Argentina: privatismo avança

“El PRO consiguió crear una Unidad de Evaluación Integral de la Calidad Educativa con los votos del bloque de Graciela Ocaña y del Frente Amplio Unen (FA-Unen), con la excepción de Virginia González Gass. El macrismo negoció durante todo el miércoles y la mañana de ayer hasta conseguir la adhesión del FA-Unen al proyecto, con lo que obtuvo una mayoría de 38 votos, contra los 21 del kirchnerismo y la izquierda. Todos los gremios docentes rechazaron la nueva ley: “Con este proyecto se abre la puerta al financiamiento privado y la tercerización de una instancia fundamental de la educación como es la evaluación”, indicó UTE-Ctera en un comunicado.”

Veja materia aquí.

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USA: FBI faz arrastão por fraudes em escolas charters

Uma das formas preferidas de privatização da educação americana é a criação de empresas que operam administrando escolas por concessão. São as escolas charters.

As escolas charters, agora,  estão sob a mira do FBI. Vários episódios eclodiram recentemente no país. O FBI trabalha junto com a inspeção geral do Departamento de Educação na investigação de fraudes. Um dos alvos é o clérigo turco Fethullah Gulen que administra a maior rede de escolas charters dos Estados Unidos.

Para Kristen Buras, professor de políticas de educação na Georgia State University:

“Originalmente, as escolas charters foram concebidas como uma forma de melhorar a educação pública”, diz Buras. “Com o tempo, porém, o movimento tem se tornado um empreendimento para fazer dinheiro.”

Segundo a reportagem:

“Ao longo da última década, o movimento das escolas charters transformou-se de um esforço pequeno baseado na comunidade, para promover a educação alternativa, em um impulso nacional para privatizar as escolas públicas impulsionadas pelas fundações de livre mercado e grandes empresas de gestão da educação. Esta transformação abriu a porta para os buscadores de lucro procurando uma maneira de ganhar dinheiro com fundos públicos.”

Veja matéria aqui.

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Aécio: “pai dos pobres” – II

Vicente Rodriguez, sociólogo da Faculdade de Educação da UNICAMP e estudioso do ensino médio, aponta implicações da proposta de Aécio Neves que aplica meritocracia no Bolsa Família, comentada no post anterior.

“A promessa de que destinará um reajuste de 30% sob a forma de bônus ao programa bolsa família, e no caso dos adultos ligados ao programa, somente para aqueles que fizerem cursos de formação técnica, será plena de consequências para o sistema de formação profissional brasileiro.

Entre outras consequências, a possível forte demanda a ser criada com a proposta liberal e meritocrática, na oferta de cursos de formação profissional passará a ser realizada sob a forma institucional do atual sistema.

Duas observações sobre este fenômeno devem ser colocadas;

  • A primeira, alerta para o atual modelo de formação profissional brasileiro, destaca que o peso preponderante do setor mercantil na oferta de vagas, praticamente 80%, proveem desta instância administrativa privada.

Isto significará que mais vagas serão “compradas” com dinheiro orçamentário. Operando um crescimento da realização do dinheiro público através de vagas privadas. Fenômeno este, já presente nos programas PROUNI, FIES e PRONATEC.

  • A segunda, alerta que estes recursos do sistema educativo brasileiro competem, entre si, com os recursos destinados à educação técnica profissional de nível médio do sistema (ETP). O ensino médio constitui o principal gargalo da educação nacional na atualidade.

A oferta de ensino médio técnico integrada (ETP) é a menos desenvolvida na rede, e esta política pública “prometida” conduz à sua diminuição.

Nada contra cursos emergenciais para enfrentar “apagões” de mão de obra. Mas estas observações, dirigem-se a incentivar uma discussão que coloque, as políticas públicas emergenciais, articuladas a uma resolução mais estratégica do problema da força de trabalho num projeto de desenvolvimento nacional.

As experiências internacionais demonstram, à saciedade, que os projetos de desenvolvimento que tiveram sucesso no século passado criaram uma forte educação média geral e técnica para preparar a sociedade para as necessidades econômicas e sociais do desenvolvimento nacional.

Por meio da política pública o Brasil eterniza soluções emergenciais (bônus) e seus efeitos perversos sobre o sistema educacional. Por meio das eleições eterniza candidatos que as estimulam.”

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Aécio “pai dos pobres”

A política de dar bônus é a oficialização do “jeitinho brasileiro”, por isso é que pega. Nunca funcionou, mas persiste décadas e décadas. É a ideia liberal de que pagando mais, vai. Claro, neste caso do bônus, a oficialização é feita por um nome bonito “meritocracia”. Você mereceu! Parabéns…

O pessoal do bônus está de volta na campanha do Aécio. Agora, é bônus para pobre que se comportar bem na escola. Nem mesmo direito aos 170 míseros reais o pobre vai ter. Para ganhar tem que mostrar algo, um “plus”, o qual será recompensado devidamente pois o pobre teve mérito.

A proposta é a seguinte: Aécio vai reajustar a miséria para quem for bom aluno na escola, por isso, aumentará 30% para as criancinhas pobres que estudarem. Para os adultos que fizerem cursos profissionalizantes, ele poderá ganhar até 50% mais.

Como se costuma dizer: miséria pouca é bobagem mesmo…

Você que acompanha o blog responda:

O que ocorrerá com as criancinhas na escola e com os adultos estudantes bonificados?

  1. Eles vão se esforçar mais, estudar e se qualificar mais.
  2. Vai haver fraude nos dados referentes a seu empenho na escola e no estudo de cursos profissionalizantes.
  3. Eles vão melhorar de vida.
  4. Nenhuma das anteriores

(Resposta certa: 2 – Lei de Campbell. Quando se torna um indicador social associado a um benefício material, a maior probabilidade é que o benefício corrompa o indicador social.)

