SINPRO DF questiona meritocracia

 O 10º Congresso do SINPRO DF questiona a meritocracia. Examinamos hoje no Congresso do Sinpro DF os impactos da meritocracia na organização dos trabalhadores da educação, seja do ponto de vista profissional, seja do ponto de vista organizacional, mostrando como esta políticas são apenas a ponta do iceberg de um conjunto muito maior de políticas públicas destinadas a destruir o ensino público.

Acesse aqui.

Publicado em Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

USA: testes em queda livre

Nova pesquisa mostra que o público americano recua e rejeita as políticas dos reformadores baseadas em testes-e-punição. Os dados são da pesquisa anual Gallup/Phi Delta Kappan, publicadas hoje pela organização FairTest. Os resultados são um forte alerta para o INEP e suas políticas de testagem, bem como para grande número de estados que apoiam as políticas de pagamento e ranqueamento com base em testes. Também saem mal na pesquisa as propostas sugeridas por Aécio Neves em seu programa de campanha.

A pesquisa de opinião divulgada conclui:

“os americanos se opõem fortemente ao ranqueamento de alunos, professores e escolas com base em notas de exames padronizados. A pesquisa de 2015 da Phi Delta Kappan/Gallup Poll de “Atitudes do público em relação a Escolas Públicas” é a 47ª pesquisa anual promovida pela revista educacional junto com uma das empresas de enquetes mais experientes do país.

“A pesquisa mostra claramente que a maioria dos americanos estão fartos do uso excessivo obrigatório e indevido de exames padronizados”, explicou Bob Schaeffer, Diretor de Educação Pública do Centro. “O público se opõe ao ranqueamento de estudantes, professores e escolas com base em resultados de testes padronizados.”

O diretor executivo Monty Neill acrescentou:

“Estes resultados são uma forte rejeição da estratégia de testar-e-punir subjacente à lei “No Child Left Behind” e muitas políticas estatais. Os membros do Congresso precisam ouvir os seus eleitores e eliminar de leis federais, tanto o volume de teste como as sanções com base em teste. Legislaturas estaduais também precisam reduzir os testes exagerados.”

Outros resultados da enquete:

  • “Quase dois terços (64%) dos americanos acham que as crianças são submetidas a muitos testes padronizados. Isso é majoritário em todos os principais grupos demográficos (negros, hispânicos e brancos), bem como em todos os partidos (Republicano, Democratas e Independentes) [Pergunta 2].
  • O teste foi o último a ser considerado uma medida precisa da eficácia da escola [Perguntas 3 e 5].
  • A maioria dos alunos se opõe a incluir os resultados dos testes padronizados como parte da avaliação de professores [Pergunta 9].
  • Uma variedade de pais com filhos na escola pública (47%) apoia permitir aos estudantes optar por sair dos testes padronizados [Pergunta 4].”

Veja aqui um resumo da pesquisa.

Veja aqui a pesquisa completa.

Publicado em Avaliação de professores, Avaliação na Educação Infantil, Exame para alunos de 8 anos, Ideb, Janine no Ministério, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability, Saresp | Deixe um comentário

Antonio Gois: política de bônus

Adotada em ao menos 13 estados, avaliações nacionais são poucas e inconclusivas.

“No Brasil, um dos poucos trabalhos já publicados é de autoria de Scorzafave e Cláudia Oshiro. Eles concluíram que, no estado de São Paulo, os bônus geraram ganhos de aprendizado no 5º ano, mas foram nulos no 9º ano, quando os alunos completam o ensino fundamental. Cláudio Ferraz (PUC-RJ) e Barbara Bruns (Banco Mundial) encontraram o oposto ao avaliarem o caso de Pernambuco: impactos positivos no 9º ano, porém nulos no 5º. Para o município do Rio, outro estudo apresentado na reunião da Abave — de Fátima Alves, Gregory Elacqua, Matías Martínez e Humberto Santos — foi também inconclusivo a respeito do impacto da política nas escolas da prefeitura.”

Leia texto completo aqui.

Já apresentamos também uma série de estudos sobre pagamento de bônus. Como já dissemos, bônus é uma política que nunca funciona e nunca morre.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

USA: reformas derrubam formação de professores

Carol Burris informa que há uma grave crise nos Estados Unidos que está afetando o recrutamento de jovens para a profissão de professor e reúne uma série de evidências. Entre elas as apontadas por Eric Westervelt:

“Em vários estados tem havido quedas alarmantes no número de matriculados em programas de formação de professores. Os números são sombrios entre alguns dos maiores formadores de novos professores no pais: na Califórnia, a inscrição é até 53 por cento menor nos últimos cinco anos. E cai agudamente em Nova York e no Texas também. Na Carolina do Norte, a matrícula teve uma queda de quase 20 por cento em três anos.”

California, Nova York e Texas estão entre os Estados americanos que fazem uso pesado das reformas empresariais na educação. A própria Lei de Responsabilidade Educacional americana nasceu no Texas quando Bush era governador do Estado.

As evidências de Burris ainda revelam que no distrito escolar de Rio Rancho no Novo México, em Albuquerque, no início do ano letivo ainda se precisava desesperadamente de professores. Os alunos de 33 salas de aulas foram atendidos por substitutos. Segundo a Superintendente local, Sue Cleveland, é uma tendência que fica pior a cada ano:

“Ela disse que poucos estudantes universitários estão optando pelo campo do ensino e os professores estão se aposentando mais cedo, agravando o problema. Cleveland disse ao conselho que nos primeiros dias do ano letivo de 2010-11, havia sete cargos de ensino vagos. O número tem aumentado todos os anos.”

No Arizona, faltam 1.000 postos de trabalho. Em Nevada a situação não é melhor. Mesmo que todos os estudantes dos cursos de preparação de professores fossem para as salas de aula, ainda não seria suficiente. Só no distrito de Clarke faltam 2.600 professores.

Em Oklahoma, a escassez atingiu proporções de emergência e apelou-se para trazer professores de Puerto Rico e da Espanha como professores bilíngues. O estado é um dos que menos pagam. Em dois anos o número de solicitações para “certificação emergencial” de professores saltou de 97 para 499. Na California a crise também é grande.

Para alguns, esta crise se deve a uma combinação de fatores entre baixa matricula nos cursos de formação e problemas relacionados com a recessão.

No entanto, há mais. Um dos efeitos perniciosos das reformas empresariais da educação baseadas na culpabilização dos professores e dos métodos empresariais  de pressão sobre esta categoria, é o abandono e/ou desestímulo para entrar na carreira de professor.

O que se vê na experiência americana é que o pagamento de bônus que na visão dos reformadores deveria chamar jovens talentosos para a profissão ao receberem diferenciadamente de acordo com seu desempenho, não se concretizou.

Eric Westervelt afirma que:

“Há, é claro, os programas alternativos de certificação de professores em todos os EUA, incluindo a Teach for America. Mas a TFA, também tem tido grandes quedas nas matrículas nos últimos dois anos.”

A TFA é uma ONG que forma professores em seis semanas sustentada com dinheiro que inclui financiamento privado oriundo de Fundações da Família Walton e de Bill Gates. Foi uma forma improvisada de aumentar os quadros de professores para atender a demanda por mais professores e com salários mais baixos. No entanto:

“O grupo [TFA], que tem procurado transformar a educação em estreito alinhamento com o movimento das escolas charters, alertou as escolas que o tamanho de seu corpo docente poderia cair em até um quarto e fechou dois dos seus oito centros de formação nacional de verão, situados em Nova York e Los Angeles.”

Com as políticas dos reformadores, os professores são acusados de não ensinar seus alunos a despeito das condições externas e internas de funcionamento das escolas, sendo submetidos a toda sorte de recriminações públicas na mídia e a métodos de controle que cada vez mais engessam seu trabalho e o desqualificam.

Nosso post recente sobre a situação do Estado de Pernambuco é um exemplo. Alí recuperou-se um degradante “diário de classe” agora em formato eletrônico. Nos Estados Unidos os professores convivem com tais situações há mais tempo. Se as metas não são atingidas, professores são demitidos, escolas fechadas ou terceirizadas para a iniciativa privada. Os impactos vão se estabelecendo: diminui o interesse nacional pelo ingresso na profissão de professor, pais retiram seus filhos dos exames nacionais de larga escala, gestores advertem para os graves efeitos colaterais das medidas.

Há vários fatores que conduziram a esta situação. As opiniões, no entanto, colocam grande responsabilidade por esta situação nas reformas empresariais da educação. Carol Burris, da Rede em Defesa da Escola Pública, afirma em seu relatório que:

“No início deste ano, a NPR também informou sobre a escassez nacional de professores. A identificação da causa feita por Eric Westervelt vai além da suspeita habitual – a economia. Observando a queda dramática no número de matrículas em programas de formação de professores (uma queda de 74% em menos de 10 anos na Califórnia), ele astutamente atribuiu o problema, pelo menos em parte, à forma como as reformas empresariais têm impactado a profissão.

Westervelt, relata que a Base Comum (Common Core) e suas batalhas; os testes de alto impacto, a erosão da estabilidade, bem como a avaliação dos professores por pontuação de testes, têm contribuído para a crise.

