Sergipe: paralisação questiona Projetos de Lei

Belivaldo Chagas (PSD), que tem como vice Eliane Aquino (PT), introduz sistema de avaliação anual na rede pública de Sergipe. Os professores decretaram paralisação dias 2 e 3 de outubro em protesto pela iniciativa e pelo pagamento do piso salarial.

O Governador de Sergipe enviou para a Assembleia Legislativa de Sergipe o Projeto de Lei nº 208/2019 que institui o SAESE – Sistema de Avaliação da Educação Básica de Sergipe, nas escolas públicas estaduais e municipais. A avaliação é de caráter obrigatório e censitário.

O SAESE deverá ser o equivalente aos sistemas de avaliação externa das escolas tal como ocorre em outros estados. Ele acontecerá anualmente na 2a., 5a. e 9a. série do fundamental e na 3a. série do ensino médio, envolvendo apenas as disciplinas de português e matemática. Futuramente, poderá ler ampliado para outros componentes curriculares ou outros anos de ensino.

O Estado também está lançando o programa Alfabetizar para Valer.

Leia aqui.

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Vem aí o neoliberalismo “progressista”

A direita brasileira, que apoiou o populismo de Bolsonaro, trabalha agora para isolá-lo e desconectar-se dele. Imagina, para si, um cenário em que defenderá a permanência da sagrada e atual política econômica neoliberal, apenas adicionando em 2022, alguma política de combate à desigualdade social. Tanto o neoliberalismo radical (por exemplo, Dória), como outra espécie que se encontra em construção, o neoliberalismo “progressista” (por exemplo, Huck), querem afastar-se de Bolsonaro e procurar seu lugar ao sol.

Recuperando-se da ressaca prolongada causada pela eleição presidencial de 2018, partidos derrotados miram o centro do espectro político para se reposicionarem até a disputa de 2022. “

Leia aqui.

Portanto, vem aí o neoliberalismo “progressista” e quem está na dianteira é o apresentador Luciano Huck. Ele não é filiado a partido, mas tem proximidade com siglas como Cidadania (antigo PPS), DEM, Rede e PSDB. Ele será a versão Obama do neoliberalismo brasileiro. 

Leia aqui.

Nos Estados Unidos o neoliberalismo dos republicanos – Reagan e Bush – e o neoliberalismo progressista dos democratas – Clinton e Obama –  conduziram a Trump, pois não resolveram os problemas fundamentais a que se propuseram (Fraser, 2019). Criaram um exército de desiludidos e marginalizados que engrossaram as fileiras dos conservadores autoritários.

Em relação aos Estados Unidos, para Nancy Fraser (2019):

… “as pessoas estão dizendo que não acreditam mais nas narrativas neoliberais reinantes. Eles não têm fé nos partidos políticos estabelecidos na centro-esquerda ou na centro-direita que as proclamaram. Eles querem tentar algo completamente diferente. Esta é uma crise de hegemonia!” (Posição 398.)

Enquanto nos Estados Unidos o neoliberalismo levou, depois de 4 governos, a Trump, no Brasil, o neoliberalismo já veio associado aos conservadores autoritários de Bolsonaro, aprendiz de Trump. Na verdade, como o neoliberalismo é contra o Estado liberal centrista e não se dá com a democracia, ele acaba favorecendo as teorias políticas autoritárias bem ao gosto dos conservadores. Os neoliberais têm se apoiado nos conservadores para “suspender” a democracia liberal em nome da estabilização dos mercados.

Ocorre que no Brasil, a direita liberal (mesmo os democratas de centro) não têm outra proposta econômica a não ser a do próprio neoliberalismo que já está no governo. Apenas discordam da agenda dos costumes de Bolsonaro e de seu autoritarismo exacerbado. Eles não poderão recusar as políticas neoliberais sob pena de perderem o apoio do “mercado”. Por isso, o que deve emergir com alguma probabilidade de sucesso é um “neoliberalismo progressista” semelhante ao de Obama, que procurará restabelecer uma conexão entre o mercado e algumas políticas públicas de Estado, ou até mesmo apenas continuar recitando que é a favor o Estado de Direito.

Leia aqui entrevista de Fraga.

E a centro esquerda? De modo geral, estão todos em busca do centro. Quem já ocupava este espaço, procurará mantê-lo. Pode emergir disso um neoliberalismo de “esquerda”.

Leia aqui.

Se Fraser está certa, tal como nos Estados Unidos, estes neoliberalismos disfarçados estão fadados ao fracasso por aqui. Se a política econômica da direita liberal continuará sendo a do ajuste neoliberal, então não haverá como financiar a inclusão através de políticas públicas de Estado e além do que, a situação geral de precarização do trabalho vai aprofundar-se, pois a crise do capitalismo não dá sinais de arrefecer.

O grave é que esta impossibilidade de sucesso do neoliberalismo – se não de imediato, a médio prazo no Brasil -, pode nos levar de volta às políticas autoritárias e conservadoras de futuros “bolsonaros” ainda mais populistas e autoritários, já que o cordão dos insatisfeitos deve continuar aumentando.

Cresceu de 48% para 53% o “porcentual de brasileiros que desencantados com a política e com os políticos, defendem a atuação de um líder “forte” disposto a quebrar regras” e o mais importante, note-se, é que acham que isso é preciso para “retirar o pais do controle dos ricos e dos poderosos”.

Leia aqui.

Se a esquerda quer investir numa agenda de futuro e não simplesmente voltar ao poder para fazer o mesmo que já fez (trazendo de volta uma situação parecida com 2015 mais adiante), ela deveria pensar a médio prazo.

As políticas neoliberais, hoje, se converteram no “abraço do afogado”. A esquerda precisa colocar-se como “mudança” do status quo e não como defensora deste, olhando para trás. Depois de 40 anos destas políticas, o neoliberalismo é, hoje, o próprio problema e não a solução e voltar ao centrismo só continuará a alimentar o exército de insatisfeitos que demandam soluções. Eles precisam ser esclarecidos sobre a profunda crise do capitalismo, fonte da sua situação social, para pensarmos opções históricas.

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Blog da Helena analisa proposta do CNE – II

Blog da Formação de Professores analisa as novas diretrizes propostas pelo Conselho Nacional de Educação para a  formação:

“Como vimos no post anterior (acesse aqui), a proposta de BNC da Formação de Professores,  consubstanciada na 3a. versão do Parecer do CNE divulgado no ultimo dia 23,  fundamenta suas proposições nas experiências de países que implementam, desde a década de 90, as reformas empresariais na educação.

Neste momento em que debatemos as concepções presentes no Parecer que pretende revisar as DCNs de 2015 amplamente discutidas durante dois anos, no âmbito do CNE e das IES formadoras, é importante que desvelemos a que vieram estas proposições, no atual momento histórico, estabelecendo as relações necessárias entre as concepções construídas nos últimos 40 anos no campo da formação de professores e aquelas que pretendem desconstruir, de forma autoritária, tais proposições, reduzindo o debate a uma audiência pública e a consultas públicas via internet.”

Leia aqui.

