Serviço público: estabilidade na mira

Servidores públicos: sejam bem-vindos à era do liberalismo econômico (neoliberalismo). Nesta era, a estabilidade do servidor público será declarada inimiga, pois impede, segundo este, o livre funcionamento do mercado, o qual deve estar baseado apenas no mérito. Com isso, os servidores públicos passam a depender do chefe de turno e de sua avaliação para não serem demitidos, quebrando-se a independência do servidor público frente aos governos e destruindo sua organização sindical.

“O tema é tratado com ressalva pelos técnicos da equipe de Bolsonaro, mas a ideia é criar mecanismos de avaliação dos servidores e acabar com a estabilidade no cargo. Quem não atingir as metas definidas poderia ser exonerado.”

Leia aqui.

Ninguém é contra a avaliação dos servidores públicos, é bom dizer. Avaliação não é incompatível com a estabilidade no cargo. Mas a proposta de avaliação no liberalismo econômico é punitivista e só uma desculpa para controlar, diminuir salários, cortar pessoal e reduzir o Estado ao mínimo, privatizando os serviços, transferindo atividades e recursos públicos para a iniciativa privada.

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Filantropia cresce

Nos países que desenvolveram a reforma empresarial da educação a filantropia tem tido um papel central na definição da política educacional. É o caso da fundação dos Waltons e de Gates nos Estados Unidos. É o caso também da fundação Lemann no Brasil.

Leia aqui.

No Brasil, ao campo da filantropia vai juntar-se, agora, o bilionário Elie Horn que lançou neste mês uma nova ONG chamada “Bem Maior”, a qual atuará “na conscientização e na mobilização da sociedade civil para fomentar ações sociais”.

O bilionário está entusiasmado com o novo governo e com a equipe econômica de Paulo Guedes (com quem teve negócios no passado) e acha que “nada vai segurar o boom imobiliário” – ramo em que atua.

Leia aqui.

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O que incomoda o “Escola sem Partido”?

Blog da Escola da Vila aborda o movimento Escola Sem Partido, que propõe censurar as escolas.

“Com o acirramento das disputas políticas no Brasil, um discurso político constituído em contraposição àquele consenso mínimo passou a ter cada vez mais voz e audiência. O maior expoente desse discurso é o movimento Escola Sem Partido (ESP), criado pelo advogado Miguel Nagib, em 2004, e que tem por principal característica a insistência com a qual propagandeia a ideia de que um conjunto de valores constitucionais construídos ao longo de décadas é mera ideologia. Quais valores constitucionais incomodam o Escola Sem Partido?”

Leia aqui.

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Manual de defesa contra a censura nas escolas

ManualDefesa

Entidades publicam manual de defesa contra ações do Escola sem Partido. Nesta terça-feira dia 27-11-18 sessenta entidades da educação e dos direitos humanos publicaram um Manual de Defesa contra a Censura nas Escolas para orientar diretores, professores e estudantes.

Com estratégias práticas de defesa e combate às agressões sofridas pelo magistério em todo o país nos últimos tempos, o Manual pode ser baixado no link abaixo.

Baixe aqui.

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Um ministro fraco, para um ministério fraco

Nada de surpreendente e nem de estranho na indicação do ministro da Educação de Bolsonaro. Do ponto de vista político, se não fizesse isso, Bolsonaro seria acusado de estelionato eleitoral antes de assumir. Era o que prometia e ninguém pode dizer que “não sabia que seria assim”.

Do ponto de vista técnico, não se pretende um ministério da Educação forte, pois igualmente não se pretende um Estado forte. A educação é vista como uma área da economia a ser inserida no livre mercado, na esteira do Estado mínimo.

Resta para o ministério da Educação, a função ideológica de imposição de uma única ideologia que dê sustentação ao liberalismo econômico (complementando a função do ministério da Justiça) e o controle de processos de privatização (complementando a função do ministério da Economia), os únicos núcleos fortes do novo governo (sem contar o pessoal da área militar sempre de prontidão), pois eles têm que comandar a desideologização da juventude e a desestatização da economia, diminuindo o Estado.

O que a centro-direita esperava que a extrema direita de Bolsonaro fizesse, quando apoiou o capitão? Para ser bem claro, então, os únicos centros de poder fortes são a Economia e a Justiça. O ministério da Educação deve ser forte apenas na ideologia, habilidade na qual o novo ministro é versado.

A centro-direita envergonhada achou que poderia conter o ultraliberalismo do presidente eleito. Como afirmei em post anterior, correndo do petismo, ela agora tenta controlar a dose de extremismo do novo governo. No caso da educação, seu sucesso foi zero, até agora.

O novo ministro da educação é um militante da extrema direita indicado por Olavo de Carvalho. Como o guru, é anti-petista de carteirinha, a favor do “escola sem partido”, contra um tal marxismo cultural gramsciano, e outras paranoias. A bancada da bíblia que vetou Mozart não reclamou, ainda que tivesse preferência por Schelb, o promotor do DF. Como revela agora o presidente, passadas as eleições, a questão ideológica é mais importante do que a corrupção.

Mas nem tudo pode estar perdido para a centro-direita. O que mais incomoda este setor é a falta de foco e uma possível não continuidade do que vinha sendo feito até agora pela gestão Temer no ministério da Educação por Maria Helena Castro. A falta de foco põe em risco o trabalho prévio.

Mas arrisco dizer que não deverá haver muita quebra de continuidade. O novo ministro é um vazio no campo técnico. Devemos aguardar pela indicação do segundo escalão. Causa espanto, é claro, que o presidente se declare ignorante das ações a serem feitas pelos seus ministérios, alegando que são os ministros que devem entender dos vários assuntos do Estado, e que em seguida, nomeie um ministro que também não sabe o que deve ser feito. Mas, é da democracia. Quem sabe o segundo escalão do ministério não terá solução para o problema.

