Quem apoia o “Common Core” brasileiro?

O Common Core americano é uma espécie de “base nacional comum” voltada para um núcleo central de standards em leitura e matemática. Foi montada por envolvimento dos Estados americanos e implementada pelo governo federal americano, por adesão em troca de acesso a recursos federais. Valerie Strauss mostra em seu blog as conexões entre Bill Gates e a instituição do Common Core americano:

Você pode dizer de Bill Gates que quando ele gosta de algo, ele adere (pelo menos por um tempo, até que ele decida que não gosta mais). Através de sua fundação extremamente rica, Gates gastou ao longo dos anos centenas de milhões de dólares para criar e promover o Common Core State Standards, os standards comuns para os Estados. Quando a iniciativa teve a oposição de críticos de todo o espectro político, Gates, manteve-se firme. Não só ele continuou a despejar dinheiro na implementação e promoção do Núcleo Comum, mas, de acordo com um novo artigo na revista Fortune, ele jantou com o bilionário conservador Charles Koch, em fevereiro de 2014 e tentou convence-lo a parar de dar dinheiro para o grupo Tea Party que estava se posicionando contra o Common Core. Koch não se mexeu, mas Gates manteve seu apoio ao Núcleo Comum, e em 2015, ele doou mais de US $ 42 milhões para várias dezenas de organizações apoiarem o Core.”

Eis como se entrelaçam os negócios e as ideias dos reformadores. Financia-se a divulgação e a adesão, quando não a própria elaboração. Não deixe de ler o artigo (em inglês) na revista Fortune mencionado acima, elaborado por Peter Elkind.

Leia mais aqui (em inglês).

No Brasil quem faz o papel de Bill Gates é o empresário Jorge Lemann que criou a Fundação Lemann, o homem mais rico do Brasil e que investe em educação não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos em atividades educacionais destinadas a brasileiros que vão se formar lá e replicar as ideias dos reformadores empresariais de lá, aqui.

Os reformadores empresariais do Brasil querem que a Base Nacional Comum brasileira seja feita à moda do Common Core americano, negociam se for à moda Australiana também. Para muitos deles deveríamos nos concentrar no “essencial”, que para eles se constitui em leitura e matemática, mas sempre na forma de “standards” a serem avaliados por testes.

A Fundação Lemann está neste processo, inclusive para influenciar a base nacional comum da educação infantil, como noticiado antes. Esta é a razão do desconforto dos reformadores brasileiros com os atuais estudos do MEC para formatar a nossa base nacional comum. É por isso, também, que a Folha de São Paulo disparou em seu editorial contra as “verbosidades” da nossa base nacional comum.

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As “evidências” de João Batista para a Educação

O Instituto Alfa e Beto de João Batista Araujo e Oliveira publicou em 2014 um estudo que ele chamava de “Educação Baseada em Evidências”  o qual teria sido feito com o uso de meta-análise. De meta-análise, de fato, no livro, não havia nada, a não ser um artigo introdutório feito pelo dono do Instituto explicando seu entendimento sobre o que é meta-análise. Seguia-se a ele, outro artigo de Murnane e Ganimian com o título de “Políticas educacionais em países em desenvolvimento: lições aprendidas a partir de pesquisas rigorosas”.

O livro do Instituto Alfa e Beto de 2014 não descrevia concretamente as decisões metodológicas tomadas para aplicar o que chamava de metodologia de meta-análise. Para descobrí-la, você é remetido para outro livro de Murnane e Willett (2011) que pode ser obtido por modestos 60 dólares.

Ou seja, já naquela primeira versão de 2014, o livro do IAB não descrevia, como deve fazer qualquer trabalho científico, em seu interior, as decisões metodológicas tomadas pelos autores para configurar a base de dados de pesquisas publicadas e reunidas para análise, que permitiram aos autores concluir sobre alguma evidência a favor ou contra esta ou aquela ideia ou estratégia de mudança educacional.

O artigo de João Batista no livro  apenas explica o que é meta análise e não como ele fez a pesquisa que estaria motivando o nome do livro: não mostra os critérios de escolha e categorias, não apresenta protocolos de leitura que colocassem os textos selecionados em um mesmo patamar de comparação, não diz nada sobre se os estudos eram ou não comparáveis, não há nenhuma indicação de controle de viés de publicação.

A questão que se coloca é: como pode um estudo que se propõe cientificamente a informar política pública, ocultar sua própria descrição de decisões metodológicas, sem o que não podemos saber se o pesquisador procedeu corretamente ou não? O que são, ou não são, “pesquisas rigorosas”? Com que critérios foram ou não incluídas as pesquisas no seu estudo? Isto é essencial numa pesquisa que pretenda usar meta-análise.

O alerta vem de Rothstein, Sutton e Borenstein (2005), no livro chamado “Publication Bias in Meta-Analysis”:

“Viés de publicação é a tendência a decidir publicar um estudo com base nos resultados de outros estudos, em vez de com base na sua qualidade teórica ou metodológica. Ela pode surgir a partir da publicação seletiva de resultados favoráveis, ou de resultados estatisticamente significativos. Isso ameaça a validade das conclusões tiradas da revisão da pesquisa científica publicada. Meta-análise é agora utilizada em numerosas disciplinas científicas, resumindo as evidências quantitativas de múltiplos estudos. Se a literatura a ser sintetizada for afetada pelo viés de publicação, este por sua vez influencia os resultados de meta-análise, e pode potencialmente produzir conclusões exageradas.”

Pois bem. Com os mesmos problemas da primeira versão, o IAB lança agora a sua segunda versão deste livro. A mídia repercute (veja aqui):

“No mês passado, o instituto lançou o livro “Educação baseada em evidências: como saber o que funciona em educação”. Os autores usaram a técnica chamada de meta-análise, em que se faz revisão de trabalhos já publicados, nacionais ou internacionais.”

Em seu prefácio, feito por Claudia Costin, Diretora da área de Educação do Banco Mundial ela diz:

“Educação baseada em evidências”, também conhecida por “o que funciona em Educação”, é o nome do jogo. Combinando evidências científicas e empíricas obtidas, respectivamente, por meio de estudos sólidos e instrumentos estatísticos robustos, especialmente meta-análises, hoje é possível que os professores, educadores e responsáveis pelas políticas em educação tomem decisões mais bem fundamentadas e com muito maior chance de produzir impacto positivo na aprendizagem dos alunos, na escola e no bom uso de recursos para a educação.”

Porém, em ciência é preciso demonstrar como se procedeu para obter resultados. E a demonstração começa pelo método. E isso os autores ficam devendo novamente. De novo, não há descrição do que fizeram, por exemplo, para evitar vieses em sua pesquisa.

Tomemos um exemplo. O 11º. tema do livro trata dos “incentivos e eficácia dos professores”. O tema reúne variados estudos sobre a questão. Mas deixa de fora o importante trabalho da National Academy of Sciences americana que acompanhou 15 outros estudos sobre incentivos e chegou a conclusões sobre o impacto do pagamento de incentivos a professores que deixam dúvidas sobre o uso da ideia para formulação de política pública. (Ver aqui as conclusões.) E isso é apenas um exemplo do que foi deixado de fora: o relatório da Rand que implodiu o sistema de bônus pago a professores da Cidade de Nova York também está ausente.

E qual a conclusão que o trabalho chega neste ítem? Em um primeiro nível de conclusões, elas são disparadas ao sabor dos estudos que vão sendo citados sem nenhuma visão de conjunto sistemática ou tendencial que se apresente de forma documentada e analisada em suas identidades e diferenças. Terminado este desfile confuso, onde os autores destacam o que lhes interessa, inexplicavelmente, aparece novamente outra “conclusão”, agora, definitiva, onde se lê:

“Verificamos que há detalhes que podem afetar drasticamente a eficácia de um programa de incentivos. Chetty e outros (2011) sugerem que substituir os professores que se situam entre os 5% de pior rendimento por outros de rendimento médio pode ser muito mais barato e eficaz do que pagar bônus para reter os 5% de rendimento mais elevado ou seja, aqueles que agregam mais valor em termos de aprendizagem de seus alunos. Essa estratégia tem o potencial de aumentar o valor presente dos rendimentos de uma turma de alunos em 267 mil dólares, ao longo da vida. Por outro lado, a estratégia de dar bônus para professores de alta eficácia pode ser pouco eficiente, pois muitos deles permanecerão na rede de ensino, mesmo se não houver incentivos.

Outro exemplo interessante de como sistemas de incentivo podem afetar o resultado esperado é apresentado no experimento desenvolvido por Fryer e outros pesquisadores  (2013). Nesse experimento, os professores receberam o bônus adiantado. Se os alunos não apresentassem a melhora de rendimento esperada, os professores teriam de devolver o dinheiro. A estratégia funcionou, pois, ao final de um ano letivo, os resultados foram positivos e o incentivo, eficaz.”

Ora, ao apresentar as conclusões finais relativas ao tema, o que se vê é que os autores induzem o leitor, selecionando dois trabalhos: um de  Chetty  (baixe aqui) que é retomado pelos próprios autores em outros dois estudos não citados no livro (baixe aqui e aqui) – trabalhos criticados na literatura americana e cujas medidas fazem uso de valor agregado para medir qualidade do professor (ver aqui também), método que está sob ataque até da Associação Americana de Estatísticos; o outro é um estudo de Fryer et al de 2013 que na realidade é de 2012.

