Especialistas nos Estados Unidos divulgam carta

Postado originalmente na Uol em 3/06/2011

Nada detém a junção de interesses entre “políticos & empresários da educação” nos Estados Unidos – um mercado de 800 bilhões de dólares. Nem mesmo a evidência empírica dos estudos reunidos por um grupo de 10 notáveis especialistas do campo da avaliação americana. O Estado de Nova York estimulado pelo programa federal Race to the Top vai passar para 40% o impacto das notas dos alunos medidos em testes padronizados na avaliação dos professores. Os argumentos da carta se aplicam perfeitamente aos usos que se faz no Brasil para o pagamento de bônus dado a professores individualmente, ou a equipes.

A carta de especialistas em avaliação é ignorada pelo Conselho de Regentes do Estado de NY

Por Strauss Valerie

Aqui está a carta que 10 especialistas em avaliação enviaram para o Conselho de Regentes do Estado de Nova York neste mês pedindo a não aprovação de um sistema que liga as notas dos alunos em testes padronizados com as avaliações dos professores e diretores.Os Regentes ignoraram suas provas de que tais sistemas de “valor agregado” são instáveis ​​e propensos a erros –  e aprovaram de qualquer jeito. Começando no verão, 40 por cento da avaliação dos professores e diretores das escolas públicas de Nova York será baseada em notas dos alunos.

Ao Conselho Estadual de Regentes do Estado de Nova York:

15 de maio de 2011

Como pesquisadores que fizeram extenso trabalho na área de testes e medidas com o uso de métodos de análise de valor agregado, escrevemos para expressar nossa preocupação sobre a decisão pendente no Conselho de Regentes de exigir o uso de resultados dos testes do Estado em 40% da decisão de avaliação dos professores.

Como o relatório em anexo do Instituto de Política Econômica descreve, a literatura de pesquisa inclui muitas advertências sobre os problemas de basear as avaliações de professores nas notas dos alunos. Estas evidências incluem problemas de atribuição de ganhos de estudantes a professores específicos; preocupações com a ênfase em apenas “ensinar para a prova” em detrimento de outros tipos de aprendizagem; e desestímulos dos professores para atender os alunos de maiores necessidades, por exemplo, aqueles que ainda não falam Inglês e aqueles que têm necessidades educativas especiais.

Resenhas de pesquisa sobre metodologias de valor agregado para a estimativa dos “efeitos” do professor com base em notas dos alunos concluíram que essas medidas são muito instáveis ​​e muito vulneráveis a muitas fontes de erro para serem usadas como parte importante da avaliação de professores. Um relatório da RAND Corporation, concluiu que:

A base de investigação é insuficiente para suportar o uso de VAM para decisões de alto risco com professores individualmente ou escolas.

O Conselho de Controle e Avaliação do Conselho Nacional de Pesquisa da Academia Nacional de Ciências afirmou:

… as estimativas de valor agregado da eficácia dos professores … não devem ser usadas para tomar decisões operacionais, pois estas estimativas são muito instáveis ​​para serem consideradas justas ou de confiança.

Henry Braun, então na Educational Testing Service, concluiu em sua revisão da pesquisa que:

Os resultados de valor agregado não devem servir de base única ou principal para a tomada de decisões importantes sobre os professores. Há muitas armadilhas para fazer atribuições causais de eficácia do professor com base nos tipos de dados disponíveis nos distritos escolares típicos. Ainda nos falta um conhecimento suficiente da seriedade com que os diferentes problemas técnicos ameaçam a validade de tais interpretações.

Segundo esses estudos, os problemas com o uso de modelos de teste de valor agregado para determinar a eficácia do professor incluem:

* As classificações dos professores são afetadas por diferenças nos alunos que lhes são designados. Os alunos não são designados aleatoriamente aos professores – e modelos estatísticos não pode ajustar-se inteiramente ao fato de que alguns professores terão um número desproporcional de estudantes que pode ser excepcionalmente difícil de ensinar (estudantes com pobre assiduidade, que são sem-teto, com problemas graves em casa, etc) e cujas pontuações em testes tradicionais têm uma baixa e inaceitável validade (por exemplo, aqueles que têm necessidades educativas especiais ou que estão aprendendo Inglês). Todos esses fatores podem criar estimativas erradas da eficácia dos professores e desestimular os professores que predisam ensinar os alunos mais necessitados, criando-se incentivos para que os professores procurem ensinar aos alunos que eles esperam que façam progressos mais rápidos e evitando escolas e salas de aula que atendem a estudantes que precisam de maior esforço.

* Os modelos de valor agregado de cálculo da eficácia dos professores não produzem avaliações estáveis destes. Os professores aparecem muito diferentes em sua eficácia quando diferentes métodos estatísticos são utilizados. Além disso, os pesquisadores descobriram que as avaliações da eficácia dos professores diferem de classe para classe, de ano para ano, e até mesmo de teste para teste, mesmo quando estes estão dentro da mesma área de conteúdo. Henry Braun afirma que as classificações são mais instáveis ​​nas extremidades superiores e inferiores da escala, que muitos gostariam de usar para determinar os níveis altos ou baixos de eficácia.

* É completamente impossível separar as influências de outros professores no desempenho dos alunos de um professor, bem como das condições da escola e em casa, em sua aparente aprendizagem. Não existe um único professor responsável por todas as aprendizagens do aluno. Professores anteriores têm efeitos duradouros, para o bem ou para o mal, sobre a aprendizagem posterior dos alunos e os professores atuais também interagem para produzir os conhecimentos e habilidades dos alunos. Alguns alunos recebem aulas particulares, bem como a ajuda dos pais bem-educados. Um professor que trabalhe em uma escola com suporte de especialistas que apoiam os estudantes de famílias estáveis pode parecer ser mais eficaz do que aquele cujos alunos não recebem esses apoios.

Estes problemas são agravados ainda mais pelo fato de que o tipo de testes e exames de fim de curso usados em Nova York não são projetados para medir o desenvolvimento do estudante.

Apesar dos modelos de valor agregado baseados em notas dos alunos serem úteis para olhar para grupos de professores para fins de pesquisa – por exemplo, para examinar os resultados dos programas de desenvolvimento profissional ou olhar para o progresso do aluno ao nível da escola ou do distrito, elas são problemáticas se usadas como medidas para a tomada de decisões de avaliação de professores.

Nós os incentivamos a rejeitar as propostas que podem colocar grande ênfase à essa estratégia não testada e que podem ter sérias conseqüências negativas para o professor e para os alunos mais vulneráveis ​​nas escolas do Estado.

Eva Baker, Distinguished Professor, UCLA Graduate School of Education Director, National Center for Research on Evaluation, Standards and Student Testing (CRESST) President, World Educational Research Association, 2010-2012 Past President, American Educational Research Association

Linda Darling-Hammond, Charles E. Ducommun Professor of Education, Stanford University Past President, American Educational Research Association Executive Board Member, National Academy of Education

Edward Haertel, Vida Jacks Professor of Education, Stanford University Chair, Board on Testing and Assessment, National Research Council Vice-President, National Academy of Education Past President, National Council on Measurement in Education

Helen F. Ladd, Edgar Thompson Professor of Public Policy and Professor of Economics, Sanford School of Public Policy, Duke University President, Association of Public Policy and Management

Henry M. Levin, William Heard Kilpatrick Professor of Economics and Education, Teachers College, Columbia University Past President, Evaluation Research Society Past President, Comparative and International Education Society

Robert E. Linn, Professor Emeritus, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President, National Council on Measurement in Education

Aaron Pallas, Professor of Sociology and Education, Teachers College, Columbia University Fellow, American Educational Research Association

Richard Shavelson, Dean Emeritus and Margaret Jacks Professor Emeritus, Stanford University. Past President, American Educational Research Association

Lorrie A. Shepard, Dean & Distinguished Professor, University of Colorado at Boulder Past President, American Educational Research Association Past President National Academy of Education Past President National Council on Measurement in Education

Lee S. Shulman, Charles E. Ducommun Professor Emeritus, Stanford University President Emeritus, Carnegie Foundation for the Advancement of Teaching Past President, American Educational Research Association

Link para a matéria: http://www.washingtonpost.com/blogs/answer-sheet/post/the-letter-from-assessment-experts-the-ny-regents-ignored/2011/05/21/AFJHIA9G_blog.html

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Virando mercado

Postado originalmente na Uol em 7/06/2011

PREFEITURA DE BELO HORIZONTE PREPARA PRIMEIRA PPP NA ÁREA DE ENSINO

 Valor Econômico

Beth Koike | De Belo Horizonte

06 de maio de 2011

Oito meses após a criação de uma Parceria Público Privada na área da saúde, Belo Horizonte assinou um convênio para tornar viável a primeira PPP no segmento de ensino

Oito meses após a criação de uma Parceria Público Privada (PPP) na área da saúde, a prefeitura de Belo Horizonte assinou um convênio para tornar viável a primeira PPP no segmento de ensino, que demandará investimento de cerca de R$ 200 milhões.

O projeto prevê a construção de 37 escolas, sendo 32 delas voltadas para o ensino infantil e as outras cinco são destinadas à crianças a partir de seis anos. A iniciativa privada será responsável pela construção e gestão dos serviços não pedagógicos, como, por exemplo, limpeza, segurança e compra de materiais, entre outros.

Continue lendo em:

http://www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/15470/prefeitura-de-belo-horizonte-prepara-primeira-ppp-na-area-de-ensino

Publicado em Postagens antigas da UOL, Privatização | Deixe um comentário

Caros Amigos lança edição especial

Postado originalmente na Uol em 8/06/2011

EdicaoEspecial

Edição especial sobre os caminhos da educação

Todos, do mais elitista empresário ao mais explorado trabalhador, admitem que o investimento em Educação é urgente e essencial para tirar o Brasil de vergonhoso atraso secular. Por isso, a Caros Amigos preparou um especial sobre o tema, que já está nas bancas, por R$ 9,90. É um verdadeiro dossiê da Educação brasileira – que fornece um diagnóstico bem preciso do quadro atual, faz uma crítica política e técnica e apresenta uma reflexão recheada de ideias e propostas.

