Saviani e Lombardi: nota de apoio

NOTA SOBRE A ATUAL CONJUNTURA ELEITORAL

Nesta conjuntura de profunda crise política o Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” (HISTEDBR), considerando a disputa no segundo turno das eleições presidenciais, vem manifestar-se resolutamente contra a candidatura que representa a barbárie, a ditadura, a tortura, o racismo, a homofobia, a perda do controle das riquezas nacionais, a perda de direitos trabalhistas e de cidadania.

Diante da polarização das duas candidaturas é preciso aprofundar o debate sobre os projetos políticos para o país, apoiando a civilização contra a barbárie; a liberdade democrática e o respeito aos direitos humanos contra a ditadura, a tortura e o fascismo.

Nessa direção somente a vitória de Haddad pode assegurar o retorno de políticas sociais para os que vivem do trabalho e a garantia de educação para todos e de políticas públicas para o desenvolvimento científico e tecnológico com a preservação de nossas riquezas e da soberania nacional.

Dermeval Saviani

José Claudinei Lombardi

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A lógica “bolsonariana”

Eleito, Bolsonaro aplicará no Brasil a cartilha dos “Chicago’s boys”, ou seja, economistas que foram treinados diretamente na Universidade de Chicago por figuras como Milton Friedman, proponentes do liberalismo econômico. Paulo Guedes, responsável pela área econômica, é um destes.

Friedman tem suas origens em economistas como F. Hayek e L. von Mises. O liberalismo econômico é a base da financeirização, cuja crise assistimos em 2008. Bolsonaro já procura nos meios financeiros seus assessores econômicos. Vai ser uma grande farra. Esse povo acha que administrar um país é sair vendendo tudo e gastar o que se arrecada com as vendas. Imagine se uma pessoa vendesse tudo que tem para comer.

O liberalismo econômico, como já afirmamos antes, é a base também do Partido Novo. Isso só vai ficar claro agora, quando o Novo já está fora das eleições. Forçosamente, o Novo terá que revelar seu apoio a Bolsonaro. (Há pouco ele divulgou nota em que não apoia o PT e nem Bolsonaro: ataca o PT, mas não diz porque não apoia Bolsonaro.) Está ficando claro também a quem Doria cultua.

Eleito Bolsonaro, vamos viver o liberalismo econômico de Pinochet que à sua época também foi orientado pelos seus Chicago’s boys com direito a tutoria direta de Milton Friedman que assessorou Pinochet durante a ditadura. Milton Friedman  é citado no programa do próprio Bolsonaro.

A propósito, o candidato tem falado em implantar seu “bolsa família” definido no seu programa como “renda mínima” que ele relaciona a Milton Friedman. Notemos bem: nenhum destes termos tem o significado que até agora teve no Brasil. Atualmente, estes termos representam uma quantidade pequena de dinheiro dada às famílias para sua manutenção. No caso de Bolsonaro, ele representa uma quantia que pode ser até maior que o atual bolsa família, como diz no programa, mas é dada no lugar dos direitos sociais. Por isso a chamei de “bolsa vire-se”. O liberalismo econômico retira direitos sociais e os substitui por “vouchers” – que estão no programa do PSL e que no Programa do candidato aparece como “renda mínima”. Direitos sociais são convertidos em “serviços” que são adquiridos no mercado.

Retiram-se direitos sociais como educação, coloca-se no lugar um voucher  e a partir daí o cidadão tem que pagar, por exemplo, a educação de seus filhos. Se tiver mais dinheiro, complementa o voucher que o estado dá e matricula seu filho em uma escola melhor, se não tiver, tem que se contentar com o que o voucher pode pagar. Essa é a realidade criada no Chile (e que Bachelet procurou alterar), onde o liberalismo econômico teve seu laboratório.

Devemos notar também, para evitar surpresas posteriores, que o neoliberalismo é uma combinação de autoritarismo social e liberalismo econômico. Tem grande afinidade com os conservadores.  Prefere o ambiente democrático, mas se necessário apoia golpes, como o fez no Chile. Pinochet recebeu apoio de Hayek, Buchanan (que ajudou a escrever a constituição de Pinochet) e do próprio Milton Friedman – todos do liberalismo econômico.

O exemplo de como pensa o “bolsonariano” pode ser visto em Minas Gerais com a vitória no primeiro turno de Zema do Partido Novo, apoiado por Bolsonaro. Para ele:

“Se alguém se negar a contribuir com o futuro de Minas, ele vai estar se condenando para a próxima eleição, porque eu vou deixar muito claro que aquela pessoa está ali por interesse próprio e não para representar o povo que o elegeu”, afirmou.”

O raciocínio “bolsonariano” não se dá bem com oposição. Temo que para ele, “ganhar a eleição” seja sinônimo de concordar com o programa do candidato eleito, sem direito a se opor. Dessa forma, o direito de fazer oposição é “cassado” no momento em que se perde uma eleição. Os “recados” estão dados.

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Chaui e o liberalismo econômico

Marilena Chaui explica os impactos das ideias do liberalismo econômico no âmbito da sociedade, do Estado e dos indivíduos. O liberalismo econômico é a base da proposta de Jair Bolsonaro e do Partido Social Liberal (PSL) que o acolhe. Mas também é a base do partido Novo de João Amoedo. A diferença está no grau de conservadorismo entre um e outro, já que os dois partem do liberalismo econômico como pressuposto. Mas como provavelmente se verá no segundo turno destas eleições, no fundo eles se entendem. O liberalismo econômico que está na base das duas propostas aceita bem as teses do autoritarismo social quando se trata de implantar o livre mercado.

Segundo o PSL de Bolsonaro:

“Liberalismo na economia significa que o Estado deve se intrometer o menos possível na vida econômica do país, permitindo que os indivíduos e as empresas possam atuar livremente, em um ambiente desburocratizado e imune à intervenção estatal excessiva. Acreditamos que, quanto mais o Estado se intromete na vida das pessoas e empresas, mais ele atrapalha e sobrecarrega o livre mercado.”

Assista abaixo a análise de Marilena Chaui.

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Bolsonaro propõe “vouchers” para a educação

O Partido Social Liberal (PSL) é o partido de Jair Bolsonaro. Um exame de sua página na internet revela seu alinhamento com o liberalismo econômico (de F. Hayek, M. Friedman e L. von Mises) e toda a ideologia decorrente deste. Diz o site, mencionando os pontos em que acreditam:

“Liberalismo na economia significa que o Estado deve se intrometer o menos possível na vida econômica do país, permitindo que os indivíduos e as empresas possam atuar livremente, em um ambiente desburocratizado e imune à intervenção estatal excessiva. Acreditamos que, quanto mais o Estado se intromete na vida das pessoas e empresas, mais ele atrapalha e sobrecarrega o livre mercado.”

Decorrente disso, a proposta para a educação não poderia ser outra senão a gerada no interior do liberalismo econômico por Milton Friedman. Sob o título de “Qualidade de vida com inclusão social” o site do PSL diz:

“Defendemos a focalização dos programas sociais para as pessoas em condição de maior vulnerabilidade. O Estado deve ampliar a oportunidade de acesso à educação e saúde de qualidade para os mais pobres, concentrando-se no financiamento dos serviços em parceria com a gestão da iniciativa privada, com a integração dos indivíduos ao mercado, preservando o poder de decisão nas mãos dos cidadãos através da adoção de Vale-Educação (voucher), Escolas Comunitárias (charter-schools) e programas congêneres.” (Grifos meus.)

No programa do candidato, os vouchers estão camuflados e aparecem sob outra denominação: “renda  mínima”:

“Acima do valor da Bolsa Família, pretendemos instituir uma renda mínima para todas as famílias brasileiras. Todas essas ideias, inclusive o Bolsa Família, são inspiradas em pensadores liberais, como Milton Friedman, que defendia o Imposto de Renda Negativo. Propomos a modernização e aprimoramento do Programa Bolsa Família e do Abono Salarial, com vantagens para os beneficiários. Vamos deixar claro: nossa meta é garantir, a cada brasileiro, uma renda igual ou superior ao que é atualmente pago pelo Bolsa Família.” (p. 63)

O renda mínima é uma “bolsa vire-se”. O Estado dá um tanto de dinheiro para os pais e se retira, deixando-os à logica dos mercados.

Os vouchers (ou seja, dinheiro que é dado aos pais para que escolham em qual escola querem matricular seus filhos – se pública ou privada) e as escolas charters, ou seja, a terceirização da escola pública para a iniciativa privada, são os instrumentos de privatização da educação pública, tal como diz explicitamente o site do PSL. Estamos frente, portanto, a uma proposta que visa a destruição da educação pública no Brasil.