Neste último, examina-se o procedimento de dar por antecipado o incentivo ao professor, mas retirá-lo se aluno depois não melhora o desempenho, ou seja, legaliza a introdução de “tortura” aos professores nas escolas. Nenhum dos dois estudos foi aplicado em escala. O primeiro não passa de um conjunto de cálculos estimativos dos próprios autores e o segundo atingiu 150 professores. Mas são a-criticamente citados como adequados para formulação de política pública quanto ao uso de incentivos. Nenhum palavra sobre o fracasso dos incentivos na Cidade de Nova York ou mesmo aqui perto, em São Paulo.

Isso nos leva ao fato de que os autores tomam estudos sem exame de sua qualidade ou de sua metodologia. Deixam de lado importantes estudos como o da National Academy of Science e o da Rand, mas incluem as elucubrações de Chetty, que acompanham as de Hanushek.

Uma análise de evidência tendencial não pode ser aceita se os autores não revelam seus métodos de pesquisa. Não sabemos porque um estudo foi incluído e outro não.

Independentemente de concordarmos ou não com os resultados apresentados pelo livro, o fato é que sem descrição da metodologia usada não podemos toma-lo como referência para pensar política pública. Fica tudo sob suspeita. O ônus do método, é do pesquisador. Até que o IAB revele seus métodos, o livro deve ser colocado em quarentena por tempo indeterminado.

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O populismo privatista da Folha de São Paulo

O Editorial da Folha de SP de hoje, 27-12-15 escancara o projeto liberal/conservador para a educação brasileira. Recorre ao populismo do liberalismo ortodoxo que vende lemas e promessas de qualidade da educação com o uso de medidas fáceis, baratas  e não negociáveis. Algo semelhante ao que estamos assistindo em São Paulo e em Goiás, onde a comunidade foi afastada das decisões em nome da melhoria da qualidade da educação, pensada por liberais iluminados.

No campo da economia, Bresser Pereira identificou muito bem esta tendência. Economia à parte, que não é nosso tema, serve-nos a ideia do populismo aplicada por ele ao neoliberalismo ortodoxo. Que é o mesmo que norteia o Editorial da Folha, agora para o campo da educação. Basta ver seus interlocutores: Paes de Barros e Naércio Menezes Filho. É sintomática a semelhança do editorial com entrevista dada por Paes de Barros à Folha de São Paulo.

Por populismo devemos entender o uso de uma linguagem simples e popular para abordar graves problemas, com o intuito de criar a ideia sedutora de que se pode resolver facilmente todos estes problemas, desde que se acredite em uma liderança que sabe o que quer, carismática. Paes de Barros tem irrompido contra a ideia de negociação. Estamos diante de um populismo que, como sempre, combina fé carismática em uma liderança, com ideias fáceis e aparentemente rápidas e sedutoras. Em recente entrevista à Folha de São Paulo Paes de Barros diz:

Folha: Essa revolução na educação exige uma revolução cultural na maneira de pensar?

Paes de Barros: É um pouco como um time de futebol, que começa a jogar melhor com um novo técnico.

Folha: É preciso trocar o ministro?

Paes de Barros: Não sei se precisa trocar o ministro. Precisamos de alguém que bata na mesa e diga o seguinte: “Este país, em 25 anos, vai avançar 50 anos em educação. Acredite.” (…) Não precisamos de um ministro da Educação que diga “sou dedicado, sou trabalhador, vou fazer o melhor possível”. Precisamos de um visionário. Um camarada que tem uma ideia. Nem precisa ser da educação, pode vir de uma empresa que produz cimento. Tem que ter claro que educação = trabalho, nada mais que isso, é um plano de ação”.

A atitude anti-negociação fica mais clara ainda em outra entrevista:

“A proposta tem que ser baseada não em negociação, mas em princípios: “Escolhi cortar tudo o que não chega na metade mais pobre do Brasil, portanto vou cortar nisto e nisto”. Quem for contra terá que reclamar do princípio, não da operacionalização.”

Em resumo, o populismo é uma maneira de exercer o poder que, a título de resolver os problemas do povo, em especial os mais pobres, ganha sua confiança e com ela exerce autoritariamente uma dominação que passa sem ser percebida ou até mesmo é consentida.

Se acompanhamos as falas dos reformadores empresariais, vamos verificar estes elementos presentes em sua abordagem. Isto é especialmente correto em relação ao “populismo da privatização” ou da “desestatização da educação”. A alternativa vem sendo cada vez mais alardeada como “a solução” para os problemas da educação. De fato, todos os problemas adviriam da educação ser pública e de gestão pública. Só a gestão privada nos salvaria. Outra não é a fala do Editoral de hoje da Folha de São Paulo.

Qual a proposta da Folha?

  1. Enfrentar o gasto com o ensino básico e não com o universitário. Aqui a solução é a proposta por Paes de Barros – “ensino superior gratuito é burrice”.
  2. Garantir seis horas efetivas de aula por dia.
  3. Pôr ênfase em português e matemática no currículo nacional. Ou seja, copiar a orientação do “common core” americano, priorizando o ensino destas disciplinas e não de outras, causando um estreitamento curricular prejudicial.
  4. Dar autonomia a mestres e diretores e facilitar demissão dos piores. Aqui, a solução é a proposta por Hanushek já comentada por nós.
  5. Fechar escolas consideradas ruins ou entregar sua gestão a organizações sociais. Algo feito à exaustão nos Estados Unidos e que não resultou em melhoria da educação, mas que criou um mercado educacional que encheu o bolso de muita gente.

Este é o programa do populismo liberal/conservador para a qualidade da educação brasileira. O bom deste editorial é que ele escancara o projeto liberal, revela seus interlocutores e mostra sua proximidade com o programa de Aécio Neves nas últimas eleições. Revela, em si, o alinhamento do Editorial ao PSDB. Não é sem razão que o Editorial também elogia os governos de Pernambuco, Goiás e Rio de Janeiro: todos “tubos de ensaio” das políticas que propõe.

De quebra, exalta o modelo Sobral (do clã Cid Gomes no Ceará). Constatando que o IDEB passou de 4 para 8, considera que, então, “algo de muito acertado se praticou alí”. (Ver aqui também.) Portanto, temos que replicar para o resto do país o que alí se fez.  O que foi que se fez? Não importa, se aumentou o IDEB, logo foi bom. Se significa boa educação ou não, não importa. Se teve efeitos colaterais, não importa. Enfim, se há ou não evidência saudável de política pública para além do aumento do IDEB, não importa. Se Naércio diz que foi bom, então foi.

Deslavadamente, o editoral tem a coragem de falar em “educação baseada em evidências”. Quais? Alguma. Não se sabe e não vem ao caso. É retórica de mídia para convencer incautos. Este blog está repleto de evidências internacionais contrárias para estas políticas. Mas para o editorial basta acenar com “evidências do gabarito de Naercio Menezes Filho e Ricardo Paes de Barros.” Sem desmerecer a estes colegas, é claro que há muito mais água debaixo desta ponte do que o editorial está disposto a reconhecer. Fugindo dela, opta por uma solução de “evidência caseira”, sem contraditório.

E a base nacional comum que o MEC está fazendo? Bem esta é cheia de “verbosidades” e é preciso que se fuja da “multiplicação de intenções tão generosas quanto aéreas” para que se possa “vencer a guerra por uma educação melhor”. Como? Fácil. A solução é simples:

“Isso só será alcançado com um recuo ao básico: dar aulas de verdade, que utilizam o tempo disponível para explicar o conteúdo definido e sua utilidade; propor exercícios sobre o que foi ensinado; corrigir os erros cometidos e explicar por que são erros.”

Isso, qualquer estudante de pedagogia sabe que é insuficiente, se não nos remetermos às condições concretas das escolas, seus estudantes e professores. E aí está o populismo do editorial: esconde estas dificuldades e acena com soluções fáceis, enganosas e que ocultam a destinação final: a introdução da gestão privada salvadora.

Qualificar e valorizar melhor os professores? Sim, mas só se for para “aqueles que demonstrem maior empenho e desempenho”, ou seja, a fracassada política de bônus que mais de uma década é praticada no Estado de São Paulo, cujos números foram considerados uma vergonha pelo Secretário que acabou de deixar a pasta. A mesma que consta do programa do candidato Aécio Neves na última eleição.

Mas por este caminho o editorial chega finalmente ao que se quer de fato: “nenhuma destas iniciativas obterá eficácia isoladamente ou sem um choque de gestão nas escolas públicas” (assim também chamado por Aécio Neves quando era governador de Minas), ou seja, a adoção da atual versão que propõe fechar as escolas consideradas ruins ou entregar para as organizações sociais. Todo o demais são firulas, importa é privatizar. Fica assim, revelado o objetivo final.

Eis a requentada receita populista liberal/conservadora para o sucesso da educação brasileira, proposta pelo Editorial. A mesma já executada sem sucesso em outros países. Nos círculos educacionais sérios, sabe-se muito bem a que levou estas proposições: à criação de um mercado educacional de quase um trilhão de dólares só nos Estados Unidos que favoreceu o faturamento de grandes corporações e de organizações sociais com e sem fins lucrativos. Qualidade que é bom, não se obteve.

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A Revista Veja e as “especulações” de Hanushek

A Revista Veja de 16 de dezembro de 2015 veicula reportagem endeusando Hanushek e suas previsões milagrosas de crescimento baseadas na adoção das receitas dos reformadores empresariais da educação.