Para compor esta edição especial, a Caros Amigos reuniu artigos exclusivos dos mais importantes educadores brasileiros, gente que tem dedicado a vida para construir uma nova história do ensino no Brasil. São eles Moacir Gadotti, Demerval Saviani, Otaviano Helene, Luiz Carlos de Freitas, Roberto Leher, Gaudêncio Frigotto, Maria Izabel Azevedo Noronha, Lisete Arelaro, Roseli Caldart, Sergio Haddad e Rodrigo Ciríaco.

Junto com esses artigos, há também reportagens que discutem e abrangem diversas questões fundamentais da educação no nosso país. As matérias falam sobre a conjuntura da Educação, o financiamento, as formas de avaliação, a formação do professor, além dos planos e projetos do sistema de ensino no Brasil.

A edição Especial “Educação” da Caros Amigos mostra que o nosso atraso educacional não pode esperar por mais uma década para responder a pergunta: “o que fazer para mudar este quadro?” A educação é um instrumento imprescindível de transformação para milhões de brasileiros que sonham com um futuro melhor e deve sair do discurso e do papel.

Título: Especial Educação – o que fazer para tirar o Brasil do atraso

Edição Número: 53

Páginas: 32

Distribuição: Nacional

Tempo de banca: de 31/5/11 a 6/7/11

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Privatização por vouchers não mostra superioridade

Postado originalmente na Uol em 9/06/2011

Um dos programas americanos mais famosos que avaliava a eficácia da implantação da escolha da escola pelos pais a partir de vouchers dados a estes, concluiu modestamente que “não é prejudicial”. Ou seja, não é melhor, nem pior que a escola pública, portanto dá no mesmo. Estes programas proliferaram com a tese de que os pobres também têm direito a escolher uma escola privada para estudar. Ao invés de obrigar o estado a ter uma escola de qualidade, preferem a demagógica “escolha pelos pais”.

Este resultado deixa evidente qual é o real objetivo destes programas: avançar no dinheiro da viúva tornando a educação um mercado e permitindo à indústria educacional faturar o dinheiro público do contribuinte, sem nenhuma melhoria em relação à escola pública. Neste processo, destroi-se o sistema público de educação.

Revisão da “Avaliação Longitudinal Global do Programa de Escolha pelos Pais de Milwaukee: Resumo dos relatórios de quatro anos.”

por Patrick J. Wolf (School Choice Demonstration Project, Department of Education Reform, University of Arkansas) – 1 de março de 2011

Revisado por Clive Belfield (Queens College, City University of New York) – 2 de junho de 2011

 A revisão é sobre o relatório de Avaliação Longitudinal Global do Programa de Escolha pelos Pais de Milwaukee: Resumo dos Relatórios de quatro anos, publicado pela School Choice Demonstration Project, Department of Education Reform, University of Arkansas. O relatório faz oito afirmações sobre a eficácia do programa, a maioria deles positivos.

Sobre a questão-chave do desempenho dos alunos que recebem cupons, no entanto, o relatório conclui apenas que o programa não é prejudicial. Como o título sugere, as evidências para todas as afirmações são quase exclusivamente do trabalho dos próprios pesquisadores, sem qualquer referência a outra literatura acadêmica. Importante acrescentar que nenhum dos seus próprios documentos citados foram revisados por pares. Mesmo que algumas das afirmações do relatório estejam de acordo com a literatura mais ampla, a sua citação em isolamento de outras fontes torna a avaliação extremadamente simples.

Belfield, C.R. (2011). Resenha da “Avaliação Londitudinal Global do Programa de Escola pelos Pais de Milwaukee: Resumo dos relatórios de quatro anos.” Boulder, CO: National Education Policy Center.

Leia em: http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-milwaukee-choice-4

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Privatização, Vouchers | Com a tag , | Deixe um comentário

INEP faz pré-testagem do PISA 2012: 840 mil

Postado originalmente na Uol em 10/06/2011

Segundo o documento abaixo, o INEP acabou em maio a pré-testagem dos itens que comporão o PISA em 2012. Em 2012 e ênfase será em Matemática. Incluiu-se um curioso “letramento financeiro” nos pré-testes. Serão gastos 840 mil reais só na preparação. A leitura do trecho selecionado dá uma ideia inicial ao leitor dos processos usados no PISA.

Contratação de Serviços para Aplicação do Pré-teste do Programa Internacional para Avaliação de Estudantes — PISA, em 2011

“O PISA (Programa Internacional para Avaliação de Estudantes) é um programa  internacional de avaliação coordenado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), do qual participam atualmente mais de sessenta países de todos os continentes.

No Brasil, a instituição responsável pela implementação do PISA é o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira  – Inep, autarquia do Ministério da Educação, responsável também pela organização e manutenção do sistema de informações e estatísticas educacionais, bem como pelo desenvolvimento de programas de avaliação educacional.”

Publicado em Pisa, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

ENEM do professor: entidades encaminham documento

Postado originalmente na Uol em 10/06/2011

Reproduzo, abaixo, trecho do Documento das Entidades acadêmicas originado em Seminário que se realizou há algumas semanas e que foi encaminhado ao MEC.

“Em 26 e 27 de maio de 2011, as entidades acadêmicas já mencionadas e a CNTE reuniram-se em um seminário, em Brasília, para discutir a Matriz de Referência, com base nas contribuições recebidas de seus associados. Estavam presentes a essa reunião 34 representantes das entidades, de vários estados do país.

Algumas questões foram alvo de discussão inicial e são aqui explicitadas, por evidenciarem aspectos controvertidos do cenário em que se situa a realização de uma Prova Nacional de Concurso para Ingresso na Carreira Docente.

a) Destacou-se a importância da realização de concursos públicos para ingresso na carreira docente, nos termos do art. 206 da Constituição Federal de 1988. A defesa ao cumprimento desse preceito constitucional é uma luta histórica das entidades, assim como a autonomia na realização de concursos pelos entes federados. É notório que as profundas desigualdades sócioeconômicas que marcam a realidade brasileira no conjunto de seus estados e municípios podem se constituir empecilho não só à definição de carreiras docentes, mas também à possibilidade de realização de concursos com a qualidade técnica esperada e a transparência desejada. Neste sentido, uma política de apoio da União à realização de concursos pelos entes federados, no momento atual, poderá vir a contribuir para a melhor efetivação do preceito constitucional mencionado.

b) Alertou-se para o papel indutor que uma prova dessa natureza poderia vir a ter em relação ao currículo de formação desses profissionais. Essa indução, quase sempre de caráter linear, afrontaria a noção de autonomia universitária na definição de seus projetos de formação e diminuiria a importância dos conteúdos não abordados na prova, determinando, assim, o que seria ou não importante na formação docente. Tal evidência leva as entidades a enfatizar a necessidade de que a Matriz de Referência incorpore proposições político-pedagógicas resultantes das lutas históricas em defesa da formação e valorização dos profissionais da educação.

c) Insistiu-se na necessidade de se articular a Matriz às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (Resolução nº 4, de 13 de julho de 2010), às Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental de Nove Anos (Resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010), bem como às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução nº 5, de 17 de dezembro de 2009).

d) Reforçou-se a importância de evitar que a prova assuma um caráter avaliativo dos cursos de formação de professores de maneira equivocada e que se antecipe à política nacional de avaliação do ensino superior. Ressaltou-se ainda que deve ser resguardado o sigilo das Instituições de Educação Superior (IES) formadoras, para não caracterizar um sistema classificatório de instituições por meio dos resultados obtidos pelos seus egressos e ingressantes na carreira docente da Educação Básica.

e) Destacou-se que a prova não pode transformar-se em uma corrida pelos melhores empregos, contribuindo para que a profissão docente, que deve ser baseada na responsabilidade social, seja vista como mercadoria, com “valor” no mercado. Essa seria uma possibilidade com consequências desastrosas para o desenvolvimento escolar com justiça social e para a devida apropriação do conhecimento por aqueles que dele mais necessitam. Tais questões sinalizam para a cautela na publicização dos resultados e para a necessidade de que seja resguardado, também, o sigilo individual do candidato.

f) Propôs-se que, para a efetivação dos termos de adesão dos estados e municípios à prova nacional de concurso, exija-se o atendimento aos preceitos já estabelecidos pela política nacional de valorização profissional dos docentes, entre os quais: implantação de plano de carreira do magistério, garantindo o piso salarial nacional; estabelecimento de programa de acolhimento e acompanhamento dos novos professores no início da carreira docente; existência de política de formação continuada e apoio ao trabalho docente.

g) Assegurar junto aos entes federados (municípios, estados e Distrito Federal) que venham a aderir à proposta, que complementem seus concursos, incluindo nos editais outras etapas que atendam às temáticas e aos processos de interesse local ou regional.

Nos próximos itens serão explicitados três pontos considerados centrais para que a prova se reverta numa possibilidade de contribuir para a melhoria da educação pública brasileira, direito social inarredável, no que diz respeito à contratação do seu pessoal docente, afirmando o caráter republicano e laico da sua escola.

Precisam, portanto, estar na base da organização da prova os seguintes pontos:

1)      A compreensão do que seja uma escola pública de qualidade, considerados os condicionantes sociais que a determinam.

2)      Uma concepção docente vinculada a tal compreensão.

3)      O entendimento de que os conhecimentos da área, adquiridos no curso superior, constituem o substrato que dará condições de desenvolvimento das competências exigidas para o ingresso na carreira e a consequente atuação profissional.”

(O documento continua examinando estas três questões.)