O programa do candidato não fala em terceirização da educação, mas ele é uma decorrência direta da implantação dos vouchers de Friedman, os quais necessitam do programa de terceirização, pois esta última é a forma de se criar um mercado inicial a ser utilizado pelos pais que recebem os vouchers. Sem opções de escolher, os vouchers seriam inúteis. Portanto, juntamente com instalar a chamada “renda mínima”, haverá necessidade de se caminhar com a terceirização das atuais escolas para que a iniciativa privada possa ser estimulada, enquanto o Estado vai se retirando da responsabilidade de cuidar da saúde, educação e outras áreas.

O modelo de privatização da educação foi aplicado imediatamente após ao golpe militar de Pinochet no Chile, com assistência direta de Milton Friedman e James Buchanam. Também foi usado nos Estados Unidos nos últimos 20 anos. Em todos os lugares o que se viu foi o aumento da segregação escolar acompanhado de uma estagnação na qualidade da educação. Em compensação as corporações e empresas da área da educação ganham muito dinheiro e definem os destinos do próprio ministério da educação.

Um estudo que acaba de ser publicado nos Estados Unidos mostra que à medida que se amplia o financiamento para a terceirização das escolas, vai se destruindo o sistema público de educação: a drenagem do dinheiro das escolas públicas leva à falência o sistema público de educação:

 “… os estudantes de escolas públicas de comunidades de três distritos escolares da Califórnia estão arcando com o custo da expansão descontrolada de escolas privadas. Em 2016-17, as escolas charter ocasionaram um déficit fiscal líquido de US$ 57,3 milhões para o Distrito Escolar Unificado de Oakland, US$ 65,9 milhões para o Distrito Escolar Unificado de San Diego e US$ 19,3 milhões para o Distrito Escolar de East Side Union do Condado de Santa Clara.” (…) “Quando um aluno deixa uma escola da comunidade e vai para uma escola charter, sua parcela de financiamento proporcional vai com ele, enquanto o distrito continua sendo responsável por muitos custos que esses fundos apoiavam. Isso intensifica a pressão fiscal para cortar serviços essenciais, como aconselhamento, bibliotecas e educação especial, e aumentar o tamanho das turmas nas escolas das comunidades.” (p. 3).

Em relação aos vouchers, implantados na ditadura militar de Pinochet com assistência de grandes nomes do neoliberalismo, um estudo de Treviño et al de 2018 examinou 56 estudos empíricos sobre o uso de vouchers no Chile. Os resultados indicam que as “famílias [de classe média] não escolhem as escolas, mas são as escolas que escolhem as famílias e estudantes. Os pais podem escolher apenas onde entregar um pedido de matrícula; se o candidato for aceito, as famílias de classe média têm o “privilégio” de completar o valor da mensalidade para ter uma escola de maior demanda” (p. 4).

Em relação aos estudantes mais pobres, “a competição os relegou a escolas de baixo desempenho e altamente segregadas.” Para escapar a esta situação os pais destas crianças precisam ter mais capital econômico e social. “No entanto, as famílias mais pobres que não têm esses recursos não têm outra opção senão a escola pública local – que é o padrão para aqueles que não têm como pagar nada além de seus vouchers” (p. 4-5).

Mas, além de não resolver os problemas de segregação, os vouchers adicionam problemas graves: “estudantes em condições de discriminação e exclusão generalizada; baixa confiança pública; foco em habilidades acadêmicas visíveis e uma negligência que acompanha a educação cívica; e um profundo desconforto estudantil” (p. 5).

As evidências indicam que há efeitos indesejáveis presentes nestas políticas que recomendam que elas não sejam universalizadas em redes de ensino, pois, como se constata no Chile, a implementação universal dos vouchers “não só não cumpriu seus objetivos originais, mas também provocou vários resultados prejudiciais adicionais” (p. 6).

O que se vê no programa do PSL e do candidato Bolsonaro é o roteiro da destruição da educação pública brasileira e de quebra, do magistério.

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Sobral e as suspeitas de fraudes

A Revista Nova Escola publica uma síntese dos acontecimentos em Sobral:

Sobral: 10 perguntas e respostas sobre as suspeitas de fraude na rede: Há suspeitas de irregularidades na cidade referência em educação pública no Brasil. Porém, ainda não é possível saber quão graves e extensos são os problemas.

Leia aqui.

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Por que votarei em Haddad

Afinal, o cenário vai ficando claro. O “centrão” derreteu. A esquerda cresceu e ameaça os planos direitistas. E fica cada vez mais claro que as direitas vão se juntar para dar continuidade ao golpe de 2016, apoiando Bolsonaro. É da sua natureza. Diferenças à parte, a velha direita, movida a militares de reserva, e a nova direita, movida a empresários, constituem o núcleo duro do que se chama “neoliberalismo”: uma junção entre “autoritarismo social” e “liberalismo econômico”.

A nova direita prefere a democracia, mas justifica até um golpe se necessário para implantar o livre mercado. É que para ela, livre mercado é sinônimo de liberdade pessoal e social (Hayek, Mises). Apoiar Bolsonaro não é um grande esforço para a nova direita. A eleição de Bolsonaro apagaria a imagem do golpe de 2016 e forneceria a ela a legitimidade que precisa para implantar todas as reformas que ainda estão na gaveta. Para isso, é preciso que a velha direita entregue os postos econômicos do futuro governo à nova direita – o que não é um grande sacrifício para a velha direita até porque ela não tem propostas econômicas definidas.

O MDB e o PSDB/DEM estiveram à frente do golpe de 2016. O PSDB saiu mortalmente ferido da confusão que ele mesmo ajudou a construir desde que Aécio resolveu dar uma de Bolsonaro e não reconhecer os resultados das eleições de 2014. A culpa vai ficar com Alckmin, mas as causas são mais profundas.

O MDB não é partido de disputa presidencial. Tem seu foco mais no congresso elegendo deputados e senadores. O PSDB nem isso percebeu ao se apoiar nele para o golpe. Alckmin (PSDB) não é confiável perante a “nova” e a “velha direita”. Só agora o PSDB percebe que as baterias de Moro no judiciário, não atingiram apenas o PT. Para a “nova direita” o centro já é perigoso, pois tem ares de socialdemocracia. O PSDB interessou apenas como hospedeiro da nova direita, com Doria, Aécio e outros. Ficou sendo apenas uma sigla de aluguel para abrigar provisoriamente a “nova direita” que agora começa a criar seu próprio locus eleitoral: o Partido Novo.

O PDT de Ciro não é confiável – para a nova direita falar em “trabalhismo” já é perigoso. A nova direita quer clareza nas posições e fidelidade ao seu projeto. Doria até tentou sair do PSDB e mudar para o DEM, mas desistiu. Esta foi a vacilada crucial da “nova direita” e de seu representante mirim (isto está revelado no fato de que há uma disposição de quem vota em Bolsonaro, votar também em Doria no Estado de São Paulo). No meio disso tudo, o PT cresceu a ponto de ameaçar os planos direitistas.

Depois de muita confusão no centro, empresários, grande mídia, parte do judiciário e dos políticos resolveram que a saída será apoiar Bolsonaro.

O reflexo disso já é perceptível: Moro começou a agir, requentando delações que já haviam sido recusadas pelo próprio Ministério Público; a Globo está em campo para formar opiniões, comandando a grande mídia; Ibope curiosamente aponta crescimento de Bolsonaro em uma semana em que foi alvo de ataques e manifestações gigantescas das mulheres, que a mídia preferiu ignorar; e por aí vai…

Bolsonaro eleito, será um mero fantoche destas forças políticas mais estruturadas que têm como núcleo ideológico a combinação entre “autoritarismo social” e “liberalismo econômico”. Estas forças atuaram no golpe de 2016. A polarização de hoje é mera continuidade da polarização provocada com o golpe de 2016. Suas causas devem se reportar ao impeachment.

A eleição de Haddad, neste quadro, representa a possibilidade de barrar o neoliberalismo entreguista no Brasil e se impõe em um cenário em que está em jogo o próprio futuro do país.

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Ligar Ciro a Sobral(CE), agora, é golpe baixo

A Folha de São Paulo revela, hoje 30-09-2018, que pode haver fraudes em provas na cidade de Sobral (CE), que tem tido sua política educacional apontada como exemplo de sucesso. Nenhuma surpresa para quem conhece este tipo de política educacional que é usado por lá. Exatamente por ela ter um IDEB tão alto (9,1) é que a suspeição faz sentido, pois todos sabemos que não há milagres em educação.

A reportagem da Folha de São Paulo diz que alunos com melhor desempenho substituíam alunos de menor desempenho nos dias de prova para melhorar a nota da escola e do município no IDEB. MEC, Secretaria da Educação de Sobral e outros negam.