Suas análises econométricas fazem previsões que não podem ser nem negadas e nem confirmadas, pois ocorrem no campo da simulação e dependem de onde se parte e com quais variáveis se parte. Além disso, supõe que a realidade concreta, fora da simulação, se comportará tal como a previsão e que não existirão novas variáveis. Isso no entanto, não confere com a realidade. Falta “combinar com os russos”… Portanto, não servem para basear políticas públicas. São especulações.

Este namoro da Veja com Hanushek é antigo. (Veja aqui também.) Cada certo tempo a Revista requenta as suas ideias para o público brasileiro. Neste número de dezembro a Revista agride a luta dos estudantes contra a reorganização das escolas proposta por Alckmin e ao mesmo tempo recupera as elucubrações de Hanushek em outra reportagem.

Abaixo segue uma matéria que publiquei no Blog em maio de 2015 e que reproduzo agora.

O PISA, Hanushek e o aumento do PIB

Publicado em 16/05/2015 por Luiz Carlos de Freitas

Hanushek é bem conhecido nos meios educacionais norte-americanos pelo seu destacado papel em defesa do complexo industrial de testes. Por lá, já vaticinou milagres como o que agora propõe, estando a serviço da OCDE, analisando os resultados do PISA recém divulgados. Nos Estados Unidos:

“O economista da Hoover Institution, Eric Hanushek, é um dos principais braços direitos dos reformadores empresariais da educação e do complexo industrial de testes. O seu trabalho de forma consistente nos lembra a definição de “economista” como “um especialista que saberá amanhã por que as coisas que ele previu ontem não aconteceram hoje.” Como um exemplo perfeito dessa caracterização, Hanushek dá preferência para usar dados empíricos para especular o seu caminho em direção à aceitação compartilhada de noções preconcebidas de seus patronos plutocráticos através da construção de um castelo de cartas estatístico dentro de um futuro hipotético que podemos apreciar mais pelo seu valor de entretenimento, do que pela veracidade factual.”

“Muitas vezes, Eric Hanushek é visto como pertencente à “Universidade de Stanford,” quando na verdade ele está no Instituto Hoover, uma entidade diferente alojada em Stanford. Em um recente artigo que foi pego e reimpresso como se tivesse sido publicado em um jornal com revisão de pares, Hanushek afirma que “a substituição de 5-8 por cento dos professores com [baixo desempenho] por professores [com desempenho] médio, moveria os EUA para perto do topo dos rankings internacionais de matemática e ciências, [gerando] um valor atual de 100 trilhões de dólares “.”

Porém como aponta Diane Ravitch em uma discussão com Hanushek:

“Quando Rick [Hanushek] diz que “a pesquisa mostra” que a remoção dos [professores] de “5-10 por cento [de desempenho] inferiores” geraria resultados [positivos] dramáticos, ele está se referindo aos seus próprios cálculos (grifos meus LCF), não a qualquer programa real que já tenha sido tentado.”

Ou seja, Hanushek faz hipóteses que não podem ser comprovadas e as trata como verdades que devem orientar políticas públicas hoje. O mesmo pode ser dito de seu novo “milagre”: a elevação do PIB de países como o Brasil em até 7 vezes com a melhoria da educação.

Segundo reportagem da BBC – IG Educação de 14/05/2015:

“Eric Hanushek, professor da Universidade de Stanford (EUA) e um dos mais respeitados acadêmicos especializados em Educação, é um dos autores do novo relatório internacional que mostra, mais uma vez, o enorme abismo entre os estudantes latino-americanos e os do leste asiático. `O futuro da América Latina realmente depende do que acontece em suas escolas`”

Hanushek indica cinco lições para a América Latina. Em uma delas afirma-se que:

“A conclusão é de que, se o Brasil proporcionar educação básica universal eficiente para todos os adolescentes de 15 anos, pode ajudar seu PIB a crescer mais de sete vezes nas próximas décadas. E se todos os adolescentes do México cursassem o Ensino Médio e obtivessem um nível básico em Matemática e Ciências – ou seja, capacidade em raciocinar e resolver problemas com os conceitos aprendidos -, o PIB do país poderia ser 551% maior em 80 anos. O PIB da Argentina também cresceria 693% nessas condições.”

A propósito do novo milagre, Diane Ravitch diz:

“Não está claro que habilidades de jovens de 15 anos em testes preveem alguma coisa sobre o futuro de uma economia. Quando foi feito o primeiro teste internacional de matemática em 1964, 12 nações participaram. Os EUA ficaram em penúltimo lugar na oitava série e em um mortal último lugar na décima segunda série. No entanto, ao longo dos 50 anos seguintes, a economia dos EUA superou as das outras 11 nações. Os resultados dos testes não previram nada.”

Mas a questão é mais dramática ainda do que aponta Ravitch. Em estudo que pode ser consultado aqui, pode-se ver que se Hanushek tivesse feito esta previsão em 1971 para o seu próprio país, ele teria passado imensa vergonha. Em 1972, considerando valor “0” para os testes americanos (NAEP), o PIB americano e a produtividade americana, a predição de Hanushek para acertar deveria ter antecipado que como o resultado nos testes americanos variou próximo de “0”, então, o PIB e a produtividade do período (1972-2014)  deveriam ter ficado comprometidos.

No entanto, não é o que se observa. Apesar da porcentagem de crescimento do desempenho dos alunos em testes ter permanecido todo o período próxima de “0”, no mesmo período, o PIB teve um crescimento de 100% e a produtividade um crescimento de 375%. Ou seja, o desempenho dos testes não previu coisa nenhuma sobre a evolução do PIB e da produtividade da economia nos Estados Unidos.

Portanto, se Hanushek quer nos convencer de que é tão sabido para prever o futuro da economia latino-americana com seus modelos econométricos, a partir de resultados de testes, ele terá que nos convencer, primeiro, que tem igual sabedoria para provar que o estado atual da economia é produto do bom ou do mal desempenho em testes no passado. Ele pode começar por seu próprio país. Deveria ser mais fácil pois os dados estão todos à mão.

Mas antes de gastar tempo nisso, recomenda-se que Hanushek invista algum tempo para demonstrar uma relação causal entre “habilidades de estudantes de 15 anos em testes” e “crescimento econômico”, sem o que seus cálculos não têm nenhuma utilidade.

De fato, o que interessa à OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico -, escalando Hanushek, é convencer os latino-americanos de que devem submeter sua força de trabalho à mesma selvageria que os asiáticos estão submetendo a sua. E para tal, adotem as mesmas estratégias educacionais dos reformadores empresariais que conduzem a ela.

Antes, portanto, que esta bobagem se espalhe e convença nossas autoridades, é melhor que nos antecipemos.

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Goiás: Revista Época confunde leitores

A Revista Época confunde seus leitores e coloca os inúmeros problemas das escolas charters como sendo uma questão de “boa regulação”. É como se o Brasil pudesse encontrar formas melhores de regulação do que as que foram tentadas ao redor do mundo.  No entanto, a questão é conceitual e não de regulação.

São os conceitos que estão errados pois eles foram pensados para ambientes competitivos de mercado e não para ambientes colaborativos como devem ser os educacionais. Transferir conceitos baseados na competição não funciona porque a educação não é como o mercado onde existem (com naturalidade) ganhadores e perdedores. Na educação só podem existir ganhadores. É por isso que não funciona criar um parque educacional privado para competir entre si mesmo e com a educação pública regular.

Como fartamente temos demonstrado neste blog, os estudos não são nada conclusivos o que os impede de serem usados para política pública. (Veja aqui também.) Os efeitos colaterais deletérios desta fé na “desestatização” estão amplamente documentados na literatura. A Revista os minimiza e os subestima, quando não os oculta.

As pesquisas do CREDO e do Center for Public Education podem ser vistas aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, bem como os limites destes estudos também estão registrados na literatura citada.

A revista compra a ideia pelo valor de face do mercado ao invés de aprofundar-se na qualidade dos estudos que cita e analisa-los. O caso da Suécia pode ser apreciado aqui, vendo-se os resultados deste país no PISA.

Material sobre fraudes persistentes neste tipo de privatização também pode ser encontrado aqui e aqui, ou então diretamente no site sobre escândalos nas charters.

No caso chileno, o modelo privatizante produziu a maior segregação escolar. É bem conhecido o fato das charters evitarem pobres e pessoas com necessidades especiais e em muitos relatórios que mostram a superioridade das charters os estudantes não são comparáveis, entre outros aspectos, quanto ao seu nível socioeconômico.

Um resumo destes dados pode ser encontrado também aqui. Dois exemplos:

1. – estudo do CREDO, de 2009 envolvendo 2.403 charters, mostra que 83% das escolas charters têm desempenho igual (46%) ou inferior (37%) às escolas públicas regulares. Apenas 17% consegue ser melhor.

2. – estudo do CREDO de 2013 e do Center for Public Education de 2015 mostra que apenas uma em cada quatro escolas charters vai além do que as escolas públicas regulares conseguem obter com seus alunos.

Não há elementos suficientes para que se faça política pública com estas ideias, a não ser a fé que a Revista tem na iniciativa privada.

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SP e a reorganização: sem novidade…

Durante a “guerra” da reorganização das escolas paulistas Alckmin argumentou que as escolas de ciclo único aumentariam o rendimento dos alunos e que sua preocupação única era com a qualidade das escolas. Raquel Teixeira diz o mesmo em Goiás.