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Alerta sobre avaliação dos programas de Pós

Regras de avaliação de programas de pós-graduação em Educação pela CAPES podem quebrar a área.

“Os colegas e as colegas do Programa de Pós Graduação em Educação da UFG produziram um importante documento como subsídio à discussão das propostas da Coordenação da Área de Educação da CAPES relativas  à próxima  Avaliação Quadrienal (2017-2020) dos Programas de Pós-Graduação em Educação.  O documento mostra, cabalmente, o quanto pode ser desastroso, para o conjunta da área, se certos Quesitos e Critérios forem mantidos pela Coordenação de Área em detrimento ao que pensam e ao que fazem xs pesquisadorxs e alunxs dos Programas.”

Leia aqui.

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Klein: a barbárie climática

Uma das crises que compõe o leque de problemas que o capitalismo procura adiar diz respeito à crise ecológica. A jornalista, escritora e ativista canadense Naomi Klein concedeu essa entrevista durante sua turnê mundial para promover seu livro “On Fire: The Burning Case for a Green New Deal”.

Leia a entrevista aqui.

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Blog da Helena analisa proposta do CNE para Formação

Blog da Formação analisa o texto referência da BNC da Formação divulgado no dia de ontem pelo Conselho Nacional de Educação:

“O CNE disponibilizou para consulta em seu site, a 3a. versão do Parecer sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais e Base Nacional Comum para a Formação Inicial e Continuada de Professores da Educação Básica . 

Chama atenção a capacidade da  equipe que compõe a Comissão Bicameral de formação de Professores, de ignorar, secundarizar, desprezar o esforço de construção das DCNs de 2015  no interior do próprio Conselho, após dois anos de debates, consultas e audiências públicas, nos quais foram recuperadas e sistematizadas, não sem dilemas e conflitos no próprio CNE,  concepções importantes construídas pelo movimento dos educadores ao longo dos ultimos 40 anos de luta por uma politica nacional de formação e valorização dos profissionais da educação.”

Leia íntegra aqui.

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Povos indígenas do Xingu desautorizam representante

CARTA DE REPÚDIO CONTRA REPRESENTAÇÃO INDÍGENA NA DELEGAÇÃO DO GOVERNO BRASILEIRO NA ONU

Nós representantes maiores dos 16 povos indígenas habitantes do Território Indígena do Xingu (Aweti, Matipu, Mehinako, Kamaiurá, Kuikuro, Kisedje, Ikpeng, Yudjá, Kawaiweté, Kalapalo, Narovuto, Waurá, Yawalapiti, Trumai, Nafukuá e Tapayuna), viemos diante da sociedade brasileira repudiar a intenção do Governo Brasileiro de incluir a indígena Ysani Kalapalo na delegação oficial do Brasil que participará da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas – ONU que será realizada na cidade de Nova Iorque no próximo dia 23 de setembro de 2019.

O governo brasileiro mais uma vez demonstra com essa atitude o desrespeito com os povos e lideranças indígenas renomados do Xingu e outras lideranças a nível nacional, desrespeitando a autonomia própria das organizações dos povos indígenas de decisão e indicação de seus representantes em eventos nacionais e internacionais.

O governo brasileiro ofende as lideranças indígenas do Xingu e do Brasil ao dar destaque a uma indígena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento indígena do Brasil.

Os 16 povos indígenas do Território Indígena do Xingu através de seus caciques reafirmam seu direito de autonomia de decisão através de seu próprio sistema de governança composto por todos os principais caciques dos povos xinguanos.

O governo brasileiro não se contentando com os ataques aos povos indígenas do Brasil, agora quer legitimar sua política anti-indígena usando uma figura indígena simpatizante de suas ideologias radicais com a intenção de convencer a comunidade internacional de sua política colonialista e etnocida.

Não aceitamos e nunca aceitaremos que o governo brasileiro indique por conta própria nossa representação indígena sem nos consultar através de nossas organizações e lideranças reconhecidos e respaldados por nós.

Atestam esta carta:

Tafukuma Kalapalo / Cacique do Povo Kalapalo; Aritana Yawalapiti / Cacique do Povo Yawalapiti; Afukaká Kuikuro / Cacique do Povo Kuikuro; Kotok Kamaiurá / Cacique do Povo Kamaiurá; Atakaho waurá / Cacique do povo Wauja; Tirefé Nafukuá / Cacique do Povo Nafukua; Arifira Matipu / Cacique do Povo Matipu; Awajatu Aweti / Cacique do Povo Aweti; Mayukuti Mehinako / Cacique do Povo Mehinako; Kowo Trumai / Cacique do Povo Trumai; Melobo Ikpeng / Cacique do Povo Ikpeng; Kuiussi Suya / Cacique do Povo Kisedje; Sadeá Yudjá / Cacique do Povo Yudja; Mairawe Kaiabi / Cacique do Povo Kawaiwete; Associação Terra Indígena Xingu – ATIX.

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CNE: referência para a BNC da Formação é divulgada

O texto referência para orientar a Base Nacional de Formação dos profissionais da educação é divulgado pelo Conselho Nacional de Educação.

“Este Parecer tem como objetivo central fazer uma revisão e atualização da Resolução CNE/CP 5 nº 02/2015, fundamentada no Parecer CNE/CP No 02/2015, levando em conta a legislação vigente, em especial às Resoluções CNE/CP N° 02/2017 e N° 04/2018, definidas com fundamento, respectivamente, nos Pareceres CNE/CP nº 15/2017 e nº 15/2018 que instituíram e definiram a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o conjunto de etapas e de modalidades da Educação Básica.

A BNCC inaugura uma nova era da Educação Básica em nosso país. Pela primeira vez na história o Brasil logrou-se construir consensos nacionais sobre as aprendizagens essenciais que são consideradas como direito de todos os educandos e, portanto, devem ser assegurados ao longo de todas as etapas e modalidades da Educação Básica. Esse processo de discussão foi longo e exaustivamente debatido, visando preservar a autonomia dos diversos entes federados para, partindo da referência comum e obrigatória disposta na BNCC, construir currículos contextualizados, tendo como princípio básico e fundante a superação da desigualdade educacional e a garantia da equidade de tratamento para todas as identidades que contemplam a população brasileira. “

Baixe aqui a íntegra.

Acesse aqui o site do Conselho Nacional de Educação.

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PT-Bahia trai a agenda da educação pública

O PT da Bahia, traindo a agenda da educação pública, vai “publicizar” parte da administração das suas escolas públicas. Publicizar é uma desculpa para a “privatização envergonhada ou matreira”. O termo publicizar foi criado no âmbito da reforma do Estado que Bresser Pereira organizou para o governo de Fernando Henrique Cardoso nos anos 90, durante a primeira onda neoliberal, e destinava-se a diferenciar entre “publicizar” e “privatizar”.

Para evitar ser carimbado de privatista, os governos oportunistas usam este expediente e criam uma diferenciação abstrata entre publicizar e privatizar. Privatização existiria só quando se vende o empreendimento, por exemplo, a venda de empresas estatais. No caso da educação, estradas, hospitais, segurança, como não há venda propriamente dita, eles consideram que estão “concedendo à iniciativa privada” apenas a administração e não privatizando. Para amenizar ainda mais o impacto, as concessões começam, na educação, pela área administrativa – excluída a parte pedagógica. Depois se generalizam.

