Novo ministro: começo infeliz

O novo ministro da Educação registrou ter o título de doutorado em seu curriculum (veja aqui). O Reitor da universidade argentina que teria concedido o título negou. Mais tarde, o ministro divulgou que concluiu os créditos, mas não defendeu a tese, pois deixou de ter interesse em permanecer naquele país. Depois disso, foi feita uma alteração no seu currículo:

“Decotelli retirou o título de sua tese “Gestão de Riscos na Modelagem dos Preços da Soja” e o nome do orientador Dr. Antonio de Araujo Freitas Jr. No lugar, ele deixou apenas “créditos concluídos” e “ano de obtenção: 2009”. No campo sobre o orientador, Decotteli escreveu: “sem defesa de tese”.”

Leia aqui.

Em seu currículo anterior, divulgado por ocasião da indicação ao MEC, constava:

  • Pós-Doutorado pela Universidade de Wuppertal, Alemanha
  • Doutorado em Administração pela Universidade Nacional de Rosário, Argentina
  • Mestrado profissional em Administração pela Fundação Getúlio Vargas, Brasil.

A questão que ainda persiste é: se não tinha doutorado, como pode ter sido aceito em pós-doutorado?

Leia aqui as explicações fornecidas pelo ministro em nota do MEC.

Leia aqui entrevista com o Reitor da Universidade de Rosário, Argentina.

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Militar da reserva é novo ministro da Educação

Mais um militar da reserva é indicado para ministro, agora da Educação. O presidente Jair Bolsonaro anunciou que o militar da reserva da Marinha e economista Carlos Alberto Decotelli é o novo ministro da Educação.

Leia aqui.

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Renato Feder reúne-se com Bolsonaro

Feder, potencial candidato a ministro da Educação, esteve com Bolsonaro no que foi considerado como uma sondagem de suas ideias para uma eventual indicação.

Ao falar ao Estadão sobre sua ida a Brasília afirmou que o livro que escreveu com Alexandre Ostrowiecki – Carregando o elefante – onde propõe vouchers, entre outras medidas para a educação, é muito antigo e não corresponde ao que ele pensa hoje, sobretudo no que se refere à parte da educação:

Toda a parte da escrita sobre educação eu não concordo. A questão dos voucher eu não concordo e não deu certo em nenhum lugar no mundo”, concluiu.

Leia aqui.

No entanto, há que se considerar que existem dois caminhos para a privatização da educação: a) por voucher, seu ponto mais desenvolvido e b) por terceirização das escolas para ONGs e empresas operadoras, seu ponto inicial. Pode-se começa pela terceirização de escolas para criar, paulatinamente, um mercado educacional e estimular o empresariado a se desenvolver na área, para somente depois acionar a segunda fase, a relativa a vouchers.

Portanto, aguardemos se o candidato a ministro também se manifestará sobre a questão da terceirização das escolas, que não está abordada em seu antigo livro.

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Um possível novo ministro da Educação (atualizado)

Renato Feder (PSD), Secretário de Educação do Paraná na administração Ratinho Jr., é um dos nomes cotados para ministro da Educação e que deverá ser recebido pelo presidente hoje ou amanhã para uma conversa inicial. Há outros no páreo.

Veja aqui.

Em versão anterior deste post, noticiamos que Feder é um empresário milionário (CEO) do setor de informática (Grupo Multilaser) e um ferrenho defensor da “eliminação do Estado em todas as atividades que hoje ele faz e que poderiam ser repassadas à iniciativa privada”. Para ele, é preciso “drenar o pântano” do Estado.

A referência que encontramos sobre seus pensamentos foi um livro. Feder descreve uma proposta completa para o Brasil – de ponta a ponta – e a registrou em parceria com Alexandre Ostrowiecki em um livro chamado: “Carregando o elefante: como livrar-se do peso que impede os brasileiros de decolar.” Ver aqui.

Atualização: O que encontramos em nova busca pela internet é que em 2019, ao ser indicado para a administração de Ratinho Jr., Renato Feder sugeriu que devemos esquecer o que escreveu. Ele não pensaria mais assim.

No livro mencionado, que agora Feder afirma ser passado, os autores diziam que a “desconstrução do Estado deve ser feita de forma gradual e planejada, ao longo de muitos anos. É preciso concentrar a atenção nas atividades públicas mais fáceis de serem eliminadas (…) e deixar os serviços básicos essenciais para depois.”

Para a educação a solução seria a utilização de vouchers: “O voucher educacional é um sistema bastante simples de entender: o Estado paga, os pais escolhem, as escolas competem, o nível de ensino sobe e todos saem ganhando.”

Faltou só completar: e os empresários embolsam o dinheiro público. E continuavam: “… neste cenário, apesar de o governo estar financiando a educação, o processo é regido pelos princípios da competição e da livre iniciativa. Escolas boas (…) crescem. Escolas ruins (…) fecham as portas. Uma irresistível pressão por melhoria é formada.”

Os dados apresentados para defender o sistema de voucher são os que os autores escolheram por serem favoráveis, mas não são mostrados os estudos disponíveis que revelam os problemas existentes com este sistema. O exemplo claro é o de Nova Orleans, citado pelos autores, onde os dados contrários e que mostram a falência do sistema não são mencionados. Isso para não falar do Chile e as manifestações recentes.

Veja aqui e aqui os dados não apresentados.

Em resumo, a proposta era que  “todas as escolas e universidades devem ser privatizadas”. No caso da educação fundamental o voucher deve ser gratuito, enquanto no caso da educação superior o voucher deve ser dado na forma de empréstimo estudantil.

Tudo isso deve ser “lento e gradual”, começando pelo ensino superior que é onde ocorrem as “maiores distorções”. A privatização deveria atingir desde a pré-escola até o ensino superior, sempre através de sistemas de vouchers. No livro, o alerta dos autores é para que não se privatize uma escola quando esta não possuir “massa crítica de alunos” ou seja, não tiver demanda suficiente. Entende-se a cautela: o lucro não aparece e não motiva a iniciativa privada.

Os autores admitem também que será possível a cada escola privatizada optar por ficar apenas com as verbas recebidas do governo através do voucher ou cobrar uma taxa extra. O sistema foi usado no Chile e lá chamava-se “co-pagamento”, tendo sido extinto em meio às manifestações recentes no Chile durante o governo Bachelet.

Agora, Renato Feder diz pensar diferente:

“Num gesto parecido com o de Fernando Henrique Cardoso em 1994 quando, eleito presidente da República, pediu que esquecessem o que escreveu em seus livros de sociologia, o novo secretário da Educação do Paraná, o empresário Renato Feder (foto), afirmou nesta sexta-feira (11/01/2019) que não pensa mais em aplicar as ideias contidas no livro “Carregando o Elefante – Como transformar o Brasil no país mais rico do mundo”, de sua autoria, escrito em 2007 e republicado em 2014.

Ver aqui.

A bem da verdade, peço que se já replicaram o post anterior, repliquem este também.

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CEARÁ: o que conta e o que não conta na avaliação

Ao inserir professores, estudantes e funcionários na batalha da concorrência por verbas do Estado, o Ceará instala uma política para a qual não há limite de danos. É da lógica concorrencial gerar efeitos colaterais. Ela tem embutida o sentido da sobrevivência do mais apto ou do mais forte. O que importa é vencer. As consequências dessas politicas já foram examinadas na literatura internacional, nacional e neste blog.

Um estudo publicado por Eric Passone e Karlane Holanda Araújo – Dispositivo de avaliação educacional do Ceará: a (in)visibilidade dos estudantes deficientes – publicado em Cadernos de Pesquisa, mostra as consequências de se inserir as escolas em uma concorrência por verbas estaduais a partir do rendimento dos estudantes em testes.

O Estado do Ceará instalou politicas de accountability e, complementarmente, liberou as escolas para que não contabilizem os resultados dos estudantes que, devidamente atestados por médicos, apresentem “deficiência”.