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL | Com a tag | Deixe um comentário

Alguns dias interessantes

Alguns dias interessantes

By Diane Ravitch, no Education Week

7 de junho de 2011

Eu tinha pensado em escrever sobre um novo e importante relatório do Conselho Nacional de Pesquisa que mostra os riscos e a ineficácia dos testes de alto risco, mas eu tenho que estar fora até a próxima semana. Outras questões estão exigindo minha atenção, ainda que em matéria relacionada.

Em 01 de junho, o The New York Times publicou minha crítica a políticos que só mostram “escolas milagrosas”. Estas escolas supostamente fizeram progressos surpreendentes em tão curto espaço de tempo que comprovariam que a pobreza não é obstáculo ao desempenho acadêmico elevado. Bill Bennett, muitas vezes se refere a estas escolas como “provas de existência”: Se uma escola pode fazer isso, então todas as escolas podem fazê-lo. Eu quero acreditar que as tais provas de existência são semelhantes a dizer que se uma pessoa pode correr uma milha em quatro minutos, então todos devem ser capazes de fazê-lo. Se um aluno pode marcar 800 pontos perfeitos no seu SAT em matemática, então todos deveriam.

Continue lendo (em inglês):

http://blogs.edweek.org/edweek/Bridging-Differences/2011/06/an_interesting_few_days.html

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

O grande teste da política educacional

Postado originalmente na Uol em 12/06/2011

O grande teste para a política educacional e que revelará, talvez, para onde vai o governo Dilma na Educação será a troca do Ministro Fernando Haddad a qual parece próxima. Com divergências e concordâncias, bem ou mal, ele segurou uma privatização agressiva do ensino básico até agora requerida em especial pelos reformadores empresariais.

Segundo a Folha de 12-06-2011: “A aliados a quem demonstrou apetite pela ideia de sair candidato a prefeito de São Paulo em 2012 Fernando Haddad (PT) disse considerar que seu ciclo no Ministério da Educação está chegando ao fim.”

Sendo um ministério do PT, atualmente, seria de se supor que continuaria com alguém do PT. Isso não garante muita coisa, mas já seria melhor do que entrega-lo, por exemplo, ao PMDB.

Este será o grande teste da política pública educacional. Se errar aí, o governo Dilma mergulha a Educação no beco sem saída dos reformadores empresariais, o mesmo beco em que se encontra hoje a “matriz” destas ideias, os Estados Unidos da América.

Publicado em Assuntos gerais, Fernando Haddad no Ministério, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Os economistas querem de volta a Economia

Postado originalmente na Uol em 13/06/2011

Sequestrada pela área de negócios, um grupo de mais de 140 economistas querem sua ciência de volta. Eles lançaram uma organização internacional que “promete liberar a ciência econômica de dogmas e submetê-la à realidade. Já conta , em menos de um mês, com mais de 3.500 lintegrantes.

A Associação Internacional de Economia foi motivada, segundo seus fundadores, pelo “embaraço” criado pelo fracasso de economistas em posições de liderança de alertarem para a iminência do colapso financeiro de 2007/2008. O manifesto de fundação promete “pluralidade e abertura”, em oposição ao que é visto como a prevalência de um grupo pequeno que vem se revezando entre cargos acadêmicos, governos, bancos e instituições internacionais.

Para o brasileiro Luiz Fernando de Paula, “embora alguns resistam, o uso da matemática como um fim em si e a crença em mercados autorreguladores, acabaram. É importante recuperar a dimensão da economia como ciência social”. Para o britânico Peter Radford, “foi um processo marcado pela proximidade entre bancos e governos. Houve gente que deixou os bancos para se tornar regulador e depois voltou. No fim todos pensam igual e não há supervisão nem controle.”

A lição aprendida a duras penas pela Economia, precisa ser rapidamente assimilada pela Educação. Aqui, em nossa área, está sendo criada uma permissividade entre políticos, empresários da educação e acadêmicos que, pensando o mesmo, trocam de posições criando uma espécie de pensamento único, regado a OCDE, Mckinsey e Banco Mundial – presentes hoje em Estados brasileiros com poder de definição da política educacional, sem contar a nascente indústria educacional (Airton Sena, Alfa e Beto, Avalia e outras) muitas mascaradas de Fundações, Institutos e ONGs.

A Universidade precisa rapidamente dominar as tecnologias que estão sendo usadas no campo da medição e suas aplicações derivadas da matemática e da estatística com o objetivo de recoloca-las no interior da Educação como ferramentas de pesquisa e não de controle, e impedir que elas sejam sequestradas, como estão sendo, como objeto de faturamento da indústria educacional. Precisa ainda submetê-la a uma crítica para alertar, como hoje fazem muito acadêmicos americanos, para os limites de sua aplicação, impedindo que os “homens de negócio” associados aos “políticos imediatistas” aprisionem estas tecnologias segundo interesses estreitos. Vendedores não podem admitir publicamente restrições nas mercadorias que vendem.

Ou a Educação faz isso ou teremos também o nosso apagão, como a Economia teve.

(Sobre a nova organização da Economia ver Folha de São Paulo de 11-06-2011, Mundo 2, p. 9 a qual serviu de base para este comentário.)

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Irresponsabilidades

Postado originalmente na Uol em 14/06/2011

Se um determinado pesquisador disser que possui um método para curar uma doença grave, os médicos não sairão usando este novo método, mas sim indagarão do proponente qual foi a metodologia utilizada para constatar o “milagre”.

Em educação não. Se um economista disser que “troca de conhecimento, reforço escolar, mais aulas e avaliações constantes melhoram os resultados”, jornais como a Folha de São Paulo ecoam e divulgam como verdades em suas páginas. Secretários de Educação aplicarão em suas redes, mesmo que seja para constatar que não deu resultado, fazendo experimentos sociais irresponsáveis com redes inteiras. Segundo Fernando Veloso, por exemplo, uma boa gestão deve garantir a todos uma boa educação independentemente do nível sócio-econômico. É como se o sistema social pudesse produzir a pobreza, cabendo a escola “limpá-la”, bastando para tal ter uma boa gestão.

É a ótica dos “homens de negócio”. É a mesma lenga-lenga americana que Diane Ravitch comentou em postagem que traduzi aqui neste blog. Como ela bem exemplifica, esta posição acha que se um cidadão bem treinado pode correr 100 metros em 9 segundos, então todos os demais deveriam poder fazê-lo. Num país que até conteiner vira sala de aula, esta ideologia contribui para retirar a responsabilidade dos governos e depositá-la exclusivamente nas escolas. Sabemos a quem atende tais argumentos. Focando-se na escola, cria-se mercado para a indústria educacional; focando-se na responsabilidade dos governos, fortalece-se a escola como tarefa pública, do Estado.

As páginas deste jornal estão sempre abertas aos economistas e empresários amadores que resolvem aparecer como “especialistas em educação”. É previsível. São os negócios. Não se trata de educação, mas de “business”.

Fernando Veloso, o mais novo convertido a estas baboseiras educacionais, vive escrevendo, como ontem na Folha (ver abaixo). Transita pelas experiências, cita “estudos em outros países”, mas nunca revela o santo. O milagre é sempre contado sem o santo. Nem uma dica sobre em qual relatório técnico e com qual metodologia o milagre foi constatado. Nem uma dica sobre se o relatório técnico sofreu revisão de pares ou é produto do dinheiro que alguma fundação interessada na ideia, argumentando em causa própria, resolveu converter em uma publicação de difusão de sua$ idéia$ que a mídia acolhe como verdade.

Aqui neste blog está cheio de relatórios que mostram o contrário das impressões amadoras de Fernando Veloso e aqui, o santo está sempre presente para que possa ser conferido.

A Folha de São Paulo deveria ter vergonha deste procedimento descuidado e amador.

Folha de São Paulo, 13/06/2011 – São Paulo SP

Políticas para as piores escolas

Troca de conhecimentos, reforço escolar, mais aulas e avaliações constantes melhoram os resultados

Por FERNANDO VELOSO

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saber/sb1306201103.htm

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Uma paulada na teoria da meritocracia

Postado originalmente na Uol em 14/06/2011

A National Academy of Sciences americana divulgou estudo que revisou as pesquisas com uso de incentivos baseados em testes (p. ex. bônus).  É uma verdadeira “paulada” na teoria da  accountability e da meritocracia dos reformadores empresariais.

Mas os nossos reformadores empresariais seguem impassíveis – mesmo ante as evidências empíricas agora reunidas neste relatório. Curiosamente, dizem basear-se em “fatos científicos”, ao defenderem suas posições ideológicas.

Link para o estudo completo:  Incentives and Test-Based Accountability in Education

http://www.nap.edu/catalog.php?record_id=12521

Os reformadores poderão continuar a vender e recomendar testes de alto impacto nas redes porque estas ações são coerentes com sua ideologia de controle, na sua “fé” nestas formas de controle, mas não podem dizer que tais sistemas estão prontos para uso em redes (são assunto de pesquisa e não para experimentos sociais irresponsáveis com redes inteiras) ou que são eficientes na determinação da melhoria da qualidade de ensino. Não, depois deste relatório.

Abaixo seguem as conclusões e recomendações da Academia Nacional de Ciências americana.

“CONCLUSÃO 1: programas de incentivo baseados em testes, como concebido e implementado nos programas que foram cuidadosamente aqui estudados, não têm aumentado o desempenho dos estudantes o suficiente para que os Estados Unidos atinjam os níveis de realização mais altos de outros países. Quando avaliados usando  testes de baixo impacto pertinentes, que são menos susceptíveis de serem inflados pelos próprios incentivos, os efeitos globais sobre o desempenho tendem a ser pequenos e são efetivamente zero para um certo número de programas. Mesmo quando avaliados usando testes ligados a incentivos, uma série de programas mostra apenas efeitos pequenos. Programas em países estrangeiros que mostram maiores efeitos não são claramente aplicáveis ao contexto dos EUA. Incentivos ao nível da escola como os da NCLB – No Child Left Behind – produzem algumas das maiores estimativas de efeitos no desempenho, com tamanhos de efeitos em torno de 0,08 desvios-padrão, mas os efeitos medidos até o momento tendem a ser concentrados no nível elementar de matemática e os efeitos são pequenos em comparação com as melhorias que a nação espera alcançar.