Mas o argumento teve perna curta. Que o alegado aumento de rendimento dos estudantes que pertencem a escola de ciclo único era uma piada, era possível de ser previsto examinando o estudo da Secretaria de Educação de São Paulo. Dois trabalhos desmoralizaram o estudo e a argumentação de Alckmin: primeiro foi Travitski e agora Pieri. Aliás, Travitski também tem um estudo interessante onde mostra que 80% da nota do ENEM pode ser explicada por fatores externos à escola como o nível sócio econômico do aluno.

Na realidade, o governo Alckmin resolveu terceirizar tudo que puder. Até o clássico Instituto Agronômico de Campinas está na lista. Goiás vai na mesma linha. O Estado está à venda nas administrações do PSDB.

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Professora relata impacto da antecipação escolar na EI

O seguinte comentário foi postado por uma leitora:

“Sou professora de Educação Infantil há 32 anos. Nos últimos 10 anos tenho visto a aceleração do processo de alfabetização nos grupos de 4 e 5 anos e, dar conta disso, estão tirando da rotina o tempo destinado ao brincar. Aa crianças ficam trancadas nas salas de aula por muito tempo e a produtividade cai muito, pois ficam irritadas, dispersas e agressivas. Nessa idade as crianças necessitam de ambientes abertos, ode possam correr, pular, movimentarem -se.

O que está ocorrendo é o contrário, elas ficam presas e devem ficar sentadas por mais tempo. Percebi uma diferença imensa na produtividade das aulas e o quanto as crianças estão mais agitadas por terem que permanecer longos períodos sentadas fazendo atividades. Tenho pena que isso esteja ocorrendo, não estamos lidando com robôs, mas com seres humanos em formação e desenvolvimento.

Não concordo com a filosofia da Lemann e acho que necessitamos nos unir para não deixar que o Brasil compre essas ideias como se fossem nos salvar e melhorar o índice de alfabetização.”

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Educação Infantil está virando Ensino Fundamental

Recentemente, a Fundação Lemann enviou uma proposta de mudança para os estudos que estão definindo a base nacional comum da educação infantil no Brasil. Nela, propõe-se uma maior ênfase na alfabetização.

Diane Ravitch mais uma vez relata em seu blog estudos que mostram os efeitos deletérios da antecipação escolar proposta no Brasil pela Fundação Lemann e que evidenciam que as pressões por antecipar ambientes estruturados de aprendizagem voltados para habilidades escolares típicas da primeira série (hoje já iniciando-se aos seis anos no Brasil) produz efeitos nefastos na formação das crianças. Especialmente, porque não param nas proximidades dos seis anos, mas vão em cascata afetando os anos iniciais da pré-escola e até mesmo a creche.

Esta concepção induz a uma febre para “aproveitar janelas de desenvolvimento” criadas por teorias duvidosas do desenvolvimento infantil e que constituíram um mercado milionário para as empresas educacionais, transformando as crianças em cobaias de “inovações” supostamente ancoradas em neuro-ciência.

No referido post Diane mostra a que levam as pressões que o Common Core (algo como uma base nacional comum restrita a leitura e matemática nos Estados Unidos) e as pressões por antecipação dos testes que geralmente acompanham estes movimentos, conduzindo a mudanças que não são bem vindas para a formação das nossas crianças. Mencionando publicação do The Atlantic Magazine, por Erika Christakis, diz:

“Um estudo, intitulado “É o Jardim de Infância a nova primeira série?“, que compara atitudes dos professores de jardins de infância em todo o país entre 1998 e 2010, constatou que o percentual de professores que esperam que as crianças saibam ler até o final do ano havia subido de 30 para 80 por cento. Os pesquisadores também relataram mais tempo gasto com manuais e tarefas, e menos tempo dedicado à música e arte. O jardim da infância é, de fato, a nova primeira série, concluíram os autores melancolicamente. Por sua vez, as crianças que faziam uso dos anos do jardim de infância como uma transição suave para a escola estão, em alguns casos, sendo retidos antes que tenham a chance de começar. Um estudo de Mississippi descobriu que, em alguns municípios, mais de 10 por cento dos alunos das escolas de jardins da infância não foram autorizados a avançar para a primeira série.

“Até recentemente, habilidades de prontidão escolar não eram uma prioridade na agenda de ninguém, nem a ideia de que os alunos mais novos poderiam ser desqualificados para passar para uma fase posterior. Mas o jardim de infância agora serve como um “porteiro” e não como um tapete de boas vindas para a escola primária e as preocupações com a preparação para a escola começam cada vez mais cedo. Uma criança que se quer que leia até o final do jardim de infância deveria de fato estar se preparando na pré-escola. Como resultado, as expectativas, sem dúvida, que poderiam ter sido razoáveis para os mais velhos de 5 e 6 anos, como ser capaz de se sentar em uma mesa e completar uma tarefa usando lápis e papel, estão agora dirigidas às crianças ainda mais jovens, que não têm habilidades motoras e não têm a capacidade de atenção para ser bem sucedidas. “

“Salas de aula da pré-escola se transformaram em espaços cada vez mais tensos, com os professores fazendo ameaças de que as crianças devem concluir o seu “trabalho” antes que eles possam ir brincar.

“Novas pesquisas destacam aspectos particularmente inquietantes. Uma grande avaliação do sistema de financiamento público da pré-escola em Tennessee, publicado em setembro, encontrou que, embora as crianças que frequentaram pré-escolas inicialmente exibiram mais “habilidades de prontidão escolar” em relação às que não fizeram jardim de infância, durante a primeira série, no entanto,  as atitudes em relação à escola foram se deteriorando. E na segunda série se saíram pior em testes que mediram habilidades de alfabetização, linguagem e matemática. Os pesquisadores disseram à revista New York que a dependência excessiva de instrução direta e repetitiva, uma pedagogia pobremente estruturada, foram provavelmente as culpadas; crianças que tinham sido submetidas ano após ano às mesmas tarefas insípidas foram, compreensivelmente, perdendo seu entusiasmo pela aprendizagem estruturada. “

Segue o resumo da pesquisa:

“Recentes estudos sugerem que as pressões por accountability que hoje invadiram as primeiras séries e o jardim da infância são caracterizadas por um maior foco nas competências acadêmicas e uma redução de oportunidades para brincar. Este artigo compara as salas de aula do jardim de infância entre 1998 e 2010, utilizando dois grandes conjuntos de dados nacionalmente representativos. Mostra mudanças substanciais em cada uma das cinco dimensões consideradas: crenças dos professores de jardim da infância sobre prontidão para a escola, tempo gasto com conteúdo acadêmico e não acadêmico, organização da sala de aula, abordagem pedagógica, e utilização de avaliações padronizadas. Os educadores de infância no período posterior tinham expectativas acadêmicas muito mais altas para as crianças, tanto antes da entrada no jardim de infância como durante os anos de jardim de infância.

Eles dedicam hoje mais tempo à alfabetização avançada e conteúdo de matemática, instrução dirigida pelo professor e avaliação, e substancialmente menos tempo para arte, música, ciência e atividades selecionadas pelas crianças. As alterações foram mais acentuadas para as escolas que atendem altas proporções de crianças de baixa renda e não-brancas.”

Refletindo sobre a Finlândia, Erika diz no The Atlantic:

“Aqui está o que os finlandeses, que não começam uma instrução formal de leitura antes de 7 anos de idade, têm a dizer sobre a preparação de pré-escolares para ler: “A base para o início da alfabetização é que as crianças tenham atenção e ouçam … que elas tenham falado e conversado, que as pessoas tenham discutido [coisas] com elas … Que elas tenham feito perguntas e recebido respostas. “

Ou seja, há opções bem sucedidas ao estudo da Lemann. É preciso ter claro que a opção pela orientação Lemann reproduz caminhos que conduzirão a efeitos nefastos para a formação de nossas crianças, como de resto a pesquisa tem sucessivamente evidenciado.

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Goiás: “diálogo” dura pouco

A Secretária da Educação, Cultura e Esportes de Goiás, Professora Raquel Teixeira, enviou ofício à Saneago solicitando que fosse interrompido o fornecimento de água nas escolas públicas estaduais ocupadas por estudantes secundaristas, que lutam contra a terceirização das escolas públicas em Goiás.

Como se vê, a proposta de diálogo do governo de Goiás durou pouco. Já partiu para a repressão.

Neste momento já são 22 duas as escolas ocupadas.

Leia mais aqui.

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Goiás: 19 escolas ocupadas, 6 em Anápolis

“Estudantes de Goiás ocuparam hoje (dia 16) ao menos sete escolas da rede pública de ensino do estado. Eles são contra reformas anunciadas pelo governo estadual, que pretende transferir a administração das instituições de ensino estaduais para organizações sociais. Pelo menos 19 escolas estão ocupadas na capital, Goiânia, e no interior, segundo a organização do movimento.

As ocupações ocorrem em 10 escolas de Goiânia; duas de Aparecida de Goiânia; seis em Anápolis e uma em Cidade de Goiás. Inspirados nas ocupações ocorridas em São Paulo, as manifestações dos estudantes de Goiás começaram há uma semana, após o governador Marconi Perillo autorizar a formalização da parceria que transfere a gestão das escolas da rede estadual para organizações sociais, que são entidades privadas filantrópicas.”

Leia mais aqui.

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SP: video debate a reorganização

Segue o link de acesso ao vídeo do programa “Assembleia Convida”, que contou com a presença do deputado estadual Raul Marcelo e dos professores da Faculdade de Educação da Unicamp, Luiz Carlos de Freitas e Evaldo Pioli.

