Massachusetts: impactos da reforma na infância

Novo relatório, agora de Massachusetts (USA), mostra como a reforma empresarial da educação vai afetando a formação dos pequenos. As escolas estão reduzindo a interação direta entre o professor e as crianças substituindo-a por currículos prescritos nas escolas de menor nível socioeconômico, no entanto, como aponta o relatório, nas escolas de maior nível socioeconômico o tempo de interação direta é maior; há redução na duração do recreio e do tempo para brincar; e as escolas reduziram o controle que os professores tinham sobre o currículo.

Na teoria, a reforma diz que busca uma associação entre o brincar e a aprendizagem, mas na prática as atividades prescritas de aprendizagem da leitura e matemática assumem o controle do processo formativo.

Baixe aqui o resumo do relatório.
Baixe aqui o relatório completo.

Publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério, Meritocracia, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Pensar a Educação: Elogio à Escola

“Nestes tempos sombrios em que vivemos, quando pessoas com práticas e comportamentos fascistas ocupam o espaço público sob o aplauso de muitos “homens e mulheres de bem”, à escola é debitada uma grande responsabilidade pela “crise de valores” em que vivemos. Segundo muitos, teríamos chegado até aqui justamente falta de educação de nossa população. Seria também por isso que somos uma das nações mais desiguais do planeta. Estas pessoas esquecem que os apoiadores do Bolsonaro são justamente os mais escolarizados e que ao longo do século XX expandimos muito a escolarização da população brasileira e nem por isso deixamos de aumentar as nossas desigualdades.”

Leia mais.

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag , | 1 Comentário

ANPED questiona editais da CAPES

O documento expõe motivos que levaram a ANPEd, junto a várias associações de estudos e pesquisas em Educação, a manifestar posição contrária ao que preconizam os editais Capes nº 6/2018 e nº 7/2018, os quais estabelecem, respectivamente, chamadas públicas para apresentação de propostas ao Programa de Residência Pedagógica (PRP) e ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid).

“Estes editais se situam no âmbito da “nova Política de Formação de Professores” anunciada em 18 de outubro de 2017 e lançada em 28 de fevereiro de 2018. A pergunta de que partimos é: que nova política de formação se materializa nesses editais? O que eles indicam sobre os desafios da formação de professores no Brasil?”

Acesse aqui o documento.

Publicado em Links para pesquisas, Mendonça no Ministério, Responsabilização/accountability | Com a tag , | 2 Comentários

USA: fracasso da “reforma” no NAEP 17 repercute

Mais um fracasso da reforma empresarial americana é analisado hoje por vários autores.

Leia:

Mike Petrilli

Guy Bradenburg

Peter Greene

Publicado em Assuntos gerais, Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability, Segregação/exclusão | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

NAEP 17: BNCC americana não decola

O relatório de avaliação da educação básica americana conhecido por NAEP foi publicado com os resultados da última aplicação feita em 2017. É a segunda aplicação da avaliação nacional amostral que já capta os impactos da BNCC americana conhecida como Common Core. Os resultados já não foram bons em 2015, derrubando a combalida curva de desempenho que aquele país vinha tendo e nesta última, as perspectivas não mudaram. Os alunos que já estavam nos percentis mais altos, melhoraram um pouco, mas os que estão nos percentis inferiores pioraram, aumentando mais o buraco entre o desempenho dos estudantes. Os gráficos do relatório que seguem, mostram as curvas tendenciais desde 1992.

Leitura no 4o. ano, queda de um ponto:

Leit4_18g

Leitura no 8o. ano, ganho de dois pontos, sem recuperar o que já foi em 2013:

Leit8_18gMatemática no 4o. ano, tem o mesmo valor de 2015:

NAEPmat4_18g

Matemática no 8o. ano, ganho de um ponto sem recuperar o que já foi em 2013.

NAEPmat18gNa avaliação de 2015, advogou-se que os resultados negativos foram devido à introdução do Common Core que mudou o ordenamento dos conteúdos. Agora, os resultados estão sendo atribuídos ao fato de ser a primeira vez que os alunos fizeram a avaliação nacional em formato digital, por computador. De desculpa em desculpa, a reforma empresarial da educação que propiciou um voo de galinha ao sistema americano a partir de 2003, mostra mais uma vez que não tem fôlego para sustentar nem os pequenos avanços que conquistou. O impacto da avaliação digital é real, mas não o suficiente para explicar os sucessivos fracassos.

O punitivismo e a padronização da BNCC que se estabeleceu no campo da educação americana não é a saída para a melhoria da qualidade da educação. Há fortes suspeitas de que as pequenas alterações nas notas sejam produto do amplo treinamento para as provas realizado pelas escolas, não correspondendo a uma melhoria real da aprendizagem dos estudantes. Nossos deputados e senadores, ávidos por copiar os modelos internacionais do PISA – que recomendam praticar a política americana fracassada – deveriam se debruçar sobre os resultados do NAEP americano e da implantação da BNCC americana.

Um dado importante é o desempenho das escolas charters (privatizadas) versus o desempenho das escolas públicas que o estudo contém, mostrando que o desempenho dos alunos das charters, em média, é igual ou inferior ao mesmo desempenho das escolas públicas, desfazendo, mais uma vez, a ideia de que pela privatização se melhora a educação americana.