Contudo, não existe “meia privatização”. Primeiro, com ou sem venda, é a iniciativa privada que passa a controlar o que é feito na escola e a gestão é de orientação privada; segundo, não importa se é a escola inteira ou meia escola, envolvendo apenas a área administrativa. Privado não é público e vice-versa, não importa o que se diga.

Leia matéria anterior aqui.

Da mesma forma, não importa se é uma organização social com fins lucrativos ou sem fins lucrativos. Todas estas formas de explicação são, na verdade, maneiras de ocultar o início da implantação do controle privado sobre o público.

Baixe aqui a Portaria do governo da Bahia.

Baixe aqui o Projeto de Publicização.

São estas traições que vão criando o desalento nas bases políticas e abrindo caminho para a aliança neoliberal/conservadora.

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Cássio e Ximenes analisam a censura de Doria

Matéria de Fernando Cássio e Salomão Ximenes analisa o episódio de censura na rede estadual paulista e a relação com a concepção de currículo centralizado:

“Governo paulista invoca a Base Nacional Comum Curricular para justificar a interdição de debates de gênero e o recolhimento de apostilas de quase 340 mil estudantes do ensino fundamental.”

Leia aqui.

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Blog da Helena: CNE disponibilizará BNC da Formação

Blog da Formação comenta a BNC da Formação de professores:

“O CNE submeterá a consulta pública nesta 2a. feira, em seu site, a proposta de revisão das DCNs de 2015 a qual certamente comporá o conjunto da Base Nacional Comum Curricular da Formação de Professores.  O objetivo central é situar a atual BNCC da Educação Básica como horizonte único da formação de professores, aumentando o controle sobre os processos formativos com vistas à avaliação de cursos, professores e creditação de instituições.”

Leia aqui.

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Silva Filho: compreender a privatização

Penildon Silva Filho comenta o encontro realizado por entidades da área da formação de educadores em Salvador nesta semana:

“Como resultado dos encontros da ANFOPE, do Forumdir, do Forpibid e RP e do Forparfor, esperamos um processo de compreensão desse fenômeno de privatizações e de engajamento dos educadores na resistência a esse processo de desmonte da Educação brasileira.”

Leia aqui.

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Base da Formação será divulgada

A Base Nacional da Formação de Profissionais da Educação deverá ser divulgada pelo Conselho Nacional de Educação na próxima segunda feira em regime de consulta pública.

A informação foi divulgada no décimo seminário da ANFOPE – “Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação”, que encerrou nesta quinta feira dia 19-09-19.

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“Forma Brasil!”

Secretário de Educação Básica do MEC anuncia a retomada de duas ações antigas, agora sob nova direção: o programa “Forma Brasil Docente” – produto do desenvolvimento da BNCC e que atinge docentes – e “Forma Brasil Gestor” – programa de formação e credenciamento de gestores.

As duas propostas foram apresentadas ontem pelo secretário durante o Educação 360 Encontro Internacional.

Leia aqui.

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Kennedy Alencar: “fica claro que houve golpe”

Não precisamos de 20 anos para descobrir. Como também, aqui, defendemos que o que estava em curso contra Dilma era um golpe, registro o depoimento de Temer nessa semana, no programa Roda Viva, através de matéria de Kennedy Alencar:

“Temer restabeleceu a verdade histórica. Fica claro que houve, sim, golpe parlamentar, expressão que sempre foi usada neste blog e nos comentários na rádio CBN em relação ao impedimento. A tese de golpe foi negada por parcela do país. E agora, José?

Leia íntegra aqui.

O neoliberalismo tem um lado golpista: ele admite que a democracia pode ser “suspensa” quando a estabilidade do mercado assim o exige, ou quando o próprio livre mercado está em risco. E é o próprio Mercado que define quando isso se faz necessário.

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Arroyo: militarização criminaliza infâncias populares

Em entrevista a CartaCapital, o educador explica o modelo de escolas militarizadas como parte integrante de uma política vigente de “criminalização dos mais pobres”, que questiona as estruturas democráticas, sobretudo as escolas, a partir de um discurso de medo, exceção e ameaça.

Acesse aqui.

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UFSC: Nota dos alunos da Pós-Graduação em Educação

Enfrentar o projeto de desmonte das Universidades Públicas, barrar o avanço da retirada de direitos da classe trabalhadora e construir uma universidade alinhada aos interesses do povo brasileiro!

Baixe aqui.

Em assembleia realizada no dia 05 de setembro de 2019 nós, estudantes, pesquisadoras e pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina deliberamos pela deflagração de greve a partir do dia 09/09/2019 como estratégia de luta para enfrentarmos os ataques e assaltos à Universidade Pública brasileira e à classe trabalhadora. Diante do momento atual, após uma série de discussões e análises, optamos pela greve – nossa ferramenta histórica – como a única forma de luta possível contra um governo incapaz do diálogo, que idolatra a violência, o preconceito, a intolerância e o autoritarismo.

Enquanto trabalhadores e trabalhadoras da educação, coerentes em nosso compromisso de produzir pesquisas de qualidade com a finalidade de transformar a educação do país, não nos é possível continuar nossas atividades fingindo uma normalidade enquanto sofremos duros ataques por parte do governo e grupos que – ao apoiarem sua política de sucateamento da educação pública, de retirada dos direitos trabalhistas e de mercantilização da previdência – se beneficiam, as nossas custas, classe trabalhadora do Brasil, fazendo do país seu grande balcão de negócios.

A extensão e intensidade dos ataques pode ser identificada, grosso modo, com a E.C. 95 (2016), a qual garante, por força de lei, um contingenciamento dos gastos sociais, em especial saúde e educação, liberando parte do fundo público para o pagamento da dívida e farra do setor financeiro estrangulando, assim, a capacidade do Estado de gerir as políticas sociais; com a reforma do ensino médio e a BNCC que ajustam a formação dos estudantes aos interesses do capital e dos Organismos Internacionais, balizando a formação por índices e avaliações em massa formatando as novas gerações niveladas pela mediocridade; com a reforma trabalhista, a qual fragiliza a classe trabalhadora em sua luta contra a cotidiana exploração capitalista em nome do aumento da lucratividade do capital; com a proposta da reforma da previdência que transfere parte da responsabilidade do Estado com a seguridade social, garantida constitucionalmente, para o mercado, proporcionando um grande fluxo de capital para a esfera financeira; com os cortes e contingenciamentos no orçamento da educação, sucateando a Universidade Pública, em vias de encerrar suas atividades por falta de financiamento e, como alternativa, propondo saídas autoritárias e inescrupulosas como a minuta do Projeto de Lei Future-se, uma afronta à universidade, à sua autonomia e ao ensino, a pesquisa e a extensão.