A denúncia de fraude em avaliação é compatível com o que dizem as pesquisas que analisam a utilização de responsabilização baseada em testes de desempenho de alunos como o caso de Sobral. Ela cria pressões sobre as redes de ensino que acabam sendo resolvidas de várias formas e nem sempre de maneira ética.

Infelizmente, a reportagem parece que está tratando a questão com viés eleitoral, o que é lamentável, pois isso distorce o problema. Diz a manchete: Estudantes de Sobral, berço de Ciro, relatam pressão para fraudar provas. 

Leia aqui.

O que incomoda é que a Folha tem procurado disparar “balas de prata” contra candidatos à eleição criando incertezas no já conturbado processo eleitoral em curso, ao invés de debater seriamente as questões educacionais. Qual será o próximo candidato a ser alvejado?

Não será surpresa se encontrarmos, de fato, problemas com as avaliações em Sobral. Temos alertado para isso neste Blog. A questão é por que a Folha só agora – depois de enaltecer a política educacional de Sobral em outros momentos – resolve disparar contra aquela cidade em uma seção do jornal de nome “Eleições 2018”.

O Jornal GGN divulgou excelente matéria sobre os problemas de Sobral (em abril de 2017) realizada depois de três meses de trabalho jornalístico investigativo naquela cidade, chegando às mesmas conclusões – até mais detalhadas – que agora a Folha divulga. Não parece ter chamado a atenção.

Leia aqui matéria do GGN.

Preocupada com Sobral no Ceará, a Folha se esquece que, aqui mesmo em São Paulo, ela poderia encontrar este tipo de problema, já que também no estado de São Paulo vivemos sob o efeito de uma política de responsabilização baseada em testes – embora com outros parâmetros.

A própria Folha revelou, antes do período eleitoral, em excelente reportagem o problema com o pagamento de bônus por mérito em São Paulo e que envolveu gastos de 4.2 bilhões de reais. A reportagem revela que o pagamento de bônus é mantido há anos, mesmo sabendo-se que não há resultado que justifique sua manutenção. Isso ocorreu na gestão de Alckmin, mas não é lembrado pela Folha. Será contra Alckmin a próxima bala de prata?

Leia aqui.

Concordamos que muito provavelmente exista problema em Sobral, mas abordá-lo da forma como está sendo feito é um golpe baixo que deve ser condenado. Nem o candidato, nem a cidade de Sobral, nem a educação merecem esta situação criada pela Folha.

E só para deixar bem claro, não sou eleitor de Ciro Gomes.

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BNCC: Ministro abre o jogo na CNI

O portal do MEC relata a visita do Ministro da Educação à Confederação Nacional da Indústria:

“As mais recentes políticas que estão sendo implementadas pelo Ministério da Educação, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o novo ensino médio e a educação tecnológica foram alguns dos temas da palestra do ministro da Educação, Rossieli Soares, aos diretores da Confederação Nacional da Indústria (CNI) de todo o país. O bate-papo aconteceu nesta terça-feira, 25, durante a 8ª reunião de diretores da entidade, em Brasília.

“A discussão com a CNI é importantíssima. A entidade tem força para a condução não só da indústria, mas também da economia brasileira e da geração de empregos”, afirmou Rossieli Soares. “Precisamos ouvi-los e saber se o que estamos fazendo na educação ajuda a comunicar, a dar empregabilidade ao jovem e se dá a competitividade que precisamos ter”, completou o ministro.

Rossieli Soares reforçou que competitividade e novas tecnologias estão diretamente relacionadas. “Se a nossa mão de obra, os nossos jovens cada vez mais saírem com as competências do Século 21, com tudo aquilo que o mundo inteiro tem feito, a nossa competitividade vai aumentar e teremos maior empregabilidade no Brasil.”

O presidente da CNI, Robson de Andrade, destacou a importância de se ter uma conversa sobre um tema primordial para o desenvolvimento do país, como a educação, e confirmou os desafios do mercado de trabalho com novas tecnologias. “Hoje temos discutido muito como vai ser o emprego do futuro e o futuro do emprego. Como essas mudanças tecnológicas são tão rápidas, que você é obrigado quase que a desaprender tudo que aprendeu e aprender coisas novas na mesma velocidade”, explicou Robson de Andrade. “Precisamos fazer com que o jovem esteja preparado para essas profissões que, às vezes, ainda não sabemos nem quais são. Você prepara o jovem para que ele possa raciocinar, decidir, tenha conhecimentos e capacidade de aprendizado para o futuro que vai chegar muito rapidamente”, finalizou o presidente da CNI.

Leia aqui Assessoria de Comunicação Social

O conceito de “empregabilidade” é diferente do conceito de “emprego”. São coisas diferentes, pois posso ser empregável e não ter um emprego, ficar desempregado. Com o advento da revolução 4.0 o que se coloca como horizonte é o desemprego e a alternativa é o emprego precário – no qual a reforma do ensino médio quer jogar a nossa juventude, antecipando a profissionalização ainda no ensino básico. É o que significa a fala do presidente da CNI e pode ser resumida assim: em relação a empregos futuros, “não me comprometa”… só quem for “pau para toda obra” pode aspirar a algum emprego.

Fica claro, na exposição do ministro, a que veio a base nacional comum curricular e a reforma do ensino médio.

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Aluno atira em colegas dentro de escola no Paraná

Um estudante de 15 anos, que declarou estar sofrendo bullying entrou armado no colégio e atirou em dois colegas de classe em Medianeira, no oeste do Paraná, perto de Foz do Iguaçu. Os dois estudantes baleados ficaram feridos, um gravemente, com tiros nas costas.

Leia aqui.

Veja aqui.

Segundo informações, foram achadas mais armas na casa dos pais, os quais deverão prestar depoimento para esclarecer a origem das mesmas.

Isso levanta a questão do porte de arma que alguns andam defendendo que seja liberado no Brasil. Também não é mera coincidência que ocorra na região sul do país onde o ruralismo tem se apresentado agressivo, com ataque a bala à caravana de Lula que foi minimizado, ou ataques de “relho” com que foram agredidos membros da caravana e que, na prática, simbolicamente tem o mesmo efeito de uma arma.

Tais práticas representam um progressivo aumento da violência no país e que não vai parar na porta da escola. Empolgados em defender soluções radicais e violentas, alguns não estão levando em conta o efeito que tais propostas causam na juventude. O problema pode ser visto também nos Estados Unidos onde ataques mensais se repetem durante o ano letivo nas escolas.

Acontecimentos como este poderão levar a aumentar a presença de policiais no interior das escolas como nos Estados Unidos, gerando uma escalada de violência como ocorre naquele pais.

A escalada de violência, por vários motivos, faz com que, hoje, mais que nunca, se debata nos Estados Unidos a questão da colocação da polícia no interior das escolas, ao lado do endurecimento nas regras disciplinares destas (além de por em questão o porte de armas). O saldo deste caminho é apresentado por Sam Sinyangwe, diretor do Projeto Mapping Police Violence (citado por Giroux, 2018):

“Os dados (…) que existem (…) mostram que mais policiais nas escolas levam a mais criminalização dos estudantes e, especialmente, estudantes negros e pardos. Todos os anos, cerca de 70 mil crianças são presas nas escolas … [Além disso] desde 1999, 10 mil policiais adicionais foram colocados nas escolas, sem impacto na violência. Enquanto isso, cerca de um milhão de estudantes foram presos por atos que seriam punidos anteriormente com detenção ou suspensão, e os estudantes negros têm três vezes mais chances de ser presos do que seus pares brancos. ”

O ataque de hoje no Paraná não pode ser encarado como mais um caso a ser relativizado, só porque não interesse a alguns candidatos que ele seja debatido publicamente.

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Hanushek e seu computador milagroso

Eric Hanushek está no Brasil. Ele trabalha no think tank Hoover Institution, localizado no campus da Stanford University, do qual o fundador, Herbert Hoover, foi aluno (e também presidente dos Estados Unidos). A instituição está no campus de Stanford, mas tem seu próprio conselho diretivo. Seus princípios estão expressos em seu site:

“Os princípios da liberdade individual, econômica e política; iniciativa privada; e governo representativo foram fundamentais para a visão do fundador da Instituição. Ao coletar conhecimento, gerar ideias e disseminar ambos, a Instituição procura assegurar e salvaguardar a paz, melhorar a condição humana e limitar a intromissão do governo na vida dos indivíduos.” (Grifos meus LCF.)

Trata-se de um think tank conservador alinhado com os princípios da direita americana e a favor da privatização – é isso que significa seu princípio de “limitar a intromissão do governo na vida dos indivíduos”.