Isto não é nenhuma surpresa para aqueles que estão na profissão. David Gamberg é o superintendente dos distritos Greenport e Southold no extremo leste de Long Island. Ele está muito preocupado com o fato de que o ambiente político hostil em relação aos professores está contribuindo para a escassez de profissionais que estamos vendo hoje. “Eu suspeito que uma série de questões conspiram para agravar o problema. Certamente, o ataque nacional em curso contra os professores e sindicatos está perto ou no topo da lista dos fatores que afasta as pessoas “.

O que Gamberg suspeita está de acordo com a evidência. Há histórias frequentes sobre professores de escolas públicas que estão deixando a profissão ou aposentando-se antecipadamente por causa das barreiras ao trabalho em um ambiente de “teste e punição”. Uma pesquisa da NEA de novembro reporta que cerca de 50% de todos os professores estão considerando sair da profissão devido a testes padronizados. Igualmente preocupante é a frequência com que os educadores estão desestimulando os jovens a ingressar na profissão.”

E conclui:

“Se queremos mudar essa tendência, precisamos agir agora não só para parar os ataques contra os professores e a estabilidade no trabalho, mas também parar com os sistemas de avaliação destinados a demitir professores baseados em métricas que ninguém entende. E não podemos esquecer a questão de remuneração e condições de trabalho.

É tempo de que os responsáveis políticos voltem atrás e tracem uma rota diferente. Não faz sentido agarrar-se a reformas falidas. Quando as aulas começam, estudantes de todo o país pagam um preço elevado.”

No Brasil constrói-se no INEP o sistema de credenciamento de professores, disfarçado de Prova Nacional de Concurso. Ao mesmo tempo, ampliam-se as perspectivas de se fazer cada vez mais uso das ideias dos reformadores empresariais na educação. Poderemos ter também a liberação no futuro da formação de professores para ONGs, seguindo o caminho da TFA que mencionamos acima, com a justificativa de que para exercer a profissão precisará fazer a prova de credenciamento. Se passa, então está apto, não importando onde foi formado. Tudo isso já foi aplicado, não melhorou a educação e gerou mais problemas colaterais do que solução.

As consequências negativas das políticas de pressão sobre professores a partir de estratégias formuladas pelos reformadores empresariais estão cada vez mais claras. É hora de pensarmos se este é o caminho que de fato queremos para a educação brasileira.

Publicado em Avaliação de professores, Escolas Charters, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | 3 Comentários

Pernambuco: atraso pedagógico inédito

É surpreendente que um dos Estados destacados do nordeste (que nos brindou com um dos mestres mais respeitados mundialmente, Paulo Freire) esteja sendo vítima de um grave atraso pedagógico que marcará gerações de professores e estudantes. O site da Secretaria da Educação do Estado de Pernambuco divulgou um novo sistema de controle da atividade didática do professor e de registro de frequência dos alunos. Trata-se da recriação de procedimentos de controle que já se julgavam superados desde que o tecnicismo pedagógico perdeu força ainda nos anos 70. Chamam-no de “Sistema de Fortalecimento das Aprendizagens”:

“A ação de Fortalecimento das Aprendizagens tem como principal objetivo apoiar os estudantes do ensino fundamental, anos finais, e do ensino médio da Rede a fim de que os mesmos melhorem seu desempenho escolar e superem as principais dificuldades referentes à aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática.

Cabe, portanto, ao professor do Fortalecimento das Aprendizagens identificar as principais dificuldades da sua turma, analisar os resultados do desempenho com o objetivo de promover intervenções pedagógicas adequadas, além de articular as atividades desenvolvidas nas aulas aos conteúdos, descritores que os estudantes demonstram ter dificuldades e os documentos curriculares.”

O sistema é todo informatizado. O manual para o professor pode ser acessado aqui. Uma tela de consulta permite ao professor baixar todos os instrumentos de controle didático que vão desde os Cadernos metodológicos para matemática e português (fundamental e médio), bem como o conteúdo por bimestre, padrões de desempenho, parâmetros curriculares e parâmetros para a sala de aula. As aulas são todas registradas no sistema, uma a uma, com data e número de identificação, bem como escola, turma e série. É na verdade a recriação do antigo “diário de classe” em sua forma eletrônica.

Este é o grau de refinamento que devemos esperar doravante sobre o professor, alunos e o ambiente da sala de aula, motivados por uma grande corrida para nenhum lugar. Trata-se de um sistema que interage com o professor como se ele fosse medíocre e irresponsável, predefinindo sua atuação. Desqualifica-o e o transforma em um mero seguidor de instruções. Não deve pensar.

O que temos é uma máquina de preparar para as provas com o nome de Fortalecimento de Aprendizagens em Português e Matemática. Nem o maior e mais radical tecnicista dos anos 70 imaginaria um grau de controle tão elevado sobre a atividade docente como o atualmente em curso na Secretaria da Educação de Pernambuco.

Trata-se o ensino e a aprendizagem como uma linha de produção na qual o professor é um mero instrumento de obtenção de padrões previamente definidos para a sala de aula, num momento em que países já se preparam para dar saltos pedagógicos muito mais arrojados baseados no ensino por áreas ou “ensino por conjunto de fenômenos”.

Corre-se em Pernambuco, atrás da elevação de médias de desempenho em duas disciplinas como se isto fosse sinônimo de boa educação, um atraso que se imporá a gerações e gerações de estudantes pernambucanos.

À medida em que as teses dos reformadores empresariais forem sendo convertidas em legislação de responsabilização, estas ações deverão explodir, apoiadas pela atuação do mercado de empresas da área educacional e de políticos ávidos para exibir nos programas eleitorais da mídia a melhora nas médias de português e matemática – não importa se às custas do emburrecimento de professores e estudantes.

Quando esta onda passar, no futuro, tais procedimentos provocarão muita risada, mas neste momento, não há nada de divertido nesta reinvenção do taylorismo pedagógico pernambucano. E logo na terra de Paulo Freire.

Publicado em Estreitamento Curricular, Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | 9 Comentários

Condições das escolas: também uma desculpa?

Um grupo criativo de pesquisadores aplicou a TRI – teoria da resposta ao item –  no cálculo da “proficiência” da infraestrutura das escolas brasileiras com informações do Censo Escolar da Educação Básica de 2011. Pouco divulgado, ele foi publicado em 2013. Participaram do estudo Dalton Francisco de Andrade, um dos maiores pesquisadores da TRI no Brasil; Joaquim José Soares Neto, ex-presidente do INEP; Girlene Ribeiro de Jesus e Camila Akemi Karino.

O que se constatou foi que apenas 14,9% das escolas brasileiras têm infraestrutura adequada para o ensino, ou seja, as escolas deste nível, em geral, possuem uma infraestrutura mais completa do que os níveis anteriores (elementar e básica), o que permite um ambiente mais propício para o ensino e aprendizagem. Essas escolas possuem, por exemplo, espaços como sala de professores, biblioteca, laboratório de informática e sanitário para educação infantil. Há também espaços que permitem o convício social e o desenvolvimento motor, tais como quadra esportiva e parque infantil. Além disso, são escolas que possuem equipamentos complementares como copiadora e acesso  à internet.

O estudo ainda constatou que somente 0,6% tem um estrutura considerada avançada, ou seja, as escolas neste nível, além dos itens presentes nos níveis anteriores, possuem uma infraestrutura escolar mais robusta e mais próxima do ideal, com a presença de laboratório de ciências e dependências adequadas para atender estudantes com necessidades especiais. Veja resumo do estudo abaixo.

“Promover a educação requer a garantia de um ambiente com condições para que a aprendizagem possa ocorrer. É importante proporcionar um ambiente físico, aqui denominado infraestrutura escolar, que estimule e viabilize o aprendizado, além de favorecer as interações humanas. Este artigo apresenta uma escala de infraestrutura escolar que foi construída utilizando como ferramenta a Teoria de Resposta ao Item e baseando-se em informações referentes às escolas obtidas no Censo Escolar da Educação Básica 2011. Foram estabelecidas quatro categorias: Elementar, Básica, Adequada e Avançada. Com base na escala, foi feita uma análise comparativa da infraestrutura escolar por região do país e por dependência administrativa. Acreditamos que os resultados obtidos podem ser úteis para orientar as políticas públicas de educação e para fundamentar estudos futuros sobre o impacto das condições materiais das escolas na qualidade do ensino.”

Baixe aqui o estudo completo.

O estudo é o melhor antidoto para estas falas feitas por reformadores dizendo que não falta dinheiro na educação, e sim falta gestão, empenho dos profissionais da educação. Recentemente, Viviane Senna defendeu ser uma desculpa considerar a interferência da pobreza na aprendizagem.

Agora estamos vendo também que é nestas condições das escolas que se pretende intensificar a pressão sobre os professores, estudantes e gestores com processos meritocráticos.

Não bastam os efeitos negativos das condições de vida dos estudantes fora das escolas, somam-se a estas as condições internas de infraestrutura das escolas brasileiras. Isto também é desculpa?

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | Deixe um comentário

Nenhuma consultoria para trás

Nos Estados Unidos há uma lei que se chama “Nenhuma Criança deixada para Trás”. A ideia foi obrigar as escolas a ensinar todas as crianças. Não funcionou e acabou virando chacota. Uma destas é ser chamada de “Nenhuma Consultoria deixada para Trás”. Isso porque, apesar de não ter funcionado com as escolas, serviu para engordar o orçamento de uma série de empresas educacionais que operam com consultoria educacional e avaliação.