Em leitura no 4º ano:

ChartersXpublic18leit4PNGEm leitura no 8º ano:

ChartersXpublic18leit8PNG
Em matemática no 4º ano:

ChartersXpublic18mat4
Em matemática no 8º ano:

ChartersXpublic18mat8
Apenas em leitura no 4o. ano há empate, em todas outras séries as públicas são melhores que as charters. Apesar do susto causado pelo punitivismo na curva de desmpenho do início dos anos 2000, mais exatamente no ano de 2003, com a lei de responsabilidade educacional No Child Left Behind que estabeleceu que o ano de 2014 todos os alunos deveriam ser proficientes nas escolas americanas, o resultado está muito longe de se concretizar.

Em matemática no 4º ano:

MatTrendg

No quarto ano, em matemática, 59% dos estudantes ainda estão na aprendizagem do básico ou abaixo dele. Apenas 32% são proficientes. Nas demais avaliações não é diferente.

Em matemática no 8º ano:

Mat_8Trendg

Em leitura no 4º ano:

Leit4_TrendsProfic18

Em leitura no 8º ano:

Leit8trends_18g

A estratégia do testar e punir, mesmo com a recauchutagem do Common Core (a BNCC americana) não consegue decolar. Outro não é o resultado quando se observa o desempenho americano em avaliações internacionais, inclusive no PISA. Mas a reforma empresarial não é movida a dados empíricos e sim pelo desejo de mercantilizar a educação da juventude e faturar.

Publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Segregação/exclusão, Vouchers | Com a tag , , , , , , , | Deixe um comentário

Viviane Mosé: sobre a prisão de Lula

Para registro histórico, segue excelente resumo da situação que vivemos no dia de hoje com a prisão de Lula. Uma visão alternativa e que provavelmente será lida pelos nossos filhos e netos no futuro.

Acesse aqui.

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag , | 2 Comentários

Terceirização de escolas: gasta o mesmo e é pior

Stephen Dyer escreve sobre a terceirização de escolas em Ohio (USA), as escolas charters, e mostra que estas escolas gastam praticamente o mesmo que as escolas públicas e obtêm piores resultados.

Leia aqui.

Publicado em Escolas Charters, Meritocracia, Privatização, Vouchers | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

SP: entrevista de Evaldo Piolli explica CIS

Excelente entrevista do Prof. Evaldo Piolli (UNICAMP) explica a nova modalidade de privatização da educação iniciada por Alckmin na Secretaria de Educação de SP.

Leia aqui.

Leia também.

Publicado em Links para pesquisas, Meritocracia, Privatização, Responsabilização/accountability | Com a tag , , , , | Deixe um comentário

Base do ensino médio: acesse proposta no CNE

A proposta de Base Nacional Comum para o Ensino Médio, em sintonia com a reforma do ensino médio já realizada, é enviada ao Conselho Nacional de Educação para análise e aprovação. O CNE deve repetir o ciclo de avaliações realizado com a Base Nacional Comum do Ensino Fundamental.

Acesse aqui.

Publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério, Responsabilização/accountability | Com a tag | Deixe um comentário

Rossiele da SEB/MEC é o novo Ministro

Rossiele Soares da Silva, atual Secretário de educação básica do MEC é indicado para substituir Mendonça no Ministério da Educação. Maria Helena foi preterida em função de que seu partido o PSDB não está na base aliada do governo.

Leia mais aqui

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

Privatização da água: caindo na real…

Cidades de 33 países voltam a tratar a água como um bem público após experiência de privatização.

Leia aqui.

 

Publicado em Assuntos gerais, Privatização | Com a tag , , | Deixe um comentário

A legítima autodefesa dos trabalhadores

Acho muito estranho a esquerda choramingar, em nome dos trabalhadores, por causa da violência que sofre da direita. Durante uma década a política do PT estendeu a mão às elites procurando construir um caminho de entendimento de classes, uma espécie de ganha-ganha, baseado no desenvolvimentismo e no consumo.

Como a teoria já indicava, comprovou-se que é difícil construir um entendimento entre as elites (e seus adeptos) e os trabalhadores, tendo como norte uma vida digna para todos. Os interesses são antagônicos e não complementares.

As elites são insaciáveis em seu desejo de acumulação de riquezas. Temem a própria democracia com receio de que esta possa pelas suas próprias regras, consolidar práticas que limitem sua ambição. A direita não reconhece limites que teriam que ser observados para viabilizar um entendimento com o andar de baixo, que permitisse vida digna a todos. O pressuposto da acumulação sem limites é a miséria sem limites dos outros.

O golpe de 2016 representa este momento de ruptura de um entendimento que procurava a duras penas ser construído. Pedaladas de Dilma, corrupção dos partidos e outras alegações são apenas manobras diversionistas. Da violência simbólica canalizada pela justiça, pelos meios parlamentares e midiáticos, passa-se agora à violência real – prisões arbitrárias, agressões físicas com pedras, ovos e finalmente tiros e assassinatos no campo e na cidade.

A centro-direita ou silencia ou culpa a própria esquerda. A direita ou cala ou culpa a própria esquerda: atuam portanto juntas e legitimam a violência real, da mesma forma que atuaram juntas na produção da violência simbólica promovendo o golpe.

Quem recusou a mão dos trabalhadores estendida para construir um acordo foi a direita. Quem ataca os trabalhadores na violência real das reformas econômicas e na agressão física são as mesmas forças. Quem polarizou o país ao sair da mesa de negociações foi a direita, seguida pela centro direita.

Neste quadro, não compete aos trabalhadores a culpa pela escalada de violências. Não compete aos trabalhadores clamar por democracia – agora totalmente desmoralizada – ou oferecer a outra face. Os trabalhadores agredidos têm direito à legítima autodefesa. A isto dá-se o nome de luta de classes – acirrada pela direita – na qual inevitavelmente os trabalhadores estão, voluntariamente ou não, envolvidos por serem os alvos diretos da violência organizada da direita. A esquerda não pode, simplesmente falando em nome dos trabalhadores, propor como saída única a paz ou ter como objetivo insistir em um prosseguimento de negociações que as elites não querem.

