SP: Campinas e o Todos pela Educação

O movimento nacional dos empresários conhecido por Todos pela Educação tem ramificações também nos municípios. Em Campinas, chama-se Compromisso Campinas pela Educação e está articulado com a FEAC Campinas onde se instalou também um Observatório da Educação. Financiado por empresários, o grupo articula-se para trazer suas ideias para as Secretarias de Educação. Na semana passada, ele distribuiu o seguinte “press release”:

PREFEITURA DE CAMPINAS USA TECNOLOGIA PARA

PLANEJAR AÇÕES DE 2014 NA REDE MUNICIPAL DE ENSINO

        Ferramentas de alta tecnologia em geoprocessamento estão sendo utilizadas pela Secretaria Municipal da Educação de Campinas para responder a alguns dos desafios na rede municipal de ensino, como o enorme déficit de vagas na educação infantil. Algumas das ações para 2014, no âmbito da rede municipal, foram detalhadas na quinta-feira, 26 de setembro, no Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE). Realizado na sede da Fundação FEAC, o encontro teve a participação da secretária municipal de Educação, Solange Villon Kohn Pelicer, do novo Diretor Pedagógico da Secretaria, Júlio Moreto, e de Cármen Regina Bello Fournier e Rosângela de Cássia Lopes, profissionais da Informática de Municípios Associados (IMA), que desenvolveu a ferramenta de geoprocessamento utilizada na área educacional do município.

      Os representantes da Secretaria Municipal de Educação reafirmaram a disposição para um diálogo permanente e qualificado com o Compromisso Campinas pela Educação, visando uma melhoria contínua da qualidade educacional no município. “Estes encontros realizados pela FEAC, no âmbito do Compromisso pela Educação, estão nos dando oportunidade de apresentar os dados reais da Secretaria da Educação e também para estabelecermos e firmarmos a parceria da Secretaria com o movimento Compromisso Campinas pela Educação”, disse a secretária Solange Pelicer. Por sua vez, o Diretor Julio Antônio Moreto ressaltou que, “quando temos a oportunidade de trabalhar junto com a sociedade civil organizada, que é o que CCE está nos propondo, todos ganham”.

    Formação continuada de professores – Um panorama dos avanços e desafios da rede municipal foi traçado pelo Diretor Pedagógico, Júlio Moreto. Ele destacou como uma das principais preocupações da Secretaria a formação continuada de professores, como medida fundamental para a melhoria da qualidade da educação pública. Informou que 89 formações estão em processo, envolvendo 125 turmas de educadores nos três períodos. As formações são realizadas no CEFORTEPE, e também de forma descentralizada nas regiões Sul, Leste, Noroeste e Sudoeste.

     Projetos para 2014 – O Diretor Júlio Moreto também revelou alguns projetos para 2014, na esfera do Núcleo de Tecnologia Educacional da Secretaria Municipal de Educação, abrangendo a rede municipal de ensino, composta por 199 escolas somando cerca de 70 mil alunos (considerando também os 16 mil atendidos de entidades conveniadas e 64 particulares autorizadas).

     Um dos projetos, ainda em fase piloto e envolvendo duas escolas, será o de uso de tablets com alunos. Esta é uma iniciativa conjunta entre a Prefeitura e o Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da Unicamp. Outro projeto em fase piloto será o dos Adolescentes Escritores, que será desenvolvido em bibliotecas escolares visando, entre outros objetivos, a produção de livros virtuais (e-books).

     Outra novidade está relacionada à pesquisa de adequação de sistema operacional com softwares para alunos com deficiências. Julio Moreto informou ainda sobre o projeto Ambiente Educação@Conectada – compartilhamento de conteúdos educacionais e documentos da rede municipal de ensino.

     Os desafios na educação infantil – Entre os desafios para os próximos anos, Julio Moreto apontou o equacionamento do déficit de vagas na educação infantil. Em agosto de 2013, a demanda não atendida na educação infantil era de 9.715 vagas. O Diretor Pedagógico destacou que novos equipamentos em educação infantil serão entregues já em 2014, enquanto outros estão projetados, visando superar o déficit.

     A secretária municipal Solange Pelicer lembrou que o movimento migratório continua suscitando desafios para a rede municipal de ensino de Campinas. Destacou neste sentido as parcerias que a Prefeitura vem realizando, no sentido de responder aos desafios abertos pela ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos. Uma das metas é erradicar o analfabetismo, que ainda atinge 28 mil cidadãos em Campinas.

    Alta tecnologia na educação – Uma das ferramentas utilizadas para planejar o gerenciamento da educação infantil em Campinas foi apresentado por Cármen Regina Bello Fournier e Rosângela de Cássia Lopes, da IMA. Elas explicaram que, com o uso de ferramentas de geoprocessamento, foi elaborado o Mapa da Demanda, por meio do qual a Prefeitura pode planejar da maneira mais adequada a construção de unidades de educação infantil, em áreas onde existe maior demanda.

     Outras ferramentas desenvolvidas nesse contexto estão ligadas ao Projeto Educação Infantil perto de Você. A ferramenta Mapa Central de Vagas, disponível na Internet, no site da Prefeitura, permite que qualquer pai ou responsável por aluno identifique rapidamente qual unidade de educação infantil é mais próxima da residência da criança. Do mesmo modo, foi organizada no modo digital a lista de espera das entidades conveniadas de educação infantil. Com isso, foi elaborado um cadastro único, facilitando o direcionamento do aluno para uma unidade de educação infantil.

       As ferramentas tecnológicas desenvolvidas pela IMA, acentuaram as profissionais, estão sendo empregadas para o planejamento da educação infantil para 2014-16, visando o cumprimento da Lei Nº 12.796 que, em seu artigo 6º, indica ser um “dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 anos de idade”. Por essa lei, até 2016 todas as crianças a partir de 4 anos devem estar matriculadas. Com uso dos recursos tecnológicos, estão em curso a adequação das faixas etárias dos agrupamentos, o planejamento das necessidades de profissionais (professores e monitores e agentes de educação infantil) e a identificação das necessidades de ampliação e construções de novas escolas, visando atender a nova lei.

      O próximo encontro mensal, o terceiro da série Encontro Mensais do Compromisso Campinas pela Educação, será realizado na noite de 15 de outubro, na Livraria Saraiva do Shopping Iguatemi Campinas. E, entre 04 a 08 de novembro, será promovida a 4ª edição da Semana da Educação de Campinas, principal evento anual no âmbito do CCE, e que neste ano está inspirada nos protagonistas da campanha publicitária em curso Aprender Juntos para que a Escola Ensine, a saber: pais, alunos e professores.

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SP: Campinas sob pressão dos reformadores

Campinas, uma cidade do Estado de SP, tem a particularidade de ter um grupo empresarial que foi fundador juntamente a outros do Movimento Todos pela Educação – trata-se do Grupo DPaschoal. Este grupo é um dos que se articula com a Federação das Entidades Assistenciais de Campinas (FEAC) e acobertados pela ideia da “participação social”, ou melhor ainda da “responsabilidade social” procuram influenciar os rumos da educação no município.

Dois outros acontecimentos potencializaram isso nos últimos meses: primeiro, um grupo de profissionais “desempregados” do governo do Estado de SP, pois perdeu espaço no atual governo, grupo este que é remanescente da esfera de influências do falecido Paulo Renato – entre eles Maria Helena Castro – acobertou-se também sob o manto da FEAC para divulgar as ideias dos reformadores empresariais da educação. Este grupo não tem conseguido espaço nacional por suas ideias radicaloides em matéria de reformulação do sistema educacional. Restou a estes ocupar espaço no Conselho Estadual de Educação – prêmio de consolação – e articular-se localmente. Por isso, constituiram o Observatório da Educação da FEAC em Campinas. Um “bunker” local para atuar na região e divulgar suas posições.