No Brasil, este movimento está começando. Mostrei aqui em alguns posts recentes como uma série de personagens que passaram pelo governo, estão agora, fora dele, defendendo a privatização. Vários personagens da história da implementação de políticas de responsabilização no Brasil, quando deixam o governo, temos depois aparecem em empresas de assessoria educacional, Institutos etc. No governo, difundem e criam formas de fixar suas ideias privatizantes e criar mercado educacional, fora do governo, integram o corpo diretivo e acadêmico de empresas privadas educacionais.

Algo semelhante acontece também com o setor financeiro e até se criou uma regra chamada de “quarentena” que obriga as pessoas que saem deste setor a não integrar nenhuma empresa por um determinado período (curto) de tempo. Não serve para nada, mas atesta a preocupação.

Além de Ricardo Paes de Barros, hoje no Instituto Airton Senna, e que mencionei em post anterior, é o caso de outros dois personagens que ocuparam cargos no INEP e que hoje estão ligados a empresas. Um deles, Reynaldo Fernandes, conhecido como mentor do IDEB, recentemente apareceu defendendo as Escolas Charters e a privatização. Entre 2005 a 2009, Reynaldo foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no Ministério da Educação e implantou o IDEB para as escolas públicas. Atualmente, ao mesmo tempo em que defende a privatização, pertence à iniciativa privada educacional. O outro é Amaury Gremaud que à época em que Reynaldo ocupava a Presidência do INEP, era Diretor de Avaliação da Educação Básica entre 2006 e 2008, portanto também trabalhou na implantação do IDEB.

Estes dois últimos, hoje, compõem o quadro da empresa de assessoria educacional chamada METAS avaliação e proposição de políticas sociais:

“A METAS elabora e avalia políticas sociais. Dispõe de produtos desenvolvidos internamente e customizados de acordo com o cliente, bem como atende às demandas de projetos personalizados para as necessidades de cada cliente. A empresa inova o conceito de consultoria na área de economia. O foco de atuação está em temas como educação, saúde, violência e desenvolvimento urbano.”

Note: não há nada demais em ser da iniciativa privada e defender tais ideias. Isso não diminui em nada estas pessoas. É uma atividade legítima. Mas é claro que têm uma visão de mundo e uma experiência que está muito distante da problemática diária das escolas públicas. São economistas, estatísticos entre outros e não profissionais da educação com experiência na área. E um detalhe: não sabem ouvir.  Suas ideias quando estão no governo, queiramos ou não, contribuem para criar um mercado educacional que depois é atendido por empresas privadas.

Publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Falta de verba cancela a ANA

Preferiram cancelar a Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) que tem formato censitário (ou seja, é aplicada a todas as escolas) a fazê-la amostral (ou seja aplicada a um grupo de escolas menor mas representativo). Seria muito mais barato. As avaliações da educação básica não precisam ser censitárias (e caras) para orientar política pública. Basta que se façam avaliações amostrais e pode-se perfeitamente, com isso, ter uma ideia adequada de como está o desenvolvimento da educação básica.

Ocorre que em seu formato amostral, não se pode fazer rankings de escolas e nem controlar as escolas uma a uma, com políticas de responsabilização. Para este propósito, só fazendo avaliação censitária. E como a opção é pelo controle, então não se aceitam avaliações amostrais no INEP. Por falta de verbas, o governo preferiu cancelar a avaliação e ficar sem nenhum parâmetro, a ter uma avaliação amostral. O INEP, órgão que deveria assessorar o MEC nestas decisões, preferiu não abrir precedentes e ser fiel à sua opção pelas políticas de responsabilização verticais.

A atual política do INEP é a da construção de “big data” na forma de portais que tentam interferir com a sala de aula nas escolas. Um exemplo pode ser encontrado aqui com o portal da devolutiva, financiado pela Fundação Lemann e outras.

Este tipo de portal voltado para plataformas que querem interferir com o planejamento pedagógico de professores e a aprendizagem dos alunos nas salas de aula, exige que se façam avaliações censitárias. A ilusão destes portais é que a explicação dada por peritos em avaliação possa levar compreensão à realidade da sala de aula do professor. Parte-se da premissa que ele é incompetente para conhecer seus alunos sem a avaliação e a explicação dadas pelos portais. A título de fornecer ajuda, o que se pretende garantir é o controle de cada escola e de cada professor.

No entanto, ninguém melhor do que o professor para saber do desempenho de seus estudantes e dos problemas que afetam a aprendizagem deles. A questão não está no conhecimento dos problemas dos estudantes, isso os professores sabem, mas nos meios que os professores dispõem para solucioná-los. Estes últimos, o INEP não tem como afetar.

Portanto, as avaliações não precisam ser censitárias, a menos que queiramos estabelecer processos de cobrança através de portais, rankings e outras ações de responsabilização vertical.

Brasília precisa se convencer de que não é possível entender o que ocorre nas escolas sem que se esteja no ambiente delas. Perde-se dinheiro com estas políticas de avaliação censitárias. Em tempos de “vacas magras” isso apenas fica mais evidente.

Publicado em Exame para alunos de 8 anos, Janine no Ministério, Responsabilização/accountability | 1 Comentário

Preparando para testes

Um dos efeitos dramáticos dos exames externos sobre a escola (ENEM, Prova Brasil, etc.) é o tempo roubado do ensino e destinado ao treinamento para provas. O aspecto formativo cede espaço (e dinheiro) para simples treino com finalidade de se sair bem nos testes. Os testes medem mais esta preparação do que o próprio conhecimento do aluno – além, é claro, de seu posicionamento social.

Como relatam duas reportagens, nas escolas particulares isso já é realidade. Em uma delas se lê que estas escolas contratam corretores externos para analisar as redações escolares de seus alunos.

“O Colégio Pentágono, em Perdizes, zona oeste da capital, é um dos que contratam corretores externos para tornar a análise mais próxima do que acontece no exame real. “Quando o próprio professor avalia, há um vínculo afetivo com o aluno. Se chamamos uma pessoa de fora, a correção fica mais isenta”, explica o diretor pedagógico, Cláudio Giardino”.

Como fica a relação entre professores e estudantes ante as correções que foram feitas pelos corretores externos? Certamente, nesta filosofia competitiva, isso não conta. A correção externa funciona também como um parâmetro da “qualidade do professor” da escola e até mesmo como critério de sua permanência nela.

Em outra se lê como a preparação para testes se dá no Colégio Pio XII:

“Fazemos levantamentos estatísticos de todos os simulados”, afirma Alexandre Antonello, coordenador pedagógico da escola. Além de detectar os prontos fracos da turma, o professor consegue dar atendimento mais personalizado. Com os resultados, ele pode exigir mais nas competências em que o aluno não foi bem.”

“O colégio também tenta reproduzir essa tensão. Além de redações feitas em casa, há textos para escrever em classe, com prazo semelhante ao do “dia D”. “O mais difícil é a pressão do tempo” opina Isabella Dias, de 17 anos, do 3º. Ano do ensino médio. Neste semestre, a escola também iniciou aula extra de redação, dada por uma professora com experiência em correção profissional.”

Toda esta competitividade, certamente louvada pelos pais que colocam seus filhos nestes colégios, cria um ambiente de alta tensão para os jovens – seja na escola, seja em casa.

Como adequadamente afirma Rosely Sayão em sua coluna:

“Já faz tempo que temos estudos que afirmam que a avaliação dos alunos é um processo complexo, mas mesmo assim continuamos a aplicar provas, dar trabalho, aplicar mais provas, e desde muito cedo. Crianças com menos de seis anos (!) já realizam provas nas escolas que frequentam. E os pais, apoiam, caro leitor, porque foram convencidos de que provas ajudam a acelerar o aprendizado.”

“Com o reinício das aulas, é bom que os pais pensem sobre isso e entendam que as provas são produtoras de estresse e ansiedade, e não de aprendizado.”

Uma parcela dos pais americanos, como mostramos em post anterior, já entendeu isso e está retirando seus filhos das provas de alto impacto e de larga escala nos Estados Unidos.

É preciso deter esta corrida para lugar nenhum…

Publicado em Estreitamento Curricular, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Prova Brasil, Responsabilização/accountability, Saresp | 2 Comentários

Educação infantil: adoecendo com a “idade certa”

Há uma febre para que as nossas crianças “aprendam na idade certa”. A “idade certa” é definida como aquela que os organizadores de currículos, reformadores empresariais e alguns pais fixam, à revelia da evidência científica disponível, e que arbitrariamente determina um tempo fixo para “assegurar os direitos de aprendizagem” das crianças.

Isso induz a antecipação da escolarização nas escolas infantis e, pior, coloca como critério de êxito a idade e não o desenvolvimento particular de cada criança. Sob pressão da meritocracia, os professores são estimulados a “puxar” as crianças segundo patamares uniformes, construídos sem base empírica consistente, em muitos casos expressos em materiais apostilados de ritmo único. Um verdadeiro massacre.

Um livro recentemente publicado nos Estados Unidos vem contrariar esta tendência e confirmar as preocupações dos professores da educação infantil com relação a estas pressões sobre as crianças e é contundente em mostrar que acelerar a educação das crianças em idades precoces pode ser problemático.

O novo livro é escrito por Stephen Camarata (The Intuitive Parent: Why the Best Thing for Your Child Is You) e acaba de ser publicado. Examina a pesquisa na área e afirma que acelerar o desenvolvimento das crianças precocemente é contraproducente podendo produzir transtornos de déficit de atenção.