Neste ponto da construção desta argumentação é preciso evitar a saída fácil e dizer, de imediato, que não estamos propondo, aqui, que se parta para a revolução. Em geral é assim que a própria esquerda foge deste debate e dá por encerrada a discussão, desqualificando a argumentação. A direita foge de outra forma, dizendo que isso é incitação à violência – violência que ela mesma produz.

É preciso neste momento reafirmar o direito à legítima defesa que têm os trabalhadores ao serem sistematicamente agredidos de forma simbólica e real. Não são estes que devem se desculpar. Isto temos que dizer a cada trabalhador agredido para começo de conversa, esclarecendo a cada um onde está a violência e porque e contra quem ela foi desencadeada pelas forças de centro e de direita.

Tal posicionamento já tem em si mesmo a essência da luta neste momento e que na realidade não poderia ter sido deixado de lado pela esquerda nesta década em que se propôs a negociar: a classe trabalhadora quer a paz social, mas não abre mão de lutar para ter uma vida digna para todos. Isso ela se propõe como missão histórica e gostaria que sua realização fosse possível pela paz, mas ante a recusa das elites, não pode fugir à  luta, principalmente se provocada.

Neste contexto, fica claro que não são as eleições que devem guiar a linha principal de resposta dos trabalhadores, algo que a direita também desmoralizou, mas sim sua preparação e formação para a defesa enérgica e a concretização de sua missão histórica, deixando à direita a escolha do caminho: se pelo diálogo ou pelo enfrentamento.

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag | 5 Comentários

Ensino médio: privatismo blefa para avançar?

O privatismo embutido no governo Temer e pelo governo no CNE sente-se tão à vontade que propôs, através de seus interlocutores, que 40% da carga didática do ensino médio seja possível de ser feita à distância.

Na verdade só sendo muito ingênuo o privatismo teria expectativa de que isso passaria sem reações negativas. Portanto, arrisco dizer que o privatismo aposta em um percentual menor ou em uma restrição da aplicação dos 40% de educação à distância aos itinerários da parte flexível do currículo.

Talvez não seja só uma coincidência que o número mágico de 40% seja o mesmo da duração da parte flexível do ensino médio: os itinerários. Isso permitiria terceirizar tais itinerários por completo. Já seria o céu para os grupos econômicos educacionais. Mas, se for menor, também será um bom início. Para o Senai, que tem um diretor no CNE como relator da matéria, seria a possibilidade de colocar-se de imediato como fornecedor de itinerários na área técnico-profissional.

O atual ministro da educação diz que veta. No entanto, se houver um “acordo” do CNE  – o presidente do órgão defende a medida – em torno de um valor menor ou da restrição do âmbito da aplicação aos itinerários, penso que o novo ministro da educação que assume em início de abril poderá rever a decisão. O CNE só volta a discutir a matéria em 9 de abril e o atual ministro sai 5 de abril.

A reforma empresarial avança por linhas tortuosas, por aproximações sucessivas. Qualquer valor diferente de zero já será lucro para o privatismo. Depois outras tentativas de ampliação deste valor se seguirão, provavelmente baseadas em “relatórios científicos” produzidos ou financiados pelo próprio privatismo, provando como o ensino à  distância é eficaz no ensino médio.

Portanto, se  alguém no CNE quer de fato barrar a destruição do ensino público e defender nossos jovens da mercantilização, a porcentagem adequada a ser defendida é  zero.

A conversa do presidente do CNE e de outros proponentes da medida sobre “introdução de inovações” é mera conversa. Não se introduz inovação por lei e em larga escala. Há outras formas mais adequadas de se promover a inovação. O privatismo sempre vem com esta ladainha quando quer avançar no dinheiro público. Foi assim que comecou a privatização da educação americana. O que está em jogo é a privatização da educação brasileira.

Publicado em Assuntos gerais | Deixe um comentário

Ensino Médio à distância: manifesto de entidades

Manifesto de entidades educacionais condena a proposta em curso no Conselho Nacional de Educação para estabelecer ensino à distância na escolarização média.

Baixe aqui.

O DESMONTE DA ESCOLA PÚBLICA E OS EFEITOS DA REFORMA DO ENSINO MÉDIO: EXCLUSÃO, PRECARIZAÇÃO, PRIVATIZAÇÃO, DESRESPONSABILIZAÇÃO DO ESTADO

As entidades nacionais abaixo relacionadas vêm a público se manifestar contra a precarização da formação das juventudes brasileiras, a privatização e o empresariamento da oferta pública de Ensino Médio e a desresponsabilização do Estado para com sua obrigatoriedade constitucional. São estes os efeitos nefastos da ação do governo de Michel Temer sobre a educação básica brasileira, que aprofundam as desigualdades educacionais e sociais, ameaçam a democratização do ensino público e distanciam a juventude do direito inalienável à educação com qualidade social. O Jornal Folha de S. Paulo de hoje, 20 de março de 2018, veicula matéria na qual dá publicidade a algo já esperado, desde a aprovação da Lei 13.415/17 que teve origem na MP 746/16. A Lei da reforma do Ensino Médio passou a permitir que fossem utilizados recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) para realização de parceiras com o setor privado, inclusive para que empresas de educação a distância ofertassem cursos nessa modalidade e que seriam usados para a integralização dos currículos dos/das estudantes nesse nível de ensino. O empenho em agradar o empresariado nacional, interlocutor preferencial do MEC, no entanto, eleva essa possibilidade ao extremo ao regulamentar que até 40% do Ensino Médio possa ser feito a distância.