O segundo elemento é que o atual partido no poder na Secretaria Municipal de Educação de Campinas é o PSB, apoiado pelo PSDB. O PSB é o partido do Eduardo Campos, o mesmo que iniciou a experimentação com escolas charters em Pernambuco. Portanto, encampa as ideias dos reformadores empresariais. Em Campinas é notória a atuação de empresas prestadores de serviço como a Falconi e a Comunitas.

Recentemente, o prefeito exonerou a Prof. Helena Costa Lopes de Freitas, Diretora Pedagógica da rede municipal, num gesto que abre o campo para a influência deste grupo. A rede desaprovou a medida em um manifesto de protesto que já tem quase 500 assinaturas. Recebi, hoje, outra manifestação da rede sobre a atuação de empresas de consultoria na área educacional, que reproduzo abaixo.

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Campinas, 13 de agosto de 2013.

Encaminhamos o presente documento ao Exmo. Sr. Jonas Donizette, Prefeito de Campinas e à Exma Sra Solange Villon Kohn Pelicer, Secretária Municipal de Educação, na expectativa de um diálogo franco e aberto sobre os rumos da gestão pública de nossa cidade, em especial no que se refere à formulação, implementação e gestão das políticas educacionais no mandato há pouco iniciado. Com todo o respeito, e certos da instauração de um debate sobre a questão aqui retratada, agradecemos imensamente a Vossa atenção.

A quem interessa uma assessoria de empresa privada na Rede Municipal de Ensino de Campinas?

Sob a égide do neoliberalismo, nas duas últimas décadas cresceram os discursos de que o Estado é ineficiente e a iniciativa privada é que possui competência. Agências de assessoria pipocaram por todo o país e invadiram várias redes públicas.

Somos educadores em Campinas há muitos anos e nunca vimos na Secretaria de Educação a presença de tais iniciativas. Nossa rede cresceu e se fortaleceu com autonomia, criando seus programas de formação, currículo e processos de avaliação e gestão fundados na participação, via Conselhos de Escola, Conselho de Representantes das Escolas, Comissões Próprias de Avaliação (CPAs) e outros mecanismos. Temos um quadro de profissionais altamente qualificado, graduado, e com número expressivo de professores e gestores com pós-graduação. Temos uma Secretaria com seus Departamentos e Coordenadorias, que ao longo destes anos, com todas as dificuldades que possamos imaginar, foi capaz de se auto gerir. Então por que o atual Governo trás uma assessoria de iniciativa privada para gerir a educação no município?

Sim, para quem ainda não sabe, o Governo assinou Convênio com a COMUNITAS – Parcerias para o Desenvolvimento Solidário, que por sua vez atua por meio do Instituto de Desenvolvimento Gerencial FALCONI, do Instituto TELLUS e do Centro de Liderança Pública CLP (Convênio nº 68/2013).

Já circulam por todos os espaços das SME os profissionais da agência chamada FALCONI, juntando dados sobre o nosso trabalho, com vistas a nos “assessorar” na gestão. A quem interessa uma assessoria privada? Por que a FALCONI e outras empresas de gestão de pessoal estão agora em nossa rede, e em toda a prefeitura? Ou o Prefeito suspeita de que não temos competência para fazermos nosso trabalho e gerir a rede, ou há outros interesses em jogo. Preferimos acreditar na segunda hipótese. Mas que interesses podem ser estes? Vejamos:

– No Convênio de parceira (Convênio nº 68/2013) está escrito que a Prefeitura não pagará pela assessoria das agências conveniadas. Porém, estas poderão “… captar recursos financeiros para a execução do Projeto perante empresas ou institutos, sem qualquer restrição ou limitação”. Ou seja, ninguém é “solidário” ao ponto de trabalhar sem receber. E por certo não serão baixos os ganhos destes institutos. Todo empresário capitalista quer é vender seus produtos e ganhar dinheiro. A Prefeitura de Campinas tem muito dinheiro. Então, os empresários estão em busca de mercados para seus produtos: livros, apostilados, softwares, jogos, materiais variados e que nem sempre nos interessam ou são de boa qualidade.

– Outro interesse é de cunho ideológico e passa pela GESTÃO DO PROJETO PEDAGÓGICO DE REDE: estas agências trazem consigo os cursos para professores e gestores, cursos estes fundados na ética do mercado, da concorrência, da economia de recursos, no famoso “Fazer mais, gastando menos”.   Claro: se o Estado gasta menos, pode cobrar menos impostos dos capitalistas. Só que nas escolas das elites as famílias “investem” milhares de reais por mês na educação de seus filhos. Já na escola pública, as mesmas elites, pela voz dos assessores vão propor “gastar menos”.

– Ainda podemos imaginar os interesses que passam pelo estabelecimento de relações de favorecimento entre o Estado e as empresas vinculadas às assessorias. Interesses estes que vira e mexe explodem em denúncias e escândalos de apadrinhamentos, concorrências forjadas em processos de licitação e contratos irregulares. Não estamos aqui julgando estas agências e institutos em particular.

Mas estamos dizendo com toda a certeza: Nós não precisamos da FALCONI OU OUTRO INSTITUTO OU EMPRESA PARA DIZER O QUE TEMOS QUE FAZER NO SERVIÇO PÚBLICO. Se não conseguimos resultados melhores é porque nos faltam condições.

E mesmo com toda a precariedade, vemos escolas, NAEDs, Departamentos e Coordenadorias da SME “tirando leite de pedra” como se diz. Atuando sem professores e funcionário, com quadro de gestores incompleto, com prédios inadequados, e ainda assim fazendo o seu trabalho.

A FALCONI e os demais institutos trarão solução para estes problemas?  NÃO. Pelo contrário, poderá agravar a situação, com discursos de que possuem RESPOSTAS SIMPLES PARA PROBLEMAS COMPLEXOS.

Pedimos ao Prefeito Jonas Donizette que reconsidere esta parceria. E nos poupe do VEXAME NACIONAL, que é termos que engolir uma EMPRESA PRIVADA gerindo nossa rede pública de ensino.

Temos competência para educar nossas crianças, jovens e adultos, efetivar um currículo democrático e criativo, organizar as políticas de formação, avaliação e gestão de nossa rede. Somos responsáveis por buscar soluções para nossos problemas, DESDE A SALA DE AULA ATÉ A SECRETARIA DE EDUCAÇÃO.

Só precisamos de condições de trabalho e de oportunidade de participação na GESTÃO DAS ESCOLAS E DA REDE COMO UM TODO. Participando podemos elencar problemas e construir soluções. Somos nós mesmos, que TRABALHAMOS nesta rede pública de ensino, é que podemos fazer dela algo cada vez melhor.

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Educação infantil: qualidade sem negociação

A. Bondioli, pesquisadora italiana da educação infantil, está no Brasil, se não me equivoco, a pedido do governo brasileiro para ajudar na questão da avaliação da educação infantil. Como é sabido, ela é criadora do conceito de “qualidade negociada”. Quando propusemos o conceito de responsabilização participativa em contraposição à accountability, fizemos uso desta dimensão na medida em que ela permite uma ampla negociação entre a comunidade interna das escolas com o poder público, cada um assumido suas responsabilidades. Mais de 50% das variáveis explicativas do desempenho do aluno estão fora da escola. Isso é bem diferente da proposta dos reformadores empresariais da educação que querem que o professor dê conta dos problemas da qualidade da escola.