Uma Portaria do governo “estabelece os estudantes que não serão contabilizados no “cálculo da participação e da proficiência”, na medida em que se enquadrem nas seguintes condições: a) alunos com deficiência; b) alunos cumprindo medida pri­vativa de liberdade ou em situação de acolhimento institucional; entre outros casos específicos” – escrevem os autores.

Dessa forma, entre outros problemas éticos, abre-se uma grande porta para que as dificuldades pedagógicas apresentadas pelos estudantes sejam medicalizadas.

“Em decorrência das considerações apresentadas, pode-se concluir que o espírito contábil desse dispositivo paire sobre as salas de aula, salas de professores, biblio­tecas, direção escolar, enfim, sobre todo o espaço e o tempo escolar. Diante dessa ambiência escolar, como ficam os alunos com deficiência? Uma parcela significa­tiva de alunos são tornados invisíveis para o sistema de avaliação, espécie de “hi­gienismo tecnocrático” que visa à limpeza ou ocultamento de dados indesejáveis que viessem a macular o quadro de desempenho institucional? Por ora, para tal dispositivo, esses alunos não existem, não contam. Em suma, tal dispositivo con­tábil de gestão revela um perigoso mecanismo de desfiliação e degradação sim­bólica do laço social que se pretende construir a partir de uma cultura inclusiva e uma educação de qualidade para todos.”

Só há um caminho para enfrentar esta realidade: não vincular consequências (fortes ou fracas) a resultados de avaliação de desempenho dos estudantes, dos professores ou das escolas. Isso não leva a melhorar a qualidade da educação até porque, como insiste Diane Ravitch, “nota mais alta não é sinônimo de boa educação”.

Quanto mais rapidamente nos convencermos disso, mais rápido também poderemos encontrar o caminho correto para melhorar a qualidade da educação, confiando em nossos professores, nas nossas escolas e dando condições adequadas para que cumpram seu papel.

Resumo do artigo

“Este artigo trata do paradoxo da inclusão escolar na política de avaliação da educação básica do estado do Ceará, unidade federativa que se destaca entre os sistemas estaduais de ensino do país em termos de indicadores de proficiência no ensino fundamental, embora haja no interior de seu sistema um dispositivo normativo que deduz do cálculo da avaliação o desempenho dos estudantes deficientes, gerando um estado de “exclusão interna” ao sistema escolar. A partir do debate acerca das políticas de avaliação como mecanismo de gestão educacional no contexto nacional e da observação de estudos que apontam a tendência excludente da avaliação em larga escala em relação à educação inclusiva, aborda-se um dispositivo de lei que promove a exclusão da educação especial dos resultados provenientes das avaliações do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece).”

Baixe o artigo aqui ou copie o link para seu navegador e baixe.

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CEARÁ: tese mostra impacto da política educacional

O Ceará (em especial Sobral) tem sido declarado modelo de política pública educacional a ser implementado pelo país afora. De fato, mais de 50 municípios já tentam imitá-lo angariando para tal recursos de fundações e institutos privados. Estudos aprofundados do que acontece naquele estado começam a ganhar volume e a mostrar a que preço na formação das crianças cearenses estes altos índices numéricos têm sido obtidos.

Temos defendido que as políticas de accountability (responsabilização) atuam tanto no plano material (privatização e destruição da escola pública) como no plano da formação cultural dos estudantes, professores e gestores, neste caso, pela difusão de uma geocultura meritocrática que “ensina” principalmente a juventude a inserir-se na concorrência e a justificar seus avanços exclusivamente pelo mérito individual.

Um sentimento meritocrático vai tomando conta das crianças desde o início de sua formação e começa a ser o parâmetro de julgamento e justificação que diferencia quem tem direito a ter direito (pelo mérito) e quem não tem. A própria estrutura de classes sociais começa a ser justificada pela posse do mérito, transmutando as complexas desigualdades sociais, reduzidas, agora, a simples desigualdades de mérito. E este sentimento construído ao longo de todo o processo educativo, contribui posteriormente para explicar também quem está incluído e quem não está incluído no acesso aos direitos sociais e políticos.

Constrói-se um ataque direto ao conceito de “cidadania” construído no âmbito da democracia liberal, cuja responsabilidade cabe ao Estado apoiar como garantidor de uma sociedade mais igualitária – mesmo nos limites do liberalismo. Este sentimento cria terreno fértil para o pensamento anti-estatal, contrário ao desenvolvimento de políticas sociais igualitárias e, ao mesmo tempo, abre caminho para o desenvolvimento do pensamento individualista, um liberalismo radical que se expressa politicamente na extrema-direita e no populismo autoritário.

Um estudo que foi concluído em 2020, de Karlane Holanda Araújo, ajuda a desvendar como estas relações começam a se estabelecer a partir de uma política de responsabilização (accountability) desde os anos iniciais no Ceará.

A autora concluiu tese de doutorado na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará examinando “O PRÊMIO ESCOLA NOTA DEZ E SUAS IMPLICAÇÕES À SUBJETIVIDADE DAS CRIANÇAS DO 2º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL DO ESTADO DO CEARÁ”, sob orientação do Prof. Raimundo Helio Leite e coorientação da Profa. Clarice Zientarski.

O resumo do trabalho detalha a metodologia:

“O presente estudo objetivou analisar os efeitos da política accountability escolar representada pelo Prêmio Escola Nota Dez, efeitos esses produzidos na subjetividade das crianças do 2º ano do ensino fundamental do estado do Ceará. Para esta versão da pesquisa, mapearam-se as repercussões desse evento em cinco municípios distribuídos nas Coordenadorias Regionais de Desenvolvimento da Educação, situadas nos polos: norte (Coordenadoria Regional 3 – Morrinhos), sul (Coordenadoria Regional 18 – Nova Olinda), leste (Coordenadoria Regional 10 – Fortim), oeste (Coordenadoria Regional 13 – Novo Oriente) e centro (Coordenadoria Regional 12 – Quixeramobim) do Ceará.

Em cada uma dessas coordenadorias, selecionaram-se os municípios que obtiveram o maior número de escolas agraciadas com o Prêmio Escola Nota Dez em 2014 e 2015. Posteriormente se extraíram as escolas com os melhores desempenhos em cada uma dessas cidades. Para a coleta dos dados, aplicou-se a técnica de entrevista semiestruturada com os professores polivalentes do 2º ano, como também se empregou a entrevista grupal com as crianças da série pesquisada.”

E prossegue elencando as conclusões:

“Ao final da pesquisa, constatou-se que a cultura produtivista e de reconhecimento do mérito da política accountability escolar, representada pelo Prêmio Escola Nota Dez, reverbera na ação educativa, de modo que a escola e sua equipe escolar, durante todo o ano letivo, empreendem esforços (sermão da recompensa e controles aversivos) com o propósito de instruírem o aluno para alcançar a performance de excelência (standard student) explicitada nos descritores do Spaece-Alfa e, por efeito, serem reconhecidas e agraciadas com a premiação em dinheiro.

Nessa perspectiva, a criança que se encontra em fase de formação e constituição de sua subjetividade e identidade é reduzida à posição de “objeto” passivo, estimulada a se acomodar ao processo de ensino-aprendizagem e pressionada a responder à demanda da “eficácia escolar”. Nesse sentido, o Prêmio Escola Nota Dez reforça práticas pedagógicas à luz da lógica do capital, práticas essas socialmente valorizadas, produzindo efeitos na subjetivação dos valores, das condutas e dos laços sociais das crianças das escolas de alto rendimento do ensino fundamental (2º ano) do estado do Ceará.

Diante desse achado, considera-se que a formação dessas crianças não irá melhorar caso se continue a focar apenas a leitura e a matemática nos testes como um meio de decidir o destino dos estudantes, professores, diretores e escolas, enquanto se ignorarem os outros estudos que são elementos essenciais de uma boa educação. É preciso romper o circuito de anseios mercadológicos.