CONCLUSÃO 2: A evidência que revisamos sugere que o exame de saída dos programas de ensino médio, como implementado atualmente nos Estados Unidos, diminuem a taxa de conclusão do ensino secundário, sem um aumento no desempenho. A melhor estimativa disponível sugere uma diminuição de 2 pontos percentuais em média sobre a população. Em contrapartida, vários experimentos que fornecem incentivos para a graduação sob a forma de recompensa, embora mantendo o padrão de graduação constante, sugerem que tais incentivos poderiam ser usados para aumentar a conclusão do ensino médio.

RECOMENDAÇÕES PARA A POLÍTICA E PESQUISA

Os modestos e variáveis benefícios mostrados pelos programas de incentivos baseados em  testes até esta data, sugerem que tais programas devem ser usados com cuidado e que pesquisas mais substanciais são necessárias para entender como eles podem ser usados com sucesso.

RECOMENDAÇÃO 1: Apesar de usá-los por várias décadas, os formuladores de políticas e educadores ainda não sabem como usar consistentemente incentivos baseados em testes para gerar efeitos positivos no desempenho e melhorar a educação. Os formuladores de políticas devem apoiar o desenvolvimento e a avaliação de novos modelos promissores que utilizem os incentivos baseados em testes em forma mais sofisticada como um aspecto de um rico processo de responsabilização e melhoria. No entanto, o modesto sucesso de programas de incentivo até esta data significa que a utilização de todos estes programas de incentivos baseados em testes devem ser cuidadosamente estudados para ajudar a determinar quais formas de incentivos são bem-sucedidas na educação e quais não são. A experimentação continuada com incentivos baseados em testes não deveria deslocar o investimento no desenvolvimento de outros aspectos do sistema de ensino que são importantes complementos aos próprios incentivos e que provavelmente possam ser necessários para que os incentivos possam ser eficazes na melhoria da educação.

RECOMENDAÇÃO 2: Os formuladores de políticas e pesquisadores devem elaborar e avaliar novos programas de incentivo baseados em testes de forma que forneçam informações sobre abordagens alternativas para os incentivos e responsabilização. Isso deve incluir a exploração dos efeitos das principais características sugeridas pela pesquisa básica como: quem é o alvo dos incentivos; que medidas de desempenho são utilizadas; quais as consequências que estão ligadas às medidas de desempenho e como elas são freqüentemente usadas; que suportes adicionais e opções são fornecidas às escolas, professores e alunos em seus esforços para melhorar; e como os incentivos são elaboradas e comunicados. Escolhas entre opções para algumas ou todas essas características tendem a ser crítico na determinação de quais – se algum – dos programas de incentivo são bem sucedidos.

RECOMENDAÇÃO 3: A pesquisa sobre os efeitos de programas de incentivo deve documentar a estrutura de cada programa e deve avaliar uma ampla gama de resultados. Para evitar ter seus resultados determinados por pontuações infladas como ocorre nos testes de alto impacto associados a incentivos, os pesquisadores devem utilizar testes de baixo impacto que não imitem os testes de alto impacto para avaliar como os incentivos baseados em teste afetam o desempenho. Outros resultados, tais como o desempenho posterior na educação ou no trabalho e as disposições relacionadas à educação, também são importantes para o estudo. Para ajudar a explicar porque incentivos baseados em testes, por vezes, produzem efeitos negativos no desempenho, os pesquisadores devem coletar dados sobre as mudanças na prática educativa das pessoas que são afetadas por incentivos.”

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag , | Deixe um comentário

As Entidades e os Comitês: o ENEM dos Professores

Postado originalmente na Uol em 22/06/2011

As entidades científicas da área da Educação participam do Comitê de Governança do ENEM do Professor. Agora, como mostra a Carta abaixo, vão participar – por decisão do Ministro que atendeu a solicitação das entidades – do Comitê Técnico Científico da CAPES.

Eis a habilidade do Ministro: atende as entidades onde convém, enquanto posterga já por duas vezes, a reunião do Comitê de Governança do ENEM dos professores que deveria examinar o documento destas entidades, produzido em um Seminário delas.

Não que acredite na viabilidade de que as reivindicações prosperem, mesmo que o Comitê do ENEM dos professores se reúna – o mais provável é que a estratégia se repita: serão atendidas as reivindicações menores, e as importantes, desconsideradas, dada a polêmica sobre o Exame.

Como segundo a UOL e informação que disponibilizei neste Blog, reproduzindo a Folha, o Ministro chegou ao “final de seu ciclo” – o que seria uma fala do próprio Ministro – as entidades estão negociando, no caso do ENEM dos professores que começa em 2012, com um Ministro que está de saída.

Prezados/as coordenadores/as,

Como vocês sabem, em duas oportunidades em que estivemos reunidos com o Ministro da Educação, em audiências realizadas mais recentemente, levamos o pleito de mudança de critérios para recomposição do Comitê Técnico-Científico da Educação Básica da CAPES. Insistimos que nosso entendimento, compartilhado por outras entidades, tais como: ANFOPE, ANPAE e CEDES, é de que a composição do CTC-EB deveria se orientar pelo critério institucional, ou seja, as entidades envolvidas com as políticas de Educação Básica. Na semana passada fomos comunicados que parte do CTC-EB será recomposta segundo o critério que defendemos.

Diante dessa decisão do Ministério, teremos que enviar em uma semana uma lista tríplice com três nomes, dos quais o Ministro escolherá um para ocupar um assento no CTC-EB representando a ANPEd.

 Sugiro que cada coordenador encaminhe a discussão nos seus GTs e nos enviem sugestões de nomes para a composição da lista tríplice até a próxima segunda-feira, 27 de junho de 2011.

 Saudações cordiais.

 Dalila Andrade Oliveira

Presidente da ANPEd

Publicado em Avaliação de professores, Postagens antigas da UOL | Com a tag | Deixe um comentário

Concepção de educação de telemarketing

Postado originalmente na Uol em 22/06/2011

À medida que a economia se expande e vai absorvendo a juventude mais ilustrada, postos inferiores vão ficando disponíveis para jovens mais pobres. O que se paga nestes postos e irrisório e à medida que não haja uma base que permita às indústrias terem uma seleção mais ampla, os salários tendem a subir com a falta de jovens com preparação mínima para tais postos inferiores.

Este é o dilema dos empresários, em todos os ramos. Por isso a grita geral por mais educação para todos.

Não se trata de nenhum desejo de tais jovens se preparem com uma concepção de educação ampla, de cidadão, etc. Trata-se de “business”.

As empresas de telemarketing e de centrais de relacionamento com o cliente, segundo a Folha de S Paulo (22-06-2011) acabam de entregar um documento ao chefe de gabinete da Presidenta Dilma, o Sr. Giles Azevedo, reivindicando melhorias no setor da educação básica. A proposta é criar parceria de empresas com o governo para melhorar a educação básica dos jovens.

O documento foi assinado pelo Sintelmark (sindicato paulista das empresas de telemarketing) e pela Abrarec (associação das relações empresa-cliente). Segundo a Folha publica, “o telemarketing é o primeiro emprego dos jovens, e eles estão ingressando no mercado sem conhecer bem o português e a aritmética, diz Stan Braz, diretor-executivo das duas instituições. Pelo projeto, as empresas intensificariam cursos de educação básica e de qualificação profissional e, em contrapartida, o governo desoneraria a folha de pagamento do setor, segundo Braz.”

Três observações: 1. Entregar a educação básica para empresas é entregar nossos jovens aos interesses formativos dos empresários para os quais português e aritmética são suficientes como formação para a juventude que frequenta a educação básica. Dando para atender clientes nas empresas de telemarketing, está bom. 2. Nota-se bem o nível de influência junto à Presidenta. É lá que está a brecha. Eles não foram ao Ministério da Educação. Vão ao Chefe de Gabinete da Presidenta. E esta é só uma das entidades – há outras pressionando por soluções deste tipo. 3. Qualquer recuo na economia, que sinalize para as empresas excesso de mão de obra e falta de demanda de serviços, muda o comportamento destas empresas em relação a seu interesse pela educação, e torna seu envolvimento algo inconsistente. Daí porque educação seja tarefa de Estado e não de empresários de olho no lucro.

Seria muito interessante se pudéssemos dar uma lida no documento entregue. Certamente encontraremos lá o que se pode resumir como uma “concepção de educação de telemarketing”.

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

A mudança da década

Postado originalmente na Uol em 23/06/2011

A mudança do Ministro da Educação, Fernando Haddad, poderá ser o evento mais significativo da política educacional brasileira na última década. Ela poderá marcar a virada da educação brasileira em direção às teses dos reformadores empresariais da educação.

Creio que até eles mesmo devem estar surpresos com esta possibilidade, marcada pelo estilo de gestão da nova Presidenta. Centralizadora, gerencialista, avessa à política, a Presidenta tem imposto a todos os ministérios um estilo gerencial a partir do Gabinete da Presidência – transformado em super-ministério. Acho que só assistimos a ênfase igual no período da ditadura, quando se defendeu um afastamento da politica e um tratamento “técnico” a problemas sociais.

Não vai dar certo, mas até que se descubra isso, será tarde demais.

Enquanto isso, os reformadores empresariais vão encontrando um espaço enorme para interferência e o novo Ministro, provavelmente, será indicado por Dilma com este perfil. Podemos estar inaugurando uma nova era no campo da educação – uma era de ideias aparentemente modernizantes, mas atrasadas e requentadas.

Infelizmente, não há como derrotar estas ideias pela discussão teórica, mostrando como não funcionaram nos países que já a tentaram. Elas terão que ser vencidas pela prática, no cenário da política educacional brasileira.

