Reabrir escolas ou não: eis a questão?

Diane Ravitch relata em seu Blog que o Jornal New York Times divulgou um novo estudo feito na Coréia do Sul que investigou se as crianças de até 10 anos podem espalhar o coronavírus. O estudo de quase 65.000 pessoas na Coréia do Sul sugere que a reabertura de escolas provocará mais surtos. Diz:

“Um grande e novo estudo da Coréia do Sul oferece uma resposta: crianças menores de 10 anos transmitem para outras pessoas com muito menos frequência do que os adultos, mas o risco não é zero. E aqueles entre 10 e 19 anos podem espalhar o vírus pelo menos tão bem quanto os adultos.”

E continua:

“Os resultados sugerem que, à medida que as escolas reabrirem, as comunidades terão grupos de infecções que incluem crianças de todas as idades, alertaram vários especialistas.

“Receio que exista a sensação de que as crianças não serão infectadas ou não da mesma maneira que os adultos e que, portanto, são quase como uma população dentro de uma bolha”, disse Michael Osterholm, um infectologista especialista em doenças da Universidade de Minnesota.

“Haverá transmissão”, disse Osterholm. “O que temos que fazer é aceitar isso agora e incluir isso em nossos planos.”

Vários estudos da Europa e Ásia sugeriram que as crianças pequenas são menos propensas a serem infectadas e a espalhar o vírus. Mas a maioria desses estudos era pequena e falha, disse o Dr. Ashish Jha, diretor do Instituto Global de Saúde de Harvard.

O novo estudo “é feito com muito cuidado, é sistemático e analisa uma população muito grande”, disse Jha. “É um dos melhores estudos que já tivemos sobre esse assunto”.”

O debate é acirrado e ainda há muito a esclarecer sobre a infecção nas crianças:

“Podemos especular o dia todo sobre isso, mas simplesmente não sabemos”, disse Osterholm. “A mensagem final é: haverá transmissão”.

Os gestores terão um grande problema mas mãos: decidir se reabrem e quando reabrem as escolas.

“… eles enfrentam um desafio monumental, porque as evidências sobre a transmissão nas escolas estão longe de serem conclusivas até agora, disseram especialistas. Alguns países como a Dinamarca e a Finlândia reabriram com sucesso as escolas, mas outros, como China, Israel e Coréia do Sul, tiveram que fechá-las novamente.”

Leia mais aqui.

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FUNDEB: governo apresenta contra-proposta

Jornal O Globo comenta proposta alternativa do governo para o FUNDEB:

“Líderes de alguns partidos da Câmara dos Deputados receberam neste sábado (18) uma proposta alternativa do governo ao texto que está para ser votado nesta semana sobre o Fundeb, fundo que financia a educação básica no país. A contraproposta recebeu críticas de parlamentares e educadores.”

O CONSED – Conselho de Secretários da Educação” considerou que a proposta do governo “representa um claro desvirtuamento do propósito do Fundeb, além de uma perda de 50% dos recursos novos a serem complementados pela União no novo Fundeb”.

Leia aqui.

O Jornal Folha de São Paulo relata que:

“…o governo sugeriu a líderes partidários que o Fundeb só começasse a vigorar a partir de 2022 e que a complementação adicional da União fosse repartida com o Renda Brasil…”

Leia aqui.

o “Congresso em Foco” também examina a matéria com o título: “Guedes tenta incluir voucher para educação em PEC do Fundeb”.

Leia aqui.

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FUNDEB: o contra-ataque de Guedes

CNTE divulga Nota denunciando manobra do Governo em relação ao FUNDEB:

NOTA DA CNTE

Governo Bolsonaro deseja sabotar a educação pública desestruturando o FUNDEB

Nos próximos dias 20 e 21 de julho deverão ocorrer as votações no plenário da Câmara dos Deputados da PEC 15/2015, que trata do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB.

O FUNDEB é o principal mecanismo de financiamento das matrículas escolares nas redes públicas de ensino em todo o país, as quais congregam quase 40 milhões de estudantes. O Fundo também é responsável, em grande medida, pelo pagamento de quase 4 milhões de trabalhadores em educação, entre professores, especialistas pedagogos e funcionários da educação. O piso salarial do magistério é majoritariamente financiado pelo FUNDEB.

O atual FUNDEB, de caráter temporário, tem prazo de validade até 31.12.2020. E a proposta discutida pelo parlamento, com ampla participação social, indicou a necessidade de tornar perene esse fundo público na Constituição Federal. Além disso, o debate parlamentar e social propôs:

  1. Dobrar, pelo menos, a atual complementação da União de 10% para 20%;
  2. Instituir o Custo Aluno Qualidade (CAQ) como referência para o investimento per capita estudantil;
  3. Desautorizar a utilização do FUNDEB com despesas que não sejam estritamente de manutenção e desenvolvimento do ensino;
  4. Manter a vinculação de recursos à educação e a subvinculação para financiar as políticas de valorização salarial dos profissionais da educação; entre outras medidas.

Ocorre que o governo federal tem se posicionado contra a maioria dessas medidas voltadas para a melhoria da escola pública, e tem ameaçado desestruturar o FUNDEB, mediante a:

  1. Diminuição da complementação da União (até 15%) e estabelecimento de critério meritocrático para repasse de recursos aos entes federados;
  2. Instituição de vouchers para repassar recursos públicos diretamente para as escolas particulares;
  3. Supressão do CAQ, do piso salarial nacional do magistério e da subvinculação de recursos para pagamento de salários dos profissionais da educação;
  4. Manutenção do FUNDEB temporário, sem torná-lo permanente.

A CNTE considera extremamente graves as orientações do governo federal, que visam desestruturar por completo o FUNDEB como política de desenvolvimento da educação básica pública e de valorização de seus profissionais. As ações governamentais se voltam claramente para a desvinculação dos recursos da educação (na lógica da reforma tributária ultraliberal), para o fim da política de valorização profissional (especialmente com a supressão do piso salarial do magistério) e para o término do próprio FUNDEB, que poderá perder recursos e ser esvaziado ao longo dos anos.

É preciso que governadores, prefeitos e secretários de educação se atentem para as propostas deletérias do governo federal, pois a partir de 1º de janeiro de 2021 poderão ficar sem recursos suficientes para arcar com as despesas educacionais. As limitações apontadas para a subvinculação salarial tendem a sobrecarregar ainda mais as finanças dos entes subnacionais, bem como o financiamento de outras despesas e investimentos escolares.

Cabe, nesse momento, aos deputados e deputadas federais se apropriarem com clareza das propostas que tratam do FUNDEB, e decidirem pela melhor e mais responsável delas. Sendo que o parecer oriundo da Comissão Especial da PEC 15/2015, de relatoria da deputada Prof.ª Dorinha Seabra Rezende, apresenta as melhores condições para o financiamento da educação básica pública com qualidade e valorização dos profissionais.

#VoteFundeb

Pela aprovação integral e sem destaques do parecer da comissão especial da Câmara dos Deputados!

Brasília, 17 de julho de 2020

Diretoria da CNTE

Baixe a Nota aqui.

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Diretrizes da formação de professores

O blog da Helena, sobre Formação de Professores, veicula dois posts de interesse sobre os movimentos do CNE – Conselho Nacional de Educação – na definição das diretrizes da formação:

A portas fechadas, DCN e BNC da Formação Continuada são aprovadas pelo CNE

Leia aqui.

CNE pretende alterar, de forma monocrática, as DCNs Pedagogia 2006

Leia aqui.

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Protocolo do MEC para retorno nas IFs gera dúvidas

Especialistas e movimentos questionam sobre a falta de detalhes do documento e apresentam alternativas. Para eles:

“faltam, no documento, informações sobre como realizar as ações indicadas, além de um horizonte de financiamento que permita colocar em práticas as medidas sugeridas, que requerem uma maior estrutura de espaço e de material a ser disponibilizado. Há queixas, ainda, sobre a falta de participação de entidades da sociedade civil na construção do texto.”

Leia aqui.

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Relatório do FUNDEB: copo meio cheio, meio vazio

Na semana que passou, foi lido o Relatório da Comissão que examina mudanças constitucionais para introduzir a nova regulamentação do FUNDEB. O Relatório, em si, é um copo meio cheio e meio vazio.

O texto ora divulgado é, diga-se logo, um importante passo de uma bem sucedida articulação das forças centristas no Congresso e que conseguiram, entre outros avanços: a) que o próprio FUNDEB continuasse existindo e, agora, incluído na Constituição como um fundo permanente; b) que não incorporasse recursos do salário educação em sua constituição, gerando mais recursos para a área; c) que incluísse um cálculo de custo de qualidade mais objetivo; d) que aumentasse progressivamente os recursos da educação; e e) mudasse os critérios de distribuição dos recursos, deixando o sistema mais justo.

Embora nos tempos atuais isso não seja pouco, o resultado do Relatório sugere a figura de um copo meio cheio e meio vazio: seja do ponto de vista dos progressistas que acreditam no papel do Estado, seja do ponto de vista dos empresários educacionais (laicos e religiosos) neoliberais, que esperam pela privatização da educação.