O programa foi gravado em um momento em que a luta contra a reorganização proposta pelo Governo Alckmin se desenvolvia, terminando por ser vitoriosa semanas depois. O vídeo também aborda questões relativas ao Plano Estadual de Educação que se encontra em tramitação na Assembleia Legislativa.

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Goiás: Educação da UFG é contra militarização e privatização

A Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás emitiu nota pública em que se coloca contra a militarização das escolas e a proposta do Governo de Goiás de entregar a educação estadual às Organizações Sociais.

 “A FE/UFG se posiciona contrariamente à militarização e à proposta de gestão escolar via OS por entender que não é por nenhuma dessas duas vias que o estado alcançará o objetivo de construir uma escola verdadeiramente pública, laica, gratuita e de qualidade para todos”, diz a nota.

Reivindicando os mais de 40 anos de experiência no campo da formação de professores e de pesquisa, a FE/UFG diz entender “que a gestão escolar via OS se constitui num processo de terceirização da oferta de educação pública e que a militarização das escolas é uma solução equivocada tanto para a suposta resolução do problema da violência nas escolas quanto para a melhoria da qualidade do ensino”.

 A nota, assinada pelo Conselho Diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, pergunta:

“se o estado possui recursos para que OS e Polícia Militar administrem escolas, por que não investe estes mesmos recursos num projeto próprio, verdadeiramente público e democrático, de melhoria da qualidade da educação no estado?”

Leia mais aqui.

Veja também que a Justiça de Goiás negou reintegração das escolas, solicitada pelo Governo.

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Novo livro

Acaba de ser publicado um novo livro:

The Global Testing Culture: shaping education policy, perceptions, and practice

GlobalTesting

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Goiás: já são 8 escolas ocupadas

Subiu para oito o número de escolas ocupadas em Goiás. O processo de privatização começará pela cidade de Anápolis e uma das oito escolas ocupadas está lá.

Leia mais aqui.

Acompanhe aqui.

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BNC: o assédio à educação infantil

Era de se esperar. O tal movimento pela base, composto fundamentalmente por reformadores empresariais e simpatizantes, volta à carga com a inclusão da alfabetização na educação infantil. Querem alterar a base proposta para incluí-la.

“Não podemos ter medo de perder o lúdico ao incluir a alfabetização no ensino infantil” diz Denis Mizne, da Fundação Lemann.

Eles reuniram 150 especialistas e elaboraram um documento propondo antecipar a escolarização.

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Ensinar para o teste não é educar

A educação, como processo formativo, está sendo reduzida a aprendizagem nas teses dos reformadores empresariais. Não sabendo como lidar com a educação (uma relação ampla entre educandos e educadores) eles a reduziram a aprendizagem (um resultado do aluno, medido pelo seu desempenho em testes de habilidades e competências). Com esta redução, a noção de qualidade fica igualmente reduzida à pontuação que o aluno obtém. Toda a complexidade e riqueza da ação educativa desaparece e com isso, as soluções mágicas e as receitas, tomam lugar da boa educação. Ela pode ser terceirizada, ou como os liberais gostam de dizer “desestatizada”.

Uma vez eliminada a complexidade do fenômeno educativo, é fácil estabelecer que se a média do aluno sobe, temos boa educação. Igualmente, se ela desce, temos má educação. Essa simplificação é uma ação fundamental para viabilizar a privatização por terceirização de gestão das escolas.

A privatização da educação via transferência de gestão para a iniciativa privada, no modelo escolas charters americano, é uma modalidade de privatização via contrato de gestão. Para evitar chamar de privatização, algo que politicamente não convém, constrói-se uma nova “interpretação” do que é considerado “público”. Entende-se por “pública”, em contraposição a “estatal”, uma escola que seja administrada por uma terceirizada, reservando-se a denominação de escola pública regular, que temos hoje, para a categoria “estatal”.

Para poder “terceirizar” é preciso que se estabeleçam metas e “regulação”. Os privatistas brasileiros consideram que o segredo está na “boa regulação”. Para eles, quando a privatização não vai bem é falha da regulação e não do conceito. Pensam que poderão fazer, no Brasil, uma regulação melhor do que foi feita nos Estados Unidos, Suécia, Chile etc. Eles farão melhor. Será a versão 3.0. É questão de fé ideológica.

É aí que jogam papel relevante duas iniciativas – IDEB e BNC – mencionadas acima. Sem elas, não há “objetividade” na contratação. Uma fixa quanto o IDEB tem que estar ao final do contrato de gestão em um determinado ano, e a outra estabelece o que é obrigatório para a terceirizada ensinar e avaliar em cada ano escolar.

Quando assumem uma rede, as Organizações Sociais contratam seus profissionais para a escola via CLT, sem estabilidade portanto. Alinham o professor, os objetivos de ensino, os conteúdos, os métodos (apostilado) e os testes (com treinos em simulados) e passam a ensinar para obter índices e médias em testes, estreitando o ensino das crianças em duas dimensões: primeiro estreitam a educação restringindo a atenção da escola às disciplinas que caem nos testes e depois, aos conteúdos e habilidades que são incluídos nos itens dos testes, e a tradição de testes anteriores se constitui em uma tradição de exame que orienta o que se ensina. Quem passou por cursinho sabe como funciona.

O que mais entusiasma os gestores do PSDB e outros é que, ao terceirizar, eles fazem um “contrato de índices a serem obtidos” e esperam dormir tranquilos aguardando os resultados. Não correm riscos com a lei de responsabilidade fiscal, pois os gastos com terceirizadas não entram no cômputo desta lei. E nem com a da responsabilidade educacional.

É, no entanto, o maior atestado de incompetência administrativa. Não tendo competência para educar a juventude, resolveram estreitar a educação através de uma BNC conteudista e fixa, e apostar no ensino para o teste. Alinham o conteúdo ao teste, treinam as crianças como se fosse um cursinho preparatório e “batem a meta”. De quebra se apresentam à sociedade como “competentes”, pois aumentaram a média dos índices.

A questão é que aumentar médias em provas restritas em que os alunos respondem fazendo “x”, não é sinônimo de boa educação. É mero treino para o teste.  E ensinar para o teste, não é educar. Quanto mais rapidamente professores, pais, estudantes e gestores se derem conta deste engodo que está sendo vendido pelos políticos ao povo brasileiro, mais rapidamente superaremos esta farsa que se instala na nossa educação – como de resto acontece em vários outros espaços da vida nacional.

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Goiás: começa a ocupação de escolas

Escolas de Goiás começaram a ser ocupadas em defesa da escola pública de gestão pública, contra a terceirização. No link acima pode ser vista a primeira ocupação. Durante o dia este número já aumentou para três escolas ocupadas.
A exemplo de São Paulo, Goiás começa a defender suas escolas.
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Goiás: Secretária “cria” justificativas para aventura privatista

Em entrevista na Folha de São Paulo, a Secretaria de Educação de Goiás, Raquel Teixeira, “cria” argumentos com a intenção de justificar a privatização da educação naquele estado. Afirma, por exemplo, que:

“apesar de Goiás ter a melhor rede estadual do país no ensino médio, a qualidade é baixa (9% dos alunos têm conhecimento adequado em matemática).”

A despeito da incongruência da afirmação (é uma das melhores, mas de qualidade baixa) a Secretária, a partir de uma disciplina, matemática, julga todo o trabalho da rede e conclui que ela tem baixa qualidade. O dado de que matemática no ensino médio tem apenas 9% de alunos com aprendizagem na categoria adequada, tem que ser visto no conjunto do que é a educação no Brasil e em Goiás, e não isolado para argumentação oportunista. Este dado parece ter sido veiculado errado pelo Jornal. Ele não está publicamente disponível, porque no ensino médio a avaliação é amostral e não censitária como no 5o. e 9o. anos. É provável que ele se refira à matemática na 9a. série do ensino fundamental, onde então faria sentido e não no ensino médio.

No caso da rede de ensino fundamental, Goiás bate todos os demais estados parceiros da região Centro Oeste (bate também o próprio estado de São Paulo), em porcentagens de alunos proficientes em português e matemática, tanto na 5a. como na 9a. série, além de estar acima da média brasileira.

No ensino fundamental, anos iniciais, Goiás quase atingiu a meta do ideb de 2021. No ensino fundamental, anos finais, já atingiu a meta de 2015 em 2013. E no ensino médio é o melhor índice do Brasil, tendo atingido a meta de 2015 em 2013. (Veja aqui material disponível.) Mas para justificar privatizar, é preciso dizer que não está bom.

A Secretária deveria parabenizar a rede por produzir resultados em meio a um passivo histórico que inclui os professores temporários que ela admite serem 30% da rede. Ao contrário disso, dá como recompensa, a aventura privatista. Nós não acreditamos em testes como medida de qualidade, mas os reformadores acreditam, portanto, nos critérios da medida que eles escolheram, as escolas estão se saindo bem.

O mesmo vale para a seguinte observação constante da entrevista:

“Desde então [1999] aumentaram os recursos para a educação e os salários dos professores, a gestão democrática. Não foi suficiente para melhorar o ensino.”

Claro que melhorou. É só olhar os dados apresentados. Além disso, a Secretária não cita nenhum estudo que dê suporte à sua constatação de que não foram suficientes as medidas tomadas antes. Como já disse, a Secretária admite a existência de 30% de professores temporários, portanto precariamente contratados e este é um exemplo de ação predatória sobre a aprendizagem das crianças que não pode ser retirado de cena. Serão mais precarizados ainda, ao serem transferidos para as terceirizadas. Enfim, não há estudo que referende as afirmações da Secretária quanto à alegada má qualidade da rede estadual de Goiás ter sua origem em políticas anteriores que não deram certo, como a gestão democrática e aumento de salários, por exemplo. Não só os dados não mostram isso, como não possui estudos científicos sobre a afirmação.

