de sua gestão, mostra que ele encontrou “professores desmotivados” pois somente 20% deles recebiam o bônus. Mas, se pensarmos que o sistema foi criado para motivar, como podem os professores estarem desmotivados? Ou seja, não funcionou. O que não dá resultado em New York (lá não há melhoria de resultados reais, mas inflação de pontuação promovida por rebaixamento de standards nos testes http://www.nydailynews.com/opinions/2010/03/31/2010-03-31_new_york_state_education_officials_are_lying_to_schoolkids.html ), não dá resultado também em São Paulo.

5. Quanto tempo é preciso para apurar os reais impactos da meritocracia na educação?

Se quisermos aprender com a experiência de outros países, basta estudar o que ocorreu nos Estados Unidos a partir dos relatórios de centros de pesquisas e pesquisadores independentes e se pode saber de imediato quais serão estes impactos, não precisa esperar. Tenho divulgado estes estudos em http://avaliacaoeducacional.com . Até a educação infantil nos Estados Unidos está sob controle desta lógica e seus efeitos são dramáticos (cf. http://www.allianceforchildhood.org/sites/allianceforchildhood.org/files/file/kindergarten_report.pdf  ).

6. A meritocracia na educação teria seu valor ou tenderia a dar resultados mais efetivos se os profissi-onais da educação tivessem bons salários e carreiras estruturadas?

Não há dúvida que carreira e bons salários são o caminho correto. Embora tenhamos que olhar para outras variáveis como infraestrutura da escola, desigualdade social existente fora da escola, violência na escola e o seu entorno, expectativa da comunidade que cerca a escola, capacidade de liderança do diretor, relações entre os profissionais da escola, educação de tempo integral, eliminação do sistema de pagamento de professores por hora aula, número de alunos em sala, qualificação do professor entre outras. Mas nenhuma destas variáveis funciona isoladamente na vida real – ainda que na bancada dos estatísticos elas possam ser trabalhadas isoladamente e inseridas em “modelos estáveis”. Estudos sem tendência consolidada não podem virar política pública.

7. Alguns secretários com quem conversei disseram que a meritocracia na educação não deve ser individual nem comparar um profissional com outro ou uma escola com outra. As metas seria estabelecidas por unidade e se essa unidade melhorar, todo mundo, do servente ao diretor, ganharia um incentivo. O que acha disso?

Essa é a nova moda. Incentivos para grupos e não para o professor somente. Não conseguiram mostrar eficácia consistente pagando bônus para o professor. Aí decidiram pagar bônus para a escola como um todo. New York, a meca dos que adotam tais políticas, fez isso a partir de 2008. Não há indicativo, até agora, de que tenha gerado resultados melhores (cf. http://www.econ.columbia.edu/RePEc/pdf/DP0910-05.pdf e aqui ). Mas é a nova moda. Primeiro queriam que acreditássemos que pagar o professor era o caminho do sucesso e nunca foi (cf. http://epi.3cdn.net/b9667271ee6c154195_t9m6iij8k.pdf ou http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-learning-about-teaching ), agora querem que acreditemos que pagar o grupo é que gera sucesso.

 A competição entre escolas e dentro da escola para que esta seja a primeira, é inevitável. O controle de grupo sobre o indivíduo é uma forma de o Estado repassar para o interior da escola a pressão antes exercida diretamente pelo Estado sobre o professor. É mais dramático, pois as relações internas se deterioram quando alguém é apontado como não tendo contribuído para que a “nossa escola” ganhasse mais bônus. Não se faz política pública por ensaio e erro.

8. Quem é o grande interessado nesse sistema meritocrático na educação?

Em primeiro lugar os políticos, pois com isso podem mascarar o descaso com que sempre trataram a educação e colocar a culpa no professor ou na equipe escolar. Aumentam o controle sobre o professor ou da equipe escolar sobre o professor, como forma de intensificar o trabalho e tentar obter algum resultado extra apesar de falta de condições. É como diz um dos Secretários entrevistado: tem que fazer algo para não “perder o pescoço”. Esta é a política educacional que propõem: baseada no medo e na tentativa de envergonhar a escola ou os professores. Isso não pode dar certo. Jogam professores contra professores, pais contra professores, diretores contra professores e vice-versa e, finalmente, a população contra a escola, via mídia. Isso pode até gerar algum resultado positivo no início – afinal o medo também mobiliza -, mas em seguida “empaca” pois, a educação está na dependência de outras variáveis poderosas, entre elas o nível de desigualdade social. A Finlândia tem uma taxa de pobreza de 3,4% e tem uma média de 536 no PISA, enquanto os Estados Unidos tem uma taxa de pobreza de 21,7% e tem uma média de 500 pontos no PISA.

Em segundo lugar, tendo desacreditado a escola pública, a estratégia seguinte é propor a privatiza-ção (a forma preferida e sem comprovação de eficácia, agregue-se, são as Charter Schools america-nas, basta ver o estudo disponível em http://credo.stanford.edu/reports/National_Release.pdf ). E há ainda as ONGs, Fundações, OSIPs e outras formas de privatização da educação, bem como a indústria da avaliação e da assessoria, editoras, que vêm logo em seguida. No Brasil toda esta articulação é regida pelo Movimento Todos pela Educação e pelo movimento Parceiros da Educação, com financiamento privado das grandes corporações.

9. Procede a informação de que os modelos educacionais baseados nas avaliações de desempenho e ganho por meta estão em decadência nos países desenvolvidos?

Aos poucos está ficando claro o limite destes atalhos. Dispomos hoje de um volume grande de estudos que mostra as consequências nefastas destas medidas e o baixo impacto no avanço da educação. Finlândia, por exemplo, não faz uso destas estratégias de negócio no seu sistema educacional e é considerado um país com boa educação (536 pontos no PISA). Estados Unidos faz uso há décadas destas técnicas e está empacado no PISA (500 pontos). Sabemos pouco sobre Shanghai, recordista do PISA, mas nada indica que lá a educação esteja engessada pela lógica dos negócios. Todos sabemos que Cuba tem um bom sistema educacional e não usa a lógica de mercado nela. E o próprio Brasil tem avançado no PISA sem necessidade destas ações duvidosas.