Para o autor:

“Dada a mania de empurrar as crianças para aprender mais e mais conceitos complexos e em idades mais precoces, você pensaria que certamente deve haver uma vasta literatura científica que apoie estes esforços. Não só não existem tais dados, mas um conjunto emergente de pesquisas indica que as tentativas de acelerar o desenvolvimento intelectual são, na verdade, contraproducentes.”

O autor ainda acha que existem duas dificuldades principais que os pais devem considerar na educação moderna: 1) um currículo cada vez mais irracional, acelerado, com pressões para que as crianças aprendam e pais pragmáticos que querem ensiná-las muito antes de que suas mentes em desenvolvimento estejam prontas; e 2) um processo do tipo “uma mesma medida para todos”, como uma linha de montagem, com base no nível de idade, em vez de considerar o nível de desenvolvimento. Um claro alerta para os adeptos da “aprendizagem na idade certa“.

Nada de novo para os professores que trabalham na educação infantil. Mas algo não levado em conta por pais ansiosos de criar super-cérebros e por reformadores empresariais que apostam na corrida para o topo como forma de aumentar a qualidade da educação.

O Estadão também veicula matéria que destaca a necessidade das crianças terem tempo livre para brincar. Embora a matéria não faça uma crítica à antecipação da escolarização, os depoimentos apresentados caminham nesta direção. Os educadores consultados alertam:

“Nas escolas, predomina a ideia do ensino centrado no professor e as brincadeiras livres costumam ser vistas como lazer, ignorando seu valor na promoção de importantes aprendizagens, ainda que fora do menu pedagógico.”

“Principalmente em relação às crianças de 5 anos, os pais ficam muito ansiosos de que eles estejam lendo e escrevendo. Precisamos de reuniões extras para que eles diminuam essa ansiedade”, explica Liliane. “Quando elas brincam, aprendem a resolver os problemas. E essa é a meta da vida.”

Publicado em Avaliação na Educação Infantil, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability | 13 Comentários

SNE: mais projetos

Há algumas semanas divulgamos dois projetos em disputa pela definição do que será o Sistema Nacional de Educação (SNE) que regulamentará o artigo 23 da Constituição.

Acesse aqui o projeto do MEC/SASE

Acesse aqui o projeto da SAE

Naquele momento, achávamos que não havia outra proposta formatada. No entanto, fomos alertados para outro projeto que já tramita no Congresso sob número 413, iniciado em 2014 e de autoria do Deputado Ságuas Moraes (PT-MT).

Baixe aqui o projeto 413/2014.

A inclusão da regulamentação do artigo 23 da Constituição na Agenda Brasil em configuração no Senado, coloca em perspectiva uma luta bastante difícil para a matéria, já que sua tramitação se dará – pelo que se infere dos propósitos da Agenda Brasil – de forma célere.

Não está descartado que a proposta da SAE, feita no âmbito do Pátria Educadora, ingresse como alternativa para a definição do sistema nacional de educação e nos debates roube a cena durante a tramitação apoiada em alas conservadoras do Congresso.

No site do Deputado Ságuas pode-se ler:

“O Projeto de Lei Complementar – PLP nº 413/2014, apresentado pelo deputado federal reeleito Ságuas Moraes (PT) em 22 de julho deste ano, a partir de sugestão do professor e ex-deputado federal Carlos Abicalil (PT), tem como propósito responder especificamente as disposições do artigo 23 da Constituição Federal, acelerada agora pela recente sanção da Lei nº 13.005/2014, que estabelece o Plano Nacional de Educação (PNE). O Plano aprovado pelo Congresso Nacional em maio deste ano foi sancionado no mês seguinte pela presidenta Dilma Rousseff (PT).

O PLP estabelece normas de cooperação federativa entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, e entre os Estados e os Municípios, para garantia dos meios de acesso à educação pública básica e superior regida pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

No último dia 29 de outubro, o deputado federal Glauber Braga (PSB-RJ) foi designado, pela Comissão de Educação (CE), como relator do PLP 413/2014 e será responsável por preparar um parecer sobre o Projeto. A proposição será analisada, ainda, em regime de prioridade, pelas Comissões de Finanças e Tributação (CFT) e por último, antes de seguir para o Plenário, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC).”

Publicado em Janine no Ministério, Links para pesquisas, Patria Educadora | Deixe um comentário

Nova York: pais resistem aos testes

Carolyn Thompson informa que cerca de 20% dos estudantes do terceiro ao oitavo ano de escolaridade do Estado de Nova York recusaram-se a fazer os testes estaduais de Inglês e Matemática. A informação é da Secretaria da Educação do Estado que divulgou os resultados da última avaliação realizada. As pontuações tiveram apenas um ligeiro aumento no desempenho global dos estudantes.

Em números, foram 900 mil alunos que fizeram o teste e 200 mil que se recusaram a fazer o teste, valendo-se da lei “opt out” que permite que os pais determinem se os filhos devem ou não realizar testes de larga escala. O resultado dos “opt outs” foi considerado um sucesso para os movimentos de resistência aos testes dentro dos Estados Unidos que consideram que há excessiva dependência de testes no estado.

No ano anterior, houve apenas 5% de “opt outs” o qual saltou, agora, para 20%.

Impedir os filhos de fazer testes é uma estratégia de luta desenvolvida pelos movimentos de resistência bastante efetiva, pois quando grandes quantidades de alunos deixam os testes, isso afeta os próprios resultados apurados pelo exame para o conjunto da rede. No caso específico, os estudantes que se recusaram a fazer o exame eram alunos que não tinham as notas mais baixas o que, portanto, acaba derrubando as médias apuradas nos testes, pois ficam fora. Criam portanto distorções nos resultados.

Para Karen Magee, Presidente da Associação de Professores do Estado:

“As notas dos alunos em testes que já são mal elaborados pela Pearson e inadequados do ponto de vista do desenvolvimento das crianças, em um ano em que um número recorde de pais repudiou o programa de testes padronizados do estado ficando fora dele, não valem o papel em que estão impressas”.

Eis aí uma forma de luta para a qual devemos nos preparar.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Prova Brasil, Responsabilização/accountability | 1 Comentário

Chile questiona sua “Prova Brasil”

Aplicando algo semelhante à nossa Prova Brasil, ainda que a um número maior de disciplinas, o Chile está questionando sua principal avaliação do ensino básico: o SIMCE. As opiniões são variadas.

Para os críticos a avaliação deveria ser amostral e não censitária. Eles também elencam os efeitos nefastos que a avaliação censitária gerou ao longo de seus 27 anos de aplicação: como sua associação a premiações, pressões sobre as escolas e outras. Aplicada anualmente no 2º., 4º., 6º. e 8º. anos do ensino fundamental e nos 3º. e 4º. anos do ensino médio, há quem defenda que se deva diminuir a sua frequência.

“Quando os resultados são associados a consequências tão severas, a evidência nacional e internacional reporta efeitos não desejados, como estabelecimentos que deixam de ensinar disciplinas que não são medidas, excluem os estudantes com maior desvantagem acadêmica ou em desvantagem sociocultural e se focam somente em um grupo minoritário de estudantes. Isto inflaciona as notas no curto prazo à custa de um empobrecimento da qualidade educativa a médio e longo prazo”, adverte Bernardita Muñoz, psicóloga educacional cuja pesquisa doutoral na Universidade de Bristol (Inglaterra) concentrou-se em medidas para avaliar de maneira mais justa a efetividade dos estabelecimentos secundários no Chile.”

No Brasil, há quem queira que a nossa Prova Brasil passe a ser anual, associada a repasse de recursos etc., na contramão desta argumentação, portanto.

Para os defensores do SINCE atual, há que mantê-la censitária pois é importante influenciar a sala de aula. A argumentação já deixa claro a que serve a avaliação censitária: controlar a sala de aula e o professor.

Em nossa opinião, a avaliação da educação básica no Brasil deveria ser amostral (como aliás já foi no tempo do SAEB no Brasil, quando a ideia não era responsabilizar escolas e professores). A Finlândia não faz avaliação censitária e dizem que vai muito bem. De fato, a avaliação amostral casaria muito melhor com as ideias que tem defendido o atual Ministro da Educação no Brasil.

Publicado em Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | 1 Comentário

USA: o caso Lederman

Diane Ravitch relata em seu blog a situação de educadores americanos pressionados por decisões arbitrárias das Secretarias de Educação nos sistemas de avaliação por cálculo de valor agregado em uso no país.

A professora Sheri Lederman foi julgada pela Secretaria de Educação do Estado de Nova York como uma professora “ineficaz”, a partir de cálculos de valor agregado baseado nos resultados de testes aplicados a seus alunos. Ela é uma professora excepcional em um bairro de alto desempenho e quando soube de sua classificação não gostou nada. Nos cálculos do ano anterior ela fez 14 dos 20 pontos possíveis na avaliação e um ano depois caiu para 1 na mesma escala de 20 pontos.

Ocorre que é casada com um advogado, o qual resolveu comprar uma briga com o Estado de Nova York. Foi à justiça. Reuniu depoimentos de especialistas em avaliação, estudantes, professores e de seu diretor.

De acordo com Carol Burris que assistiu ao julgamento, o juiz reconheceu que não fazia sentido classificar os professores em uma curva normal. Burris relata:

“Ele entendeu que o sistema de cálculo de valor agregado da Secretaria de Educação fixou artificialmente em 7% a porcentagem de professores “ineficazes”. Não é subjetivo? Indagou.

