Pressupostos da política educacional bolsonariana – final

Compreende-se, dessa forma, porque os defensores do liberalismo econômico, ao separá-lo da noção de democracia, abrem mão desta, em nome de garantir o que conceituam como “liberdade”, legitimando golpes militares e/ou jurídico-parlamentares-institucionais. A democracia supõe uma interpretação ética de seu regramento, que foi substituída pela conveniência ideológica da direita – uma espécie de “guerra santa”. Bolsonaro é desdobramento do golpe de 2016, legitimado nas eleições de 2018 – ainda que pairem dúvidas sobre os métodos que  utilizou – este é um peso morto que terá que carregar.

A “nova direita” radical avançou para um entendimento que seria considerado, até pouco tempo, desprovido de ética: os fins justificam os meios, independentemente de quais sejam estes. E talvez seja exatamente esta a sua característica atual marcante: não importam os meios quando se trata de defender o livre mercado que, segundo eles, funda a liberdade pessoal e social. E se é para tal, a subjetividade neoliberal fica em paz com golpes de estado e golpes institucionais, “fakes” e similares.

Compreende-se, também, porque a violência política está colocada na ordem do dia como forma de barrar as teses de qualquer movimento que envolva minimamente algum tipo de planejamento econômico com algum papel relevante do Estado. O Estado é visto como alguém que atrapalha a liberdade individual de competir, ao olhar para o bem-estar do coletivo.

Essa forma de pensar atingirá todos os setores do Estado e também a educação, gerando privatização, padronização, denuncismo, controle disciplinar etc. Como já dissemos, a política educacional do bolsonarismo tem por base o liberalismo econômico em articulação com o conservadorismo, com o autoritarismo. Espraia-se por vários espaços: políticos nos Congressos Nacionais e nas Assembleias, nos novos partidos políticos, em membros do Judiciário e outros órgãos de controle, na mídia, fortalecendo a lógica de que, frente à agressão ao livre mercado (base da “liberdade”), justifica-se a “legítima defesa”, reiterando-se que os meios justificam os fins.

Não que este pensamento seja exatamente uma surpresa, pois, neste sentido, não há diferença alguma entre o golpe militar ocorrido em 1964 e o golpe jurídico-parlamentar de 2016, em que pesem as condições econômicas e os meios utilizados pela “velha direita” terem sido diferentes. Provavelmente o que choca é a defesa explícita e aberta destas teses de maneira organizada e militante, formando uma frente jurídica, parlamentar e midiática em defesa delas e que não hesita em fazer uso de recursos jurídicos ilícitos (“lawfare”) contra quem considere ser seu inimigo. A insegurança jurídica torna-se mecanismo de censura e ameaça difusa (apoiada no denuncismo), perpassando toda a sociedade, em um processo crescente de “judicialização” da vida social, em substituição à própria política.

Além do “lawfare”, a atuação destas forças inclui: limitar ou dificultar o voto do cidadão, ou pelo seu oposto, facilitar para que o cidadão não se manifeste nas eleições (voto não obrigatório, por exemplo); impedir os processos de organização social dos mais desfavorecidos; não transferir impostos para os menos favorecidos e barrar os processos de redistribuição de renda; destruir a organização dos trabalhadores, a atuação dos sindicatos e confederações; destruir a atuação e organização dos movimentos que lutam pelos direitos humanos;  atuar contra os imigrantes e contra ações de preservação do meio ambiente; desregulamentar a atuação das corporações; privatizar tudo que for possível; propor formas de proteção constitucional quase que irrevogáveis, que evitem o impacto de eventuais decisões contrárias ao livre mercado, entre outras. Tudo isso em alto e bom som.[1]

Neste quadro, é compreensível que movimentos destinados a cercear a liberdade docente como o “Escola sem Partido” estejam simultaneamente presentes à implementação acelerada das reformas constitucionais e do Estado, após 2016, incluindo a reforma da educação, com autoria e financiamento empresarial[2]. Tais iniciativas têm uma mesma origem ideológica: o neoliberalismo, nos termos de J. Buchanan e de Hayek (2010) e Mises (2010) – uma verdadeira paranoia ideológica que enxerga “esquerdismo” e “comunismo” em tudo que cheire a defesa dos interesses populares pelo Estado, flertando com o “darwinismo social”.

E esta é uma razão que deveria ser suficiente para nos afastarmos destas concepções de sociedade (e de educação), mesmo que os resultados acadêmicos de suas políticas educacionais viessem a ser “eficazes”: tendo assumido tal darwinismo social no âmbito da sociedade, justificando-o pela sobrevivência do indivíduo mais forte na concorrência do livre mercado, quer agora levá-lo para as escolas e disputar a hegemonia na formação da juventude dentro de sua lógica. Para esta vertente, se o mundo é pautado pela concorrência, há que se preparar as crianças para “competir” nele, tal como ele é. Nenhuma perspectiva de humanização ou transformação social é agregada aos processos educativos, daí seu caráter reacionário e conservador.

É esta visão social que também está na base das “soluções” propostas pela engenharia da reforma empresarial na educação, ainda que esta seja um movimento híbrido politicamente. Na lógica de Friedman, pensando a escola como uma “empresa” no livre mercado educacional, as escolas de menor qualidade devem sucumbir às de maior qualidade, sendo fechadas; os estudantes de menor desempenho devem sucumbir aos de maior qualidade, sendo barrados em sucessivos testes; os professores de menor qualidade, devem sucumbir aos de maior qualidade, sendo demitidos.

No plano social, não é diferente: os desfavorecidos devem ser confrontados com sua condição ou perecer, pois não é justo que o “gangsterismo” do Estado, retirando dos mais ricos que honestamente enriqueceram, opere qualquer processo de redistribuição de renda: “devem ser tratados como animais que não têm independência” (J. G. Buchanan).

Nestas condições, a educação será sequestrada pelo empresariado para atender a seus objetivos de disputa ideológica e atender às suas necessidades práticas de acumulação. A educação, será vista como um “serviço” que se adquire e não mais como um direito. Do ponto de vista ideológico, a privatização também propiciará um maior controle político do aparato escolar, aliado às ações já promovidas de padronização pelas bases nacionais comuns curriculares e pela ação do movimento “escola sem partido”, este último, um braço político da “nova” direita na escola.

Neste sentido, as ações já tomadas no MEC, no período de governo pós golpe 2016, são compatíveis com a política educacional de Bolsonaro. A insuficiência, se houver, será em relação ao ritmo das reformas privatizantes (terceirização/vouchers), seu grau de autoritarismo e de conservadorismo moral.

A bibliografia citada nestes posts encontra-se na página Bibliografia, neste Blog.

Baixe aqui o Plano de Governo de Bolsonaro

Leia também de F. Bonadia: Desconstrução do programa do PSL para a educação brasileira.


[1] Não temos como considerar aqui outro fator que recai dramaticamente sobre a autonomia dos estados nacionais, oriundo da configuração da sua dívida pública, a qual os torna reféns do rentismo. Sobre isso ver Dowbor (2017).

[2] Avelar e Ball (2017) mapeiam o grau de influência do empresariado e suas organizações na definição da base nacional comum curricular da educação básica brasileira.

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Pressupostos da política educacional bolsonariana–IV

Continuação de post anterior.

O que devemos esperar? Como cenário geral, devemos registrar, em primeiro lugar, a ênfase mercantil e concorrencial que atingirá todas os aspectos da vida com o liberalismo econômico, transformando direitos sociais como a educação em “serviços” a serem adquiridos, além de transformar cada indivíduo em um “vendedor de si mesmo” em um livre mercado (Chaui, 2018). Por este caminho, desenvolve-se um imaginário social legitimador de um individualismo violento (mascarado de empreendedorismo) que lança a juventude em um vácuo social, onde conta apenas o presente, a “luta pela sua própria sobrevivência”, ou como aponta Giroux (2017):

“A antiga linguagem dos direitos coletivos deu lugar ao discurso dos direitos individuais, e o vocabulário da colaboração e solidariedade foi deslocado pelo discurso do individualismo radical e o ethos áspero da sobrevivência do mais forte. A “liberdade” se transformou em sinônimo de interesse próprio desenfreado e em racional para abdicar de qualquer senso de responsabilidade moral e política” (p. 1).

Neste caminho, o indivíduo cria para si uma narrativa na qual se vê como parte do mercado e, portanto, competindo com seus semelhantes pelo seu próprio sucesso, que só dependeria dele mesmo. Empurrado pelas alterações nas regras das relações trabalhistas, o livre mercado passa a ser a única possibilidade de que ele exercite a sua “liberdade” de ser bem-sucedido – em confronto com seus semelhantes – sem interferências do Estado (e dos sindicatos). Ao eliminar direitos sociais, transformando-os em “serviços a serem adquiridos”, o neoliberalismo derruba a proteção social, a qual tornou o trabalhador mais exigente (e mais caro) frente ao empresário – exatamente por contar com proteção social do Estado (p. ex. saúde, educação, previdência, leis trabalhistas). Desprotegido, o trabalhador acaba por ser obrigado a aceitar as imposições do mercado.[1]

Em segundo lugar, com os acontecimentos recentes não acreditamos que uma solução para este novo patamar de contradições sociais esteja à vista pela via da conciliação de classes – como se estava tentando. Também não vemos porque imaginar que a era econômica neoliberal possa estar chegando ao seu final. Pode ser que para amenizar os horrores do neoliberalismo, o capitalismo seja obrigado a alternar etapas – como aliás tem feito – fases de liberalismo com fases de desenvolvimentismo (Bresser-Pereira, 2017) – mas nenhuma das soluções (pela conciliação ou pelo neoliberalismo) parece nos levar a uma situação na qual tais contradições sejam resolvidas e que a educação pública esteja a salvo. O “desenvolvimentismo”, além de não ser o fim da história, foi rejeitado em favor de uma “nova direita” com seu lado reacionário e golpista, corroendo a lógica da democracia liberal por dentro. Estamos em um impasse e, ainda que não possamos tratar disso aqui, é hora de olharmos para como está se comportando o “sistema mundo capitalista” e suas perspectivas de futuro.