É lamentável que seja pela mão de uma Presidenta eleita pelo PT que esta era venha a se iniciar, conduzindo à destruição o sistema público de educação no Brasil.

 

Publicado em Assuntos gerais, Fernando Haddad no Ministério, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Andou…

Postado originalmente na Uol em 25/06/2011

A UNB liberou o governo para, por meio de MP, converter o CESPE em Concursobrás. Com isso, o INEP deixa de concentrar as atividades de logística de produção e aplicação de testes.

Considerando a pressão da iniciativa privada sobre o campo da avaliação, a medida do Ministério da Educação é salutar e, se bem que não reduza a relação com a iniciativa privada, pelo menos não oficializa a entrega da área diretamente à iniciativa privada – como alguns desejariam. O Estado ainda é o controlador das atividades.

O que se espera é que o INEP agora possa assumir sua função de análise dos dados, pois nisso reside o real significado da avaliação – olhar para o futuro e não responsabilizar escolas e seus profissionais.

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Meritocracia em Goiás

Postado originalmente na Uol em 25/06/2011

O Estado de Goiás vai introduzir pagamento por bônus para seus professores – meritocracia. A despeito destas políticas serem incertas, os Estados continuam suas aventuras, na expectativa de que a avaliação de seus alunos mostrem que a curva é positiva, e possam ser usadas nas campanhas eleitorais como prova de competência.

O que de fato ocorrerá no futuro, seja com a curva, seja com o magistério submetido a tais procedimentos vexatórios, não importa.

O impacto no magistério é desastroso. Uma professora me escreve o seguinte:

“Sou professora, graduada e mestre pela Universidade Federal de Goiás, e estou muito indignada com a implantação da política de “meritrocracia na educação” do atual governo do Estado de Goiás.

No atual momento o governo do estado não implantou o piso nacional mas agora fala em “bônus” e o pior é que, a meu ver, muitos professores estão aceitando passivamente sem um olhar crítico.

Gostaria de ler e saber a sua opinião sobre a implantação da meritrocracia na educação brasileira e se me permitir repassar essas informações para outros professores da rede do Estado de Goiás. Pretendo com isso alertar os professores e até , se for possível, criar um manifesto em repúdio ao “bônus”.

Sinto-me revoltada em ouvir que em vez do governo estadual me pagar um salário justo mensal, agora terei que disputar ao máximo para talvez no final do ano receber um mísero bônus.

Estudei tanto para concluir o curso de graduação e o mestrado, investi muito em livros, me dedico tanto em aplicar o que apreendi, mas agora ouço que talvez vou receber esmola (bônus). Isso é muito revoltante, alguém neste país precisa fazer alguma coisa. Preciso de ajuda. Preciso ouvir a sua opinião.”

Recuperar o magistério, depois desta destruição anunciada, será tarefa extremamente difícil. Ao contrário do anunciado por estas políticas, perde o país, perde a juventude – ganha o mercado e os políticos de “resultados”.

Publicado em Avaliação de professores, Meritocracia, Postagens antigas da UOL | Com a tag | Deixe um comentário

Relatório Brookings sobre tamanho de turma não passa

Postado originalmente em 26/06/2011

“Relatório do Instituto Brookings oferece conselhos enganosos sobre pesquisa de Tamanho de classe.”

Relatório do Instituto Brookings nos USA sugere que as escolas podem economizar dinheiro, aumentando ligeiramente o tamanho das turmas, sem prejudicar seriamente o aprendizado do aluno. O relatório, contudo, é baseado em um resumo incompleto e enganoso de pesquisas sobre os benefícios do tamanho da redução de classe, de acordo para um novo artigo divulgado hoje.

O relatório, “Tamanho da Classe: O que a pesquisa diz e o que significa para a Política de Estado”, de Grover Whitehurst J. e M. Matthew Chingos, foi revisto por Diane Whitmore Schanzenbach economista da Northwestern University.

Relatório Brookings consiste principalmente de uma revisão da literatura da pesquisa de tamanho de turma. O relatório afirma, por exemplo, que 12.000.000.000 dólares podem ser economizados anualmente, se aumentássemos um aluno por turma. Ele afirma ainda que os impactos negativos das aulas pelo maior número de alunos poderia ser compensado pela instrução melhorada que resultaria de demitir os professores “menos eficazes”.

Para Schanzenbach o relatório do Instituto Brookings “apresenta resultados enganosos”.

Confira os estudos em:

 Find Diane Whitmore Schanzenbach’s review on the NEPC website at:

http://nepc.colorado.edu/newsletter/2011/06/brookings-report-offers-misleading-advice-class-size-and-research

Find Class Size: What Research Says and What It Means for State Policy, by Grover J. Whitehurst and Matthew M. Chingos on the web at:

http://www.brookings.edu/papers/2011/0511_class_size_whitehurst_chingos.aspx

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL | Com a tag , | Deixe um comentário

Política pública e pesquisa educacional

Postado originalmente na Uol em 27/06/2011

Recentemente, houve uma discussão sobre o uso ou não de pesquisas educacionais como uma contribuição na formulação das políticas públicas. A questão aqui é antiga. Os profissionais que não estão familiarizados com a forma de pesquisa no campo das ciências humanas, em especial na educação, tendem a achar que neste campo há muita discussão e pouca conclusão, em matéria de pesquisa.

Tais profissionais gostariam que houvesse uma posição predominante na pesquisa que pudesse orientar a formulação da política. Ocorre que a educação, e as ciências humanas em geral, são afetadas pela visão de mundo que os pesquisadores têm sobre os fenômenos que pesquisam. Isso faz com que, na dependência da visão de mundo em questão, um determinado problema de pesquisa tenha uma ou mais formas de solução. Daí que haja um grande debate sobre os problemas de pesquisa, na proporção das variadas formas de ver o mundo que existem dentro da área.

O que os políticos não gostam é isso. Eles querem, na administração, uma solução. Não há apenas uma, mas várias. E como não entendem esta variedade de soluções, acham que isso “é coisa de pedagogos”, “falta de objetividade”, etc.

Mas há ainda outra posição pior que essa. Ela não reconhece a diversidade de opiniões e assume apenas aquelas soluções que estão de acordo com uma determinada visão de mundo. É o caso dos reformadores empresariais. Eles assumem que se as regras do jogo dos negócios, da visão gerencialista, forem assumidos na educação, então a área ganha objetividade e encontra solução para seus problemas. Ela desqualifica as demais formas de solução em favor de uma visão de mundo empresarial da educação.

No Brasil, esta questão da relação entre a pesquisa educacional e a formulação de políticas públicas é mais complexa ainda, por conta de que os governos, embora sejam os financiadores da pesquisa, não se reportam a ela na hora de pautar as suas próprias políticas.

Não é assim nos Estados Unidos, onde os planos de educação do governo são informados pelas revisões de literatura e opções de pesquisa que foram tomadas como base para a formulação de políticas. Os profissionais podem ter acesso a estas decisões e submetê-las a crítica mostrando como o governo deixou ou não pesquisas importantes de lado. Ou como foi parcial na escolha dos estudos que fundamentaram suas políticas.

O MEC acaba de fazer o PNE – Plano Nacional de Educação – para os próximos 10 anos sem fazer uso de pesquisa educacional, ou explicitar em que se baseou.

Esta relação entre pesquisa (pesquisadores) e política pública (governos) não será tranquila, pois as lógicas e os tempos são completamente diferenciados. Como a decisão é dos governos, a tendência é incorporar as soluções mais fáceis e de rápida aplicação. Aparece, então, a busca por soluções milagrosas tipo bônus, privatização, etc.

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Negócios e fraude na pesquisa

Postado originalmente na Uol em 28/06/2011

Onde a lógica dos negócios entra, facilita a fraude. Na educação a entrada dos testes de alto impacto potencializaram a entrada de fraudes na avaliação, como ocorreu em Atlanta (USA) e já noticiado neste blog. A primeira cautela, ainda que não totalmente suficiente, é verificar se a publicação tem comitê de revisão por pares. Desconfie de relatórios produzidos e publicados por entidades que não se submetem a revisão por pares, como por exemplo, algumas fundações e ONGs.

Abaixo o estrago da lógica dos negócios no campo da saúde.

Terra Magazine › Saúde – Terça, 28 de junho de 2011, 08h02

Fraude em ciência e em medicina

Riad Younes  – De São Paulo

Uma paciente me perguntou, indignada: Como isso seria possível? Sua revolta fazia sentido. Afinal, acabara de saber que um medicamento por ela utilizado de forma crônica, tinha sido retirado do mercado por efeitos colaterais graves. As publicações científicas que recomendaram seu uso tinham sido “maquiadas” para esconder complicações potencialmente fatais.

“Por que as revistas científicas sofisticadas permitem a publicação de estudos fraudulentos?”. Evitar a publicação de pesquisas fraudulentas, em medicina particularmente, não é tão simples assim. Periodicamente tornam-se notórios casos escandalosos de mentiras médicas. Todos se lembram do caso do pesquisador coreano, Hwang Woo-Suk, que falsificou experiências sobre clonagem de embriões. Também devem recordar a controvérsia mundial sobre um estudo divulgado por um médico inglês, Andrew Wakefield, que afirmava descobrir que a vacina de sarampo causava autismo nas crianças vacinadas. Alarmaram milhões de famílias e autoridades de saúde ao redor do mundo. Recentemente, vários cientistas desqualificaram estes e outros estudos como enganos grosseiros.

Continue lendo em:

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5209210-EI18157,00-Fraude+em+ciencia+e+em+medicina.html

Publicado em Postagens antigas da UOL, Reforma e Fraudes | Deixe um comentário

Economia e educação

Postado originalmente na Uol em 29/06/2011

Em entrevista, Marcio Pochman, Presidente do IPEA,  aborda a relação entre educação e economia. Um raro lampejo de lucidez na matéria, vindo do interior do governo Dilma.