Alguém poderia dizer que esta é a “arte da negociação” e que uma boa negociação contenta e descontenta um pouco a todos. Mas o mundo real tende a ser mais exigente. E como não há espaço vazio em política, pode-se imaginar que este copo não vai permanecer meio cheio e meio vazio, sendo impossível que estes dois campos políticos antagônicos preencham juntos o que resta do copo. Isso sugere que é razoável pensar que a grande batalha ainda não foi jogada.

No que diz respeito ao campo progressista, o copo meio cheio se deve a pelo menos dois motivos.

1) Tivemos que engolir a oficialização da meritocracia que orientará a distribuição dos recursos (ainda que, comparativamente, para uma pequena parte destes – 2,5%), a partir de avaliações que demonstrem avanço nos índices educacionais.

Não importando se tais recursos são poucos ou não, essa exigência oficializa uma forma de fazer política educacional na qual a administração federal induz políticas específicas na ponta, a partir da distribuição de recursos do centro. Além disso, esta decisão vai fazer com que as escolas continuem sendo invadidas sistematicamente por sistemas de avaliação censitarios em todo o país, os quais permitirão exercitar a meritocracia. É uma vitória significativa da direita liberal, pois estamos falando de uma ação que envolve a formação de toda a juventude, em escala nacional.

b) Também aceitou-se um silêncio comprometedor, no Relatório, sobre a destinação dos recursos ali especificados: nada se diz sobre ser este um fundo público exclusivamente para o ensino público de gestão pública, que exclua tanto o ensino privado clássico, como também o ensino público de gestão privada (ONGs e terceirizadas) – uma forma mais recente de privatização. E como há um silêncio sobre a questão, então, em matéria de lei, o que não está impedido nela, em tese, está permitido.

Admitimos que não há nada que impeça a iniciativa privada de estruturar uma rede privada de ensino com fins lucrativos ou supostamente sem fins lucrativos. Mas que o faça com o dinheiro de seus empresários e não do Estado. O FUNDEB deveria ser destinado apenas e unicamente para escolas públicas de gestão pública.

E aqui, não vale redefinir o conceito de “ensino público” em uma concepção oportunista e mais ampla como se ele, o ensino público, pudesse ser público/privado (ou seja, público de gestão privada – terceirizado) ou público/estatal (ou seja, público de gestão pública) e, em sendo assim, ambos pudessem ser considerados “ensino público” passíveis, portanto, de serem financiados com recursos públicos pelo Estado. Ao contrário disso, defendemos que público é público, submetido a controle público; privado é privado, submetido a controle privado.

E que não se argumente, também, que esta nova categoria, a escola pública de gestão privada, seja tão pública quanto a escola pública de gestão pública, devido à sua característica de ser “um ensino privado regulado pelo Estado”. Lembremo-nos de que para os empresários: o Estado não deve interferir no mercado – portanto não há que se falar de uma eventual “regulação” do Estado para o ensino público de gestão privada que lhe daria guarida para ser reclassificado como “ensino público”. Até porque, a experiência mostra, que o que é público de gestão privada, hoje, se tornará totalmente privado amanhã, financiado através de vouchers ou mais recentemente, através de contas de crédito educacional em nome dos pais – estas últimas, a nova predileção dos empresários americanos, exatamente pelo fato de deixarem as empresas mais independentes do controle do Estado do que os antigos vouchers.

A distinção entre público de gestão privada e público de gestão pública (estatal) é mera artimanha para, através de um exército de ONGs e operadoras privadas de terceirização de escolas, criar mercado à espera da instituição de vouchers e asfixiar lentamente o financiamento do ensino público de gestão pública.

Sabemos que os tempos estão favoráveis à privatização, ou seja, à ampliação do financiamento público tanto para a iniciativa privada laica, como para a iniciativa privada religiosa. Ambas contam com representantes fortíssimos no Congresso, no Conselho Nacional de Educação e agora, temos um Ministro da Educação oriundo da iniciativa privada religiosa. Temos razões para achar que este silêncio serve perigosamente a ambos os lados.

Possivelmente, o lado progressista, sabedor da desigualdade de forças, evita o tema com apoio de liberais centristas; o lado contrário, neoliberal, não abre uma divergência de imediato, deixa a destinação de recursos vaga no Relatório, e assim pode retomar a matéria quando quiser e talvez com menor esforço em outro momento. Isso poderia ocorrer quando se regulamentar a emenda constitucional resultante do Relatório na forma de lei ordinária ou até mesmo, na próxima semana, durante a votação do Relatório, no plenário da Comissão, através de emendas.

E como para a educação pública de gestão pública todos os ganhos que estamos tendo agora só se concretizarão, na prática, se houver uma definição de que tais recursos, agora ampliados e garantidos constitucionalmente, cheguem até ela, então temos, aí, a figura do copo meio cheio/meio vazio. Não há, até agora, tal garantia duradoura.

Muitas vezes, preferimos postergar decisões mais radicais e facilitar a negociação. Nem sempre dá certo depois, já que as propostas mais avançadas, de maior radicalidade, tendem a ser descartadas durante a negociação. Com  isso, corremos o risco de nos tornarmos parte do problema e não da solução.

Às vezes, é melhor dar a batalha e mobilizar – especialmente se a luta é longa – e obrigar todos os envolvidos a colocarem as cartas na mesa. Da maneira como está o Relatório, vamos passando por coautores. E isso não é bom, se considerarmos que, depois, os recursos podem vir a ser acessados pela iniciativa privada colocando a educação pública de gestão pública na rota da sua extinção, mesmo com todos os eventuais ganhos deste momento.

Também para os empresários (laicos e religiosos), os ganhos conquistados no Relatório são importantes – por mais que possam desagradar a Paulo Guedes, por envolverem mais gastos para o Estado. Mesmo Paulo Guedes, um neoliberal ortodoxo, pode ver os ganhos do Relatório apenas como uma transferência gradual de recursos do orçamento da educação pública para a iniciativa privada, e não necessariamente como um aumento de gastos a longo prazo.

Os neoliberais aprovam gastos que visem a criação de um mercado educacional, com o que pensam livrar-se, depois, da máquina estatal correspondente ao que foi privatizado. É por isso também que defendem uma renda básica universalizada, já que não querem reforçar o papel do Estado na administração direta de políticas públicas sociais e, sim, colocar tudo na mão do mercado. Por um outro angulo, Isso também agrada a conservadores anti-establishment, de olho no crescimento das escolas religiosas e no homeschooling (ensino domiciliar).

Os empresários precisam tanto da estabilidade jurídica na distribuição de recursos do Estado (financiamento carimbado via Constituição), como também dos próprios recursos em si, os quais são vitais para estabelecer um mercado educacional inicial e criar escala. Portanto, os aparentes ganhos obtidos nesta luta, até agora, não opõem os lados em conflito (progressistas e neoliberais) – desde que o Relatório pelo menos continue vago e nada se diga sobre a destinação final dos recursos.

Em algum momento, e preferiríamos que fosse agora, os progressistas terão que defender a garantia de recursos do FUNDEB exclusivamente destinados para a escola pública de gestão pública.

Os empresários, no entanto, lutarão para que os recursos do FUNDEB financiem suas empresas educacionais, assegurando que estados e municípios possam contratá-los nos processos de terceirização de escolas ou permitindo que acessem os recursos públicos através de vouchers ou contas de crédito educacionais, lastreados no FUNDEB.

O que agrada a um, desagradará (ou deveria desagradar) ao outro. A questão é: quem vai encher de fato o copo que agora ainda está meio vazio para ambos. A julgar pela experiência de outros países, esta será uma longa batalha. Portanto, deveríamos explicitá-la agora e nos mobilizarmos para ela.

Baixe aqui o Relatório da Dep. Profa. Dorinha.

Baixe aqui o powerpoint da exposição do Relatório.

Para entender o FUNDEB acesse aqui.

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Alexandre Filordi: A MECalvinização da Educação

Em artigo ao GGN, Alexandre Filordi examina as implicações da nomeação do Pastor Milton Ribeiro para o MEC: “A MECalvinização da Educação: ser doutor em educação não é ser educador”:

“Ao cabo, o pastor pastoreia e o fará no MEC. A Educação nunca esteve em situação tão ameaçada em sua laicidade.”

Leia aqui.

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Nomeações no MEC: o abraço e a granada

Depois de montada uma estrutura de guerra no CNE e nas Secretarias do MEC, somos informados que o novo ministro quer um “pacto”. Não cola.

Soa mais como uma tática do governo para consolidar as maldades já feitas e ganhar tempo para planejar novas. Ou não teríamos tido, ainda ontem, as nomeações que tivemos para o Conselho Nacional de Educação.

Ministros, no governo Bolsonaro, não têm autonomia para pactos. Se o governo queria fazer um pacto, por que não deixou o próprio ministro negociar e conduzir, ele mesmo, as nomeações? Por que foram feitas antes e unilateralmente? Por que, ao invés de aproximar, consolidaram o afastamento das entidades representativas da educação (o que já vinha acontecendo neste ano e meio de governo) e, agora, alcançam até mesmo as entidades representativas dos entes federativos no setor – Consed e Undime – que sempre estiveram à disposição para pactos? Pacto em nome de quê?