Ao recorrer ao liberalismo econômico, como as elites fizeram no Brasil, temos que ter claro que este e o autoritarismo andam juntos (eixo Guedes-Moro). Não podemos esquecer que Hayek, mentor do neoliberalismo, visitou o Chile durante a ditadura militar de Pinochet e em carta ao The Times (Selwyn, 2015) afirma não ter conhecido nenhum chileno que houvesse dito que sob Pinochet havia menos liberdade do que sob Allende, o presidente deposto pelo sangrento golpe militar de Pinochet.

Isso se deve a que, para Hayek, a democracia é um meio e não um fim. Ele separa o liberalismo econômico da democracia. A democracia é desejável para o liberalismo, mas não é uma condição necessária. Selwyn (2015) afirma que:

“Hayek influenciou Margaret Thatcher e, através dela, muitos políticos e ideólogos do partido conservador contemporâneos, incluindo os que estavam à frente do atual partido conservador na Grã-Bretanha. Em outra carta ao The Times intitulada “os perigos para a liberdade pessoal”, ele endossou Thatcher reafirmando que o mercado é “indispensável para a liberdade individual”, enquanto a urna “não é” (p. 1).

Ele também esteve três vezes no Brasil no período de 1977 a 1981, durante a nossa ditadura militar, a convite da antiga revista Visão, editada por Henry Maksoud[2], o qual também participava da sociedade de Hayek.[3]

Assim, os refundadores do liberalismo econômico apoiaram a ditadura chilena: Friedman assessorou o governo do Chile no combate à inflação, mas manteve uma postura mais distante, embora tenha sido criticado por isto publicamente, enquanto que Buchanan e Hayek – este último um entusiasta do regime chileno – e que deram apoio consistente à ditadura, saíram ilesos da crítica (MacLean, 2017, p. 155/6).

Esta é a face autoritária da “nova direita” neoliberal (agora no poder por aqui) que foi deixada de lado nos últimos anos pela política de esquerda e que pode ser um fator importante para se entender os recentes acontecimentos no Brasil de 2013 para cá e indicar os rumos que teremos pela frente nos vários setores da sociedade, inclusive na educação.

Neste sentido, é ingenuidade dizer que o “PT gerou Bolsonaro”. Trata-se da organização de um movimento de direita radical que ocorre em vários países do mundo (com diferentes ênfases) e que se organizou nos últimos 50 anos para enfrentar a socialdemocracia e a esquerda de forma permanente e especialmente onde estiver em jogo o processo de acumulação privado ou o livre mercado. Colocar a culpa no PT esconde as raízes internacionais deste movimento de direita e não contribui para sua compreensão e para a organização da resistência.

Continua no próximo post.


[1] Isso, associado às alterações tecnológicas no interior da produção e à guerra contra as centrais sindicais e movimentos sociais, compõe o cenário de contraposição à queda nas taxas de acumulação de riqueza.

[2] Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Friedrich_Hayek#Hayek_no_Brasil . Acessado em 3 de agosto de 2018.

[3] Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Mont_Pèlerin . Acessado em 3 de agosto de 2018.

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Pressupostos da política educacional bolsonariana–III

Continuação de post anterior.

Bresser-Pereira considera que o neoliberalismo teria entrado em colapso com a crise financeira do ano 2008, reiterada pela crise política do Brexit em 2016 na Inglaterra, complementada pela eleição de Donald Trump nos Estados Unidos (Bresser-Pereira, 2017, p. 701). No entanto, seria melhor interpretar que, no melhor dos casos, estamos falando do final da atual fase do neoliberalismo. Nada impede que tenhamos outras fases ou que isso varie de país para país.

Teremos que aguardar para ver como se dará o embate entre uma visão mais nacionalista trazida pelos militares da reserva que estão no governo Bolsonaro e a visão neoliberal de Paulo Guedes, cuja negociação viabilizou a vitória do bolsonarismo.

Para além do lado econômico, temos o lado ideológico que une estes grupos. Não se pode perder de vista que ao final do primeiro período do liberalismo clássico (1929) o evento mais importante ocorrido em plena queda deste (deixando de lado a própria primeira guerra mundial iniciada em 1914, ela mesma uma das causas da sua queda) foi a revolução socialista de 1917 na Rússia. Há, portanto, uma motivação ideológica para o retorno do neoliberalismo, alimentada permanentemente pelo medo da revolução socialista russa e sua proposta de planificação da economia (medo estampado em cada página das publicações políticas de Mises (2010) (2009) e Hayek (2010). Mesmo com a queda do leste europeu, este medo continua e continuará a mobilizar o neoliberalismo, como um movimento de alcance mundial destinado a eternizar o liberalismo econômico.

Face às contradições sociais que se avolumam e à possibilidade de que os governos sejam pressionados pelas massas insatisfeitas a assumir teses contrárias ao liberalismo econômico, a democracia liberal representativa já não é vista como um contrato social seguro, como reconhecem Giroux (2017) e Castells (2018), que dê garantias à existência do livre mercado, assegurando a continuidade dos processos de acumulação individual de riqueza que, para os refundadores do liberalismo, são a base da ordem social liberal. Para Chomsky (Polychroniou, 2018):

“O projeto Reagan-Thatcher para fortalecer o poder irrestrito dos negócios, levado à frente e expandido por seus sucessores, foi o reflexo político de uma campanha coordenada pelas classes empresariais dedicada a reverter a “crise da democracia” dos anos 60 que preocupava profundamente as elites liberais internacionais, que devotaram a primeira das principais publicações da Comissão Trilateral a esta séria enfermidade. Sua principal preocupação era o crescente engajamento das classes populares na arena política forçando suas demandas e o estado, o que impunha muita pressão, ameaçando o domínio do mundo dos negócios” (p. 1).

A “nova direita” e seus aliados passam a implementar um conjunto de reformas (que desestruturam a luta dos trabalhadores e colocam novos marcos de precarização da força de trabalho) que recomponha as garantias do processo de acumulação.

Para o liberalismo econômico, as garantias deveriam ser incluídas nas constituições nacionais de forma a se tornarem praticamente irrevogáveis – mesmo que por caminhos que pudessem significar uma ruptura com a democracia liberal – afinal, o que está em jogo é a própria “liberdade pessoal e social” que precisa ser defendida a qualquer custo para deter a ideia de uma economia planificada (contrária ao livre mercado), de onde – dizem – advêm o “esquerdismo” e o “comunismo”. A ação do liberalismo econômico é, portanto, proativa, presciente de um risco futuro. Ele tem consciência do custo social e político da sua proposta, mas não pode aceitar a solução social-democrática pois esta aumenta os custos do Estado e atinge seus planos de acumulação. Isso explica sua narrativa belicosa permanente contra a “socialdemocracia”, o “esquerdismo” e o “comunismo” – mesmo que não estejam no horizonte.

A questão, portanto, não tem apenas um lado econômico – como querem fazer parecer os empresários -, mas é ideológica também, no sentido de dar garantias à defesa da apropriação privada e sua acumulação contínua que, nas formas democráticas liberais vivenciadas, não teria demonstrado estar suficientemente protegida ou seria ineficaz para barrar reivindicações de grupos organizados, que promovem a cooptação de políticos contra o livre mercado. E o livre mercado é fundamental para que os indivíduos, lançados nele, tenham “liberdade” para construir sua trajetória a partir do mérito e esforço pessoal.

Esta é a proposta de sociedade (e de educação). Para o liberalismo econômico, as pessoas não são um problema do Estado, mas sim, estão lançadas à sorte no livre mercado, dependentes de si mesmas. Nesta perspectiva, toda solidariedade deseduca. Uma concepção como essa necessita de um Estado autoritário para ser implantada, além de uma propaganda que desqualifique permanentemente quem pense diferente – os “esquerdistas” – criminalizando-os, de preferência.

Não é sem razão que o governo Bolsonaro terá dois super ministérios: o da economia e o da justiça, que incorporará a segurança.

Tudo isso aumenta a disputa pelo aparato escolar, formador da juventude, gerando mais controle sobre ele – privatização e “escola sem partido”.

Que elementos podemos colher para nossa análise, neste rápido cenário?

Continua no próximo post.

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Pressupostos da política educacional bolsonariana- II

Continuação de post anterior.

A política educacional de Bolsonaro será uma extensão da sua política econômica. Visará transformar a educação em um setor empreendedor da economia de livre mercado.

Algumas ideias, por exemplo, os vouchers, são a reedição do que foi aplicado no Chile, sob o liberalismo econômico. Trump também se elegeu com a promessa de fazer o mesmo – universalizar os vouchers nos Estados Unidos. O Chile foi o laboratório da agenda do liberalismo econômico e uma das ideias catastróficas, por exemplo, para mudar a previdência, está na pauta de Paulo Guedes para o Brasil. Deve ser a primeira a ser implementada. Outra, dos vouchers, está no programa do Partido Social-Liberal ao qual pertence Bolsonaro, como indicamos antes. Estes são dois exemplos emblemáticos, unidos pela lógica do livre mercado.

Um livro recente de Nancy MacLean (2017) (Democracy in Chains: the deep of the radical right’s stealth plan for America) narra como se desenvolveu a agenda da “nova direita” nos Estados Unidos, que se difundiu também pelo mundo, produzindo a situação descrita antes por Giroux.