Pois bem. Estou agora na reunião anual da ANPED e o que ouço é que o governo retirou o termo “negociada” da proposta de “qualidade negociada” da autora. E isso com a autora por aqui mesmo. E ao que parece não há reação.

Ora, sem a palavra “negociada” a proposta fica completamente manca e não será distinguida de nenhuma outra.

Mais estranho ainda é que havia uma comissão tratando da avaliação do ensino infantil no MEC e… sumiu… não foi mais convocada. A mesma coisa ocorreu no Conselho Nacional de Educação: havia uma comissão que discutia a avaliação da educação básica e agora não há mais. Não há convocação.

O governo Dilma se isola cada vez mais. Não vale lembrar disso só em 2014 nas eleições, não há mais espaço para voto de confiança.

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RJ: insensibilidade pode agravar a situação

Os professores do Rio continuam sua luta contra duas secretarias de educação – municipal e estadual – que são baluartes da aplicação das teses dos reformadores empresariais da educação, conduzidas por Claudia Costin e Risólia, respectivamente. A permanente insensibilidade para com as reivindicações da categoria pode agravar a situação como mostra a reportagem abaixo:

“Entre os educadores há pessoas das mais variadas faixas etárias, de jovens a senhoras de idade. Pessoas que acompanham o ato têm a impressão de que é questão de tempo até a situação sair do controle de vez.

Está marcado para as 17h um grande ato em repúdio à conduta da PM na retirada à força dos professores que ocupavam a Câmara, na noite de sábado (26). O protesto foi convocado pelas páginas Anonymous Rio e “black bloc” RJ. Além disso, um segundo grupo de professores, que fazia um pequeno protesto em frente à Prefeitura do Rio, está se encaminhando para o local. Não há até o momento registro de detidos ou feridos.”

Leia aqui. Reportagem e principais momentos aqui.

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O pioneirismo do RJ contra a meritocracia

O Rio de Janeiro mantém luta exemplar contra a meritocracia. Tanto os professores do Município como os do Estado estão em guerra, entre outras coisas, contra a meritocracia. Até onde sabemos esta é a primeira greve que oficialmente inclui a luta contra a meritocracia no Brasil. Parabéns Rio. Bônus é migalha. A luta é por salário digno. Bônus é a desmoralização da profissão.

O tema entrou na greve como reconhece o próprio prefeito da cidade Eduardo Paes:

– O grande debate é a meritocracia. Fixar uma meta de um salário e meio a mais para quem atingir os objetivos não pode ser um pecado. O recado que o SEPE sempre passa nos protestos é que não quer o 14º salário – afirmou.

Na Secretaria de Estado do Rio de Janeiro a luta também é intensa:

“Além disso, [do reajuste] os sindicalistas pedem eleição direta para diretor de escola, um terço da carga horária reservada para planejamento, uma escola por professor, fim da meritocracia associada ao pagamento de bônus a professores que cumprissem metas, dentre outras demandas.”

Leia matéria aqui.

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EUA: fraude em Washington, D. C.

Matéria no Washington Post denuncia decisão que favoreceu altas proficiências na cidade.

Segundo o Jornal:

“Os ganhos dos alunos das escolas públicas de quatro pontos alcançados em toda a cidade nos testes anuais mais recentes em matemática e leitura foram aclamados como históricos, como mais uma prova de que a abordagem da cidade para melhorar as escolas está funcionando.

Mas os ganhos de matemática relatados foram resultado de uma decisão silenciosa para pontuar os testes de forma a conseguir maior pontuação, mesmo que os alunos da cidade tivessem muito menos questões de matemática corretas do que no ano anterior.”

Para Diane Ravitch:

“A lição nesse episódio não é a de que os funcionários não são confiáveis​​, mas que o resultado dos testes é uma questão de julgamento humano, e não de ciência. O julgamento humano pode ser baseado em considerações políticas. Ou não. Mas devemos parar de acreditar que os testes padronizados são uma medida científica, como um barómetro ou um termómetro.”

Quantos casos mais serão necessários para abalar nossa confiança nos testes?

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Valor agregado na avaliação do professor: novo livro questiona

Novo livro questiona o uso de técnicas de medição baseadas em observação e em valor agregado para avaliar o desempenho de professores. Muito em voga nos Estados Unidos, esta tecnologia tem sido criticada por estatísticos e matemáticos, bem como pelos educadores.

Eis um breve resumo:

Na sequência da recente grande reforma da escola chamada Race to the Top, escolas, professores e alunos estão cada vez mais sendo avaliadas através de pontuações de testes de desempenho de alto impacto feitas pelos alunos. Em seis capítulos concisos, Teacher and Student Evaluation explora a origem histórica e o cenário atual da responsabilização na educação americana, e os atuais modelos de avaliação de professores. Os autores fornecem sugestões realistas e úteis para responder às exigências de responsabilização correntes.

Os autores exploram as preocupações metodológicas e implicações políticas da utilização de medidas de observação e de valor agregado para tomar decisões de alto impacto. Depois de chegar à conclusão de que essas práticas contemporâneas de avaliação são falhas, Alyson Lavigne e Thomas Boas oferecem soluções possíveis para a avaliação atual e futura dos professores.

Para acessar o site clique aqui.

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RJ: greve contra meritocracia continua

Continua a greve dos professores do Rio de Janeiro por reajuste salarial de 28%, matrícula dos professores em apenas uma escola para que não tenham que deslocar-se entre várias escolas e contra a meritocracia (bônus).

“Rio de Janeiro – Em greve há mais de um mês, professores da rede estadual de ensino do Rio de Janeiro promovem amanhã (16), às 14h, nova assembleia para decidir os rumos da paralisação. Hoje (15) representantes da categoria permanecem acampados em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro e participam de atividades como saraus e confecções de cartazes.

A categoria também exige o fim da chamada meritocracia que, segundo o professor, estabelece cotas e metas que estimulam “a aprovação automática disfarçada do aluno”. “O professor ganha bônus por aprovação. Você deixou de ter a lógica de qualidade do ensino para aprovar o aluno, para bater índices, estatísticas de aprovação”, disse o professor.”

Leia matéria aqui.

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SP terá lei de responsabilidade educacional

Resolução SE 64 da Secretaria de Educação de São Paulo institui grupo de trabalho para:

Artigo 3º – O Grupo de Trabalho deverá analisar as proposições, acerca da Lei de Responsabilidade Educacional, do ponto de vista da educação básica pública estadual, e apresentar proposta ao Chefe de Gabinete, no prazo de 60 (sessenta) dias, a contar da data de publicação desta resolução.

Leia a Resolução aqui.

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RJ: PM retira professores

Um professor do Rio de Janeiro, em greve, escreve:

“Estamos lutando contra política de bonificação e a meritocracia na educação pública, pois tememos que o Brasil, especialmente, o Rio de Janeiro vire um Chile ou México. Hoje quem manda na educação carioca é o Banco Mundial, perdemos nossa autonomia pedagógica, sequer podemos escolher os conteúdos a serem trabalhados com os alunos. Tudo gira em torno das Avaliações Externas, pois o argumento do governo é que a greve vai prejudicar os alunos que irão fazer o Enem.”

Leia aqui como a PM retirou professores em greve das dependências do governo.