Por estas razões, nós discentes do PPGE/UFSC convocamos aos demais discentes, professores e técnicos a se somarem na greve deflagrada em assembleia geral no dia 02/09/2019 por todas as categorias que compõem a comunidade universitária UFSC. Não nos resta outra alternativa que não transformar a luta que é permanente em uma greve por tempo indeterminado! Que ousemos torná-la nacional e que busquemos unificar os mais amplos setores da classe trabalhadora do país em defesa da Universidade Pública. Resistir é necessário, mas não basta, é preciso avançar nas pautas históricas e imediatas das trabalhadoras e trabalhadores do Brasil.

À GREVE e à LUTA!

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ENAMEB: aberto prazo para emendas

O prazo de cinco sessões da Câmara, a partir de 13/9/19, foi aberto para apresentação de emendas ao projeto do ENAMEB – Exame Nacional do Magistério da Educação Básica.

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ENAMEB é retomado na Câmara

O projeto de lei 6114/2009 foi retomado. Ele institui o Exame Nacional de Avaliação do Magistério da Educação Básica – Enameb. Propõe-se a regulamentar a avaliação dos profissionais da educação. Ela havia parado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, depois que circulou e foi aprovado pela Comissão de Educação da Câmara. O novo relator do projeto é o deputado Pedro Cunha Lima do PSDB da Paraíba.

Em 2017, esta mesma CCJC, tendo como relator Valtenir Pereira, finalizou um Parecer que não chegou a ser votado, pois o Deputado deixou a CCJC e o projeto parou.

Acesse aqui como estava o parecer em 2018.

Acompanhe aqui o andamento do projeto.

Veja aqui histórico de comentários sobre o tema neste blog.

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A boca torta dos liberais arrependidos

Priscila Cruz, do Todos pela Educação, não aceita as escolas cívico-militares como solução e examina as razões delas aparecerem como escolas eficazes:

“Com efeito, o que mais explica os resultados das escolas militares são os fatores extraescolares. Algumas delas selecionam estudantes por meio de provas, como num vestibular, e assim têm a tarefa de ensinar para quem já tem aprendizagem acima da média. Mas o que mais explica o Ideb maior é o nível socioeconômico médio dos alunos, que são em maioria de famílias de classe média ou média alta, bem diferente da média nas escolas regulares.”

Leia aqui.

Também identifica o motivo correto pelos quais os pais se resignam ao modelo:

“Pode ser então que a justificativa seja apenas mais segurança. É inegável o fator “disciplina” nessas escolas, e justo que as famílias desejem um ambiente seguro aos seus filhos. Mas o preço é o senso de repressão e da supressão da individualidade dos alunos.”

Não só forma a individualidade do aluno, mas também fornece um modelo de sociedade. As escolas cívico-militares não são um assunto técnico. São uma questão política. Elas representam a forma como o sistema atual reage às crises estruturais pelas quais ele passa, ante a revolta pelo fracasso das promessas do liberalismo pragmático, centrista, que entre nós se manifestou na social-democracia dos últimos 20 anos.

De fato, o que pesa na escolha dos pais é a segurança imediata dos seus filhos, imersos em uma sociedade que não lhes garantiu igualdade real e democracia suficiente. As escolas cívico-militares representam a perda de confiança na democracia liberal e a preparação da juventude para uma sociedade meritocrática e autoritária, onde cada um tem apenas a si mesmo como referência.

Mas não deixa de ser interessante ver os liberais responderem às escolas cívico-militares, pois os liberais têm uma dificuldade enorme em reconhecer “fatores extraescolares” limitadores do desempenho do aluno e, jamais os reconhecem como limitadores do trabalho do professor – ainda que, como Priscila, os reconheçam como fator explicativo dos maiores desempenhos obtidos pelos alunos.

Isso se deve a que os liberais brasileiros acham que a “educação” é a mãe de todos os outros direitos e que a escola é a responsável por garantir o “direito à educação”. Enquanto pôde, negou a própria escola. Confrontada, cedeu, mas tratou de redefinir a “boa educação” como “sair-se bem no IDEB”, o que entende que assegura aos alunos as oportunidades – ainda que estes devam batalhar por elas na escola e na vida. O direito à educação tornou-se direito a uma oportunidade abstrata, e não mais que isso.

Estas ideias foram amplificadas a partir da revolução francesa (1789), a qual é a mãe do liberalismo centrista (em oposição ao liberalismo radical). Desde lá, o mundo liberal promete progresso para todos os esforçados.

No entanto, bastaram avanços tímidos, retirados das elites a duras penas pelas lutas populares, para que logo se considerasse que o Estado do bem-estar social e a própria democracia liberal eram inapropriados. Essa erosão começou no dia seguinte da revolução francesa quando o conceito de “cidadania” começou a ser redefinido para limitar a participação do povo. Amplificou-se depois de 1970 quando o capitalismo entrou em uma fase de crises estruturais.

É exatamente este modelo de filosofia social liberal que fracassou ao longo dos últimos 200 anos. Não agradou nem ao andar de cima e nem ao de baixo. Lula fez o que pode. Quanto ao andar de cima, preferiu recuperar as teses do liberalismo radical (neoliberalismo), aquele que estipula que cada um tem que se virar por si mesmo sem o Estado, pois ficou caro manter o Estado do bem-estar social e os impostos subiram. Quando ao andar de baixo, nunca viu as promessas de um efetivo bem-estar chegar e tudo não passou de uma “oportunidade” não concretizada para a maioria. Em meio às crises, restou retomar o liberalismo radical (neoliberal). Esta é a raiz da crise da democracia liberal centrista que, agora, os liberais brasileiros querem retomar, para que tudo continue como antes.

Pode ser até que se consiga reverter o estado atual. Devemos até mesmo desejar que pelo menos se consiga isso, ante o desmonte do Estado e da Nação. Mas é claro que só isso não nos levará muito longe.

Ocorre que os liberais brasileiros querem fazer um “upgrade” num sistema falido e combinar propostas antagônicas: querem o neoliberalismo (liberalismo radical) e suas reformas econômicas, mas também querem a democracia liberal centrista dos direitos, que ameniza os conflitos. Não perceberam, ainda, que a democracia liberal dos direitos é incompatível com o liberalismo radical meritocrático. Se voltarmos ao liberalismo centrista, isso deverá ser para superá-lo em direção a uma democracia muito mais radical e muito mais igualitária – e não para permanecermos nele. Sem isso, seremos devolvidos, no futuro, ao mesmo estágio da crise atual.

O neoliberalismo além de não resolver as crises do sistema, também não convive mais com a democracia liberal e demonstrou estar disposto a abrir mão dela toda vez que estiver em jogo as teses neoliberais do livre mercado. Eis porque se dão muito bem com os conservadores autoritários.

Os liberais centristas brasileiros copiaram toda sorte de receitas neoliberais para a reforma empresarial da educação (BNCCs, testes censitários, responsabilização etc.) e de quebra, também as habilidades sócio-emocionais que eles acham que promovem a “cidadania”. Acreditavam que, com isso, estariam “garantindo direitos”. Não viram que tais receitas foram criadas, lá fora, no âmbito do liberalismo radical americano e inglês, que agora nos está destruindo.  Sem visibilidade, querem combinar tais receitas com a antiga democracia liberal. Querem as reformas econômicas neoliberais que desestabilizam o crescimento econômico e a distribuição de renda, implantam uma geocultura meritocrática e impedem (pela destruição das políticas sociais) que o Estado possa realizar o papel de promotor da igualdade (até mesmo de oportunidades), mas querem preservar a “cidadania” da democracia liberal a “custo zero”.