O título do livro é bastante sugestivo – “Democracia aprisionada” – e recupera o trabalho de James McGill Buchanan[1] e seu papel na estruturação de um projeto político que impulsionasse um conjunto de ideias do liberalismo econômico nos Estados Unidos, cujas origens se entrelaçam com economistas neoclássicos e a escola de economia austríaca de L. von Mises e F. A. Hayek. Para (Monbiot, 2017) “o livro é o capítulo que faltava para se entender a política dos últimos cinquenta anos”.

O trabalho descreve o braço político do neoliberalismo, construído com base na atuação discreta de James Buchanan em seu “Center for Study of Public Choise”, financiado pelos irmãos Charles Koch e David Koch, do setor petroquímico americano.[2] Tinha como objetivo treinar uma nova geração de pensadores para lutar pelo livre mercado e pela retomada do liberalismo clássico, em contraposição às ameaças da planificação da economia postas pela socialdemocracia e pelo socialismo. O objetivo era organizar uma agenda e impulsionar discretamente um movimento político que formasse novas lideranças em postos chaves de comando.

Como mostra MacLean, na história do desenvolvimento da “nova direita” neoliberal, educação e economia estiveram próximas. Foi procurando barrar a atuação do Estado, que através da Corte Suprema americana havia decretado o fim da segregação racial nas escolas americanas, que Buchanan implementou a ideia da “escolha da escola” pelos pais (vouchers), ajudando a separar a juventude branca da juventude negra nas escolas do sul dos Estados Unidos, nos idos dos anos 50 (veja também Ravitch, 2011, p. 134/5). A ideia havia sido proposta por Milton Friedman (1955), um economista da direita neoliberal americana, e seria usada pelo entorno político de Buchanan, para que os segregacionistas pudessem combater a dessegregação “imposta” pela corte suprema americana.[3]

Friedman e Buchanan, embora do mesmo grupo de economistas como Mises e Hayek[4], tinham diferenças metodológicas: Friedman, mais técnico, advogava que a economia era uma ciência positiva e que não deveria fazer julgamentos morais. Buchanan tanto quando Friedman era devotado à tarefa de restringir o controle do estado sobre a sociedade, mas assumia também a tarefa de organização do enfrentamento político.[5]

A ideia dos “vouchers” usada para manter processos de segregação racial nos anos 50, foi vendida pelo neoliberalismo como “direito democrático dos pais a escolher a escola de seus filhos”, mais tarde remasterizado também como o “direito dos pobres de escolher estudar nas mesmas escolas particulares que os ricos frequentam”. Como veremos, a experiência mostrou que esta proposta continuou seu caminho original de amplificar a segregação das escolas (não só por raça, mas por gênero e nível socioeconômico), criando “trilhas” que escolhem os estudantes segundo o dinheiro que carregam no bolso: uma elite (branca e mais rica) estuda em escola privada e quando necessário tem os vouchers para pagá-la com dinheiro público; uma classe média branca estuda em escolas privadas de menor custo ou públicas terceirizadas e pode também pagá-las com voucher, ao valor do qual adicionam algum pagamento extra; e os muito pobres (e negros) continuam estudando nas escolas públicas que sobreviveram à privatização, ou nas terceirizadas de baixa qualidade.

A principal proposta da nova direita para elevar a qualidade da escola (inserção da escola no livre mercado pelos vouchers) adotada pela reforma empresarial da educação, vem imersa, portanto, nas sangrentas lutas raciais americanas dos anos 50 (mas que duram até hoje) usada como proteção para uma elite branca, mostrando sua vocação darwinista, que combina com a ideia de sobrevivência do mais forte em um “livre mercado” concorrencial.

MacLean (2017) descreve como a lógica da agenda de Buchanan estava baseada na proclamação de que “liberdade” pessoal e social é igual a “capitalismo sem restrições”, sem interferência de governos que acabam comprometendo-se, por interesses nos votos, com “maiorias fracassadas” – leia-se, menos favorecidas socioeconomicamente. Décadas antes, tais ideias tinham sido colocadas em cena como reação à revolução russa de 1917 por Ludwig von Mises em 1922 (Mises, 2009), em 1927 (Mises, 2010), e por Frederick A. Hayek em 1944 (Hayek, 2010).

Para Mises (2010) e para Hayek (2010) a socialdemocracia, o socialismo e o nazismo eram produto das deturpações das teses do liberalismo clássico a ser combatidas – incluindo a nascente tese do estado do bem-estar social que duraria até o início dos anos 70. Para eles, toda vez que a democracia liberal falha em garantir a liberdade econômica, permitindo que seja cerceado o “direito natural” de acumular privadamente, ela compromete a liberdade social e pessoal. E somente pode haver liberdade no seu sentido pleno, se houver liberdade econômica, livre mercado e garantia do direito de cada um, por seus méritos, acumular propriedade privada. Esta concepção de sociedade tem consequências, pois está baseada na sobrevivência do mais forte, por um lado, e na ideia de que há algo mais importante do que a própria democracia, ou seja, o livre mercado gerador da “liberdade” social e pessoal. Está concepção orienta o entendimento do que seja a educação e sua política educacional.

Descrevendo como Buchanan constrói sua agenda política em meio a estes autores[6], MacLean (2017) revela que uma das suas ideias centrais é que a redistribuição de renda através de impostos que obrigam alguns a financiar o bem comum ou a promover a justiça social para outros, não passa de uma tentativa de tomar pela força algo que tais “tomadores” não tem moral para exigir, ou seja, tomar o fruto do esforço pessoal daqueles que foram bem-sucedidos. Para ele, proteger o bem-estar é proteger o indivíduo destas formas de “gangsterismo” estatal legalmente autorizado, que retiram o fruto do seu trabalho a título de promover a justiça social (p. xxiii). Buchanan escreveu em 2005: uma pessoa que fracassa em guardar dinheiro para suas necessidades futuras “deve ser tratada como um membro inferior da espécie, similar (…) aos animais que são dependentes” (Idem, p. 212).

Para Buchanan todo o mal começa quando os indivíduos, que isoladamente não têm poder, se juntam para formar movimentos para se fortalecerem numericamente e influenciar o governo, fazendo com que este ouça seus desejos e atue por eles. Tais movimentos incluem a organização dos trabalhadores e os movimentos de defesa dos direitos humanos. Ele pensa que toda vantagem que um grupo majoritário pode, devido ao seu número, impor a uma minoria não constitui persuasão, mas sim coerção sobre a minoria, uma violação da liberdade individual daqueles que honestamente pagam impostos. Contra isso, é preciso barrar a “corrupção governamental” que é feita por grupos organizados que pressionam e tornam os membros do governo receptivos a tais demandas (Idem, p. xxiv).

Em 1947, Hayek organizou uma sociedade internacional em Mont Pèlerin, nos Alpes Suíços, que depois chamou-se Sociedade Mont Pèlerin. Inicialmente reunia 40 intelectuais alinhados ao pensamento liberal (incluindo Friedman e Buchanan), de 10 países diferentes.[7]

Hayek naturalizou-se na Inglaterra e tanto ele como Mises (que se naturalizou na América) estiveram longo tempo nos Estados Unidos[8]. Suas teses influenciaram tanto M. Thatcher na Inglaterra, como R. Reagan nos Estados Unidos, responsáveis pela onda neoliberal dos anos 80.

Continua no próximo post.


[1] Toda a documentação referente a este movimento conduzido por Buchanan nos Estados Unidos, falecido em 2013, está na George Mason University em Virgínia, onde MacLean conduziu sua pesquisa.

[2] Segundo Castells (2018), os irmãos Koch também financiam o MBL – Movimento Brasil Livre – no Brasil.

[3] Friedman reconheceu esta apropriação de suas ideias com finalidade de segregar a escola, mas seu compromisso maior era combater o “controle” do governo (Ravitch, 2011, p. 134/5).

[4] Embora comungando dos mesmos propósitos políticos da nova direita, Friedman também tinha diferenças com Hayek no que diz respeito às propostas econômicas – ver Gamble (1988, pp. 43-44). A nova direita não é um bloco homogêneo de proposições econômicas.

[5] Charles Koch refere-se a Friedman como alguém que quer “fazer o governo funcionar mais eficientemente quando o verdadeiro libertário deveria destruí-lo pela raiz. ” E continua: “Na verdade, eles tentam ajudar o governo a entregar melhores resultados, o que só pode prolongar a doença” (MacLean, 2017, p. 135).

[6] As ideias de Buchanan em alguns aspectos eram até mais radicais que as do próprio Hayek. Enquanto “Milton Friedman e F. A. Hayek concordavam que os funcionários públicos tentavam sinceramente fazer o correto pelos cidadãos, mesmo que eles contestassem os métodos, Buchanan acreditava que o governo havia fracassado por causa da má-fé: porque ativistas, eleitores e autoridades usavam a conversa do interesse público para mascarar a defesa de seus próprios interesses pessoais às custas dos outros” (MacLean, 2017, p. xxxi). Apesar destas diferenças, todos apoiaram a ditadura militar de Pinochet, no Chile, em 1973.

[7] Cf. https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_Mont_Pèlerin . Acessado em 3 de agosto de 2018.

[8] Buchanan fez seu doutorado na Universidade de Chicago, onde estava Milton Friedman. Esta Universidade foi instalada na virada do século passado com aporte de recursos do magnata J. D. Rockefeller. Na mesma época Hayek (na Universidade de Chicago) e Mises (na Universidade de Nova York) tiveram seus salários pagos por 10 anos para divulgar suas ideias, pelo William Volker Fund, uma fundação empresarial, nos Estados Unidos. O mesmo fundo financiou também a ida do grupo para a reunião da Sociedade de Mont Pèlerin, convocada por Hayek na Suíça em 1947 (MacLean, 2017, p. 39).