Educação não deve se subordinar às exigências do mercado, diz presidente do Ipea

Desirèe Luíse – Portal Aprendiz, 28/06/2011

Não devemos subordinar a educação às exigências do mercado de trabalho”, diz o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Marcio Pochmann, em entrevista ao Portal Aprendiz. Para o economista, apenas o nível educacional não é fator determinante para a garantia de um bom emprego.

Continue lendo em:

http://portal.aprendiz.uol.com.br/2011/06/28/educacao-nao-deve-se-subordinar-as-exigencias-do-mercado-diz-presidente-do-ipea-3/

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Mais um alerta sobre a competição

Publicado originalmente na Uol em 30/06/2011

Ecoando a realidade americana, a Revista Science publica artigo de Deborah Stipek mostrando os efeitos nefastos da introdução da lógica de mercado e dos negócios no âmbito da educação.

Competitividade na escola é criticada

O Estado de São Paulo, 26/06/2011 – São Paulo SP

Ambiente escolar voltado apenas para resultado de vestibular desestimula aprendizado, defende educadora em artigo na ‘Science’

Alexandre Gonçalves

(…) Um sistema racional – pois ninguém pode negar que atinge seu objetivo principal: produzir especialistas em provas -, mas pouco razoável. Afinal, “prejudica vidas que poderiam ser promissoras de outra forma”, como afirma textualmente o editorial. Filme. A autora não esconde sua fonte de inspiração: um documentário lançado há um ano nos Estados Unidos, em que ela mesma foi entrevistada. O título do editorial na Science (“Educação não é uma corrida”) representa uma clara referência ao título do documentário: Corrida para Lugar Nenhum.

Continue lendo em:

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,competitividade-na-escola-e-criticada,737035,0.htm

Publicado em Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Minha escola, minha comunidade

Postado originalmente na Uol em 30/06/2011

Em decisão histórica, STF obriga a prefeitura de São Paulo a matricular as crianças de até 5 anos próximo das suas residências ou do trabalho dos pais. A medida deveria ser estendida a todo o ensino fundamental. A relação entre a escola e a comunidade tem aparecido como fator importante na aprendizagem da criança – efeito vizinhança.

Nos Estados Unidos onde as escolas podem ser fechadas nas comunidades e as crianças serem transportadas para outras escolas, há uma crítica dos especialistas em educação que consideram esta medida contraproducente. A Prefeitura diz que vai recorrer. É compreensível pois ela conseguiu aumentar a cobertura colocando as crianças longe de casa, ao invés de construir escolas nas comunidades.

É a visão gerencialista que aloca as crianças onde tem vaga, afastando as crianças de suas comunidades de origem e deixando o problema do transporte para os pais resolverem. Uma posição cômoda

São Paulo deve matricular criança perto de casa, diz STF

DE SÃO PAULO – 30/06/2011 – 19h24

Atualizado às 21h03.

O STF (Supremo Tribunal Federal) manteve decisão que obriga a Prefeitura de São Paulo a matricular crianças em escolas infantis próximas de suas casas ou do trabalho de seus responsáveis.

Na decisão, o Supremo negou recurso extraordinário da prefeitura, que contestava determinação do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre o assunto. A decisão do STF é do dia 21 de junho e foi divulgada nesta quinta pelo Ministério Público de São Paulo, autor da ação.

Continue lendo em:

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/937235-sao-paulo-deve-matricular-crianca-perto-de-casa-diz-stf.shtml

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL | Deixe um comentário

Jeb Bush e seus negócios

Postado originalmente na Uol em 4/07/2011

Jeb Bush sobrevalorizou a Política Florida de Educação

Revisão de sua apresentação encontra inúmeras alegações infundadas e não embasadas

Boulder, CO (30 de junho de 2011) Grande quantidade de dinheiro e esforços estão sendo gastos para promover um pacote de reformas conhecido como a “Fórmula Florida.” Mas este impulso político, sendo conduzido pela Fundação do ex governador da Florida Jeb Bush para Excelência em Educação, baseia-se em afirmações exageradas e infundadas sobre a existência, extensão e causas da melhora do rendimento dos alunos, de acordo com uma nova revisão das alegações da Fundação.

Estas alegações foram apresentadas em várias formas, mas entre as mais proeminentes está a apresentação do próprio Bush, acompanhada por slides PowerPoint. A apresentação de 15 de junho de 2011 feita por Bush aos legisladores de Michigan foi revista pelo Dr. William Mathis, diretor do NEPC. A revisão foi publicada pelo NEPC, situado na Universidade do Colorado em Boulder, Faculdade de Educação.

Jeb Bush criou a Fundação de Excelência em Educação após completar seu segundo mandato como governador da Flórida. A missão declarada da fundação é realizar uma campanha, estado por estado, para “apoiar a reforma, principalmente com base no sucesso da Fórmula Florida sobre o desempenho do aluno.”

A premissa do argumento de Bush é que a pontuação da quarta série da Florida em leitura na Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP) e testes de leitura do estado experimentou grandes ganhos. Esses ganhos são, então, supostamente atribuído ao Sr. Bush a seis amplas reformas que estavam entre as políticas da Florida promulgadas em mais de duas décadas. As reformas são: atribuir letras (avaliação) às escolas; testes de alto impacto; novos requisitos para a promoção e graduação; pagar bônus para educadores; alternativas de credenciamento de novas professoras, e vasta expansão da escolha da escola pelos pais.

Em sua revisão, Mathis observa que a apresentação em si assemelha-se a partes e gráficos de um relatório da Fundação Heritage, que foi remontado para vários estados. Além disso, o principal autor do relatório Heritage está agora na equipe de funcionários da fundação Bush. O relatório Heritage foi objecto de uma análise muito crítica em novembro de 2010. Ver em Http://nepc.colorado.edu/thinktank/learning-from-florida .

De acordo com Mathis, em vez de uma consideração abrangente e objetiva do impacto das políticas da Flórida, a apresentação de Bush “é claramente uma ferramenta de defesa projetada para fazer avançar um conjunto particular de propostas de reforma.” Isso resultou em uma apresentação enganosa, com Bush promovendo várias políticas que a pesquisa rigorosa tem mostrado ser ineficazes ou mesmo prejudiciais.

“Fundamentalmente, a apresentação de Bush se baseia na alegação de falacioso causal argumentando que o seu conjunto de reformas introduzido na Flórida entre 1992 e 2011 causou ganhos na pontuação de leitura da quarta série”, escreve Mathis. “Nenhuma prova é fornecida para manter essa ligação. Além disso, esta alegação ignora o fato de que algumas das reformas indicadas foram implementadas tardiamente em 2010, e algumas ainda não estão implementadas. ” (…)

O resultado, diz Mathis, é a afirmação errônea de que as reformas produziram os ganhos na pontuação da quarta série em leitura, ignorando dados contraditórios, explicações alternativas críveis e avisos sobre os perigos das medidas sugeridas.

Os decisores políticos estariam bem aconselhados se ignorassem o vendedor Jeb Bush e olhassem para a sólida evidência de pesquisa, objetiva.”

Encontrar a revisão William Mathis no site do NEPC em:

 http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-florida-formula

Publicado em Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag , | Deixe um comentário

Meritocracia não continua no RS

Postado originalmente na Uol em 3/07/2011

 Futuro secretário de Educação rejeita meritocracia

  José Clóvis Azevedo considera decadente o sistema que o governo anterior tentou implantar

 Gustavo Azevedo – Educação | 26/11/2010 | 04h40min

 (…) Meritocracia

Apesar de o governador eleito ter manifestado apoio ao pagamento de 14° salário aos professores de acordo com desempenhos dos alunos e escolas, o futuro secretário se posiciona contra a política de meritocracia. Para ele, o sistema, que o governo anterior tentou implantar, é decadente:

— Esse modelo é um grande fracasso, que estão tentando acolher como a grande salvação da pátria. Claro que avaliação é importante. O merecimento das pessoas que se especializam e se aperfeiçoam deve ser contemplado no plano de carreira. Os critérios que já existem hoje podem ser aperfeiçoados. Não é um instrumento de resolução de problemas, mas uma proposta que só complica. É polêmica e trava a discussão pedagógica.

Continue lendo em:

http://blogs.gramado.rs.gov.br/escolansfatima/2010/11/29/novo-secretario-estadual-de-educacao-o-que-ele-pensa-sobre-meritocracia/

Publicado em Meritocracia, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Mais uma ideia brilhante de Ioschpe

Postado originalmente na Uol em 4/07/2011

 Imagine que na porta de uma Delegacia de Polícia nós indicássemos o percentual de crimes resolvidos. Digamos que criássemos um Indice de Criminalidade Resolvida ou ICR. Seria risível. Todos sabemos que a resolução de um crime tem causas que não podemos atribuir à simples eficiência ou não dos profissionais da Delegacia. Imaginemos uma placa nas portas das Faculdades de Economia indicando o percentual de acerto na previsão da inflação do ano. Seria igualmente risível. Mas com escolas pode. Agora podemos ter mais uma bobagem: placas indicando o IDEB da escola na porta das escolas. Os nobres reformadores empresariais acham que tudo é uma questão de competição. Se os IDEBs forem divulgados as escolas competirão entre si para ver quem é melhor. Ou no mínimo terão vergonha. Eles não pensam sobre o que ocorrerá quando esta placa desmoralizar a escola perante sua comunidade. E o IDEB continuar o mesmo. Eles têm uma solução: privatizem esta escola.

Escolas poderão ter de exibir placa com nota do Ideb

Demétrio Weber – O Globo, 01/07/2011 – Rio de Janeiro – RJ

BRASÍLIA – Escolas públicas de ensino fundamental de todo o país são avaliadas a cada dois anos pelo Ministério da Educação (MEC), mas muita gente – especialmente pais e familiares dos alunos – ignora os resultados. Pensando nisso, três projetos de lei foram apresentados à Câmara dos Deputados, no mês passado, para tornar obrigatório que as escolas divulguem, no portão de entrada ou em local de ampla visibilidade, placa com os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. O autor da ideia é o economista Gustavo Ioschpe, especializado em economia da educação.