As novas nomeações poderiam ter representado o início de um pacto com toda a área da Educação e não a consolidação da mesma política e atores da gestão Weintraub/Vélez nas estruturas do MEC.

Foi em uma reunião ministerial que Paulo Guedes revelou a estratégia deste governo para lidar com aqueles que ele considera seus inimigos:

“Então, nós sabemos e é nessa confusão toda, todo mundo está achando que estão distraídos, abraçaram a gente, enrolaram com a gente. Nós já botamos a granada no bolso do inimigo.”

É a imagem perfeita para as nomeações do dia de ontem no MEC – se examinamos conjuntamente a nomeação do Ministro e as nomeações no Conselho Nacional de Educação.

Os dois acontecimentos se misturaram numa “confusão toda” durante o dia de ontem. Ao final do dia, veio a nomeação do Ministro Pastor Milton Ribeiro com um plano de priorizar a educação básica através de um grande pacto nacional que una a todos – este é o abraço. Mas, momentos antes eram divulgadas as nomeações do Conselho Nacional de Educação –  estas são a granada, colocada preventivamente no bolso dos inimigos.

Por um lado, implodiu-se a Câmara de Educação básica com uma mudança que dá o comando dela a um verdadeiro “gabinete do ódio educacional” e, simultaneamente, aparece um Ministro Pastor pregando a união nacional em torno da educação.

As aparentes boas intenções do Ministro não coadunam nem com a estrutura já existente dentro do MEC – com as Secretarias em poder da militância ideológica – e, também, não coadunam com as nomeações no CNE, que colocam a Câmara nas mãos dos grupos ideológicos radicais de suporte ao presidente – uma granada com olavistas, evangélicos e militares – e que retiram do CNE representantes de entidades educacionais e dos sistemas.

Se a estratégia colar, corremos o risco de ter uma fila de incautos na porta do MEC para participar do tal “pacto pela educação” – uma reedição, aliás, de algo que já não deu certo no passado. Sairão todos de lá com uma granada no bolso também.

Militares não foram treinados para dialogar, mas para fazer a guerra; pastores foram treinados para evangelizar – segundo “sua” interpretação do evangelho; e olavistas para destruir o “establishment”, ou seja, as instituições da frágil democracia liberal. Que pacto pode ser construído com tais forças políticas? Em nome de qual “qualidade” para a educação, para a formação da juventude?

A versão de Guedes, se preferirem, poderá ser substituída por uma versão mais elegante, se desejarem, formulada há quatro anos pelo próprio Reverendo Milton Ribeiro, agora ministro:

“A correção é necessária para a cura”, disse o pastor. “Não vai ser obtido por meios justos e métodos suaves. Talvez uma porcentagem muito pequena de criança, precoce e superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: deve sentir dor.”

Leia aqui.

Assim também se expressava Herbert Spencer em “The man versus the State”, no século XIX, quando esclarecia a relação entre o sofrimento e a evolução da humanidade:

“A humanidade está sendo pressionada pelas inexoráveis ​​necessidades de sua nova posição – está sendo moldada em harmonia com elas, e tem que suportar a infelicidade resultante da melhor forma possível. O processo deve ser vivido, e os sofrimentos devem ser suportados.”

Boa sorte aos que resolverem fazer um pacto “pelo bem da educação brasileira” e caminhar sobre o terreno minado do MEC. Mas cuidado, a “vara da disciplina” pode estar atrás da porta.

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CONSED E UNDIME repudiam mudança no CNE

O Conselho Nacional de Secretários de Educação e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação divulgam nota de repúdio aos critérios usados para mudanças na composição do Conselho Nacional de Educação.

O texto conclui propondo que “faz-se necessário e urgente que o Congresso Nacional regulamente o SNE, estabelecendo em lei nova forma de composição do CNE, com a devida representação paritária das três esferas de governo.”

NOTA DE REPÚDIO
AOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PELO GOVERNO PARA COMPOSIÇÃO DO CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO

O Conselho Nacional de Secretários de Educação e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, que até a formação atual tinham vagas no Conselho Nacional de Educação, vem a público repudiar os critérios utilizados pelo Governo Federal para a nova composição do CNE. Ignorar as indicações das instituições responsáveis pela gestão dos sistemas públicos de educação e desconsiderar as representações de 27 redes estaduais e 5.568 redes municipais vai na contramão da instituição do Sistema Nacional de Educação.
O CNE é um órgão de Estado e não de um governo. Enquanto instituição máxima da Educação, para ter respeitabilidade, legitimidade e autenticidade em suas decisões, deveria ter o mínimo de uma representação das redes públicas estaduais e municipais, responsáveis por mais de 80% de todas as matrículas da Educação Básica do País e mais de 40 milhões de estudantes.
Ademais, neste momento em que o país se encontra às voltas com a expectativa pela nomeação de um novo ministro da Educação, quando diálogo, reconhecimento e respeito mútuos são valores essenciais para nossa relação com o MEC, desconsiderar as sugestões dos gestores da educação pública de todo o país para a composição de um colegiado tão importante como o CNE transmite uma mensagem negativa e preocupante.
Por fim, no sentido de coibir decisões equivocadas que não respeitam e não consideram a importância da articulação entre as três instâncias federativas, faz-se necessário e urgente que o Congresso Nacional regulamente o SNE, estabelecendo em lei nova forma de composição do CNE, com a devida representação paritária das três esferas de governo.

Brasília, 10 de julho de 2020.

Conselho Nacional de
Secretários de Educação

União Nacional de Dirigentes
Municipais de Educação

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Pastor Milton Ribeiro é o novo ministro

Decreto do Presidente nomeia o Pastor Milton Ribeiro como ministro da Educação. Ele é ligado à Universidade Mackenzie onde foi Reitor.

Leia aqui.

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Governo troca 12 postos no CNE – II

Fizemos um rápido rastreamento na mídia para saber o que ela diz sobre os novos ocupantes do Conselho Nacional de Educação.

Novos ocupantes da Câmara de Educação Básica

William Ferreira da Cunha que já trabalha na gestão de Carlos Nadalim (Secretaria de Alfabetização do MEC). Carlos Nadalim é considerado Olavista.

Gabriel Giannattasio, historiador, professor da Universidade Estadual de Londrina. Tem se dedicado nos últimos quatro anos ao tema da diversidade ideológica nas Universidades, tendo criado e coordenado o projeto de extensão ‘UEL, a casa da tolerância’. Tem ligação com as teses de Olavo de Carvalho.

Valseni José Pereira Braga, Diretora Geral da Rede Batista de Educação.

Tiago Tondinelli, advogado, procurador que ocupou o cargo de chefe de gabinete do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez. Tem influência de Olavo de Carvalho.

Fernando César Capovilla, professor de Psicologia da USP e que atuou na elaboração da Política Nacional de Alfabetização (PNA) de  Carlos Nadalim no MEC.

Amábile Aparecida Pácios, candidata derrotada ao Senado pelo PR-DF e que preside o Grupo Educacional Dromos e também presidiu a Federação Nacional das Escolas Particulares e hoje ocupa o cargo de vice-presidente desta. Nas eleições defendia o movimento Escola sem Partido.

Augusto Buchweitz, professor da Escola de Ciências da Saúde da PUC-RS e que também atuou na elaboração da Política Nacional de Alfabetização (PNA) com Carlos Nadalim no MEC.

Novos ocupantes da Câmara de Ensino Superior

Anderson Luiz Bezerra da Silveira, Professor da UFRRJ, Doutor em Ciências Fisiológicas e mestre em Educação Física.

Aristides Cimadon, que era um dos candidatos a Ministro da Educação entrevistado por Bolsonaro, Reitor para a gestão 2016-2020 e professor titular da Universidade do Oeste de Santa Catarina – Unoesc. Ex-Presidente da ACAFE (Associação Catarinense das Fundações Educacionais).

José Barroso Filho, ministro do Superior Tribunal Militar.

Wilson de Matos Silva é dono do Centro Universitário Cesumar. Ele foi eleito suplente do senador Álvaro Dias (Podemos).

 

Para alguns, a lista deixada por Weintraub foi amenizada pelo fato de:

“nomes considerados olavistas terem ficado de fora: Jean Marie Lambert, Antônio Veronezi, Luiz Henrique Amaral e Ricardo Luís Silveira da Costa.

Apesar disso, um dos olavistas, Tiago Tondinelli, ex-chefe de gabinete do ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez, foi aceito pelo presidente. Amábile Pácios, defensora do Escola sem Partido, e o conservador Gabriel Giannattasio também foram nomeados.”

Veja aqui.

No entanto, contrariamente, outros consideram que houve um avanço de nomes olavistas, ou ligados a olavistas dentro do CNE, possivelmente para compensar uma eventual perda do cargo de Ministro da Educação – segundo o Estadão.

Veja aqui.

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Nova página do Blog: lives e palestras

O Blog incluiu, hoje, uma nova página que reúne lives, entrevistas, palestras e conferências gravadas que realizei e que estavam publicadas nas redes sociais. Como sempre, o blog não armazena vídeos, somente links são disponibilizados. O endereço de futuros eventos on line serão agregados neste local.

Acesse aqui.

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Governo troca 12 postos no CNE

Decreto do governo renova 12 membros do Conselho Nacional de Educação.

Veja o Decreto aqui.