Conta para ele.

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Quando o mensageiro fala mais do que deve

Tenho ouvido com frequência a metáfora da carta e do mensageiro quando se trata de apoiar o uso de testes nas políticas públicas. Várias vezes argumenta-se que os testes são apenas o mensageiro de uma situação (boa ou má) em que a escola se encontra. Dessa forma, quem pensa assim, argumenta que não devemos condenar os testes pois eles seriam mensageiros de que algo não vai bem na escola.

Aos olhos do senso comum, faz sentido. O que a metáfora esconde é que o mensageiro, os resultados dos testes, não fala somente o que alguns querem ouvir e ver. Fala mais. Fala também das políticas educacionais nas quais os testes estão inseridos.

Neste sentido, de fato, não devemos condenar os testes. E não condenamos é bom que se diga. Eles podem ter lugar nas políticas públicas, não porém no interior de políticas de testes de alto impacto que procuram envergonhar as escolas e seus professores com ranqueamentos seguidos de bônus, por exemplo. De fato, os testes de larga escala devem avaliar prioritariamente as política públicas e não uma escola em si. Com este sentido, os testes são bem vindos.

Além disso, os testes são uma forma inadequada, hoje, nas políticas atuais, de impor o conceito de que qualidade de educação se reduz a ter uma média mais alta na escola. Com isso, acreditamos que se a média aumenta meio ponto, então a educação melhorou. Não necessariamente. Até porque os testes não têm a exatidão que os leigos acreditam que ele tenha.

A questão é o que entendemos por boa educação. Isso vai muito além do que os testes podem medir.

Portanto, o mensageiro (resultado do teste) não apenas diz que uma situação indevida pode estar ocorrendo nas escolas – quando são maus tais resultados – e nem que a escola vai bem – quando são bons os resultados. Eles são portadores da notícia de que as políticas públicas adotadas e que estão estipulando os usos que se faz dos resultados dos testes, são inadequados. Notoriamente a política educacional no Estado de São Paulo, uma política que tem favorecido a meritocracia e a bonificação ao longo de uma década, associada a testes, contra toda a evidência empírica disponível cientificamente.

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SARESP 2013: pior resultado em seis anos

Está aberta a temporada dos números. Os reformadores empresariais estão presos em sua própria armadilha. Criaram processos de medição – imprecisos como sabemos – e agora estes se voltam contra sua teses, mostrando que, como aconteceu em outros países, as teorias de responsabilização e meritocracia não surtiram os efeitos esperados.

No caso do Estado de São Paulo os resultados são emblemáticos pois mostram que a educação está empacada – a não ser nas séries iniciais do ensino fundamental. Mas neste caso, a melhoria é nacional e não responde a políticas locais. Mesmo com toda a simulação de testes e controle dos professores para que se ensine o que vai cair na avaliação, o sistema está empacado.

No caso do ensino médio da rede estadual de São Paulo, o SARESP aponta que os resultados pioraram em 2013 e é o mais baixo desde 2008.  Passou de 268,4 em 2012 para 262,7 em língua portuguesa. Em matemática passou de 270,4 para 268,7.

No final do ensino fundamental, no 9º. ano, houve queda em língua portuguesa e uma leve melhoria em matemática. No entanto, mostrou estagnação nos últimos seis anos.

Segundo Mozart Ramos Neves, agora Diretor do Instituto Airton Senna, os resultados mostram a crise do modelo de ensino médio para os jovens. Ou seja, para ele, não são as políticas que estão erradas e sim o modelo de ensino – propõe mais do mesmo que já não está dando certo faz tempo. É uma forma de desconversar sobre o fracasso rotundo destas políticas de testes, ranqueamento e meritocracia em uso no Estado de São Paulo.

Logo mais virá a divulgação do IDEB.

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Tese aponta instabilidade de modelos de análise

Na linha de estudos e relatórios internacionais que apontam a instabilidade de modelos de análise estatísticos em processos de responsabilização, tese defendida por Adilson Dalben chamada “Fatores associados à proficiência em leitura e matemática: uma aplicação do modelo linear hierárquico (HLM) com dados longitudinais do projeto GERES”, confirma tais instabilidades.

O estudo, ao apontar fragilidades, não quer condenar o uso destes modelos, mas sim, alertar para o fato de que eles são instrumentos de pesquisa e análise e não podem ser tomados como base segura para definir políticas públicas de responsabilização – em especial políticas de bonificação e de ranqueamento.

Em suas conclusões, o estudo afirma que:

“Assim, dos achados das pesquisas, comprova-se que, com base nos dados utilizados, procedimentos metodológicos e modelos estatísticos adotados, os modelos de valor agregado melhoram a confiabilidade das análises em comparação aos modelos que usam dados seccionais, mas ainda são inviáveis como ferramentas para a gestão do sistema educativo, sobretudo para o uso meritocrático de seus resultados.“

O estudo logo deverá estar disponível na biblioteca virtual da Faculdade de Educação da UNICAMP.

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USA: mais um relatório pró escolas charters é derrubado

Um novo relatório sobre a eficiência das escolas operadas por concessão (charters) que pretendia demonstrar seu custo-eficácia e procurava mostrá-las como mais eficazes do que as escolas públicas regulares é derrubado nos Estados Unidos pelo NEPC. Trata-se do relatório “Revisão da produtividade das escolas públicas charters “feito por Patrick J. Wolf, Albert Cheng, Meagan Batdorff, Larry Maloney, Jay F. May, Sheree & T. Speakman do Department of Education Reform, University of Arkansas em 24 julho 2014.