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Qualidade social da educação

Em agosto um jovem adolescente matou, segundo informações divulgadas hoje 3-9-2013 seu pai, mãe, tia-avó e avó, tendo em seguida, 18 horas após ter matado seu pai, se suicidado. Antes foi à escola calmamente.

“A Polícia Civil de São Paulo informou nesta terça-feira (3) que os laudos sobre as mortes de um casal de PMs, do filho deles de 13 anos e de outros dois parentes, ocorridas no mês de agosto na Brasilândia, zona norte da capital, apontam que o garoto Marcelo Pesseghini –o filho dos policiais– foi o responsável pelos crimes.”

Leia aqui.

Eis aí uma questão para análise. Como a escola não conseguiu ensinar valores básicos a este aluno, mesmo que na contramão da família, se assim fosse? Não se trata de culpabilizar ninguém. Trata-se de questionar se responsabilizar a escola e os professores pelo ensino, restrito a português e matemática, não tem levado as escolas a deixarem de enfatizar valores básicos como a vida.

Este é mais um exemplo que deve nos levar a indagar se estamos desenvolvendo uma educação de qualidade social.

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Bônus: Rio de Janeiro resiste

O Rio de Janeiro resiste à política de meritocracia e já tem lugar assegurado entre os sistemas que iniciam uma luta clara e direta contra esta insanidade destinada a destruir o sistema público de ensino e criar condições para sua privatização.

Os bônus são testados há mais de 100 anos. Nunca morrem e nunca funcionam. Mas a mídia quer fazer parecer que dão certo. É uma fala ideológica que esconde os dados em afirmações vazias e sem fundamentação. O jornal O Globo no Rio de Janeiro, de costas para os dados, diz:

“Em sistemas nos quais a meritocracia (cumprimento de metas como um dos critérios para conquistas salariais) foi adotada os resultados são visíveis. Escolas de Minas, Pernambuco e mesmo do município do Rio apresentaram mudanças positivas na qualidade do ensino — em paralelo com o aumento dos ganhos salariais de seus professores. Em Washington, ações similares estão diretamente relacionadas à descoberta de grupos de excelência nas salas de aula.”

Leia aqui.

Como sempre a mídia foge do debate e desqualifica o problema apelando para corporativismo. Ocorre que se escondem na linguagem jornalística que neste país autoriza tudo e não dizem quais são os estudos que provam suas teses.

Não há estudos sobre Minas, Pernambuco e Rio de Janeiro que mostrem consistentemente que os bônus fizeram diferença. Em sintonia com isso, Nova Yorque paralisou o pagamento de bônus porque na fala do Prefeito Bloomberg, um defensor de bônus, ele não queria continuar jogando dinheiro fora. Washington, administrado anteriormente por Michelle Rhee é algo de denúncias de fraude e elas só não prosperam porque a ex-Secretária é permanentemente blindada pelos contatos que tem e pela mídia. Beverly Hall foi demitida e está sendo processada depois de fraudes em mais de 50 escolas. Onde está a eficiência dos bônus?

O Estado de São Paulo utiliza bônus há muitos anos, está boa a educação por aqui? Estamos avançando?

O texto do Globo escolhe cidades para citar. Não fala nada de São Paulo e nem de Nova Yorque onde a política de bônus está empacada ou foi paralisada.

Este blog em seu link de pesquisas, logo ao lado, está repleto de estudos que mostram a falência desta e de outras ideias “milagrosas”. Não há ciência nisso. É fé, nada mais. E política pública não se faz com fé e sim com evidência empírica. Não é ético que Secretários de Educação experimentem ideias falidas e custosas com redes inteiras.

Usar testes de alunos para compor salários de professores é um dos pontos mais combatidos dentro dos Estados Unidos por estatísticos renomados. Veja aqui também. Os modelos estatísticos não têm estabilidade para dar conta disso. É considerado “junk science” ou seja “lixo acadêmico”.

Falta ao Sr. Risólia estudo e aqui vai um link pelo qual ele pode começar:

https://avaliacaoeducacional.com/2013/06/01/bonus-livro-para-economistas/

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LRE: e agora?

Aos poucos estão aparecendo alguns dos pontos que poderão estar na versão da nova Lei de Responsabilidade Educacional em tramitação no Congresso Brasileiro. São:

  1. Se prefeitos e governadores ao final do mandato tiverem um IDEB menor do que o que foi obtido pelo seu antecessor, ficarão inelegíveis por quatro anos. A referência é o que está indicado no Plano Nacional de Educação como meta.
  2. Ação civil pública contra estados e municípios que comprometam o direito à educação e deixem de executar convênios.
  3. Incluirá 15 elementos mínimos que todas as escolas públicas do país devem ter, por exemplo, laboratório de informática, espaço para atividades esportivas, biblioteca, reforço escolar para quem tem dificuldades com aprendizagem, entre outras.
  4. Se um município comprovar que suas receitas educacionais são insuficientes para dar conta do padrão mínimo, poderá solicitar financiamento complementar ao MEC que seria obrigado a repassar recursos. Mas se depois disso os resultados ainda foram insatisfatórios, caberá ação civil.
  5. Haverá ainda um sistema de incentivo livre que atenderá a 20% dos estados e municípios que apresentarem melhorias em suas notas no IDEB em relação ao índice anterior, permitindo que acessem 4% do orçamento do Ministério da Educação como prêmio para gastar em educação como quiser.

Eis aí o que poderá ser a Lei de Responsabilidade Educacional brasileira. Como antecipamos, a LRE vai incluir metas acadêmicas, e não só punição para o gestor que não utiliza adequadamente os recursos. De fato, o objetivo era incluir metas acadêmicas. Ingenuidade do governo federal e da CNTE acharem que era só o administrador que seria atingido pela lei.

Os seguintes aspectos merecem consideração.:

a)      Adivinhe. O que vai acontecer nas redes públicas para que o Prefeito ou Governador não fique inelegível ao final de sua gestão? Fácil, não é. Vai haver uma pressão brutal sobre o Secretário de Educação, Diretores, professores e estudantes para que isso não ocorra. Quais são as ações que serão postas em prática para evitar isso? De médio e longo prazo ou imediatas? Acertou de novo: imediatistas, de curta duração para salvar a pele. Exatamente aquelas que são permanentemente alardeadas pelos reformadores empresariais da educação. Prevejo até a contratação de consultorias que se especializarão em acompanhar os municípios e estados de forma a garantir que se chegue ao final empatado ou melhor.

b)      Se o município ou estado melhora e recebe o bônus do MEC para gastar o dinheiro como quiser, onde você acha que ele gastará? Bônus para escolas e professores. Ou seja, estamos premiando o prefeito e este premiará as escolas. Haverá crescimento da meritocracia. Mas também, como acontece por aí, haverá um crescimento de fraudes no interior dos sistemas. Mais estreitamento curricular nas matérias que caem na prova, etc…

c)      O único aspecto melhorzinho da Lei é o estabelecimento dos mínimos constitutivos de cada escola. Mas sobre isso não há detalhamento.

Enfim, a LRE marca a entrada oficial do MEC na política de bônus (4% do orçamento para os 20% melhores no IDEB) para desempenho acadêmico das crianças. Exatamente como se previu. E agora? Quem para esta máquina que está sendo montada?

Que tal uma destas para quem diminuir o IDH? Que tal termos metas anuais para melhoria do IDH? Ou então para se aumentar a renda per capita do cidadão? Cairia bem uma Lei que também especificasse metas para a redução da pobreza infantil. Sabemos que mais de 60% da explicação do desempenho dos estudantes se deve a variáveis que estão fora da escola. Só 20% são variáveis escolares.