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Pressupostos da política educacional bolsonariana – I

A bolsonarização da política educacional é herdeira das teses neoliberais, entendida como liberalismo econômico. Sua consequência será o estabelecimento da era da reforma empresarial da educação, em sua versão mais desenvolvida – se vencidas as resistências. Pouco se sabe dos planos de Bolsonaro para a educação. Um dos prováveis ministros da educação diz que isso é para “não entregar o outro para os bandidos”. Mas tudo indica que o caminho é a combinação do conservadorismo associado à reforma empresarial.

A reforma empresarial tem vários caminhos para se desenvolver. Onde não pode ser implantada em sua forma mais avançada (os vouchers) ela vai se desenvolvendo por dentro das redes de ensino, criando um “vetor de privatização” em direção aos vouchers. Onde pode, vai direto ao assunto e os implanta.

Esse trajeto não tem nada a ver com a tal “política com evidência” tão alardeada. É fé no livre mercado. Nada mais. A terceirização é seu complemento, pois cria ao longo do tempo um mercado privado, através da espoliação dos bens do setor público e das verbas públicas. A “escolha” exige um mercado educacional desenvolvido para que se possa escolher e tal mercado é estimulado pela terceirização.

Na maioria das vezes estes métodos estão combinados, mas sua virulência depende de condições específicas – especialmente no campo político. Mas a política aprovada nas urnas este ano autoriza o próximo governo a dar um passo decisivo em direção aos vouchers, acelerando o processo de implantação da reforma empresarial da educação e de criação de um mercado educacional privado cujo lema será “a escolha da escola pelos pais” financiada com recursos públicos (vouchers). Isso alimentará várias causas privadas (lucro de corporações, ensino religioso, etc), com recursos públicos.

Bolsonaro colocou um membro formado pelos círculos do Departamento de Economia da Universidade de Chicago, Paulo Guedes, para comandar a economia. Suas teses, para nós que vivemos 1964, nos lembram Roberto Campos. Isso significa que seu governo se desenvolverá sob o signo do “liberalismo econômico” a forma mais perversa de liberalismo em desenvolvimento no mundo, cujo experimento social fracassado está à mostra no Chile para quem quiser conhecer.

A Universidade de Chicago é uma invenção dos Rockefellers que a financiaram. Ali, em seu departamento de economia esteve Milton Friedman. Também por lá estudou James Buchanan. Todos envolvidos com a formulação das teses do liberalismo econômico. E claro, Paulo Guedes, como aprendiz.

O neoliberalismo fundou a reforma empresarial da educação nos idos de 1955 com a tese dos vouchers e do livre mercado na área da educação. Apesar de ser, na sua prática política, híbrido, as origens do movimento da reforma empresarial remontam ao nascimento de uma “nova direita” que procurou combinar o liberalismo econômico (neoliberal, no sentido de ser uma retomada do liberalismo clássico do século XIX) com autoritarismo social.

A investida mundial deste movimento teve sua origem nos problemas econômicos do final da década de 70 com a primeira crise do petróleo (associada a outros fatores econômicos) ainda na vigência do estado do bem-estar social. Nas palavras de Bresser-Pereira:

“O surgimento de um segundo liberalismo econômico radical – os Anos Neoliberais do Capitalismo – foi uma resposta a esses fatos. (…) Grandes intelectuais liberais, como Friedrich Hayek, Karl Popper, Milton Friedman e James Buchanan, desempenharam um papel ideológico estratégico na conversão dos departamentos econômicos das principais universidades em modelos neoclássicos hipotético-dedutivos abstratos, cujo papel era legitimar o liberalismo econômico” (Bresser-Pereira, 2017, p. 698).

Entre 1930 e 1970, enquanto se difundia a abordagem neoliberal, o mundo experimentou o avanço do estado do bem-estar social, baseado numa concepção desenvolvimentista de capitalismo, que foi uma tentativa de sair da crise do primeiro ciclo do liberalismo clássico, que se esgotou no início do século passado em meio à primeira guerra mundial e à crise de 1929. Mas, novos problemas econômicos fizeram com que no começo dos anos 80 o neoliberalismo se tornasse hegemônico nos Estados Unidos (com Reagan) e na Inglaterra (com Thatcher), expandindo-se para outros países.

Na América Latina, o esgotamento da primeira onda neoliberal nos anos 90 seguido pela ascensão de governos progressistas ocorrida em seguida, criou a ilusão de que o neoliberalismo havia passado. Produziu também um efeito complementar: chamou nossa atenção para o lado das reformas econômicas e seus impactos, retirando a nossa atenção do lado obscuro do neoliberalismo, sua ligação política com os conservadores, seu significado ideológico e os métodos pelos quais se propaga e resiste. Não levamos a sério o fato do liberalismo econômico retornar como um movimento de resistência mundial às teses progressistas e que não tinha compromisso com a democracia, mas apenas com a instauração do livre mercado – o que surpreendeu o “socialismo democrático” e a “socialdemocracia”, os quais tinham na democracia liberal seu parâmetro constitutivo.

Na visão destes “novos liberais”, o liberalismo diz respeito à extensão em que o governo controla a economia (que deve ser mínima), enquanto que a democracia diz respeito à forma de manutenção do poder (Selwyn, 2015). Neste sentido, a democracia é apenas “desejável”, mas não é uma condição necessária ao neoliberalismo. Os direitos políticos não gozam de garantia incondicional sob o novo liberalismo econômico.

O governo da coalizão do PT que assumiu em 2003, representou um momento em que as forças desenvolvimentistas nacionais procuraram enfrentar o setor empresarial e político vinculado ao neoliberalismo daquela época, o qual pretendia apoiar seus lucros na “mais valia” das cadeias produtivas internacionais, (cf. Berringer (2015)). Combalida, ao final de 13 anos no poder, a coalizão petista foi vencida por esta “nova direita” que, associada a outras vertentes políticas, organizou com apoio jurídico, parlamentar e midiático o golpe de 2016, por dentro da “democracia liberal”, corroendo suas instituições. Seu desenvolvimento completou-se (?) com as eleições de 2018.

A “nova direita” neoliberal disputou intensamente os rumos da educação brasileira, inclusive nos governos da coalizão do PT que governou entre 2003 e 2016 – de dentro e de fora destes. Neste período, expandiu-se com a organização de uma rede de influências com novos partidos políticos, fundações, inserção na mídia, organizações sociais, institutos e associações e ampliou seu apoio entre empresários e políticos (cf. em Casimiro (2016)).

É importante termos pelo menos uma visão geral de como este movimento se organizou nos últimos anos, deixando a esquerda perplexa (em especial a socialdemocracia) ante as estratégias postas em marcha por uma “nova direita” que não hesitou em usar recursos que julgávamos superados nos domínios da democracia liberal. É importante anotar que tal cenário não é específico do Brasil, pois estas forças políticas ganharam destaque em vários países, com consequências visíveis que Giroux (2017) resume da seguinte forma:

 “No meio de um enorme ataque global ao estado do bem-estar social e às cláusulas sociais, alimentadas por políticas neoliberais, o contrato social central das democracias liberais foi destruído e com ele também qualquer noção viável de solidariedade, justiça econômica e bem comum. O progresso foi transformado em seu oposto e registra mais desigualdades, sofrimentos e violência. A antiga linguagem dos direitos coletivos deu lugar ao discurso dos direitos individuais, e o vocabulário da colaboração e solidariedade foi deslocado pelo discurso do individualismo radical e o ethos áspero da sobrevivência do mais forte. A “liberdade” se transformou em sinônimo de interesse próprio desenfreado e em racional para abdicar de qualquer senso de responsabilidade moral e política” (p. 1).

Mas, como chegamos a essa situação descrita?

Continua no próximo post.

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Bresser-Pereira: juntos para impedir a violência

Bresser-Pereira divulgou em seu facebook os comentários que seguem. Seu alerta deve ser levado a sério. Não é hora para ações individualistas ou enfrentamentos, até porque nem sempre há saúde mental do outro lado (veja aqui). Devemos permanecer “juntos, atentos e fortes” denunciando a violência e exigindo que os instrumentos de proteção da democracia estejam ativos.

Filie-se a seu sindicato, ele é uma fonte de proteção profissional.

“Eu estou com vergonha da classe média e das elites brasileiras, às quais eu pertenço. Elas foram responsáveis pelo golpe parlamentar que foi o impeachment, e agora apoiaram um candidato neofascista que age abertamente contra os direitos humanos e a democracia. Estou com vergonha das elites paulistas que elegeram um governador tão mau quanto é o presidente.

Minha principal preocupação é com o cidadão comum. Seu tempo é sempre difícil. Ele está sendo sempre desrespeitado; seu valor não é reconhecido pelas elites. Mas agora as perspectivas que enfrenta são piores, porque é o próprio presidente eleito que se junta às elites no desprezo por homens e mulheres que são iguais em direitos.

Em 1985 foi afinal assegurado o sufrágio universal aos brasileiros. A partir dessa data eles contaram com um certo apoio dos políticos, porque estes sabiam que sua reeleição dependia de agirem como intermediários entre as elites e o povo. Agora, com uma vitória de 11 pontos porcentuais sobre o candidato democrático, os políticos se veem liberados para agir apenas em favor dos poderosos.

Agora não importa que essa vitória tenha se baseado na fraude eleitoral praticada com a remessa de whatsapps em massa com mensagens deliberadamente mentirosas. Em relação a este problema, temos que esperar o pronunciamento da Justiça. Agora o que é importante é que nos mantenhamos juntos, atentos e fortes. Vamos deixá-lo governar, mas precisamos estar juntos para impedir que ele leve adiante sua mensagem de violência.”