Gene V Glass revisou o relatório para o NEPC em 19 de agosto de 2014 e concluiu que:

“Este relatório afirma a superioridade das escolas charters por elas produzirem mais desempenho por dólar investido. Os resultados são expressos como uma relação custo-eficácia, onde o desempenho é medido através dos pontos obtidos na Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP) e os custos são medidos na forma de “receitas recebidas.”

O relatório conclui que as escolas charters obtêm 17 pontos no NAEP adicionais por cada US$ 1000 investidos em matemática e 16 pontos por US$ 1.000 dólares em leitura [acima portanto das escolas públicas regulares].

Todas as análises são realizadas com dados de 21 estados e do Distrito de Columbia. Por causa de um comentário anterior de Baker que apontou para falhas graves na parte do “custo” desta relação [desempenho x custos], a presente revisão teve como foco o desempenho.

Os efeitos das charters quando comparadas com as escolas públicas tradicionais são estimados comparando as médias estaduais de ambas mas sem  equalizá-las em variáveis ​​demográficas, como a pobreza (elegibilidade para almoço grátis) ou o status de necessidades especiais. Não é relatado o fato de que as diferenças demográficas entre os dois setores são altamente correlacionadas com as estimativas dos efeitos diferenciais; o setor com o maior percentual de alunos pobres tem resultados mais baixos no teste NAEP.

Só esta falha já torna o relatório e suas recomendações indefensáveis. Além disso, a avaliação das despesas nos dois setores se baseia em dados não comparáveis ​​entre os estados e em dados questionáveis ​​dentro dos estados. Estas deficiências deixam pouca evidência sobre a qual poder basear quaisquer conclusões válidas.

Relatos desse tipo só podem ser vistos como uma pesquisa de advocacia [a favor das charters], em grande parte porque eles não conseguem conciliar as suas descobertas com a extensa literatura contrária aos seus achados.”

O relatório original de Patrick J. Wolf, Albert Cheng, Meagan Batdorff, Larry Maloney, Jay F. May, Sheree & T. Speakman está aqui.

A revisão feita por Gene V. Glass do NEPC está aqui.

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Campinas: subordinando o pedagógico à gestão

Apesar da pressão de alguns dirigentes da Secretaria Municipal de Educação de Campinas para as escolas “optarem” pela entrada da assessoria privada nas escolas, elas continuam a organizar-se para enfrentar tais assessorias que acreditam que a pedra filosofal da melhoria da educação é a gestão.

Com a desculpa de que não interferirão no pedagógico, prometem conter-se em alterações de gestão. O que esta visão esconde é que ela, de fato, acredita que a melhoria da educação é uma questão apenas de gestão, ou seja, para ela não é preciso mesmo mexer no pedagógico. Basta melhorar os sistemas e gerir bem (leia-se controlar os professores) e as coisas melhorarão pela subordinação do pedagógico ao controle da gestão. Com isso, a autoria e necessária autonomia do professor são prejudicadas, em nome de se cumprir metas.

Esta sistemática baseada na pressão, como já demonstramos aqui (veja-se a área chamada “segregação” neste blog) pode criar ilhas de melhoria na rede que exportam alunos de menor desempenho para outras escolas no mesmo território, aumentando os processos de segregação educacional e a formação de “guetos”. Pode ainda dar uma falsa impressão de que os índices de desempenho melhoraram, na média, mas as escolas  que atendem populações com níveis socioeconômicos menores, em si, continuam na mesma.

A tese de que a gestão é o que importa é muito antiga, remonta a 1972 quando se pretendeu instaurar o gerencialismo no sistema de ensino brasileiro, e que alguns autores chamam de “tecnicismo”. Era a vertente preferida da ditadura.

O tecnicismo parte do princípio de que os problemas da educação são antes, problemas técnicos e de gestão. Formando-se bem o gestor e dotando-o de sistemas de controle, então haverá melhoria na educação. Naquela época já não deu resultado algum, já que obtidos sob pressão tais resultados não se sustentam ao longo do tempo e geram um grande número de efeitos colaterais indesejáveis.

Esta é a razão pela qual se diz que a assessoria privada não vai mexer com o pedagógico – eles acreditam no controle do pedagógico através da instauração de uma gestão forte. Esta visão certamente vai treinar gestores autoritários nas escolas, aumentar a pressão sobre os atores da escola e ampliar o nível de atritos ao longo do tempo. Vai na direção contrária da gestão democrática, contrária à confiança nos atores escolares, contrária à sua participação.

Campinas, caminha hoje, em direção ao passado.

Mais uma escola protesta contra o retrocesso.

  FotoDulceBento

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Campinas: mais uma escola protesta

Mais uma escola da Rede Municipal de Campinas manifesta insatisfação com a contratação da consultoria privada Falconi.

FotoPeFranciscoSilva

EDUCAÇÃO SÓ É PÚBLICA COM GESTÃO PÚBLICA!

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A métrica da educação

“No momento em que os Estados Unidos rediscutem suas políticas meritocráticas no campo educacional, o Brasil atrela resultados à cobrança de desempenho dos professores. Mas, afinal, qual o impacto dessas ações para o ensino-aprendizagem?”

Leia matéria aqui.

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Lembrando Robin Williams

“Lembrando a interpretação do professor de Inglês John Keating em “The Dead Poets’ Society” Robin Williams nos leva de volta a outra época, uma época em que o professor podia ser visto como uma fonte de sabedoria e inspiração, um rebelde e um não-conformista. Aqui está o trailer. Robin Williams representou o professor como o que de melhor se pode esperar que ela seja: não apenas um homem que ensinou língua e literatura, mas um homem que mudou vidas.”