Com os dados que temos neste momento, podemos imaginar – se é que isso é possível em se tratando do governo Bolsonaro – o seguinte:

  1. O governo Bolsonaro está estruturado em torno de dois núcleos: economia (Paulo Guedes) e Justiça (Moro). Um faz, o outro reprime a reação que houver. A forma de operação preferida é via “lawfare” usado na lava-jato, agora federalizado: o uso de recursos jurídicos ilícitos contra quem se opuser. Neste mundo jurídico a lei e a constituição são apenas indicativas, o que conta é a “interpretação” da lei feita por um juiz.
  2. A privatização da educação não será arquitetada no MEC, mas sim na recém criada Secretaria das Privatizações – que será comandada pelo dono da empresa Localiza – ou alguma estrutura deste tipo. A privatização será comandada desde o ministério da economia. Na visão do liberalismo econômico, a educação é mais uma sub-área da economia a ser inserida no livre mercado, como muito bem resume Diane Ravitch examinando a reforma empresarial nos Estados Unidos.
  3. A função dos dois núcleos (Economia e Justiça) é dinamitar o Estado e não fortalecê-lo. Não está nos planos do futuro governo uma educação pública forte. Por que, então, haveríamos de ter um ministro forte, conhecedor da área. Quanto mais isso for verdade, maior a resistência à privatização da área. Quanto mais banal e ignorante for o ministro, mais fácil será destruir o MEC.
  4. Desenvolvidas as bases da privatização da educação, ela será entregue à iniciativa privada (vouchers e escolas charters). A principal preocupação do ministério da Economia, em relação à educação, será definir o valor dos vouchers e estabelecer os mecanismos de estímulo e criação de mercado educacional (charters).
  5. Ao MEC caberá, provavelmente, implementar e fiscalizar as regras da privatização através de uma de suas secretarias.
  6. A depender da indicação no segundo escalão (Secretário executivo e Secretarias), uma destas estruturas poderá dar continuidade à reforma empresarial da educação nos moldes como vinha sendo desenvolvida pelo governo Temer, tranquilizando a centro-direita. Quando muito, ocorre uma revisão da BNCC para “limpar” conteúdos e/ou incluir temas do novo governo. Só haveria maior problema se a BNCC fosse encaminhada para aprovação no Congresso, como queria o projeto de Rogério Marinho, que aliás não foi reeleito.
  7. O ministro da educação estará preocupado com o anti-marxismo e a implementação na prática do “escola sem partido”.

O que pode ocorrer com a centro-direita é que uma parte dela, mais ao centro, seja atingida pela própria definição do que é “ser esquerdista” – como no caso Mozart. A definição de esquerda para a extrema direita é muito mais ampla do que se pensa e inclui todo aquele que não seja adepto do liberalismo econômico, ou seja, social-democracia inclusa, além daqueles que estejam contra o “escola sem partido”, a “ideologia de gênero”, a discussão da “sexualidade” e outras coisas mais, na dependência do censor de turno. O novo ministro, antes, já defendeu “conselhos de ética” em cada escola. Em 2004 dizia que:

“todas as escolas deveriam ter Conselhos de Ética que zelassem pela reta educação moral dos alunos”. “Não se trata de comitês de moralismo, nem de juntas de censura”, disse. “Trata-se de institucionalizar a reflexão sobre (…) a forma que cada escola está correspondendo a essa exigência”.

Leia mais aqui.

O lado contraditório é que este ultraliberalismo conservador poderá permitir uma frente ampla na educação com apoio até de liberais e social-democratas, quem sabe? “Bora” reagir… e lutar pela educação pública, a única democrática e inclusiva.

O cenário é este, mas estas considerações são muito preliminares, pois, sabe-se como começa um golpe, mas não se sabe como ele termina… (e ainda não sabemos). Teremos, como sempre, que aguardar pelo twitter do capitão (ou do novo ministro).

A conferir.

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Velez Rodriguez é o Ministro da Educação

Pelo twitter, Bolsonaro anuncia Ricardo Velez Rodriguez como Ministro da Educação. Rodriguez é professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército. Ele também é professor associado da Universidade Federal de Juiz de Fora.

Leia mais aqui.

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Mozart: reformadores continuam na luta

Os reformadores empresariais da educação continuam sua luta nesta quinta-feira pela indicação de Mozart ao MEC. Claudia Costin, ex- Banco Mundial, bateu forte:

“Não somos uma teocracia, um nome não pode ser vetado por uma bancada religiosa.”

Leia aqui.

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TPE, Mozart e as lutas pós-eleitorais

Foi uma operação arrojada, ainda que até agora não tenha dado certo. O movimento Todos pela Educação (TPE) tentou emplacar aquele que foi seu primeiro presidente, Mozart Ramos Neves, no governo Bolsonaro. Aparentemente, nesta primeira batalha, não deu. O TPE foi o principal derrotado nesta quarta.

Leonardo da Vinci dizia que a função da igreja é “viver bem dentro do Estado”. Outra não é a função do TPE. Mas, outra igreja – de verdade – agora já havia chegado antes, a dos evangélicos conservadores que, curiosamente, consideram a educação um campo ideológico e que tem que ficar sob seu controle – ainda que na outra ponta, hipocritamente, preguem a “escola sem o partido” (dos outros).

O apoio dado por Viviane Senna ao visitar Bolsonaro antes das eleições, credenciando-se, portanto, a fazer proposta depois das eleições, não fez nem cócegas ao se contrapor com o apoio de um Silas Malafaia, dado também antes da eleição.

Viviane, através de Joice Hasselman (PSL),  havia participado de uma reunião com Onyx onde teria aparecido o nome de Mozart, a título de apresentar um panorama geral da educação, e levou o Insper (Ricardo Paes de Barros) e o Todos pela Educação (Priscila Cruz) com o documento – Educação Já. Hasselmann é a mesma que apresentou Paulo Guedes a Bolsonaro.

Na reunião com Onyx, apareceu o nome de Viviane como futura ministra. Ela negou. Na segunda reunião, apareceu o de Mozart. Nas manifestações posteriores à reunião Viviane foi crítica ao “escola sem partido”. Mozart silenciou. O limite do compromisso de Viviane-Mozart estava anunciado. Como Mozart teria acenado positivamente ao cargo de ministro, nestas condições, a bancada evangélica foi avisada e logo em seguida o jornal Estadão, conservador também, vazava a informação. A Folha de São Paulo acompanhou. Mas o jornal O Globo on line, atravessou o dia impassível sem anunciar Mozart como novo ministro da Educação. Era sinal de que havia “boi na linha”.

Quando a confusão se instalou com os evangélicos, o Instituto Ayrton Senna, de Viviane, onde trabalha Mozart, apressou-se a emitir nota dizendo que não havia tal convite. Bolsonaro idem. E já ao final da tarde do dia 21-11-18, o próprio Bolsonaro dizia que não havia sido tomada uma decisão e que o nome de Mozart não estava entre as possibilidades.

No dia seguinte (22-11-18) Bolsonaro afirmaria com ares de inocente, que:

“Talvez, a intenção de pregar alguém como o senhor Mozart como ministro foi tentar fazer que a bancada evangélica se voltasse contra minha pessoa. Nem foi cogitado o nome do senhor Mozart para ser ministro, então não procede isso.