Para isso, são urgentes: a meta-avaliação do programa e a adoção de uma nova proposta de política educacional que venha a priorizar os valores humanísticos constituídos nas relações sociais dentro do ambiente escolar, bem como o desenvolvimento integral da criança.”

Baixe o texto aqui.

Vale a pena destacar um trecho das conclusões que identifica a ação destas políticas na conformação da subjetividade meritocrática das crianças:

“Nessa prospecção, essas escolas que se rendem a essa face obscura da política de responsabilização e correm em busca de altos resultados a qualquer custo tendem, por um lado, a reprimir os desejos e as necessidades próprios da infância, subjugando-se à lógica mercantilista, produtivista e recompensadora; por outro lado, colocam em risco todo o processo de ensino-aprendizagem das crianças, desprezando seu desenvolvimento metacognitivo e socioafetivo e degradando os valores humanísticos constituídos nas relações sociais dentro do ambiente escolar. A criança passa a ser alvo da missão aluno nota dez, visto que seu desempenho na prova do Spaece-Alfa é tributo para ganhar status, menção honrosa e premiação financeira, capitalizando, assim, a relação entre professor e aluno.

As crianças são monitoradas quanto ao seu desempenho nas proficiências do Spaece-Alfa através de formulários e quadros expostos nas paredes das salas de aula. Os quadros dos alunos nota dez servem de vitrine midiática para a comunidade escolar no sentido de apresentar ao público local o tipo de discente que se quer ter, ou seja, o modelo de aluno objetivado no contexto das escolas de alto rendimento.

As crianças do 2º ano do ensino fundamental que se destacam, que leem com fluência e atendem satisfatoriamente às proficiências exigidas nas áreas de Português e Matemática são protagonistas de uma história forjada pela maquinaria do poder, já as crianças que não estão localizadas na escala de proficiência verde-escura nos quadros de ranqueamento das escolas nota dez de ensino fundamental (séries iniciais) do Ceará correm o risco de ser estigmatizadas e marginalizadas. A exposição classificatória dos resultados de desempenho educacional acarreta tensões no cotidiano da sala de aula, gerando, muitas vezes, bullying entre os colegas da turma, descontentamento, desinteresse, acirramento de competições, individualismo e uma série de sentimentos que pode ocasionar baixa autoestima no educando.

Em outro fluxo, vamos ter o ideário do Estado, objetivado pelo professor, rendendo-lhe bônus financeiro, status e ego inflado. A exclusão e a marginalização da criança com déficit nos resultados de desempenho, provenientes do frisson avaliativo e da expectativa pelas melhores posições na premiação escolar, passam despercebidas e sem importância no processo educativo.” (p. 254/255)

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Weintraub deixa o país; Vogel é Ministro interino

Weintraub foi exonerado em Diário Oficial de hoje pouco depois de confirmada a informação de que ele já estava nos Estados Unidos. Ele viajou para Miami. Assume interinamente o MEC Antonio Paulo Vogel de Medeiros, graduado em Economia e Direito e auditor de finanças e controle desde 1988. Ele já estava no MEC como Secretário Executivo de Weintraub.

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CNTE divulga diretrizes para a pandemia

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) lançou dia 18/06 as “Diretrizes para a Educação Escolar durante e pós-pandemia – contribuições da CNTE”. 

“O material propõe estratégias de retomada das aulas com foco na defesa da vida e contra as desigualdades na educação, mantendo a escola pública brasileira como espaço de efetivo direito à aprendizagem dos/as estudantes e de exercício permanente da cidadania.”

Baixe aqui.

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Semana da Ciência e da Educação Pública

Entre 22 e 26 de junho acontecerá a Semana da Ciência e da Educação Pública Brasileira: desafios do PNE para o progresso da educação e da ciência, com debates às 9 e as 14 horas.

semana convite

Dia 24 de junho às 14 horas haverá o debate sobre Mercantilização da Educação Pública Brasileira com o Deputado Waldenor Pereira; Luiz Carlos de Freitas; Gilson Reis e Theresa Adrião.

Assista ao vivo pelo Facebook: fb.me/SemanaCienciaEducacaoPublicaBrasileira

Evento

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Weintraub deixa o MEC

O ministro da Educação, Weintraub, anunciou sua saída do MEC:

“Desta vez é verdade, estou saindo do Ministério da Educação. Nos próximos dias, passo o bastão para o ministro que vai ficar no meu lugar, interino ou definitivo. Neste momento, não quero discutir os motivos da minha saída, não cabe. Recebi o convite para ser o diretor de um banco, já fui diretor de um banco no passado, e volto para o mesmo cargo, porém no Banco Mundial”.

Leia aqui.

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Cofen irá à Justiça contra estágio a distância

Portaria 544/20 [que também libera estágio presencial] publicada ontem (17/6) pelo MEC foi recebida com críticas pelo Conselho Federal de Enfermagem – Cofen:

O Ministério da Educação publicou hoje (17/6) portaria autorizando o ensino a distância em cursos superiores, inclusive em substituição aos estágios presenciais e atividades práticas que exijam uso de laboratório, durante pandemia de covid-19.  O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) acionará a Justiça contra a Portaria 544/2020, recebida com incredulidade pela comunidade acadêmica e órgãos técnicos.

“Estágio não-presencial é uma farsa, um verdadeiro estelionato educacional”, afirmou o presidente do Cofen, Manoel Neri. “No caso da enfermagem representa a banalização do ensino. Não podemos permitir que enfermeiros concluam o curso superior sem a realização de estágios onde prestem assistência a pessoas reais. Isto representaria um risco para a população que venha a ser assistida por estes futuros profissionais. Não podemos concordar que em nome da pandemia do novo coronavírus, o MEC, juntamente com segmentos do setor privado da educação, tentem implementar um modelo de ensino tão lesivo à sociedade”, finalizou o presidente do Cofen.

A portaria do MEC ignora o posicionamento técnico do próprio Departamento de Gestão do Exercício Profissional do Ministério da Saúde (DEGERTS/MS), do Conselho Nacional de Saúde, instância máxima de controle social do SUS, e do Fórum dos Conselhos Federais da Área da Saúde (FCFAS).

Fonte: Ascom – Cofen

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Pandemia exige mais gestão democrática

Nota Técnica assinada pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação, pelo Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará (CEDECA-CE), pelo Grupo de Pesquisa “Direito à Educação, Políticas Educacionais e Escola” da Universidade Federal do ABC e pela Rede Escola Pública e Universidade (REPU) é divulgada.

“Recomendações para a disponibilização e a coleta de dados sobre as ações das redes de ensino relacionadas às atividades educacionais durante a pandemia da Covid-19”

Acesse a nota técnica aqui.

Para a ANPED:

“Documento recomenda o reforço da gestão democrática para a avaliação das políticas emergenciais, a identificação de casos de discriminação educacional e para a reparação do direito à educação dos/as estudantes na reabertura das escolas:

Como foi reorganizado o calendário escolar? O que foi priorizado nessa decisão? Que providências foram tomadas pelas escolas para minimizar os impactos da medida sanitária de isolamento a estudantes e suas famílias? Como os calendários serão readequados para os/as estudantes que tenham sido, em alguma medida, prejudicados pelas medidas tomadas?

Respostas a perguntas desse tipo vêm sendo constantemente demandadas por educadores e por entidades de defesa da educação para avaliar as políticas emergenciais que estão sendo implantadas nas redes de ensino e para aumentar a gestão democrática e o controle social e institucional que exigem os preceitos e princípios constitucionais.”

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MEC autoriza aulas em meios digitais até dezembro

O Diário Oficial da União publica, hoje, Portaria 544/2020 que dispõe sobre a substituição de aulas presenciais por aulas em meios digitais, enquanto durar a pandemia (31/12/20), para instituições de educação superior integrantes do sistema federal de ensino.