Diane Ravitch

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A correção das provas no ENEM

Matéria do Estadão, obtida pela lei de informação, revela dados sobre o número de corretores de redação que trabalham no ENEM. Segundo os dados fornecidos os corretores são monitorados constantemente e são avaliados pelo seu trabalho. Quando a sua nota, como corretor, é menor que 5, eles são trocados; quando está entre 5 e 7, entram em recuperação. A última edição do ENEM reprovou 12% dos corretores – mais do que anos anteriores. Segundo o INEP, a instituição ficou mais exigente.

Veja matéria aqui.

Mas, cabe perguntar, e quando o INEP era menos exigente, alguém foi prejudicado? Em certas profissões, a disputa no vestibular é por centésimos e o ENEM é chave.

É por isso que os especialistas em avaliação não recomendam que se decida sobre a vida das pessoas a partir de uma única avaliação pontual. Elas são falhas em vários aspectos, não só na correção. Que os técnicos consigam conhecer as falhas, não significa que as eliminam. Elas são apenas mantidas entre margens de tolerância. Mas tolerância para quem? Certamente não para o aluno que foi prejudicado.

Uma discrepância entre os dois corretores de uma prova em 100 pontos, considerada normal hoje pelo INEP, quanto impacta a nota de um estudante? Se a prova não tem alto impacto na vida do aluno, isso poderia até ser aceito. Mas, se tem, como é o caso do ENEM, não importa se falamos de um ou de mais de um estudante – para ele isso foi fundamental na sua vida. Margens de segurança não consolam o estudante que ficou sem vaga na Universidade por conta de centésimos no ranqueamento.

Os corretores são comandados por coordenadores e supervisores que monitoram se as notas são muito altas ou muito baixas e se há lentidão na correção.

“Eu vou citar a Bíblia: “pelos teus frutos te conhecerei”. Eu só posso saber se você corrige bem se você me mostrou corrigindo redações e produziu resultados adequados”, disse o presidente do INEP José Francisco Soares.”

A propósito desta objetividade, vale a pena ler o livro de Farley que mencionamos em outro post. Segundo o autor:

“…se você conhecesse o que eu conheço sobre esta indústria, você ficaria horrorizado com a ideia de um teste padronizado ser um fator decisivo no futuro de até mesmo um único estudante, professor, distrito ou estado. Eu, pessoalmente, fico absolutamente perplexo com esta possibilidade. A ideia dos formuladores de política de ignorar as avaliações dos professores nas salas de aula, os quais passam dias com seus alunos nos distritos, e ouvir a opinião de alguma indústria de teste (frequentemente empresas “lucrativas”) distante em um estado é, em minha opinião, estupidez. É jocoso.“

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A não legitimidade da Falconi em Campinas

Blog da Helena examina a situação da rede municipal de Campinas:

“Já são duas as escolas municipais de Campinas cujos profissionais se manifestaram publicamente de forma corajosa, pela rejeição à consultoria privada das empresas Falconi/Comunitas, por considera-la um retrocesso frente às formas de organização e construção da gestão escolar democrática e participativa em desenvolvimento na rede municipal: a EMEF Edson Luís Lima Souto e EMEF Prof. Zeferino Vaz.”

Continue lendo aqui.

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Pelotas suspende contrato com Falconi

Sob fogo cruzado da Câmara de Vereadores, o Prefeito de Pelotas suspendeu o contrato com a consultoria Falconi que atuaria na rede municipal de ensino daquela cidade. Mas vai recorrer ao TJ.

Veja matéria aqui.

Veja aqui outro vídeo do debate sobre o tema na Câmara de Vereadores de Pelotas.

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Campinas: escolas reagem a consultoria

Duas das dez escolas indicadas para receber a consultoria gerencial da Falconi na Rede Municipal de Ensino de Campinas reagem e aderem ao Fora Falconi.

FotoCaic

FotoEdson

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Aprender com os outros

“Eu me preocupo com o futuro da nossa sociedade [americana] quando vejo que a política educacional está sendo moldada por pessoas que não sabem nada – nada – sobre educação. Elas nunca ensinaram em uma escola. Elas nunca estudaram educação. Elas não sabem nada sobre a pesquisa. Elas são ignorantes da história, política e economia da educação. No entanto, elas sentem que sua posição de celebridade (big name) as capacita para influenciar as decisões legislativas e judiciais sobre as condições de trabalho nas escolas.

Elas fazem pronunciamentos sobre “maus professores” sem indicação de que eles saibam algo sobre qualquer professor. Vamos enfrentá-las: Se você é uma estrela de Hollywood ou um advogado de renome mundial, quantos professores são susceptíveis de existirem em seu círculo social? Quantas horas você acha que as celebridades passaram como voluntárias em suas escolas públicas locais? Será que eles sabem do que estão falando?

Imagine um talk show de televisão convidando celebridades para falarem sobre como tratar pacientes que têm certas doenças. Você não deve saber algo sobre um assunto antes de apresentar-se na televisão nacional como qualificado para comentá-lo? Os talk shows televisivos de hoje são os nossos grandes equalizadores sociais: aqueles com experiência genuína terão o mesmo tempo que aqueles que são totalmente ignorantes. O que a Britney Spears pensa sobre a estabilidade [no cargo]? George Clooney? Kim Kardashian? Beyonce? Outras nações deixam estas questões para os educadores, mas nós não!”

Diane Ravitch

Nos Estados Unidos, Bill Gates determina a política do Departamento de Educação juntamente com um punhado de fundações de grandes empresários nacionais. Eles fazem doações às escolas e aos estados e moldam a política educacional.