Tudo hoje é pensado na forma de judicialização. Temos uma trajetória autoritária que acha que se houver uma lei, tudo melhorará.

Mas a LRE ainda não está aprovada, ainda pode acontecer muita coisa por lá – inclusive piorar.

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Novo livro de Diane Ravitch sai em setembro

Disponível para pre-venda na Amazon o novo livro de Diane Ravitch sai em setembro:

“Reinado do erro: a farsa do movimento de privatização e o perigo para as escolas públicas americanas”.

 

DIANE RAVITCH

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A proposta Haddad – II

Em poster anterior analisamos as virtudes da proposta Haddad para a educação do município de São Paulo. Neste examinamos seus problemas.

A proposta Haddad: os problemas

O principal problema diz respeito à montagem deste sistema de apoio ao professor e ao estudante para que ele possa evitar a reprovação. Isso não está suficientemente claro e terá que ser discutido com a rede municipal em duas direções, a meu ver: primeiro é preciso um grande diagnóstico da rede– e aí está uma falha da proposta, a proposta não parte de um diagnóstico explícito reduzindo-se a pontuações dos alunos na Prova Brasil – que rastreie as condições de funcionamento da rede.

Em segundo lugar, aprendemos de estudos no passado que o problema não está na formulação das soluções, mas em como elas ganham ou não concretude na materialidade da escola. E aqui cabe um alerta: boa parte das soluções propostas já foram tentadas sem sucesso em outras redes. Infelizmente os autores não rastrearam estudos e pesquisas no campo e ficaram apenas nos documentos legais. Há que se aprender com as experiências dos outros. Torna-se fundamental, portanto, que cada escola tenha uma estratégia concreta para atuar na diversificação dos tempos de aprendizagem dos estudantes, segundo suas dificuldades, que seja viável na materialidade da escola. Questões como: quem atuará na recuperação das crianças? O próprio professor dela ou um desconhecido que não sabe das dificuldades da criança? Em que momento? No contra turno ou na própria sala de aula? Com que metodologia se tratará com as dificuldades da criança? Mais do mesmo que já não funcionou antes não resolverá. São questões práticas e não teóricas as que impedem o acompanhamento. Não adianta confiar em lição de casa. Isso é mais mito que realidade. Enfim, falta levar em conta a evidência empírica disponível e olhar concretamente para a materialidade das escolas.

Uma preocupação ligada a isso se deve a que se detalha como será a formação continuada dos professores, mas não se detalha como será o sistema concreto de apoio ao aluno. Isso sugere que se pense que dar condições aos professores para atuarem se limita a cuidar de sua formação continuada. No entanto, isso aponta para a culpabilização do professor. Não que ele não seja importante, mas sabemos que as variáveis externas à escola que operam sobre a aprendizagem dos alunos são mais incisivas (60%) do que as internas à escola, incluindo o professor (20%) – a literatura é clara a este respeito.

Em terceiro lugar, há um preocupante elemento introduzido na proposta que são os projetos integradores, em especial, no meu entender, no ciclo intermediário. Como já alertaram vários pesquisadores, a utilização de “projetos” como âncora de aprendizagem tende a deixar as crianças mais necessitadas sem efetivo apoio para aprender. Dilui-se o conteúdo e o efeito poderá ser contrário ao esperado.

Em quarto lugar, há uma diminuição da importância de alguns conceitos e princípios muito bons, elencados no início da proposta, mas que não são considerados no momento de se discutir os indicadores de qualidade de ensino, ficando-se somente no indicador do IDEB, o qual é uma medida falha. Seria necessário ampliar a “cesta de indicadores” para poder falar da qualidade social que a proposta incorpora em seus fundamentos. Isso ainda pode ser feito. Mesmo assim, diminuir o número de provas e concentrar no IDEB faz sentido por ser uma prova nacional, desde que se criem novos indicadores para outras dimensões da formação das crianças o que é diferente de agregar mais provas como alguns sugerem. Não tenho saudade da Prova São Paulo. Prefiro adicionar a provinha Brasil para posicionamento da criança e do professor ao longo do ano.

Em quinto lugar, de forma bastante disfarçada, introduz-se consequências para o avanço das escolas no IDEB ao se vincular este ao Prêmio de Desenvolvimento Educacional. Não está explicitado como isso será feito e isso é motivo de preocupação, pois há suficiente evidência empírica sobre a inadequação destas associações.

Em sexto lugar, a disponibilização de um banco de itens do IDEB para os professores, mesmo na forma optativa, irá desenvolver uma cultura de preparação para os testes do IDEB. Se há premiação, como sugere a vinculação já mencionada com o Prêmio de Desenvolvimento Educacional, a relação vai ser estabelecida e poderá haver, é claro, uma corrida à preparação para o teste, tirando tempo de aprendizagem da criança e promovendo estreitamento curricular.

Em sétimo lugar, o novo formato sugerido pela proposta enfatiza Língua Portuguesa e Matemática – em que pese apontar para uma matriz formativa mais ampla como princípio. Novamente, ao se converter em ações, o princípio se perde e só se salvam Língua Portuguesa e Matemática e com elas História, Geografia e Ciências. As demais viram projetos integrados o que sugere que há uma ênfase naquilo que cai no IDEB/ENEM – Leitura, Matemática, Ciências, História e Geografia. O risco de secundarização do conteúdo de importantes disciplinas na formação da criança é grande (p. ex. Artes e Educação Física). Há evidência empírica sugerindo que estas disciplinas são fundamentais para o desenvolvimento dos processos de criação e inovação e, portanto para a competividade internacional dos países.

Finalmente, sempre defendi que mudanças em grandes redes se façam por partes e nunca para todo o conjunto das redes. Teria sido melhor concentrar a implementação das mudanças por Ciclos e avançar progressivamente com uma nova geração de estudantes. As propostas poderiam ter sido otimizadas e testadas com um menor número de alunos, facilitando a montagem das soluções. Mas, a pressão por resultados é grande na política e acaba atropelando a cautela.

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A proposta Haddad – I

Em duas postagens analisaremos a proposta do Governo Haddad para o município de São Paulo. Esta primeira fala das virtudes. A segunda dos problemas.

A proposta Haddad: virtudes

São muitos os aspectos que podem ser considerados na análise de uma proposta ampla como a feita pela Secretaria de Educação da Rede Municipal de São Paulo. Selecionei alguns com os quais tenho mais familiaridade.

Em primeiro lugar é importante assinalar que a proposta procura resgatar a conexão com princípios e conceitos importantes produzidos de longa data no âmbito dos educadores profissionais, entre eles: a discussão e a ampliação progressiva da jornada dos alunos na perspectiva da Educação Integral em tempo integral; a adoção do conceito de qualidade social da educação, tendo por base a formulação do Conselho Nacional de Educação em seu Artigo 9º. da Resolução número 4 de 2010; o envolvimento das famílias no processo educativo que também é um princípio que orienta a reestruturação proposta; o princípio da autonomia das escolas na formulação de seus projetos pedagógicos, disposto na Resolução CNE/CEB número 4 de 2010 e a gestão participativa e democrática da Educação Municipal.

Em segundo lugar, só o fato de existir uma proposta articulada e pública do que o governo municipal da capital paulista pretende fazer já é louvável. Isso não é tão frequente. No Brasil, os políticos vão para os cargos e se contentam em repetir os discursos que fizeram durante a campanha, sem detalhar como eles terão concretude durante sua gestão. Hoje temos uma proposta para discutir e para cobrar. Isso não é pouco.