Leia aqui.

Ainda no dia 21-11-18, a Folha de São Paulo revelou o impasse evangélico, e o Estadão informava a nomeação até as 15 horas quando desmobilizou a notícia. Através de um de seus blogs, no dia seguinte, o Globo on line viria a lamentar a não indicação de Mozart (22-11-18).

Isso tudo não tem nada a ver com fake news. É a luta interna no governo, onde as várias tendências que apoiaram Bolsonaro se apresentam para exigir seus espaços. Bolsonaro nunca foi o candidato da direita e do centro antipetista. Na verdade, foi o candidato que restou à direita apoiar para barrar a esquerda – depois que a anti-política iniciada na lava jato destruiu a todos os partidos. A estratégia dela inclui tentar o controle do capitão durante os próximos quatro anos.

No campo da economia isso foi negociado antes com a entrega da economia ao liberalismo econômico (para quem a democracia não é uma necessidade, já que a liberdade advém do livre mercado, com ou sem eleição). Mas no campo da educação, o capitão acenou claramente para os conservadores, de onde ele vem, incluído aí os evangélicos. Portanto, quando a direita, após as eleições, tenta chegar a Bolsonaro para colocar sua agenda educacional, já encontra o território ocupado pelos conservadores do escola sem partido e outras baboseiras mais.

A saída possível para o TPE e seus aliados é encontrar, agora, um nome que combine a defesa da iniciativa privada no campo da educação (o que Mozart representa com o aval de Viviane Senna) com um perfil conservador que não tenha vergonha de apoiar o escola sem partido. Penso que, novamente, os evangélicos estarão mais vem posicionados para ganhar esta batalha.

A direita sabe que fez um jogo arriscado apostando em Bolsonaro. Mas não tinha outra alternativa. No campo da economia pode ser que dê certo, a conferir durante o mandato, se os militares não se incomodarem. No campo da educação, até agora, não deu certo com um “puro sangue”.

Hoje à tarde tem mais estrepolias na corte… Bolsonaro vai receber o procurador Guilherme Schelb – o mesmo que editou medida extrajudicial no DF alertando as escolas que deveriam abster-se de ideologia de gênero e de ensinar sexualidade – para uma conversa sobre educação no dia de hoje (22-11-18) (leia aqui também).

Aos poucos, vai ficando claro a que veio Bolsonaro:

“Ainda no discurso desta quarta-feira, o presidente eleito afirmou que a “questão ideológica” é “muito mais grave” que a corrupção.”

Leia aqui.

Pela lógica ideológica do capitão, Mozart estaria fora e Schelb – ou equivalente – dentro. No entanto, sobre o governo Bolsonaro nada pode ser dito com segurança, pois como militar que é, conhece a importância de jogar camuflado: para cada reclamação, propõe um candidato a ministro que a atende. Na educação há pelo menos uns seis nomes para agradar a todas as tendências e bancadas. Com isso, mantem os apoios até o limite. Enquanto não sair no seu twitter do capitão, tudo pode virar “fake”.

O TPE que foi criado por acadêmicos, sociais-democratas, empresários, filantropos e a própria direita – ocultos sob a tarefa de interessar “todos pela educação” em 2006, durante o governo Lula na gestão de Fernando Haddad (e com sua participação), sempre teve a porta aberta na era PT. Agora, só terá vez se ignorar um ministro que defenda o escola sem partido.

 

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Livre mercado educacional: quem apoia?

Trump não tem nenhum apreço pela BNCC, base nacional comum curricular americana, o Common Core. Em sua campanha propôs a sua eliminação. Esta posição de Trump é menos comentada no Brasil.

Se Bolsonaro é uma imitação de Trump, certamente deveria fazer o mesmo – pelo menos deixar que cada Estado optasse (nas mesmas condições americanas, ou seja, sem retaliações do governo federal).

Mas o que não se pode ignorar é que, como Trump, Bolsonaro é um apoiador dos vouchers e escolas charters. Seu ministro da economia também. Portanto, apoiar Bolsonaro é apoiar a privatização da escola pública. Dificilmente poderá ser indicado para ministro da educação alguém que não concorde com esta pauta.

Com receio de que ele possa rever a BNCC (para pior, mais conservadora), alguns estão se aproximando de Bolsonaro para reforçar a necessidade de continuar com a BNCC. É o que vemos em uma entrevista de uma interlocutora próxima de Bolsonaro, Viviane Senna, presidente do Instituto Airton Senna.

“Acho que não podemos voltar atrás e repensar a Base Nacional Comum Curricular. Tem que terminar de aprovar.”

Leia aqui.

Alguns apoiadores de Bolsonaro sonham em poder ter o melhor dos mundos (para eles): o neoliberalismo sem o conservadorismo. De fato, apostaram nisso.

O receio advém de que os nomes que circulam como prováveis ministros da educação não saíram do Movimento pela Base, por exemplo, que deu e dá sustentação à nossa BNCC, ou de nenhuma fundação ou instituto privado. Nem mesmo saem do interior da área da educação. São na verdade pessoas que não têm nenhum contato com a área (um militar, um empresário de educação à distância, um advogado do Escola sem Partido). Viviane Senna cairia como luva para Bolsonaro, permitindo que ele tivesse, como Trump, uma ministra oriunda de uma fundação privada que apoia a reforma empresarial da educação. Mas, segundo ela mesma, não está candidata.

A iniciativa privada, a única que tem acesso hoje aos planos secretos de Bolsonaro, tem se apressado em levar sua agenda à equipe de transição.

Verifica-se, porém, que na agenda pública que é levada ao novo governo não figura a crítica aos vouchers e à implantação de escolas charters. E o programa do PSL – Partido de Bolsonaro –  é absolutamente claro neste aspecto.

Dos que transitam pela iniciativa privada, apenas Ilona Becskeházy manifestou-se claramente (ainda que não tenha incluído explicitamente as escolas charters):

“Que fique bem claro que aproveitar o ensejo de transição eleitoral e de necessidade de repactuação da distribuição de recursos estatais para propor vouchers e outros “gadgets” importados dos EUA, como Teach for America, Kipp, Khan Academy e afins —com o objetivo de economizar uns tostões e promover vingancinhas contra o corporativismo irritante de uma elite de professores de faculdades públicas— é uma iniciativa que tem pernas curtas como promotora da formação de capital humano educacional.”

Leia aqui.