O CNE é formado por duas Câmaras – uma que trata dos assuntos da Educação Básica e outra dos temas do Ensino Superior. Nestas duas Câmaras temos 22 conselheiros aos quais se juntam outros dois que são natos, ou seja, ocupados pelos secretários da Educação Básica e da Educação Superior do MEC e que permanecem neles somente no período em que estão à frente das secretarias.

Na atual leva de renovação foram trocados sete postos na Câmara de Educação Básica e cinco da Câmara de Ensino Superior.

Em 2019, foi renovado um posto. Agora foram renovados 12. E em 2022 serão renovados mais 9 – quando então o governo Bolsonaro terá mudado todo o CNE.

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Novo Fundeb: a escola pública na rota da extinção?

À medida que se aproxima a votação do novo Fundeb, cresce o clamor do “mercado” e seus defensores, pelo acesso de entidades filantrópicas, ONGs e instituições privadas ao dinheiro público.

Caso se queira conhecer o argumento do “mercado”, pode se ver, hoje (9-7-20), na Folha de São Paulo, o artigo de Fernando Schuler: “Novo Fundeb: por que engessar os recursos da educação?”

O argumento mercadológico é ali bem resumido, quando ele critica o que chama de “engessamento”, ou o impedimento de acesso de entidades privadas ao dinheiro público do Fundeb:

“Engessamento que expressa um traço de nossa cultura corporativa, de que o acesso dos cidadãos a serviços suponha que eles sejam prestados diretamente pela máquina pública.

Trata-se da velha confusão brasileira entre o público e o estatal. Serviços públicos podem ser oferecidos de modo concorrencial, via contratos, com medição de resultados e, sempre que possível, dando poder aos cidadãos para que façam as suas escolhas.”

Leia aqui.

É a velha ideia de que o mercado (a concorrência) é a fonte da qualidade, em oposição ao Estado que seria a fonte da incompetência. Logo, se as escolas forem inseridas na competição mercadológica, então haverá qualidade – desde que o Estado não interfira. É o velho discurso da diferença entre público e estatal, um privatismo de terceira via, que visa tornar a privatização mais adocicada e que até arrastou corações no âmbito da social-democracia e da esquerda.

No fundo, é o mesmo discurso da destruição do Estado que retira dele toda sua função “social”, todo o olhar para o “bem-comum” e, com isso, lança os cidadãos no mercado a mercê das escolhas possíveis. Von Mises estaria orgulhoso de Schuler.

Mas, de fato, este discurso oculta a emergência de um novo corporativismo de Estado sob controle dos grupos econômicos monopolistas que disputam este Estado para criar mercados cativos – nas prefeituras e nos estados -, para onde se quer descentralizar os recursos e deixá-los na dependência dos grupos mercadológicos locais (e suas conexões políticas) que os disputam para si junto às prefeituras – claro, tudo segundo as supostas leis infalíveis do mercado. Com isso, facilita-se o andamento do processo de privatização que não fica mais sujeito à posição do governo central. Este apenas dispõe os recursos, a decisão de privatizar fica na ponta e, portanto, mais diversa e frágil politicamente.

Interessante que os defensores da infalibilidade do mercado queiram que ele, o mercado, se desenvolva às custas do dinheiro do Estado, quando criticam os que dependem do dinheiro do Estado, as escolas públicas, de serem corporativistas. Está em curso a tentativa de criar um novo corporativismo no Estado, agora sob o comando dos privatistas a título de não engessar a máquina pública.

Já se sabe onde isso vai dar: querem delegar para as autoridades locais (prefeitos e estados ou até mesmo secretários de educação) a definição de qual “modelo” devem seguir para organizar a rede de ensino, e com isso, permitir a contratação de filantrópicas, ONGs e entidades privadas usando o dinheiro público. Isso liberaria o lobby das privadas junto às autoridades locais para garantir financiamento – tudo em nome dos pobres e em nome da flexibilidade administrativa, claro.

Ao invés do dinheiro público ir fortalecer a escola pública de gestão pública, ele vai parar no bolso de instituições privadas e gerar lucro. É a voracidade do mercado que a tudo quer para si, desesperado por encontrar algum espaço para maximizar seus lucros num mundo globalizado onde quase tudo foi submetido à lógica mercantil.

Note-se: alega-se, no artigo, que esta experiência de abertura da gestão é pouco usual no Brasil, mas o que se quer é ocultar, com isso, o fracasso destes modelos onde ele é, sim, abundante: veja-se o Chile (veja aqui e aqui) e, embora em menor escala de utilização, nos Estados Unidos (veja aqui, aqui, aqui, aqui). Mas mesmo lá com Estados, há locais onde a educação pública foi privatizada em 90% como em New Orleans (veja aqui e aqui). E ali temos, sim, resultados – catastróficos – que mostram os inconvenientes de se lançar a educação pública no mercado. Sobre isso: silêncio, nada é dito.

Não são poucos os relatórios de pesquisa independentes (veja aqui, aqui, aqui) que mostram ser um equívoco confiar a educação ao mercado – seja na forma de terceirização, seja na forma de “vouchers”. E este também, por exemplo, é o caso da área da Saúde: já pensaram se a saúde no Brasil estivesse privatizada, como nos Estados Unidos está, em meio a esta pandemia?

Esta é uma batalha de vida ou morte para o sistema educacional público de gestão pública. Esta é a razão pela qual não podemos mais apenas defender a “escola pública” e precisamos adicionar, agora, que estamos falando de “educação pública de gestão pública”.

A justificativa da abertura dos recursos públicos é antiga: tratar-se-ía, como nos informa Fernando Schuler em seu artigo, de uma defesa das crianças mais pobres:

“O erro é tomar o modelo estatal como o único possível, sem qualquer análise comparativa e contra todos os sinais que nos chegam da realidade da educação brasileira.

É este o erro que o Congresso corre o risco de cometer na votação do novo Fundeb. Todos sabemos que a pressão corporativa é forte e o lobby das famílias mais pobres é inexistente. Elas certamente optariam por dispor dos mesmos direitos à escolha educacional hoje disponíveis à classe média e aos mais ricos no Brasil.”

Leia aqui.

Como sempre, usa-se o argumento comovedor da defesa das criancinhas mais pobres e que estão condenadas a estudar em escolas públicas ineficientes, quando poderiam escolher estudar nas excelentes escolas filantrópicas ou privadas, se não houvesse o monopólio do Estado.

Esta é a proclamação. Mas a realidade, porém, é outra. E ela vem da própria natureza do mercado. Educação de qualidade custa, e o mercado não é filantropia. Ele cobra mensalidade de acordo com a qualidade que oferece.

Há muitas qualidades, portanto, que estão, simultaneamente, sendo oferecidas no mercado concorrencial. E isso não implica que haja uma tendência “irresistível” para a melhoria da qualidade, pois, ao contrário, o mercado abre diferentes qualidades segundo diferentes possibilidades de compra ou pagamento. No mercado nada se perde. É o caso dos celulares: há para todos os bolsos, mas isso não torna todos os celulares em peças de igual abrangência de qualidade.

A privatização retira do Estado a coordenação para elevar a qualidade de todas e cada um das escolas. Lança a educação no mercado sujeita às suas próprias leis de concorrência. A desigualdade se amplia.

Enquanto se pode lutar e pressionar por um padrão de qualidade elevado para as escolas públicas de gestão pública, e responsabilizar o Estado por investir nisso, não se pode fazer o mesmo com o mercado (lembrem-se de que, para os neoliberais, o Estado não pode intervir no mercado), não se pode disciplinar a qualidade do mercado – a educação passa a ser iniciativa privada sujeita a escolha e é da natureza do mercado que não haja um único padrão de qualidade, se existem diferentes clientes disponíveis para pagar. É o cliente que se ajusta à qualidade ofertada segundo suas posses.

No mercado, há “qualidades” e cada uma delas com um custo e uma mensalidade diferente – qualidades que estão sujeitas à escolha do cliente. Qual será a mensalidade que os pais poderão “pagar” para seu filho (no caso de se adotarem os vouchers) ou qual será aquela que o município poderá contratar à iniciativa privada (terceirizadas ou plataformas de ensino on line), com o dinheiro do Fundeb, para seus estudantes? A resposta é simples: aquela que couber no orçamento. No caso de se distribuir o dinheiro público na forma de “voucher”, caberá aos pais complementar ou não o dinheiro do “voucher” com seus próprios recursos – caso ele queira “escolher” uma escola de maior qualidade para seu filho, do que aquela que o valor do  “voucher” possa pagar.

No Chile, como bem sabemos, foi isso que levou ao co-pagamento: o pai complementa com dinheiro de seu próprio bolso para poder ir atrás de uma escola privada que realmente tenha uma qualidade um pouquinho melhor. E se não pode nem complementar, então é obrigado a ficar na escola pública de gestão pública que ainda restou, agora destruída pela transferência de recursos públicos para o setor privado. Não tem mais a escola pública de qualidade e muito menos a escola privada de qualidade, pois não cabe em seu bolso. É esse o destino da pobreza, se acreditar nos contos de carochinha do mercado e seus representantes.