10. Se não estou enganado, houve tentativas de estabelecer ganhos adicionais por metas na educação superior brasileira. Por que isso não vingou?

Não estou informado disso.

11. Qual deve ser a reação de sindicatos e movimentos de educação em relação a este tema?

Os sindicatos terão dificuldades para ir contra estas medidas – pelo menos os menos conscientes. Nos Estados Unidos – o caso mais recente é New York – eles terminaram sendo cooptados. É difícil para um sindicato ser contra dar mais dinheiro a seus associados – ainda que na forma de bônus.

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Polêmica na matriz: o desastre da meritocracia continua…

Postado originalmente na Uol em 8/02/2011

6.000 professores de 470 escolas de Los Angeles foram ranqueados por calculo de valor agregado tomando por base dados de seus alunos entre 2004 a 2009.  O estudo está de acordo com a tendência americana de usar dados de vários anos para estabelecer o ranqueamento dos professores. Chamam tais técnicas de meritocracia de segunda geração. Segundo os proponentes da metodologia, a primeira geração não funcionou porque era baseada em dados de um único ano de medição. Além disso, a recompensa era dada diretamente ao professor, enquanto a nova geração privilegia dar a recompensa para a equipe da escola a partir da tendência observada em vários anos  de medição.

Seja na sua primeira geração, seja na segunda geração, a meritocracia americana continua encontrando problemas como mostram os links abaixo. Grupos independentes de pesquisadores usando a mesma base de dados constatam equívocos no ranqueamento divulgado pelo Los Angeles Times que variam de 13,9% a 22,3%.

A reportagem inicial do Los Angeles Times está em:

http://www.latimes.com/news/local/la-me-teachers-value-20100815,0,2695044.story

O ranqueamento dos professores de Los Angeles está em:

http://projects.latimes.com/value-added/

E o estudo que mostra que o modelo de valor agregado não tem estabilidade para ranquear professores de Los Angeles, usando os mesmos dados do Los Angeles Times, está em:

http://nepc.colorado.edu/publication/due-diligence

A questão ética que estes estudos levantam é grave. O novo estudo do NEPC mostra que em leitura, há 516 professores sub-ranqueados (falso negativo) e 612 professores sobre-ranqueados (falso positivo).  Ou seja, 516 deveriam estar em uma melhor posição do que estão no ranking (falso negativo) e 612 estão acima do que deveriam estar de fato (falso positivo). Para matemática, o estudo mostra que existem 257 falsos negativos e 454 falsos positivos.

A polêmica explodiu ontem no Los Angeles Times.

Ante a tentativa do Los Angeles Times de abafar os resultados de seu duvidoso ranqueamento, o NEPC divulgou nota que pode ser lida em:

http://nepc.colorado.edu/files/FactSheet_0.pdf

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Pesquisadores ingleses alertam…

Postado originalmente na Uol em 9/02/2011

Alunos vão melhor na escola, se os professores não se fixam nos resultados do teste

Estudo do Instituto de Educação de Londres encontra que o desempenho dos alunos em exames melhora se eles se concentram no aprendizado ao invés de se fixar em notas

Jessica Pastor , correspondente de educação

The Guardian , Sexta-feira 13 de agosto de 2010

As crianças têm melhor desempenho em exames quando os professores não estão muito preocupados com os resultados dos exames, de acordo com a pesquisa publicada hoje.

Um estudo do Instituto de Educação encontrou que os alunos demonstram maior motivação, são mais comportados e é mais provável que pensem mais independente e estrategicamente quando os professores não estão obcecados por notas.

A política do governo [na Inglaterra] cada vez mais empurra os professores no sentido oposto, incentivando-os a se concentrar nos resultados dos alunos, disse o autor do estudo, Chris Watkins, pesquisador do instituto.

Continue lendo em:

http://www.guardian.co.uk/education/2010/aug/13/exam-test-results-teaching-style

A pesquisa completa está em:

http://www.ioe.ac.uk/about/documents/Watkins_10_Lng_Perf_Imp_ev.pdf

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Michelle Rhee deixa a Superintendência de Washington, D. C.

Postado originalmente na Uol em 10/02/2011

Mais um “big name” das reformas meritocráticas americanas dá adeus ao cargo. Depois de John Klein em New York e Beverly Hall em Atlanta, agora é a vez de Michelle Rhee – a “Sara Palin” dos reformadores americanos. Capa do Time por seus feitos no sistema educacional de Washington D. C., foi substituída no cargo depois que o Prefeito com quem havia trabalhado nos últimos 4 anos perdeu recente eleição.

Em Washington, os eleitores rejeitaram esmagadoramente o prefeito Adrian Fenty , em favor do presidente da Câmara Municipal, Vincent Gray, candidato democrata na eleição de prefeito deste ano. Fenty estava intimamente ligado a cruzada educacional da chanceler do sistema escolar de Washington Michelle Rhee quem demitiu 500 professores e mais de 60 diretores indiscriminadamente, fechou 23 escolas e implantou sistemas de pagamento de professores em base ao desempenho dos alunos.

Ela instituiu um sistema de classificação de professores chamado IMPACTO onde cada professor é visitado, observado e classificado cinco vezes, com duas das observações feitas por pessoas que não trabalham na escola. Em uma escala de 1-4, a classificação 1 significa demissão, e uma classificação 2 coloca um professor em aviso prévio.

Durante as eleições, a reforma das escolas de Washington este no centro dos debates. Sua troca não significa necessariamente uma mudança nos métodos implantados em Washington, mas o novo prefeito fala em dar maior transparência e envolvimento.

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ENEM do professor avança

Postado originalmente na Uol em 12/02/2011

Artigo de Fernando Vives, no Carta Fundamental, sobre o Enem do Professor, de 3/12/2010.