Existem os que operam mais ideologicamente, financiando, e existem os que faturam na esteira dos doadores, avançando para o erário público transformando a atividade educativa em um grande mercado. Ambos desenvolvem um “staff” de confiança para ocupar postos em lugares estratégicos da definição das políticas – incluindo celebridades na mídia.

Uma das ferramentas para isto, é a meritocracia dos ranqueamentos. Uma vez implementada, ela se torna a forma mais eficaz de destruir a escola pública, submetê-la à execração pública, envergonhar professores e escolas, e abrir mercado para a iniciativa privada.

Nos Estados Unidos este mapa já pode ser observado claramente e ele termina em Wall Street. É para lá que vão os re$ultado$, não para as escolas.

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Campinas: professores questionam

COLETIVO DE EDUCADORES DA REDE MUNICIPAL DE CAMPINAS

CARTA ABERTA À POPULAÇÃO

A LUTA POR UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE É DE TODOS!

No início do ano 2013, a Prefeitura de Campinas assinou um convênio com a organização FALCONI/COMUNITAS, que prevê a implantação de um modelo de gestão empresarial na rede municipal de ensino de campinas.

Nós, do Coletivo de Educadores, somos contra este convênio e a atuação de consultoria privada na gestão de nossas escolas!

Não queremos isso para a nossa rede! Então, o que nós queremos?

Queremos uma educação pública de qualidade para todos e gerida pelo poder público. E isso significa:

  • Escolas com estrutura física bem cuidada; com laboratórios de informática com equipamentos novos e acesso à internet em todos os computadores; com biblioteca funcionando em todos os períodos; salas de aula bem cuidadas, com iluminação e ventilação adequadas;
  • Escolas com quadro completo de funcionários e professores;
    • Escolas com professores com boa formação, com bons salários e com tempos adequados para prepararem e planejarem suas aulas;
    • Escolas com gestão democrática, que possibilita a participação de toda a comunidade na gestão e tomada de decisões sobre o projeto da escola;
    • Escolas com material didático e pedagógico de qualidade que contribua para a aprendizagem de todas as crianças;
    • Escolas onde os alunos são respeitados e tem garantido o seu direito de aprender.

Mas… Essa assessoria não ajudaria nisso? Não! Não é essa a intenção deles.

O que tem sido divulgado é que a assessoria irá atuar apenas na gestão administrativa das escolas com o objetivo de aumentar índices (notas) gerados a partir de provas aplicadas pelo governo (chamado de IDEB). Argumento que não se sustenta, sabem por quê?

  • Porque aumentar a nota numa prova aplicada pelo Ministério da Educação não significa ampliar a qualidade de educação. Já conhecemos casos em que a pressão por melhor desempenho em provas é tão forte, que professores e crianças adoecem, ficam deprimidos, tem síndrome do pânico. Em outros casos, para não chegarem nesse patamar, as respostas das provas são passadas para as crianças, o IDEB aumenta e elas continuam sem aprender.
  • Porque o interesse maior das empresas é sempre o lucro. Esse lucro chegará através de várias formas, inclusive da venda de materiais para as escolas, especialmente os sistemas apostilados.
  • A intervenção pontual dessas empresas não resolveu o problema de nenhuma rede. Não existem resultados para comprovarem isso. Aliás, nos EUA, que foi precursor desta política, atualmente o que mais existem são estudos mostrando a ineficácia deste tipo de política e os malefícios que qualquer um pode ter acesso a essas informações através da internet. Por isso esse convênio não resolverá também o problema das escolas de campinas!

Então, como resolveremos os problemas na educação de campinas?

Temos em nossa rede, em cada escola, Comissões Próprias de Avaliação formadas por pais, funcionários, professores, alunos e gestores que se dedicam a avaliar o trabalho realizado: a partir dos objetivos de trabalho discutidos e ações planejadas e aprovadas pelo Conselho de Escola, cada Comissão tem condições de reconhecer os problemas de sua unidade, apontar quais são os desafios que precisam ser enfrentados e quais seriam as soluções possíveis. Mas…

Como em qualquer outro lugar do mundo, para melhorar a educação é necessário investimento público por muitos anos!

A Finlândia é considerada modelo de educação para o mundo. Lá, são décadas de investimento para se chegar onde chegou!

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Alfabetização: avaliando Foz

Leitora do Blog disponibiliza artigo que trata da adoção de cartilha de alfabetização em Foz do Iguaçu e as relações com as avaliações em larga escala. Foz do Iguaçu foi festejada pelo MEC no passado pelos avanços no IDEB que em 2011 foi 7. “Trata-se de uma crítica ao Método Fônico e às avaliações em larga escala, por produzirem práticas pedagógicas que não ajudam a lidar com as variações linguísticas. “

O título do artigo é “Avaliação em larga escala e alfabetização: a adoção do método fônico em Foz do Iguaçu”. O link pode apresentar problemas, por isto disponibilizo outro que leva diretamente à tese de doutorado que motivou o artigo.

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Privatização e portadores de necessidades especiais

Recebi a seguinte observação de uma leitora:

“Estranho que, em momento algum, a questão da educação especial é abordada por você. Estou falando de uma população crescente que, na rede municipal de ensino, não dispõe de material pedagógico como, por exemplo, material em Braille. A evasão de crianças com deficiência da rede municipal é apontada pelo MEC de forma assustadora. Hoje, estão na rede particular mais que o dobro do número de crianças com deficiência em relação à rede municipal. Por que isto vem acontecendo? As deficiências são mais frequentes em crianças com maior poder aquisitivo? Não, claro que não. Deficiência em crianças tem, basicamente, uma causa: a pobreza. São os desdobramentos do estado de absoluta miséria que traz em si as deficiências em crianças. Como, então, se mantém em escolas particulares. São educadas por CARIDADE dos proprietários das escolas e nunca pelo cumprimento dos DIREITOS que estas crianças têm por uma única razão, qual seja, cidadania. Gostaria de ouvir você!”