A evolução conseguida pela educação fundamental em Goiás é clara quanto aos progressos que têm sido obtidos. O quadro abaixo mostra o acréscimo em porcentagens:

 
BRASIL  2011
GOIÁS 2011
BRASIL 2013
GOIÁS 2013
PORTUGUÊS 5 +4 +8 +7 +11
PORTUGUÊS 9 -1 +3 +2 +7
MATEMÁTICA 5 +2 +6 +6 +13
MATEMÁTICA 9 +1 +3 0 +5

A entrevista configura a tática de mostrar para a população uma crise na educação de Goiás que venha a justificar a privatização.

E a receita está dada: se uma OS não conseguir, chama-se outra, diz a Secretária. A questão, portanto, não é a qualidade da educação de Goiás e sim, como “bater meta” acima das metas atuais. Neste processo, já se pode imaginar que as escolas que estão abaixo da meta serão alvos preferidos da Secretária e estão na primeira fila das que serão terceirizadas para a iniciativa privada. Tendo fracassado com estas, o estado as abandona à própria sorte. A segregação escolar vai aumentar com a terceirização.

A Secretária, em um profundo desrespeito a centenas de professores que lutam em suas salas de aula para chegar a estes resultados, não vê nenhum problema em dizer que o estado é o melhor mas não tem qualidade. Escolhe uma disciplina em um determinado ano (matemática) para criticar a rede e esquece todo o esforço aplicado até agora. E mais, sugere que o que foi feito até agora não melhorou o ensino. Isso para que possa escolher a privatização como a salvação da lavoura em Goiás. Tudo baseado em sua opinião, sem citar um único estudo sério.

A Secretária não foge à regra alarmista dos reformadores empresariais: descrever o caos para justificar remédios duvidosos baseados na introdução da lógica da iniciativa privada nas escolas.

Curiosamente, são as escolas particulares em Goiás que não atingem as metas. Somente conseguem atingir metas no ensino fundamental dos anos iniciais. Nos anos finais e no ensino médio não atingem as metas do IDEB previstas para elas.

A entrevista ainda apresenta uma “inovação” conceitual:

“Às vezes há o entendimento de que estamos chamando empresário para privatizar a educação. Nada mais longe da verdade. Empresário pode ficar rico. Mas ele tem o lado humano, filantrópico, social, quer ajudar. Eles estudam economia, administração. Entendem mais de administração do que nós, educadores.”

Esta manifestação bem que comportaria uma resposta da ANPAE, que reúne profissionais da administração escolar. Como argumento complementar, a Secretária diz que os diretores atuais das escolas que venham a ser terceirizadas não serão mudados.

“Eles serão os mesmos e terão mais tempo para focar no pedagógico.”

Ou seja, foram transformados em “coordenadores pedagógicos” sob a tutela de uma Organização Social, com a desculpa de que não entendem de gestão. Serão subordinados à OS. Bela forma de reconhecer o esforço de seus diretores. No mínimo degradante. Uma recompensa pelo bom trabalho que fizeram por terem colocado a educação pública de Goiás no patamar em que ela está.

Nestas situações a argumentação para privatizar é sempre a mesma: não perderemos o controle pedagógico da escola. É como se a gestão da escola fosse uma coisa separada do processo pedagógico, coisa de profissionais específicos da OS. A administração é apenas burocrática. As escolas de Goiás vão ter um “interventor” para tutelar seus diretores “pedagógicos”.

A confusão conceitual continua:

“Privatizar é pegar um bem estatal e passar para entidade privada. Não estou passando escola para entidade privada, perdendo controle e permitindo lucro de uma empresa. Toda a orientação pedagógica é da Secretaria de Educação, o livro será o mesmo.”

É óbvio que não se pode vender uma escola para a iniciativa privada. Igualmente não se vendem as estradas, coloca-se pedágio. Ocorre que não é apenas a posse ou não dos prédios que definem a privatização, mas são as relações que ocorrem dentro dos prédios. As relações do setor privado são distintas das do setor público. O estado de Goiás está entregando à administração privada um bem público e isto chama-se privatização por concessão de gestão.

Quanto às empresas lucrativas, elas virão com o tempo. Neste momento, o mercado ainda está em construção. Primeiro virão as confessionais e as não lucrativas. Uma vez constituído o mercado, aparecerão as lucrativas.

Durante a entrevista, a Secretária deixa claro que está fazendo experimentação de má qualidade com a rede.

“É um piloto para observarmos a diferença de desempenho entre grupos, entre escolas”.

Respondendo se com os mesmos recursos passados a OS a escola pública não poderia melhorar, ela diz:

“É o que queremos observar. Veremos se a OS, com sua agilidade, pode ter resultado melhor.”

E se não melhorar. Se não melhorar, ela já deu a receita: chamamos outra. E mais outra. Até dar certo. Enquanto isso, destrói-se a educação pública e não se melhora a qualidade. Mergulha-se a educação de Goiás num cenário de competição entre escolas e OSs.

Os dados da experiência americana estão disponíveis para se saber que esta solução não melhorou a educação americana ou a sueca. Além disso, não é apenas uma questão de aumento de médias. Há todo um conjunto de efeitos colaterais que termina anulando os parcos resultados obtidos com esta estratégia privatista. Em 2403 escolas charters americanas estudadas em 2009, 83% tem o mesmo desempenho que as escolas públicas de gestão pública ou é pior que elas. Apenas 17% tem algum desempenho melhor. Apenas uma em quatro escolas charters ultrapassa o desempenho das escolas públicas regulares. (Veja material aqui.)

Não é ético se fazer experimentos com dezenas de escolas para ver se vai dar certo. Não se pode mexer com a vida de professores, pais, estudantes e gestores para ver se dá certo. Mais ainda se já temos os resultados disponíveis destas estratégias em outros países. Política pública se faz com pesquisa disponível. Já sabemos que a estratégia das charters não deu os resultados esperados, e pior ainda, produziu efeitos colaterais indesejados.

E para finalizar, aponte-se a mania nacional de fechar escolar. Como ela diz:  “Algumas escolas serão integradas [fechadas].”

Só para variar.

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Saldaña: post de Travitzki detona reorganização paulista

Post de Rodrigo Travitzki examina os argumentos da Secretaria de Educação de São Paulo para propor a reorganização das escolas. O post foi divulgado pelo Blog de Paulo Saldaña (Estadão) e pode ser lido aqui.

“Quando passei a levar em conta o nível socioeconômico das escolas, a relação entre ciclos e desempenho se inverte! Sim, o que parecia bom se torna ruim e vice versa. Os alunos de escola com único ciclo passam a ter, em média, 8 pontos abaixo dos outros – o que corresponde a 4% da média. Vale notar que as escolas com ciclo único apresentam, em média, um nível socioeconômico mais alto do que as outras”.

No post, Travitzki demonstra o equívoco típico destas teorias veiculadas pelos reformadores empresariais da educação: lidar com uma variável de cada vez, segundo seus interesses do momento.

Estas teorias, quando convém, definem a gestão como variável decisiva. Quando não, é a separação por ciclos. Só lembram de outras variáveis quando se trata de discutir salário e condições de trabalho. E mesmo assim, para voltar a enfatizar uma das anteriores. E assim, vão construindo explicações “ad hoc” para justificar seus interesses ligados à conversão da educação em mercado.

É assim que ocorreu em países onde estas ideias prosperaram. Basta ler como elas evoluíram por lá.

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Goiás: Fórum debate privatização

Os professores e estudantes de Goiás se reuniram hoje 08-12-15 em uma audiência pública, convocada pelo Fórum Estadual de Educação, com a finalidade de debater com a Secretaria de Educação a proposta de privatização de 30% das escolas por concessão de gestão a Organizações Sociais. A Secretaria esteve ausente.

O material que apresentei nesta audiência é colocado aqui para ser baixado pelos interessados.

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ANPED e ABdC criticam base comum

A Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação e a Associação Brasileira de Curriculum divulgaram posicionamento sobre a base nacional comum em desenvolvimento, enviando ofício ao Conselho Nacional de Educação, órgão que deverá examinar os trabalhos que estão sendo feitos pela Secretaria de Educação Básica do MEC.

Baixe o documento aqui.

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A luta dos servidores do Inep

Há pouco mais de uma semana, divulgamos aqui uma denúncia de que, aproveitando-se da necessidade de cortes orçamentários, pretendia-se redimensionar o INEP extinguindo diretorias e mudando funções do órgãos, vinculado à articulação com a Organização Social Cepraspe.

O presidente do INEP em carta aos servidores do INEP que um anônimo anexou neste blog, disse em 2-12 que:

“4 – A reestruturação preservará todas as atribuições institucionais desenvolvidas pelo Inep. A proposta de novo decreto a ser apresentada pelo Inep para o MEC deverá incluir novas funções, além das já estabelecidas no decreto de 2007, tais como as instituídas pelo PNE.”