Eric Hanushek veio participar do Educação 360, um evento produzido pela Globo e um grupo de entidades empresariais brasileiras. Em entrevista ao Todos pela Educação, ele não esconde quais são as finalidades que atribui à educação da juventude hoje:

“Com a introdução da inteligência artificial, automação e robôs, a economia está mudando mais rapidamente do que vimos no passado. Diante desse cenário, a importância da Educação de qualidade torna-se muito mais importante. As pessoas que se ajustarem a essas mudanças e se adaptarem às novas indústrias serão as “vencedoras”. Por outro lado, aquelas que estão presas aos velhos empregos serão as “perdedoras econômicas” do futuro. É essencial que os jovens atuais desenvolvam as habilidades necessárias para essa economia em rápida mudança. Em outras palavras, se no futuro, o Brasil tiver apenas esses trabalhadores insuficientes, sem essas habilidades cognitivas necessárias, será muito difícil para a economia brasileira crescer e acompanhar o resto do mundo.”

Leia aqui.

Por “crescer e acompanhar o resto do mundo”, deve-se entender: ser uma economia interessante para atrair investimentos das grandes corporações e poder gerar os lucros que elas desejam. É assim que as corporações olham para as colônias. Seus jovens são apenas um número nos computadores que devem ter uma educação de “qualidade” certificada pela OCDE com a finalidade de garantir lucros aos investimentos.

Segundo seus novos cálculos para o Brasil – e ele sempre tem um novo cálculo vindo direto de seu computador mágico – colocar todas as crianças no ensino básico (fundamental e médio) e chegar a uma qualidade mínima de educação resultaria em um aumento de produtividade do país que elevaria o PIB em 16% por ano. Dessa forma, teríamos o salário de todos os brasileiros sendo aumentado em 30%. Legal não é?

Só tem um problema. Estes cálculos não funcionam no país dele, onde a educação está estacionada desde que o Pisa foi inventado e patina há 20 no NAEP americano, e tanto o PIB como a produtividade aumentaram mesmo assim.

Suas estimativas são apenas uma simulação que só existe no computador dele. Nada disso tem a ver minimamente com dados da realidade brasileira. Da mesma maneira que o neoliberalismo vive procurando a “economia ideal”, ele também vive procurando a “educação ideal”.

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Argentina contra as políticas de Macri

Embora não noticiado pela grande imprensa brasileira que defende o livre mercado e as políticas neoliberais de Macri, a Argentina está em sua quarta paralisação contra tais políticas.

“Desde a meia noite está em vigor a quarta paralisação geral contra a gestão do governo de Mauricio Macri que afetará praticamente todos os serviços públicos – principalmente transporte, bancos, escolas, administração pública – a atividade econômica e industrial. E desde cedo encontram-se fechados os acessos à autopista La Plata-Buenos Aires.”

Leia aqui.

Buenos Aires é uma cidade fantasma. Enquanto isso, Macri está negociando empréstimos junto aos Bancos internacionais. A Argentina volta a ficar de joelhos.

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SINAIT analisa o decreto da terceirização

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho analisa o recente decreto sobre a terceirização em âmbito federal.

Decreto nº 9.507/2018 escancara as portas do serviço público à terceirização. Poucas áreas ficarão preservadas

“Para quem não acreditava que a terceirização irrestrita alcançaria o serviço público de forma avassaladora, a edição do Decreto nº 9.507/2018, nesta segunda-feira, 24 de setembro, jogou por terra todas as dúvidas que pudessem pairar sobre o tema. Resguardando apenas algumas áreas, o Decreto permite a contratação de serviços terceirizados em praticamente todos os setores e órgãos. Finca uma estaca sobre o instituto do concurso público e afronta a Constituição Federal.

A Lei nº 13.429/2017, também conhecida como Lei da Terceirização, permite a terceirização em todas as etapas de produção e se estende ao setor público. Esse entendimento foi definitivamente consolidado pelo Supremo Tribunal Federal – STF em julgamento no dia 30 de agosto. Com a edição do Decreto nº 9.507/18, o governo apropria-se da possibilidade de contratação de empregados terceirizados de forma ampla.”

Leia íntegra da análise aqui.

Acesse o decreto aqui.

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Noam Chomsky no Brasil: entrevista

Chomsky está no Brasil e concedeu uma entrevista ao site Tutameia.

Acesse aqui.

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Decreto Federal sobre terceirização

Foi publicado o Decreto 9507 de 21 de setembro de 2018 que dispõe sobre a execução indireta, mediante contratação, de serviços da administração pública federal direta, autárquica e fundacional e das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União.

Acesse aqui.

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Educação básica: saída pelo público

Daniel Vargas e Tassia Cruz escrevem interessante artigo no jornal El Pais: O novo pacto nacional: um caminho público para a educação básica.

“A bandeira dos candidatos para a educação brasileira é a aposta nas técnicas e experiências do setor privado. O caminho que o país deveria trilhar vai no sentido contrário.”

Leia aqui.

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TPE: “testar e punir” como política

Priscila Cruz, do Movimento Todos pela Educação, revela a filosofia que aquele think tank tem para a melhoria da educação brasileira: testar e punir. A propósito da queda do IDEB em alguns estados, diz:

“É muito injusto com crianças e jovens que políticos sejam reeleitos entregando a educação pior do que receberam”, diz a presidente executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz. Ela defende que haja proibição de reeleição quando um Estado piora no Ideb. “A política social deveria estar no mesmo patamar da econômica. Da mesma forma que temos responsabilidade fiscal no País, precisamos ter responsabilidade educacional.”

Leia aqui.

De fato, o que ela diz está no projeto de Lei de Responsabilidade Educacional em tramitação no Congresso Nacional. A justificativa vem sempre em nome das “crianças e jovens”. A ideia que passa é que os gestores são ineficientes, não pensam nas criancinhas e que, se não fosse assim, a educação poderia ir bem, supondo-se que atingir as metas do IDEB seja ir bem. Com isso, simplifica-se um problema grave e se dá a ele uma solução tão fácil quanto errada: pressionar os gestores a serem eficientes através de uma Lei.

O projeto de lei em tramitação especifica uma série de outras condições que deveriam ser examinadas antes de se chegar a esta situação de negativa do direito de se reeleger, no entanto, este tipo de pensamento desconsidera que a ameaça de punir o governador, por si só, já leva a uma série de pressões na escala hierárquica do sistema educacional, chegando até os gestores das escolas, professores e estudantes – os reais atingidos pela medida, muito antes do que os governadores.

Neste sentido, é o mesmo sistema que já não funcionou nos últimos 30 anos para elevar a qualidade da educação em outros países, mas que permitiu a ampliação da privatização da educação pública (no caso americano de 2% para 7%). Com a pressão, os gestores apegam-se cada vez mais em consultorias e ONGs para as quais possam passar a responsabilidade, em busca de preservar seus mandatos.

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SAEB: até quando vai durar esta imposição?

O MEC/INEP consultando um grupo de especialistas de sua escolha e pensando na implantação da BNCC, decidiu que o Brasil tem um critério pouco exigente para avaliar o que se considera um estudante com “aprendizagem suficiente”. Com isso, elevou arbitrariamente o critério. Nenhuma discussão se fez. Nenhuma informação técnica foi veiculada. Uma decisão questionada pelos especialistas de todos os matizes foi considerada meramente interna, e passa a afetar todas as escolas do país, impositivamente.

Autoritariamente, como é típico da presente fase da política brasileira, nenhuma explicação convincente foi dada às críticas. Simplesmente foram ignoradas. Com isso, impõe-se aos estados e municípios um critério elevado de avaliação, de forma unilateral. A motivação para tal é clara: pressionar os governadores, secretários de educação e as escolas. Em seguida virá a Lei de Responsabilidade Educacional e a Lei do Sistema Nacional de Educação, completando o cerco sobre estes.

Equivocadamente, o Brasil tem uma avaliação nacional (SAEB) centralizada que serve de base para avaliar a  educação dos estados. Foi criada em 1994 e em 2005 tornou-se censitária. Mas além desta, os estados brasileiros também têm seus sistemas próprios de avaliação igualmente censitários. No entanto estes sistemas estaduais de avaliação não têm validade perante o MEC/INEP. Além de um culto à centralização, representa um duplo gasto de preciosos recursos.

Nos Estados Unidos a avaliação nacional é amostral e os estados sempre tiveram autonomia para criar seus próprios sistemas de avaliação, reconhecidos pelo governo federal, independentemente da sua avaliação nacional. O que conta são os resultados da avaliações estaduais e não o resultado da avaliação nacional amostral. Foi com a implantação de sua BNCC (o Common Core) que, juntamente com ela, se criou o PARCC (Partnership for Assessment of Readiness for College and Careers), igual para todos os estados, mas ainda assim, optativa.