A estratégia neoliberal para o Fundeb será descentralizar a decisão para os gestores e deixar que na ponta se opte pela privatização. Se cairmos neste conto, estamos colocando a escola pública de gestão pública na rota da extinção: induzirão primeiro a terceirização (por exemplo, via ONGs) para criar mercado e, depois, passarão aos “vouchers”.

Deveria ser levado a sério o mea-culpa feito por Renato Feder, o candidato descartado a ministro da Educação no governo Bolsonaro, e a autocrítica que faz de suas ideias de privatização da educação em sua juventude. Diz ele que, agora, após estudar o tema com maior profundidade, percebeu que:

“… não houve vantagens na adoção do modelo [de privatização] para o aprendizado, como em experiências adotadas no Chile e nos Estados Unidos. “Eu acredito tranquilamente, firmemente, que ensino público tem condições de entregar ensino de excelência. Não vou privatizar, não vou terceirizar e não vou fazer voucher”, declarou ao jornal na ocasião.”

Leia aqui.

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CNE aprova novo Parecer sobre retorno às aulas

O Conselho Nacional de Educação aprovou nesta terça (7-7-20) novo Parecer em que reforça e explicita posições de Parecer anterior de 28 de abril de 2020 – informa Júlia Marques e Renata Cafardo de “O Estado de S. Paulo”. Além de recomendar que se evite reprovação em 2020, o que pode levar a um aumento de evasão, o documento também sugere alterações curriculares a cargo dos sistemas de ensino, inclusive antecipando o início do ano letivo de 2021 com aumento de dias letivos:

“Em relação ao calendário escolar, o documento considera a possibilidade de planejar “um continuum curricular 2020-2021”, quando não for possível cumprir os objetivos de aprendizagem previstos no calendário escolar de 2020. “

O documento também sugere que “as avaliações diagnósticas externas mais estruturadas sejam implementadas somente após o período de acolhimento e de reorganização das rotinas escolares”.

Leia mais aqui.

Segundo outro veículo, o Correio Brasiliense, o documento foi enviado ao MEC para homologação, e a expectativa é que seja publicado até o início da próxima semana, como informou em sessão por videoconferência da Câmara dos Deputados Carolina Cristina Martins Cavalcante, diretora de programa do ministério.

Leia aqui.

Veja também a reunião da Comissão Externa da Câmara dos Deputados que foi destinada a acompanhar o Enfrentamento à Pandemia da Covid-19 no Brasil. Parlamentares e representantes da saúde e da educação debateram as condições para a retomada das atividades escolares. Veja abaixo.

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Livro: Reformas Educacionais – avanço ou precarização?

Sob a organização de Antonio Marcos da Conceição Uchoa; Átila de Menezes Lima e Ivânia Paula Freitas de Souza Sena, acaba de ser publicado o ebook “Diálogos Críticos – Vol. 2 – Reformas Educacionais: avanço ou precarização da educação pública?

Sumário

Prefácio – Luiz Carlos de Freitas

A pedagogia das competências na BNCC e na proposta da BNC de formação de professores: a grande cartada para uma adaptação massiva da educação à ideologia do capital – Átila de Menezes Lima e Ivânia Paula Freitas de Souza Sena

Política Nacional de Educação: o embate de projetos na educação do campo – Celi Nelza Zulke Taffarel e Erika Suruagy Assis de Figueiredo

Relações entre a BNCC, as questões extraescolares e a educação de nível médio no Marajó – Cleide Carvalho de Matos; Manuelle Espindola dos Reis e Natamias Lopes de Lima

Do SAEB à BNCC: padronizar para avaliar – Eliana da Silva Felipe

A (de)Formação de Professores na Base Nacional Comum Curricular – Kátia Augusta Curado Pinheiro Cordeiro da Silva

A BNC de formação e as DCN’s dos profissionais do Magistério e seus respectivos Projetos de Brasil – Maria Elizabeth Souza Gonçalves

BNCC e BNCF: padronização para o controle político da docência, do conhecimento e da afirmação das identidades – Salomão Antônio Mufarrej Hage; Leila Maria Camargo; Raimunda Kelly Gomes e Arthane Menezes Figueirêdo

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Feder, renuncia sob pressão

Sob pressão, Renato Feder, hoje Secretário da Educação do Paraná e ministro indicado para o MEC, renuncia. Um governo hibrido como o atual, que reúne de conservadores tradicionalistas a neoliberais e que envolve militares, evangélicos, olavistas e até grupelhos neofacistas, tem dificuldades para formular e encaminhar políticas públicas.

É o caso do Ministério da Saúde, onde os militares foram chamados para apaziguar a disputa convertendo-o, como diz Reinando Azevedo, em um departamento do Exército com 25 militares ocupando postos, e o Ministério da Educação que, em 10 dias ou menos teve dois ministros indicados e que renunciaram a caminho da posse em meio ao tiroteio interno do governo. O primeiro foi Decotelli e agora Feder.

O ministro indicado, Feder, anunciou – seguindo a diplomacia – que “renunciou” ao convite de Bolsonaro. A fritura foi forte e por duas vezes seguidas o nome esteve no topo da indicação. O que ocorreu a Feder deveria ser um alerta a todos os que prezam sua biografia: cuidado ao se aproximar do furdúncio bolsonarista. Nos bastidores, evangélicos, olavistas e militares se engalfinham ruidosamente para emplacar alguém de suas fileiras. Os militares, que não deviam ter entrado no governo, agora não sabem como sair e estão sendo arrastados cada vez mais para dentro do turbilhão.

Com Feder, a reforma empresarial da educação estava garantida, seria retomada como nos velhos tempos de Temer. Uma fila de adeptos já começava a ser formar na porta do MEC. O empresariado já comemorava. Agora, terão que aguardar para ver quem será o novo indicado e se, a caminho da posse, resistirá.

Leia também aqui.

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O recuo liberal e seu impacto no bolsonarismo

O populismo autoritário (Norris and Inglehart, 2019) vigente no Brasil e em vários países é consequência de mais de 200 anos de fraude do liberalismo, em suas várias modalidades – incluindo a democracia liberal centrista (de esquerda e de direita) e o próprio neoliberalismo – que, por diferentes motivos, conduziram à noção de democracia iliberal – uma concepção de “democracia aprisionada” (MacLean, 2017), a serviço das elites econômicas, agora disfarçada de destruição do “establishment” pelo populismo, em meio à crise sistêmica do capitalismo.

Que o liberalismo centrista (Wallerstein, 2011) incluindo sua modalidade social-democrata, tenha se proposto a combater mais a desigualdade do que o neoliberalismo, não o salva do fracasso quanto aos seus ideais proclamados, principalmente se considerarmos que o pouco avanço que se conseguiu foi muito mais uma conquista dos próprios trabalhadores em luta. Foi essa relutância do liberalismo centrista em por em prática suas promessas que acabou se convertendo no seu próprio fracasso aos olhos das camadas populares. Ao final terminou desagradando a todos.

A democracia liberal centrista da “liberdade, igualdade e fraternidade” acenava para direitos políticos e sociais e era melhor do que o chamado liberalismo clássico que tinha como consigna “vida, liberdade e propriedade”. Em essência, no entanto, não se comportou de forma diferente. Ao longo do século 19 o exercício da alegada cidadania foi reservado para poucos. Tem, portanto, sua parcela de culpa e insistir na mesma fórmula não vai nos levar mais longe do que já se chegou durante o século 20. É preciso que reconheçamos isso para ficarmos em paz inclusive com a nossa história de lutas recente, que não foi pequena.

Para avançarmos mais, será necessário radicalizar a democracia e a igualdade para além dos limites da democracia liberal (de centro esquerda e de centro direita), sem o que não se superam também os limites do próprio capitalismo (Wallerstein).

Devemos essa autocrítica à juventude que está nos substituindo nesta luta, para que ela não aceite trocar a luta por mais democracia de alcance coletivo e igualitário, pela luta apenas por mais liberdade individual meritocrática – esta, precursora da barbárie, aquela precursora do desenvolvimento civilizatório.

O liberalismo foi um avanço em seus primórdios quando tinha como seu principal obstáculo o conservadorismo da realeza. Duas revoluções – a inglesa (1642) e a francesa (1789) – puseram fim a esta hegemonia conservadora e moldaram o Estado liberal (Wallerstein, 2011). A marcha de desenvolvimento do capitalismo exigiu que se acertasse o passo nas interações entre o desenvolvimento das forças produtivas e as relações de produção vigentes, justificadas pelo ideário do liberalismo.

O liberalismo centrista emergiu hegemônico no final do século 19, estabelecendo os Parlamentos e Assembleias como locais privilegiados para se construir a política (Wallerstein, 2011) e orientou, no pós-guerra, boa parte da economia mundial na forma de um “estado do bem-estar social”.

Os liberais da democracia liberal vitoriosa tiveram uma oportunidade de ouro para fazer valer as válvulas de segurança que consideravam ser a solução para tornar o capitalismo mais “civilizado”, guiado pelo bem-comum e, não sem pressão, puderam matizar a visão liberal clássica que via os indivíduos lançados no mercado e sujeitos a leis naturais auto-reguláveis.