São amplamente conhecidas as condições de precariedade de grande parte da oferta pública da última etapa educação básica no País, que carece de maiores investimentos. A reforma do Ensino Médio vai aprofundar essa precariedade, reduzindo o currículo ao mínimo, e agora, induzindo a oferta a distância. Essa reforma amplia as desigualdades educacionais que marcam o processo formativo da(s) juventude(s) brasileiras e retira dos/das jovens, sobretudo os da escola pública, o direito a uma formação plena, de qualidade, como requer e estabelece a Constituição Federal de 1988, consolidando o processo de apartheid social dos mais pobres.

O financiamento da oferta privada com recursos públicos significa, além de privatização stricto sensu, que o governo federal e os governos distrital e estaduais, estarão terceirizando o que é de sua responsabilidade constitucional. O Ensino Médio é parte constitutiva da educação básica e precisa cumprir a função precípua de contribuir para o desenvolvimento pleno dos estudantes. Não é admissível que frente ao desenvolvimento histórico da ciência, da arte e da cultura os jovens pobres sejam afastados da escola limitando o tempo presencial a três dias por semana. Igualmente inadmissível é o uso do dinheiro público para a mercantilização desse nível de ensino de acordo com interesses, demandas e necessidades que não correspondem aos das nossas juventudes.

Consideramos muito grave a possibilidade de mudança de orientação curricular do Ensino Médio, a partir de parâmetros mercadológicos e neoliberais, que predominam nas iniciativas privadas, comprometendo uma formação sólida, crítica e contextualizada socialmente para todos os estudantes. A atualização das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, com o fim de regulamentar a reforma, está ocorrendo de forma restrita no Conselho Nacional de Educação, sem participação das pessoas diretamente interessadas, o que agrava o problema apontado. É urgente que o CNE abra o diálogo com a sociedade, as instituições formadoras, as entidades representativas de pesquisadores, professores e estudantes, como já o fez em outros momentos de sua história, e não apenas com o empresariado.

Diante da gravidade dessa situação tornamos pública nossa indignação e conclamamos a sociedade a se manifestar em defesa da educação básica e de um Ensino Médio de qualidade para todos. Exigimos desse governo e do Conselho Nacional de Educação que respeitem as vias tradicionalmente constituídas com vistas à elaboração das normas que regulamentam a educação brasileira.

20 de março de 2018.

Movimento Nacional em Defesa do Ensino Médio (MNDEM)

Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd)

Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação (ANFOPE)

Associação Nacional de Política e Administração da Educação (ANPAE)

Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC)

Associação Brasileira de Currículo (ABdC)

Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação (FINEDUCA)

Centro de Estudos Educação e Sociedade (CEDES)

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)

Fórum Nacional de Diretores de Faculdades, Centros de Educação ou Equivalentes das Universidades Públicas Brasileiras (FORUMDIR)

Campanha Nacional pelo Direito à Educação

Ação Educativa

Rede Escola Pública e Universidade (REPU)

Publicado em Mendonça no Ministério, Privatização, Segregação/exclusão | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Ensino médio: Callegari é contra ensino à distância

Antonio Cesar Russi Callegari, da Comissão do Ensino Básico do Conselho Nacional de Educação posiciona-se contra a educação à distância no ensino médio e denuncia a falta de visão educacional que propõe afastar as crianças da vivência coletiva, colocando-a atrás de uma tela de computador para aprender fora da escola, privilegiando grandes grupos econômicos que acessarão recursos públicos, em detrimento do fortalecimento da escola e da aprendizagem coletiva que é fundamental nesta idade escolar.

Assista aqui.

Publicado em Mendonça no Ministério, Privatização | Com a tag , , , , , | Deixe um comentário

Ensino médio à distância: MEC nega autoria

Em nota oficial o MEC negou partir do governo Temer a iniciativa pela liberação de 40% do ensino médio na modalidade ensino a distância. Segundo o MEC o Conselho Nacional de Educação desenvolveu esta iniciativa autonomamente.

Em entrevista, o Ministro da Educação adiantou que pretende vetar a medida caso chegue ao governo a proposta.

Há um bate cabeças entre CNE e MEC pois segundo a reportagem citada, a medida teria sido discutida com membros do governo no CNE.

Publicado em Mendonça no Ministério, Privatização, Segregação/exclusão | Com a tag , , | Deixe um comentário

40% do Ensino médio à distância: golpe fatal

Finalmente aparecem, aos poucos, as verdadeiras razões que estão na base da pressão pela rápida reforma do ensino médio. O CNE – Conselho Nacional de Educação – quer liberar até 40% da carga didática do ensino médio (de qualquer disciplina) para o ensino à distância.

Leia aqui.

A medida deverá promover a segregação escolar de forma mais nítida, criando escolas on line de baixo custo (e de baixa qualidade) para os mais pobres e mantendo a escola regular cada vez mais para as classes mais bem posicionadas financeiramente (principalmente aquelas em que os filhos não precisem trabalhar para sobreviver). De quebra, irá deslocar, com o tempo, o financiamento da educação para a iniciativa privada retirando recursos da escola pública e sua expansão. É questão de tempo o aparecimento dos vouchers (algo como uma bolsa) para estudantes em escolas on line privadas.