O PARCC é censitário (por lei deve incluir 95% das crianças). Adotado pelo estado, esta é a avaliação válida, e não a avaliação nacional censitária, o NAEP (National Assessment of Education Progress).

Esta avaliação única para os estados, mesmo que optativa, começou com Obama. Ele aproveitou o fracasso da lei de responsabilidade educacional No Child Left Behind (NCLB), instituída por Bush em 2002, e ao aceitar perdoar os estados por não terem atingido as metas estipuladas pela falida lei e que deveriam ser cumpridas até o ano de 2014, exigiu que eles aceitassem entrar em um programa conhecido como Race to the Top (RTTP), que continuou por formas diferentes os mesmos preceitos da NCLB.

Neste novo pacote, ele incluiu a aceitação da BNCC e da avaliação a ela associada, o PARCC. Mas em 2015 o Congresso americano reviu a NCLB e a transformou em uma nova lei, a ESSA (Every Student Succeeds Act) que garantiu mais flexibilidade aos estados para adotarem seus próprios sistemas de avaliação e impediu que Washington seguisse chantageando os estados através do RTTP e continuasse a exigir o ingresso em um sistema único de avaliação, como o PARCC.

Sob Obama, cerca de 24 estados americanos aceitaram entrar no RTTP que estipulava a BNCC (Common Core) e os exames que a acompanhavam (PARCC). Com a entrada em vigor da nova lei ESSA, os estados foram se retirando da avaliação do PARCC e desenvolvendo seus próprios sistemas de avaliação, em substituição a este.

O estado mais recente a seguir este caminho é Maryland:

“Autoridades de Maryland estão abandonando o teste padronizado – conhecido por pais, professores e alunos como PARCC – em favor de algo mais curto e esperam mais popular. Maryland é apenas um dos poucos estados que ainda oferecem testes do PARCC, antes usados em dezenas de estados, mas criticados por consumirem muito tempo e serem muito prejudiciais ao cronograma escolar. Também são difíceis – menos da metade dos estudantes de Maryland conseguem ser aprovados.”

Leia aqui.

Segundo Ravitch, “originalmente ele [PARCC] foi oferecido por 24 estados. Apenas seis estados e o DC ainda estão nesse pequeno grupo”.

No Brasil, a BNCC está atrelada ao SAEB que é censitário. Os estados vão ser obrigados a aceitar os dois. Não temos avaliação nacional amostral como os americanos. E agora, os estados serão obrigados a aceitar também o critério de “aprendizagem suficiente” do INEP como parte do SAEB, uma avaliação nacional censitária obrigatória para os estados.

Amarramos cada estado aos critérios arbitrários de avaliação do INEP em um único tipo de avaliação censitária para todo o país. Além disso, para delírio das empresas e consultorias em avaliação, gastamos duas vezes para avaliar a educação: uma vez no SAEB e outras nas avaliações estaduais – todas censitárias. Em tempos de dinheiro curto, deveríamos começar por cortar o SAEB censitário e transformá-lo em amostral.

Acreditamos que deveríamos ter uma avaliação nacional amostral, que poderia ser o SAEB e dar maior liberdade a estados e municípios para criar seus próprios sistemas de avaliação e seus critérios – de forma transparente.

E não se diga que isso não é viável, pois está sendo feito no país que mais usou leis de responsabilidade educacional e sistemas de responsabilização baseados em testes. Os governadores estaduais precisam começar a pensar em leis alternativas para a avaliação, pois são eles os gestores de fato da educação básica e serão chamados a se responsabilizar pelos desacertos do INEP.

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CNE aprova voluntariado na educação

Acaba de ser publicada a resolução 2 de 2018 do CNE – Conselho Nacional de Educação – sobre o voluntariado na educação básica e superior.

Leia a íntegra aqui.

“Art. 1º A presente Resolução estabelece diretrizes nacionais para o voluntariado de estudantes no âmbito da Educação Básica e Educação Superior, a serem observadas pelos sistemas de ensino e suas instituições.

Parágrafo único. As diretrizes são definidas de forma ampla, de modo a contemplar a diversidade de projetos pedagógicos dos cursos existentes e futuros.

Art. 2º O voluntariado se refere às ações de estudantes que, devido a seu interesse pessoal e espírito cívico, dedicam parte do seu tempo, sem remuneração, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de promoção de bem-estar social, ou outros campos demandados pela própria sociedade.

Parágrafo único. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício, nem obrigação de natureza trabalhista-previdenciária ou afim e deve ser exercido mediante a celebração de termo de adesão entre a entidade, pública ou privada, e o prestador do serviço voluntário, conforme estabelecido na Lei nº 9.608, de 18 de fevereiro de 1998.

Art. 3º O voluntariado na educação, com a finalidade de apoiar o desenvolvimento do educando e seu preparo para o exercício da cidadania, formando agentes de transformação social, fundamenta-se nos seguintes princípios:

I – participação cidadã e responsabilidade cívica;

II- responsabilidade social, solidariedade e a corresponsabilidade na transformação social;

III – fomento à cultura de paz, o respeito ao bem comum e o apreço à tolerância;

IV – engajamento com a comunidade e o compromisso com seu desenvolvimento;

V – estímulo às práticas sociais articuladas com a realidade local.”

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STF: não aprova “homeschooling”, mas…

Por maioria, o Supremo Tribunal Federal (STF) não autorizou a possibilidade de haver “homeschooling” no Brasil, ou seja, que alunos possam ser educados em casa, sem a necessidade de frequentar a escola. Mas não se entusiasme.

Leia aqui.

A maioria do STF entendeu que a matéria precisa ser legislada no Congresso nacional. Isto no entanto, não é uma segurança contra a ideia de homeschooling, pois já tramita no Senado Projeto de Lei 28/2018 do Senador Fernando Bezerra Coelho (PMDB/PE) que defende que os pais possam não encaminhar seus filhos à escola e tenham educação domiciliar. O projeto está aguardando designação de relator. Provavelmente agora, será acelerado com esta decisão do STF.

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IDEB: ensino privado continua fora da meta

É pouco comentado, mas a rede privada no Brasil não consegue que suas escolas atinjam as metas do IDEB em nenhum dos níveis de ensino desde 2011 – nem mesmo nos anos iniciais do fundamental onde o Brasil mais cresceu nos últimos 15 anos, nível de ensino em que as públicas estão dentro da meta.

As metas são numericamente diferentes para as redes públicas e privadas. No setor público a meta dos anos iniciais (para 2017) é 5.2 e para a privada 7.2. A rede pública teve 5.5 e a privada 7.1. Foram estabelecidas por modelos matemáticos a partir dos resultados da aplicação de 2005 quando se criou o IDEB.

Nos anos finais do fundamental a meta das públicas é 4.7 e a da rede privada é 7.0. Em 2017 a rede pública teve 4.4 e a privada 6,4. Nenhuma delas atinge a meta, mas a rede privada não atinge desde 2009 enquanto a pública não atinge desde 2013.

No ensino médio as dificuldades continuam. A rede privada tem como meta 6.7 e obteve em 2017 a nota 5.8. A rede pública tem como meta 4.4 e obteve a nota 3.5. Enquanto a rede privada não atinge a meta desde 2007 a pública deixou de atingir sua meta em 2011.

 

IdebGeral

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Think Tanks, redes políticas e governança

Artigo examina as redes políticas e de governança criadas por Think Tanks.

Viseu, S., & Carvalho, L. M. (2018). Think tanks, policy networks and education governance: The rising of new intra-national spaces of policy in Portugal. Education Policy Analysis Archives, 26(108).

Acesse aqui.

Resumo: Este artigo centra-se no papel dos think tanks na regulação da educação, considerando a crescente importância que novos atores, incluindo organizações privadas e filantrópicas, têm vindo a desempenhar nas políticas educativas. Estamos interessados em contribuir para a literatura que discute o nascimento de novos espaços intra-nacionais de política, o seu trabalho e a sua influência para as mudanças nas políticas educativas.

Para tal, apresentamos um estudo empírico sobre o EDULOG, um autointitulado think tank para a educação que opera em Portugal desde 2015. O trabalho empírico foi inspirado na etnografia das redes e na análise de redes sociais, através das quais mapeamos as atividades do EDULOG, designadamente de produção de informação, assim como as organizações e atores que se movem dentro e em torno do EDULOG.

Os dados mostram como o EDULOG age como um espaço de intermediação social e cognitiva, uma vez que visa desenvolver um determinado conhecimento educacional, orientado para a decisão política e a resolução de problemas por si identificados, através de uma rede política composta por atores provenientes de diferentes mundos, incluindo a academia, as empresas e agências governamentais.”