É hora de irmos para outro patamar de democracia e igualdade. É hora de pensarmos a escola sob uma nova forma e conteúdo – como indutora de formas superiores de democracia e igualdade. O andar de baixo está cansado de falsas promessas e começa a aderir ao autoritarismo.

A partir de outras finalidades para a educação, que não seja “ganhar dinheiro para, ganhar mais dinheiro, indefinidamente”, temos que pensar e configurar uma nova escola para a juventude, juntamente com a tarefa de lutar para resguardar o frágil nível de democracia e igualdade já conquistado.

É hora de radicalidade, se queremos dar uma opção histórica de caráter popular, que evite a construção da opção autoritária que está em curso pelas elites. É hora dos liberais centristas mostrarem que, de fato, estão compromissados com mais democracia e mais igualdade. Isso começa por rejeitar a reforma empresarial e meritocrática da educação proposta pelos neoliberais.

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Privatização fracassa no Texas, mas encanta por aqui

O governo brasileiro anunciou sua estreia no uso de terceirização e vouchers com as 1000 creches que estão em construção nos municípios. Vai destinar recursos públicos para comprar vagas de terceirizadas que se dispuserem a acabar tais escolas.

“Em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’, a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seillier, explicou que, na falta de recursos públicos para finalizar esses empreendimentos, a ideia é atrair um parceiro para acabar as obras, tocar a operação das creches e ofertar as vagas. Caberia ao governo comprar parte dessas vagas, como compensação aos investimentos feitos, e redistribuí-las à sociedade.”

Leia mais aqui.

Em tempos de entusiasmo no Brasil pelas escolas terceirizadas (charters) e por vouchers é relevante examinarmos o resultado destas “inovações” nos Estados Unidos, onde estão sendo implementadas há anos. Diane Ravitch resume a situação do Texas que é, em grande parte, a situação de outros estados americanos que embarcaram na “receita”:

“A lógica original para as escolas charter era que elas seriam inovadoras, seriam responsáveis ​​e teriam lições para compartilhar com as escolas públicas. Agora sabemos que a única inovação associada às escolas charter é a adoção de disciplina severa, remanescente das escolas de um século atrás.

Agora sabemos que os lobbies das terceirizadas são contra a “accountability”.

Elas não se veem mais como colaboradoras, mas sim como concorrentes. Se elas têm algo a compartilhar, não o estão fazendo.

Suas maiores inovações são desviar recursos das escolas públicas e escolher os alunos que elas desejam para si. Como setor, o setor terceirizado produziu uma infinidade de fraudes e escândalos, o que você é de se esperar que aconteça quando os empreendedores recebessem dinheiro do governo sem supervisão ou prestação de contas.

Os defensores das terceirizadas alegavam que elas “salvariam as crianças pobres de escolas fracassadas”, mas na maioria dos estados é melhor que estas crianças pobres permaneçam na escola pública.

O Texas está prestes a ser inundado com dezenas de novas escolas terceirizadas, graças aos recentes aportes de Betsy DeVos [Secretária de Educação] às grandes cadeias de terceirizadas IDEA e KIPP. Essas doações vieram do programa federal para financiar Escolas charters que DeVos usa como um fundo perverso destinado a prejudicar as escolas públicas.”

Diane Ravitch tem como base um estudo realizado por William J. Gumbert que examina o último relatório de avaliação do estado do Texas o qual conclui:

  1. Os distritos escolares (públicos) têm classificações acadêmicas significativamente mais altas do que as terceirizadas aprovadas pelo Estado;
  2. As terceirizadas continuam a ter uma porcentagem maior de escolas de “baixo desempenho” nas comunidades locais; e
  3. A privatização (feita de acordo com a legislação estadual S.B. 1882) resultou na redução do desempenho dos alunos.

Leia aqui.

QuadroCharter (2)

Por que copiamos no Brasil algo  que não funciona?

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Projetos de lei arquivados

Dois projetos de lei estão sendo arquivados:

O PL 04486/2016 de autoria de Rogério Marinho, hoje no governo Bolsonaro, solicitando que a Base Nacional Comum Curricular fosse aprovada pelo Congresso e não pelo Conselho Nacional de Educação apenas.

E o PLP 00413/2014 sobre a constituição do Sistema Nacional de Educação.

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Blog da Helena: “o inexplicável silêncio do CNE”

O Blog da Helena – Blog da Formação de Professores – questiona o silêncio do Conselho Nacional de Educação ante a destruição que sofre a educação nacional e a formação de professores:

“Nem mesmo a onda de resistência nacional ao Future-se, que representará a derrota de toda a possibilidade de mantermos e expandirmos – ainda que nos tímidos termos indicados no PNE – , a educação superior pública gratuita, fez com que o CNE saísse do seu silêncio.”

Leia aqui.

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UFG: Reitoria é ocupada contra retrocessos

MANIFESTO
ESSA NÃO É A UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS!

Hoje, 05 de setembro de 2019, o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFG [Universidade Federal de Goiás] vem a público comunicar a todas e todos pertencentes á comunidade acadêmica e a sociedade que a Reitoria da nossa Universidade encontra-se OCUPADA.

Nós estudantes tomamos essa decisão prática como forma de nos posicionar contra o desmonte protelado da UFG em meio aos retrocessos que a educação pública vem sofrendo de cortes de verbas e ameaça de privatização com o projeto “Future-se” no nosso país. Demissão de trabalhadores terceirizados, racionamento do uso de água e energia (incluindo o desligamento de ar condicionados), corte de bolsas (monitoria, assistência estudantil, etc.) ou atraso no pagamento, falta de verbas para realização de aulas e atividades práticas que envolvem material de laboratório, suspensão do edital de residência médica do Hospital das Clínicas UFG, entre outras. Essa é a atual situação de calamidade da nossa Universidade.

Desde a aprovação da Emenda Constitucional 95, durante o Governo de Michel Temer, a Universidade Pública começou a sentir o impacto orçamentário que começaria a acarretar prejuízos para o desenvolvimento de uma educação pública, gratuita, democrática, autônoma, socialmente referenciada e de qualidade. Agora, com o Governo Bolsonaro o projeto de desmonte da Universidade fica ainda mais intenso desde as suas declarações mentirosas e vexatórias sobre as Universidades Federais até os cortes de 30% das verbas destinadas as mesmas e dos investimentos em ensino, pesquisa e extensão.

Não temos dúvidas de que Bolsonaro e seu atual Ministro da Educação, Abraham Weintraub, são inimigos da educação! Estes, sob um projeto fascista de destruição das riquezas e patrimônios públicos do povo brasileiro e entregá-los a banqueiros e empresários, agora querem acelerar o processo de destruição da Universidade Pública brasileira. Um país sem educação acessível e de qualidade é um país sem soberania nacional e desenvolvimento baseado na ciência e na tecnologia.