O Enem do professor

Fernando Vives

 MEC pretende criar em 2011 [na realidade será em 2012] o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, processo seletivo unificado para o ensino público

A padronização dos critérios de seleção para educadores em todo o território brasileiro é o principal motivo para que o Ministério da Educação (MEC) criasse o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, que ganhou o apelido de “Enem para professores”. A ideia do governo é que profissionais do Ensino Infantil e do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental de todo o Brasil façam uma prova baseada no conhecimento mínimo que possa servir como cadastro de notas válido em todo o País – a princípio, em caráter opcional, e que com o passar dos anos englobe as demais séries. Ou seja, o governo federal pretende que municípios e estados que queiram se cadastrar no exame possam selecionar seus quadros de docentes através dele.

A portaria sobre a criação da prova foi discutida pela equipe do ministro Fernando Haddad e surgiu no Diário Oficial em maio, mas o burburinho sobre o exame voltou à tona após as eleições, com a vitória de Dilma Rousseff, candidata governista. Com a continuação do PT na Presidência, a tendência é de que a primeira edição do exame seja realizada já em 2011, bastando a confirmação do novo ministro – até o fechamento desta edição, a presidente ainda não havia confirmado se Haddad permanece na nova gestão. Mas, afinal, o que esperar do “Enem para professores”?

Continue lendo em:

http://www.cartacapital.com.br/carta-fundamental/o-enem-do-professor

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Quem ganhou com o No Child Left Behind de Bush

Postado originalmente na Uol em 14/02/2011

O leitor interessado em desvendar os mistérios da conexão Bush-Corporações-indústria educacional nos EUA, durante o Programa No Child Left Behind vai encontrar material excelente nos links abaixo.

“O casamento do grande negócio com a educação beneficia não só os interesses do Business Roundtable, um consórcio de mais de 300 CEOs, mas a muitas figuras leais à família Bush. Sandy Kress, arquiteto-chefe do No Child Left Behind – NCLB; Harold McGraw III, editora livro, Bill Bennett, secretário de educação ex-Reagan, e Neil Bush, irmão mais novo do presidente, todos lucraram com o sucesso nacional do Roundtable na implementação do  “ensino baseado em resultados.” O NCLB impõe um sistema de padrões estaduais,  testes e as sanções para a escola  que juntos transformaram  o nosso sistema de ensino público em um frenezi lucrativo.”

Links:

http://www.dailykos.com/story/2007/03/14/311754/-Bush-Profiteers-collect-billions-from-NCLB,-Part-1

http://www.educationanddemocracy.org/index.html

Neste último é importante o acesso à Tese de Doutorado de K. Emery que pode ser baixada deste link:

http://www.educationanddemocracy.org/Emery_dissertation.html

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Finalmente, uma evidência

Postado originalmente na Uol em 15/02/2011

Venho insistindo neste Blog para os riscos de uma Lei de Responsabilização Educacional, em trâmitação no Congresso por iniciativa do MEC.

Tenho insistido, a partir do estudo de outros países, que esta Lei, independentemente de seu texto, será emendada no Congresso para, além da responsabilização financeira, incluir a responsabilização educacional, em si, medida através de desempenho dos estudantes.

No Brasil, a proposta mais arrojada de utilização dos conceitos de responsabilização, meritocracia e privatização da educação foram formuladas pela ONG Parceiros da Educação (2010). Para os proponentes é necessário criar uma lei de responsabilidade educacional com a finalidade de:

“Ao prestarem contas ao Ministério da Educação (MEC) sobre o uso das verbas federais as secretarias passariam a ser punidas nos casos em que se flagrar o mau uso do dinheiro. Caberia ao ministério, antes de fazer o repasse, estabelecer um conjunto de metas bastante claras sobre a aplicação dos recursos, por estado e município. A ideia é combater desvios de toda ordem, como merendas jamais servidas e licitações fraudulentas – modalidades de corrupção tão comuns no Brasil.

A mesma lei poderia incluir um prêmio em dinheiro às secretarias, contemplando os resultados escolares: os estados e municípios que apresentassem progressos em sala de aula ganhariam mais verbas. Cobrar, premiar e punir com base no desempenho, seja ele financeiro, seja ele acadêmico, é um avanço notável (grifos meus)”.

O texto está disponível em:

 http://www.parceirosdaeducacao.org.br/evento_propostas/pdf/veja.pdf

Examinando-se o texto acima veiculado pela Veja (No. 2171 de junho de 2010), nota-se que a primeira parte dele pede punições para desvios de verba. Isso é desnecessário, pois já existe controle para tal . De fato, a intenção dos proponentes e mimetizar-se no debate da corrupção para propor, de fato, o que interessa: prêmios e castigos para os sistemas educacionais, baseado em medição do desempenho dos alunos.

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Meritocracia: primeiros resultados em SP

Postado originalmente na Uol em 17/02/2011

Dissertação defendida na UNESP Araraquara mostra que, no Brasil, a reforma educacional do governo Serra já começa, em 2010, a apresentar os mesmos problemas informados pela literatura americana. Confira comparando a dissertação com o recente livro de Sharon L. Nichols e David C. Berliner chamado: Efeito Colateral – como os testes de alto impacto corrompem a escola americana (Cambridge: Harvard Educationsl Press, 2007).

RODRIGUES, J.D.Z. Implicações do Projeto “São Paulo faz escola” no trabalho de  professores do ciclo I do ensino fundamental. Araraquara, 2010. 264 p. Dissertação (Mestrado em Educação Escolar) – Faculdade de Ciências e Letras, UNESP – Campus Araraquara.

http://xa.yimg.com/kq/groups/15161159/358222202/name/Disserta%C3%A7%C3%A3o+Mestrado+Jean+Final.PDF