Mas, mesmo os parcos avanços do centrismo empacaram nos anos 70 do século 20 e, sob pressão da crise do capitalismo, cederam a pretensos “restauradores” do liberalismo clássico – na forma de uma direita neoliberal radical – pela mão de Ludwing von Mises -, organizada ainda nos anos 20, após a primeira guerra mundial que marcou o fim dos impérios.

O objetivo era recolocar a liberdade econômica de indivíduos e de nações acima da frágil liberdade política construída pela democracia liberal, era ocupar o espaço deixado pelos impérios e disciplinar os movimentos de libertação nacional emergentes, bem como ampliar os limites do mercado para além dos estados nacionais – começa a marcha do globalismo ( cf. Slobodian, 2018).

Mises reverberava autores que o antecederam como John Locke, Adam Smith, Herbert Spencer, Frederic Bastiat, Carl Menger, Eugen Bohm-Bawerk – entre outros – cujos ensinamentos foram insuficientes para sobrepor-se ao liberalismo centrista durante o século 19. Era uma reação que contestava o papel do Estado como indutor de direitos políticos de cidadania (Brown, 2019), algo visto e temido como uma marcha que conduziria ao socialismo.

Mises diz em 1927 que o liberalismo existente na Inglaterra, mas não só lá, tinha sido uma degradação do verdadeiro liberalismo clássico (Mises, 2010). O foco deste renascimento, ao recolocar a liberdade econômica, era investir contra o planejamento central do Estado e principalmente, enfrentar de forma contundente o socialismo nascente da revolução russa de 1917 (cf. também Hayek, 2010).

Mises dirá, como bem identificou Jones Manoel reproduzindo um trecho da obra “Liberalismo” escrita por Mises:

“Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.” (Mises, 2010, posição 1107.)

Isso mostra como a direita radical neoliberal, nascente nos anos 20, já não tinha limites quando se tratava de defender o livre mercado e a liberdade econômica dos indivíduos.

Os herdeiros do liberalismo clássico justificavam, em seu radicalismo, o que Hayek – na trilha de Mises – chamaria depois de “ditadura de transição” (Biebricher, 2018) – um regime iliberal, ditatorial, que se necessário impõe pela força o livre mercado – livre mercado que, para eles, tem o poder de ser fonte regeneradora da liberdade pessoal, social e da paz, mas que, na prática, serviu para apoiar a ditadura de Pinochet e seus Chicago boys no Chile, além de apoiar a própria ditadura brasileira.

Portanto, como se vê, os arroubos autoritários da política brasileira atual não são marca exclusiva do populismo bolsonarista, o que explica a “tolerância” neoliberal para com estes. Talvez se possa dizer que o neoliberalismo é a continuidade, pela “guerra”, da diplomacia da democracia liberal.

De fato, esta retomada servia para blindar o mercado, colocando o Estado a seu serviço e não a serviço do coletivo, e servia para garantir uma corrida desenfreada para a acumulação ilimitada de propriedade privada, sem obstáculos – esta, objetivo fundamental do capitalismo e vocação suicida que, como profetizava Schumpeter (2016), acabaria sendo a causa da própria morte do capitalismo.

O agravamento das crises após 1970, fez crescer as adesões à proposta daqueles liberais renovados, construída no início do século 20, e adotada em países centrais, notadamente Inglaterra (Thatcher) e Estados Unidos (Reagan). A lógica da argumentação neoliberal envolvia negar o liberalismo centrista e reiterar o liberalismo radical, sob o lema de que a crise do estado do bem-estar social se resolveria com mais liberalismo, com mais radicalidade, ou seja, maior liberdade econômica e menos Estado (para os outros) e, se necessário, imposta até com regimes de exceção temporários.

A partir de 70, as válvulas de segurança do centrismo tiveram sua ação cada vez mais comprometida pelo agravamento das contradições do capitalismo (Harvey, 2014; Meszaros, 2009; Wallerstein, 2002), envolvendo tanto a destruição e precarização das relações de trabalho, com uma incessante introdução de tecnologias na cadeia produtiva para maximizar lucros (Collins, 2013) em um quadro decrescente de taxas de acumulação, bem como envolvendo a destruição do meio ambiente – cujo limite está diante de nós – agravado pela devastação do agronegócio, pela ausência do Estado e pela externalização de custos do capital. Tudo isso mergulha a base material do liberalismo em uma crise de natureza estrutural, sem data para ser resolvida, que produz um desequilíbrio sistêmico que dificilmente poderá ser restabelecido. A crise do liberalismo em suas várias versões, reflete a própria crise do capitalismo.

Ao final dos anos 80, a desarticulação da União Soviética permitiu que o contrapeso para a atuação do capitalismo mundial deixasse de existir, acelerando a expansão do neoliberalismo

Ao que se sabe, nada funcionou neste leque de opções que estava na mesa sob a rubrica do liberalismo – seja a opção do liberalismo centrista, considerado menos liberal, seja a dos neoliberais, que era considerada o “verdadeiro” liberalismo.

Recentemente, seguindo em sua escalada de radicalização face à crise estrutural, aparece uma alternativa mais radical ainda, repetindo a estratégia e se considerando a suprema e mais definitiva proposta do liberalismo: os libertarianos (Rothbard, 2006) e anarcocapitalistas. No entanto, estes, diferentemente, são uma utopia. Todos estes liberalismos radicais, destinados a substituir o liberalismo centrista, flertam com ditaduras, diminuição do Estado ou até mesmo sua eliminação. Liberdade acima de tudo, inclusive acima da democracia, a qual passa a ser reduzida a uma democracia aprisionada pelo mercado.

Foi no rastro do fracasso destas fórmulas que em alguns países, como afirma Nancy Fraser (2019), se fortaleceu o populismo autoritário (iliberal) – tendo Trump, Orban, Bolsonaro e outros como exemplo.

No Brasil, estas duas vertentes radicais (neoliberais e populistas) operam juntas atualmente, constituindo uma aliança híbrida. Por aqui, o neoliberalismo radical associa-se com o populismo autoritário para derrotar a democracia liberal de centro-esquerda, exercitada na forma de social-democracia nos anos do PT. Havíamos tido tentativas neoliberais anteriores, mas nada como a direita neoliberal atual associada ao populismo, sob supervisão militar.

Com a crise estrutural agravando-se mundialmente, mesmo os liberais democratas de centro-direita aceitaram a coalizão com a dupla composta pela direita neoliberal radical e os populistas bolsonaristas, na expectativa de que pudessem recuperar a hegemonia a partir do governo Bolsonaro, realizando as reformas econômicas – as quais motivaram sua adesão ao golpe contra Dilma e a prisão de Lula (centro-esquerda) – como forma de viabilizar seu projeto de retomada do Estado, primeiro em 2019 no interior da coalizão, e depois com vistas a um retorno solo ao poder em 2022, quando então estariam distanciados do populismo autoritário bolsonarista. Esse acordo com os populistas surge nos meses finais que antecedem as eleições de 2018, ante o fracasso dos candidatos no espectro da centro-direita e da direita, que gerou pânico por uma nova derrota.

Fundamental nesta compreensão que diferencia os democratas liberais de centro direita e os neoliberais da direita radical é o entendimento de que o neoliberalismo não é apenas um conjunto de receitas econômicas ou de ajuste fiscal. Ele é uma teoria sócio-política global (Biebricher, 2018) que está ancorada nos “restauradores” do liberalismo clássico – diferentemente da estruturação da resultante pragmática do liberalismo centrista (Wallerstein, 2011) no final do século 19, responsável pela configuração da democracia liberal do Estado de Direito.

Um dos pontos desta diferença está exatamente na compreensão da extensão do controle do Estado sobre o mercado, que é mais generosa na centro-direita e quase inexistente na direita neoliberal. Ademais, para esta última, como vimos, se é necessário desregulamentar o mercado, torna-se igualmente essencial restringir a democracia, aprisioná-la, exatamente para que não acolha, via Congresso, interferências no mercado e na vida dos indivíduos, os quais devem ter direito a fazer suas escolhas livre de regulações (MacLean, 2017). Isso se obtém, na visão da direita neoliberal, por alterações na Constituição e, se necessário, por meio de uma ditadura de transição temporária se o livre mercado estiver ameaçado.

O populismo se associa a esta visão mas com seus próprios objetivos, ou seja, criar uma conexão direta do “povo” com seu “líder” (Norris and Inglehart, 2019) para que este promova, em nome do “povo” (o seu), as mudanças necessárias através da destruição do “establishment estatal” existente, a quem se responsabiliza pelos problemas do povo. Ao contrário do neoliberalismo, ele é nacionalista e anti-globalista (Eatwell and Goodwin, 2018) embora conviva com o livre mercado no âmbito nacional.