É verdade que parte da iniciativa privada educacional tem criticado o Escola sem Partido. Mas criticar este projeto e aceitar vouchers e escolas charters é rotunda falta de visão. O Escola sem Partido, mesmo que passe, será futuramente derrubado por outra legislação e pela prática, enquanto que os vouchers e escolas charters são passos de difícil revisão futura – até porque destroem as escolas públicas e abrem seus portões à corrupção de todo tipo, como vemos na realidade americana, onde as escolas públicas passam a ser ativos de fundos de investimento pouco interessados na qualidade da escola e muito interessados nos lucros de mercado. E não se fale em “regulação do mercado educacional”, pois o neoliberalismo de Paulo Guedes é defensor do pleno livre mercado.

Igualmente não devemos nos iludir achando que organizações sociais ou ONGs não lucrativas operando escolas públicas serão  melhores do que empresas com finalidade lucrativa. As ONGs são apenas a ante-sala  do mercado lucrativo, que se completa quando elas também recebem os vouchers. Ambas destroem a educação pública.

O momento exige posicionamentos claros quanto aos destinos da educação pública brasileira.

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Novo livro: Ghosts in the Schoolyard

GhostsO que pode estar escondido atrás dos fechamentos de escolas? Racismo? Ocultação da pobreza que deixa a cidade mais feia? É o que procura esclarecer Eve L. Ewing nos acontecimentos que fecharam mais de 125 escolas na cidade de Chicago (USA) – 53 delas de uma só vez em 2013.

Com a proposta do futuro governo brasileiro de utilizar vouchers e escolas charters caminhando para a privatização das escolas, estas situações podem estar mais perto do que pensamos.

“Na primavera de 2013, aproximadamente 12.000 crianças em Chicago receberam a notícia de que seu último dia de escola não seria apenas o último dia do ano, mas também o último dia de existência da própria escola. O terceiro maior distrito escolar do país fecharia 53 escolas, alegando limitações orçamentárias, subutilização de prédios e preocupações com o desempenho acadêmico. Dos milhares de estudantes deslocados, 94% eram de baixa renda e 88% eram afro-americanos, levando os críticos a acusar o CEO do distrito, Barbara Byrd-Bennett, e o prefeito Rahm Emanuel de racismo. “[O prefeito] diz que quer mudar a cidade de Chicago, fazer uma nova Chicago”, disse um ativista a um repórter. “Essa nova Chicago significa não às crianças negras? Onde as pessoas irão?

Fantasmas no pátio da escola: racismo e fechamentos de escolas no lado sul de Chicago” conta a história desses fechamentos, desde o desdobramento até as consequências, em Bronzeville, uma comunidade afro-americana historicamente significativa no lado sul de Chicago.”

Em Chicago, entre 2000 e 2015 foram fechadas 125 escolas públicas e nasceram 149 escolas charters (privadas) de admissão seletiva.

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Tecnologias e infância: recomendações aos pais

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Nancy Carlsson-Paige, especialista em desenvolvimento infantil, preocupada com o cerco que as mídias interativas estão criando ao redor das crianças pequenas desde cedo, elaborou um manual para os pais. Ela examina seis ideias fundamentais no campo do desenvolvimento infantil:

  1. As crianças utilizam todo o seu corpo e todos os seus sentidos para aprender sobre o mundo.

  2. As crianças aprendem pela experiência direta no mundo real.

  3. As crianças aprendem inventando ideias.

  4. As crianças dão sentido ao seu mundo através da brincadeira.

  5. As crianças constroem habilidades de resiliência e resistência através da brincadeira.

  6. As crianças vivem e aprendem em um contexto de relações sociais.

As recomendações são:

  1. “Cerque as crianças pequenas com oportunidades para se movimentarem e explorarem usando todo o seu corpo e todos os seus sentidos.

  2. Forneça às crianças pequenas todos os tipos de objetos a serem explorados. E tente dar-lhes muitas oportunidades de interação social – lembrando que as crianças crescem cognitivamente, socialmente e emocionalmente enquanto se envolvem ativamente com materiais e pessoas.

  3. Mantenha as crianças longe das telas dos equipamentos nos dois primeiros anos de vida, tanto quanto possível, e reduza o uso da tela ao mínimo durante os primeiros anos da infância. Quando uma criança quer ficar na tela, podemos nos perguntar: “Qual é o potencial dessa atividade para estimular a imaginação e/ou o seu desenvolvimento social? Não existiria uma experiência mais benéfica e envolvente disponível para o meu filho agora?”

  4. Tente fornecer um espaço (até mesmo um canto de um quarto em um apartamento pode funcionar bem) e tempo ininterrupto para as crianças brincarem todos os dias.

  5. Dar às crianças materiais não-definidos (playdough, materiais de arte, blocos e materiais de construção, objetos domésticos) para brincar, o que encorajará o jogo mais profundo, criativo e extenso possível.

  6. Tente prestar atenção consciente ao seu próprio uso de dispositivos móveis na presença de crianças e tente deixar os dispositivos de lado até mais tarde, tanto quanto possível.

  7. Tente fazer com que o uso da tela em equipamentos pelas crianças seja uma escolha consciente e não algo para o qual nos voltemos automaticamente.

  8. Tente praticar a arte de estar totalmente presente com as crianças, dando-lhes toda a nossa atenção, mesmo que seja apenas por alguns momentos.

  9. Evite usar telas de equipamentos eletrônicos para ocupar as crianças ou distraí-las de seus sentimentos ou momentos difíceis. Mantenha facilmente acessíveis materiais não-definidos como massa, marcadores e papel, materiais de construção.

  10. Esteja alerta ao ambiente escolar que as crianças têm e defenda salas de aula que envolvam as crianças por meio do aprendizado lúdico e permita que elas sigam sua própria curiosidade, em vez do aprendizado didático que é tão difundido hoje em dia.”

Baixe aqui (em inglês).

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Giroux: quando o passado nos condena…

Da mesma forma que não se pode entender a “pena de morte” nos USA sem a história dos linchamentos (quem não se lembra de ter visto nos filmes do “velho oeste” julgamentos e linchamentos sumários?), assim também, pode se dizer que não se consegue entender a eleição de Bolsonaro (militar da reserva) e suas ideias sem a história da ditadura brasileira. Daí a necessidade de alguns em reescrever aquela história a seu modo, retirando-lhe o incômodo, ou até mesmo negar que tenha existido, como faz Bolsonaro.

Henry Giroux, ao examinar os acontecimentos sob Trump nos Estados Unidos, fornece uma base conceitual que retrata bem o atual momento brasileiro.