RESUMO

A década de 1990 e os anos iniciais do século XXI foram profundamente marcados por  reformas educacionais promovidas, em grande parte, sob a influência de agências internacionais de financiamento que defendem a reformulação da função do Estado em diversos setores, inclusive na educação. Baseando-se principalmente na perspectiva dos estudos de Stephen J. Ball sobre a inserção de princípios gerenciais e performativos no meio educacional e pesquisas que analisam reformas educacionais e suas repercussões tanto na organização das escolas quanto para os professores, o objetivo geral desta pesquisa foi o de analisar o projeto “São Paulo faz Escola” e as políticas de desempenho paralelamente implementadas buscando revelar quais são as implicações para o trabalho de professores do ensino fundamental ciclo I da rede estadual de São Paulo. Para isso foi realizado um estudo documental e empírico envolvendo seis professoras que atuavam nos anos iniciais do Ciclo I em três escolas públicas estaduais do interior paulista com diferentes índices de classificação obtidos no ano de 2009 pela avaliação do IDESP. Trabalhou-se com a hipótese de que as ações atuais da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo repercutiram no trabalho dos professores de modo intenso, principalmente a partir da inserção dos mecanismos de controle como, por exemplo, a responsabilização docente, a avaliação de desempenho, o monitoramento feito pelo professor coordenador e o atrelamento do desempenho do professor (rendimentos dos alunos no SARESP) à bonificação por resultados. Da mesma forma a prática docente é influenciada por um ambiente educacional, em grande parte, orientado pela competitividade, acirramento da individualidade e a sedimentação de um clima organizacional permeado pela incerteza em relação ao cumprimento das metas estabelecidas. Para tanto, foram levantados e analisados documentos legais pertinentes às mudanças inseridas na rede estadual e realizadas entrevistas com as docentes para saber quais foram os mecanismos centrais das políticas educacionais recentes que mais repercutiram em seu trabalho. Os resultados organizados em três eixos de análise confirmaram a hipótese e revelaram que, a introdução de medidas orientadas pelo gerencialismo e pela performatividade, associadas à introdução de um currículo padronizado influiram em diversos aspectos da prática docente: direcionamento das atividades de classe para os conteúdos exigidos no SARESP; maior responsabilização e visibilidade das professoras das 4ª séries no que tange ao cumprimento das metas anuais das escolas visando o recebimento de bônus, relações interpessoais e o próprio clima organizacional da unidade escolar permeados por competitividade, insegurança, reconhecimento individual, frustração, constrangimento, desestímulo, em função dos diferentes desempenhos alcançados.

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Alguém se lembra destas metas?

Postado originalmente na Uol em 17/02/2011

Colocar metas para baixo é facil. Difícil é o pessoal de cima sentir-se responsabilizado pelas metas que inventam, em muitos casos, inatingíveis.

Relembremos as metas fixadas em 2007.

Veja as 10 metas do novo Plano Estadual de Educação [do Estado de São Paulo]

Seg, 20/08/07 – 18h45

Anúncio foi feito nesta segunda-feira, 20, em São Paulo

1 – Todos alunos de 8 anos plenamente alfabetizados

2 – Redução de 50 % das taxas de reprovação da 8 a série

3 – Redução de 50% das taxas de reprovação do Ensino Médio

4 – Implantação de programas de recuperação de aprendizagem nas séries finais de todos ciclos (2 a , 4 a e 8 a séries do Ensino Fundamental e 3ª série do Ensino Médio)

5 – Aumento de 10% nos índices de desempenho dos ensinos fundamental e médio nas avaliações nacionais e estaduais

6 – Atendimento de 100% da demanda de jovens e adultos de Ensino Médio com oferta diversificada de currículo profissionalizante

7 – Implantação do Ensino Fundamental de 9 anos, em colaboração com os municípios, com prioridade à municipalização das séries iniciais (1 a . a 4 a . séries)

8 – Utilização da estrutura de tecnologia da informação e Rede do Saber para programas de formação continuada de professores integrado em todas as 5.300; escolas com foco nos resultados das avaliações; estrutura de apoio à formação e ao trabalho de coordenadores pedagógicos e supervisores para reforçar o monitoramento das escolas e apoiar o trabalho do professor em sala de aula, em todas as DEs; programa de capacitação dos dirigentes de ensino e diretores de escolas com foco na eficiência da gestão administrativa e pedagógica do sistema.

9 – Descentralização e/ou municipalização do programa de alimentação escolar nos 30 municípios ainda centralizados

10 – Programa de obras e infraestrutura física das escolas:

Garantia de condições de acessibilidade em 50% das escolas, para atender a demanda dos alunos com deficiência; construção de 74 novas unidades, reforma e ampliação de 77escolas (417 salas de aula); extinção das salas com padrão Nakamura); recuperação e cobertura de quadras de esportes; implantação de circuito interno de TV para melhorar a segurança em escolas da Grande São Paulo; 100 % das escolas com laboratórios de informática e de ciência; 100 % das salas dos professores com computadores, impressoras e ambiente de multimídia; atualização e informatização do acervo de todas as bibliotecas das 5.300 escolas.

Da Secretaria da Educação

http://www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/lenoticia.php?id=87027

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Times de Los Angeles desconversa

Postado originalmente na Uol em 19/02/2011

Nova manifestação do NEPC cobra o Times por transparência nos dados de ranqueamento dos professores de Los Angeles. Como mostrei em outra postagem de 8-02-2011, o Times ranqueou 6.000 professores de Los Angeles a partir de dados de 4 anos de desempenho dos alunos destes professores. Os investigadores do NEPC refizeram os cálculos e encontraram falsos positivos e faltos negativos. O Times deste então tem procurado caracterizar a questão como uma mera batalha entre experts. O NEPC reagiu.

“Nos últimos 10 dias, o Times tem se entrincheirado  repetindo vários argumentos para defender suas posições a respeito de sua primeira publicação em 2010 sobre o ranqueamento do ensino, bem como sua estória sobre o recente relatório do NEPC. Estes argumentos estão em dois lançamentos on-line, um pela administração do Times e outro pelo “readers’ representative” do Times.

Para corrigir os erros nas declarações mais recentes, NEPC  postou hoje uma “Fact Sheet” (http://nepc.colorado.edu/files/FactSheetTwo.pdf ). Esta é o segunda do NEPC, a primeira dirigida a imprecisões e distorções do artigo do Times de 7 de fevereiro sobre o estudo do NEPC. Os detalhes da nova “fact sheet” respondem a cinco afirmações feitas por dois posts do Times em seu site em 14 de fevereiro. Algumas são simplesmente falsas, outros são graves deturpações.

“Os leitores do Times estão, sem dúvida confusos”, comenta o diretor de publicações NEPC, Alex Molnar. “As águas estão agora turvas com falsidades e descaminhos. O Times está incorreto ao moldar a estória como se ela fosse um esotérico “ele disse, ela disse”: como uma ‘briga entre os peritos’. Este é um enquadramento que permite ao Times, atabalhoadamente, construir um projeto jornalístico sobre uma falsa base de ciência social.”