“O MINISTRO DE ESTADO DA EDUCAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, incisos I e II, da Constituição, e considerando o art. 9º, incisos II e VII, da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e o art. 2º do Decreto nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017, resolve:

Art. 1º Autorizar, em caráter excepcional, a substituição das disciplinas presenciais, em cursos regularmente autorizados, por atividades letivas que utilizem recursos educacionais digitais, tecnologias de informação e comunicação ou outros meios convencionais, por instituição de educação superior integrante do sistema federal de ensino, de que trata o art. 2º do Decreto nº 9.235, de 15 de dezembro de 2017.

#1º O período de autorização de que trata o caput se estende até 31 de dezembro de 2020.

#2º Será de responsabilidade das instituições a definição dos componentes curriculares que serão substituídos, a disponibilização de recursos aos alunos que permitam o acompanhamento das atividades letivas ofertadas, bem como a realização de avaliações durante o período da autorização de que trata o caput.

#3º No que se refere às práticas profissionais de estágios ou às práticas que exijam laboratórios especializados, a aplicação da substituição de que trata o caput deve obedecer às Diretrizes Nacionais Curriculares aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação – CNE, ficando vedada a substituição daqueles cursos que não estejam disciplinados pelo CNE.

#4º A aplicação da substituição de práticas profissionais ou de práticas que exijam laboratórios especializados, de que trata o § 3º, deve constar de planos de trabalhos específicos, aprovados, no âmbito institucional, pelos colegiados de cursos e apensados ao projeto pedagógico do curso.

#5º Especificamente para o curso de Medicina, fica autorizada a substituição de que trata o caput apenas às disciplinas teórico-cognitivas do primeiro ao quarto ano do curso e ao internato, conforme disciplinado pelo CNE.

#6º As instituições deverão comunicar ao Ministério da Educação – MEC a opção pela substituição de atividades letivas, mediante ofício, em até quinze dias após o início destas.

Art. 2º Alternativamente à autorização de que trata o art. 1º, as instituições de educação superior poderão suspender as atividades acadêmicas presenciais pelo mesmo prazo.

#1º As atividades acadêmicas suspensas deverão ser integralmente repostas, para fins de cumprimento da carga horária dos cursos, conforme estabelecido na legislação em vigor.

#2º As instituições poderão, ainda, alterar o calendário de férias, desde que cumpram a carga horária dos cursos, consoante estabelecido na legislação em vigor.

Art. 3º Ficam revogadas:

I – a Portaria MEC nº 343, de 17 de março de 2020; II – a Portaria MEC nº 345, de 19 de março de 2020; e III – a Portaria MEC nº 473, de 12 de maio de 2020.

Art. 4º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

ABRAHAM WEINTRAUB

 

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Ximenes: mobilização #SemAulaSemNota

Salomão Ximenes, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), apresenta nesta entrevista a mobilização #SemAulaSemNota, que tem crescido nas redes sociais para chamar a atenção sobre como a avaliação tradicional não leva em consideração o contexto da pandemia.

“Um dos principais temas discutidos por entidades, comunidade escolar e pesquisadores da área de educação é a aplicação de avaliações valendo nota, além da continuidade do ano letivo dentro do contexto da pandemia. Ambas as temáticas têm trazido incertezas e deixado expostas as desigualdades entre os estudantes brasileiros.”

“A campanha #SemAulaSemNota e o manifesto que a fundamenta, assinado por 30 redes e entidades da educação e com o título ‘O Ensino Não Presencial e o Aumento das Desigualdades Educacionais: ninguém pode ser excluído!’ – têm essa preocupação quanto ao fato de que boa parte dos sistemas de ensino, ao dar continuidade às atividades letivas de forma não presencial, manteve também praticamente inalterado o calendário de avaliações aplicadas tanto aos estudantes quanto às escolas.”

Acesse a entrevista aqui.

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Políticas discriminatórias na pandemia

Salomão Ximenes, Fernando Cássio, Andressa Pellanda e Marina Braz discutem a crise da pandemia que tem levado governos a adotar políticas públicas emergenciais de caráter mais do que ‘desigual’:

“Com a dificuldade em verificar a “presença” dos alunos durante as aulas online, escolas são orientadas a pedir o envio de fotos de crianças e adolescentes em seus ambientes domésticos, o que levanta sérias objeções jurídicas e éticas.

Questionável também é a aparente ausência de critérios e de protocolos de segurança no recebimento de doações de aplicativos e plataformas de tecnologia, automaticamente adotadas pelo setor público, que assim patrocinam o acesso massivo das corporações a dados pessoais cotidianos de milhões de crianças, adolescentes e seus familiares, informações que valem ouro nesse modelo de negócio. Em outros estados do país, a situação não tem sido diferente.”

Leia mais aqui.

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CONSED propõe protocolo para retorno às aulas

O Conselho Nacional de Secretários de Educação – CONSED – elaborou protocolo para organizar o retorno às aulas presenciais quando isso se tornar possível. O documento foi coordenado pela Secretária de Educação de Alagoas, Laura Souza, e pelo Secretário de Educação da Paraíba, Cláudio Furtado. O MEC não participou.

Integra o documento uma longa lista de medidas como: distanciamento social com redução de alunos por sala, sinalização de rotas nas escolas para orientar distância segura entre os estudantes, bem como o cancelamento de atividades em grupo, além do controle de temperatura, máscaras, locais para higienização e preferência para uso de materiais descartáveis, entre outras.

O CONSED também sugere que haja uma revisão dos conteúdos que estavam previstos para serem dados em 2020 e admite que os conteúdos que não puderem ser dados poderão ser tratados no próximo ano de 2021.

O documento prevê cinco etapas:

  • Definição das normas de segurança sanitárias para os espaços escolares.
  • Diagnóstico da capacidade de atendimento, condições para a readequação e aquisição dos materiais necessários.
  • Definição da progressividade do retorno e dimensionamento das alternativas de rodízio dos estudantes, face às condições da rede e possibilidades de sua readequação.
  • Definição prévia da revisão curricular (a ser feita a partir de avaliação diagnóstica dos estudantes no retorno) e das estratégias de ensino híbrido, visando o alcance dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, com o cumprimento da carga horária mínima anual e planejamento da aquisição/adequação dos meios necessários.
  • Revisão do calendário anual escolar.

Em Nota, a CNTE – Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação – cobrou a participação dos profissionais da educação no processo de elaboração do protocolo de retorno.

“O Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED), que reúne as Secretarias de Educação dos Estados e do Distrito Federal, tornou público um documento chamado “Diretrizes para protocolo de retorno às aulas presenciais”, datado de junho de 2020. Elaborado a partir de referências de algumas entidades nacionais e internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Federação Nacional de Escolas Particulares, SEBRAE, Todos pela Educação, UNESCO e UNICEF, o documento do CONSED se esqueceu de ouvir a comunidade escolar.”

Leia aqui Nota da CNTE.

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O bumerangue do populismo autoritário

À medida que as ameaças à democracia vão se consolidando com a atuação da “nova elite” que assumiu o poder em 2019, constituída por uma aliança que reuniu principalmente conservadores, neoliberais e militares, vai também ficando mais claro para a população que o mal-estar contra os políticos e governantes alardeado antes era, de fato, um mal-estar contra à própria democracia.

Se foi difícil mobilizar as pessoas a favor deste ou daquele partido, a favor deste ou daquele político atingido, à medida que a agressão se revela contra a democracia liberal e suas instituições, mais fácil fica, no entanto, unir as pessoas e mobilizá-las a favor da democracia. Os ataques vão tomando a forma de um “tiro pela culatra” – para usar (intencionalmente) a expressão militar – em tempos de permanentes “advertências” de militares. Ou ainda um verdadeiro bumerangue – objeto que, quando lançado, pode voltar e atingir a própria cabeça do lançador.