“Será que seus alunos não aprenderam nada?” – perguntou o juiz McDonough. “Como pode ser que ela tenha caído de 14 pontos para 1 na escala de 20 pontos possíveis em um ano?” Ele observou que as pontuações dos estudantes foram muito boas e não tão diferentes do ano anterior.”

“Quando o advogado da Secretaria tentou explicar mais uma vez, o juiz disse: “É aí que reside a imprecisão desta medida.”

Burris ainda escreve que:

“Na sua essência, esta história é uma história de amor. É a história de um professor que ama seus alunos, sua profissão e a justiça tanto que ela está disposta a levantar-se e deixar o mundo saber que ela era “um ponto fora de curva” com uma pontuação “ineficaz”.

“Foi o amor que obrigou os professores, aposentados e ativos, virem de todos os cantos do estado para estar naquele tribunal em um dia de verão quente. Foi o amor que levou o diretor da escola a dirigir até Albany para estar lá. Foi o amor profundo e duradouro de um marido para sua esposa que obrigou Bruce Lederman a passar inúmeras horas preparando uma defesa extraordinária. E é o amor que nutre e sustenta a boa escola, e não predições de pontuação avatares para o desempenho nos testes da base nacional comum”.

Publicado em Avaliação de professores, Links para pesquisas, Meritocracia, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Política de formação: entidades se manifestam

Um conjunto de entidades da área educacional encaminhou recentemente documento ao Ministério da Educação onde explicita seu entendimento sobre a política nacional de formação de professores da educação básica.

Em nome das entidades de estudos e pesquisa da Educação: Anfope, Anpae, Anped, Cedes, Forumdir vimos à presença de Vossa Senhoria para encaminhar ao Ministério da Educação documento que apresenta CONSIDERAÇÕES SOBRE A PROPOSTA DE POLÍTICA NACIONAL de formação dos profissionais da educação básica.

Baixe a íntegra do documento aqui.

Publicado em Assuntos gerais, Janine no Ministério, Links para pesquisas | 2 Comentários

MEC enfrenta a responsabilização autoritária

Em nova entrevista, Janine Ribeiro, Ministro da Educação, contraria novamente as teses dos reformadores ávidos por responsabilizar gestores da educação pela queda no IDEB e abrir caminho para mais privatização da educação pública.

Está em tramitação no Congresso a Lei de Responsabilidade Educacional brasileira, baseada em um texto inicial de Raquel Teixeira, do PSDB, protocolado em 2006. A iniciativa tenta replicar a Lei de Responsabilidade Educacional americana, a qual, diga-se de passagem, não surtiu os efeitos educacionais na aprendizagem dos estudantes como foi alardeado que o faria pelos reformadores americanos. No entanto, esta lei foi decisiva para acelerar os processos de privatização da educação americana com fechamento de escolas que passaram, com apoio da lei de responsabilização, para a iniciativa privada na forma de escolas charters.

Para Janine:

“O erro que a gente comete é pensar que o Ideb ruim é fruto apenas da rede educacional. Quando o Ideb é muito baixo, a cidade tem saúde ruim, pouco acesso a empregos. Todos os indicadores negativos andam juntos, assim como os positivos. Não adianta querer responsabilizar só o educador. Tudo está junto”.”

O desempenho do governo no debate da Lei de Responsabilidade Educacional em trâmite no Congresso já havia sido muito bom como mostra resumo feito pela Agência Câmara de Notícias:

“Participantes de audiência pública criticaram os critérios de responsabilização de gestores no desempenho educacional dos alunos. Nesta quarta-feira, a comissão especial que analisa a proposta (PL7420/06) da lei de responsabilidade educacional se reuniu para debater o tema.

O principal ponto defendido pelos representantes do Ministério da Educação, dos secretários de Educação e da Confederação Nacional dos Municípios é que a responsabilização não seja feita somente com base no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), como prevê o projeto.”

Ainda segundo a Agência Câmara de Notícias:

“A consultora na Área de Educação da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Mariza Abreu, afirmou que é injusto penalizar os gestores com base nas notas dos alunos. “A responsabilidade do governador e do prefeito é, por exemplo, gastar o que tem que gastar em educação. Aplicar os mínimos constitucionais, cumprir os requisitos da legislação do Fundeb, garantir o número de professores necessários; mas a cabeça do aluno, a aprendizagem lá na ponta, tem muitos outros fatores que intervêm sobre os quais o governador e o prefeito não têm controle.”

O secretário de Articulação com os Sistemas de Ensino do Ministério da Educação (MEC), Binho Marques, afirmou que é favorável à responsabilização, mas por meio de outro índice que não seja o Ideb. Na opinião do secretário, se for realizada dessa forma, os gestores podem ser punidos injustamente.

Esta mesma situação pode ocorrer com os diretores e professores das escolas que, em cascata, serão penalizados pelos prefeitos e secretários de educação. Não há que se esquecer que o documento Pátria Educadora da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República quer demitir os diretores das escolas.

Para o Secretário da SASE:

“… já existe legislação suficiente para punir os maus gestores. Ele defende a regulamentação do artigo 23 da Constituição Federal. “Que é exatamente aquele que fala que a educação é uma responsabilidade conjunta. É preciso definir melhor o que faz exatamente o governo federal, os governos estaduais e os governos municipais. Quando for regulamentado o artigo 23, teremos exatamente qual a responsabilidade. Como vamos responsabilizar, se a responsabilidade não está definida?”

Por sua vez, o relator da Comissão Especial, deputado Bacelar (PTN-BA) afirmou que

“… é preciso responsabilizar as pessoas e os entes federados que não estão trabalhando para a melhoria da qualidade na educação. “Não vamos aqui fixar metas ou índices para o País como um todo, para todos os cinco mil municípios, mas há alguns parâmetros que precisam ser considerados, como a universalização do acesso, o sucesso nas etapas de alfabetização, a execução do Plano Nacional de Educação. Enfim, o Ideb é um parâmetro, mas não é o único parâmetro.””

Publicado em Escolas Charters, Janine no Ministério, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Agenda Brasil: novo trem da alegria

Um verdadeiro trem da alegria de propostas liberais está caminhando no Congresso. Em nova ampliação da Agenda Brasil, agora aparece explicitamente, aquilo que temíamos:

“Regulamentar o Artigo 23 da CF: definir as responsabilidades e o papel supletivo e redistributivo da União, dos Estados e Municípios; criar o sucessor do FUNDES; criar o Sistema Nacional de Educação (SNE);

Implementar o Plano Nacional de Educação nos 3 entes federativos; aperfeiçoar o financiamento a padrões de qualidade; equilibrar programas universais com a necessidade de focalização (FIES, PRONATEC), e adequar sistemas subnacionais ao SNE.”

Como o único documento em forma de lei que transita na área é o da SAE, veja aqui, penso que será este que poderá ser protocolado. Depois disso, teremos que correr atrás na forma de emendas, mas estaremos nas mãos da relatoria. O documento da SAE sobre o SNE é uma proposta alinhada com as teses dos reformadores empresariais.

O texto da nova Agenda Brasil dá pistas: Regulamentar o artigo 23 da Constituição, o que confere com a proposta da SAE e definir responsabilidades, ou seja, responsabilização; aperfeiçoar o financiamento a padrões de qualidade, leia-se, condicionar financiamento a padrões de qualidade (meritocracia), que também confere com o documento da SAE.

Publicado em Meritocracia, Patria Educadora, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Escolas terceirizadas para a PM

Temos 93 escolas no Brasil terceirizadas para a PM com liberdade inclusive para pedir dinheiro aos pais dos estudantes. Até o final do ano poderão ser 109. Isso está acontecendo agora, não é futurologia. Outras 24 deverão ser ainda entregues para a administração da corporação. Como sempre, Goias e Minas, administrados pelo PSDB são campeões na iniciativa. Goiás com 26 escolas já implantadas.

Nestas escolas os alunos têm de comprar farda, prestar continência e se chamam por “senhor” e “senhora”. É passível de ser punido o aluno com alguma negligência no campo da higiene pessoal. Ou seja, foram transformadas em um quartel e não em uma escola. Há professores da PM, mas a maioria é de civis. Os diretores pertencem à corporação. Como sempre acontece nestas iniciativas, estudantes que se destacam ganham condecorações, e quem não se adapta é transferido.

A reportagem sobre a matéria diz:

“Mascar chiclete é transgressão leve. Usar óculos com lentes ou armações de “cores esdrúxulas” também, segundo o regulamento disciplinar dos colégios da Polícia Militar de Goiás. São transgressões médias: sentar-se no chão fardado, espalhar boatos, deixar de prestar continência ou de cortar o cabelo no estilo escovinha.

Já “manter contato físico que denote envolvimento amoroso” (beijar) ou se meter em rixa são faltas graves. O aluno perde pontos a cada quebra de regra. Quem não se adéqua é transferido.”

A PM dá a farda para os estudantes em alguns casos, em outros não e o custo varia de R$ 400 a R$ 700. Os pais pagam ainda mensalidades (de R$ 80 a R$ 110), que não são obrigatórias.

“Para não desfalcar o efetivo, a PM recorre a oficiais da reserva, que ganham adicional. Os docentes são civis – em outros Estados, alguns são militares – e ganham bônus de produtividade.”