Como foi explicado na segunda “Fact Sheet” , a briga entre os especialistas é o argumento essencial porque um modelo de valor agregado produz um conjunto de classificações e um outro modelo produz um conjunto diferente: quem pode dizer quem está certo?

Mas é precisamente porque as classificações são tão instáveis e tão sensíveis às diferentes escolhas dos modelos que o Times nunca deveria ter publicado os rankings individuais dos professores.

(…)

“Esta é uma questão de responsabilidade básica”, disse o diretor do NEPC Kevin Welner. “É impróprio para uma organização que lida com notícias inserir-se no meio de uma campanha de políticas públicas, em grande parte de sua própria criação, posicionar-se como um defensor da transparência e em seguida, deixar de disponibilizar informação crítica sobre suas atividades para exame público.”

Find the Times August 14, 2010 story here:

http://www.latimes.com/news/local/la-me-teachers-value-20100815,0,258862,full.story

Find the Times February 7, 2011 story here:

http://www.latimes.com/news/local/la-me-teacher-study-20110207,0,2144294.story

Find Due Diligence And The Evaluation Of Teachers here:

http://nepc.colorado.edu/publication/due-diligence

Find NEPC Fact Sheet #1 here:

http://nepc.colorado.edu/files/FactSheet.pdf

Find the Times response to the controversy over its February 7, 2010 story here:

http://latimesblogs.latimes.com/readers/2011/02/times-responds-to-criticism-of-teacher-analysis.html and

http://latimesblogs.latimes.com/readers/2011/02/los-angeles-times-stands-by-its-teacher-ratings.html

Find NEPC Fact Sheet #2 here:

http://nepc.colorado.edu/files/FactSheetTwo.pdf

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Os 20 anos da Teach For America

Postado originamente na Uol em 21/02/2011

Abaixo, segue parte do texto de Diane Ravitch abordando a questão dos professores que a ONG americana TFA improvisa para dar aulas em escolas de alto risco nos Estados Unidos. A TFA começou a operar no Rio de Janeiro com o nome de “Ensina!”, inicialmente para preparar tutores em 5 semanas de treinamento, com apoio do BID.

O problema com a TFA

Diane Ravitch

15 fev 2011

Esta semana Teach for America (TFA) comemora seu 20o aniversário. Eu às vezes penso que se eu fosse me formar na faculdade agora, gostaria de solicitar a minha adesão à TFA. Ela atrai jovens  bem educados, brilhantes, idealistas. Sua energia e compromisso são impressionantes.

O problema com a TFA é que ela exagera grosseiramente o seu papel na educação americana. Este ano, a TFA enviou 8.000 jovens às escolas de alto risco; eles concordam em ficar lá por dois anos, alguns permanecem por mais tempo, mas a maioria terá desaparecido no prazo de três anos. Este é um número pequeno se considerarmos que nosso país tem 4.000.000 de professores. E o nosso problema mais urgente é a perda. Daqueles que entram no ensino, 50 por cento somem no prazo de cinco anos. Estas estatísticas são terríveis. Precisamos de um corpo docente estável, não uma porta giratória. Nós precisamos recrutar novos professores, que planejem permanecer no ensino e fazer uma carreira. Os novos professores devem ter uma formação sólida e uma forte preparação para o trabalho. Eles devem ter mentores e o apoio que precisam para sobreviver aos julgamentos dos primeiros anos de vida e melhorar continuamente.

Continue lendo em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/02/the_problem_with_tfa.html

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Uma amostra do que pode vir na esfera federal

Postado originalmente na Uol em 21/02/2011

Para que se tenha uma ideia de como a   educação está sujeita à sua subordinação à administração por resultados, ou   seja, na ótica da lógica dos negócios e do mercado, basta observar alguns   parágrafos do Oficio que o Prefeito de Campinas, Hélio Oliveira Santos,   encaminha à Câmara Municipal de Campinas, justificando seu projeto para   colocar as Secretarias de Educação, Saúde e a de Esportes, no âmbito da   lógica dos negócios.

Diz o Prefeito em seu Ofício de   justificação:

“As organizações sociais representam um   modelo de organização pública   não-estatal”  (grifos meus).   (…) “A desvinculação administrativa em relação ao Estado não deve ser   confundida com uma privatização de entidades da Administra Pública. As   Organizações Sociais não serão negócio privado, mas instituições públicas que   atuam fora da Administração Pública para melhor se aproximarem das suas   clientelas, aprimorando seus serviços e utilizando com mais responsabilidade   e economicidade os recursos públicos.”

Note-se aqui a diferenciação entre   “público” e “estatal”. Quem começou esta brincadeira foi o PT lá nos anos 90.   Há, segundo esta vertente, instituições públicas   estatais e instituições públicas não estatais. Todas são   públicas – portanto, em um passe de mágica, não há privatização. A   diferenciação deixa de ser feita entre público e privado e passa a ser feita   entre público, público estatal e privado. O que não tem finalidade lucrativa,   pode ser considerado público não estatal, mesmo que não seja uma instituição   pública – no caso as Organizações Sociais de direito privado.

E por isso que no ofício se pode ler:   “Importante ainda registrar que o modelo institucional das Organizações   Sociais apresenta vantagens claras sobre outras   formas de organização estatais atualmente responsáveis pela execução   de atividades não exclusivas” – grifos meus.

Segundo o Prefeito:

“são diversos os   Estados que adotam este modelo, como os Estados de São Paulo e Ceará, assim   também como os municípios de Santos, Praia Grande, Bertioga, Santo André,   Hortolândia, Jaguariúna e Mauá, entre outros”.

A finalidade, segundo o Prefeito,   inclui:

“Na condição de entidades de direito   privado, as Organizações Sociais tenderão a assimilar características de   gestão cada vez mais próximas das praticadas no setor privado, o que deverá   representar, entre outras vantagens, a contratação   de pessoal nas condições de mercado, a adoção de normas próprias para   compras e contratos e a ampla flexibilidade na execução do seu   orçamento”.