A questão colocada merece toda a atenção. Entretanto, não tenho competência para estabelecer um debate fundamentado nesta temática. Por outro lado, é preciso preservar os objetivos deste blog para ele não perder a referência da avaliação e de seu papel no processo de privatização da escola pública.

O ponto de contato deste blog com a questão colocada é apenas indireto, ou seja, os processos de privatização em curso penalizam ainda mais as crianças com deficiência ou portadores de necessidades especiais.

O local neste blog em que esta questão aparece é na seção de Segregação. Clicando lá, vamos encontrar considerações e estudos que mostram que a privatização faz com que as escolas públicas operadas por gestão privada, nos Estados Unidos, por exemplo, tendem a expulsar tais crianças (das escolas ou dos testes) pelo fato delas terem um custo mais alto na sua formação e pelo fato de que elas terminam “derrubando a média nos testes da escola”. Efeitos semelhantes precisam ser investigados no Brasil e denunciados.

No entanto, contrariamente à situação que você relata, ou seja, de evasão dos portadores de necessidades especiais da escola pública em direção à privada, é preciso ficar atento aos efeitos que se instalarão à medida que os processos de privatização, meritocracia e testagem aumentem dentro das escolas públicas, pois com isso, as crianças com problemas de disciplina, habilidades ou necessidades especiais tenderão a ser direcionadas para as escolas que não estão com processos de privatização e meritocracia, criando bolsões de excluídos, ou ainda para determinadas escolas que adquirem tal função no próprio sistema público. Um efeito parecido no Estado de São Paulo, amante da privatização e da meritocracia,  já está identificado em estudos do CENPEC. Isso é feito por processos formais e informais de seleção.

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Campinas: frente parlamentar em defesa da educação pública

“Um grupo de parlamentares de Campinas criou nesta quinta (31/7), uma ‘Frente Legislativa em Defesa da Educação Pública’. A frente é composta pelo vereador Carlão do PT, Pedro Tourinho (PT), Paulo Búfalo (PSol), Professor Ronaldo (PCdoB) e pelo deputado federal Renato Simões(PT).

Eles acrescentaram mais documentos à Representação protocolada no Ministério Público Estadual (MPE), na semana passada, pelo vereador Carlão do PT e o deputado federal Renato Simões (PT), em que pedem a apuração da legalidade do convênio firmado entre a Prefeitura e a Comunitas-Parcerias para o Desenvolvimento Solidário. O convênio foi assinado dia 18 de abril de 2013, para implantação do projeto “Juntos pelo Desenvolvimento Sustentável”, destinado ao gerenciamento da rede municipal de ensino.

A expectativa é de que todos os parlamentares assinem a juntada de documentos ao MPE. Os novos documentos, dirigidos ao promotor Marcos Grella Vieira, da Comarca de Campinas, incluem requerimentos de informação sobre o convênio firmado entre a Prefeitura e a Comunitas e parceiros, feitos pelos vereadores Pedro Tourinho e Gustavo Petta (PCdoB), em 2013.

Os integrantes da Frente entendem que as respostas aos requerimentos indicam que a Secretaria de Educação, que seria a principal interessada, não tinha informações fundamentais sobre os serviços prestados pelos conveniados, como por exemplo quais as empresas privadas que financiariam a instituição e os valores pagos pela Prefeitura até então e no futuro. Entre os parceiros da Comunitas no convênio estão o Instituto de Desenvolvimento Social S/A Falconi, o Instituto Tellus e a Associação de Estudos de Liderança Pública (CLP).”

Matéria completa aqui.

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Enquanto isso…

Há quase dois meses que várias escolas no Rio de Janeiro, municipais, não contam com serviço de portaria. É que o contrato com a terceirizada venceu. A prefeitura diz que uma nova terceirizada deve assumir o serviço, mas que “até o final do ano, fica a cargo de cada escola decidir como substituir o serviço”.

“O sentimento de insegurança entre professores e pais de alunos é visível. Na Escola Municipal Mário Kroeff, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro, a fuga de estudantes pelos muros, que já era comum, se tornou prática diária. A entrada de pessoas estranhas, brigas e confusões, dentro e fora do local, também estão mais habituais, segundo Eduardo Serra, professor de educação física da unidade.

“Trabalhar vem sendo frustrante, pois as condições são péssimas. Estamos sobrecarregados e cada um se vira como pode, ajuda, fica um pouco na porta. Temos também uma mãe, dona de casa, que tem nos ajudado voluntariamente, mas é difícil. A segurança aqui é péssima”, diz o professor.”

Como se vê, é mais fácil responsabilizar o professor pelos resultados…

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Leitora comenta situação no Rio de Janeiro

Uma leitora envia informações sobre o que está acontecendo no Rio de Janeiro:

”A educação sob controle dos homens de negócios” se consolida. Sob o pretexto de melhorar o IDEB acumulam-se engodos como o dessa consultoria [em Campinas] e amplia-se a escalada das estratégias de negócios e modismos na educação. As avaliações de larga escala, por exemplo, parecem estar entrando em uma nova fase, avançando, para além da medição de habilidades cognitivas para a medição de “habilidades não cognitivas, ou socioemocionais”.