Os defensores argumentam que o IDEB e o ENEM são bons. Novamente comparações indevidas. Citar o IDEB ou ENEM para justificar ações de intervenção nas escolas públicas é duplamente equivocado pois, primeiro, os fins não justificam os meios e segundo, para poder comparar escolas é preciso muito mais do que simplesmente emparelhar duas médias de desempenho escolar e ver qual é a maior.

No caso das escolas públicas que estão sob intervenção da PM em Goiás esta tem sido a “metodologia” para declarar a superioridade das escolas terceirizadas para a PM.

Veja matéria completa aqui.

No entanto, para poder comparar escolas seria necessário entre outras coisas, conhecer o nível socioeconômico das escolas envolvidas, ou seja, sua composição social, como também conhecer qual é o volume de transferências de alunos nas escolas. Em geral este é um truque muito conhecido. Primeiro, instituem-se regras duras que aterrorizam e colocam a família como fator de pressão sobre as crianças para que obedeçam e não sejam transferidas; segundo os que têm maior dificuldade de aprendizagem são os candidatos a problemas disciplinares, portanto, se transfiro os alunos que têm problemas disciplinares, provavelmente me livre dos alunos com baixo desempenho. Aí temos o aumento das médias pois ficam na escola os melhores. Os que não se adaptam são enviados de volta às escolas públicas regulares. Fica mais fácil, portanto, mostrar resultado, trabalhando com ameaças e ficando apenas com os que se adaptam.

Mas, mesmo que conseguíssemos demonstrar alguns pontinhos a mais no IDEB ou ENEM destas escolas, isso não justificaria entregar escolas públicas para a PM administrar. Polícia é treinada para fazer ações de repressão. É como pedir para o exército pacificar os morros no Rio de Janeiro. Não é algo que a corporação esteja preparada para tal. Ela mesma se expõe fora de seu objetivo de atuação e deveria rejeitar correr tal risco. Quando as propostas contemporâneas apontam para a aprendizagem da diversidade, para a autonomia do pensamento, qual o sentido de se voltar a educação destes estudantes para o “enquadramento”? Apenas por serem mais pobres?

Além disso, representa um retrocesso muito grande em tudo que já havíamos construído em matéria de projeto pedagógico para as nossas escolas. Não discutimos a boa intenção de alguns graduados da polícia que estavam “desocupados” na reserva e agora encontraram algo para fazer, mas estão fora de sua qualificação. Deixem a educação para os profissionais da educação. Creio que a segurança pública precisa deles em tempo integral. Cuidem da comunidade, do entorno das escolas, de uma política pública de segurança eficaz.

 Há um raciocínio pior ainda que diz:

“O trabalho é também preventivo. O aluno terá valores sedimentados. Ou vira cliente da PM depois. O percentual de ex-alunos no crime é quase zero.”

Será que as classes sociais mais altas aceitariam ver seus filhos tratados como potenciais marginais objetos de ação preventiva da PM? Ou seria isso apenas para os filhos dos mais pobres? Será que os filhos destas classes mais bem posicionadas aceitariam ter o cabelo cortado em estilo escovinha para poder entrar na escola.

Nos Estados Unidos, uma cadeia de escolas charters para pobres, terceirizada que administra escolas públicas, adota um código chamado de “no excuses” (sem desculpas) para fazer os estudantes focarem no estudo e melhorar seu desempenho. Lá também ou se enquadra ou sai. As cadeias de charters fazem contratos que os pais assinam dizendo que seus filhos irão respeitar as regras da escola, ou poderão ser transferidos. Bem, assim fica fácil resolver o problema. Põe polícia e transfere quem não se enquadra. Suspeito que as classes mais altas não aceitariam esse projeto pedagógico para seus filhos.

Com os liberais à frente defendendo a privatização da escola pública, os conservadores navegam na mesma onda logo atrás promovendo retrocessos baseados em concepções religiosas ou da “manutenção da ordem”.

Publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | 3 Comentários

Reprise para quem não viu

Para quem não viu, reenvio post sobre os estudos feitos pelo PSDB, conhecidos como “Sob a Luz do Sol”, com a participação de Levy. Aí você vai encontrar Levy, Naércio, Marcos Lisboa, hoje no Insper, Samuel Pessoa etc…

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas | Deixe um comentário

África: Banco Mundial apoia privatização

Escolas privadas com fins lucrativos na África são alvo de protesto de mais de 100 organizações de direitos civis. Elas protestam contra os financiadores de cadeias de escolas primárias dirigidas a famílias pobres no Quênia e em Uganda.

“O projeto é chamado de Bridge International Academies (BIA) e 100.000 alunos foram matriculados em 412 escolas nas duas nações. BIA é apoiada pelo Banco Mundial, que doou US $ 10 milhões para o projeto, e uma série de investidores, incluindo os empreendimentos americanos NEA e Learn Capital. Outros investidores ​incluem Bill Gates, Mark Zuckerberg, Pierre Omidyar e a Pearson, uma editora multinacional.”

Em carta dirigida a Kim, do Banco Mundial, afirmam:

“Nós, organizações da sociedade civil e os cidadãos do Quênia e Uganda, estamos chocados com o fato de que uma organização cujo objetivo se supõe seja o de tirar as pessoas da pobreza, mostre tão profundo mal-entendimento e desconexão com a vida e os direitos das pessoas pobres no Quênia e Uganda. Se o Banco Mundial tem o sério propósito de melhorar a educação no Quénia e no Uganda, deveria apoiar os nossos governos para expandir e melhorar os nossos sistemas de educação pública, oferecer educação de qualidade para todas as crianças de forma gratuita, e abordar outras barreiras financeiras para o acesso “.

No Brasil, o Banco financia a privatização via escolas charters no Pará.

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Privatização | 1 Comentário

Governo prepara “Agenda Brasil”

Fernando Rodrigues acaba de anunciar em seu blog que Levy e Renan Calheiros, do Senado, negociam o que se chama uma “Agenda Brasil”. Ela guiaria as prioridades do governo no Congresso, para sair da crise. Veja aqui o resumo geral feito por Fernando Rodrigues. Baixe aqui a Agenda Brasil. Mais notícias aqui.

Segundo Rodrigues:

“A presidente Dilma Roussseff autorizou a sua equipe econômica a negociar com os governistas do Senado uma ampla pauta com medidas que possam ajudar a arrefecer a crise política e sinalizar para o final das dificuldades econômicas do país.”

Há um ponto sobre educação que precisa ser rapidamente esclarecido, diz:

“Compatibilizar os marcos jurídicos da educação às necessidades do desenvolvimento econômico e da redução das desigualdades.”

 Seria interessante acompanhar onde vai dar esta ideia. Pátria Educadora?

Publicado em Assuntos gerais | 1 Comentário

Suécia vai mal com privatização

Neste post selecionei quatro lâminas de uma apresentação feita por Henry Levin sobre a situação da Suécia após privatizar a educação, e que Ricardo Paes de Barros sugere para o Brasil. Ele considera que não se aplicam estas ideias no Brasil porque atuamos com discriminação em relação ao setor privado. Engana-se. Não aplicamos porque não funcionam, nem na Suécia, nem no Chile, para não falar dos EUA. O caso da Suécia pode ser visto aqui.

Como se pode ver nas lâminas, no PISA a queda ocorre em todas as áreas avaliadas. Em outros exames o padrão é o mesmo dos EUA, ou seja, empacado com tendência a cair. No caso do PISA, em leitura cai de 516 para 497; em matemática cai de 510 para 494 e em ciências cai de 512 para 495.

Pergunta-se, o que temos a aprender com a Suécia?

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Paes de Barros defende privatização

Leitor envia link de entrevista com Paes de Barros.  Nele você verá a defesa que o ex-membro da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (e agora economista-chefe do Instituto Airton Senna), faz das Escolas Charters e do setor privado. Chega a recomendar a falida privatização feita na Suécia.

“Esse debate sobre a focalização foi superado. O que continua a existir é uma coisa discriminatória contra o setor privado. A educação claramente discrimina a universidade privada diante da pública, como se, por definição, algo estatal fosse melhor do que o privado. O programa nacional de alfabetização, por exemplo, tem de ser com as universidades públicas, e não com as privadas. Por quê? É pura discriminação – e ela tem de ser contestada. Há a ideia de que privatizar parte da educação é mercantilizar o setor. Esse é o grande nó dos serviços públicos do Brasil. Na educação essa mentalidade é brutal e representa um grande problema. Não se pode usar o Fundeb (fundo de financiamento para a educação básica) para contratar uma rede de escolas de educação média para prover os serviços de um Estado. Um Estado poderia gastar menos contratando uma rede de ensino particular. Ele não se preocuparia com infraestrutura, nem com o quadro de docentes. O foco do Estado seria o controle da qualidade do ensino. Isso economizaria dinheiro e dor de cabeça. Imagina isso no Estado de São Paulo, que tem mais de 200 mil professores. As Organizações Sociais (OS) deram certo na saúde. Mas não se pode usar OS na educação. Não podemos testar o modelo de charters schools no Brasil, que são escolas privadas pagas em parte pelo governo e gratuitas para a população. Na Colômbia estão fazendo isso. A Suécia está se livrando de todas as escolas públicas. O país paga para a rede privada prover o estudo. Para a família é gratuito – e só o que importa é a qualidade.”