Mas por quê é tão importante defender a Universidade Pública? Cerca de 80% dos estudantes da UFG são de baixa renda, muitos são oriundos de outros Estados do Brasil, ingressaram na Universidade através do programa de cotas e do Sistema de Seleção Unificada (SiSu). A UFG é responsável hoje por formar estudantes da educação básica gratuitamente através do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE), possui o Hospital das Clínicas 100% SUS que realiza atendimentos e procedimentos à população, realiza anualmente mais de 2000 projetos de extensão com a sociedade, desenvolve pesquisas em parceria com mais de 100 países, está entre as 20 melhores universidades do Brasil (RUF 2018 e THE 2018). Essas são algumas das qualidades da nossa Universidade que se encontram ameaçadas com os retrocessos que estão ocorrendo. A Universidade Pública é nossa!

A grande questão que todo este cenário nos coloca é a seguinte: vamos apenas prolongar alguns dias a nossa universidade e esperar por sua morte lenta ou vamos dar uma resposta enfática contra os ataques que a ameaçam? É o momento de mostrar ao Governo federal que não vamos aceitar esta chantagem que vem sido feita. Não ficaremos de joelhos, acovardados, mas lutaremos em pé pelo nosso futuro e de toda a nação.

Por isso também, o Diretório Central dos Estudantes, reforça a chamada para o 4° Tsunami da Educação e o Grito dos Excluídos que ocorrerá no feriado do dia 07/09, com concentração a partir das 8h30 em frente à Catedral Metropolitana de Goiânia (Rua 10), para que possamos lotar as ruas contra as medidas antidemocráticas e anti povo instauradas pelo governo Bolsonaro.

https://www.instagram.com/p/B2CWm8NHxQm/?igshid=nnrb4c16blaf

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Mauro Sala examina o “Novotec” de Doria

Mauro Sala examina a implementação da Reforma do Ensino Médio e da BNCC na rede estadual de São Paulo, centrando a reflexão no programa Novotec do governo Doria.

“No primeiro semestre desse ano, o governo de João Doria (PSDB) lançou um projeto chamado Novotec. Trata-se de um programa que visa trazer “opções de cursos profissionalizantes aos estudantes das escolas estaduais do ensino médio paulista”. Segundo o governo, esses cursos “têm conteúdo conectado com demandas do mercado de trabalho e da vida fora da escola.”

Acesse aqui.

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UFSC decide: contra o Future-se

Em assembleia geral a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) decretou greve geral, suspensão do vestibular e rejeição ao Future-se.

Leia mais aqui.

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Pelos direitos humanos: manifesto apoia Deborah Duprat

Trinta e cinco parlamentares, ex-ministros e professores universitários lançam, hoje, um manifesto em defesa da subprocuradora Deborah Duprat.

Ela é objeto de uma contestação pelo PSL via Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), que entende que ela teve atuação político-partidária. Atualmente, Deborah comanda Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão. O órgão foi contra o decreto de armas e outras medidas do governo Bolsonaro.

Leia a íntegra.

A proteção e a promoção dos direitos humanos são valores consagrados na Constituição Cidadã de 1988. Além disso, estão inseridos em diversos tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU), o Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos (ONU), o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (ONU), o Pacto de San José (OEA), entre vários outros instrumentos.

Nesse contexto, o Ministério Público Federal, especialmente por meio da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, tem desempenhado papel fundamental na defesa e na garantia desses valores civilizatórios, essenciais para a democracia brasileira. Por isso, são inaceitáveis as recentes tentativas de intimidação da Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat. As representações do PSL contra Duprat junto ao CNMP buscam constranger a atuação de uma profissional com mais de 30 anos de trabalhos prestados junto ao Ministério Público Federal.

A defesa dos direitos humanos e das minorias, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, crença religiosa, orientação sexual, condição social, idade e quaisquer outras formas de discriminação, é um dever de qualquer agente público no exercício de suas funções, não uma questão “ideológica”, como argumenta o PSL. Assim, qualquer eventual punição imposta à Procuradora Deborah Duprat em razão de sua atuação em defesa do texto constitucional deve ser considerada um grave ataque contra o Estado Democrático de Direito e contra a autonomia do próprio Ministério Público.

No atual momento histórico, de avanço do conservadorismo e interdição da alteridade, é nosso dever defender e amplificar vozes corajosas que defendem incansavelmente valores civilizatórios, como o pleno respeito aos direitos das minorias e a liberdade de expressão e de pensamento. Mais do que nunca é preciso reafirmar os compromissos já estabelecidos pelo Brasil com a proteção e a promoção dos direitos humanos.

Não podemos aceitar quaisquer retrocessos antidemocráticos e anticivilizatórios. Como forma de reação e de defesa dos direitos humanos e da democracia, manifestamos publicamente nossa solidariedade à Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, e repudiamos veementemente as ações do PSL, derivadas do reacionarismo do clã que hoje governa o Brasil.

 

Aloizio Mercadante – Ex-ministro da Educação

Miriam Belchior – Ex-ministra do Planejamento, Orçamento e Gestão

Ideli Salvatti – Ex-ministra da Secretaria de Relações Institucionais

Eleonora Menicucci – Ex-ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres

Senador Humberto Costa (PT/PE)

Senador Jaques Wagner (PT/BA)

Senador Rogério Carvalho (PT/SE)

Senador Paulo Rocha (PT/PA)

Senador Paulo Paim (PT/RS)

Senador Jean Paul Prates (PT/RN)

Senadora Zenaide Maia (PROS/RN)

Senador Randolfe Rodrigues (REDE/AP)

Senador Weverton Rocha (PDT/MA)

Deputado federal Paulo Pimenta (PT/RS)

Deputado federal Waldenor Pereira (PT/BA)

Deputada federal Rosa Neide (PT/MT)

Deputado federal Patrus Ananias (PT/MG)

Deputada federal Natália Bonavides (PT/RN)

Deputada federal Margarida Salomão (PT/MG)

Deputado federal Alencar Santana (PT/SP)

Deputado federal Pedro Uczai (PT/SC)

Deputada federal Maria do Rosário (PT/RS)

Jesualdo Pereira Farias – Ex-presidente da ANDIFES

Odilon Marcuzzo do Canto – Ex-presidente da ANDIFES

Oswaldo Baptista Duarte Filho – Ex-presidente da ANDIFES

Paulo Speller – Ex-presidente da ANDIFES

Maria Lúcia Cavalli Neder – Ex-presidente da ANDIFES

José Ivonildo do Rêgo – Ex-presidente da ANDIFES

Newton Lima Neto – Ex-presidente da ANDIFES

Amaro Henrique Pessoa Lins – Ex-presidente da ANDIFES

Ângela Maria Paiva Cruz – Ex-presidente da ANDIFES

Luiz Carlos de Freitas – Professor Colaborador da Faculdade de Educação da Unicamp