“Quando uso a frase esquecimento organizado, o que estou invocando é a noção de que a memória histórica, o testemunho moral e a consciência histórica são absolutamente centrais para qualquer noção do que significa ser um cidadão informado criticamente. Se você não consegue lembrar o passado, como diz o ditado – e não é um clichê – você não aprende com ele. E parece-me que existimos numa época em que é mais importante aprender com o passado do que em qualquer outro momento do passado recente, dadas as condições em que nos encontramos.”

Giroux dá dois exemplos que embora diferentes explicitam o seu conceito:

“Quando você fala particularmente sobre o caso Kavanaugh [juiz de direita indicado por Trump para a Suprema Corte] ou o movimento #MeToo, eles representam dois momentos diferentes que eu chamaria de “esquecimento organizado”. Para um deles, Kavanaugh e aquele grupo de republicanos de extrema direita e instituições conservadoras que o apoiam, o esquecimento organizado é uma virtude porque eles não querem que as pessoas saibam sobre seu passado. Eles não querem ressuscitar o passado em que as mulheres eram vítimas de violência masculina. Eles não querem falar sobre como a misoginia informou a história americana de tal forma que é hora de olhar para ela e dizer que isso não pode continuar.

Há um longo legado aqui, e o que estamos fazendo agora tem que estar conectado a esse legado, assim como alguém diria que a pena de morte não pode ser entendida sem olhar para o legado do linchamento nos Estados Unidos – eles estão ligados, e esses links são importantes.

Então, o grupo Kavanaugh adoraria eliminar a história, assim como o próprio Kavanaugh parece cair na armadilha de dizer “não me lembro”. Ele está fugindo do passado porque o passado o condena.”

Leia mais aqui.

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Senna, Insper e TPE se reúnem com novo governo

A presidenta do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, e outros especialistas em educação (Ricardo Paes de Barros – Insper; Priscila Cruz – Todos pela Educação; Mozart Neves – Instituto Ayrton Senna) participaram de um encontro nesta quarta-feira, 14 de novembro de 2018, com o futuro ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni. Os participantes foram convidados para apresentar um panorama da educação brasileira.

“Na reunião, deixaram claro que o governo Jair Bolsonaro não pode ter como pauta a perseguição de professores. Quem estava presente afirmou que a conversa foi técnica, com apresentação do cenário educacional brasileiro para o futuro ministro. Não se falou sobre o cargo de ministro da Educação no encontro entre Lorenzoni e Viviane – o instituto [Ayrton Senna], em nota, disse que não está nos planos dela assumir a pasta.”

Leia mais aqui.

Viviane Senna visitou Bolsonaro ainda durante a campanha, o que foi visto como um apoio.

A pauta do PSL, partido de Bolsonaro, é clara: introdução de vouchers e escolas charters na educação, o que significa privatização. Como a intenção do novo governo é livrar-se da educação pela terceirização e privatização, é claro que não há grandes planos para a área além destes – a não ser a introdução do controle ideológico do trabalho docente, pautado pelo Escola sem Partido.

Paulo Guedes, o ministro que controlará a economia, é adepto de Friedman, proponente dos vouchers. Este também foi o caminho seguido por Trump nos Estados Unidos que aproximou-se da iniciativa privada e nomeou DeVos para Secretária da educação, uma bilionária dirigente de uma Fundação educacional, com a tarefa de turbinar os vouchers. Quem quer que aceite o cargo de ministro da educação de Bolsonaro, não poderá alegar  desconhecimento desta pauta.

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Ximenes denuncia plágio em “Nota técnica”

Salomão Ximenes denuncia plágio em nota técnica assinada por promotores e procuradores a favor da constitucionalidade do projeto escola sem partido. Ela teria sido escrita originalmente por Miguel Nagib do Escola sem partido. Leia abaixo:

Circula a informação que mais de uma centena de promotores e procuradores teriam produzido uma “Nota Técnica” em favor da constitucionalidade do autodenominado “Escola sem Partido”.

Tenho rebatido os argumentos de fundo e voltarei a fazê-lo, por ora quero alertar que (…) não existe “Nota Técnica” mas a mera cópia do parecer jurídico produzido pelo advogado Miguel Nagib, idealizador e coordenador do movimento pró-censura.

Segundo Ximenes, “fazem isso sem citar a fonte, ou seja, um estrondoso plágio (em sentido técnico) cujo efeito é encobrir o real autor do texto.”

Abaixo, os dois textos para quem quiser compará-los.

Nota técnica dos procuradores.

Nota técnica assinada por Miguel Nagib, coordenador do Escola sem Partido.

 

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Vouchers: novo relatório, mesmos problemas

Em 2016, EdChoice, ex-Fundação Friedman, divulgou um relatório no qual estimava o impacto de programas com vouchers nos orçamentos de educação. Uma revisão do National Education Policy Center, realizada por Luis A. Huerta e Steven Katsivalis, do Teachers College – Columbia University, identificou falhas graves na metodologia.

Recentemente, EdChoice lançou outro relatório sobre o mesmo assunto. Em novo estudo, Huerta e Koutsavlis argumentam que a nova análise sofre das mesmas falhas metodológicas do relatório anterior.

Acesse aqui Revisão dos efeitos fiscais dos vouchers escolares por Huerta e Koutsavlis.

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BNCC: Lemann/Itaú contratam avaliação nos USA

A Fundação Lemann e a Itaú Social contrataram o Consortium for Policy Research in Education (CPRE), nos Estados Unidos, para avaliar a implementação da BNCC no Brasil. É o que se pode ler no site daquela organização:

“Base Nacional Comum Curricular do Brasil (BNCC): O Consortium for Policy Research in Education (CPRE) está envolvido em um estudo de cinco anos sobre a implementação da BNCC do Brasil. Nosso trabalho inicial é focado na compreensão do panorama nacional do projeto e implementação da BNCC por meio da análise de documentos e entrevistas com formuladores de políticas, profissionais e políticos em vários setores e níveis governamentais. Além das entrevistas contínuas com os interessados, os anos subsequentes incluirão o trabalho de campo qualitativo em 18 escolas de ensino fundamental em três estados para entender melhor como a BNCC está sendo interpretada, percebida e implementada na prática. Este trabalho é apoiado pela Fundação Lemann e pelo Itaú Social.”

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Maranhão: Decreto garante escola sem censura (atualizado)

MaranhaoEscolaSemCensuraFlávio Dino, governador do Maranhão, acaba de editar decreto que garante a livre expressão nas escolas estaduais. Em seu primeiro parágrafo diz:

“Todos os professores, estudantes e funcionários são livres para expressar suas opiniões no âmbito escolar da rede estadual do Maranhão”.