O resultado desta aliança é o enfrentamento das instituições da democracia liberal, com vistas a uma democracia iliberal, uma democracia de mercado, que exalta tanto a liberdade dos mercados como a dos indivíduos neles inseridos, retoma o tradicionalismo como portador de uma “nova ordem”, bem como, aposta na criação de uma geocultura meritocrática, onde os indivíduos são gerentes de si mesmos inseridos em mercados livres e são, eles mesmos,  responsáveis por evitar que as leis da “seleção natural” atuem sobre si – uma geocultura que está sendo moldada nos sistemas educacionais pela “accountability” da reforma empresarial da educação (Freitas, 2018) e que é conveniente para tempos de crise sistêmica do capitalismo, onde as elites se descolam do restante da população, externalizam custos trabalhistas e de seguridade, condenando os trabalhadores ao “virem-se”. Tudo isso sob a alegada proteção de um deus que naturaliza a ganância como se fosse ela a própria realização de sua “obra” (cf. Weber, 2004)

Esta geocultura educacional, em um cenário de crises e de perdas de postos de trabalho para inovações tecnológicas de crescente exigência para quem consegue se manter no mercado, esconde o interesse das elites de se valerem de uma suposta “igualdade de oportunidades” para estabelecer um filtro social meritocrático e criar uma reserva de mercado para os seus meritosos descendentes, pois, para que se possa passar por este filtro, há que se ter, além da oportunidade, as condições materiais que só estão disponíveis para a própria elite (Markovits, 2019). A meritocracia não passa de uma advocacia das elites em causa própria.

A agressão à democracia liberal, no entanto, é o principal incômodo. Tal agressão origina conflitos entre a coalizão da direita neoliberal, associada aos populistas, e às instituições como STF e o próprio Congresso. E esse conflito causa um mal-estar na democracia liberal de centro direita, que tem nas instituições a garantia do Estado de Direito liberal. Como não aderem à tese da ruptura institucional, tendem a valorizar o Estado de Direito liberal como forma de assegurar as regras do jogo que sustentam o capitalismo.

Com estas contradições, passado ano e meio de governo Bolsonaro, e com algumas das reformas neoliberais já feitas em associação com o populismo, os ataques à institucionalidade começam a incomodar e a balançar a coalização. Bolsonaro e seus generais sabem disso e reagem, neste primeiro momento, com ameaças de golpe. Há um sub-texto que não pode ser revelado: o fato é que houve um acordo entre todas estas forças e ele não poderia ser rompido sem consequências – ameaça Bolsonaro. Daí a fala de generais da reserva sobre as “consequências impensáveis” para a nação se as instituições da democracia liberal restringirem a ação do governo. Não é uma ameaça desprezível. É o governo Bolsonaro cobrando dos liberais de centro direita a fatura de sua coalizão com a direita neoliberal e com os próprios populistas nas eleições de 2018, que conduziu à interdição da centro esquerda.

Esta contradição estava posta desde o início entre estas forças e aguardava pelo seu momento de eclosão. Talvez seja este o momento. Os democratas liberais (da centro direita defensora do Estado de Direito) dão sinais de atuar para abandonar Bolsonaro – se este persistir na ameaça da ruptura institucional. A pandemia pode ter acelerado esta crise.

Indícios para tal podem ser observados em setores das Forças Armadas da ativa, no Congresso, no STF, nas frentes pela democracia, na grande mídia e no impacto no próprio comportamento de Bolsonaro. A democracia liberal de centro direita age para conter o populismo autoritário e separar-se de suas pautas intervencionistas e negacionistas, e convida os liberais de centro esquerda para a tarefa, como se a centro direita não tivesse nada a ver com a instauração da coalizão do governo Bolsonaro. A direita neoliberal no governo faz cara de paisagem.

Como a democracia liberal de centro-direita não tem outra alternativa para lidar com a crise estrutural do capitalismo que não seja a reforma do Estado e o ajuste fiscal proposto pela direita neoliberal no plano econômico, ela tenta salvar apenas estas propostas econômicas do governo Bolsonaro e restringir a agenda mais ampla da direita neoliberal radical e do populismo, que flertam com a ruptura. Ao agir assim, ela tenta distinguir-se do populismo e, ao mesmo tempo, fechar o espaço para a centro-esquerda.

Neste sentido, a alternativa que está sendo criada pela centro direita, como já insistimos antes neste Blog, é a recriação, no Brasil, de uma estratégia “neoliberal progressista” bem representada nos Estados Unidos pelos governos Clinton e Obama, ou seja, uma continuidade das reformas econômicas da era Reagan/Bush com mais atenção às políticas sociais. Esta versão, aqui, é acrescida da defesa da institucionalidade, a qual por lá é desnecessária devido à maior estabilidade democrática.

Esta estratégia esvazia as demandas da esquerda e ao mesmo tempo fortalece as demandas econômicas de reforma estrutural do Estado exigidas pela crise do capitalismo contemporâneo. Dentro desta estratégia, Bolsonaro bem pode ser uma espécie de arremedo de “ditadura de transição” destinada a garantir o livre mercado radical e suas reformas e a abrir caminho para um governo de centro-direita, anulando intenções de retorno a governos de esquerda – embora ele e seu clã até possam querer mais que isso.

O jogo, no entanto, está aberto. Há uma intensa luta entre estas frações políticas e econômicas que deram suporte e/ou que estão dentro do governo – seja na luta pelo orçamento do Estado, seja pela necessidade de externalização de custos do capital (desoneração), seja ainda pela criação de um ambiente cultural favorável à desobrigação das elites em relação ao bem-estar geral, justificada por uma geocultura meritocrática.

O populismo bolsonarista tentou se firmar neste quadro de disputas recuando da lógica de enfrentamento e disputando o Congresso (Centrão) e por hora, parece ter desistido deste enfrentamento explícito, ante a ameaça dos liberais democratas de centro direita de deixar a coalizão de apoio a Bolsonaro. Tal situação poderia levar à articulação prematura de um  movimento de massa contra o populismo, permitindo à centro direita construir desde já seu próprio caminho rumo a 2022. Enquanto isso, a direita neoliberal radical dentro do governo faz de conta que não é com ela, pois de uma ou de outra forma, pelo menos as reformas do Estado continuarão em pauta e este é o seu grande objetivo. E a esquerda reluta, corretamente, em integrar uma frente única restrita à luta pela institucionalidade e que conduza a um neoliberalismo progressista de centro direita, uma espécie de neoliberalismo de centro, atualizado para a época de crise sistêmica do capitalismo. Veremos.

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Feder é indicado, mas aguarda confirmação

Aparentemente, a indicação de Feder, hoje, é um balão de ensaio de Bolsonaro. A indicação não encerrou a disputa pelo cargo.

Ainda nem foi confirmado no cargo e Feder já está sob fogo cruzado da ala ideológica ligada a Olavo de Carvalho. Os militares e evangélicos também não gostaram. Quem gostou mesmo foi a Fundação Lemann e os empresários já que ele tem potencial para fazer andar novamente a reforma empresarial da educação na educação básica. No ensino superior Weintraub deixa pelo menos o Future-se em andamento.

Leia mais aqui.

Veja aqui também.

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Feder é convidado para o MEC

Feder é convidado para assumir o MEC.

Leia aqui.

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Uso de máscaras: o veto de Bolsonaro

Reinaldo Azevedo comenta o veto parcial de Bolsonaro a parte de lei aprovada pelo Congresso sobre o uso de máscaras em todo o país durante a pandemia. Diz:

“Estamos, sem dúvida, diante de um libertário. Eis aí um presidente que garante a todos o direito de morrer. Sem a interferência do Estado. Segundo o nosso espetacular pensador, a liberdade de não usar máscara é mais importante do que a vida.”

Leia a íntegra aqui.

Sobre libertarianismo leia também “O direito de se infectar”, neste Blog.

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Guias Covid-19 da Campanha

A Campanha Nacional pelo Direito à Educação está elaborando uma série de “Guias Covid 19” para vários aspectos da vida das escolas. O número 8 foi disponibilizado. Ele trata da reabertura das escolas.

Acesse aqui.

Os números que já estavam disponíveis antes, 1 a 7, podem ser acessados aqui.

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MEC divulga protocolo para retorno nas IFs

O Ministério da Educação divulgou protocolo que regula o retorno às atividades em instituições federais de ensino.

Baixe aqui.

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Decotelli pede demissão

O atual ministro da Educação, Carlos Decotelli, entregou carta de demissão.

Leia aqui.

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Novo ministro: começo infeliz – III

A cada justificativa fornecida pelo ministro para explicar as inconsistências de seu currículo Lattes, aparecem novas complicações. Brigitte Wolf apontada como a professora com quem Decotelli teria trabalhado em Wuppertal na Alemanhã para realizar seus estudos de pós-doutoramento, afirma, em resposta à consulta da TV Globo, que ele “não obteve o apoio da empresa Krone para fazer a pesquisa de pós-doutorado”.

Leia mais aqui.

Além disso, consta também no currículo que ele manteve vínculo institucional como professor com a FGV entre 2001 e 2017, mas a instituição afirma que ele atuou apenas como um colaborador em cursos de formação continuada.

Leia mais aqui.

Com todas estas confusões (ver também aqui e aqui), deveria ser impossível mantê-lo no MEC. Isso pode até ocorrer, mas Bolsonaro não gosta de fazer nada sob pressão da imprensa e com isso, está mantendo o ministro no cargo, usando como justificativa os 40 anos de experiência de Decotelli.

Nada contra tomar como base sua experiência para nomeá-lo como ministro, já que ministros não necessitam ter currículo acadêmico, mas isso deveria ter sido feito desde o início e o ministro deveria ter tido o bom senso de não fabricar um currículo, incorrendo em aparentes problemas éticos e falhas graves, que já deveriam ser impedimento para assumir um cargo público.