Luiz Fernandes Dourado – Professor Titular e Emérito da UFG

Selma Rocha – Professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo

Carlos Augusto Abicalil – Ex-presidente da CNTE

Carlos Roberto Jamil Cury – Professor Titular e Emérito da UFMG

FASUBRA – Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições Públicas de Ensino Superior do Brasil

CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação UNE – União Nacional dos Estudantes

CUT – Central Única dos Trabalhadores

CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil

UBES – União Brasileira dos Estudantes Secundaristas

PROIFES – Federação de Sindicatos de Professores e Professoras de Instituições Federais de Ensino Superior e de Ensino Básico Técnico e Tecnológico

MNU – Movimento Negro Unificado

CONTEE – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino

Aliança Nacional LGBTI+FÓRUNS

EJA – Fóruns de Educação de Jovens e Adultos do Brasil FORPIBID

Fórum Nacional dos Coordenadores Institucionais do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência ABEH

Associação Brasileira de Estudos da Homocultura Grupo Dignidade  Fórum Estadual de Educação do Rio de Janeiro

Fórum Estadual de Educação da Paraíba Fórum Estadual Popular de Educação de Santa Catarina

Fórum Estadual Popular de Educação do Espírito Santo

Fórum Estadual Popular de Educação do Paraná

Fórum Distrital de Educação (DF)

Fórum Estadual de Educação de São Paulo

CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura

ANPED – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação

MIEIB – Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil

ANPAE – Associação Nacional de Política e Administração da Educação

SINDIFES – Sindicato dos Trabalhadores nas Instituições Federais de Ensino

SINPRO-DF

SINPRO-MG

DCE UFMG

CUT-MG

AMES-BH – Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas de Belo Horizonte

FENET – Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico

APUBH – Sindicato dos Professores de Universidades Federais de Belo Horizonte, Montes Claros e Ouro Branco

FMDDE – Frente Mineira em Defesa da Democracia e da Educação

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Artigo sobre a “Ensina Brasil!”

A Teach for América é uma organização americana que se dedica principalmente a formar em 5 semanas professores para cadeias operadoras de escolas terceirizadas. Ela já está operando no Brasil. Artigo de Eliel Moura, Jorge Najjar, Waldeck Carneiro: “NEOLIBERALIZAÇÃO E REFORMA EDUCACIONAL : A CHEGADA DA ORGANIZAÇÃO TEACH FOR AMERICA NO BRASIL, examina a questão.

“O artigo analisa alguns dos principais apontamentos teóricos e debates envolvendo os estudos sobre a organização estadunidense Teach For America (TFA) e sua rede global Teach For All, iniciativas que se têm notabilizado pelo forte apoio a reformas educacionais de matriz liberal. Tendo como ponto de partida a noção de que processos de neoliberalização tem possibilitado a circulação de novos protótipos de políticas orientadas para a expansão da lógica do mercado, o trabalho aborda ainda a chegada e a tentativa de consolidação no país da organização Ensina Brasil, braço nacional do TFA.”

Acesse aqui.

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Governo inicia privatização na educação básica

Sem estudos que possam orientar políticas públicas responsáveis, o governo embarca em uma combinação de concessão de creches para a iniciativa privada e vouchers. Ele continuará a asfixiar a educação como justificativa para sua privatização. Paralelamente, argumentará que está concedendo e não privatizando. Já vimos tais argumentos no ensino superior.

 Começa agora a privatização da educação básica com a desculpa de que não tem como acabar quase 1000 creches que estão em construção e que, portanto, serão entregues à exploração do mercado empresarial educacional.

“Em entrevista ao ‘Estadão/Broadcast’, a secretária especial do Programa de Parcerias de Investimentos, Martha Seillier, explicou que, na falta de recursos públicos para finalizar esses empreendimentos, a ideia é atrair um parceiro para acabar as obras, tocar a operação das creches e ofertar as vagas. Caberia ao governo comprar parte dessas vagas, como compensação aos investimentos feitos, e redistribuí-las à sociedade.”

Leia mais aqui.

A redistribuição das vagas que o governo comprar será feita por vouchers. A desculpa da melhoria da qualidade também estará presente, desconhecendo que as experiências de utilização de terceirização e vouchers ao redor do mundo não produziram resultados melhores, como já demonstramos aqui inúmeras vezes.

É fé no livre mercado, não é ciência.

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Crise da democracia liberal ou do capitalismo? – I

Ouvimos dizer com frequência que, hoje, a democracia liberal representativa está em perigo, em crise. No entanto, a democracia liberal é apenas a estrutura política do sistema capitalista vigente, a qual emergiu hegemônica em meio às lutas dos liberais contra os conservadores e socialistas, ao longo do século 19. Mas, além destas lutas, há outra menos conhecida, a luta entre os próprios liberais.

A revolução francesa é um marco fundamental desta caminhada. No final do século 18, o liberalismo, inicialmente formulado pelo inglês John Locke (1632-1704), enfrentava os conservadores na França. Na Inglaterra a batalha tivera início mais cedo. Estes dois países construiriam na primeira metade do século 19 o Estado Liberal (Wallerstein, 2011). Durante os anos que se seguiram e até os dias de hoje, a batalha política envolveria liberais, conservadores e socialistas, bem como as suas múltiplas combinações políticas.

“O período de 1815-1848 foi aquele em que todos pareciam estar se movendo com incertezas neste terreno político transformado. Os reacionários tentavam reverter o relógio, desfazer o terremoto cultural que foi a Revolução Francesa. Eles descobriram, como nós vimos, que isso não era realmente possível. Os estratos dominados (e reprimidos), por sua vez, estavam em busca de modos de organização apropriados e efetivos, e o centro liberal emergente não tinha certeza de como deveria, ou poderia construir uma base política apropriada para controlar o tumulto, concentrando-se, como vimos, na construção de estados liberais – em primeiro lugar, e o mais importante, nos países mais poderosos: a Grã-Bretanha e a França. (Wallerstein, 2011, posição 4437.)

A força com que emergiram os liberais ocupando o centro político, no século 19, obrigou tanto conservadores como socialistas a fazer composições e concessões com o objetivo de manter-se na luta política.

Nestes embates do século 19, consolida-se uma vertente liberal que procurou construir um conjunto de teses que sofreria a influência da luta política travada por conservadores (em defesa da realeza moribunda) e por socialistas (em defesa dos trabalhadores). A este liberalismo emergente, Wallerstein (2011) chamou de liberalismo centrista, cuja forma de governo consolidou-se na democracia liberal representativa. No centro da proposta, estava a noção de cidadão. Diz o autor:

“O conceito de cidadão [desenvolvido pela revolução francesa] tinha a intenção de ser inclusivo – insistir que todas as pessoas em um estado, e não apenas algumas pessoas (o monarca, os aristocratas) tinham o direito de ser parte, uma parte igual, do processo de tomada coletiva de decisão na arena política”. (Posição 4197)

Os desenvolvimentos que se seguiriam à revolução francesa mostrariam que esta alardeada inclusão, era de fato menos abrangente do que o conceito sugeria e que, quando ela avançou, foi à custa de muita luta.