Fonte: Facebook do autor

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Especialistas analisam a educação sob Bolsonaro

Matéria da Folha de São Paulo examina os dois pilares do programa de educação de Bolsonaro (PSL): a questão do ensino das crianças através de educação a distância e o uso de vouchers. Faz também uma interessante constatação de possíveis conflitos de interesse de membros da campanha de Bolsonaro, baseado no fato de que possuem investimentos em empresas de educação a distância.

Leia aqui.

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MANUAL DE DEFESA PARA DOCENTES

Este material dá dicas sobre como se defender em caso de agressões em sua escola, como as que estão ocorrendo agora em Santa Catarina. No caso específico daquele Estado também há lei estadual proibindo o uso de celulares em sala de aula.

Consulte o seu Sindicato para atualização da legislação local.

É fundamental que os sindicatos organizem plantões com seus advogados para dar cobertura aos professores e diretores.

Leia também nota da CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação.

Abaixo segue manual preparado pela Pressenza:

Como se defender?

A Constituição Federal assegura ao educador o direito a liberdade de cátedra, que se resume em sua liberdade de atuação em sala de aula. Portanto, qualquer lei que viole esse direito se torna inconstitucional e portanto não passível de promulgação pelo presidente da República. O art. 205 da CF assegura a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber. O mesmo princípio é reforçado no terceiro artigo da Lei  de N 9.394 – de Diretrizes e Bases Nacional. Portanto, os professores que se sentirem constrangidos, censurados em sala de aula, podem e devem fazer o uso da legislação existente sobre o assunto para salvaguardar seu direito à liberdade de cátedra. De modo que devem buscar ajuda jurídica e proteger seus direitos.

A liberdade de Cátedra – ou de ensino – surge no nível constitucional na carta magna de 1934 em seu artigo 155. Posteriormente, na CF de 1946, em seu artigo 168. Reafirmado pela constituição de 1988 – conhecida como a constituição cidadã, o docente tem plena autonomia para escolher os métodos didáticos que respeitem a pluralidade de idéias e a não-discriminação.

O que fazer se a sua sala de aula for invadida?

Em caso de uma invasão e/ou eventual assédio em sala de aula, o professor pode e deve:

  1. Exigir a presença de testemunhas, como a diretora, coordenadora pedagógica e outros docentes da escola. Não saia da sala de aula, para isso basta pedir para um ou dois alunos irem chamar a presença deles.
  2. Sempre estar munido com o número do sindicato e/ou de um advogado. Desta forma, poderá pedir ajuda jurídica necessária.
  3. A entrada de terceiros só pode ocorrer com a autorização prévia do professor, ninguém pode invadir a sala de aula. Se aparecer alguém não convidado simplesmente feche a porta.
  4. Caso o invasor force a entrada, disque 190 e acione a polícia. Peça a presença de uma ronda escolar e leve todo mundo para registrar um boletim de ocorrência na delegacia mais próxima.
  5. Caso o agressor grave vídeos na sala de aula, o docente pode entrar com processo por difamação, calúnia e uso indevido de imagem. A pena para o crime de difamação é de detenção, de três meses a um ano, e multa.
  6. Em caso de ofensas e ameaças diante de alunos, peça para registrarem o episódio, reúna duas testemunhas e acione o advogado do seu sindicato. Ninguém pode entrar no local de trabalho do professor de modo a constrangê-lo ou censurá-lo. Isso configura ameaça e assédio ao servidor público. O que também é passível de pena.

O que fazer se publicarem um vídeo te difamando?

Caso publiquem alguma vídeo com uma suposta “denúncia” de doutrinação em sala de aula, o professor pode e deve:

  1. Pedir ajuda jurídica para o seu sindicato
  2. Denunciar as postagens em redes sociais com conteúdos difamatórios, todas as páginas como o Facebook, Youtube e Google tem botões e formulários para denunciar postagens indevidas.
  3. Reunir um grupo de professores que também foram difamados e/ou ameaçados e entre com um processo coletivo pedindo indenização por danos morais e/ou a detenção de quem tiver feito o assédio e publicado o vídeo difamatório.
  4. Envie cartas registradas para a sede do Google e do Facebook, explicando o ocorrido e solicitando a retirada do conteúdo do ar, esta carta poderá ser anexada ao processo.
  5. Procure veículos de mídia livre e alternativa como a Agência Pressenza, o QuatroV, Outras Palavras, Agência Ponte e Justificando, para dar sua versão do que ocorreu, pois os veículos de mídia tradicional geralmente distorcem e manipulam os fatos.

Não deixe passar, hoje eles te atacam. Amanhã estão atacando outras escolas (…).

Os professores não estão desamparados pela lei com relação a posturas fascistas que certos indivíduos podem tomar. Sua liberdade é assegurada em nível constitucional. Ao se depararem com situações onde sua liberdade está ameaçada, tem como recurso a legislação vigente para se defender.

Fonte: https://www.pressenza.com/pt-pt/2017/04/manual-de-defesa-para-docentes/

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SC: nota conjunta das entidades

NOTA CONJUNTA DAS ENTIDADES REPRESENTATIVAS DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO DE SANTA CATARINA EM REPÚDIO ÀS MANIFESTAÇÕES DA CANDIDATA ELEITA ANA CAROLINA CAMPAGNOLO

Os sindicatos representantes dos trabalhadores em educação das redes pública e privada municipal, estadual e federal do Estado de Santa Catarina denunciam com perplexidade a publicação da candidata eleita Ana Caroline Campagnolo (PSL), no último dia 28 de outubro, logo após a divulgação dos resultados do segundo turno das eleições 2018, na qual a mesma orienta estudantes a filmar os professores em sala de aula para denunciá-los por uma suposta “doutrinação”.
Esse tipo de ameaça publicada em rede social é um ataque à liberdade de ensinar do professor (liberdade de cátedra), tipicamente aplicado em regimes de autoritarismo e censura. É mais grave ainda por partir justamente de alguém recém-eleita para um cargo público, e que deveria fiscalizar o cumprimento das leis.
A sugestão de denúncia dos professores por estudantes caracteriza um assédio e uma perseguição em ambiente escolar, algo que remonta aos tempos da ditadura civil-militar brasileira.
A educação formal brasileira tem seus critérios estabelecidos na Constituição Federal de 88 e na Lei 9.394/96 – a LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, cuja base é a gestão democrática e o pluralismo de ideias.
Os próprios sistemas de ensino, as escolas e os/as educadores/as têm autonomia para propor, em conjunto com toda a comunidade escolar, o currículo e demais atividades pedagógicas. Atitudes de provocação interferem de forma ilegal e inconstitucional no processo democrático de organização escolar, extrapolando a competência de fiscalização do trabalho escolar e do acompanhamento das atividades profissionais feitas pelas equipes pedagógicas.
O histórico da candidata eleita é repleto de perseguições, provocações e desrespeitos ao magistério, além de constantes manifestações públicas de incitação à violência. Já declarou que o problema da educação é que “os professores só pensam em dinheiro e seu salário”. Em sua página nas redes sociais, trata os professores como inimigos que precisam ser “desmascarados”.
Campagnolo também teve uma ação julgada improcedente contra uma professora da UDESC. Neste caso, mais de 30 entidades da América Latina se manifestaram a favor da professora Marlene e contra a candidata eleita.
A lei da mordaça (“Escola Sem Partido”) em que a deputada baseia seus ataques já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e considerada censura e afronta à liberdade de expressão de estudantes e professores pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Na prática, Ana Caroline pratica justamente aquilo de que acusa os docentes: o estímulo à violência e à barbárie. Há pouco tempo, repercutiram na internet imagens da candidata eleita segurando um cassetete com a expressão “direitos humanos” ou empunhando armas.
Os sindicatos representantes dos trabalhadores em educação repudiam mais essa ofensa e veem tal provocação como uma atitude antipedagógica prejudicial não apenas à educação – a qual deve ser sempre democrática, plural e livre de perseguições –, mas a toda a sociedade.
Ao contrário do que Campagnolo afirma, as melhorias na educação dependem sim de mais investimentos, especialmente no precarizado setor público – seja para materiais pedagógicos, infraestrutura, valorização salarial, inclusão, concurso público, redução do número de alunos por sala e outros.
Por fim, a candidata eleita deveria lembrar aos seus seguidores que as agressões e o desrespeito aos professores em sala de aula só vem aumentando, e que tal posicionamento agrava a violência em um ambiente que deveria ser de civilidade, respeito, aprendizado e formação.
Não podemos permitir que a escola se transforme em palco desse autoritarismo populista que ataca e ameaça os estudantes, os trabalhadores e as trabalhadoras da educação. É preciso sempre lutar em defesa da educação democrática, plural, laica e de qualidade!

ASSINAM:

CUT-SC – Central Única dos Trabalhadores Santa Catarina
SINTE-SC – Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Santa Catarina
Federação dos Trabalhadores Municipais de Santa Catarina (FETRAM-SC)
SINTRASEM – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Florianópolis
SINTRAM-SJ – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de São José
SITRAMPA – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Palhoça
SINPROESC – Sindicato dos Professores no Estado de Santa Catarina

 

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Santa Catarina: terrorismo contra o magistério

SCterrorismoUma deputada estadual eleita em Santa Catarina pelo PSL, abriu um canal informal de denúncias na internet para fiscalizar professores em sala de aula a partir desta segunda-feira, 29.

Ela pede que vídeos e informações sejam repassados para o seu número de celular com o nome do docente, da escola e da cidade. “Garantimos o anonimato dos denunciantes”, diz a imagem compartilhada pela deputada em uma rede social.

Leia mais aqui.

Leia também: o comando que está caçando “esquerdistas”.

Além de discriminado salarialmente, agora o magistério também será vigiado e será motivo de denúncias subjetivas e retiradas do contexto da aula. Quem vai querer ficar nesta profissão?