A discussão vai vir embalada em “introdução de inovações tecnológicas” na educação. O fato é que o mercado já vinha se preparando para entrar neste campo. Recentemente foram feitas alterações que visavam viabilizar este passo, (veja aqui e  aqui  também), principalmente a liberação de polos de educação à distância no ensino superior. Grandes corporações podem agora ampliar o mercado. Outras virão.

Vale lembrar que nada disso conta com apoio de evidência empírica como mostra Nelson Pretto na própria reportagem da Folha citada acima. Sendo pessoa conhecedora do campo da tecnologia na educação, é uma opinião importante:

“Fica claro um movimento de desresponsabilização do Estado brasileiro com a formação crítica e sólida da juventude, e também com a infraestrutura escolar”, diz.

A privatização da educação tende a dar um salto com o incentivo ao aparecimento da escolas charters on line que prestarão serviços de educação à distância. Não é sem razão que o relator da medida no CNE é do SENAI. As recentes modificações introduzidas pelo governo na composição do próprio CNE, mudando seus conselheiros, viabiliza esta discussão. Vale lembrar que este caminho foi seguido pelos americanos e, hoje, as escolas charters on line americanas estão entre as que estão com piores desempenhos nos relatórios avaliativos (veja aqui e aqui).

Veja aqui desmentido do Governo Temer.

Publicado em Assuntos gerais, Escolas Charters, Mendonça no Ministério, Privatização, Segregação/exclusão | Com a tag , , , , | 4 Comentários

Bresser-Pereira: “o liberalismo é antidemocrático”

“Nunca a eleição é irrestrita, limpa. As eleições no capitalismo são, para o capitalismo, um mal necessário. O liberalismo é antidemocrático, sempre foi. Tiveram que aceitar [a democracia] porque a pressão foi grande. Então procuram tornar a democracia a menos democrática possível”.

Leia mais aqui.

Ouça aqui.

Publicado em Assuntos gerais | 1 Comentário

Dória: Nota de repúdio do SINESP

O Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo divulga nota de repúdio ao Prefeito João Dória pela repressão aos educadores no dia de ontem:

“Prefeito João Dória Júnior, baixe as suas armas! O SINESP repudia a odiosa truculência e o desrespeito com que o prefeito e seus aliados trataram os Servidores Municipais, que de forma legítima exerciam, no dia 14 de março de 2018, seu direito de se opor ao PL 621/16, que destrói suas carreiras e joga na lata de lixo a Previdência Municipal e o direito a uma aposentadoria minimamente digna.

Colocar policiais contra servidores com bombas de efeito moral e balas de borracha é ultrajante e indigno de homens públicos.

Saibam que os educadores municipais são patrimônio dessa cidade! A violência com que nos trataram derruba qualquer crença na educação, porque a violência é a antítese da educação. É a negação da possibilidade de diálogo. É a negação da possibilidade de construção da autonomia.

Tenha a certeza, Dória, de que manchou sua biografia com o sangue dos educadores e dos demais servidores municipais. E essa mancha há de segui-lo por toda a vida pública que possa ter pela frente.

Luiz Carlos Ghilard

Presidente do SINESP

Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo

Publicado em Assuntos gerais, Doria na Prefeitura de SP | Com a tag | 1 Comentário

MEC: um estranho conceito de “currículo” (atualizado)

O governo não cansa de dizer que não está fazendo currículo e sim uma Base Nacional Comum. Afirma que o currículo será desenvolvido pelos Estados, Municípios e escolas. Mas uma recente entrevista com Maria Helena Castro mostra o caminho que a BNCC segue e como ela dita, na prática, um currículo mínimo, sua avaliação e até o que ocorrerá na própria sala de aula.

Logo no início, como sempre, afirma-se que:

“A Base não é currículo. Está organizada por referenciais e áreas de conhecimento, e os currículos dos estados, a partir da Base, vão definir como fazer com que os alunos desenvolvam aquelas competências e habilidades específicas de cada área.”

Neste mesmo trecho está dada a concepção de “currículo”. Para o MEC o currículo é o momento em que se define “como fazer com que os alunos desenvolvam as competências e habilidades” já estabelecidas previamente. Não implica a concepção propriamente de um currículo, mas sim em definir como se cumpre o que a BNCC manda. Como se pode ver logo depois na entrevista, o conteúdo mínimo já está definido por tabela. Finalmente, vê-se o papel da avaliação e dos materiais didáticos fechando o controle, ou seja, como ela diz, “puxando a base”.

Leia íntegra da entrevista aqui.

Portanto, só adotando uma concepção instrumental do que seja um “currículo” (restrito à definição do como fazer) é que se pode afirmar que a BNCC não é currículo. Mesmo assim, nota-se que a BNCC através do material didático também chegará ao “como fazer”. Portanto, na prática, a BNCC definiu competências, habilidades (incluindo seu sequenciamento, ano em que devem ser dadas), currículo mínimo, avaliações e materiais didáticos. O que sobrou para o magistério criar?

 

Publicado em ANA - alunos de 8 anos, Avaliação de professores, Avaliação na Educação Infantil, Mendonça no Ministério, Prova Brasil, Responsabilização/accountability | Com a tag , , , , | 3 Comentários

Lei de Responsabilidade Educacional em urgência

O PL-07420/2006  que dispõe sobre a qualidade da educação básica e a responsabilidade dos gestores públicos na sua promoção tem regime de urgência solicitado por líderes.

Publicado em Responsabilização/accountability | Deixe um comentário

De volta para o passado

O Distrito Federal volta a criar a disciplina da ditadura para ensinar “educação moral e cívica”.