Baixe aqui página 1 e baixe aqui página 2 do decreto.

Um detalhe importante é que o decreto proíbe qualquer filmagem em sala de aula que não tenha sido autorizada pelo professor.  Qual outro governador se habilita a fazer o mesmo?

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Ensino Médio: entidades repudiam CNE

Entidades da área educacional divulgam Moção de Repúdio à aprovação de Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio pelo Conselho Nacional de Educação:

Baixe aqui a íntegra.

“Por essas razões, reiteramos a posição já publicizada pelo Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio: O financiamento da oferta privada com recursos públicos significa, além de privatização stricto sensu, que o governo federal e os governos distrital e estaduais, estarão terceirizando o que é de sua responsabilidade constitucional.

O ensino médio é parte constitutiva da educação básica e precisa cumprir a função precípua de contribuir para o desenvolvimento pleno dos estudantes. Não é admissível que frente ao desenvolvimento histórico da ciência, da arte e da cultura os jovens pobres sejam afastados da escola limitando o tempo presencial a três dias por semana.

Igualmente inadmissível é o uso do dinheiro público para a mercantilização dessa etapa educacional de acordo com interesses, demandas e necessidades que não correspondem aos das nossas juventudes.

Desse modo, as entidades abaixo relacionadas vêm a público manifestar seu repúdio às ações do Conselho Nacional de Educação no que diz respeito ao ensino médio e alerta, uma vez mais, aos governantes deste país, para as consequências desastrosas dessas medidas que atingem o âmago da formação da juventude brasileira.”

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)

Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE)

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)

Associação Brasileira de Currículo (ABdC)

Associação Brasileira de Ensino de Biologia (SBEnBio)

Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (FINEDUCA)

Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES)

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)

Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR)

Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio (MNDEM)

Rede Escola Pública e Universidade (REPU)

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‘Escola sem partido não entra na USP’, diz reitor

Vahan Agopyan, reitor da USP, falou, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, sobre o papel das universidades e a polarização política que atinge as instituições de ensino.

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Brasil: o magistério em último lugar

Estudo envolvendo 35 países aponta que desempenho dos alunos está ligado à valorização dos docentes. A reportagem é de Ian P. Johnson, publicada por Deutsche Welle e reproduzida por Carta Capital, 08-11-2018. Quando se comparam os resultados da pesquisa anterior de 2013 com a atual, realizada em 2018, o Brasil surge em último lugar no ranking da valorização dos professores.

Com a campanha para se denunciar nominalmente os professores que não se enquadrem nas teses do Escola sem Partido, vamos jogar a “pá de cal” que faltava sobre o prestígio do magistério.

“O desempenho dos alunos está ligado à forma como a sociedade vê e remunera seus professores, afirmou um estudo divulgado nesta quinta-feira 8. A China lidera o ranking dos 35 países analisados, e o Brasil tem o pior rendimento.”

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Bruno Tovar: avaliar a avaliação

“A avaliação educacional poderia nos fornecer evidências para a construção e monitoramento de políticas públicas. Entretanto, nem sempre medimos o que fazemos, entendemos o que medimos ou os resultados obtidos iluminam os caminhos que desejamos seguir. Há muito a avançar na construção de instrumentos que meçam com mais precisão um fenômeno tão complexo como o da aprendizagem.”

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Só para contrariar…

Na Escócia passa a ser obrigatório nas escolas públicas o ensino de temas sobre LGBT, tão condenado pelo Brasil do atraso. E o motivo é que se quer combater a homofobia e a discriminação. E estamos falando de educação básica.

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A ideologia do ENEM

O presidente eleito parece não perceber (ou faz de conta) que existem leis no país que vai governar e que, portanto, nem tudo depende da sua vontade. Pelas redes, agora, ele ataca o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) porque incluiu uma questão que não lhe agradou:

“Qual a razão de incluir ideologia e politicagem nos testes que medem o conhecimento dos nossos alunos? Não devemos fabricar militantes, mas preparar o jovem para que se torne um bom profissional no futuro. O modelo atual não funciona, temos péssimos indicativos. É preciso mudar!”

Maria Ines Fini, atual presidente do INEP, autarquia que elabora a prova, explica em uma entrevista dada ao El País na qual respondeu a uma pergunta sobre a possibilidade do novo governo interferir no ENEM:

“Nenhuma. Não é o Governo que manda na prova”. (…)”Eu só lamento que algumas leituras tenham sido equivocadas, mas cada pessoa, cada leitor do mundo faz uma interpretação do texto da maneira como quer, não é? Com a sua cultura, com seus valores e com as suas ideologias”, completa.

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Para Luiz Claudio Costa, ex-presidente do INEP:

“As questões são feitas por professores de cada área, nunca houve uma escolha [por parte do Executivo] de quais questões seriam feitas”, diz ele. “Se Bolsonaro quiser interferir, ele monta uma comissão com pensamento alinhado ao dele para construir a prova, mas aí estará definindo a ideologia da prova.”

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Barbosa: um alerta que permanece

Excelente resumo de Nelson Barbosa na Folha de São Paulo (Depois do Neoliberalismo) sobre o desenvolvimento econômico recente dos países é um alerta essencial. Escrito antes das eleições, em outubro de 2018, deve permanecer como referência, pois sempre se pode rever erros.

“Segundo e mais importante, desde seu início com Friedman e Hayek, o neoliberalismo colocou a liberalização do mercado acima dos direitos civis. Nesse sentido, os pais do neoliberalismo apoiaram ditaduras como Pinochet no Chile, sob argumento de que o “bom funcionamento” da economia é mais importante do que democracia.”

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CNE aprova EAD no ensino médio

O lobby privatista obteve grande vitória no Conselho Nacional de Educação ao propor e aprovar a introdução de Ensino à Distância na etapa do ensino médio.

Foram aprovadas as novas diretrizes do ensino médio pelo Conselho Nacional de Educação. Dos 10 conselheiros presentes houve apenas um voto contra de Francisco Socares (por acreditar que o processo foi muito atribulado) e uma abstenção.

Por estas novas diretrizes, o ensino médio poderá ter atividades de educação à distância que podem chegar até a 20% da carga horária do ensino médio diurno e até 30% no ensino noturno. Na Educação de Jovens e Adultos poderá ser de 80%.

Como alertamos, a proposta inicial de 40% era um teto para se negociar. Fica aberta, portanto, a possibilidade de se desenvolverem as escolas on line privadas dedicadas a EAD no ensino médio. Como também alertamos, tais escolas, em outros países como os Estados Unidos têm as piores avaliações. Em 2017 a má qualidade destas foi reiterada. O texto segue agora para homologação do Ministro da Educação.