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Devagar com o “mito”

Votacao18Bolsonaro obteve 57 milhões e 700 mil votos dos brasileiros que compareceram às urnas. Está eleito e a regra do jogo é essa.

No entanto, outro dado não está recebendo a devida atenção: somando-se os votos da oposição, brancos, nulos e abstenção chegamos a assustadores 89 milhões e quinhentas mil pessoas.

Por um motivo ou outro, a grande maioria do povo brasileiro (89 milhões dos 147 milhões de brasileiros em condições de votar), não apoiou Bolsonaro. Só em abstenções, tivemos mais de 31 milhões de pessoas.

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Continuando… nova tag e categoria no Blog

A maioria decidiu eleger Bolsonaro e seus 20 generais, acompanhados de “Chicago’s boys” e, para o governo do Estado de São Paulo, João Dória. Há certas ideias que só são vencidas pela prática. Portanto, vamos ao trabalho.


“Daqui a quatro anos nós teremos uma nova eleição, nós temos que garantir as instituições, nós não vamos sair das nossas profissões, dos nossos ofícios, mas não vamos deixar de exercer a nossa cidadania. Vamos estar o tempo inteiro exercendo essa cidadania e talvez o Brasil nunca tenha precisado mais do exercício da cidadania do que agora….

E quero dizer que durante a campanha senti uma angústia e medo em muitas pessoas. Não tenham medo. Nós estaremos aqui, estaremos juntos. Vamos abraçar a causa de vocês.

Coragem. Viva o Brasil.”

Fernando Haddad


Nova TAG (no setor de pesquisas, ao final da coluna da direita do Blog) reunirá os posts referentes à política do novo governo Bolsonaro e terá o nome: “Direto do Fundo do Poço”. Para o caso de Dória, eleito governador de São Paulo, haverá uma nova categoria (no setor Categorias) com o nome: “Dória no Estado de SP”.

 

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A América, hoje, somos nós amanhã?

Diane Ravitch pergunta em seu Blog, a propósito dos novos ataques a civis: “Isso é a América?” Nós perguntamos: está o Brasil, no mesmo caminho? Amanhã saberemos.

Eis como ela descreve a situação americana:

“Bombas dirigidas aos líderes de um grande partido político. No dia de hoje, um tiroteio em uma sinagoga em Pittsburgh com várias fatalidades. Neonazistas e nacionalistas brancos marcham em público e espancam manifestantes. Esforços para suprimir os votos de negros e hispânicos em vários estados. Pessoas transexuais despojadas de seus direitos. Turbas gritando “tranque-a” em comícios presidenciais, referindo-se à candidata que perdeu a última eleição [Hilary Clinton]. Ataques à liberdade de imprensa. Bombas enviadas à mídia. E continua o ódio, rolando de grupo em grupo, crescendo em intensidade.

Armas em todos os lugares. Armas de tipo militar disponíveis gratuitamente em feiras de armas e na Internet. Um lobby poderoso que controla os votos de autoridades eleitas, que protege o direito dos vendedores de armas a traficar armas sem qualquer limite.

Racismo. Misoginia. Homofobia. Xenofobia. Anti-semitismo. Estes não são fenômenos novos na história americana. Até agora, o governo, a lei e a grande mídia se opunham ativamente ao fanatismo e crimes de ódio, e as escolas públicas ensinavam tolerância, antirracismo, compreensão.

O ódio não conhece limites. Ela convida e libera mais ódio. De onde vem o veneno?

Quem abriu o caminho para essa efluência tóxica? Porque agora?”

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Caetano entrevista Roger Waters

 

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UNICAMP condena invasão de universidades

Em defesa da liberdade e da autonomia

Autonomia universitária e liberdade acadêmica afirmaram-se como os dois principais valores defendidos pelas universidades que assinam a Magna Charta Universitatum (MCU), documento internacional que estabeleceu os princípios fundamentais das escolas superiores, em 1988, por ocasião do 900º aniversário da Universidade de Bolonha. Conforme amplamente noticiado, os 30 anos da primeira edição do documento, do qual a Unicamp é signatária, foram celebrados na Universidade de Salamanca, em setembro, quando os valores estabelecidos pela Magna Carta foram reiterados.

O Brasil, por sua vez, estabeleceu a autonomia universitária como princípio constitucional consagrado em 1988. No ano seguinte, esse princípio foi aplicado em sua plenitude nas três universidades públicas de São Paulo com a instituição do regime de autonomia financeira com vinculação orçamentária, o que produziu impactos significativos na produção acadêmica destas instituições. De maneira objetiva, elas podem demonstrar isso por meio de indicadores de qualidade e de produtividade, que abrangem o ensino, a pesquisa e os serviços prestados à comunidade.

No momento em que a sociedade brasileira atravessa um novo período eleitoral para a Presidência da República e Governos Estaduais, é mais que oportuno destacar os princípios estabelecidos na Constituição Brasileira e na Carta Magna de Bolonha como norteadores das políticas públicas voltadas para o ensino superior. Autonomia universitária e liberdade acadêmica constituem pilares indispensáveis para que as universidades cumpram sua missão social, razão pela qual os poderes públicos devem garantir e promover o respeito a estas prerrogativas.

Nunca é demais lembrar que nenhum país conseguiu atingir um ritmo progressivo e sustentável de desenvolvimento econômico e social sem a construção de um sólido sistema universitário. Por sua vez, não é possível consolidar as bases de um ambiente acadêmico eficiente sem a garantia do livre debate de ideias e preservação das liberdades civis, que garantem a todos os cidadãos o direito de assumir e externar livremente suas convicções, sem sofrer perseguição de qualquer governo, instituição ou grupo social.

A Unicamp, que sempre valorizou a discussão de temas fundamentais para a sociedade brasileira, vem a público reiterar a defesa dos princípios indispensáveis às atividades universitárias, num ambiente de tolerância, respeito e responsabilidade. No atual contexto brasileiro, reconhecer, respeitar e valorizar a liberdade acadêmica e a autonomia universitária constitui não apenas um ato de justiça, mas uma medida estratégica para o desenvolvimento do país.

Reitoria da Unicamp

Campinas, 26 de outubro de 2018.

Baixe aqui o texto.

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Frente evangélica propõe “revolução” na educação

Bancada evangélica no Congresso divulga documento que apresenta sua proposta de trabalho para os próximos anos e mostra a que vem a atual radicalização da política brasileira. Em sua apresentação diz:

“De fato, para além da pauta tradicionalmente por nós defendida, – de preservação dos valores cristãos e de defesa da família -, compreendemos que é chegada a hora de darmos uma contribuição maior à sociedade, a qual seja consentânea aos mais de 45 milhões de eleitores brasileiros que professam a fé evangélica. Nesse sentido, cerca de 180 parlamentares federais que comungam dessa visão de mundo foram eleitos no último pleito, o que por si só demonstra a importância deste documento programático, o qual servirá de base de atuação da Frente Parlamentear Evangélica na próxima legislatura.

Estruturado em 4 eixos principiológicos que se subdividem em 16 diretrizes, o plano “O Brasil para os Brasileiros” é um verdadeiro planejamento estratégico. Fundado sobre os eixos MODERNIZAÇÃO DO ESTADO, SEGURANÇA JURÍDICA, SEGURANÇA FISCAL e REVOLUÇÃO NA EDUCAÇÃO, o plano foi confeccionado para oferecer soluções para os principais gargalos do desenvolvimento nacional.”

Abaixo segue um “aperitivo” das recomendações para a área da educação:

MÉRITO: A BASE DE UM SISTEMA EDUCACIONAL DE SUCESSO

 Valorizar e incentivar o mérito em todo o sistema educacional nacional como condição do sucesso individual e, por extensão, no sucesso do Brasil. A tragédia que se instituiu no Brasil nas últimas décadas teve como uma das causas o desprezo pelo esforço, pelo estudo, pelo mérito conquistado ao longo do tempo, em benefício do caminho mais curto da demagogia, do uso político-partidário das escolas e universidades públicas, que se tornaram instrumentos ideológicos que preparam os jovens para a Revolução Comunista, para a ditadura totalitária a exemplo da União Soviética e demais regimes sanguinários.

A destruição dos valores e princípios do mérito escolar e do mérito acadêmico universitário contribuiu para a violência contra a civilização judaico-cristã, atingindo duramente o Cristianismo, tal como aconteceu na URSS e demais Estados totalitários, como na Itália Fascista e na Alemanha Nacional-Socialista, China, Cuba etc. O mérito é rigorosamente democrático, todos podem conquistá-lo.

O democratismo comunista é a destruição do ensino de qualidade, pois, quanto mais ideológico, mas ele se torna improdutivo, ineficiente e corrupto. O populismo educacional gerou incompetentes em todas as profissões, e as pessoas só conseguem superar esse atraso quando resistem a essa pressão e estudam por si mesmas.

A corrupção dos valores e princípios da meritocracia atinge duramente a qualidade da Educação, que é sempre universal. Não existem Ciências Naturais que somente tenham validade no Brasil. Quem não sabe Ciências e Matemática no Brasil não sabe em nenhum lugar no mundo. Portanto, o demérito não resolve nenhum problema de Educação, e cria todos os gravíssimos problemas que resultaram no gigantesco atraso do Brasil.

Educação é sistema insustentável ou sustentável. A sustentabilidade se forma quando todo o sistema, da Educação Básica ao Doutorado, se baseia na meritocracia. É isso que colocará o Brasil no grupo das nações mais desenvolvidas do mundo, pois a Ciência & Tecnologia são resultado da Educação. O Brasil é muito forte em Commodities, mas na criação de tecnologia temos somente 0,1% das patentes mundiais. O Brasil não cria patentes. Para começarmos a vencer esse atraso impressionante é necessário termos um sistema de ensino fundado na meritocracia, em permanente ascensão de conhecimento, sempre visando a mais alta qualidade em todas as etapas, da Educação Básica ao Doutorado. Mesmo aqueles que terminarem seus estudos na Graduação, terão excelente nível para trabalharem em todas as áreas que escolherem.