“Uma nova lei do Distrito Federal obriga escolas públicas e privadas a incluir o tema “educação moral e civil” na grade curricular dos ensinos infantil e fundamental. O projeto havia sido vetado pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB), mas a decisão acabou sendo revertida pela Câmara Legislativa.”

Leia aqui.

Veja aqui comentário de Luiz Antonio Cunha.

 

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag | Deixe um comentário

Horta: para além da avaliação cognitiva e do IDEB

Importante artigo de João Luis Horta Neto, pesquisador do INEP, resume o desenvolvimento da avaliação na educação brasileira de larga escala e apresenta pauta para superar os limites da avaliação centrada no cognitivo e no IDEB.

Acesse aqui.

Resumo: O texto, com base em revisão da bibliografia, analisa o movimento da avaliação educacional no Brasil e discute uma proposta de incluir no processo avaliativo outros aspectos que não somente os resultados dos testes. Inicialmente, destaca o movimento das políticas educacionais brasileiras em direção aos testes cognitivos, principal instrumento das avaliações educacionais produzidas pelos diferentes níveis de governo. Aborda os principais movimentos que permitiram o desenvolvimento da avaliação, tanto aqueles relativos à construção de seus instrumentos, como a discussão da legislação educacional.
Também destaca os princípios basilares do Sistema de Avaliação da Educação Básica, e como esse instrumento foi-se modificando ao longo do tempo para permitir a criação de um indicador educacional como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, e para a definição de metas por escolas. Por fim apresenta a proposta do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica, proposto pelo Plano Nacional de Educação, que amplia a avaliação para outras dimensões, que não apenas os resultados nos testes, e cria um comitê de governança, trazendo outros atores, além do governo federal, para a discussão sobre os seus instrumentos e os usos de seus resultados.

Publicado em ANA - alunos de 8 anos, Ideb, Links para pesquisas, Prova Brasil, Responsabilização participativa | Com a tag | Deixe um comentário

Mozart não aceitaria MEC

O Blog apurou nesta manhã que caso Mozart Neves Ramos seja convidado para o MEC, o que ainda não aconteceu, ele não aceitaria a indicação. Ele estaria convencido de que neste momento o órgão exige um outro perfil que não seria o dele.

A informação é coerente com a negação de convites anteriormente feitos a ele, já noticiadas em post anterior.

Publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério | Deixe um comentário

Blog do Noblat aponta nome em alta para o MEC

Segundo o Blog de Ricardo Noblat, um novo nome desponta para o cargo: Mozart Neves Ramos. O nome de Mozart tem uma clara vantagem: ele poderia tentar recompor as relações que até agora foram rompidas com a comunidade educacional.

Atualmente, é um dos Diretores do Instituto Airton Senna, tendo sido por duas vezes Reitor da Universidade Federal de Pernambuco. O que joga contra é que o tempo que teria frente ao Ministério é excessivamente curto e tem um histórico de negativas a convites anteriores.

Ramos ainda não se pronunciou, mas em maio de 2016 ele recusou a oferta para integrar o ministério de Temer. Em outubro de 2016 ele voltou a recusar igual convite de Doria para a Secretaria de Educação do município de São Paulo.

Publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério | Deixe um comentário

Nalini: “irreverência” baseada em evidência

A Folha de São Paulo critica, hoje, 11-03-18, o Secretário da Educação do Estado de São Paulo por uma entrevista dada a Paulo Saldaña, também da Folha, na qual ele faz críticas à política educacional de São Paulo. Diz a Folha, em sua resposta ao Secretário que ele:

“Critica o sistema de incentivos para professores na forma de bônus, em coro com teses rasteiras do sindicalismo; rejeita, também, o sistema de avaliação de alunos.”

Leia o editorial aqui.

Nalini cometeu a “irreverência” de identificar pontos equivocados da política educacional após lidar com ela por apenas dois anos. A Folha diz que o Secretário usa “teses rasteiras do sindicalismo” para criticar a política educacional. Ora, a Folha, ao criticar o Secretário, usa as mesmas teses rasteiras do anti-sindicalismo para defender a política atual. Não eleva o debate. O Secretário expressa o que ouve e vê na Secretaria de Educação. Tem a prática a seu favor. E a Folha? Baseado em que critica o Secretário? Onde está a argumentação científica no editorial, a mesma que a Folha exige do Secretário? Não há. As razões da Folha para criticar o Secretário advêm do fato de que ela está alinhada com a defesa daquela política, juntamente com empresários que pululam ao redor da Secretaria do Estado de São Paulo. Mas não têm nada de “científico”. A “irreverência” do Secretário tem pelo menos a evidência empírica a seu favor.

Mas não era de se esperar outra coisa. Reformadores empresariais nunca cedem. Lidam com argumentação ideológica, como um ato de fé. Se algo não dá certo, é porque suas receitas não foram bem aplicadas. Elas nunca estão erradas. Apesar de suas ideias serem contrariadas pela prática das escolas diariamente, sempre as defenderão. Com a Folha não se deve eNovo livro Koretzsperar nada diferente. Bônus é uma ideia, como diz Ravitch, que nunca funciona e nunca morre. Está ancorada em ideologia e não em fatos.

A evidência empírica está com Nalini. Não é para fazer política pública com evidência? Os donos da Folha deveriam ler Testing Charade de um autor que não é anti-avaliação e nem presidente de Sindicato. Revela a experiência americana, que a Folha tanto gosta, no uso da mesma política educacional que o Estado de São Paulo aplicou até agora: um desastre lá, que explica o desastre de cá, porque foi copiado de lá. Ao invés de se comportar como uma criança que perdeu o doce, deveria estudar e não repetir argumentação falaciosa baseada em crenças.