Temos aqui, uma amostra do que pode vir   na esfera federal. Institui-se contratos de gestão, lilgados a resultados   educacionais – claro sempre medidos por testes padronizados a partir de   “standards”. As consequências, as examinamos aqui quase que diariamente neste   blog e estão disponíveis na literatura internacional.

O Prefeito de Campinas é do PDT, seu   vice-prefeito é do PT, o projeto é assinado conjuntamente com o seu   Secretário de Esportes que é do PCdoB, além do Secretário da Educação Tadeu   Jorge, ex-Reitor da UNICAMP, e também do Secretário de Saúde de Campinas.

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Eutanasia Educacional

Postado originalmente na Uol em 22/02/2011

O fechamento de Escolas Públicas: uma ideia realmente ruim

Diane Ravitch – 08 de fevereiro de 2011

Na semana passada, o Departamento de Educação da Cidade de New York recebeu permissão do Painel de Política Educacional da cidade, ou PPE, para fechar mais duas dezenas de escolas públicas, porque seus resultados são muito baixos. A cidade já fechou mais de 100 escolas e abriu centenas de novas. O consentimento do PPE nunca foi uma dúvida. Nova York tem um sistema de governança para suas escolas públicas em que o prefeito Michael Bloomberg tem completo e ilimitado poder sobre todas as decisões. Ele não só nomeia o Secretário da Educação (o chanceler das escolas), mas nomeia oito dos 13 membros do PPE, que estão ao seu dispor. O prefeito deixou claro que vai demitir qualquer membro do PPE que desafie suas ordens. Assim, quando o Departamento de Educação, controlado pelo prefeito, faz uma recomendação para o PPE, o resultado é predeterminado.

Nosso prefeito está agora em seu nono ano de seu terceiro mandato, e as suas políticas de educação são completamente fundadas na ideia de números, dados e prestação de contas. Cada escola recebe uma letra como pontuação (A-F), e as escolas que recebem um D ou F mais de uma vez são colocadas em vias de ser fechadas. As letras em si são baseadas principalmente em pontuações de testes do estado que não são confiáveis. Só em junho passado, o Departamento de Educação do Estado reconheceu que seus testes eram muito fáceis, e deflacionou as pontuações em todo o estado, anulando quase todos os supostos ganhos históricos da cidade de Nova Iorque. Mesmo que seja óbvio que as pontuações do estado não têm validade científica, elas determinam quais as escolas que irão viver e quais as que irão morrer.

Continue lendo em:

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/02/closing_public_schools_a_truly.html

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CNTE reage ao Pronatec do governo

Postado originalmente na Uol em 23/02/2011

A CNTE faz abaixo uma análise correta dos problemas que cercam a ação do governo Dilma em relação à expansão do ensino médio.

ProUni do ensino médio” colide com objetivos da EC nº 59

17-02-2011

Durante seu discurso de posse, no Congresso Nacional, a presidenta Dilma Rousseff comprometeu-se em melhorar a qualidade da educação básica e em aumentar o acesso à educação infantil e ao ensino médio – dois compromissos louváveis. Contudo, com relação ao ensino médio profissionalizante, a presidenta cogitou estender a experiência do ProUni para esta modalidade, em complemento aos investimentos já iniciados na área de expansão da rede de Escolas Técnicas e de criação dos Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica.

Não obstante a CNTE aplaudir a disposição do governo federal em manter e aumentar os investimentos na educação básica – nível de ensino de competência prioritária de estados, municípios e do Distrito Federal -, não podemos concordar com uma possível extensão do ProUni ao ensino médio profissionalizante, uma vez que compete ao Estado garantir a oferta pública para a universalização das matrículas da pré-escola ao ensino médio, até 2016, conforme determina a Emenda Constitucional nº 59. Ademais, mesmo não contrariando direito recentemente conquistado pela sociedade – de acesso obrigatório e gratuito à educação básica -, a extensão da compensação tributária para escolas particulares da educação básica, além de assegurar mercado a essas instituições, desvirtua o princípio constitucional de prevalência da oferta pública para o ensino obrigatório.

Cabe esclarecer que a CNTE é favorável ao ProUni na qualidade de programa emergencial e temporário, cujo objetivo consiste em ampliar o acesso de jovens – sobretudo das classes menos abastadas – no ensino superior, que não conta com a prerrogativa da obrigatoriedade do Estado. E a ampliação das vagas públicas em Universidades e Institutos Tecnológicos tem ido ao encontro da garantia do direito de todo/a brasileiro/a à educação pública, gratuita, plural, democrática e de qualidade socialmente referenciada – princípios nem sempre assegurados pela rede privada e que acabam por segregar a formação de cidadãos numa sociedade regida cada dia mais pelo conhecimento.

Apesar de tratar-se de um debate incipiente – dado que a pretensa extensão do Prouni ao ensino profissional requer a aprovação de Lei pelo Congresso Nacional – é importante a sociedade começar a discutir o assunto, pois ele mantém relação com os objetivos do novo Plano Nacional de Educação.

Por último, vale destacar que a referida proposta não integra o plano de governo da presidenta Dilma, podendo a mesma ser considerada um perigoso desvio rumo à agenda neoliberal de um Governo tido como democrático e popular.

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Sai portaria do Enem dos professores

Postado originalmente na Uol em 3/03/2011

O Ministério da Educação divulga hoje no Diário Oficial portaria que institui a Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente, conhecido como ENEM dos professores. A portaria amplia o número de representantes no Comite de Governança sem contudo alterar as correlações de força de portaria anterior criticada. Agora é esperar para ver.

Link para a Portaria no. 3 de 2 de março de 2011.

 

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Prova Docente: para registro…

Postado originalmente na Uol em 4/03/2011

MEC regulamenta prova nacional de concurso para professores

Site da CNTE em 03-03-2011

 O Ministério da Educação teve de mudar o primeiro formato da Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente. Atendendo pedidos de pesquisadores e entidades ligadas aos professores, ela ganhou novo nome e função também. A preocupação dos especialistas era que a prova fosse utilizada para avaliação de rendimento do professor e elaboração de rankings. Agora, ela será limitada a selecionar candidatos à carreira. A portaria que regulamenta a prova foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União.