               Em terceiro lugar, os problemas que a proposta procura encaminhar não são invenções ou suposições. Eles são reais. Em especial em relação à progressão continuada e suas interpretações, eles existem igualmente na rede estadual de ensino de SP e lá eles estão procurando lidar com estes mesmos limites há décadas. Portanto, temos duas redes de ensino que apresentam problemas semelhantes ao usar a mesma forma de organização do trabalho pedagógico: a progressão continuada.

               Esta é a herança que o governo Haddad recebe. No passado poder-se-ia ter seguido por outros caminhos, por exemplo, a adoção dos ciclos de formação e não a progressão continuada (e sua irmã gêmea, a aprovação automática). A progressão continuada apareceu para “abrir a porta de saída” da escola e desafogar as redes na década de 90. A crítica a este sistema está feita na academia há muito tempo. Sua implantação substituiu a reprovação explicita pela reprovação branda, ou seja, imperceptível, que se desenvolve em trilhas de progressão que não conduzem à aprendizagem – uma eliminação adiada da criança que se concretiza ao final do ciclo. Ele não tem nenhuma fundamentação nos estudos do desenvolvimento da criança e do adolescente. Foi pensado apenas para juntar as séries e retirar a reprovação de final de ano. Não propõe nenhuma mudança nos tempos e espaços da escola.

               Os ciclos de formação são mais estruturados teórica e praticamente, pois implicam em articular a escola aos tempos da vida – aproximadamente 3 anos da infância, 3 anos da pré-adolescência, e 3 anos da adolescência. Mas a tônica não é a estrutura e sim a reorganização dos tempos e espaços da escola. Penso que, pelo menos em estrutura, a mudança proposta pela Secretaria aproxima-se mais dos ciclos de formação do que da progressão continuada. Eu teria avançado em direção aos ciclos de formação e não para uma recuperação da noção de progressão continuada. Não acho que a progressão continuada seja um sistema defensável. Fico surpreendido com o grau de mobilização em torno de sua defesa, porque ele apenas transforma a reprovação formal em reprovação informal, que ocorre, para muitos, por decurso de prazo. Mas a Secretaria preferiu investir em uma distinção entre progressão continuada e aprovação automática, recuperando a primeira pela negação da segunda, e preservando uma unidade com o que já estava sendo feito. Mas a nova estrutura proposta: Ciclo de alfabetização, Ciclo intermediário e Ciclo autoral, está estruturalmente mais em sintonia com os tempos de desenvolvimento das crianças: infância, pré-adolescência e adolescência. Talvez no futuro se possa dar um salto na direção dos ciclos de formação.

               Em quarto lugar, é neste contexto que temos de analisar com cautela a questão da dependência, reprovação, boletins e notas ao invés de conceitos. A primeira reação é sempre contra tais medidas por que sabemos que em especial a reprovação não conduz a mais aprendizagem. Mas não existe só este lado da questão. A questão é como fazer a progressão continuada, que sabemos cria trilhas que acobertam a reprovação, ser de fato um sistema que ensina a todos e a cada um. A opção foi por apertar os sistemas de avaliação combinada por acompanhamento. Ou seja, tentar tornar a promessa da progressão continuada uma realidade.

               O conceito de avaliação adotado – diagnóstica e formativa – está coerente. As ações consideradas mais “duras” (reprovação, nota, etc.) têm que ser vistas dentro desta concepção maior. A proposta é ter um sistema que evite chegar até a reprovação, mas que assinala para os pais e para as crianças que ela pode ocorrer. É conhecida a queixa dos professores que operam em sistemas de progressão continuada: “não tenho como exigir que o aluno estude, pois ele sabe que vai passar de qualquer forma”. Isso não é uma invenção, é uma realidade.

               Neste sentido, e só neste, é bem vinda a recuperação de um pouco mais de autoridade do professor sobre as exigências que faz aos estudantes.

               É importante ressaltar, finalmente, que a concepção de educação infantil está corretamente formulada em minha apreciação, apesar de não ser especialista nesta área. Como está formulada, interpreto que não é objetivo da Secretaria antecipar a escolarização da educação infantil como tem sido proposto por muitos.

Continua em próxima postagem.

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RJ: greve contra bônus continua

“Os profissionais de ensino estão em paralisação desde 12 de agosto e a pauta de reivindicações inclui reajuste de 28% e o fim de bônus baseados em resultados meritocráticos a partir do desempenho obtido pelos estudantes da rede em provas aplicadas pelo Estado. Atualmente, o salário base de um professor do estado é de R$ 1.080 para uma carga horária de 16 horas semanais.”

Leia aqui.

O Rio de Janeiro é uma das primeiras cidades a incluir o fim do bônus em suas lutas sindicais. O bônus da vergonha, precisa ser questionado pela categoria.

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A experiência chilena com os vouchers

Uma série de postagens discute nos Estados Unidos  a experiência chilena com os vouchers. Os vouchers são o sonho dos reformadores empresariais americanos. Eles acreditam que o dinheiro público deve ser colocado à disposição dos pais para que estes escolham qual escola querem para seus filhos, seja ela privada ou pública. Uma vez que o pai escolhe, ele leva o dinheiro para a escola de sua preferência. Eles acham que isso cria uma competição entre as escolas e esta concorrência aumenta a qualidade de todas.

Siga os links abaixo.

A conclusão geral do estudo é a seguinte:

“Vouchers não resolvem e não podem resolver dilemas educacionais de longa data ou desafios tais como a eficácia da escola ou a equidade de oportunidades educacionais com os quais o sistema escolar americano se defronta; na verdade, na implementação universal de vouchers, Portales (2012) mostrou que estas questões foram realmente exacerbadas, em vez de ser resolvidas.”

 Abaixo estão os links da matéria em seis partes.

http://cloakinginequity.com/2012/11/04/introduction-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-i/

http://cloakinginequity.com/2012/11/06/impact-on-access-and-segregation-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-ii/

http://cloakinginequity.com/2012/11/07/student-achievement-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-iii/

http://cloakinginequity.com/2012/11/08/supporting-public-schools-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-iv/

http://cloakinginequity.com/2012/11/09/church-and-state-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-v/

http://cloakinginequity.com/2012/11/10/conclusion-are-vouchers-a-panacea-or-problematic-pt-vi/

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SP: Haddad divulga plano para o município

O Prefeito da Cidade de São Paulo divulgou o plano de trabalho para a área da educação. O link abaixo contém a proposta.

Versão sintética: http://www.sinpeem.com.br/sites/arquivos/downloads/reorganizacaocurricular2.pdf

Versão completa:

http://www.sinpeem.com.br/sites/arquivos/downloads/reorganizacaocurricular1.pdf

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RJ: greve continua

Greve de professores continua no RJ com manifestações em Copacabana. Veja aqui os motivos da greve. Fim da meritocracia (pagamento por bônus) é uma das exigências dos grevistas.

Em greve há dez dias, professores das redes estadual e municipal de ensino realizaram neste domingo um protesto na orla de Copacabana, zona sul do Rio.

Cerca de mil docentes e servidores do ensino público participaram do ato, segundo estimativa da PM. A manifestação, liderada pelo sindicato estadual da categoria (Sepe), culminou com o enterro simbólico do governador Sérgio Cabral.

Leia matéria aqui.

O Sindicato ainda divulgou nota de protesto contra o Secretário de Educação do Estado do RJ, Grisólia.

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RJ: professores contra meritocracia

Os professores do RJ fizeram a diferença ao incluírem entre as reivindicações da categoria o fim da meritocracia e seu bônus. Este é o papel que se espera seja realizado pelos sindicatos: exigir salários dignos e não aceitar migalhas dadas na forma de bônus.