Quanto à alegada competência administrativa de Decotelli que Bolsonaro diz tomar como base para manter o ministro, há dúvidas também. Uma licitação conduzida por ele quando estava no FNDE – Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação -, um setor do próprio MEC, apresentou problemas.

Segundo a revista Fórum, o edital envolvia 3 bilhões de reais e visava a aquisição de computadores, notebooks, projetores e lousas digitais para alunos das redes públicas de ensino estaduais e municipais. A CGU suspendeu para analisar.

“Para se ter uma ideia, seriam adquiridos para uma escola de Itabirito, em Minas Gerais, 30.030 laptops, sendo que a unidade possui 255 alunos. Isso pressupõe que seriam adquiridos 117,76 laptops por estudante.”

Leia mais aqui.

Todo este conjunto de suspeitas e omissões cria uma nebulosa sobre a atuação do ministro que demanda esclarecimentos urgentes.

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Decotelli, o breve?

A sucessão de Weintraub voltou a ficar embolada com as informações de imprecisões constantes no seu curriculum Lattes. Renata Cafardo e Jussara Soares do Estadão indicam que a posse de Decotelli no MEC deverá ser adiada, enquanto se discute a situação criada com o currículo do ministro.

Essa situação reabre, obviamente, disputas que estavam já encerradas com a indicação de Decotelli pela ala militar.

Leia aqui e aqui.

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Novo ministro: começo infeliz – II

Como havíamos mencionado em post anterior, havia uma suspeita plausível de que o novo ministro da Educação, Decotelli, além de não ter doutorado, também não tivesse o título de pós-doutorado. Ela se confirmou.

Diogo Schelp revela em sua coluna que a Universidade alemã, registrada como local onde o ministro teria obtido seu título, negou que ele tivesse feito um pós-doutoramento ali entre 2015 e 2017, afirmando que ele esteve apenas três meses na Universidade em 2016, quando realizou uma pesquisa, mas sem titulação.

Leia a coluna aqui.

O próprio ministro, em nota anterior emitida pelo MEC onde explicava a inexistência de seu doutorado na Argentina, já havia antecipado que sua presença na Alemanhã também não havia gerado título. A informação agora é confirmada.

Como se vê, resta aos estudos pós-graduados do ministro seu título de mestrado – se a FGV confirmar que não houve plágio.

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Nota pública da FPEI: “Voltar? Agora não!”

MANIFESTO PÚBLICO DA FRENTE PAULISTA DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Vivemos um momento singular na História. A pandemia coloca em risco o direito à VIDA. Considerando esse direito, o FPEI vem à público manifestar sua posição: Voltar? Agora não!
Com a curva de contaminação pelo COVID 19 em crescimento, com mais de 50.000 brasileiras (os) mortas (os) pela doença. Na cidade de São Paulo a analogia é como se caísse um avião por dia, mais de 300 vidas perdidas. Retomar as atividades com bebês e crianças, na Educação Infantil, significa colocar a vida em risco valorizando o capital sob a tríade: produção, acumulação e consumo.

Baixe a íntegra aqui.

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MPT: Normas para trabalho em plataformas virtuais

Com a proliferação repentina do ensino remoto, alunos e professores foram lançados em situações que podem comprometer sua saúde e seus direitos.

O documento foi produzido pela Procuradoria Geral do Trabalho e instrui a atuação do órgão, com o objetivo de indicar as diretrizes a serem observadas por estabelecimentos de ensino.

Segue abaixo o link para a:

“Nota Técnica para a atuação do Ministério Público do Trabalho na defesa da saúde e demais direitos fundamentais de professoras e professores quanto ao trabalho por meio de plataformas virtuais e/ou em home office durante o período da pandemia da doença infecciosa COVID-19.”

Baixe a NOTA TÉCNICA – GT COVID 19 – 11/2020 aqui.

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E a reforma empresarial da educação? Agora vai?

A reforma empresarial da educação nunca parou. Ela só não tinha o apoio entusiástico do Ministério da Educação nas gestões anteriores de Velez e Weintraub. Velez até nutria uma simpatia pela agenda de formação de professores para a educação básica e pela reforma do ensino médio, com ênfase nas políticas de profissionalização. Mas a agenda ideológica o atropelou. Sob Weintraub, predominou o radicalismo ideológico e o confronto, mas destaque-se a elaboração do programa de privatização do ensino superior, o Future-se. Não é pouco.

O novo ministro da Educação, Decotelli, é um economista com ênfase em administração. Pretende reduzir a tônica ideológica dada pelo ministro anterior ao MEC e centrar-se nas questões chamadas “técnicas”. Andressa Pellanda mostra o que normalmente se oculta sob o argumento “técnico”:

“Menos de uma hora depois da confirmação de sua indicação para o cargo, em entrevista para o jornal O Globo, o novo ministro confirma essa vitrine: “Eu não tenho nem preparação para fazer discussão ideológica. A minha função é técnica”.

Acontece que todo posicionamento que tenta subtrair a escolha política daquela técnica é um posicionamento político e que diz mais: deseja legitimar-se à revelia e mascarando a subjetividade política que é inerente de todo sujeito. Essa tentativa – manjada – de hermetismo e apartamento do político nos sinaliza, e muito.”

A autora resume bem:

“Para a agenda desses reformadores empresariais, a mudança de rota desejada depois de Weintraub e com o novo ministro financista é uma agenda focada em privatizações, gestão por resultados, conteudismo, “aceleração da aprendizagem”, e a implantação de um modelo “híbrido” que incorpore a educação a distância na política educacional.”

Leia aqui.

Se o ministro for hábil, em pouco tempo haverá uma fila de reformadores em seu gabinete para ajudar: “todos juntos pela educação”. Priscila Cruz, da organização Todos pela Educação, já disse que a nomeação do ministro “está no caminho certo” e que ele tem o perfil certo para restabelecer a conexão com os secretários de educação nos Estados. Os SEDs, secretários de educação, andavam carentes, sem o apoio do MEC na gestão anterior. Como a agenda era errática, estavam excluídos da política do MEC.

Neste quadro de abandono, os defensores da reforma empresarial foram obrigados a se contentar com o Conselho Nacional de Educação – o que já não é pouco – para onde Temer, preventivamente, havia despachado defensores desta agenda que haviam trabalhado em seu governo e criou-se uma estratégia de sobrevivência via CONSED e UNDIME – que, de quebra, foi apoiada pelas Fundações empresariais.

Agora, com o novo ministro, poderá haver um reposicionamento deste arranjo e a conexão com a reforma empresarial pode ser retomada no âmbito do MEC. Esta ligação mais orgânica será possível somente agora, graças ao equívoco cometido pelo governo Bolsonaro em privilegiar a agenda ideológica. Caso tivesse nomeado Mozart Ramos logo no início de seu governo, a agenda da reforma empresarial estaria já bem avançada.

Mas isso não é linear. Embora haja um novo ministro, ainda não há uma nova equipe debaixo do ministro. E as coisas não estão exatamente bem entre as equipes. Elas também sofreram marcas dos ministros que antecederam. Há feudos ideológicos como bem analisa Renato Machado:

“Apesar de se declarar “não ideológico”, Decotelli deverá enfrentar resistência para frear o avanço dessa ala no MEC. Mais do que isso, terá dificuldades para substituir os nomes mais ideológicos, como os secretários Rafael Nadalim (Alfabetização) e Ilona Becskeházy (Educação Básica).”

Leia aqui.

Além disso, é voz corrente no MEC os confrontos entre Vogel, o secretário executivo, e Ilona, a secretária de educação básica. Cabeças podem rolar. Porém, duvido muito que programas claramente de controle ideológico da escola que compõem a agenda conservadora, como a implementação das escolas cívico-militares, sofram algum tropeço. Os reformadores, no entanto, terão que enfiar a cabeça debaixo da terra para não ver a natureza do governo Bolsonaro, seus danos à democracia e seus programas destrutivos, e o farão – claro, em nome da “luta pela educação brasileira”, dirão. É o que eles têm para hoje.

Enquanto durar a recaída tática de Bolsonaro, que sugere ter se aquietado, pode ser que haja um ambiente mais propício para a retomada das reformas pelo MEC, mas o governo é híbrido e vai depender sempre do balanceamento entre forças políticas em seu interior que, se bem verdade têm pontos de convergência, por outro são especialistas em enfrentamentos dentro e fora do governo.

Caso a reforma seja assumida pelo MEC, veremos toda a lista de medidas já conhecida ser acelerada: implementação de bases nacionais, desenvolvimento de materiais didáticos alinhados às bases – inclusive plataformas de aprendizagem on line – avaliação para todos, ênfase na indução da privatização (por terceirização, por vouchers ou ambos) e por ai vai.

Neste sentido, ter um ministro com formação em economia e que desconheça a área da educação, viabiliza que estas medidas sejam aceitas e implementadas por ele, pelo simples fato dele ignorar o fracasso que as cerca em países que já passaram por elas.

A crença no mercado não é ciência, é fé. Já a crença dos reformadores na igualdade de oportunidades, que oculta a falta de condições  e a desigualdade preexistente sob o manto da avaliação meritocratica, não é ciência e nem fé – é fraude mesmo.

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