Para as entidades, essa já é uma função importante e que trará ganhos à profissão. “Uma prova nacional pode abrir caminho para termos uma profissão com parâmetros nacionais, além do piso salarial e as diretrizes nacionais de carreira. Ela é importante também porque começa a democratizar o ingresso à carreira em diferentes municípios e Estados”, afirma Roberto Franklin de Leão, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

Em maio do ano passado, quando as primeiras propostas vieram à tona, ela era chamada de Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente. Foi apelidada de Enem do magistério e seguia os moldes da avaliação do ensino médio. Apesar de a primeira função do exame, desde sua proposta inicial, ser a de ajudar Estados e municípios a fazer uma seleção de profissionais de qualidade, outras possibilidades foram estabelecidas e permanecerão.

O documento inicial, colocado em consulta pública à época, dizia que os resultados poderiam servir como auto-avaliação e diagnóstico da formação dos docentes para orientar gestores a definir políticas públicas para a área. Apesar de a ideia estar mantida, as entidades garantem que o modelo não é o mesmo. A primeira edição do concurso nacional só ocorrerá em 2012.

Participação social

Representantes de entidades de pesquisa ligadas à educação, como a Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (Anped), e de associações como a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e a CNTE foram convidadas pela nova presidenta do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela prova, para participar das discussões do modelo da avaliação. Eles farão parte de um comitê que dará consultoria ao Inep na elaboração da prova.

Esse comitê já recebeu a primeira proposta de matriz de competências – que define como o banco de itens da nova prova será elaborado – para analisar. O mesmo documento ficará em consulta pública no site do Inep para receber contribuições da sociedade até março, quando a matriz deve ser definida. Leão lembra que a matriz poderá ser modificada anualmente, o que permite que os cursos de graduação não fiquem presos à proposta de avaliação do concurso nacional.

Os Estados e municípios que não quiserem utilizar a prova nacional poderão solicitar, por exemplo, apenas itens ao Inep para montar a própria seleção. “Poderemos contribuir para a qualificação dos concursos, mesmo que as prefeituras não queiram aderir à prova nacional. Faz parte do papel do MEC induzir essa qualidade”, destaca o ministro.

Dalila Andrade Oliveira, presidente da Anped, espera que o MEC exija dos municípios que utilizarem a prova contrapartidas, como exigências de boa carreira. “Já que o ministério vai resolver o problema deles na elaboração de concursos, ele pode exigir, por exemplo, o cumprimento de pagamento de piso salarial, por exemplo”, comenta.

Para Carlos Sanches, presidente da Undime, o concurso nacional será de extrema importância para os municípios. “Vai facilitar muito o processo de contratação de professores. A maioria absoluta dos municípios de pequeno e médio porte tem dificuldades orçamentárias e estruturais para realizar concursos”, ressalta. Sanches acredita que o nível dos contratados dará um salto de qualidade com a prova.

O presidente da Undime ressalta que, com a prova, pagamento do piso e a oferta de um plano de carreira atraente, não haverá territórios para seleção de professores. “Esse tipo de medida demora a impactar na decisão do jovem de optar pela carreira do magistério, mas é um facilitador e logo poderá chegar lá”, acredita. (IG, 03/03/11)”

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CNTE e Prova do Concurso de Professores

Postado originalmente na Uol em 4/03/2011

Na postagem anterior registrei a atual posição da CNTE – e que não é só dela, mas de outras entidades também, diga-se de passagem. Nota-se, naquela posição divulgada, que a CNTE ainda não entendeu (ou concorda com) que a Prova vai ter repercussão – como admite o próprio Ministro da Educação – sobre as agências formadoras de profissionais da educação. Eles talvez achem que tendo uma matriz de referência acordada para produzir a prova, isso garanta uma boa concepção de educador, uma boa definição do que é um bom professor. Mas, ocorre que matrizes de referência e seus testes não podem – por questões de extensão dos testes e por questões de custo – avaliar tudo. Contentam-se, em geral, em garantir o básico. Ora, o básico é o básico. Portanto, exclui o que não é básico e que é geralmente, o que mais importa em uma formação adequada. O básico não é adequado pelo que ele descreve, mas sim pelo que ele exclui da descrição – por motivo de custo ou de impossibilidade prática de se medir em um teste de multipla escolha. Se você não faz múltipla escolha, depois terá problemas para garantir uma correção adequada e de baixo custo. Questões abertas exigem formação de bancada de juízes para serem corrigidas. Não vamos nem entrar na questão de se o que compõe as matrizes de referência pode ser visto como traços de desempenho unidimensionais ou multidimensionais. No Brasil só temos experiências com traços unidimensionais.

Portanto, independentemente da abrangência que se queira dar, ela estará limitada pelas questões de múltipla escolha do teste. As agências formadoras – como espera o Ministro – reposicionarão seus currículos segundo a Prova. Mas, note, não segundo a matriz como ele espera, mas sim segundo as questões que estão caindo nas provas. Isso produzirá estreitamento curricular – efeito conhecido no mundo inteiro.

Além disso, a nova portaria evitou dizer para quem é a prova: se para o professor de ensino médio, ou para o professor licenciado em ensino superior. Caso não diga, haverá problema pois fica aberta aos dois, os prefeitos sempre preferem professores formados pelo ensino médio pois são mais baratos. Sinal errado. Se disser que é para ensino superior, excluir os portadores de diplomas de ensino médio. Os juízes nos tribunais provavelmente serão acionados – mais barulho na imprensa como foi com o ENEM. Se disser que é para ensino médio, perde apoio de algumas das atuais entidades que estão sustentando políticamente a decisão do MEC, além de assinalar para o país que está valorizando professores que não são formados em ensino superior – na contramão de tudo que se propõe modernamente.