 O mundo contemporâneo no Século XXI é e será cada vez mais competitivo e exigente. Portanto, todas as sociedades que ainda praticam uma educação ideológica, populista e demagógica, vão cada vez mais ficando para trás, e jamais conseguirão superar o abismo crescente que as separam das mais avançadas, já que estas sempre avançam mais, melhor e mais rápido. É uma condenação milenar ao atraso e à dependência em tudo. As sociedades mais avançadas do mundo não discutem a meritocracia como solução, pois todas são necessariamente meritocráticas, e desconhecem o populismo e a ideologia na educação, por isso são extremamente avançadas” (p. 53).

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Blikstein: a pedagogia do WhatsApp

“Olhei o programa [de educação] de Bolsonaro com a mente aberta. É positivo que ele fale sobre a “qualificação crescente” do professor brasileiro. Mas o resto, quando não é bordão, anuncia um futuro perigoso. As propostas mais famosas são exatamente as de resultado zero.”

Leia aqui.

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Bonadia examina a educação sob Bolsonaro

Um excelente documento de Fernando Bonadia examina o programa do PSL para a gestão Bolsonaro:

Baixe a íntegra aqui.

“No plano educacional, assim como em outras dimensões aqui não analisadas, o programa do PSL é a continuidade piorada do governo Temer e do PSBD que o carregou.
As razões aqui expostas evidenciam que o ideal de gestão da educação pelo PSL se aproxima da autocracia.

Com o intuito de conter os conflitos e as formas rebeldes que naturalmente emergem na democracia, o partido procura instituir o autoritarismo da forma mais violenta possível, repleta de ódio. O educador que não votaria em Temer, não votará em Bolsonaro. Como desabafou o poeta Arnaldo Antunes (2018), “ainda é tarde de menos para conter o ódio, o horror e o ódio, ainda dá”…

Estudantes e educadorxs democráticxs votam 13, em Haddad, não para estancar a luta, mas para poderem continuar lutando por uma sociedade mais igualitária e livre, mais justa e mais independente. Mais educada.”

Baixe a íntegra aqui.

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Saviani: uma democracia suicida?

Dermeval Saviani examina as eleições 2018:

“Hoje, no Brasil, estamos diante de uma verdadeira “democracia suicida”, ou seja, as próprias instituições ditas democráticas golpeiam o Estado Democrático de Direito pela ação articulada da grande mídia, do parlamento e do judiciário. E esse suicídio estará consumado se Bolsonaro for eleito. Aí, legitimado o golpe pelas urnas, a democracia terá se matado a si mesma, pois o atual Estado de exceção continuará vigorando pela ação de agentes que irão se vangloriar de terem sido eleitos democraticamente.

Cabe, porém, contrapor-lhes que se trata de uma democracia mutilada por regras do jogo espúrias excluindo da disputa por meio de condenação sem provas o candidato que tinha a preferência majoritária da população. Assim, já tivemos uma democracia ultra restrita na República Velha com as eleições a bico de pena substituindo o voto censitário do Império; a democracia restrita da República populista que, quando ameaçava ampliar-se, foi vitimada por um golpe militar que instituiu uma democracia excludente; e agora busca-se impor ao povo brasileiro uma democracia suicida.

É a esse estado de coisas que precisamos resistir. E o primeiro ato de resistência será impedir a eleição do ex-capitão votando em Haddad que representa a democracia contra o autoritarismo. Impediremos, assim, o suicídio de nossa jovem e ainda frágil democracia.”

Leia a íntegra aqui.

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Zárate: capitalismo tornou-se incompatível com a democracia

O presente momento da democracia brasileira pode ser melhor entendido a partir de dois textos de Gonzalo Fernández Ortiz de Zárate, do “Observatorio de Multinacionales en América Latina”. Explica porque os empresários fazem vistas grossas a Bolsonaro e flertam com o autoritarismo, em troca da implantação do liberalismo econômico de Paulo Guedes. Bolsonaro é apenas um joguete nas mãos das corporações, com consequências trágicas para o país e para a democracia.

“A democracia é, sem dúvida, uma das principais vítimas da profunda crise atual. Estamos testemunhando o desmantelamento progressivo dos princípios políticos que não muito tempo atrás pareciam hegemônicos: a soberania popular, direitos humanos, cidadania, representação, separação de poderes, primazia da política sobre a economia… que agora se tornaram letra morta.

Não nos enganemos, esses princípios foram sempre mais um conto do que uma realidade, escondendo em suas práticas uma matriz colonial, patriarcal, classista, apoiada sobre desigualdades significativas e no uso de uma matriz estrutural violenta. Apesar disso, era um modelo de democracia de baixa intensidade que permitia, fundamentalmente no Norte global, determinados espaços de decisão popular. Precisamente hoje, não somente estes, mas até mesmo o conto do estado de direito e da arquitetura multilateral para a defesa dos direitos humanos estão na mira do sistema.

Eles já não são funcionais a ele: o capitalismo é incompatível com a democracia e para que possa sobreviver num momento particularmente crítico, lança um xeque-mate ao imaginário e ao modelo existente desde meados do século passado.”

Leia a íntegra aqui.

Leia também aqui, outro texto do mesmo autor.

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Já não estamos em uma democracia: há medo

Há uma especulação sobre o futuro da democracia no Brasil pós-eleição. Boa parte acha que as ameaças de Bolsonaro são só isso, ameaças. Dessa forma, não haveria por que nos preocuparmos com um eventual ataque à democracia no futuro. As instituições funcionariam.

Este raciocínio tem várias falhas: primeiro, a democracia liberal está em crise em boa parte do mundo – é bom se preocupar. Segundo: o fato é que já não estamos mais vivendo em uma democracia plena no Brasil. Há medo nas ruas e nas casas. Mesmo que as instituições estejam funcionando no atacado, o mesmo não ocorre no varejo.

Uma das características da democracia é que podemos expressar nossas opiniões sem risco de sermos perseguidos – não apenas pelo Estado, mas também em nosso convívio com os demais. Isso já não existe mais por aqui. Tem gente morrendo, tem gente sendo calada. Qualquer um que discorde das teses de Bolsonaro, está sob risco em seu dia-a-dia.

Há milícias informais cerceando o direito à opinião e à livre manifestação. Seu persistente apelo à violência desenvolve tais grupos nas comunidades, em empresas e outros espaços. Os vigilantes de Bolsonaro estão sempre dispostos a provocar, pressionar e agredir. Algo assim ocorreu em 1964 com os chamados “Comandos de Caça aos Comunistas” (CCC) constituídos por civis. Pessoas que já viveram em ditaduras podem perceber este clima rapidamente.

Bolsonaro cria uma ambiência que instala um poder que exige lealdade, adoração e se impõe pelo medo: eis alguns dos ingredientes do fascismo. Temos um candidato a presidente que incita à violência em um dia (“vamos varrer estes bandidos vermelhos”), e no outro, ante fatos violentos concretos – verbais ou físicos – se omite e diz que não tem nada a ver com isso (“são apoiadores voluntários”).

Temos ameaças de membros de seu grupo político íntimo circulando pelas redes e quando elas se tornam públicas e revelam alguma possibilidade de gerar consequências para seus autores, estes dizem cinicamente que foram mal interpretados, pedem desculpas – mas continuam pensando da mesma forma e incitando à violência.

Os meios de realização da propaganda eleitoral foram sequestrados e financiados pelo “dark money empresarial” para que direcionem resultados eleitorais. A justiça eleitoral é impotente para controlar.

Militares da reserva são a ancoragem técnica do candidato, aliados a defensores do livre mercado. E o mercado? Ao mercado, como sempre, pouco importa a democracia, desde que o lucro esteja assegurado. A junção “militares/livre mercado” foi a base do pinochetismo no Chile.

Todos os instrumentos voltados para a manutenção da democracia falham com estas pessoas, pois as regras da democracia supõem seu exercício em um ambiente ético, que estas não possuem e nem desejam. E a democracia patina, tarda e falha.

Infelizmente, o resultado de hoje é produto do golpe de 2016. Seus apoiadores foram advertidos por vários democratas sobre os riscos que corriam: “sabe-se como um golpe começa, mas não se sabe como ele termina”. Eis mais um capítulo ao vivo.

O momento que vivemos não é uma questão de PT ou não PT. Não é também uma questão “entre extremos de direita e de esquerda” como sugere um ministro do STF. Não vejo ninguém à esquerda pregando a violência, afrontando a democracia. Portanto, esta fala, no fundo, apenas deixa o fascismo confortável e favorece o seu avanço. O que está em jogo é uma opção entre democracia ou autoritarismo. Que fique claro para que não se alegue ignorância ou surpresa no futuro.

Mais ainda, o voto em branco, nulo ou mesmo a abstenção, em todas estas formas, ajudará Bolsonaro a se eleger, já que o que conta são os votos válidos e estes são calculados excluindo-se o voto em branco, nulo e as abstenções. O voto é o único meio a nosso alcance para conter as finalidades autoritárias do candidato.

Os fins não justificam automaticamente os meios. Para que os fins possam justificar os meios, é preciso que os fins sejam, em si mesmos, declarados justos e éticos. Creio que é justo e ético colocar meu voto (um meio) contra o autoritarismo de Bolsonaro (um fim injusto e anti-ético como já é possível vivenciar através de sua campanha) e isso, por si só, justifica meu voto em Haddad ou em qualquer outro que, como ele, estivesse contra tal autoritarismo neste momento – não importando qual partido esteja Haddad representando.