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GREPPE: mapeando a inserção privada no público

O GREPPE – Grupo de Estudo e Pesquisas em Políticas Educacionais – divulgou estudo mapeando a inserção do setor privado nas redes estaduais de educação entre os anos de 2005 e 2015.

Acesse aqui.

“Esta ferramenta interativa disponibiliza para os interessados resultados de pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Estudos e Pesquisas em Políticas Educacionais (GREPPE) a respeito da incidência do setor privado junto aos sistemas estaduais de Ensino.

Em diálogo com pesquisas anteriores inventariamos os programas, projetos e ações das secretarias estaduais de educação em parceria com o setor privado, por meio dos conteúdos disponíveis nas páginas web das secretarias e de buscas por descritores pré-definidos na plataforma GOOGLE.

O período de 2005 a 2015, correspondente à década posterior à vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, foi selecionado para que pudéssemos identificar elementos que dialoguem com a hipótese de que a limitação dos gastos previstos na Lei tem estimulado a transferência de atividades estatais, inclusive as educacionais, para o setor privado.

O estudo, centrado na educação básica, identifica setores privados que incidem nas três dimensões da política educacional: oferta educacional, gestão da educação e currículo.”

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Educação Integral: ficando com os “melhores”

Os processos de melhoria da qualidade da educação impostos pela reforma empresarial da educação, quando funcionam, o fazem à custa do aumento da segregação escolar. Os constantes resultados da implantação de vouchers seja no Chile, seja nos Estados Unidos (ver seção Links e Resultados neste Blog) indicam isso. Eduardo Girotto e Fernando Cássio demonstram esta tese no Programa de Ensino Integral da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, com as escolas da Cidade de São  Paulo.

Criado em 2012, o Programa Ensino Integral (PEI) faz parte do “Programa Educação— Compromisso de São Paulo”, instituído em 2011 com um grupo de 15 ONGs lideradas pela ONG Parceiros da Educação, e que tem como principal objetivo, segundo a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (SEE-SP), lançar as bases de um novo modelo de escola e de um regime mais atrativo na carreira do magistério. Em 2017, 308 unidades escolares da rede estadual faziam parte do Programa, 50 delas na cidade de São Paulo.

Entre os diferenciais do Programa, destacam-se: 1) jornada integral de alunos, com currículo integralizado, matriz flexível e diversificada; 2) escola alinhada com a realidade do jovem, preparando os alunos para realizar seu Projeto de Vida e ser protagonista de sua formação; 3) infraestrutura com salas temáticas, sala de leitura, laboratórios de ciências e de informática e; 4) professores e demais educadores em Regime de Dedicação Plena e Integral à unidade escolar. O programa foi implementado em São Paulo a partir do modelo de educação integral do Estado de Pernambuco, elaborado em parceria com o Instituto de Corresponsabilidade pela Educação (ICE) em expansão em outros estados do nordeste. O financiamento envolve aportes empresariais.

Girotto, E. D., & Cássio, F. L. (2018). A desigualdade é a meta: Implicações socioespaciais do Programa Ensino Integral na cidade de São Paulo. Arquivos Analíticos de Políticas Educativas, 26(109).

Acesse aqui.

“Resumo: Este artigo propõe uma análise do Programa Ensino Integral (PEI), implantado na rede estadual de São Paulo (Brasil), do ponto de vista da dinâmica da produção das desigualdades socioespacial e educacional. No caso em tela, investigamos o papel da política pública de educação, sob a lógica da Nova Gestão Pública, como indutora e reprodutora de desigualdades. Os resultados sugerem que o PEI se baseia numa lógica insularizante, produzindo unidades escolares destinadas a alunos já privilegiados em suas relações com a cidade.

Além disso, a implantação do Programa tem provocado efluxo de matrículas, com efeito positivo no nível socioeconômico (NSE) das escolas PEI e nos seus resultados nas avaliações em larga escala. Tal efeito é contrabalançado pelo efeito negativo nas unidades escolares no entorno das escolas PEI, em que se observou diminuição da quantidade de estudantes com NSE mais elevado.

Além disso, as escolas PEI, comparadas às escolas do entorno e à própria rede estadual paulista, possuem menos classes e matrículas. São escolas para poucos: os estudantes de maior NSE da rede estadual. Nessas escolas também se observa a preferência por uma organização e ciclo único, o que coloca o PEI na mesma linha da polêmica proposta de Reorganização Escolar de 2015.”

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A escola privada é melhor que a pública?

Um informe preparado pelo National Education Policy Center questiona se a escola privada é de fato melhor que a pública e reúne um conjunto de estudos.

“Diz a sabedoria popular que as escolas privadas são melhores que as públicas. Mas é mesmo verdade? Um crescente corpo de evidências sugere que a resposta é não. Um estudo de Robert Pianta e Arya Ansari, da Universidade de Virgínia, rastreou mais de 1000 alunos de escolas públicas e privadas, desde o nascimento até os 15 anos.

À primeira vista, os alunos das escolas particulares pareciam que estavam se saindo melhores nas medidas. Mas as diferenças eram enganosas. Assim que os pesquisadores levam em conta a renda familiar e os níveis de educação dos pais, a vantagem evaporou. Os estudantes das escolas particulares não superaram seus colegas da escola pública em testes acadêmicos, avaliações de ajuste social, atitudes e motivação, ou ainda em métricas comportamentais.”

Obviamente, isso também coloca dúvidas sérias sobre os programas de vouchers que sob a argumentação de que a escola particular é melhor que a pública, permitem que crianças das escolas públicas passem a estudar em escolas privadas. Os vouchers são defendidos no Brasil pelo Partido Novo que tem Amoedo como candidato.

Como já divulgamos aqui, os programas de vouchers não têm comprovada sua eficácia e estes estudos que agora são aqui reunidos, mostram que a própria escola privada se encontra na berlinda.

Os estudos abaixo foram reunidos pelo National Education Policy Center e constituem-se em referência para esta questão.

Dynarski, M., Rui, N., Webber, A., & Gutmann, B. (2017). Evaluation of the DC Opportunity Scholarship Program: Impacts after one year (NCEE 2017-4022). Washington, DC: National Center for Education Evaluation and Regional Assistance, Institute of Education Sciences, U.S. Department of Education.

Figlio, D., & Karbownik, K. (2016, July 7). Evaluation of Ohio’s EdChoice scholarship program: selection, competition, and performance effects. Washington, DC: Fordham Institute. 

Lee, J. (2007). NEPC Review: Are private high schools better academically than public high schools? and Monopoly versus markets: The empirical evidence on private schools and school choice. Boulder, CO: National Education Policy Center. 

Lubienski, C. & Lubienski, S. (2006). NEPC Review: On the public-private school achievement debate. Boulder, CO: National Education Policy Center. 

Lubienski, C & Lubienski, S. (2013). The public school advantage. Chicago, IL: University of Chicago Press. 

Mills, J.N., & Wolf, P.J. (2017, February 17). Vouchers in the bayou: The effects of the Louisiana scholarship program on student achievement after two yearsEducation Evaluation and Policy Analysis, 39(3), 464-484. 

Pianta, R. & Ansari, A. (2018, July 9). Does attendance in private schools predict student outcomes at age 15? Evidence from a longitudinal studyEducational Researcher.

Welner, K. & Green, P. (2018). Private school vouchers: Legal challenges and civil rights protections. Los Angeles, CA: The Civil Rights Project. 

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Novo Relatório: Sequestradas por bilionários

Rede pela Educação Pública, nos Estados Unidos, divulga novo relatório (Sequestradas por bilionários: como os super-ricos compram eleições para minar as escolas públicas) com um exame de 9 casos em que eleições de vários tipos foram “compradas” por bilionários interessados em que os candidatos privatizassem a educação americana.

Acesse relatório completo aqui.

Acesse os 9 casos aqui.

Bilion

 

“Quando a privatização da educação pública está no centro de uma eleição, bilionários de costa a costa gastam quantias recordes para dobrar o resultado à sua vontade.

Nosso último relatório, Sequestradas por bilionários: como os super-ricos compram eleições para minar as escolas públicas, contém nove estudos de caso em que analisamos as contribuições em eleições locais e estaduais, eleições para prefeitos e governadores, bem como a eleição em Washington que criou a lei da escola charter do estado. Nas eleições, de Newark até Los Angeles, muitos dos mesmos doadores contribuem para candidatos que apoiam sua agenda de privatização.