O Secretário expressa certamente o que ouve a diário dos profissionais da educação do Estado de São Paulo que vivem o desastre desta política diariamente nas escolas. A entrevista é corajosa e honesta. A fritura que a Folha quer fazer do Secretário é meramente ideológica e esperada. Faz o papel que a mídia tem cumprido a diário neste país: desinformar.

Vale lembrar que o ex-Secretário Herman que também tinha suas reservas com esta política, passou por situações semelhantes. A política educacional de SP é dogma que não pode ser criticado.

Publicado em Assuntos gerais, Meritocracia, Responsabilização/accountability | Com a tag | 1 Comentário

UFBA: professor é intimado a depor

O professor Carlos Zacarias, autor da disciplina sobre o Golpe 2016 na Universidade Federal da Bahia, foi intimado nesta sexta feira a prestar esclarecimentos sobre o oferecimento da disciplina.

A solicitação é um pedido de liminar feito pelo vereador do DEM Alexandre Aleluia.

Leia aqui.

Publicado em Assuntos gerais | Com a tag | Deixe um comentário

“Pluralismo oportunista” de mão única

Um jornal da minha cidade, Campinas (SP), comenta em seu editorial o curso sobre o Golpe de 2016 que o IFCH da UNICAMP irá oferecer. Impedido de questionar o próprio curso, pois revelaria obscurantismo e desconhecimento da autonomia universitária, o jornal escolhe outro flanco para questionar: indaga se haverá pluralidade na disciplina para analisar também a corrupção dos anos do PT e advoga que o curso poderia ser dado desde que fosse plural.

Não vejo nenhum problema em atender a demanda do jornal. A dialética é sempre bem-vinda. Mas vamos combinar que isso não vai valer somente para esta disciplina, mas que será usado sempre. Isso significa, para dar um exemplo, que quando se falar em capitalismo, também falaremos – para preservar a pluralidade – de socialismo; que quando ensinarmos os clássicos do liberalismo, ensinaremos também os clássicos do socialismo, etc. sem que isso seja considerado “incitação à violência de classe”. Até porque o entendimento do liberalismo facilita o entendimento do socialismo e vice-versa.

Há outra possibilidade no caso em questão: os professores que pensam como o jornal, por exemplo, podem se organizar para propor uma disciplina só sobre a corrupção do PT, paralelamente ao curso do Golpe. Não se tratando de curso obrigatório no currículo dos estudantes, estes podem escolher livremente qual das disciplinas realizar, ou até mesmo, fazer as duas. Esta é a graça da liberdade de cátedra e da autonomia universitária.

O fato é que a argumentação do jornal esconde o radicalismo da nova direita que se desenvolve no Brasil. As instituições advogam cotidianamente, por inércia, a favor do sistema social vigente e de suas regras. Professores de economia ensinam nas Universidades que a reforma da previdência é necessária para o país não quebrar, sem apresentar argumentos opostos à tese. Outros advogam que a Base Nacional Comum Curricular, que padroniza a educação de norte a sul do país autoritariamente, é uma medida adequada para colocar a educação no rumo certo. Os argumentos contraditórios não são apresentados. Juristas ensinam nos cursos de direito que não houve golpe em 2016. Mas tudo isso não causa nenhum espanto. Ninguém vai verificar se o contraditório esteve presente. Mas um pequeno espaço que se abre para o contraditório, é visto como ameaça e cerceado imediatamente. Sempre que se fala a favor das teses de direita, isso é tido como “normal”. O oposto é denunciado.

Esta é a falácia do movimento Escola Sem Partido que prega o não pluralismo na escola, através da “retirada” da política para que suas teses (igualmente políticas) reinem por inércia sem contestação. A direita teme o contraditório. O jornal deveria gastar mais tempo em ensinar à direita a necessidade de que ela seja plural.

Publicado em Assuntos gerais, Mendonça no Ministério | Com a tag | Deixe um comentário

A BNCC e a “salvação” dos pobres pela resiliência

A reforma empresarial da educação costuma usar duas argumentações para justificar suas receitas, incluindo a Base Nacional Curricular Comum: por uma, ela diz garantir que está procurando proteger direitos dos alunos à aprendizagem, com ênfase na garantia da aprendizagem dos mais pobres; por outra, ela cobra destes pobres que sejam mais resilientes. Com estes dois argumentos, fecha-se o círculo da tese liberal: avança na vida quem tem oportunidade e luta duramente por ela.

Os ricos estão liberados desta penitência, pois certamente, em algum momento da sua vida pregressa ou de seus familiares, fizeram jus ao que têm. Sua riqueza já estaria legitimada devido a este passado de luta. Conservadores e liberais fazem coro na defesa desta ideologia. Pelo mesmo raciocínio, fazer com que os ricos paguem mais impostos é “sacanagem” com quem lutou para ter o que tem. Distribuir renda para quem não foi resiliente, é incentivar a formação de vagabundos.

Por ela, também fica explicado porque existe o pobre: é aquele que não aproveita a oportunidade que lhe é concedida. Culpa dele, portanto. Compete ao Estado garantir oportunidades educacionais aos alunos, mas o pobre tem que entrar com sua parte e ser resiliente. Não retiramos todo o mérito do esforço pessoal, mas isso não é tudo na rota do sucesso, pois a linha de largada não é a mesma quando se trata de competir no plano social.