Continue lendo em:

http://oglobo.globo.com/educacao/escolas-poderao-ter-de-exibir-placa-com-nota-do-ideb-2872554

Publicado em Ideb, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

A (des)valorização do professor

Postado originalmente na Uol em 4/07/2011

O Movimento Todos pela Educação iniciou uma campanha pela “valorização do bom professor”. O viés está claro: apesar da pobreza, da falta de infraestrutura, das políticas governamentais mancas, do baixo investimento, etc., se o professor é bom, ele ensina. A idéia é preparar o campo para responsabilizar o professor. De Bush e antecessores até Obama, a estratégia foi sempre a mesma: ocultar as reais causas da baixa qualidade da educação transferindo a culpa para o professor. Esta visão prepara o campo também para submeter a categoria do magistério à vergonha, como forma de fazer política pública educacional. Colocar a nota do IDEB na porta da escola, como sugere Ioschpe – ver blog anterior – e depois, centrar as causas da não aprendizagem no professor.

A argumentação seguinte é previsível: acabe-se com a estabilidade do magistério para poder demitir os maus professores. O que aparentemente é proposto como valorização do bom professor é na realidade uma estratégia para expor o magistério e justificar o término da estabilidade no emprego e a demissão. Para os que têm dúvidas recomendo que vejam Waiting for Superman que está passando “on demand” na Sky – uma peça publicitária destas idéias regada a Bush, Michele Rhee e Bill Gates.

Acesse em: http://www.todospelaeducacao.org.br/bomprofessor

Publicado em Avaliação de professores, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Por que critico a CNTE

Postado originalmente na Uol em 4/07/2011

A CNTE está brava comigo. Tenho feito críticas contundentes à posição desta importante Central que deveria ser ponta de lança contra a organização crescente de políticas educacionais que incorporam a lógica de mercado e dos negócios no campo da Educação – incluindo a Prova Nacional dos Docentes. Em seu boletim, a CNTE tenta responder as minhas críticas dizendo:

“Com base nesta posição aprovada em várias de suas instâncias deliberativas, a CNTE lamenta, profundamente, a opinião do Prof. Luiz Carlos de Freitas (Unicamp) expressa na última edição especial da revista Caros Amigos (nº 53, junho/2011), que acusa levianamente a Confederação de perfilar-se com as opiniões do MEC sobre o sistema de avaliação para a educação básica. Em que pese não ser a primeira discordância de opiniões entre a CNTE e o professor Freitas – e mesmo pautando a pluralidade como norte de nossa práxis – não há como deixar de repudiar tal pronunciamento irresponsável, mesmo sabendo não ser este o pensamento da maioria dos acadêmicos inseridos – junto com a CNTE – na luta pelo direito à educação pública de qualidade para todos/as em nosso país.

A CNTE reitera, ainda, sua disposição em continuar cobrando do MEC a instalação imediata de um amplo debate sobre a formatação de um sistema de avaliação institucional para a educação básica, sob princípios democráticos, o qual precisa aliar-se à discussão sobre Custo Aluno Qualidade e à própria constituição do Sistema Nacional Articulado de Educação, deliberado pela Conae e pouco assimilado na proposta de PNE enviada ao Congresso Nacional.”

http://www.cnte.org.br/index.php/comunica%C3%A7%C3%A3o/cnte-informa/362-cnte-informa-580-16-de-junho-de-2011/7941-luta-contra-educacao-gerencial-nao-e-contingencia-academica

Ao mesmo tempo que divulga esta versão, a CNTE em seu site apresenta sua participação no Comite de Governança que prepara o ENEM dos Professores noticiando que se reuniram hoje com o INEP. Nesta matéria ela diz:

CNTE participa de reunião sobre Prova Docente

O Comitê de Governança responsável pela Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente se reuniu nesta segunda-feira (4), em Brasília, para discutir a matriz de referência que vai servir de base para a elaboração da avaliação. O secretário de Assuntos Educacionais da CNTE, Heleno Araújo, e o secretário executivo Odair José estiveram presentes e discutiram questões como o perfil profissional do professor que poderá atuar na educação infantil e nos anos/séries iniciais do ensino fundamental.

O evento teve como base um documento elaborado pelo Comitê com os eixos de conhecimento e de processos que terão que ser incluídos na avaliação. Esse documento servirá de referência para a capacitação dos 200 colaboradores que irão elaborar e revisar a prova. De acordo com o texto, tais processos, em articulação com os conhecimentos, procuram delinear o perfil profissional do ingressante na carreira docente, de modo a mobilizar a docência a partir do pressuposto do “saber fazer” e não da simples memorização mecânica de conteúdos.

“Essa discussão é importante para entendermos que a matriz se apresenta como o bloco de conhecimento que será exigido dos educadores. Sabemos que não vamos conseguir avaliar todo o conhecimento em 100%, mas é preciso, ao menos, articular a questão didática, da aprendizagem, da origem, da história de cada área de ensino e a articulação entre os diversos temas, como cultura e tecnologia; ou seja, é preciso que tenhamos trabalhadores em educação que dominem o conhecimento básico de todas as áreas”, afirma Heleno.

http://www.cnte.org.br/index.php/comunica%C3%A7%C3%A3o/noticias/8103-cnte-participa-de-reuniao-sobre-prova-docente

O documento a que a CNTE se refere foi produto de um seminário das entidades e é referido pela CNTE assim:

“Neste sentido, integraram as contribuições da CNTE à citada Conferência as propostas discutidas pela Confederação juntamente com a Anfope, a Anpae, a Anped, o Cedes e o Forundir acerca da Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente. “

http://www.cnte.org.br/index.php/comunica%C3%A7%C3%A3o/cnte-informa/362-cnte-informa-580-16-de-junho-de-2011/7941-luta-contra-educacao-gerencial-nao-e-contingencia-academica

 Abaixo apresento seis razões qualificadas para criticar a CNTE:

1.       O documento das entidades foi a saída possível para a encrenca em que se meteram. A CNTE entretanto, não divulga quais foram os assuntos tratados nesta reunião de hoje com o INEP (4-07-2011) e nem os avanços que obtiveram com este órgão a partir da posição fixada pelas entidades no citado documento. A razão é muito simples: não haverá tal avanço, pois a lógica dos exames não pode dar conta da avaliação de um profissional da educação usando testes de lápis e papel.

2.       Por outro lado, a CNTE nada diz sobre o fato de que o INEP poderá fazer uso destes testes para avaliar – queiram ou não as entidades – as agências formadoras de profissionais da educação. O Ministro não descartou isso em recente entrevista.

3.       Nada diz também sobre quem fará o exame: somente profissionais oriundos do ensino superior ou incluirá os do ensino médio? Ou, ainda, ante a dicotômica situação, se o exame será aberto a quem quiser fazê-lo não importando onde foi formado. Como esta última situação é a única possível – para evitar confrontos legais – é claro que a Prova se constitui em um exame que assume a função de credenciamento.

4.       Mais ainda, um professor recém formado está pronto para atuar na escola? Segundo a CNTE sim, e ele poderá ser avaliado – desde que uma matriz de avaliação como a que as entidades sugerem seja aceita. Falso. Não poderá, pois um professor leva entre dois e três anos para se constituir na prática, depois de formado pelas agências. É a experiência internacional. Portanto, que sentido tem submeter um recém formado a este exame, senão o de credenciar.

5.       Os professores temporários que estão nas redes, farão este exame. Eles já estão atuando em sala de aula. Que sentido terá para eles este Exame: avaliação de desempenho. Quem não passa não continua. Podemos avaliar o desempenho de um professor por uma única prova, sabendo-se que todo teste é imperfeito e que produz falsos positivos e falsos negativos – mesmo com TRI?

6.       Além disso, as agências formadoras vão ajustar seus currículos ao exame, promovendo um estreitamento curricular na formação do professor – a partir dos itens que caem nos testes e não da matriz. Sem contar os simulados e os cursinhos que aparecerão.

Estas são questões que a CNTE tenta colocar debaixo do tapete quando diz que acuso “levianamente a Confederação de perfilar-se com as opiniões do MEC”. Esta fala da CNTE não passa de uma tentativa de tirar o foco da questão visando apenas desqualificar o debate.

Então, por tudo isso, continuo criticando a CNTE e só quando esta Central se posicionar qualificadamente sobre as consequências deste infeliz exame é que ela estará deixando de perfilar-se perante o MEC. Até lá, está apenas fornecendo evasivas que tendem a justificar sua dificuldade de discordar das orientações do MEC. Fica, portanto, reiterada minha crítica qualificada à CNTE – infelizmente.

Publicado em Assuntos gerais, Avaliação de professores, Fernando Haddad no Ministério, Links para pesquisas, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Por que critico a CNTE – II

Postado originalmente na Uol em 6/07/2011

Na postagem anterior mostrei como a CNTE por um lado afirma que não está perfilada com o governo Dilma e, por outro, é apoiadora do MEC no que se refere à organização do ENEM dos Professores, para citar um exemplo. Aliás, um leitor atento me chamou a atenção para o fato de que a própria CNTE, em seu “press release” assume o ENEM dos Professores como “avaliação”. Veja:

“O evento teve como base um documento elaborado pelo Comitê com os eixos de conhecimento e de processos que terão que ser incluídos na avaliação (…). A criação da Prova Nacional de Concurso para o Ingresso na Carreira Docente foi publicada no Diário Oficial no dia 3 de março deste ano. Ela subsidiará a contratação de docentes para a educação básica das unidades da Federação e Municípios que aderirem à avaliação”.