Ao contrário do que Paes de Barros diz, não há nenhuma discriminação na crítica que se faz ao setor privado. O que há são enfoques conceituais diferentes para a educação e que têm agendas diferentes. Nós não achamos que os reformadores empresariais discriminam os educadores profissionais. Eles pensam o que pensam porque estão compromissados com uma visão ideológica liberal que prega a constituição de um quase mercado no campo educacional, pregam a supremacia dos métodos da iniciativa privada, da competição entre escolas em um mercado desregulado. Dizer que são liberais não é nenhuma ofensa. É legítimo ser liberal. Isso também é ideologia e é dela que discordamos.

Está na hora dos reformadores empresariais enfrentarem o debate e pararem de choramingar escondendo-se em “discriminações” inexistentes. Paes de Barros propõe que olhemos para a Suécia, a qual privatizou a educação. Vamos seguir o falido modelo de privatização da Suécia?

Acesse entrevista completa de Paes de Barros aqui.

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

Janine se diferencia em entrevista

Em entrevista publicada hoje (09-08-15) pela Folha, Janine se diferencia da agenda dos reformadores empresariais da educação. O Ministro, corretamente, recoloca a questão dos fatores internos e externos que afetam a formação dos jovens. É distintivo uso de dois conceitos: o reconhecimento dos fatores externos, com peso maior do que os internos na criação de limitadores, mas potencialmente com impacto menor do que os internos na criação das possibilidades; e o conceito de formação no lugar do conceito de aprendizagem, o que está mais de acordo com a tarefa da educação básica.

Mas não para aí, o Ministro se posiciona contra a ideia de que as notas são devidas apenas a esforço pessoal, ao mérito – contrariando assim as “teses” recentemente defendidas pelo Instituto Airton Senna de que para aprender a criança “tem que ralar”, em uma alusão ao esforço pessoal.

Um estudo que já foi divulgado aqui indica que 79% do desempenho de uma escola no ENEM é explicada por fatores exteriores a ela, como o nível socioeconômico das famílias dos alunos, a cor da pele dos estudantes, a dependência administrativa e o Estado em que está localizada, entre outros. A escola responde, portanto, por apenas 21% da nota.

Na educação básica, veja abaixo, estudos americanos indicam que o peso pode ser de 60%. (Veja aqui também.) Um valor mais modesto, mas não menos importante, cerca de 20%, mas próximo do estudo anteriormente mencionado, está destinado à influência da escola na formação dos jovens. No entanto, destes, 15% é reservado ao professor. Isso não é pouco para uma única variável.

“Mas no panorama geral, cerca de 60 por cento dos resultados do desempenho é explicado pelo aluno e as características da família (a maioria é imperceptível, mas provavelmente se refere ao rendimento/pobreza). Fatores de escolaridade observáveis ​​e não observáveis ​​explicam cerca de 20 por cento, a maior parte deste (10-15 por cento) se deve a efeitos de professores. O resto da variação (cerca de 20 por cento) é inexplicável (erro). Em outras palavras, embora as estimativas precisas variem, a preponderância da evidência mostra que as diferenças de realização entre os alunos são predominantemente atribuíveis a fatores externos das escolas e salas de aula (ver Hanushek et al 1998;. Rockoff 2003;. Goldhaber et al 1999Rowan et al. 2002Nye et al 2004). Agora, para ficar claro: isso não significa que os professores não são realmente importantes, nem que o aumento da qualidade do professor só pode gerar melhorias pequenas.” Leia matéria completa aqui.

Por tanto, o que importa é reconhecer os fatores externos como limitadores e dar força para os fatores internos, especialmente a atuação dos professores, sem a ilusão de que a meritocracia – seja para o aluno, seja para a escola – será a salvação da educação. Caminho correto, viável e sem os milagres, ufanismos e rompantes dos reformadores.

Sobre os resultados do ENEM diz:

“Queremos mostrar que os resultados não são apenas fruto de mérito pessoal, do estudo, mas componentes sociais fortes. (…) “Desigualdade social é externa à escola, tem um peso impressionante e é opressora. Fatores internos têm peso menor, mas papel libertador [podem melhorar a situação do jovem]. Você não consegue assegurar igualdade de oportunidades só pela escola.”

Em outro trecho, referindo-se à desigualdade social afirma: “Não é desigualdade administrável, como na França, Inglaterra ou EUA”. Aqui cabe considerar que nem para os EUA as desigualdades sociais estão sendo administráveis. Esta foi a tese dos reformadores por lá que não deu conta de melhorar a educação americana. A pobreza infantil beira a casa dos 30% nos EUA e constitui-se em um grande limitador do desenvolvimento das crianças.

Indagado pelo repórter se esta aceitação da influência dos fatores externos não enfraqueceria a mobilização para melhorar a qualidade do ensino, responde:

“É apenas um retrato da realidade. Não tira nada da escola, que tem um papel. Mas não podemos culpar o aluno pobre pela nota ruim. Nem considerar que o muito rico alcançou notas altas apenas a partir de seu mérito.”

Em uma fala que tem sido rara nos meios governamentais afeitos à meritocracia, agrega;

“O mérito maior vem das escolas públicas, simples, que conseguem bons resultados, mesmo com alunos pobres. Não das escolas que selecionam alunos, excluem os que têm problemas ou aliciam bons estudantes de outras escolas para o terceiro ano do ensino médio (quando o ENEM vale para a nota do colégio).”

O Ministro acertadamente coloca em foco uma atuação conjunta, interministerial, para combater a miséria de forma a reduzir o impacto dos fatores externos e facilitar a ação dos fatores internos.

Finalmente, ele relativiza a importância dos rankings ao afirmar que embora as escolas maiores tenham menor nota no ENEM, elas têm mais diversidade e são mais próximas da realidade que os alunos enfrentarão em suas vidas. As escolas menores – 30 a 60 alunos – têm notas melhores, mas são mais homogêneas. Para ele, esta maior homogeneidade permite que o professor trabalhe com turmas de alunos mais parecidas o que facilita a obtenção de melhores notas no ENEM. No entanto, o estudante perde a diversidade das maiores.

Estas são concepções que certamente afastam o Ministro da agenda dos reformadores empresariais, vão criticá-lo, em compensação estas concepções defendidas por ele permitirão que se aproxime mais da agenda dos educadores profissionais e mais importante, dos professores das escolas. E é lá que se joga o destino das nossas crianças, não no Instituto Airton Senna, na Fundação Lemann ou em outras mecas de reformadores comprometidos com a privatização da educação e que fazem da avaliação um instrumento para a destruição da escola pública.

Publicado em Janine no Ministério, Meritocracia, Segregação/exclusão | 3 Comentários

INEP: agregar para “convencer” do mesmo

O INEP agregou o nível sócio econômico como um fator a ser levando em conta na apresentação dos dados do ENEM. Parabéns. Precisava mesmo. As análises da mídia assumem que o nível socioeconômico divulgado pelo INEP seja preciso. Vamos, generosamente, deixar de lado a precariedade do cálculo de nível socioeconômico do INEP.

O que se viu em seguida à inclusão do nível socioeconômico na divulgação dos dados? O aumento da tentativa de “legitimar” a comparação entre escolas públicas e particulares, pela inclusão do nível socioeconômico, e continuar, como em anos anteriores quando não havia nível socioeconômico, a difundir a ideia de que as escolas públicas são piores do que as particulares. Com ou sem nível socioeconômico continua não havendo base para tal comparação no ENEM.

Por trás deste estímulo à comparação está a ideia da competição saudável entre as escolas para produzir um sistema “mais equilibrado”. As consequências se apresentam, como aponta Helio Schwarztman na Folha:

“Isso fica escancarado no setor público, onde a diferença entre as instituições que promovem vestibulinhos, como as escolas técnicas ou as federais, e a rede comum, aberta a qualquer aluno, é importante. Entre as privadas, o mecanismo é só um pouco mais sutil: a mensalidade. A renda dos pais é o fator que permite prever com maior precisão o desempenho escolar do aluno. Um modo eficaz para uma escola subir no ranking é simplesmente elevar o valor da mensalidade.” (Grifos meus.)

Algo que o conselho de reitores das universidades americanas pratica há muito tempo para obter alunos que sejam oriundos de pais mais ricos e com isso aumentar a possibilidade de conseguir mais doações nas famílias dos estudantes que ingressam. Pobre não doa.

O articulista conclui:

“Nas próximas edições, podemos esperar novas estratégias de escolas para aparecer bem no ranking.”

Reclama-se das consequências, mas não se pensa em deter a corrida. Ao contrário cada novo passo é assumido dentro da lógica anterior. Isso se deve à crença de que as teses dos reformadores são corretas, precisando apenas que sejam feitas de forma competente. Assim, os problemas que elas apresentam, hoje, serão corrigidos nas versões seguintes. Esquece-se de que são os conceitos que estão equivocados e não apenas os métodos em si.

Todos sabem que o ENEM é um exame voluntário e nem todos os alunos de uma escola participam, no entanto, toma-se o conjunto de alunos que participam do exame como se este fosse representativo da escola ou, o que melhora um pouco mas não resolve, como representativo de uma determinada rede de ensino. A introdução do nível socioeconômico vira uma tentativa de legitimar ainda mais as supostas diferenças, como se o desempenho melhor da escola privada fosse devido à forma de gerenciamento privado da escola. Com isso justifica-se, depois, a privatização do público. Isolam-se alunos que têm supostamente nível socioeconômico equivalente e mostra-se como, mesmo assim, a escola pública é ruim.