O Instituto Ayrton Senna em parceria com a OCDE, Mec e Secretaria de Educação do Rio de Janeiro, desenvolveu um estudo junto à rede de escolas do Rio para mensurar o desenvolvimento socioemocional dos alunos e relacioná-lo com o desempenho educacional/cognitivo. Dizem os idealizadores do estudo que a intenção é apoiar políticas públicas preocupadas em preparar as crianças para os desafios do século 21.

Tenho procurado entender melhor o assunto e temo que avaliar atributos de personalidade, como perseverança, extroversão, autocontrole, entre outros, possa se transformar em estratégia de reforço à exclusão.

Os instrumentos que o Instituto A. Senna usou com alunos da rede escolar do Rio de Janeiro se baseiam em aspectos psicométricos utilizados correntemente em setores de RH das empresas e corporações. Ou seja, são atributos desejáveis para o mercado de trabalho. Mas, se utilizados para mensurar alunos em fase de escolarização e em larga escala, como evitar que se tornem fatores de exclusão desde a escola?

Economistas de plantão e “intelectuais” ligados a grupos empresariais estão puxando a conversa, defendendo que é possível também medir esses traços, porque eles têm impacto no sucesso escolar e vida futura; que contribuem para melhorar o ambiente escolar e para a formação da identidade e projetos de vida.

O MEC e a Capes estão envolvidos na discussão. A Capes lançou uma linha de pesquisa para incentivar as universidades a abrirem espaço para pesquisas nessa área, com distribuição de bolsas de estudo.

Tem um economista americano (James Hackman) trabalhando com a OCDE que diz que os testes de larga escala corromperam os sistemas educacionais ao induzir gestores, professores e alunos a desenvolver o ensino e a aprendizagem a partir dos testes e que o importante é mostrar quais habilidades são mais importantes para a vida e o quanto elas impactam na aquisição de conhecimentos.

Como a intenção dos economistas e empresários ocupados com a questão é influenciar as políticas públicas, acho que devemos ficar atentos.”

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Campinas: projetos antagônicos em jogo

O Blog da Formação do Professor analisa os projetos em jogo na contratação de assessorias privadas em Campinas (SP).

Falconi e educadores: dois projetos antagônicos

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Campinas revela “ligações perigosas”

Em um total desconhecimento da capacidade existente no interior da rede municipal de educação de Campinas, o prefeito Jonas Donizetti contrata empresa de consultoria para melhorar o IDEB.

A medida revela o total desconhecimento sobre como se introduzem inovações e melhorias no âmbito da educação. Trata-se de gasto que não reverterá em benefício para o município, como mostra a literatura em outros espaços que utilizaram a mesma abordagem. Contratam-se “soluções” sem pensar nas consequências e sem levar em conta as evidências. Os recursos públicos que deveriam ser destinados às escolas, acabam indo para o bolso de empresários que operam no mercado educacional. Esta drenagem contribui para a piora da educação pública a qual alimenta o ciclo vicioso da privatização.

A contratação, no entanto, contribui para esclarecer uma série de ligações perigosas que marcam a constituição do bloco dos reformadores empresariais no Brasil e a constituição, em paralelo, do mercado educacional operado por empresas, fundações e ONGs ligados ao ideário dos reformadores. As mesmas figuras que aparecem em um campo, tendem a aparecer no outro. Nos Estados Unidos este mercado é de quase 1 trilhão de dólares. E por aqui, vem pre-sal…

A empresa contratada em Campinas tem ligações históricas com Jorge Gerdau, o atual presidente do Movimento Todos pela Educação que antes de ser chamado por Dilma chegou a presidir o grupo INDG ao qual está ligada a atual consultoria. Aécio Neves a contratou também para o tal “choque de gestão” de Minas. À época tinha o nome de INDG e após mudou para Falconi. Só no governo federal o faturamento da Falconi foi de quase 60 milhões de reais, sem contar o faturamento em Minas com Aécio.

Gerdau entende que a varinha mágica da iniciativa privada quando toca quaisquer setores do serviço público o transforma, lhe dá eficiência. Anda pelos governos estaduais abrindo frentes para projetos financiados por empresários. Trabalha de graça para Dilma, sem salário. Não precisa. A questão é que ele é uma ponta de lança ideológica que abre o mercado abaixo dele. Sobre isso já falamos neste blog (veja aqui e aqui).

A empresa contratada em Campinas é a mesma que foi recusada no RS (veja matéria aqui). Veja também aqui matéria completa sobre o contrato em Campinas.

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COLE aprova moção de repúdio

O Congresso de Leitura promovido na UNICAMP pela Associação de Leitura do Brasil aprovou a seguinte moção.

 Moção de repúdio à atuação da empresa de consultoria privada Falconi junto à Rede Municipal de Ensino de Campinas

A assembleia geral da ALB – Associação de Leitura do Brasil – vem a público manifestar o seu repúdio ao ataque à educação pública representado pela parceria firmada entre a Secretaria Municipal de Educação de Campinas e a empresa Falconi – Consultores de Resultados. O convênio tem por objetivo a transferência do modelo de gestão empresarial para o serviço público.

O plano de trabalho da Falconi junto às escolas da Rede Municipal prevê a realização de diagnósticos dos problemas das unidades, a definição de metas, o acompanhamento das ações dos educadores para a consecução das metas, a padronização de procedimentos identificados como exitosos. Em tal modelo os indicadores de qualidade se restringem as variáveis do âmbito interno das escolas e a seus sujeitos, silenciando sobre as responsabilidades do poder público. Negando a complexidade do processo educativo escolar, o choque de gestão privada elege como principal indicador de qualidade os índices de desempenho dos alunos em testes de avaliação padronizados. O modelo sustenta a imposição de metas definidas por técnicos sem a participação da comunidade escolar, metas estas que não contemplam quaisquer indicadores que não possam ser mensuráveis.