Quanto mais as Forças Armadas entrarem neste processo e se atolarem no governo, como ademais já o estão, com 3.000 cargos sendo ocupados por militares, mais ficará claro que, neste momento, o jogo foi revelado: o que está em questão é a democracia brasileira. A generalização desta percepção, especialmente pela juventude, muda o jogo. E são estas ações de agressão à democracia que vão facilitar esta percepção.

Está na hora de renomearmos o que chamamos, neste blog, de “populismo nacionalista” (com base em Eatwell e Godwin, National Populism: the revolt against liberal democracy, 2018) – quando caracterizamos a aliança conservadora, neoliberal, militar, e avançarmos nesta classificação: esta aliança, agora, está abertamente se apresentando como “populismo autoritário” (nos termos de Norris e Inglehart, Cultural Backlash: Trump, Brexit, and Authoritarian Populism, 2019).

Renomear não altera a análise de composição e finalidades que vínhamos fazendo antes, mas muda a ênfase de uma característica nacionalista, que continua a haver, para dar voz a uma característica marcadamente autoritária desta coligação. Isso permite também evitar o recurso a frases de efeito que não contribuem para esclarecer a real composição do governo Bolsonaro, como acusações genéricas de “fascismo”, “nazismo” – grupos existentes na base do populismo, mas minoritários na composição real do governo, mesmo quando se considera o “núcleo ideológico” sob influência de Steve Bannon e Olavo de Carvalho.

Para Norris e Inglehart os líderes populistas atuam de forma a ir derrubando as restrições à ação dos ocupantes do poder executivo, “alegando que eles, e somente eles, refletem a voz autêntica das pessoas comuns” (posição: 401) e que somente eles têm a capacidade para restabelecer a segurança do “povo”, povo este que se resume na sua “tribo” – aqueles que os apoiam. E prosseguem:

“Os valores autoritários misturados à retórica populista podem ser vistos como uma combinação perigosa para alimentar o culto ao medo. A retórica populista direciona as queixas tribais ‘para cima’ contra as elites, alimentando a desconfiança em políticos, considerados por eles ‘corruptos’; da mídia, acusada de ‘fake’ e de juízes vistos como ‘tendenciosos’, bem como partidos tradicionais “fora de seu alcance”, atacando a verdade e corroendo a fé na democracia liberal ” (Posição: 438).

Dessa forma, “quando os valores autoritários e a retórica populista são traduzidos em políticas públicas, a questão principal torna-se à necessidade de defender a ‘Nós’ (‘nossa tribo’) através de restrições postas a ‘Eles’ (‘os outros’)” (Posição: 457).

Em suma: é o “povo” em luta contra as elites, sendo guiado pelo líder, pelo “mito”. E para o caso de se questionar o tamanho deste “povo”, aduz-se e alardeia-se, então, o apoio militar.

O governo Bolsonaro é um governo de composição hibrida com filosofias sociais que apesar de divergentes, têm como uma de suas bases de união uma concepção autoritária: neoliberais com sua teoria da ditadura de transição (e com ‘granadas nos bolsos’), conservadores ortodoxos, religiosos autoritários que pretendem falar em nome de deus, e militares que agora se esmeram em sucessivas declarações de intimidação, alegando apoio de todas as Forças Armadas ao governo – apoio que é afirmado em um dia e negado no outro, mas que cumpre a função de manter uma das características fundamentais do populismo autoritário, ou seja, manter o medo e acuar as instituições democráticas, enquanto o projeto populista é construído no dia-a-dia ao sabor dos objetivos específicos das várias frentes políticas que compõem o governo. É assim que se deve interpretar as frases: “passar a boiada”, “colocar a granada no bolso do inimigo”, mandar “pender membros do STF”. “fechar o Congresso” etc.

As sucessivas declarações de militares no governo, que agora culminam com uma declaração conjunta de Bolsonaro, Mourão e Azevedo, este último Ministro da Defesa, consolidam este arroubo autoritário que tenta transformar Bolsonaro em um monarca que responde somente ao seu “povo”, com poderes para invocar as Forças Armadas em defesa de seu governo, tudo isso em reação a um Parecer exarado pelo STF em relação à interpretação do papel das Forças Armadas na democracia liberal.

Neste Parecer o Ministro do STF, Fux, dizia que “a missão institucional das Forças Armadas na defesa da Pátria, na garantia dos poderes constitucionais e na garantia da lei e da ordem não acomoda o exercício de poder moderador entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”. E note-se que foi elaborado pelo Ministro Fux que goza da maior confiabilidade perante a “nova elite” governante, pois “in Fux we trust”. Em reação à posição de Fux, o governo redigiu um comunicado que diz:

“Lembro à Nação Brasileira que as Forças Armadas estão sob a autoridade suprema do Presidente da República, de acordo com o Art. 142/CF. As mesmas destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

As FFAA do Brasil não cumprem ordens absurdas, como p. ex. a tomada de Poder. Também não aceitam tentativas de tomada de Poder por outro Poder da República, ao arrepio das Leis, ou por conta de julgamentos políticos.

Na liminar de hoje, o Sr. Min. Luiz Fux, do STF, bem reconhece o papel e a história das FFAA sempre ao lado da Democracia e da Liberdade.”

O tom é ameaçador: “lembro à nação”. Parafraseando Reynaldo Fernandes, é como se os militares se colocassem na posição de um paizão que dá bronca em seu filho: “Olha lá em moleque: não teste a minha paciência!!”

Este é um grave erro que o autoritarismo brasileiro comete – de novo. Portanto, já pode ser enquadrado como burrice. Se as análises desenvolvidas por Norris e Inglehart (2019) para a Europa e Estados Unidos podem ser de alguma ajuda para a realidade brasileira, e penso que sim, então, estes arroubos autoritários servirão para mobilizar as gerações mais jovens, que são mais abertas à democracia e aos valores liberais, para saírem em defesa da democracia, contra o populismo autoritário.

Para estes autores, pelo menos na Europa e Estados Unidos, o predomínio do populismo autoritário se vale de sua penetração em gerações mais velhas, ou seja, que nasceram entre 1950 e 1970. As gerações posteriores, livres dos problemas imediatos do pós-guerra e das necessidades materiais que se seguiram, favorecidas pelo desenvolvimento acelerado entre os anos 45-75, professam valores mais liberais e menos autoritários.

De certa forma, as manifestações do Black Lives Matter, recentes nos Estados Unidos, evidenciam a grande presença da juventude negra, mas também branca. No caso brasileiro, a emergência de lideranças democráticas jovens começa a ser sentida e mesmo jovens que se somaram a movimentos que conduziram ao predomínio do populismo autoritário, já se afastam do apoio ao atual governo.

Artigo de Reginaldo Prandi, em 2019, comentava um estudo de Mauro Paulino e Alessandro Janon que procurava caracterizar quem eram os apoiadores de Bolsonaro:

“À medida que a idade sobe, cresce a fileira de seguidores. São 5% na faixa de 16 a 24 anos, 9% na de 25 a 34 anos, 12% na de 35 a 44 anos, 16% na de 45 a 59 anos, e 19% na faixa de 60 anos ou mais. Nada de novo: conservadorismo e medo da mudança usualmente crescem com a idade.”

Leia aqui.

Uma pesquisa Datafolha recente, de abril de 2020, mostra a mesma tendência:

“Atualmente, Bolsonaro é mais reprovado entre os jovens na faixa de 16 a 24 anos (41%) e entre 24 a 34 anos (43%) do que entre os mais velhos, com 60 anos ou mais (33%).”

“Entre os mais jovens, 54% são a favor da abertura do processo de impeachment de Bolsonaro, índice que cai para 47% na faixa intermediária, de 35 a 44 anos, e vai a 34% entres os mais velhos, com 60 anos ou mais.”

Leia aqui.