A NPE Action associou-se à LittleSis para ajudar os leitores a visualizar os gastos em todos os nove estudos de caso. O banco de dados LittleSis é uma ferramenta poderosa que detalha “as conexões entre pessoas e organizações poderosas”. Os mapas fornecem uma compreensão mais profunda de como aqueles que pretendem privatizar nossas escolas públicas influenciam as eleições e quanto gastam para fazê-lo.

O relatório também fornece uma cartilha sobre como usar bancos de dados de financiamento de campanha para acompanhar o dinheiro em uma eleição em seu estado ou cidade. À medida que o número de repórteres cobrindo a educação diminui, e menos agências de notícias dedicam tempo a reportagens investigativas, cabe a nós nos tornarmos jornalistas cidadãos.

Sequestrado por bilionários inclui nove estudos de caso de 2011-2017 que ilustram as mesmas táticas que os mesmos bilionários estão usando agora.”

 

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SAEB 17 no “Pensar a Educação”

Pensar a Educação reúne um conjunto de artigos abordando a divulgação do SAEB 17.

Leia aqui.

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Entrevista: riscos do IDEB

A aprendizagem dos alunos só pode ser avaliada considerando as condições

“Em entrevista ao Portal EPSJV/Fiocruz, a coordenadora de políticas educacionais da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Andressa Pellanda, sugere olhar com cuidado para os números revelados pelo sistema de avaliação do MEC, uma vez que o Ideb não considera as desigualdades regionais nem as condições de trabalho dos profissionais de educação e das escolas. “A culpa desse resultado acaba injustamente recaindo sobre o estudante que realizou a prova e do professor que ensinou aquele aluno”, critica.”

Leia mais aqui.

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CNTE: Rede Globo contra o magistério

MOÇÃO DE REPÚDIO À REDE GLOBO DE TELEVISÃO QUE, POR MEIO DE SUAS NOVELAS, MANIPULA OPINIÕES E JOGA A SOCIEDADE BRASILEIRA CONTRA A FIGURA DO/A PROFESSOR/A

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE, entidade representativa dos profissionais do setor público da educação básica brasileira, REPUDIA de forma veemente a tentativa de manipulação da opinião pública brasileira contra a imagem dos/as professores/as.

Em capítulo exibido no último dia 01 de setembro, a novela global “O Tempo Não Para”, que ocupa a grade de programação da emissora no horário das 19h, personagens da trama travam um diálogo que sugere, explicitamente, que a culpa e responsabilidade da atual situação da educação pública brasileira é do direito de greve do/a trabalhador/a e de sua forma de contratação por meio de concursos públicos. Esse aparente inocente diálogo em uma obra de ficção escamoteia a intenção tácita de uma emissora de televisão que, acostumada a manipular a opinião pública, parece não ter se dado conta de que seu poder de outrora, nesse campo da construção das ideias no Brasil, está cada vez mais comprometido e muito mitigado. A sociedade brasileira já identifica na Rede Globo um mal que precisa ser regulado porque trata-se, sobretudo, de uma concessão pública e à sociedade deve servir.

O pitoresco da cena reproduzida na novela em questão não passou despercebido por expressivos segmentos sociais atentos ao atual momento político por qual passa o país. Em tempos de uma democracia golpeada, que contou com o apoio decisivo desse grupo de comunicações, o diálogo entre as personagens da novela flerta com as possibilidades de contratação de servidores públicos sem mais a necessidade de concurso público, muito em decorrência da aprovação recente da terceirização ilimitada e da reforma trabalhista. Em especial para a categoria do magistério, e em conjunto com a alteração proposta nesses dois normativos, a Reforma do Ensino Médio propõe a contratação de professores por “notório saber” para o ensino profissionalizante. A ideia sempre presente de conferir às nossas escolas a gestão por meio de organizações sociais (OSs) reflete o diálogo travado na teledramaturgia global. É evidente que a cena se propôs a ser um instrumento dessa disputa de ideias que se dá no campo dos projetos políticos e somente nesse campo deve ficar.

Todos sabemos o modelo de educação que a Globo defende, que é exatamente aquele que está se pavimentando no Brasil. Esse poderoso grupo econômico aguarda ansiosamente a aprovação da nova Base Nacional Comum Curricular – BNCC do Ensino Médio para que, assim, possa ser ofertado os seus telecursos pelo Brasil afora, atendendo aos preceitos do que se pretende impor no Brasil nos tempos de hoje. Para isso, eles precisam destruir o atual modelo público, tratando a educação como mercadoria. Por isso, a cena da novela não foi despropositada e tampouco desinteressada.

Não é à toa que o índice de audiência dessas novelas, e no mais de toda a sua programação, cai em vertiginosa queda anos após anos. As pessoas estão fartas dessas tentativas de manipulação grotescas. Contingente expressivo de nossa sociedade já percebe as entrelinhas e insinuações, sempre interesseiras, dessa emissora golpista. Está chegando o momento de regular essa distorção em nossa democracia. A democratização dos meios de comunicação é urgente e está próxima!

Brasília, 03 de setembro de 2018

Diretoria Executiva da CNTE

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Saeb 17: ajuste antecipado para a BNCC?

Os resultados da avaliação do SAEB 2017 foram divulgados com uma mudança no critério de distribuição das pontuações dos alunos na escala de proficiência. Isso tornou mais difícil para um aluno ser classificado como “proficiente” ou com “desempenho adequado”. A medida é tomada um ano antes de implementar a BNCC. Há alguma relação entre estes dois eventos? Pode ser que sim, pode ser que não.

Quando algo estranho acontece e as explicações não convencem, somos obrigados a exercitar as várias possibilidades e é natural que comecem a aparecer hipóteses explicativas, principalmente porque algo muito estranho está acontecendo no reino do INEP.

Como explicar que, de repente, o INEP resolveu mexer no grau de exigência de classificação da escala do SAEB17 consultando um seleto grupo de “especialistas”? De onde vem esta urgente necessidade de alterar o SAEB17, que é implantada sem maiores debates? Esta decisão compete ao INEP?

E como não há debate e nem explicação adequada, arrisco dizer que a urgência vem da implantação da Base Nacional Comum Curricular que entrará em vigor no próximo ano – trata-se, provavelmente, de “controle de danos” antecipado.

A equipe do MEC entende que a elevação das exigências é peça chave na elevação da qualidade da educação brasileira. É uma questão de fé. Em várias oportunidades membros da equipe do governo revelaram sua inconformidade com o fato de que a “régua” de medida da educação brasileira seja baixa. Ou seja, o nível de exigência que é feito nas escolas ser baixo, pois aceita-se uma pontuação muito baixa quando se trata de avaliar as escolas nas escalas de proficiência. Alguns se manifestavam claramente dizendo que era preciso “elevar a régua”. Régua aqui, é a altura em que se coloca um obstáculo para que ele seja saltado. Elevando a régua, exijo mais esforço de quem salta – isso ocorre quando eu digo que será necessária uma pontuação mais elevada para que um aluno seja considerado proficiente ou com aprendizagem adequada. É assim que a reforma empresarial concebe a educação: como uma corrida de obstáculos.

Antes havia exigência de uma pontuação que permitia enquadramento no nível 4 da escala (nível adequado) de uma disciplina – considerado baixo. Agora a pontuação tem que permitir enquadramento no nível 7 da escala (igualmente nível adequado) desta mesma disciplina. Ao elevar a régua, o INEP derrubou o número de alunos considerado proficientes nas redes de ensino, já nesta rodada do SAEB17, um ano antes de implementar a base.

Negando a história do sistema de avaliação brasileiro e sem planejar nenhuma ação de resgate ou de apoio às escolas que terão que lidar com as novas exigências, o INEP unilateralmente aumentou as exigências e indicou através de seu “press release”, que os pais devem cobrar os responsáveis das escolas pelo baixo desempenho das mesmas. Uma puxada e tanto de tapete nas escolas.

Em nota o MEC defendeu a nova distribuição da escala. Segundo o órgão, um grupo de especialistas (quem são estes especialistas?) definiu os novos critérios.

“Defendendo o nível de exigência adotado, o ministério diz que não é possível aceitar como adequado uma nota média em que boa parte dos alunos se enquadre “em níveis baixíssimos de aprendizagens”.”

Pois bem. A altura da régua depende do que se inclua como exigência na base nacional comum curricular (habilidades e competências) e do que se defina como nota de corte para se alcançar a categoria de “aprendizagem adequada”. Através da TRI – Teoria da Resposta ao Item é feita uma conexão entre a pontuação do estudante nos itens da prova e as habilidades e competências, que se expressa na posição do aluno na escala de proficiência, determinada a partir da BNCC.