Hoje, 6-12, os servidores voltam ao seu blog para atualizar a situação e dizem que:

“Na última segunda-feira de novembro, 30, a Associação dos Servidores do Inep (Assinep) foi informada pela Presidência da Autarquia que, em função da necessidade de se efetuar cortes de alguns cargos de confiança, o Instituto passará por uma reorganização: a extinção de três diretorias-fim e a organização delas em duas diretorias-fim, e a criação de uma diretoria-meio, responsável sobretudo pela logística de aplicação dos exames e avaliações. Isso seria definitivamente formalizado, por decreto, nas próximas duas semanas.
O projeto tem parentesco inegável com outro que o MEC tentou impor ao Inep em 2011. Nele, também se extinguiam e se reorganizavam as mesmas diretorias-fim e se criava uma diretoria-meio. No entanto, desta vez a Presidência da Autarquia propôs mudanças no Decreto n. 6.317/2007 que redefinem suas finalidades, de modo que, se implementadas, não apenas dificultariam o bom funcionamento do Instituto, mas, sobretudo, reduziriam a sua missão. Além disso, a reorganização de diretorias, extinguindo as atuais Diretorias de Avaliação da Educação Básica (DAEB), de Avaliação da Educação Superior (DAES) e a de Estudos Educacionais (DIRED), aglutinando-as em outras duas, não contempla todas as suas atuais atribuições sem transferir a nenhum outro setor da Autarquia, de tal modo que, na prática, também reduz a missão do Inep e pode comprometer processos cruciais, especialmente no campo da avaliação educacional, colidindo contra o Decreto, a Lei do Inep  e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação NacionalLei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.”

Os servidores também consideram que:

“Quanto a este último tema, embora a Assinep tenha, há tempos, formalmente requerido informações precisas sobre o contrato de gestão com a OS, o que se tem até agora são raras declarações, no mais das vezes, lacônicas. Ao informar, esta semana, por email aos servidores, que aguarda um novo parecer da Procuradoria-Geral Federal (órgão vinculado à Advocacia-Geral da União – AGU) que para dar prosseguimento ao caso, a gestão mostra-se interessada em superar o impasse gerado por pareceres técnicos – inclusive jurídicos – contrários à assinatura do termo aditivo do contrato de gestão com a OS Cebraspe. Ao lado disso, cabe perguntar por que não se informa quais são os valores previstos nesse novo acordo. Seriam bilhões? Em pleno ajuste fiscal? Por que até agora não foram apresentados todos os anexos do contrato de gestão assinado em fevereiro de 2014, bem como o seu Plano de Trabalho até 2019? São documentos de natureza pública.
Um governo empenhado com o diálogo, a transparência, a lisura e a boa-administração se manterá intransigente e imporá uma reorganização improvisada e de discutível sintonia com o Interesse Público? Como justificará essa insistência em enfraquecer uma instituição pública com quase 80 anos de serviço ao país e, ao mesmo tempo, fortalecer uma OS criada há menos de dois anos? Manterá esse desmonte do Instituto, com efeitos profundos e possivelmente deletérios para a política de educação?”

Leia mais aqui no Blog dos Servidores do INEP.

Enfim, tudo indica que o INEP está em risco, como parte da onda de reorganizações que temos assistido em vários lugares visando a redução do papel do estado, e está em risco também em relação ao papel que deveria estar cumprindo, maximizando suas funções de promover estudos e pesquisas e não ser apenas um coletor de informações e organizador de “big data”.

Já que agora não teremos mais os cortes emergenciais em face da aprovação das novas metas fiscais no congresso, subentende-se que a necessidade desapareceu. Inclusive porque com frequência se diz que a educação deve ser preservada.

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A entrevista de Joel Klein na Revista Exame

Não é sem razão que a Revista Exame veicula uma entrevista de Joel Klein, o ex-secretário de educação da Cidade de Nova York na era do prefeito Bloomberg, que também nos anos 2000 realizou várias reorganizações das escolas, a exemplo do que tentou fazer Alckmin em Estado de São Paulo.

Claudia Costin em recente entrevista também elogiou a atuação de Klein:

“Mas voltando  a Nova York e Washington, as duas grandes reformas foram as dessas cidades, e as duas deram resultados muito bons.  Com grandes  confrontos. Uma da pautas mais importantes em Nova York quando entrou o prefeito Bloomberg foi tirar as bonificações. Não houve pesquisa importante que mostrasse que o efeito era negativo.”

As duas entrevistas (de Costin e de Klein) são cheias de evasivas e de fugas dos temas mais conflituosos. Quem estava na reforma mencionada por Costin na Cidade de Nova York era Joel Klein e quem estava na de Washington era Michelle Rhee. A terceira pop-star dos reformadores empresariais americanos estava em Atlanta. Klein e Rhee escaparam de investigações. Não teve a mesma sorte Beverly Hall, em Atlanta,  que acabou indiciada e só não foi julgada por ter falecido. Hoje Joel Klein se dedica a viajar divulgando as suas ideias e a cuidar de uma das empresas que adquiriu de seu chefe Rupert Murdoch, e Michelle Rhee cuida de sua fundação “Students First”.

Não há evidência tendencial que suporte a fala de Costin de que os resultados destas aventuras em Nova York e em Washington tenham sido bons. (Veja estudo  aqui também) E há muitas ressalvas. Os modestos avanços no NAEP americano obtidos pela era Klein (2002-2009) não são diferentes de outras cidades que não usaram suas receitas milagrosas como Atlanta, Boston, Charlotte, Chicago, Cleveland, o Distrito de Columbia, Houston, Los Angeles e San Diego. Nos dois casos, depois de implementadas as reformas, os prefeitos perderam as eleições – Bloomberg depois de 12 anos no poder (Klein foi demitido antes). Nenhum destes reformadores estão no comando de redes de ensino hoje.

Na entrevista dada a Exame, Joel Klein comenta suas mudanças naquela cidade. Entre outras falas diz:

“Dividimos, por exemplo, uma grande escola, de 3 000 alunos, em seis outras com 500 estudantes cada uma. E demos aos pais e aos estudantes a opção de escolher. A Fundação Bill & Melinda Gates se entusiasmou por esse processo quando fizeram uma avaliação nacional de programas para resgatar as piores escolas e viram que nossa estratégia era a que funcionava melhor.”

Isto é apenas uma meia verdade pois a própria Fundação Bill Gates parou de incentivar esta estratégia. De fato, entre as cidades que tentaram esta estratégia a única que deu mais certo foi a administrada por Bloomberg tendo Klein como Secretário de Educação, devido à violência com que os princípios da administração da iniciativa privada foram transferidos para a área da educação. Uma máquina despótica de controle. Nas demais localidades que tentaram isso, houve fracasso. Para mostrar como a questão não é simples, cito  um estudo realizado pela própria Fundação Bill Gates nos Estados Unidos que diz:

“Quando os resultados das unidades menores criadas a partir de reorganização são calculados pela média, no entanto, temos encontrado pouco ou nenhum impacto sobre a frequência ou aproveitamento dos alunos. Os nossos dados qualitativos sugerem que a atenção e os recursos em muitas das escolas reorganizadas apoiadas pela fundação foram focados em mudanças estruturais e que as questões de currículo e instrução nessas escolas foram postergadas (Shear et al., 2005).”

O “sucesso” a que Joel Klein se refere não derivou das medidas implantadas por ele, como se constatou depois. Ele deixou o cargo após os testes do Estado de Nova York indicarem que as notas dos estudantes na avaliação do Estado mostravam uma realidade diferente daquela que aparecia nas provas da Cidade. As notas de Klein estavam infladas.

Afastado do cargo, dedicou-se a difundir suas receitas. Em 2012 esteve na Inglaterra fazendo consultoria. Foi ele também quem assessorou a Austrália e ajudou-a a copiar as receitas americanas para lá (Murdoch, seu chefe na área empresarial, é de origem australiana). Não me surpreenderia se ele aparecesse por aqui também com elas, depois desta entrevista divulgada pela revista Exame.

Na entrevista, faz-se referência a um livro de Klein onde ele apresenta o sucesso de sua política na cidade de Nova York, no entanto, esta não é a opinião do pesquisador Gary Rubenstein. (Veja estudo  aqui também.)

Contrariando resultados de pesquisas, Klein afirmou em 2010 que:

“O fator mais importante que determina se os alunos têm sucesso na escola não é a cor da sua pele ou seu CEP ou mesmo a renda dos pais – é a qualidade de seu professor.”

Klein sempre criticou o fato dos professores terem direito a aposentadoria, mas ao final de sua gestão na cidade de Nova York, angariou uma aposentadoria pela sua breve passagem pela Secretaria no valor de 34.000 dólares anuais.

Sobre as escolas charters, na entrevista mencionada, Joel Klein não evita as palavras:

“Uma mudança de paradigma que aposto que permanecerá [refere-se a Bloomberg ter perdido as eleições recentemente] são as escolas charter, administradas por uma entidade privada. Essas escolas dão às famílias mais pobres a possibilidade de escolher se querem matricular seus filhos numa escola pública tradicional do bairro ou num colégio público sob concessão privada. Essa liberdade de escolha tira o monopólio do governo.”

O cenário que pinta não é verdadeiro, pois as escolas públicas regulares em muitos locais são fechadas para serem transferidas para a iniciativa privada. A alegada escolha nem sempre é possível. Além disso, uma grande parte das charters opera por sorteio, ou seja, os alunos se inscrevem e são aceitos através de um sorteio. Muitos não ingressam e outros nem tentam, usualmente os mais pobres.