A proposta de implantar meritocracia  é defendida por economistas como Cláudio Ferraz da Faculdade de Economia da PUC-RJ:

— A qualidade da escola passa principalmente pela qualidade do professor. E uma das maneiras de melhorar é criar estímulos para os docentes. É algo que pode gerar insatisfação em parte da categoria, mas, se implementado de forma correta, funciona. É um avanço até no sentido de tornar a carreira mais atrativa para bons profissionais que acabam optando por outras áreas.

Já Luiz Carlos de Freitas, professor titular da Faculdade de Educação da Unicamp, questiona a ideia de se adotar um sistema típico de empresas privadas na rede pública de ensino:

— Uma escola não é uma pequena empresa. Não é como produzir sapato, parafuso, carro. Esse sistema não conta com evidência empírica consistente disponível que ateste a sua adequação para ambientes educacionais. É mais uma fé na iniciativa privada do que ciência.

Também defende a ideia de bônus o pró-reitor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), André Brito:

— Pagar o mesmo salário aos professores indiscriminadamente é incentivá-los a dar aulas medíocres. Uma pessoa que está há anos se dedicando à profissão, preparando melhor suas aulas e atividades e buscando qualificação não pode ter o mesmo que um profissional que não tenha nenhuma dessas qualidades. Quando se fala em dinheiro, desempenho e avaliação, as pessoas começam a ficar espertas — justifica Brito, que tem acompanhado o andamento dessa política nos âmbitos municipal e estadual.

Leia toda a matéria aqui.

Estudos que refutam a tese da meritocracia podem ser encontrados aqui na seção “links para pesquisas”, na página “links” e na seção “meritocracia”.

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RJ: professores contra bônus e apostilas

A greve de professores no Rio de Janeiro continua até dia 20 de agosto, pelo menos. Além de reajustes, profissionais querem mais autonomia nas escolas e são contra gratificação por meritocracia.

Calcula-se que 80% dos docentes da rede municipal estão parados, segundo sindicato. Na rede estadual, adesão é menor. Passeata reuniu 10 mil, segundo organizadores.

O Rio tem sido cobaia dos reformadores empresariais da educação que ali testam suas receitas sem nenhuma base empírica.

Leia aqui.

Na rede municipal a crítica também inclui o apostilamento que cerceia o exercício profissional do professor:

“— O governo municipal envia cartilhas para as escolas, e os professores são obrigados a seguir. Não há como comparar alunos que moram em Santa Cruz com estudantes de Ipanema, por exemplo. Por mais que morem no Morro do Cantagalo, a realidade é outra, e eles têm acesso a bens culturais diferentes. Você tira a liberdade de cátedra, de o professor fazer o planejamento das aulas e avaliar a turma. Ele passa a ser um mero repassador de conteúdo e não pode usar um material específico para corrigir os desvios de cada turma — explica Trentini.”

Leia aqui.

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Como previsto…

“O que era para servir de avaliação do processo de ensino e aprendizagem que ocorre dentro das escolas está se tornando um manual do que e como ensinar. Um estudo apresentado nesta segunda-feira pela Fundação Carlos Chagas em parceria com a Fundação Itaú Social mostra que as provas externas feitas por governos para mensurar a qualidade de ensino são usadas por escolas como modelo de conteúdo e questão.”

Leia aqui.

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Terceirização avança: removendo travas legais

A legislação sobre terceirização está tramitando e poderá liberar a terceirização para atividades-fim, permitindo que se terceirize qualquer atividade.

“O projeto de lei que regula a terceirização no país, o PL 4.330, deve entrar em votação na quarta-feira na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça ) da Câmara após representantes das empresas, governo e deputados chegarem a um consenso e modificarem alguns pontos da proposta original feita em 2004 pelo deputado Sandro Mabel.

No texto do governo, obtido pela Folha e que deve ser adotado pelo relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PMDB-BA), não há menção expressa a um dos pontos de maior polêmica entre empresários e trabalhadores: definir e proibir a contratação de terceiros na chamada atividade-fim (aquela considerada a principal de uma empresa). Ou seja, na prática, o projeto libera a terceirização para todas as atividades.”

Leia reportagem aqui.

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Armadilha da renda média

Um dos primeiros estágios de exploração da força de trabalho é a absorção de bolsões de mão de obra barata: pessoas do campo, mulheres, entre outros. Nesta fase, os empresários não necessitam de boa educação. A tecnologia é simples e o salário é baixo, pois a mão de obra é abundante.

Quando tais bolsões diminuem, continua-se a necessitar de mais mão de obra.  Entram em cena os estrangeiros desocupados em seus países. Chegam, só em São Paulo, 30 por dia. A contínua necessidade de mão de obra pode fazer com que a renda média paga aos trabalhadores de setores inteiros da economia comece a crescer. Salários pagos são um componente fundamental na definição do lucro. Usualmente, os processos de fabricação também tendem a se sofisticar para intensificar a força de trabalho, exigindo tais processos mais educação.

Quando um país aumenta o salário médio de sua força de trabalho sem ampliar sua produtividade, os empresários ficam “desestimulados” pela queda de rentabilidade em seus investimentos  e mudam de casa. Há um limite para se ampliar a renda média dos trabalhadores, sem derrubar lucros. Daí o termo “armadilha”.

Ocorre que o aumento da produtividade é dependente de fatores importantes e que sofrem o efeito de passivos históricos: é o caso da educação. Portanto, não são de fácil e rápida solução. Mas para os empresários, os quais só agora se interessaram pela qualidade da educação, isso não conta. É preciso resolver de imediato o problema educacional para puxar o aumento de produtividade de imediato. Sem isso, dizem, perde-se competitividade internacional – ou seja, os lucros não são os esperados.

O conflito que aparece entre educadores e empresários diz respeito ao que se entende por boa educação: para os empresários é saber ler, escrever, contar e algumas competências mais que estão sendo esperadas na porta da fábrica, medidas em um teste. Se as notas aumentam, então houve melhoria. Se há mais formandos houve melhoria. Para os educadores, isso é apenas uma pequena parte da tarefa. Nota alta não é sinônimo de boa educação.

O conflito se amplia porque para os empresários – à imagem e semelhança de sua empresa – tudo é uma questão de gerenciamento. Portanto, se os educadores não dão conta de seu pedaço (leia-se atender às necessidades das empresas)  é porque não sabem gerenciar os recursos que são dados. E se as empresas já desenvolveram métodos de administração bem sucedidos para elas, porque não transplantá-los para as escolas e redes de ensino? Se eles têm a solução, os governos é claro agradecem. Eles também precisam mostrar à população que as escolas estão melhorando.

Esta urgência, que é assumida também pelos governos, ocorre porque um país que pague renda média menor a seus trabalhadores pode produzir bens e serviços mais baratos e permitir maiores lucros aos empresários: melhora a competitividade. Sem educação de qualidade não se amplia o número de formandos e com poucos formandos o salário médio sobe ao invés de descer. Lei da oferta e procura. A armadilha da renda média consiste no aumento do salário médio dos trabalhadores sem que se consiga alterar fatores de infraestrutura como educação, responsáveis pelo aumento da produtividade e simultaneamente, dispor de uma maior quantidade de formandos que reduza pressões salariais (veja a queixa do ensino médio, por exemplo).