A nova Base Nacional Comum Curricular, ao especificar a cada ano as habilidades e competências que as crianças devem dominar, já está pronta. Esta nova base terá também a sua escala de proficiência. Haverá mais exigência para as crianças “saltarem” a barreira da aprendizagem adequada. Isso poderá impactar as estatísticas para mais ou para menos.

Alterações de medidas deste tipo geram custo político. Quem banca uma eventual queda nos indicadores devido à elevação da régua? Nos Estados Unidos a média dos estudantes nas provas caiu ou estagnou e a distância entre estudantes de maior e menor desempenho aumentou com a introdução da base deles (Common Core) – a crítica por lá não é pequena.

Quando a nova aplicação do SAEB ocorrer em 2019, ano que vem, já com a utilização da base pelos sistemas de ensino, o SAEB terá que estar refeito, seguindo a nova BNCC. Se as exigências da nova base são maiores, é de se esperar que as novas provas do SAEB também serão mais exigentes, por exemplo, solicitando domínio de assuntos antes não exigidos ou antecipando a série escolar de exigência. O MEC já trabalha neste realinhamento das provas. E o realinhamento da escala do SAEB17 está neste contexto.

Ao entrar em cena, a BNCC atinge todos os alunos do 1º ao 9º ano. Ela não entra em vigor progressivamente, série a série. Portanto a próxima avaliação do INEP – se vier alinhada à BNCC – terá alunos que estudaram sem a nova base e com a nova base. Isso, como aconteceu nos Estados Unidos, pode conduzir a uma queda nas médias dos estudantes na próxima aplicação do SAEB, se a engenharia da TRI e a criatividade do INEP não derem conta.

O que acontece quando provas mais exigentes são feitas? Mais gente falha e tira nota baixa. Principalmente se considerarmos que as escolas ainda estarão se adaptando à nova Base e que o aluno estudou algumas matérias sem a existência da nova base, que passa a pautar a nova avaliação – a prova é no 3º, no 5º e 9º ano. Mas o INEP está convencido que esse aumento da dificuldade é para o bem da qualidade da educação brasileira.

O que aconteceria se, com a entrada da BNCC e da régua mais exigente, o número de alunos proficientes caísse em 2019? Isso seria detectado na série histórica da distribuição da escala de proficiência – não necessariamente no IDEB ou até mesmo na média da escola. Poderíamos ter em 2019, a mesma gritaria que estamos tendo agora. Mas com uma diferença: a BNCC seria então identificada como a responsável pela queda no número de alunos proficientes – se ocorresse.

Mas, e se um ano antes da nova BNCC entrar em vigor, a escala de proficiência existente fosse ajustada para ser mais rigorosa e já antecipasse uma eventual queda de desempenho? Mais gente seria enquadrada nos níveis inferiores da nova escala, agora, antes da base ser inaugurada e, de quebra, ficaria estabelecida uma nova linha de base (exatamente mais rigorosa), antes da entrada de uma BNCC igualmente mais rigorosa. Politicamente falando, os danos seriam menores pois eles não seriam associados à BNCC e, além disso, teria sido feito ao final de um governo moribundo que todos querem esquecer rapidamente.

Portanto, faço a hipótese de que o INEP neste ano, com a elevação da escala, colocou em cena ações de “controle de danos” tendo em vista a entrada da nova BNCC no próximo ano, procurando desvincular uma eventual queda de alunos proficientes (e uma eventual piora na distribuição da escala de proficiência) da implantação da própria BNCC. Seria algo como uma “alinhamento” da atual escala à futura BNCC, feita com dados de 2017, para construir uma nova linha de base para 2018, que não comprometesse a BNCC logo na partida, como está acontecendo nos Estados Unidos.

Para isso, derruba-se o número de alunos proficientes já no SAEB17, e se com a nova prova do SAEB 2019 ocorrer uma queda no número de proficientes, a linha de base já a contemplou na prova deste ano no SAEB17, em um momento em que não foi usada a BNCC ainda, criando novo ponto de partida. Ficaria em aberto para o SAEB19 explicar uma eventual queda nas médias, mas se contrabalançaria argumentando que não houve diminuição do número de alunos proficientes em relação ao SAEB17.

Mas por que não deixaram, então, como estava, menos exigente e mais fácil de atingir a proficiência, evitando-se a queda do número de alunos proficientes na implantação da base? Primeiro, porque a própria base já é mais exigente, segundo porque têm fé, plena, na elevação da régua como ferramenta de gestão da qualidade… A teoria que orienta o MEC é a da responsabilização baseada em testes e estes precisam ser exigentes para puxar as escolas.

Esteja certo ou errado este raciocínio, no mínimo, a medida tomada permitiu que o INEP rompesse a série histórica da distribuição da escala existente (não das médias das provas, que podem ser equalizadas pela TRI) e não poderá haver comparação com a distribuição da escala de proficiência de outros anos, além de 2017 já sob intervenção. A história da distribuição dos alunos na escala começa com a BNCC, criando uma zona política de conforto. Resta a esperança de que portais de dados independentes, continuem processando os dados do SAEB com as duas escalas (a antiga e a nova). Mas não serão dados oficiais.

Para finalizar, um exemplo: Sobral, com o ajuste da escala que o INEP fez agora, caiu de 79% para 14% de alunos no nível adequado. Imaginemos que Sobral, um sistema supostamente “eficiente” e que tem, hoje, 79% dos seus alunos no nível adequado, tivesse a queda que teve agora no momento em que fosse introduzida a BNCC no próximo ano, ficando só com 14% de alunos proficientes. Quem seria culpado? A BNCC. Mas se neste ano, última aplicação antes da entrada da BNCC em funcionamento, ele já caiu para 14%, na próxima medição do SAEB em 2019 ninguém estranharia que ele tivesse os mesmos 14%, afinal isso já ocorreu antes da base estar em vigor. Não haveria razão, portanto, para que se culpasse a BNCC. E se ocorresse de Sobral aumentar dos 14% que teve este ano, para 17% por exemplo quando estiver em vigência a base em 2019, seria uma grande vitória da BNCC a ser comemorada… Não consigo ver outra utilidade para a pirueta avaliativa do INEP no SAEB17 e não acredito em coincidências e acaso na política… mas estou aberto a outras explicações.

Se esta suspeita está correta, não teria sido mais fácil o INEP abrir o jogo e discutir abertamente? Mas isso suporia um processo democrático de elaboração da BNCC e não o estilo impositivo adotado pelo MEC.

A solução adotada pelo INEP foi boa para todos? Alguém pensou no impacto nos alunos, professores e escolas? Alguém pensou que alunos que se achavam proficientes, de repente serão vistos como “não proficientes”? Isso mexe com a vida das pessoas. Alguém pensou nas cobranças dentro das escolas sobre os professores, para elevar o desempenho dos estudantes? Alguém pensou que quanto mais cobrança injusta, maior a probabilidade de fraudes, distorcendo os próprios números da educação nacional?

São estes os maus presságios que me afligem, além dos que já explicitei em post anterior.

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Alckmin: “Ideb deste ano está sob suspeita”

Alckmin não gostou nada dos novos cálculos do IDEB e do SAEB pois os alunos do ensino médio da rede Paula Souza, ensino técnico estadual, os quais são melhores pois lá só entra quem passar por um vestibulinho, foram excluídos do cálculo.  Segundo o MEC, isso é normal:

“Em relação à crítica feita pelos governadores, o MEC afirma que tanto a série histórica do Saeb, desde 1995, quanto a do Ideb, a partir de 2007, “jamais consideraram os resultados do ensino técnico. Portanto, incluir estes dados nos resultados do Saeb e do Ideb 2017 os tornaria incomparáveis com as edições anteriores, quebrando assim a série histórica ”. ”

Leia aqui.

Pode ser que Alckmin ainda não tenha se dado conta de que as novas notas de corte sejam as culpadas e não só a exclusão da Paula Souza, pois o fato é que o estado de São Paulo perdeu a liderança nas três etapas da educação básica (anos iniciais, finais e médio).

Pelas novas notas de corte, os alunos que estão entre os níveis de aprendizagem 0 a 3 passaram a ser considerados insuficientes; entre 4 e 6, com conhecimento básico; 7 a 9, com conhecimento adequado e 10 avançado. Ou seja, um aluno tem que escalar seis níveis da escala antes de ser considerado proficiente/adequado.

Isso mudou a escala anterior, feita pelo Todos pela Educação e que servia de base para o INEP. O critério antigo seguia padrões internacionais, onde no fundamental o nível 4 era considerado o mínimo adequado para português, e para matemática era considerado adequado o desempenho a partir do nível 5. No ensino médio era o nível 6.

Isso mostra como estas politicas de avaliação censitárias conteem mecanismos que permitem construir cenários ao gosto dos governos, com a finalidade de pressionar as escolas.

 

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