Estas teses, deram base a uma “nova teoria do desenvolvimento social” que diz: a questão da pobreza é algo que podemos vencer com uma nova Base Nacional Curricular Comum que, além das habilidades cognitivas, inclua também as habilidades sócio-emocionais, entre elas, a resiliência. Com a nova BNCC, agora vamos “ensinar” nossos estudantes a serem resilientes, principalmente os pobres. Não interessa a causa da pobreza: isso tem cura pelo ensino da resiliência. Por esta via, transformaremos os pobres em “empreendedores”, retirando-os do marasmo em que se encontram em suas vidas – desde que eles queiram, é claro.

Conclui-se, portanto, que a educação é a redenção da pobreza. Não há exemplo histórico de país que tenha resolvido seu problema com a pobreza por esta via, mas isso não importa, já que reconhecer qualquer outra solução levaria a um questionamento das estruturas sociais produtoras de pobreza e isso não convém. Que a pobreza de uns seja o preço que se paga pela riqueza de outros, é coisa de esquerdista. E coisa de esquerdista nem deve ser discutida, pois é mera ideologia sem base na realidade – afirmam os mais radicais.

Em reportagem do Estadão, a OCDE explica (sente-se antes de ler):

“São resilientes os alunos que estão entre 25% mais pobres do país e atingiram pelo menos o nível 3 de desempenho do Pisa, nas três áreas avaliadas – Matemática, Ciências e Leitura. Para a OCDE, o nível 3 é o mínimo necessário para que o jovem possa ter “uma vida com oportunidades de aprendizagem”.”

E nesta condição, diz a reportagem, estão apenas 2,1% dos alunos mais pobres brasileiros, enquanto que em outros países 30%, 40% dos pobres são resilientes.

É inacreditável que se queira medir a resiliência da pobreza por um teste descolado da luta diária que um aluno pobre enfrenta nos vários setores de sua vida social, a começar pelas suas condições de vida. Pela OCDE, a resiliência só existe desde que seja medida em um teste cognitivo e revele que o pobre tem nível 3 nas suas avaliações internacionais (PISA). Duvido que um aluno de alto nível social tido como resiliente aguentaria o dia-a-dia de um aluno pobre, o qual só sobrevive exatamente pela sua “natural” resiliência. Mas há uma razão para este malabarismo conceitual.

Ao criar uma medida própria de resiliência para os pobres, a OCDE introduz nela um viés de classe. E é exatamente isso que está em jogo. A resiliência “natural” de classe dominada não interessa porque pode alimentar as lutas contra a exploração. Ciente dos riscos, a OCDE quer, agora, a escola alinhada com uma tarefa mais ampla e mais incisiva, e promove um processo de substituição da perigosa resiliência dos pobres por outra, criada pela lógica dominante, à medida que as contradições sociais vão aumentando e colocando o sistema social em risco. Não é que os mais pobres não sejam resilientes. É que resiliência deles, criada nos embates sociais, não serve aos interesses dominantes. Esta nova resiliência seria, então, um atributo natural dos ricos, que a pobreza deveria imitar. Digamos: uma virtude a ser aprendida.

Manda a lógica que pensássemos em como não produzir tantos pobres, mas ao invés disso, a OCDE quer que nossa pobreza aprenda nas escolas a resiliência dos dominantes (leia-se: o conformismo social) – vale dizer, aprenda que deve aguentar firme a pobreza para que um dia possa superá-la pela educação. Aquele ímpeto de classe social explorada, que mobiliza a revolta do dominado, deve ser substituído pela resiliência dos dominantes.

Esta substituição quer ocultar que classes sociais distintas estão na base da constituição do nosso tipo de sociedade. Nela, a riqueza de uns cresce graças à pobreza de outros e esta engenharia social é a responsável pela perpetuação das classes sociais. Sem pobre, não haveria rico. O que os defensores da resiliência têm a oferecer para a pobreza é lutar para continuarem a ser pobres, mas em outra faixa de pobreza, perpetuando as relações sociais atuais e reduzindo o nível de conflitos sociais. Os ricos só aceitam que os pobres melhorem um pouco a vida se eles, os ricos, melhorarem muito mais simultaneamente.

O roteiro da propaganda é sempre o mesmo: primeiro encontra-se um ou dois alunos que se enquadrem na regra da resiliência para mostrar como isso é possível no Brasil. Depois ressalta-se um país que tenha alta resiliência para mostrar que precisamos imitar este país de sucesso. Tudo isso, é claro, “cientificamente” constatado pela OCDE.

A proposta da teoria do desenvolvimento social pela resiliência, no entanto, soa como uma promessa “post-mortem” de boa vida, para compensar o sofrimento na terra. Ela não conseguirá sobrepor-se à dura realidade da pobreza para sempre.

Leia mais aqui.

Publicado em Mendonça no Ministério, Meritocracia, Pisa, Segregação/exclusão | Com a tag , , | 10 Comentários

Blog da Helena: governo impõe aligeiramento na formação

O Blog da Helena reflete sobre as recentes ações na formação de professores promovidas pelo MEC em: “De como MEC e CAPES impõem o aligeiramento da formação e a desprofissionalização dos professores.”

“o desafio das entidades cientificas e sindicais será mobilizar os estudantes e professores para novas formas de trabalho na educação básica, recusando a vinculação mecânica entre as propostas pedagógicas, BNCC e a consequente preparação dos estudantes para os exames nacionais.

E, nesse contexto, mobilizar os pais para formas criativas e inovadoras de participação democrática no coletivo da escola, informando-os e clarificando os objetivos deste novo currículo padronizado e o impacto dos testes na saúde física e psicológica de seus filhos.”

Leia a íntegra aqui.

Publicado em Mendonça no Ministério, Responsabilização/accountability | Com a tag , , | Deixe um comentário