Para falar da “qualidade” das charters Klein limita-se à sua declaração de que são muito boas, mas não remete a nenhum dado empírico que dê suporte a suas afirmações. Mas os estudos existem e não corroboram suas afirmações. (Veja aqui também.) Ele apenas afirma e espera que o leitor acredite. Sobre suas reorganizações e outras receitas, o australiano Gary S. Stager, reagindo às influências de Klein naquele pais, diz:

“Klein mudou a estrutura organizacional do distrito tantas vezes que o caos se seguiu” (…) Qualquer pessoa com acesso ao Google poderia facilmente aprender que as alegações de Klein sobre aumentos milagrosos de pontuação nos testes foram desacreditadas por especialistas de todo o espectro político. Isto é particularmente trágico desde que sob a sua liderança, escolas de cidade de NY foram transformadas em fábricas dickensianas de exploração onde administradores assustados intimidavam professores criativos a seguir scripts curriculares a fim de aumentar as notas dos alunos. O Sistema de Relatório Escolar anunciado por Klein, com o qual ele pretendia envergonhar as escolas para aumentar os resultados dos testes, provaram ser inválidos ao classificar com notas baixas escolas nacionalmente reconhecidas pela sua excelência”.

E ainda:

“Entre em conflito com Klein ou um de seus impositores e você poderá ir  encontrar-se com outros 700 professores designados para o que é conhecido como “salas de isolamento” em toda a cidade. Ao invés de se envolver no processo de demitir professores acusados ou colocá-los em licença, Klein prefere humilha-los e puni-los antes de que qualquer culpa seja provada. Estes mais de 700 professores devem apresentar-se a um “centro de realocação de professores”, onde eles olham para um relógio durante todo o dia, cinco dias por semana. Se isso não fosse suficientemente kafkiano, Klein emprega psicólogos que usam duvidosas avaliações para determinar a aptidão dos professores para ensinar. Não importa que o sétima Corte Federal de Apelações considere isso como charlatanismo ilegal, obtenha um atestado de um bom médico e sua próxima parada será a “sala de isolamento”. Um educador veterano aclamado como “Professor do Ano” pelo prefeito Giuliani passou quase cinco anos indo diariamente a uma dessas salas”.

A transferência da experiência Americana para a Austrália, ao que parece, não deu muito certo pois este país está caindo nas avaliações do PISA. Os Estados Unidos nunca decolou no PISA.

Prepare seu estômago, este pessoal vai começar a desfilar por aqui.

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SP: Claudia Costin no lugar de Herman?

Um dos nomes que está sendo estudado para ocupar o lugar de Herman na Secretaria de Educação de São Paulo é o de Claudia Costin, que foi secretária municipal da cidade do Rio de Janeiro, hoje atuando no Banco Mundial (veja aqui o que ela pensa).

Para o caso do governador ter esquecido, lembremos que quando seu nome foi pensado para ocupar cargo no Ministério da Educação, houve um intenso protesto. Acabaram desistindo de nomeá-la. Outro nome é Alexandre Schneider que já esteve na secretaria municipal de São Paulo quando Gilberto Kassab foi prefeito de São Paulo.

Colocar Claudia Costin é o mesmo que tentar apagar fogo com gasolina. Certamente, deve ser a preferida dos empresários que cercam o Governo Alckmin.

Leia também aqui.

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Saldaña: governo revogará decreto (atualizado)

Atualização: o decreto de revogação foi publicado hoje, 5-12-15.

Segundo Paulo Saldaña (Estadão) apurou, o governo deverá revogar o decreto da reorganização das escolas paulistas ainda neste sábado. Os estudantes decidiram manter ocupações até que o governo faça gestos concretos de que a reorganização foi encerrada.

Leia mais aqui.

Isto, além da revogação do decreto que autoriza a movimentação de servidores entre escolas, poderá ter outras exigências como a não punição aos estudantes que ocuparam as escolas ou participaram de manifestações.

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Cai Secretário da Educação de SP

Herman já não é mais Secretário de Educação do Estado de SP. Abalado pelas manifestações e ocupações, responsabilizado pela queda de popularidade a níveis jamais vistos para Alckmin, o Secretário já estava de férias desde segunda feira e não deverá voltar para o cargo.

Leia mais aqui.

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Suspensa a reorganização em SP

Atualizado em 4/12 13:45.

O governador, acuado por manifestações estudantis de rua, ocupações de 200 escolas e manifestações de solidariedade que incluíram a Anistia Internacional, parece disposto a recuar em sua determinação de reorganizar e fechar escolas paulistas.

Não se sabia exatamente em que consistiria esta suspensão anunciada pela manhã. Há pouco mais de uma semana, houve anúncio parecido pela mídia que constatou-se depois ser mais uma manobra tática do que realidade.

Em entrevista, o governo  no entanto, embora mantenha o horizonte da reorganização, diz que pretende adiar para o ano de 2016 o debate da implantação. Não está dito se isso acontecerá nos primeiros meses ou se durante o ano todo. Com isso, o que o governo quer é  dividir o movimento e negociar com cada escola separadamente. A organização estudantil terá que estudar como lidar com esta tática.

No entanto, houve ganho:

“Alunos continuam nas escolas que estudam. Os debates serão feitos em 2016”, disse. “Recebi e respeito a mensagem dos estudantes e seus familiares em relação à reorganização. Por isso decidimos adiar a reorganização e rediscuti-la escola por escola”, acrescentou o governador.

O Secretário da Educação, Herman, está de férias desde segunda feira. Irene Miura é quem está assinando documentos da Secretaria. A negociação passou para a Casa Civil num claro gesto de descontentamento do governo com a atuação de Herman. Cogita-se que irá para o ITA.

Se isso for confirmado, teremos uma disputa interna novamente pela Secretaria da Educação e tudo indica que os empresários tenham se fortalecido nesta segunda gestão de Alckmin o suficiente para colocar um Secretário que seja da confiança do empresariado que cerca a educação paulista.

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MEC institui certificação de diretores

Foi publicada, hoje, Portaria 1.118 do Gabinete do Ministro da Educação instituindo programa de formação e certificação de Diretores. A Portaria cria também um conselho gestor entre MEC, Undime e Consed.

Baixe a Portaria aqui.

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SP: MP e Defensoria entram com ação contra reorganização

O Ministério Público do Estado juntamente com a Defensoria Pública do Estado ajuizaram ação contra a continuidade da reorganização das escolas paulistas. Ontem esta ação havia sido dada como provável, junto com outra que ocorreu no interior paulista.

Baixe aqui o texto da ação interposta no dia de hoje.

O Juiz deu 72 horas para que o governo se manifeste. A ação pede que:

a) Pede-se, por fim, a integral procedência dos pedidos, para que seja a requerida condenada a sustar os efeitos da reorganização escolar na Capital e em todo o Estado de São Paulo, garantindo-se que os alunos, em 2016, continuem matriculados e frequentando as escolas onde já estavam matriculados e frequentaram as aulas em 2015, garantindo-se o percurso educacional tal como previsto antes do anunciado plano de reorganização escolar, sem qualquer alteração administrativa quanto a transferência compulsória ou separação de ciclos, garantindo-se, em outras palavras, o fluxo educacional tal como se daria sem a implementação da reorganização anunciada;

b) Seja a requerida obrigada a não alterar a organização das escolas que seriam afetadas pela anunciada reorganização, preservando-se os ciclos e turnos de funcionamento e garantindo-se, inclusive, a matrícula de novos alunos – onde existam vagas, para o ano letivo de 2016;

c) Pleiteia-se, também, para que não reste dúvida, seja a requerida condenada a não fechar qualquer escola estadual – notadamente as 94 unidades apontadas no plano de reorganização escolar, mantendo-as em regular funcionamento ao longo de 2016, inclusive com recebimento de novas matrículas;

d) Pleiteia-se seja a requerida condenada a refazer a matrícula de todos os alunos que tenham sido compulsoriamente remanejados, de forma a que possam permanecer na escola que estudavam em 2015 e a que possam acessar a rede escolar em sua forma e extensão anteriores à reorganização escolar (transferências voluntárias e novas matrículas);

e) Seja a requerida compelida a estabelecer, a partir e ao longo do ano de 2016, agenda oficial de discussão e deliberações a respeito de política pública para a melhoria da qualidade da educação em São Paulo com as comunidades escolares, assegurando-se a participação de grêmios estudantis, Conselhos de Escola, Conselhos Municipais de Educação, do Conselho Estadual de Educação, além de organizar audiências públicas amplas, tendo em conta, inclusive, que tramita na Assembleia Legislativa o projeto de Lei do Plano Estadual de Educação e que, de acordo com o artigo 9º da Lei nº13.005/2014 (PNE), os Estados deverão aprovar leis disciplinando a gestão democrática até junho de 2016;

f) Seja fixada multa diária no valor de R$ 100.000 (cem mil reais) pelo não cumprimento do determinado nos itens anteriores, garantindo-se, especialmente, que os alunos continuem matriculados e frequentando as escolas onde se encontram, sem qualquer alteração administrativa quanto a transferência compulsória ou separação de ciclos, devendo a multa a ser recolhida ao fundo de que trata o art. 214 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que deverá ser corrigida no momento do pagamento.

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SNE: projeto tem substitutivo

O projeto 413/2014 sofreu movimentação com a entrega do voto do relator. Ele trata da criação do Sistema Nacional de Educação. O substituto procurou levar em conta tanto o texto do projeto da SASE, como o projeto da SAE, feito pelo Mangabeira. Resultou daí o substitutivo.

Baixe aqui o texto do substitutivo com o voto do relator.

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