O ponto positivo deste movimento atabalhoado de embate promovido pelo populismo autoritário brasileiro, além dele revelar sua verdadeira face anti-democrática sob o manto do combate à corrupção, é que ele vai gerar uma ampla reação na juventude, o que junto com uma crítica profunda das limitações da democracia liberal representativa, abre possibilidade para que ela possa liderar uma reflexão sobre como podemos avançar para a construção de formas ainda mais democráticas e mais igualitárias, que nos levem para além da própria democracia liberal representativa e seus problemas.

Temos que ser francos com a juventude: a democracia liberal representativa tem problemas, sim, mas a solução não se dá pelo populismo autoritário. A solução está em  criarmos formas mais igualitárias e mais democráticas ainda.

Esta é a disputa que deve interessar aos progressistas e à esquerda: uma disputa sobre o futuro, mas que está acontecendo agora. Um futuro cuja construção precisa ser acelerada em meio ao aprofundamento da crise global do capitalismo, antes que o mesmo caia sobre nossas cabeças.

Esta é uma batalha prática, sim, mas que não poderá ser levada a cabo sem que igualmente se tenha uma profunda batalha de ideias que precisa chegar até a juventude desmontando, por um lado, o populismo autoritário e, por outro, as receitas utópicas de um liberalismo radical que pretende exacerbar o individualismo, naturalizando a precarização da vida de milhões e a destruição do meio ambiente, enquanto constrói o conforto de uma nova elite meritocrática.

O populismo autoritário será derrotado e esta derrota será promovida pelas mãos das gerações mais novas a quem cabe, de fato, liderar a construção de uma nova democracia – mais igualitária e mais democrática.

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Carolina Catini: Miséria pedagógica

No blog da Boitempo, Carolina Catini escreve sobre: “O trabalho de educar numa sociedade sem futuro”:

“A Fundação Lemann, por exemplo, tem sido contratada por vários municípios para trabalhar dentro de secretarias de educação, por meio das quais estabelece contratos com a Google for Education, que ocupa as escolas e pinta as salas de aula com suas cores e logos.

A pandemia acelerou esse processo e muitas outras ferramentas tecnológicas de educação têm sido criadas ou aprimoradas a partir desse capital educador, como o aprendiZap, também da Lemann, no compromisso de instaurar “o futuro, agora”, lançada por quem não se envergonha em dizer que vê a crise sanitária da covid-19 como uma “janela de oportunidade”.

Funcionários de tais empresas, sem formação em pedagogia ou licenciatura, ficam responsáveis por atividades educativas bastante simplificadas, enquanto professoras executam outras tarefas, por até 10 das 25 horas semanais. Algumas empresas oferecem sequências de atividades que preenchem a hora-aula com um vídeo gravado por um ator infanto-juvenil, seguido de exercícios de compreensão da aula, um jogo de vídeo game e, finalmente, os testes para finalizar cada hora com avaliação.”

Leia íntegra aqui.

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Entrevista com Evaldo Piolli

O “Ideias de Esquerda” entrevistou Evaldo Piolli, especialista em gestão educacional, política educacional e trabalho docente e professor da Faculdade de Educação da UNICAMP. O tema cobriu políticas do MEC, o processo de privatização, o cenário da educação na pandemia e as perspectivas do financiamento da educação pública no país.

Leia aqui.

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Financiamento: austeridade, subsistência ou investimento?

O National Education Policy Center divulga posicionamento sobre o impacto da pandemia no financiamento da educação. Uma síntese do documento é apresenta a seguir:

BOULDER, CO (4 de junho de 2020) – Os cortes adicionados aos orçamentos educacionais atualmente descritos como inevitáveis ​​são, de fato, uma escolha política feita por políticos e causarão sérios danos às crianças.

As alternativas a essa escolha e o dano iminente são explicadas no estudo: “Austeridade, subsistência ou investimento: o Congresso e o presidente escolherão salvaguardar o futuro de nossos filhos?” – um memorando de política divulgado hoje pelo National Education Policy Center. O estudo é de autoria de Frank Adamson, professor da Universidade Estadual da Califórnia, Sacramento; Allison Brown, do Instituto Righteous Rage de Justiça Social (RRISJ); e do professor da Universidade do Colorado em Boulder Kevin Welner, diretor do National Education Policy Center. O memorando de políticas também está sendo divulgado pela Fundação Schott e pelo RRISJ.

Os autores apresentam as três opções agora enfrentadas pelo governo federal: austeridade, segundo a qual os estados devem padecer com déficits orçamentários sem o auxílio do governo federal, levando a demissões em massa de professores e outras privações de recursos; subsistência, por meio da qual o governo federal completa os orçamentos estaduais para manter o status quo; e investimento, pelo qual o governo federal responde à crise atual com uma iniciativa que impulsione uma renovação nacional do nosso sistema de ensino público.

O estudo sobre esta política chega em um momento de várias solicitações de gastos federais para estimular o apoio à educação pública e em um momento em que manifestantes em todo o país estão marchando contra a violência policial e por direitos iguais para os negros e comunidades de cor. Ele detalha por que o país não pode se dar ao luxo de cortar gastos com educação em um momento de crescente necessidade das crianças e famílias. Explica também como a desigualdade racial resultará em mais desinvestimento nas comunidades de cor em um momento em que as pessoas em massa estão exigindo a transformação de sistemas que historicamente marginalizaram e reprovaram jovens e famílias de negros, latinos e nativos.

Por fim, fornece uma visão geral dos tipos de investimentos que os educadores e as famílias desejam em suas escolas, incluindo investimentos na aprendizagem sócio-emocional e em justiça restaurativa como substitutos do atual policiamento excessivo dos corpos negros e latinos nas escolas. Existe uma alternativa clara e convincente para reduzir os gastos com educação: a abordagem historicamente bem-sucedida do aumentar o investimento para financiar totalmente a educação pública de alta qualidade e preparar nossas futuras gerações.

No final, os autores colocam a pergunta: se os formuladores de políticas estão dispostos e são capazes de colocar trilhões no apoio a investidores ricos e no fortalecimento dos mercados financeiros, como eles podem negar uma fração disso aos nossos filhos para salvar seu futuro?

O texto “Austeridade, subsistência ou investimento: o Congresso e o presidente escolherão salvaguardar o futuro de nossos filhos? – de Frank Adamson, Allison Brown e Kevin Welner, está aqui.

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Entidades lançam Nota sobre formação continuada

O “Blog da Formação” informa que entidades educacionais lançam documento no qual criticam veementemente o Parecer inicial sobre a Base Nacional Comum da Formação Continuada de Professores da Educação Básica, elaborado pelo CNE – Conselho Nacional de Educação.

Leia aqui.

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FONEC divulga Nota

O Fórum Nacional de Educação do Campo divulgou nota em que analisa o momento atual e faz proposições:

Baixe a íntegra da Nota aqui.

“Em síntese, embora a oferta de atividades remotas possa ser considerada importante para manter os estudantes ativos nos casos onde isto é possível, para além de todo o sofrimento e desafios da pandemia, tais atividades não podem ser contadas como dias letivos e nem serem objeto de avaliação, visto produzirem uma enorme desigualdade, em função das imensas diferenças de acesso à tais conteúdos escolares disponibilizados desta forma. Pois, isto fere frontalmente o princípio da “Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola”, disposto no inciso I do Artigo 206 da Constituição Federal.

Sensível às nossas reivindicações e preocupações quanto aos encaminhamentos a serem tomados pelos sistemas estaduais e municipais de educação após a aprovação do Parecer do CNE, a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, do Ministério Público Federal, emitiu Nota Técnica (Nº 11/2020/PFDC/MPF), no dia 15 de maio de 2020, apresentando “Orientações e parâmetros sobre a garantia do Direito à educação em tempos de pandemia e sobre os impactos desproporcionais do não adiamento do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM 2020” (Procedimento Administrativo PA- PPB n° 1.00.000.007312/2020-41).