De fato, a pergunta é: como se sairiam os estudantes das escolas particulares com nível socioeconômico alto, se estivessem cursando a escola pública, na comparação com a privada? Por aí se vê que esta comparação não diz nada sobre as demais variáveis que estão embutidas na situação “cursar escola pública”. Isso inclui, qualificação e salários de professores, infraestrutura disponível para professores e alunos, entorno da escola, metodologia utilizada, processos de controle internos desenvolvidos pelas escolas – incluindo simulados e outras pressões sobre professores e alunos, e por aí vai. Mas tudo isso é resumido dizendo-se que “os alunos são comparáveis quanto ao nível socioeconômico”. OK, mas e as escolas? São comparáveis? Os professores são comparáveis?

Portanto, o ponto central é nos colocarmos de acordo em relação a uma cesta de critérios de avaliação das escolas e de seus estudantes, professores e gestores. Isso se não resolve todos os problemas, nos levaria a uma melhor posição de análise que, combinada com estudos qualitativos (e não meras avaliações anuais) nos permitiria ter uma melhor compreensão dos fatores intra (20%) e extra (60%) escolares que afetam o desenvolvimento dos estudantes.

Esta avaliação mais ampla pode nos levar à conclusão de que o nível socioeconômico é relativizado em seus efeitos no caso da escola particular, pela atuação de outras variáveis que igualmente afetam o desenvolvimento do aluno. No entanto, não é o mesmo em relação à escola pública, onde estas outras variáveis não estão presentes com o mesmo valor, ainda que o aluno tenha o mesmo nível socioeconômico. É por isso que todo este “exercício teórico” feito sobre os dados do ENEM é uma perda de tempo, pois é ilação sobre dados limitados.

Isso tudo é sabido. Mas não convém.

Publicado em Enem, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | 2 Comentários

Privatização de presídios

O movimento de privatização conseguiu mais um sucesso, conforme divulgado hoje. O relatório da CPI sobre sistema carcerário defende a privatização dos presídios por concessão, o que resultaria, segundo o relatório, em economia de 60%. A experiência já existe em alguns estados. O modelo de privatização é o mesmo previsto para as escolas charters.

Acesse aqui.

Publicado em Assuntos gerais, Privatização | 1 Comentário

Sem desculpas para aprender

Henry Giroux escreve sobre um fato ocorrido em uma escola de Kentucky e que é revelador deste clima de violência institucionalizada contra jovens e crianças que estamos assistindo em vários países. Lá nos Estados Unidos há cadeias inteiras de escolas charters que operam sob as normas conhecidas como “no excuses” que comentei em um post há algum tempo. Trata-se de um endurecimento da disciplina nas escolas, na esteira da aliança liberal/conservadora em curso para retomada do Estado, inclusive no Brasil.

Aqui, recentemente, viu-se endurecimento semelhante nas declarações que deu Viviane Senna a jornais: “Ninguém vai aprender se não for responsável, se não ralar”. Estes sinais apontam – juntamente com a discussão sobre a redução da maioridade penal em curso – para reflexos destas políticas no Brasil.

Tal ideologia que está sendo difundida pode vir a incentivar situações como a relatada por Giroux nos Estados Unidos:

“Estas práticas duras foram infligidas desproporcionalmente para as crianças pobres e as crianças negras que sofrem de problemas de saúde psicológica, tais como transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Isto foi o que se viu na mídia social com um vídeo que divulgou um menino de 8 anos de idade na terceira série em uma sala de aula da escola primária em Covington, Kentucky, gritando de dor, porque ele estava sendo algemado com os braços colocados atrás de suas costas. De pé ao lado da criança está um policial, o policial Kevin Sumner, que manda uma mensagem assustadora: “Ou você se comporta da maneira que é esperada ou você sofre as consequências.” A criança, mais tarde descobriu-se, sofria de uma deficiência de aprendizagem.

De acordo com o The Guardian’s Ed Pilkington, “Charles Korzenborn, o Chefe da Polícia de Covington, Kentucky … defendeu o oficial … alegando que o ele não tinha feito absolutamente nada de errado.” O xerife disse que o policial tinha feito “o que ele jurou fazer e em conformidade com todas as normas de aplicação da lei constitucional e …. eu firmemente apoio o policial Sumner que respondeu ao pedido de ajuda da escola. Sumner é um policial altamente respeitado e experiente, e é um instrumento da comunidade e daqueles que ele serve. ” Alegadamente, Sumner estava respondendo ao apelo da escola para conter “uma ameaça.”

É difícil imaginar que tipo de ameaça representa uma criança de uma escola primária com 8 anos de idade seja para a escola ou para a polícia. Nesta situação aqui não há apenas um tipo de racionalidade bizarra em que uma pessoa se torna um trunfo para a comunidade por algemar e prender um menino de 8 anos de idade, mas também o flagelo de uma ignorância deliberada que é a recusa em conhecer ou reconhecer quando um ato de violência está sendo cometido contra uma criança.”

Devemos lembrar também a questão dos colégios em Goias que estão sendo administrados pela polícia militar.

Publicado em Escolas Charters, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | 2 Comentários

SNE: disputa de modelos

O Ministro da Educação, o Secretário Executivo do MEC e o Secretário de Articulação com os Sistema de Ensino do MEC publicaram, hoje, 05-08-15, um artigo na Folha de São Paulo.

Para se entender esta iniciativa, penso que seria necessário recuperar artigo recentemente escrito por outra trinca, no Estadão, composta por reformadores empresariais da educação: Claudio Moura Castro (Conselho das Faculdades Pitágoras, Grupo Kroton); João Batista Araujo e Oliveira (dono da empresa educacional IAB) e Simon Schwartzman (ligado à Avalia Assessoria Educacional, empresa do Grupo Santillana).

Os reformadores empresariais citados escreviam então:

“Para promover a eficiência e equidade existem dois mecanismos conhecidos: os incentivos, estimulando e premiando as boas práticas; e as regras hierárquicas, em que as autoridades governamentais usam de sua autoridade legal para cumprir os objetivos para os quais foram eleitos ou nomeados. Em seu lugar, o SNE propõe regras complexas e inviáveis, a serem estabelecidas por assembleias, comitês, conselhos e uma infinidade de órgãos, que, em última análise, diluem as responsabilidades.”

Note-se que o artigo destes reformadores menciona em sua argumentação que:

“Dentro do próprio governo existem propostas interessantes, como a do ministro Mangabeira Unger, de usar recursos federais para premiar professores que atingirem determinados patamares de desempenho.”

Entendo que o artigo publicado hoje pelo MEC na Folha é uma boa resposta ao autoritarismo proclamado pelos reformadores como modelo de gestão educacional em artigo anterior. Acostumados a ditar ordens em suas respectivas organizações empresariais, querem um Sistema Nacional de Educação que seja meramente executivo, atrelado aos interesses corporativos empresariais formulados em outros espaços pouco públicos. Detestam, portanto, “assembleias, comitês, conselhos que diluem responsabilidades” – como afirmam.

A preferência dos reformadores por métodos de gestão autoritários que atuam sob pressão de forma direta é explicável. Articulam-se para influenciar a política educacional dos governos via corporações empresariais e depois descem pela escala hierárquica exigindo cumprimento escala abaixo: em uma mão as regras hierárquicas e em outra os incentivos aos que obedecem. Um modelo de gestão que pode produzir algum suspiro de curto prazo nas curvas de aprendizagem em sistemas pouco organizados, mas que em seguida destrói a educação pública e gera um grande número de efeitos colaterais amplamente conhecidos.

Em contraposição, a posição do MEC inclui entre os princípios organizativos do Sistema Nacional de Educação a gestão democrática. Para o MEC:

“Em um país federativo como o nosso, política nacional se constrói com acordo, pactos e compromissos comuns. Esse é o caminho escolhido pelo Ministério da Educação.”

Publicado em Janine no Ministério | 2 Comentários

As notas do ENEM por escola

Como sempre: hora do show. A divulgação das notas do ENEM por escola, um grande vestibular nacional que perdeu as características de avaliação do ensino médio, alimenta uma série de análises que são na realidade uma grande perda de tempo.

Não têm representatividade para se examinar as escolas já que a inscrição é voluntária. Muitos alunos das escolas não se inscrevem para o exame. Comparar escolas entre si, menos ainda. A nota é produto de uma “média entre habilidades” testadas em provas que incluem até redação misturada com testes específicos. O ENEM é o que é: um exame de seleção. Nada mais. Não tem nada a ver com avaliação da educação.

Mas o pessoal sente especial prazer em ficar lidando com os números em planilhas para ver, segundo o critério 1, quem é melhor; segundo o critério 2, quem ficou ou não na frente. Uma roleta russa de números que eletriza e gera manchetes. Recomendo ao leitor que gaste seu tempo melhor.

Publicado em Enem | 1 Comentário

Reynaldo Fernandes: nó em pingo d’água

Em um vídeo primoroso, assista Reynaldo Fernandes, o ex-Presidente do INEP que implantou o IDEB, defender as Escolas Charters. Um verdadeiro “no em pingo d’água” para justificar uma ideia falida.

Demorou, mas as posições vão se consolidando. Já à época da implantação do IDEB ele estava encantado com a No Child Left Behind americana. Agora, fica mais explícita a opção pela privatização da educação. Para ele, há quem considere as escolas charters uma forma de privatização, mas isso é uma questão secundária e ideológica. Acesse aqui.

Publicado em Escolas Charters, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Deixe um comentário