“Para Cesar Callegari, ex-membro do CNE, a votação foi uma precipitação e o texto abre espaço para a privatização da educação por meio da atuação de grupos privados nas atividades a distância – o que de fato é permitido pela diretriz.

“Os acionistas de empresas educacionais devem estar em festa, porque abre um caminho enorme da educação a distância dentro da educação básica”, diz ele, ao ressaltar que a medida pode aumentar a desigualdade. “Ao fazer uma consulta em meio a confusão eleitoral e aprovar a toque de caixa, mancha a tradição do conselho de debates amplos. Nasce um documento marcado por ilegitimidade, e isso não é bom para educação.”

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VI SEB promovido pelo CEDES

SEBvi

Entre 10 e 12 de dezembro acontece o VI Seminário de Educação Brasileira, promovido pelo CEDES, na UNICAMP.

Acesse o site aqui.

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Rossiele é Secretário da Educação de Doria

O atual Ministro da Educação muda do MEC para São Paulo.

Jornal O Globo, confirma.

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Diniz: “deixem a Universidade em paz”

Por Debora Diniz

Fui estudante e, hoje, sou professora da Universidade de Brasília. Me descrevo como um experimento de Darcy Ribeiro para o conhecimento sem fronteiras – cheguei por um curso, passei por outros, me formei em Antropologia, hoje sou professora do Direito, e penso a saúde pública. A universidade é isso: não há perguntas pré-determinadas, não há respostas já conhecidas, e jamais haverá medo para mover a dúvida e o conhecimento. Assim, meu pedido aos que festejam a vitória das eleições com mensagens de ameaça ou terror: esqueçam as universidades. Deixem a Universidade de Brasília em paz.

Ali não é lugar para combate, só para aprendizado e acolhimento. Se insistirem na ofensiva violenta, encontrarão professores, funcionários e estudantes dispostos a ensinar o que ainda precisam aprender: paz, tolerância e democracia. Não ameacem gravar aulas e denunciar a quem quer que seja que se apresente como o fiscal do conhecimento proibido ou permitido. Será gasto inútil do dinheiro público, pois falaremos mais e melhor. E com mais sagacidade, coisa que o ressentimento impede alguns de conhecer. Começaremos a falar de bolo de cenoura e, sem que percebam, falaremos da liberdade e da resistência. Por isso, não nos transformem em heróis. Deixem-nos ser só professores.

Podem levar as cadeiras, os quadros, os recursos de financiamento à pesquisa. Ensinaremos mais, seremos ainda mais professores, como um dia sonhou Paulo Freire. Quer maior estrago para as futuras gerações que nos dedicarmos a falar ainda mais, escrever como quem respira, sair das universidades e ir às comunidades? Não há profissão de maior provocação neste momento do país que a de professor. Reconheçam que já éramos pensantes antes de chegarem ao poder, só seremos ainda mais. Se acreditam mesmo na democracia que os permitiu chegar à presidência da república, respeitem as regras do jogo. Na universidade não entram tanques ou gente armada – só se for para aprender, e pediria que sempre guardassem a arma quando se apresentem como estudantes em uma sala de aula.

Além de professora, sou também orientadora de estudantes. Essa é uma das responsabilidades mais delicadas de minha carreira – além de ensinar, oriento os caminhos do pensamento para um jovem escritor. Já orientei policiais, bombeiros, delegados, agentes de segurança prisional, e com todos eles encontrei o mesmo espírito de proteção aos direitos humanos que partilho. Foram estudantes que me ensinaram sobre a grandeza de ser um profissional da segurança pública e pensar a dignidade da vida humana. De nenhum deles jamais ouvi destrato ao meu pensamento, como certamente eles não ouviram de mim às suas crenças sobre o certo. O que não estranhamos entre nós é sobre onde o justo deve estar na vida política.

Por isso, não acreditem em quem esbraveja que as universidades são os inimigos depois de vencidas as eleições. A lógica binária de uma corrida política não se aplica a quem pensa, duvida, estranha e pede argumentos antes de ouvir teses prontas. Em uma sala de aula pensamos sobre tudo, mas para qualquer coisa a ser dita pedimos uma forma específica de pensar, que é o argumento. E para argumentar há regras da comunidade acadêmica: a mais importante delas é o respeito ao que se descreve como conhecimento; a segunda é o dever de conhecer antes de se pronunciar. Não é, portanto, fácil marchar pelas universidades como se disparam mensagens de fofoca por WhatsApp – ali não estão crentes à espera de burburinho. Somos pensadores treinados a duvidar e a argumentar.

Na falta de argumento, não adianta nos ameaçar com bravatas de perseguição ou matança. Há meses, escuto bravateiros covardes que me perseguem como se isso fosse me silenciar. Aqui estou e estive por todas as partes nos últimos meses: se a mim, um experimento de Darcy Ribeiro, alguém sem músculos ou armas, só com livros e voz, os bravateiros não foram capazes de silenciar, jamais serão os mais de 20 mil alunos da Universidade de Brasília. Por isso, meu pedido: parem de desordenar antes de governar. Festejem que ganharam as eleições, mas reconheçam que a universidade sempre será livre e não se toma de assalto o pensamento.

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¹ Professora da Faculdade de Direito, da Universidade de Brasília e pesquisadora da Anis – Instituto de Bioética Direitos Humanos e Gênero. Graduada em Ciências Sociais, mestre e doutora em Antropologia, todos pela UnB, com pós-doutorado pela UnB e pela Universidade de Leeds (Inglaterra). É membro da Câmara Técnica de Ética e Pesquisa em Transplantes do Ministério da Saúde e membro do Advisory Committee do Global Doctors for Choice /Brasil. Vice-chair do board da International Womens Health Coalition.

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Denuncismo: hora da paciência histórica

O denuncismo como foma de impedir o pensamento crítico sempre foi aliado de ditaduras. Este tipo de denuncismo coloca o denunciante em uma condição degradante. Na minha infância, o “alcagueta”, como era chamado quem denunciava, era visto como um ser desprezível, sem espinha dorsal. Era alguém a ser evitado. Denunciar para impedir o outro de pensar sempre foi um procedimento covarde, pois ao invés de promover o diálogo honesto e franco, impõe o seu silenciamento recorrendo a algum elemento repressor (pais, chefes, autoridades etc.).