Nas reflexões contidas na Nota, fica evidente que as diretrizes para orientar as escolas da educação básica e instituições de ensino superior durante a pandemia do novo coronavírus, aprovadas pelo CNE “não tem a aptidão de superar o quadro normativo a respeito de calendário escolar e horas presenciais, (…) e que o fornecimento de conteúdo escolar em período de pandemia segue cercado de precariedade, diversidade de situações e, principalmente, desigualdade”. (p.2)

A Nota ainda adverte que “a suspensão das aulas presenciais suprime o componente mais fundamental da educação: “o encontro e o intercâmbio, (…) são mecanismos para manter a escola de alguma forma presente no imaginário do aluno são importantes em tempo de pandemia, para evitar evasão, desinteresse, desconexão; mas não podem ser considerados dias letivos e tampouco instrumentos hábeis à transmissão qualificada do conhecimento”. (p.6)

No entendimento dos Procuradores do MPF “Perdem, e muito, os estudantes com escasso acesso a meios remotos, como internet e televisão. Mas perdem todos, inclusive os mais favorecidos economicamente. Estes podem ter facilitada a transmissão de conteúdo das disciplinas, mas igualmente ficam carentes da dimensão social da educação. E, tal como os demais, pouco habilitados a serem avaliados em exames que não podem e não devem desconhecer a socialização que a educação deve promover”. (p.6)

A Nota finaliza recomendando que “No ambiente da pandemia, em que a desigualdade se acentua e a diversidade fica pouco visível, há tudo, menos educação minimamente digna. Considerar que, nesse período, há dias letivos, ou que é possível a realização da prova do ENEM, é orientar a política nacional de educação na contramão do artigo 3º da CF”. (p.6)

Diante do exposto, o FONEC elaborou esse documento a ser encaminhado a toda sociedade brasileira, especialmente aos conselhos e secretarias de educação dos estados e municípios, aos órgãos de justiça e do legislativo nas várias esferas de governo, às organizações e entidades da sociedade civil, universidades, educadores, estudantes, escolas e pais, para unirmos nossas forças e PROPORMOS:

  1. Que toda e qualquer medida de reorganização dos calendários escolares, quando do retorno seguro às atividades escolares presenciais, deverá ser precedida de escuta ampla, qualificada e democrática da comunidade escolar, sociedade civil e movimentos sociais, pelos estados e municípios.
  2. Que as atividades pedagógicas não presenciais durante o período da Pandemia da Covid-19 não sejam computadas como dias letivos e como objeto de avaliação.
  3. Que os estados e municípios priorizem a destinação do orçamento da educação para a estruturação das escolas e contratação de educadoras/es para adequar-se às novas exigências sanitárias das educadoras/es e estudantes quando da retomada segura atividades presenciais. Os gastos com plataformas de mediação tecnológica para a implementação de atividades pedagógicas não presenciais se revertem em resultados limitados e excludentes, quando não, no desperdício de recursos públicos.
  4. Que sejam suspensos todos os exames nacionais, estaduais ou municipais e vestibulares previstos para este ano letivo.
  5. Que a União, estados e municípios adotem as providências para que não haja demissões, assédios, cortes de carga horária e diminuição de salários dos profissionais da educação das redes pública e privada, efetivos e temporários, da cidade e do campo, das comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhas ou camponesas durante o período de Pandemia da COVID-19.
  6. Que a União, estados e municípios adotem as providências para assegurar a oferta da merenda escolar para todos os alunos da rede pública estadual e municipal de ensino, na cidade e no campo, comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas, ribeirinhas ou camponesas durante o período de Pandemia da COVID-19.

02 de junho de 2020.

ENSINO REMOTO E À DISTÂNCIA APROFUNDA DESIGUALDADES.

SEM PROFESSOR/A NÃO HÁ EDUCAÇÃO.

EDUCAÇÃO É DIREITO. NÃO É MERCADORIA.”

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Nora Krawczyk: falácias da EAD

“Com a suspensão de aulas presenciais por conta da atual pandemia, voltam com força redobrada as pressões pela implantação da Educação à Distância (EAD). As mentiras e falácias sobre esse tema se multiplicam.”

Leia aqui em Carta Maior.

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MEC homologa Parecer CNE com veto

O MEC travou parte importante do Parecer do CNE que permitiria adequar as avaliações ao ritmo do calendário específico das redes de ensino. Ao travar o item 2.16, a medida escancara a face meritocrática do governo e impulsiona o aumento da desigualdade educacional.

O MEC solicita que o CNE reexamine esta matéria à luz do Despacho. Embora nem tudo que foi vetado deva ser defendido por nós, é fundamental que o Projeto 2949/2020 em tramitação no Congresso, que discute o retorno às aulas pelas redes, incorpore ao menos um aspecto mais geral que foi vetado: as avaliações e exames nacionais e estaduais considerarão as ações de reorganização dos calendários dos sistemas de ensino para o estabelecimento de seus cronogramas.

Diz o Despacho do ministro:

GABINETE DO MINISTRO DESPACHO DE 29 DE MAIO DE 2020

Nos termos do art. 2º da Lei nº 9.131, de 24 de novembro de 1995, o Ministro de Estado da Educação homologa parcialmente o Parecer CNE/CP nº 5/2020, do Conselho Pleno, do Conselho Nacional de Educação – CNE, o qual aprovou orientações com vistas à reorganização do calendário escolar e à possibilidade de cômputo de atividades não presenciais, para fins de cumprimento da carga horária mínima anual, em razão da pandemia do novo coronavírus – Covid-19, e deixa de homologar o item 2.16 do referido Parecer, o qual submete para reexame do Conselho Nacional de Educação, considerando as razões constantes na Nota Técnica nº 32/2020/ASSESSORIA-GAB/GM/GM, conforme consta do Processo nº 23001.000334/2020-21.

 ABRAHAM WEINTRAUB

O ítem 2.16 “Sobre avaliações e exames no contexto da situação de pandemia” diz:

Sugere-se que as avaliações e exames nacionais e estaduais considerem as ações de reorganização dos calendários de cada sistema de ensino para o estabelecimento de seus cronogramas. É importante garantir uma avaliação equilibrada dos estudantes em função das diferentes situações que serão enfrentadas em cada sistema de ensino, assegurando as mesmas oportunidades a todos que participam das avaliações em âmbitos municipal, estadual e nacional. Neste sentido, as avaliações e exames de conclusão do ano letivo de 2020 das escolas deverão levar em conta os conteúdos curriculares efetivamente oferecidos aos estudantes, considerando o contexto excepcional da pandemia, com o objetivo de evitar o aumento da reprovação e do abandono no ensino fundamental e médio. Sugere-se também que os sistemas de ensino desenvolvam instrumentos avaliativos que podem subsidiar o trabalho das escolas e dos professores, tanto no período de realização de atividades pedagógicas não presenciais como no retorno às aulas presenciais, a saber:

  • criar questionário de autoavaliação das atividades ofertadas aos estudantes no período de isolamento; • ofertar, por meio de salas virtuais, um espaço aos estudantes para verificação da aprendizagem de forma discursiva; • elaborar, após o retorno das aulas, uma atividade de sondagem da compreensão dos conteúdos abordados de forma remota; • criar, durante o período de atividades pedagógicas não presenciais, uma lista de exercícios que contemplam os conteúdos principais abordados nas atividades remotas; • utilizar atividades pedagógicas construídas (trilhas, materiais complementares etc.) como instrumentos de avaliação diagnóstica, mediante devolução dos estudantes, por meios virtuais ou após retorno das aulas; • utilizar o acesso às videoaulas como critério avaliativo de participação através dos indicadores gerados pelo relatório de uso; • elaborar uma pesquisa científica sobre um determinado tema com objetivos, hipóteses, metodologias, justificativa, discussão teórica e conclusão; • criar materiais vinculados aos conteúdos estudados: cartilhas, roteiros, história em quadrinhos, mapas mentais, cartazes; e • realizar avaliação oral individual ou em pares acerca de temas estudados previamente.