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Bolsonaro e as creches “religiosas”

Da mesma forma que nos Estados Unidos, o assalto das igrejas às verbas públicas está em vias de ser oficializado por Bolsonaro no Brasil. Ele quer colocar organizações sociais religiosas, como igrejas, para atender as camadas mais pobres da população (0 a 3 anos). A ideia é a dos vouchers, já comentado aqui em outra oportunidade.

O plano envolve o financiamento das igrejas para que elas exerçam seu proselitismo religioso com as crianças pobres desde a primeira infância, e com isso, o dinheiro público passa a financiar a atuação das entidades religiosas, através de vouchers – dinheiro que é dado aos pais para que ele escolha a escola do filho.

Além do assalto aos cofres públicos, uma família se vê obrigada a matricular seu filho em uma creche administrada por uma determinada igreja, pois na sua região não haverá uma escola pública, pois com o dinheiro público indo para a iniciativa privada, não será usado para expandir a rede pública, colocando a educação na dependência das entidades religiosas.

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CNTE: Haddad 13 contra o retrocesso

A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação – CNTE – divulga manifestação pelo dia dos professores, solicitando apoio a Haddad. Diz:

“Ao fazer a leitura do programa de governo do outro candidato, o capitão reformado Jair Bolsonaro, que tem 30 anos de vida parlamentar, fica nítida a intenção de desmontar a educação pública como dever do Estado, por meio da redução de investimentos por parte da União. Importante lembrar que ele votou a favor da Emenda Constitucional n. 95/2016, que reduz ano a ano os investimentos em educação até o ano 2036. Votou também a favor da Lei n. 13.365/2016, que reduziu os valores financeiros dos 75% de recursos do fundo social do Pré-sal destinado à educação. No seu programa está explícita a pretensão de entregar as escolas públicas à iniciativa privada, através das Organizações Sociais (OS). Quer ainda instituir a educação a distância para os estudantes do ensino fundamental e médio, tendo ele votado a favor da Lei n. 13.415/2017, que permite entregar as escolas de ensino médio para as OS, destinar 40% do currículo do ensino médio a distância e contratar pessoas sem Licenciatura para ministrar aulas. Ele compromete, no seu plano de governo, o futuro dos/as estudantes de Licenciatura e as condições de trabalho dos profissionais da educação ao indicar o fim do concurso público, permitindo a terceirização irrestrita. Ele votou a favor da Lei 13.429/2017 da terceirização irrestrita no setor privado e público e da Lei n. 13.467/2017, que promoveu a reforma trabalhista retirando direitos históricos da classe trabalhadora. Por essas razões entendo que esta candidatura representa retrocessos em nossas conquistas.

Ao comparar os planos de governo, percebe-se que o Brasil poderá seguir rumos bem distintos, o de desmonte da educação pública e da precarização de seus profissionais ou o rumo do diálogo para voltar a construir as políticas essenciais de inclusão na educação pública com a valorização dos seus profissionais.

É nesse sentido, que neste dia, de forma respeitosa, venho lhe pedir um voto de confiança. Como profissionais da educação temos um compromisso ético com a sociedade, não podemos permitir retrocesso de direitos, temos a obrigação como sujeitos esclarecidos que somos, de promover a reflexão crítica sobre a realidade e de orientar os que não conseguem alcançá-la por eles mesmos. Por isso, convido-lhe a engajar-se na Campanha HADDAD 13 PRESIDENTE, e no dia 28 outubro, para ter o Brasil Feliz de Novo, VOTAR 13!”

 Leia a íntegra aqui.

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Malvina Tuttman: preservar a democracia

Próximo à data em que se comemora o Dia do/a Professor/Professora, faço um depoimento no sentido de colaborar para o debate entre meus pares, estudantes e as pessoas que defendem a DEMOCRACIA, com todo o respeito ao contraditório.

Eu sou Malvina Tuttman, Professora Titular da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – Unirio, com 50 anos de pleno exercício profissional no magistério, na educação básica e na educação superior.

Como uma cidadã e na qualidade de educadora apaixonada defendo a democracia plena. Com a mesma veemência, combato o fascismo e o nazismo em todas as suas manifestações. Meus alunos e alunas são, certamente, testemunhas dessa minha forma coerente de estar no mundo.

No atual momento, o nosso país já vive situações alarmantes, que se assemelham, e servem como sinais de muita atenção, ao que houve de mais terrível na história mundial contemporânea: o nazismo.

Também, naquela época, por volta de 1939, as pessoas não acreditaram que seria possível ocorrer o holocausto – o assassinato   de milhões de pessoas que eram consideradas “indesejáveis”, motivado por diferenças étnicas,  religiosas e, por vezes, sócio-políticas, como os negros, os ciganos, os judeus, os gays, os deficientes físicos entre outras minorias.

Fica claro que os valores novamente estão perdendo o valor do humano, estão sendo banalizados, dando espaço para discursos de ódio, semelhantes aos que deram origem ao nazismo e ao fascismo, fazendo surgir no Brasil o fenômeno chamado “bolsonarismo”.
No atual momento das eleições de 2018, não se trata, como em anos anteriores, de fazer opção por um partido político. Trata-se da democracia versus uma escolha de um governo totalitário.

Portanto, é preciso união para fortalecer e manter o afeto, a solidariedade, o respeito ao diverso, a liberdade de expressão que caracterizam a democracia, e que são princípios defendidos pela maior parte da população brasileira, evitando, enquanto há tempo, um retrocesso social e político em nosso país. Ainda é possível evitar que o Brasil entre, vergonhosamente, para a história como o país que retoma o fascismo como forma de governo, em pleno século XXI.

Por isso, voto em Haddad e Manuela para a presidência do Brasil e em Eduardo Paes e Comte Bittencourt para governar o Estado do Rio de Janeiro e, assim, preservar a DEMOCRACIA no nosso país.

Muita esperança no nosso dia, e para além dele.  Beijo,

Malvina Tuttman

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Renato Janine: o bom negócio de Stavros

Stavros é o possível ministro da educação de Bolsonaro. Renato Janine Ribeiro, ex-ministro da educação, analisa a proposta: “O ensino à distância de Bolsonaro vai ser um bom negócio. Para um certo Stavros Santhopoylos.”

Leia aqui.

Assista também entrevista de Stavros divulgada em post anterior.

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Stavros Xanthopoylos

Veja no link abaixo como os problemas da educação serão resolvidos por Stavros Xanthopoylos:

 

É como se o país fosse uma terra sem lei nenhuma, agora iluminada por brilhantes ideias. Como diz H. L. Mencken: “Para todo problema complexo existe uma solução clara, simples e errada.”

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Giroux: “caminho para o neoliberalismo facista”

“Os elos de uma crise política e ideológica geral estão profundamente enraizados na história norte-americana e, com cada tweet e decisão política, Donald Trump aproxima os Estados Unidos de um estado fascista pleno. Suas palavras machucam, mas suas políticas podem matar pessoas.

Os intermináveis insultos racistas de Trump, expressões desumanas de misoginia, ataques implacáveis a todas as disposições do estado social e desprezo pelo estado de direito servem para tornar normal a política fascista insidiosa. Além disso, seu desprezo criminogênico por qualquer sentido viável de responsabilidade cívica e moral dá um novo sentido a um ethos de egoísmo e a uma cultura de crueldade, se não de terror, que enlouqueceu.

No entanto, está se tornando mais difícil para a grande mídia e os analistas falarem sobre o fascismo como uma ameaça iminente nos Estados Unidos, apesar de, como Michelle Goldberg observa, para alguns grupos, como “imigrantes sem documentos, ele já estar aqui. “

Leia a íntegra aqui:  Trump, Kavanaugh and the Path to Neoliberal Fascism

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Sachsida, os generais e Bolsonaro

A Folha de São Paulo revela, hoje, 12-10-2018, que Adolfo Sachsida (sim, aquele do IPEA que mostrou em um estudo controverso que a introdução de Filosofia e Sociologia no ensino médio diminuiu a nota dos estudantes) é o elo de ligação entre um grupo de 20 generais que se reúnem regularmente em Brasília para contribuir com o programa de governo de Bolsonaro e o futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Sachsida colabora com Bolsonaro deste o final de 2017.

Relembre aqui a polêmica da Filosofia.

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IFCE: manifesto em apoio a Haddad

Professores do Instituto Federal do Ceará, do campus Itapipoca, conclamam a sociedade a derrotar o projeto opressor e excludente, e a defender um modelo de sociedade que valorize a democracia e a justiça social, preservando nossas liberdades e direitos tão duramente conquistados.

Baixe a íntegra aqui.

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Saviani e Lombardi: nota de apoio

NOTA SOBRE A ATUAL CONJUNTURA ELEITORAL

Nesta conjuntura de profunda crise política o Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” (HISTEDBR), considerando a disputa no segundo turno das eleições presidenciais, vem manifestar-se resolutamente contra a candidatura que representa a barbárie, a ditadura, a tortura, o racismo, a homofobia, a perda do controle das riquezas nacionais, a perda de direitos trabalhistas e de cidadania.

Diante da polarização das duas candidaturas é preciso aprofundar o debate sobre os projetos políticos para o país, apoiando a civilização contra a barbárie; a liberdade democrática e o respeito aos direitos humanos contra a ditadura, a tortura e o fascismo.

Nessa direção somente a vitória de Haddad pode assegurar o retorno de políticas sociais para os que vivem do trabalho e a garantia de educação para todos e de políticas públicas para o desenvolvimento científico e tecnológico com a preservação de nossas riquezas e da soberania nacional.

Dermeval Saviani

José Claudinei Lombardi

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