Na lógica da gestão privada são descartados princípios caros à história da Rede Municipal de Ensino de Campinas tais como a gestão democrática e a formação humana concebida de forma ampla. Os valores do mercado – eficiência, produtividade, competitividade – substituem os valores que sustentam a esfera pública e dos direitos: participação, solidariedade, co-responsabilidade na qualificação do espaço público.

Os educadores da Rede Municipal de Campinas vêm se empenhando no fortalecimento do caráter público da educação oferecida na Rede Municipal através do trabalho coletivo de construção dos projetos político pedagógicos nas unidades, das diretrizes curriculares das diferentes modalidades de ensino, da avaliação institucional participativa. A qualificação da educação pública também se dá através da participação dos docentes em várias frentes de formação continuada e na luta pela implementação da Lei do Piso, mediante a instituição de uma jornada condizente com as atribuições docentes. Essa história e o amplo leque de variáveis envolvidas na construção de uma escola pública de qualidade social são desqualificados pela Falconi quando a empresa propõe um projeto de trabalho sustentado na ideia de que a solução para os problemas educacionais restringe-se à simples aplicação de um modelo de gestão de resultados. Estudos acadêmicos e as experiências de várias redes de ensino têm demonstrado que parcerias como a firmada entre a empresa Falconi e a Secretaria Municipal de Educação de Campinas representam a abertura dos serviços públicos aos interesses do mercado, resultando num grave ataque à educação pública.

É por todo o exposto que, reunidos em assembleia geral, repudiamos a parceria em questão.

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19º. COLE: alfabetização “pré-fabricada”

A décima nona versão do Congresso de Leitura promovido pela Associação de Leitura do Brasil na Unicamp que encerrou no dia de ontem criticou em uma de suas atividades a “alfabetização pré-fabricada”. O renomado educador Ezequiel Theodoro da Silva da Faculdade de Educação da UNICAMP afirmou que:

“Você tem uma série de prescrições e disciplinamento de metodologias pré-fabricadas para alfabetizar e os resultados não são os melhores. Segundo Ezequiel quando o professor recebe uma carga como cartilhas e metodologias prontas ele se torna um mero repetidor de conteúdos.”

Cartilhas e apostilas têm se tornado cada vez mais frequentes nas redes de ensino contribuindo para a desqualificação dos professores que passam a ser dependentes de tais materiais. Sua proliferação se dá a partir da transferência do pensamento empresarial para a educação, baseado na padronização de processos. O produto mais visível disso são as apostilas e a constante ênfase nos processos de gestão.

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Campinas segue o caminho de Pelotas

A mesma empresa que está sendo questionada em Pelotas, está agora sendo chamada para analisar o sistema de ensino de Campinas e introduzir melhorias. Na cidade, a administração municipal é do PSB de Eduardo Campos, partido que é organicamente comprometido com ações de privatização na área da educação.

Esta mesma empresa cobra em Pelotas mais de dois milhões de reais para analisar 20 escolas do sistema de ensino municipal. Em Campinas ela envolverá 10 escolas. Aqui o contrato é mais amplo envolvendo outros setores da Prefeitura.

O Coletivo de Educadores da Rede Municipal de Educação de Campinas tem mais informações.

Aqui, os vereadores Renato Simões e Carlão entraram com representação junto ao Ministério Público, seguindo o caminho de Pelotas.

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Pelotas: video sobre consultoria

A cidade de Pelotas através da sua Câmara Municipal de Vereadores questiona a contratação de empresa de consultoria para aumentar o IDEB do município. Em post anterior, tratamos isso.

Recebemos um link para o vídeo em que o vereador Marcus Cunha questiona, na Câmara, a contratação.

No vídeo o vereador questiona se a Secretaria de Educação de Pelotas não tem competência para encaminhar os processos de melhoria dos índices do IDEB. Se o Secretário não tem liderança suficiente para conduzir o processo. Se não há outras instituições na cidade que poderiam estar nessa empreitada. Até mesmo coloca em questão se é através da melhoria dos índices do IDEB que devemos procurar assegurar a melhoria da qualidade da educação.

Em sua argumentação diz:

“A empresa contratada tem atuação em todos os segmentos… É uma empresa especializada em quase tudo. Ela é especializada em Alimentos, especializada em Comunicação, em Construção, especializada em Esportes, Sistema Financeiro, Médico Hospitalar, Papel e Celulose, uma empresa especializada em Química e Petroquímica, Saúde Pública, Segurança Pública, Siderurgia e Metalurgia, Varejo, sendo que no próprio quadro apresentado, o que ela menos faz é Ensino, 2%…”

 Vale a pena ver.

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TRF: pelo ensino público gratuito

Baseado em ação impetrada por uma estudante, o TRF reafirmou que os cursos de especialização nas universidades públicas não podem ser pagos.

“A 6ª turma de desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, localizado em Brasília, decidiu, por unanimidade, considerar como “ilegítima” a cobrança de mensalidades nos cursos de pós-graduação em nível de especialização e MBA (da sigla em inglês, Master Business Administration) realizados em universidades públicas.”

“O juiz federal Urbano Leal Berquó Neto cita em sua sentença que “o fato de a Constituição não impor [às universidades] a oferta do curso de especialização não afasta sua característica de ensino público. Mesmo que ele não se enquadre como de prestação obrigatória pelo Estado [uma das principais alegações defendidas pelas universidades na defesa pela cobrança], todo ele, quando prestado em estabelecimento oficial, há de ser gracioso [gratuito]“.”

A decisão serve para ajudar, se não for derrubada, a conter a mercantilização do ensino em ambiente público.

Veja matéria completa aqui.

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