Os pais deveriam pensar muito, antes de estimular seus filhos a entrar na fila dos delatores: eles dificilmente conseguirão se justificar perante seus próprios pares e carregarão para sempre esta condição. A escola não pode deixar de refletir sobre esta questão que afeta a formação e o bem-estar psicológico das crianças e jovens. Até mesmo quem se preocupa com a produtividade em ambiente de trabalho, nas empresas, vê com reservas o denuncismo: ele prejudica o relacionamento da equipe e reduz a produtividade. Uma sociedade não pode ter como objetivo formar alcaguetas: neste sentido, discordo do presidente eleito – não há nenhum orgulho nisso.

Em tempos de denuncismo, é hora da paciência histórica. Não devemos fazer enfrentamento ao alcagueta, principalmente se você está em uma sala de aula ou no interior de uma escola. Estes espaços não são destinados a enfrentamentos, mas sim a aprendizagens.

É importante manter o foco na tarefa formativa da escola. Do ponto de vista pedagógico, todos os jovens devem ser acolhidos – inclusive os alcaguetas. Devem ser um acontecimento educativo para ele e para os demais. A escola é uma instituição formadora. É preciso que o vejamos como alguém que precisa, primeiro, aprender sobre democracia e convivência social – não importando qual sejam os conceitos ou pré-conceitos que ele tenha. Não é o conteúdo de sua objeção que deve incomodar, mas o processo que ele usa.

Estas eleições mostraram que a precária e limitada democracia liberal parece que não foi sequer aprendida ainda. A ascensão de Bolsonaro deve ser uma boa oportunidade para que ensinemos aos jovens a democracia liberal. Se nem esta a juventude aprender, dirá então outras mais exigentes. E essa constatação é também uma crítica à atual forma de organizarmos nossa escola e à atual forma que boa parte de nossos professores têm em sua relação professor-aluno – contraditoriamente, uma relação que o bolsonarismo deixará mais autoritária ainda nas escolas. Mostrei em posts anteriores como a democracia liberal está sendo atacada pela aliança do liberalismo econômico com o autoritarismo social.

Ao considerarmos a sala de aula um espaço em que a “autoridade” é do professor, somos levados ao enfrentamento quando lidamos com o denuncismo. Tenho ouvido diálogos mostrando estes confrontos em sala de aula e é gritante como o professor ou a professora se equivocam ao “dar combate” desde uma posição de “autoridade” no interior da sala de aula, ao invés de envolver os demais estudantes, por exemplo.

Devemos aproveitar as dificuldades com a prática da democracia para colocá-la na ordem do dia nas escolas e salas de aula, em substituição a uma posição autoritária inclusive na relação professor-aluno. Isso implica em aceitar que os estudantes tenham maior protagonismo nas relações e tenham possibilidade de se auto-organizar. A onda que vem por aí aponta para o oposto e se deixarmos que as escolas formem pessoas autoritárias, mais difícil será defendermos a democracia dentro delas e nos processos sociais.

O fato das pessoas estarem flertando com posições autoritárias e elegendo teses como as defendidas por Bolsonaro, indica que pode ser que não fizemos um bom trabalho ao ensinar (e vivenciar) democracia nas nossas escolas, de forma que os jovens pudessem adotá-la como linha de base social.

A prática do denuncismo é autoritária. Quem denuncia está convicto de certas teses inabaláveis, fundamentalistas, e assumiu a tarefa de impô-las. Neste sentido, o denuncismo é profundamente anti-democrático, pois irrompe em um determinado momento para intimidar e fazer com que suas teses prevaleçam pelo silêncio e obediência. Os alcaguetas não discutem com os próprios pares e, neste sentido, acabam sendo autoritários não apenas com o professor, mas com seus próprios colegas de turma. Subestimam a capacidade dos colegas. Esta característica é uma oportunidade para ilustrar a falta de democracia e torná-la um momento para reflexão para todos os alunos.

Em situações como estas, penso que o professor deve sempre envolver os demais estudantes no processo, evitando a polarização. Serve para que todos aprimorem seu entendimento de democracia. Ao invés de discutir diretamente com o “denunciante”, deve-se indagar o que pensam os demais alunos sobre o questionamento feito por ele – pensando em criar condições para que se debata a necessidade de atuarmos democraticamente. O que pensa a maioria da classe? Concorda com os argumentos da denúncia? Acha que devem ficar sem discutir um determinado conteúdo? O que dizem as diretrizes curriculares? O que dizem os juristas sobre o cerceamento ao debate? Por que denunciar ao invés de debater com todos? O que significa impor ao professor (e aos demais estudantes) uma decisão pessoal a partir de uma autoridade externa à sala de aula, ou à escola? Tudo isso deve ser pautado como estudo para a turma, com finalidade educativa, de maneria transparente e aberta.

Fora da sala de aula, as escolas, como instituições sociais, precisam também ser chamadas a se posicionar. O que pensa a direção sobre tais demandas do denunciante? E os outros colegas? Há uma posição já tomada pela instituição?

E os pais, o que pensam? A escola já promoveu reuniões com os pais para debater tais situações. Todos os pais pensam?

E fundamental ampliar o debate chamando todos os atores a se manifestar e evitando que o professor se isole em sua sala de aula, enfrentando sozinho a onda de denuncismo – típica de ditaduras. Formar jovens implica em correr riscos e às vezes temos que ousar – os estudantes saberão valorizar.

Todas estas situações podem constituir-se em excelentes momentos de debate que estabeleçam padrões institucionais democráticos para se lidar com tais questionamentos e posicionamentos – com respeito, mas sem abrir mão do processo democrático.  Ao invés de enfrentamento, promover a abertura da questão aos demais alunos, professores, gestores e pais com o objetivo de se criar referências para a comunidade, reagir à quebra da democracia e do direito dos estudantes se formarem criticamente.

Vamos ter que pautar nas escolas a aprendizagem das regras da democracia e seu exercício. Até a Base Nacional Comum Curricular defende que a formação do estudante deva permitir a ele “tomar decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários” (Responsabilidade e Cidadania). O denuncismo é ético? É democrático, inclusivo, sustentável e solidário?

Portanto, é preciso “absorver o impacto” do denuncismo e do autoritarismo recorrendo à própria lógica da democracia e de suas instituições, mesmo que limitadas, e ampliando o envolvimento de todos os atores. Eis uma forma de resistência institucional. Ter paciência histórica, não significa não fazer nada.

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Singer, Safatle e Chaui analisam a conjuntura

Recomendo a todos que assistam a análise desenvolvida por Singer, Safatle e Chaui sobre a conjuntura brasileira.

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