Há outro aspecto que teremos que examinar agora que se decidiu por fazer a prova. Enquanto uma prova faz parte de uma cesta de elementos para definir um posto, os efeitos da imprecisão da prova podem ser compensados por outras formas de avaliação que estão sendo simultaneamente utilizadas. Por exemplo: faço uma prova, depois entrevisto os candidatos, etc. Entretanto, se só a prova é utilizada para selecionar,como um determinado município poderá fazer, temos a questão das imprecisões técnicas que cercam a elaboração de uma prova. Não existem testes perfeitos. Não basta usar TRI e tudo se resolve. Há aspectos psicométricos ligados ao cálculo dos vários tipos de “validade” que precisam ser garantidos e divulgados. A questão pode ser resumida na forma de: qual a possibilidade dos resultados de uma prova a) expressarem de fato o domínio que se pretendeu avaliar; b) qual a possibilidade da um teste, se repetido, produzir os mesmos resultados; c) qual a possibilidade de produzirem falsos positivos e falsos negativos. Para efeito de seleção os professores participantes terão que ser ranqueados – ou não haveria sentido na prova. A TRI vai ranqueá-los automaticamente pela estimação da proficiência obtida na prova. Mas isso supõe que as questões da prova sejam representativas do domínio avaliado. Não sabemos a saúde das avaliações que o INEP tem feito. Não se divulgam estes cálculos.

Durante quase um ano expressei esta preocupação neste blog e diretamente ao Presidente da CNTE em debates onde participamos. Provoquei publicamente a CNTE a assumir outra posição em relação ao exame. Em nota que postou ontem, a CNTE mantém sua posição inicial e contenta-se com a reformulação da portaria ontem divulgada. Falo da CNTE porque é uma entidade que representa milhares e milhares de professores e tem uma história exemplar em defesa destes trabalhadores. Infelizmente, com esta posição, fica aí uma mancha nesta trajetória.

O argumento dela tem sido o mesmo da UNDIME ou do CONSED – há dificuldades para os municípios realizarem concursos para contratar professores. Curioso: os municípios conseguem contratar médicos, policiais e outros servidores públicos. Mas, não “sabem”  como contratar professores… Além disso, a CNTE representa os trabalhadores da educação e não secretários de educação de municípios ou estados. Eles têm suas instâncias.  Portanto, a posição da CNTE só pode ser entedida como sendo a prova nacional de seleção de docentes boa para os trabalhadores da educação. Possivelmente, a CNTE também entenda que a questão da repercussão nos curriculos é assunto do Forundir – Fórum de Diretores de Faculdades de Educação. É verdade. Este Forum entretanto não consegue se organizar e é frágil. Mas registre-se que é nelas que os trabalhadores da educação que a CNTE representa são formados. Mais ainda, faz parte constitutiva da definição de uma profissão, ter formalmente uma agência de formação.

A hístória dirá.

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Críticas ao Enem dos Professores…

Postado originalmente na Uol em 4/03/2011

A reportagem abaixo trata do Exame Nacional de Docentes, aqui apelidado de Enem do Professor.

Crítica ao Enem do professor

Glória Tupinambás

Estado de Minas, 04/03/2011 – Belo Horizonte MG

Entidades resistem à proposta de criação de prova nacional para concursos de docentes, que teria adesão voluntária. Especialista diz que projeto avançou, mas defende ajuste

Entidades representativas dos professores da rede pública de Minas Gerais receberam com críticas a proposta de criação de uma prova nacional para concursos de docentes, anunciada ontem pelo Ministério da Educação (MEC). O órgão publicou portaria normativa no Diário Oficial da União (DOU) instituindo um exame, informalmente batizado de “Enem para professores”, que pode ser usado por estados e municípios para substituir os tradicionais concursos na contratação de educadores. A avaliação será aplicada uma vez por ano, com a primeira edição em 2012.

Continue lendo em:

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/13868/critica-ao-enem-do-professor

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Sobre insanidades na América

Postado originalmente na Uol em 5/03/2011

Um momento de insanidade Nacional

Diane Ravitch – 1 de março de 2011

(…) Estou começando a pensar que estamos vivendo um momento de insanidade nacional. Por um lado, ouvimos exortações piedosas sobre a reforma da educação infinitamente proferidas por nossos líderes nos mais altos cargos políticos, comitivas empresariais, fundações e meios de comunicação. O presidente Obama diz que temos que “out-educated” o resto do mundo para “ganhar o futuro”.

No entanto, a realidade sugere que o movimento de reforma empresarial adotada por muitos desses mesmos dirigentes, incluindo o presidente – vai jogar a educação americana para trás – por quantos anos ou décadas, ninguém sabe. Às vezes eu penso que nós estamos retrocedendo um século ou mais, à idade de Robber Barons e dos grandes grupos empresariais.

Continue lendo (em inglês):

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/03/dear_deborah_lucky_for_you.html

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PNE: política pública sem evidência…

Postado originalmente na Uol em 6/03/2011

O governo envia ao Congresso um PNE – Plano Nacional de Educação – na “cara dura”, sem nenhuma referência à pesquisa educacional que justifique suas opções. Muito dinheiro se gasta em pesquisa para apoiar a elaboração de políticas públicas. Mas os governos preferem ignorá-las quando têm que planejar sua política.

Outros, como os reformadores empresariais por exemplo, se contentam em dizer que “as pesquisas mostram que dá resultados”, mas não as evidenciam também. Com isso, não podemos submetê-las a exame de todas as suas implicações. No fundo, é também uma forma de omitir dados.

No Brasil, situação e oposição, não lidam com dados de pesquisas adequadamente ao elaborarem suas propostas. Alguns nem a mencionam, outros a mencionam sem apresentá-las.

Nos Estados Unidos é um pouco diferente.

A proposta do governo é feita referenciada em um conjunto de pesquisas escolhidas pelo Departamento de Educação. Elas são divulgadas à parte da proposta principal, mas são divulgadas. Com isso, permite-se que pesquisadores independentes examinem as evidências que orientaram as escolhas do governo.

Seria impensável, lá, que o governo enviasse um Plano Nacional de Educação sem qualquer referência à pesquisa educacional. Ou ainda, que se enviasse um documento planejando a educação para os próximos dez anos sem qualquer diagnóstico da situação atual. Ou mesmo que a oposição aceitasse um Plano sem a evidência da pesquisa.

Como se vê: os governos são bons para responsabilizar… os outros.

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