A matéria abaixo toca nisso:

“Se não se colhe o bônus neste momento, não se colhe nunca mais. Se não se enriquece o país neste momento, é muito difícil enriquecê-lo depois. Para colher o bônus é preciso ter emprego e educação de qualidade. Os europeus, EUA, Japão, Cingapura, Coreia, China, Taiwan, todos esses países aproveitaram. O Brasil precisaria crescer ao menos 4%. Se o PIB fica abaixo de 2%, não é possível. Além do que deixamos a desejar em educação. Estamos presos à armadilha da renda média.”

Leia matéria completa aqui.

Neste quadro, os empresários estão se organizando para atacar estas questões de infraestrutura que afetam o aumento da produtividade. Vários movimentos estão se organizando há algum tempo: LIDE, Movimento Todos pela Educação e seus adjacentes, disfarçados de “especialistas em educação” organizados em ONGs e empresas de assessoramento educacional. Há um grupo mais ideológico e há outro mais operacional, o pessoal do faturamento. Não acreditam no serviço público e querem sua privatização. Na verdade ganham bem para denegrir o serviço público – mesmo sem evidência de que suas receitas são melhores.

Há portanto uma disputa pelo conceito de educação e pelos métodos de formação da juventude. Os empresários e seus apoiadores defendem uma versão instrumentalizada de educação a qual disfarçam muito bem com bandeiras como “primeiro o básico”, “os direitos da criança têm que vir primeiro”, etc. Coisas com as quais nós concordamos, mas sob outra concepção. Os educadores querem uma educação de qualidade social, voltada para os valores, para a formação humana ampla e entendem que a educação não é matéria para ser privatizada, pois é um bem público. Como tal, não pode ser entregue ao controle de um setor da sociedade, os empresários. Isso não é democrático.

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Sem segredo

“Municípios com mais baixo IDHM Educação são exatamente os que têm a maior proporção de crianças e adolescentes

O Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil 2013, lançado na semana passada, mostra que os municípios com piores indicadores em educação têm, proporcionalmente, o dobro de crianças e adolescentes do que os com os melhores índices. Nas cidades mais bem colocadas no quesito educacional do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) apenas um quarto da população tem até 19 anos enquanto nos últimos lugares mais da metade da população está nesta faixa etária.”

Leia aqui.

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Por que o ensino tem que ser público

Depender de filantropia e de empresários para financiar o ensino público é risco permanente. Empresas só investem se faturam. No sistema social vigente o faturamento pode ser cíclico por causa das crises cíclicas. Nos períodos de baixa, a filantropia e as doações somem. É o caso de Eike Batista, cujas empresas foram assoladas pela crise em que mergulharam e não podem sustentar compromissos.

“RIO – A assessoria de imprensa do governador Sérgio Cabral informou neste sábado que o fim do convênio entre a OGX, do empresário Eike Batista, e o estado para investimento em Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) não põe o projeto em risco. A interrupção da parceria foi revelada pelo jornal “O Dia”. Os recursos disponíveis eram de R$ 20 milhões por ano. A Secretaria de Segurança foi informada anteontem da rescisão e afirmou que “já se organiza para dar continuidade a todos os projetos até dezembro de 2013”. Para o ano que vem, todos os custos já entrarão no próprio planejamento orçamentário do órgão.”

Leia mais aqui.

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Quem ganha com a responsabilização?

Em tempos de Lei de Responsabilidade Educacional circulando pelo Congresso é bom que se examine sempre os resultados da Lei de Responsabilidade Educacional americana. Aqui está um texto (infelizmente em inglês) que deve ser lido.

“Nós agora sabemos que a reputação de Tony Bennett como “Mr. Accountability” era tão falsa quanto os escores de sua administração em Indiana atribuídos às escolas supostamente fracassadas. Mas este escândalo é apenas a ponta de um iceberg muito maior do que foi aquele que abriu um buraco na lateral do ensino público.

Aqui está a verdade amarga. Os testes padronizados são uma arma política e podem ser usados para contar qualquer história que você quiser. A campanha para tornar as escolas e os professores “responsáveis” pelas pontuações dos testes de seus alunos é um projeto político destinado a desviar a responsabilidade para longe de pessoas que ficaram obscenamente ricos ao longo das últimas décadas. O conceito de “falência das escolas” é falso. Escolas estão sendo fechadas, não no interesse das crianças que elas atendem, mas, a fim de criar oportunidades para novos jogadores no mercado de educação.”

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Charters: significativamente insignificantes

O National Education Policy Center revisou o estudo do  Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford publicado em 25 de junho de 2013.

Com o nome provocativo de “Os achados significativamente insignificantes do CREDO” a revisão mostra que as escolas charters privatizam a educação e não são diferentes das escolas públicas que procuram substituir. A revisão é de 16 de julho de 2013 e abaixo segue um resumo do estudo.

 “O Center for Research on Education Outcomes (CREDO) da Universidade de Stanford analisou as diferenças de desempenho dos alunos de escolas charter e escolas públicas de 27 estados americanos e de New York City. O estudo constata um pequeno efeito positivo devido ao aluno estar em uma escola charter nas pontuações de leitura e nenhum impacto sobre as notas de matemática; ele apresenta estes resultados como uma melhora relativa na média da qualidade das escolas charters desde o estudo da CREDO realizado em 2009. No entanto, há importantes razões para cautela na interpretação destes resultados. Algumas preocupações são técnicas: a técnica estatística utilizada para comparar os alunos charters com “gêmeos virtuais” em escolas públicas permanece insuficientemente justificada, e não pode controlar de forma adequada “efeitos de seleção” (ou seja, as famílias que escolhem uma escola charter podem ser muito diferentes daquelas que não o fazem). A estimativa do “crescimento” (expresso em “dias de aprendizagem”) também não está suficientemente justificada, e os modelos de regressão não conseguem corrigir duas violações importantes das suposições estatísticas. No entanto, mesmo deixando de lado todas as preocupações com os métodos de análise, o resultado global mostra que menos de um centésimo de um por cento da variação no desempenho do teste é explicável devido à matrícula ser em escolas charters. Com um tamanho de amostra muito grande, quase qualquer efeito será estatisticamente significativo, mas, na prática, estes efeitos são tão pequenos que podem ser considerados triviais.”

Ou seja, não há nenhuma razão para os países apostarem as suas fichas na privatização da educação. O modelo de mercado continua não dando os resultados prometidos pelos reformadores empresariais.

O estudo do CREDO está aqui.

E a revisão NEPC está aqui.

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Está dito…

A utilização de bônus no âmbito empresarial também tem apresentado problemas. E isso que lá há bons salários e valorização da profissão.

Carlos Alberto Antonaglia, sócio de tributos da consultoria Ernst & Young Terco, afirma que dar muito peso ao desempenho individual pode ser arriscado, por estimular a competição entre os funcionários e gerentes de uma mesma área.

“Tive dois clientes que implementaram isso e provocaram uma rotatividade maior de profissionais”, conta. “As metas individuais causaram efeitos positivos para fins de mercado, mas a cultura da empresa sofreu impacto do ponto de vista da equipe.”

Leia aqui

Quebrar a equipe escolar não é uma boa perspectiva para a educação de qualidade. Ao contrário, haveria que ter o profissional em tempo integral nas escolas para que eles pudessem se fixar e constituir equipes. O aluno é um, mas os professores que trabalham com ele são vários.

No caso da educação, os resultados produzidos com os alunos não podem ser atribuídos a um ou outro professor, pois todos trabalham com o estudante. A atitude de um professor pode melhorar a autoestima do aluno e isso afeta o trabalho de todos os professores que trabalham com aquele aluno.

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