A emergência da democracia liberal representativa foi expressão da consolidação do sistema capitalista e garantiu a sua expansão durante o século 20, pelo menos até 1970. O capitalismo, já se disse, é um regime de crises cíclicas. Estas, a partir de 1970, adquirem um caráter de crise sistêmica permanente (Wallerstein, 2002, 2013) (Meszaros, 2009). Falar, portanto, de uma crise da democracia liberal é, na verdade, falar de uma crise do próprio sistema histórico capitalista. De fato, a crise sistêmica do capitalismo está na base da crise da democracia liberal representativa.

A emergência do liberalismo centrista além de combater conservadores e socialistas, também superou e isolou outra vertente igualmente liberal que coexistia já no século 19. No entre-guerras, no início do século 20, esta vertente se agrupou em Viena sob a direção de Ludwig von Mises (1881-1973) e criou as bases do que seria conhecido como globalismo ou neoliberalismo, em resposta ao esgotamento dos impérios na primeira guerra mundial.

A proposta era contornar e combinar o desejo de soberania nacional emergente da primeira guerra mundial, com a criação de uma estrutura internacional que garantisse o livre fluxo de capitais ao redor do mundo, sob a égide do livre mercado (Slobodian, 2018).

Esta posição era um desdobramento de teses de Federic Bastiat (1801-1850), economista, membro da Assembleia Nacional francesa, representante dos interesses da indústria vinícola, e uma das referências dos liberais que se opõem ao liberalismo centrista. No centro da discórdia estava também o papel do Estado que Bastiat considera uma “ficção” na qual todos se esforçam para viver às custas dos demais. Bastiat, portanto, descarta a visão de uma cidadania inclusiva que emergiu da revolução francesa. Diz sobre o Estado:

“O homem rejeita a Pena, o Sofrimento. E no entanto, está condenado pela natureza ao Sofrimento da Privação se não aceita a Pena do Trabalho. Logo, não tem mais do que a escolha entre estes dois males.” (Bastiat, 2013).

Este movimento neoliberal de enfrentamento ao liberalismo centrista (e ao avanço da social democracia e dos socialistas) teve relativo sucesso e ao final da segunda guerra mundial, várias estruturas foram criadas com a finalidade de garantir a internacionalização e manutenção do fluxo de capitais, por exemplo, o Fundo Monetário Internacional, Banco Mundial e mais tarde a Organização Mundial do Comércio (Slobodian, 2018). Estas instituições conviveram com o liberalismo centrista – até que a crise do capitalismo se fez sentir mais forte e, depois de 1970, potencializou a crise fiscal do Estado que seria agravada a partir de 2008 com a crise da financeirização.

Teóricos como Bastiat consideram que o Estado é um “ladrão legalizado”, autorizado a cobrar impostos. Seu pensamento é compatível com outro teórico, Herbert Spencer (1820-1903), que considera que o Estado jamais poderia assumir para si a ajuda àqueles que estão em situação de desamparo – isso só poderia ser feito pela família ou por uma pessoa que quisesse, por vontade própria, proceder assim (filantropia). Para ele, se o Estado assumisse essa atitude, ela não seria educativa e interferiria com o curso normal das leis naturais que regem a evolução do homem.

“A humanidade está sendo pressionada pelas inexoráveis ​​necessidades de sua nova posição – está sendo moldada em harmonia com elas, e tem que suportar a infelicidade resultante da melhor forma possível. O processo deve ser vivido, e os sofrimentos devem ser suportados. Nenhum poder na terra, nem as astutas leis dos estadistas, ou esquemas de retificação do mundo dos humanos, as panaceias comunistas, as reformas que os homens já introduziram ou ainda introduzirão podem diminuí-lo muito. Intensificados, eles podem ser e são; e na prevenção de sua intensificação, a filantropia encontrará amplo espaço para seu emprego. Mas há um limite para mudar a quantidade normal de sofrimento a qual não pode ser diminuída sem alterar as próprias leis da vida ”. (Spencer, 1960, posição 1654)

São estas visões que após 1970 tentam ganhar hegemonia ao redor do mundo – apesar dos seus maus resultados – com o nome de “neoliberalismo”. Estas e outras teses de Federic Bastiat (por exemplo sobre tarifas e livre mercado) influenciam o pensamento de Ludwig von Mises e Friedrich von Hayek (1899-1992), pais do neoliberalismo nascido em Viena (Slobodian, 2018). Nos Estados Unidos, seus representantes foram Milton Friedman (escola de Chicago) e James Buchanan e seus libertários (escola de Virginia).

São tais ideias que estão, igualmente, na base de uma geocultura meritocrática ancorada no princípio da concorrência e no livre mercado empresarial, e que legitimam a desigualdade social, assumindo-a como uma lei natural, na trilha de John Locke: vida, liberdade e propriedade.  A vida é o seu futuro, a liberdade o seu presente. A propriedade é o resultado do que você fez com sua liberdade, durante a vida. Esta lógica não deve sofrer a interferência do Estado.

Este tipo de liberalismo não gosta de ser chamado de “neoliberalismo” pois alimenta a esperança de ser considerado o único e verdadeiro liberalismo. Independentemente disso, é assim que ficou conhecido mundialmente. Ele se desenvolveu paralelamente às teses do liberalismo centrista durante o século 20.

A crise prolongada do capitalismo nestas últimas décadas, oportunizou a retomada de uma guerra entre estas vertentes liberais, travada para “salvar” o capitalismo, e que opõe à estratégia liberal centrista a estratégia neoliberal, cujos postulados diferenciados já estavam postos no século 19. A questão do Estado volta a ser pautada. Acuados pela crise do capitalismo, os liberais centristas não têm como rejeitar a proposta econômica neoliberal, ainda que os primeiros divirjam dos aspectos autoritários deste Estado neoliberal e reafirmem o “estado de direito”.

Os conservadores, de tradição absolutista e autoritária, unem-se agora à vertente neoliberal, não menos autoritária quando se trata de garantir o livre mercado, e apostam na possibilidade de uma terceira “restauração conservadora” – após as duas tentativas fracassadas feitas no século 19, depois da revolução francesa de 1789. Pegam carona na restauração dos neoliberais sobre os liberais centristas e constituem uma coalizão cuja finalidade é impedir que a crise do capitalismo abra possibilidades para os projetos da esquerda social-democrática ou socialista, esperançosos de que se reverta a roda da história e se retomem as teses conservadoras.

Juntos, neoconservadores e neoliberais ganham tempo para construir cada um sua opção histórica e tentam restringir a democracia liberal representativa e demais instâncias de organização política e social que possam ser oposição às suas propostas de recomposição do sistema capitalista (sob o olhar complacente dos liberais centristas).

Portanto, ao afirmarmos que a democracia liberal está em crise, não podemos deixar de complementar que a crise da democracia é, antes, uma crise do próprio capital, a qual potencializa uma disputa no campo liberal, visando a troca de uma geocultura liberal centrista por uma geocultura neoliberal meritocrática.

Mas em que consiste esta crise estrutural do capitalismo? E como se organiza esta coalizão?

Continua no próximo post.

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