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PT Bahia: mais uma ação privatista

“Estado da Bahia publicou a Portaria da Secretaria de Educação n. 290/2020 que “institui o processo de credenciamento de pessoas físicas para prestação de serviços, consultoria, palestra e docência em educação à distancia – EAD, com vistas à formação dos profissionais da educação […]”. Com essa Portaria, o governo do estado da Bahia sela, mais uma vez, o seu vínculo com a privatização da formação dos/das trabalhadores/as da educação, em detrimento das quatro IEES e de toda a sua histórica participação na formação de professores do estado. Lamentável e ainda mais preocupante agora a partir da aprovação das DCN-FC.”

Leia aqui no Blog da Formação.

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Manifesto dos profissionais do direito

Comunidade jurídica divulga manifesto:

Basta!

O Brasil, suas instituições, seu povo não podem continuar a ser agredidos por alguém que, ungido democraticamente ao cargo de presidente da República, exerce o nobre mandato que lhe foi conferido para arruinar com os alicerces de nosso sistema democrático, atentando, a um só tempo, contra os Pode­res Legislativo e Judiciário, contra o Estado de Direito, contra a saúde dos brasileiros, agindo despudoradamente, à luz do dia, incapaz de demonstrar qualquer espírito cívico ou de compaixão para com o sofrimento de tantos.

Basta!

A Constituição Federal diz expressamente que são crimes de responsabili­dade os atos do presidente da República que atentem contra o livre exercí­cio do Poder Legislativo, do Poder Judiciário, do Ministério Público e dos Poderes constitucionais das unidades da Federação e contra o cumprimen­to das leis e das decisões judiciais (artigo 85, incisos II e VII).

Pois bem, o presidente da República faz de sua rotina um recorrente ataque aos Poderes da República, afronta-os sistematicamente. Agride de todas as formas os Poderes constitucionais das unidades da Federação, em­penhados todos em salvar vidas. Descumpre leis e decisões judiciais diutur­namente porque, afinal, se intitula a própria Constituição. O país é jogado ao precipício de uma crise política quando já imerso no abismo de uma pandemia que encontra no Brasil seu ambiente mais favorável, mercê de uma ação genocida do presidente da República.

Basta!

Nós profissionais do direito, dos mais diferentes matizes políticos e ideoló­gicos, os que vivem a primavera de suas carreiras, os que chegam ao outono de suas vidas profissionais, todos nós temos em comum a crença de que viver sob a égide do Direito é uma conquista civilizatória. Todos nós temos a firme convicção de que o Direito só tem sentido quando for promotor da justiça. Todos nós acreditamos que é preciso dar um BASTA a esta noite de terror com que se está pretendendo cobrir este país.

Não nos omitiremos. E temos a certeza de que os Poderes da República não se ausentarão.

Cobraremos a responsabilidade de todos os que pactuam com essa situ­ação, na forma da lei e do direito, sejam meios de comunicação, financia­dores, provedores de redes sociais. Ideias contrárias ao Estado e ao Direito não podem mais ser aceitas. Sejamos intolerantes com os intolerantes!

Acesse aqui.

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STF: legislação antigênero é inconstitucional

O atual governo tem duas grandes áreas de ataque à escola pública de gestão pública: a agenda neoliberal que visa desmontar e privatizar a educação; e a agenda conservadora, com dois braços principais: o movimento Escola Sem Partido e a militarização das escolas.

Por enquanto os tribunais estão dando conta de segurar um dos braços conservadores, pelo menos, as ações antigênero e anti diversidade sexual, bem como reiterar a liberdade de expressão dos professores. A Ação Educativa tem informações relevantes sobre isso.

“Tribunal considerou inconstitucional legislação antigênero e diversidade sexual de Ipatinga (MG). Decisão reafirma dois julgamentos anteriores referentes a leis dos municípios de Novo Gama (GO) e Foz do Iguaçu (PR) baseadas em propostas do movimento Escola Sem Partido. Entidades consideram resultado mais uma vitória na defesa do direito à educação de qualidade.”

Acompanhe aqui.

Leia voto de Gilmar Mendes.

Acesse mais aqui.

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Daniel Aarão Reis: análise de conjuntura

Entrevista com o historiador Daniel Aarão Reis, professor da pós-graduação em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), analisa a conjuntura política brasileira.

“Bolsonaro constituiu um dispositivo de milicianos e paramilicianos ligados às polícias militares que não vão aceitar a alternância de poder em caso de derrota no projeto de reeleição do atual presidente. A análise é do historiador Daniel Aarão Reis, professor da pós-graduação em História na Universidade Federal Fluminense (UFF), especialista em revoluções socialistas no século XX e pesquisador das esquerdas e da ditadura de 1964 no Brasil.”

Leia íntegra aqui em Carta Capital.

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Projeto de Lei tenta regulamentar volta às aulas

PL 2949/2020 de Idilvan Alencar (PDT), apresentado hoje à Câmara dos Deputados, visa criar uma Estratégia para o Retorno às Aulas no âmbito do enfrentamento da pandemia do coronavírus (Covid-19), envolvendo a participação da União, Estados, o Distrito Federal e os Municípios.

O PL determina que a “Estratégia para o Retorno às Aulas será constituída por princípios, diretrizes e protocolos para o retorno às aulas na educação básica, definidos nas instâncias criadas por esta Lei, respeitando as orientações da Organização Mundial de Saúde e das autoridades sanitárias brasileiras e que as diretrizes serão definidas nacionalmente, pactuadas entre União, Estados e Municípios e estadualmente, pactuadas entre Estados e Municípios em comissões criadas por esta lei com esta finalidade.”

A partir das diretrizes pactuadas, “Estados e Municípios criarão seus protocolos de retorno às aulas, que deverão ser observados pelas escolas na elaboração de seus próprios procedimentos.”

O projeto ainda regulamenta a criação de Comissões Locais de Retorno às Aulas que definirão, a partir das diretrizes definidas pelas Comissões Estaduais e Nacional, os protocolos a serem observados pelas escolas públicas em relação a:

“a) critérios epidemiológicos para decidir sobre o funcionamento de cada escola, tais como taxa de contaminação, taxa de ocupação de leitos, dentre outros dados que os especialistas em saúde considerarem relevantes;
b) parâmetros de distanciamento social a serem observados por cada escola para decidir o tamanho das turmas, rodízios, novos turnos, dentre outras ações;
c) medidas de prevenção a serem observadas pela escola, tais como uso de máscaras, álcool, higienização dos ambientes, monitoramento da temperatura, testes para covid-19, dentre outros;
d) reorganização do calendário escolar;
e) ações em casos de contaminação de alunos, de profissionais ou de familiares;
f) acolhimento de estudantes e profissionais, incluindo avaliação socioeconômica, psicossocial e de saúde;
g) comunicação com as famílias e comunidade;
h) busca ativa e outras estratégias para evitar o abandono escolar;
i) avaliação diagnóstica e ações de recuperação;
j) currículo e direito à aprendizagem;
k) uso de tecnologias e outros materiais didáticos;
l) formação de professores;
m) ações intersetoriais envolvendo saúde, educação e assistência social.”

Leia aqui.

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GEC (UFBA): Educação em Tempos de Pandemia

O Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC) da Faculdade de Educação (FACED) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) divulga o documento: “Educação em tempos de pandemia: reflexões sobre as implicações do isolamento físico imposto pela COVID-19” organizado pelos professores Nelson De Luca Pretto; Maria Helena Silveira Bonilla e Ivânia Paula Freitas de Souza Sena.

“Nossa reflexão/contribuição está expressa, preliminarmente, no conjunto de pontos que seguem, os quais servem de balizadores para que possamos desencadear e aprofundar a reflexão sobre os temas que estão atualmente em evidência e ao mesmo tempo fomentar o debate público, aberto e colaborativo, a fim de contribuirmos com a construção de conhecimento que possa circular por diferentes mídias e grupos, de forma a chegar a um público cada vez mais vasto.”

Baixe aqui.

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