A CNTE tem dado boas lutas. É o caso da luta pelo Piso Salarial. Não negamos isso e nem seu passado histórico. As críticas não são motivadas por desavenças em relação a espaços políticos. Deixei o PCdoB há mais de 10 anos, por razões que hoje estão mais claras para todos os que acompanham os noticiários políticos. Não atuo em nenhum partido político desde então. Também não atuo em outra organização sindical que tenha divergências com a CNTE. O que nos preocupa é que ela não traça um programa de lutas nacional contra os reformadores empresariais da educação que estão se mobilizando para influenciar o governo Dilma.

O Movimento Todos pela Educação está a pleno vapor reunindo as viúvas da campanha do Serra, os reformadores empresariais e ele próprio na difusão de suas ideias atuando, preferencialmente, sobre as Secretarias de Educação dos Estados e dos Municípios. Daí que o ENEM dos Professores tenha sido proposto e hoje é francamente apoiado pelo Consed e pela Undime – que reúnem tais Secretários. A CNTE está no mesmo barco, apoiando as teses do Consed e da Undime no que se refere ao ENEM dos Professores. Fez algumas sugestões menores de mudança, mas acabou escondendo-se atrás das entidades científicas (Anpae, Anped, Anfope, Cedes). Mas, o que pensa a CNTE sobre o ENEM dos professores? Mais ainda, o que tem feito a CNTE contra este exame? Nada.

E isso é o outro ponto a comentar na posição da CNTE. Segundo ela:

“No período de 8 a 10 de junho ocorreu, em Buenos Aires, a 8ª Conferência Regional dos Trabalhadores em Educação, promovida pela Internacional da Educação através de seu escritório regional para a América Latina (IEAL). E um dos principais temas abordados referiu-se ao enfrentamento dos sindicatos nacionais aos critérios de gerenciamento empresarial sobre as políticas e a gestão da educação pública, bem como às concessões do Estado à iniciativa privada por meio da reserva de mercado em várias etapas e níveis escolares.”

 Ora, não estamos falando de participar de congressos internacionais e afirmar posições teóricas. Estamos falando de dar uma luta aqui, no Brasil, afinal o MEC fica apenas há algumas quadras da sede da CNTE. Quais as lutas que estão sendo concretamente levadas pela CNTE em relação ao ENEM dos Professores, em relação à posição gerencialista do governo Dilma que afeta a educação, em relação ao Movimento Todos pela Educação, em relação à reforma administrativa do MEC que o prepara para apoiar organizações não governamentais com ou sem fins lucrativos? Em relação ao pagamento de bônus para professores que está sendo ampliado nos Estados e que corrompe a carreira dos profissionais da educação? Em relação à pseudo campanha de valorização do professor que está sendo montada pelo Movimento Todos pela Educação e que prepara o terreno para culpabilizar professores e justificar a meritocracia dos bônus? Em relação ao credenciamento de gestores da educação que avança pelas mãos de Guiomar Namo de Melo e outros órfãos de Serra.

Caso típico é o Pronatec. A CNTE fez uma boa análise teórica da inadequação do Pronatec enquanto um mecanismo de distribuição de dinheiro público para a iniciativa privada. Mas, e daí? O que fez a CNTE para denunciar, lutar, formar opinião contra o Pronatec?

Na questão do ENEM dos professores, esconde-se atrás das entidades científicas. Na questão da reforma do MEC, são omissos. Em relação ao PNE escondem-se atrás da Campanha Nacional pelo Direito à Educação e sequer enfrentaram o MEC quando ele enfiou as deliberações da CONAE debaixo do tapete e as omitiu na formulação do seu PNE. É óbvio que o PNE do governo não levou em conta a CONAE promovida por ele mesmo. Ou seja, não há embate direto da CNTE com as políticas públicas educacionais equivocadas do governo Dilma que estão abrindo as portas do governo aos reformadores empresariais.

A raiz do problema é uma só: a CNTE tem dificuldades para criticar um governo do PT. Está sendo leniente com o governo Dilma num momento crucial das políticas públicas educacionais quando estas estão sendo assediadas pelos reformadores empresariais que têm trânsito no governo Dilma – até mais do que a própria CNTE.

Num quadro deste, a CNTE ainda acha tempo para me criticar. Eu estou onde sempre estive, desde que criticava o governo Fernando Henrique Cardoso. Não participo da tese: “esqueça tudo que falei ou escrevi”.

Publicado em Assuntos gerais, Avaliação de professores, Fernando Haddad no Ministério, Postagens antigas da UOL, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Uma rara coerência

Postado originalmente na Uol em 6/07/2011

Natal, 2 de julho de 2011

Prezado júri do 19º Prêmio PNBE,

Recebi comunicado notificando que este júri decidiu conferir-me o prêmio de 2011 na categoria Educador de Valor, “pela relevante posição a favor da dignidade humana e o amor a educação”. A premiação é importante reconhecimento do movimento reivindicativo dos professores, de seu papel central no processo educativo e na vida de nosso país. A dramática situação na qual se encontra hoje a escola brasileira tem acarretado uma inédita desvalorização do trabalho docente. Os salários aviltantes, as péssimas condições de trabalho, as absurdas exigências por parte das secretarias e do Ministério da Educação fazem com que seja cada vez maior o número de professores talentosos que após um curto e angustiante período de exercício da docência exonera-se em busca de melhores condições de vida e trabalho.

Embora exista desde 1994 esta é a primeira vez que esse prêmio é destinado a uma professora comprometida com o movimento reivindicativo de sua categoria. Evidenciando suas prioridades, esse mesmo prêmio foi antes de mim destinado à Fundação Bradesco, à Fundação Victor Civita (editora Abril), ao Canal Futura (mantido pela Rede Globo) e a empresários da educação. Em categorias diferentes também foram agraciadas com ele corporações como Banco Itaú, Embraer, Natura Cosméticos, McDonald’s, Brasil Telecon e Casas Bahia, bem como a políticos tradicionais como Fernando Henrique Cardoso, Pedro Simon, Gabriel Chalita e Marina Silva.

A minha luta é muito diferente dessas instituições, empresas e personalidades. Minha luta é igual a de milhares de professores da rede pública. É um combate pelo ensino público, gratuito e de qualidade, pela valorização do trabalho docente e para que 10% do Produto Interno Bruto seja destinado imediatamente para a educação. Os pressupostos dessa luta são diametralmente diferentes daqueles que norteiam o PNBE. Entidade empresarial fundada no final da década de 1980, esta manteve sempre seu compromisso com a economia de mercado. Assim como o movimento dos professores sou contrária à mercantilização do ensino e ao modelo empreendedorista defendido pelo PNBE. A educação não é uma mercadoria, mas um direito inalienável de todo ser humano. Ela não é uma atividade que possa ser gerenciada por meio de um modelo empresarial, mas um bem público que deve ser administrado de modo eficiente e sem perder de vista sua finalidade.

Oponho-me à privatização da educação, às parcerias empresa-escola e às chamadas “organizações da sociedade civil de interesse público” (Oscips), utilizadas para desobrigar o Estado de seu dever para com o ensino público. Defendo que 10% do PIB seja destinado exclusivamente para instituições educacionais estatais e gratuitas. Não quero que nenhum centavo seja dirigido para organizações que se autodenominam amigas ou parceiras da escola, mas que encaram estas apenas como uma oportunidade de marketing ou, simplesmente, de negócios e desoneração fiscal.

Por essa razão, não posso aceitar esse Prêmio. Aceitá-lo significaria renunciar a tudo por que tenho lutado desde 2001, quando ingressei em uma Universidade pública, que era gradativamente privatizada, muito embora somente dez anos depois, por força da internet, a minha voz tenha sido ouvida, ecoando a voz de milhões de trabalhadores e estudantes do Brasil inteiro que hoje compartilham comigo suas angústias históricas. Prefiro, então, recusá-lo e ficar com meus ideais, ao lado de meus companheiros e longe dos empresários da educação.

Saudações,

Professora Amanda Gurgel

Publicado em Assuntos gerais, Postagens antigas da UOL, Privatização | Deixe um comentário

USA: marcha contra os reformadores empresariais

Postado originalmente na Uol em 6/07/2011

Nos Estados Unidos entidades e personalidades organizam marcha contra as teses dos reformadores empresariais.

Abaixo, a chamada para a marcha.

Bem-vindo à Marcha “Salve Nossas Escolas” – Chamada nacional à ação!

Em 28-31 julho de 2011, em Washington, DC e em todo o país

Estamos colocando o Público de volta nas escolas públicas!

Nós, um conjunto de pessoas de todas as esferas da vida e todos os cantos desta nação, incorporamos uma mistura de ideias e opiniões a respeito de como podemos melhorar as oportunidades educacionais para todas as crianças. Estamos unidos por uma crença – é hora de professores e pais se organizarem e recuperarem o controle de nossas escolas.

Como cidadãos conscientes, exigimos um fim às políticas destrutivas e à retórica que corroeu a confiança em nossas escolas públicas, desmoralizou os professores, e reduziu a educação de muitos de nossos filhos a nada mais do que preparação para testes.

Uma sociedade bem-educada é essencial para o futuro dos Estados Unidos da América. Nossos alunos devem ter acesso a um sistema de ensino público de classe mundial integralmente público e é nossa respnsabilidade manter nosso governo responsável por propiciar os meios para alcança-lo. Juntem-se a nós!

30 de julho: DC & Rally de março

O rally começará oficialmente ao meio-dia na Ellipse, mas cheguem cedo para desfrutar de performances, arte e muito mais!

Ao meio-dia, Diane Ravitch, Jonathan Kozol, José Vilson, Deborah Meier, Monty Neill, e outros oradores, músicos, poetas performance vão encorajar, educar e apoiar este movimento e as demandas da Marcha Save Our Schools.

Às 1:30 pm, vamos marchar para a Casa Branca, onde as demandas serão lidas, vamos demonstrar, e se envolver em uma chamada de uma ação continuada para recuperar as escolas como lugares de aprendizagem, alegria e democracia.

Se você não puder fazê-lo em DC, siga o site para saber mais sobre as formas de participar ou planejar ações em sua área local!

Publicado em Postagens antigas da UOL, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário