O ano em que o SAEB não existiu

Não há outra alternativa, se o governo quer que o SAEB 17 seja levado a sério deve anular o atual cálculo e fazer outro em bases equivalentes aos anos anteriores. Qualquer mudança, deve ser feita a futuro e após amplo debate. O cálculo deste ano não será levado a sério pelas escolas. Já está perdido. O jeito é começar tudo de novo e assumir que ao INEP não cabe fazer política pública, apenas avaliar.

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INEP: produzindo o fracasso escolar

Depois do incêndio do Museu Nacional no Rio de Janeiro, esta é a notícia mais espantosa que tivemos em poucas horas. O INEP elevou a nota de corte das notas do SAEB e com isso promoveu uma situação de caos na educação brasileira que não corresponde à realidade. É o que argumenta José Francisco Soares em entrevista para a Agência Brasil.

“Na realidade, não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil [como também é chamado o Saeb]”, opinou.”

O órgão se defende dizendo que foi um grupo de especialistas que definiu as novas regras. Mas, de fato, a credibilidade do órgão que já vinha sendo desafiada pelos seus dirigentes, acabou. Não se faz uma mudança dessa sem um amplo debate. De fato, as divulgações do INEP sobre esta rodada do SAEB estão marcadas por um claro desejo de promover o caos para justificar apoio às reformas do governo Temer (como já mostramos aqui e aqui).

Nos Estados Unidos, o efeito de aumentar a pressão sobre as escolas em 2002 foi inócuo quando não gerou efeitos adversos. Mas, ajudou na elevação da privatização da educação. No Brasil, o efeito imediato será produzir mais uma “crise” artificial para justificar as políticas de reforma do governo Temer. No entanto, ao persistir esta classificação, o efeito de longo prazo que se deve esperar é um maior clamor pela privatização das escolas também, na esteira do crescimento destas ideias no Brasil. Produz-se o fracasso da escola pública para justificar a sua privatização.

A direção do INEP já reclamava no II Relatório de Monitoramento do PNE pelo fato de que não podia fazer um monitoramento “adequado” da educação brasileira, pois não estava definido o que deveria ser considerado “nível suficiente” de aprendizagem na educação brasileira, apontado no PNE, na sua meta 7. Em recente post, dissemos:

“Na página 150 do relatório há uma observação que é importante levar a sério, por suas implicações danosas para a educação brasileira:

“Nesse contexto, vale notar a consecução da Estratégia 7.1 da Meta 7, com a promulgação da Base Nacional Comum Curricular, e ressaltar a necessidade premente de se definir o nível “suficiente” de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de cada ano de estudo, conforme preconiza a Estratégia 7.2. Apenas assim será possível efetivamente monitorar o aprendizado dos alunos da educação básica e garantir a todos o direito à aprendizagem.”

Esta observação refere-se à estratégia 7.2 do PNE que diz:

“7.2: Assegurar que:

  1. a) no quinto ano de vigência deste PNE, pelos menos 70% dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível suficiente de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu ano de estudo, e 50% pelo menos, o nível desejável. 
  2. b) no último de vigência deste PNE, todos os estudantes do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível suficiente de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu ano de estudos, e 80%, pelo menos, o nível desejável.”

Ao usar o termo “nível de aprendizado suficiente”, o PNE cria um conceito fora das escalas de proficiência mais usadas (abaixo do básico, básico, proficiente, avançado) e exige que se chegue a uma nova definição. O que é nível suficiente: o “básico”, ou o “proficiente”? Ou ambos? Esta é a “necessidade premente” do INEP…”

O interesse da direção do INEP nesta definição tem a ver com que, uma vez definido, pode-se fazer maior cobrança sobre as escolas. E o pessoal que está no MEC quer ver “sangue” nas escolas.

Como não estivesse definido na lei e nem em outro instrumento, o INEP, este ano, resolveu definir ele mesmo convocando um “grupo de especialistas”. E, claro, segundo sua concepção atrasada de monitoramento que ainda prevalece nos meios governamentais, deve-se “elevar a régua” exigindo mais das escolas, pois isso melhorará a educação brasileira gerando mais exigências sobre as escolas.

A Agência Brasil repercutiu a situação:

“Neste ano, pela primeira vez, o MEC estipulou o nível 7 como o mínimo adequado. Os parâmetros, no entanto, surpreenderam especialistas por serem mais rígidos que o de avaliações semelhantes aplicadas no país e no exterior. Na avaliação de pesquisadores entrevistados pela Agência Brasil, com a nova escala, a situação da educação brasileira parece pior do que a realidade.

“Experiências consideradas exemplares até 2015 se tornaram fracassos com a nova metodologia”, diz o ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Francisco Soares, que é integrante do Conselho Nacional de Educação (CNE).”

Leia mais aqui.

Com a elevação da régua, mais escolas falham e cria-se com isso um sentimento artificial de revolta que acaba sendo canalizado para as mudanças que estão em pauta, ou seja, as próprias reformas propostas pelo MEC. Ao fazer isso, a direção do INEP destruiu a credibilidade do órgão.

Para José Francisco Soares, em entrevista à Agência Brasil:

“De acordo com a nova classificação divulgada pelo MEC, até o nível 3, o aprendizado é considerado insuficiente e, até o 6, básico.

Segundo Soares, essa síntese facilita o uso dos dados para o planejamento pedagógico das escolas e das redes de ensino, assim como a comunicação com a sociedade. No entanto, os pontos de corte que definiram os níveis produziram uma mudança drástica no diagnóstico da realidade educacional brasileira.

“Na realidade, não ocorreu nenhum desastre educacional nos últimos dois anos, mas apenas a introdução de uma forma equivocada de sintetizar os dados da Prova Brasil [como também é chamado o Saeb]”, opinou.”

Em nota o MEC defendeu a nova classificação. Segundo o órgão, um grupo de especialistas definiu os novos critérios.

“Defendendo o nível de exigência adotado, o ministério diz que não é possível aceitar como adequado uma nota média em que boa parte dos alunos se enquadre “em níveis baixíssimos de aprendizagens”.”

Ainda segundo Fracisco Soares:

“O ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Francisco Soares, citou como exemplo de mudança  a cidade de Sobral, no Ceará, que era considerada exemplo nacional e que, com os novos critérios, passaria a  ter apenas 13,4% dos alunos com aprendizado adequado em língua portuguesa, em vez dos 79,8% registrados em 2015. Segundo o MEC, a cidade de Sobral, assim como outras experiências importantes de redes e escolas “continuam sendo consideradas ótimos exemplos nacionais de que uma boa gestão aliada ao investimento em educação faz a diferença para a vida escolar do aluno”.”

Mais uma vez fica comprovada a necessidade de se dar transparência às “fórmulas” que são aplicadas na avaliação da educação brasileira. Isso se faz com relatórios técnicos transparentes e não com “press release” preparado para a imprensa.

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Quem pediu a opinião do INEP? – II

Novamente o INEP sai de sua posição de avaliador da educação nacional, para passar à de supremo formulador de políticas públicas. E o faz de maneira a mostrar um grande atraso no entendimento do que seja um processo de avaliação de larga escala da educação nacional. Não é o INEP quem deve dizer a estados e municípios o que fazer com os números da avaliação divulgados – cada um deles tem sua própria política educacional.

Basta lermos a divulgação que ele faz hoje (3-9-18) dos dados do IDEB, para que nos lembremos da falida lei No Child Left Behind americana, que inaugurou nos idos de 2002 a igualmente falida era da responsabilização verticalizada nos Estados Unidos. Em 2005, Reynaldo Fernandes, encantado com aquela lei, implantava a avaliação censitária no SAEB e o IDEB. Em seu “press release” o INEP diz hoje:

“Um bom sistema de indicadores educacionais permite uma avaliação mais fundamentada das escolas e dos sistemas educacionais, visando a garantia do direito à educação, e favorece que os diferentes atores envolvidos possam promover ações que resultem na melhoria da qualidade da educação:

Em seguida, o comunicado passa a elencar quem são os atores envolvidos:

(1) Os beneficiários (pais e alunos) e a sociedade em geral podem cobrar explicações dos responsáveis quando os resultados são desfavoráveis; (2) Os gestores do sistema podem identificar as escolas que necessitam de intervenção e aquelas que devem servir como exemplo de boas práticas; (3) Instrumento valioso no processo de planejamento de escolas e dos sistemas de ensino; (4) Possibilita o estabelecimento de metas para escolas e sistemas educacionais; (5) Permite a investigação dos impactos de diferentes políticas e intervenções.”

Primeiro, o INEP não tem um “sistema de indicadores educacionais”, pois tem apenas um dado proveniente de uma prova e um dado proveniente do fluxo de alunos, de naturezas absolutamente diferentes, e que ele “mistura” tentando magicamente chegar a um denominador comum da qualidade das escolas. Não temos um sistema e muito menos ele é um reflexo robusto do que ocorre nas escolas.

Para que tivéssemos, como deseja o INEP, “um bom sistema de indicadores educacionais”, seria necessário que o estudo realizado por um grupo de pesquisadores do próprio INEP indicando uma forma mais moderna de se conceber esta avaliação, tivesse sido incentivado ao invés de ser censurado como foi.

Nos países avançados já se questionam seriamente as avaliações que se apoiam em testes cognitivos como medida principal e já se duvida de que os resultados dos testes tenham, de fato, poder de indicar a qualidade da escola. A prestidigitação da multiplicação da média da prova Brasil com um valor sobre o fluxo de alunos, que o INEP faz, não tem como ser classificada de um “bom sistema de indicadores”.

A orientação que o INEP segue, ainda é dos tempos de G. W. Bush e sua No Child Left Behind. É também usada no Estado de São Paulo e não deu em nada. As finalidades que o INEP, no “press release”, atribui à avaliação atestam este atraso. Primeiro o comunicado entende que a avaliação deve servir para que todos “cobrem explicações dos responsáveis” da escola pelos resultados desfavoráveis.

Aqui temos dois erros: (1) acreditar que os resultados dos testes são conclusivos; (2) atribuir um papel de “fiscal da escola” aos pais, quando o correto seria incentivá-los a se aproximar da escola não como um “cliente irado” que comprou leite estragado no supermercado, mas sim, para participar com os profissionais da escola na construção de um diagnóstico final e se envolver na construção da qualidade da escola de seus filhos. Ao invés disso, o INEP incentiva o confronto entre pais e responsáveis pela escola.

A segunda finalidade atribuída pelo comunicado é igualmente equivocada. Ela se baseia em “testar e punir” – algo usado nos últimos 30 anos e que não deu resultado. Pede o comunicado que os gestores do sistema identifiquem as escolas que não apresentaram bom IDEB para “intervir” nelas. Note que não há aqui novamente nenhuma suspeita de que pudesse haver outras restrições externas à escola, oriundas dos próprios gestores dos sistemas, que devessem ser incluídas na análise da qualidade. Novamente, os testes são definitivos.

Em nenhuma das finalidades atribuídas pelo comunicado às avaliações aparece a figura do professor. No item 3 o comunicado se refere ao uso das avaliações pela gestão (das escolas e dos sistemas); no ponto quatro serve para “estabelecimento de metas para escolas e sistemas”, novamente cobranças, e no quinto, serve para “investigar impactos”.

Assim, os principais atores do processo de ensino são ignorados, pois a filosofia de avaliação do INEP é que eles devem ser “geridos”. É tudo uma questão de “gestão”. Professores, não fazem parte da construção da qualidade da escola. Eis porque esta filosofia atrasada que orienta o INEP não funciona há mais de 30 anos onde foi usada. Lamentável que ainda faça parte da agenda da educação brasileira e do INEP.

Sugestão de leituras inspiradoras:

Wong, V. C., Wing, C., Martin, D., & Krishnamachari, A. (2018). The impact of intensifying state accountability pressures on student achievement under no Child Left Behind. (Working paper). Acesse aqui.

Santos, A. A., Horta Neto, J. L., & Junqueira, R. D. (2017). Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Sinaeb): proposta para atender ao disposto no Plano Nacional de Educação. PNE em Movimento 7 (Censurado). Brasília, DF. Acesse aqui.

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Sobre o Museu Nacional: nota da UFRJ

“A cultura e o patrimônio científico do Brasil e do mundo sofreram uma perda inestimável com o incêndio ocorrido no Museu Nacional da UFRJ. Há décadas que as universidades federais do país vêm denunciando o tratamento conferido ao patrimônio das instituições universitárias brasileiras e a falta de financiamento adequado, em especial nos últimos quatro anos, quando as universidades federais sofreram drástica redução orçamentária.

Em 2015, a atual Reitoria deu início a tratativas junto ao BNDES, justamente para adequar a edificação exclusivamente para exposições, garantindo a modernização de todo o sistema de prevenção de incêndio, um dos itens centrais do projeto. Os recursos aprovados para a primeira etapa foram da ordem de R$ 21 milhões e estavam em vias de liberação pelo banco. A UFRJ também vem reivindicando, junto à Secretaria de Patrimônio da União, a cessão de um terreno próximo ao Museu, para transferência de instalações, objetivando o deslocamento das atividades acadêmicas e administrativas da instituição para novas edificações.

Nos últimos meses, um amplo trabalho interno para formação de brigadas e compra de novos equipamentos vinha sendo implementado. Em relação ao acontecimento da noite de 2/9, será necessário averiguar as causas e o motivo da rápida propagação das chamas. A Reitoria solicitou apoio pericial à Polícia Federal e a especialistas da UFRJ, almejando um processo rigoroso de apuração das causas.

Urge, por parte do Governo Federal, uma mudança no sistema de financiamento das universidades federais do país. A matriz orçamentária existente no Ministério da Educacão não aloca nenhum recurso para os prédios tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e para os museus universitários. O mesmo acontece com o Ministério da Cultura, que igualmente não prevê recursos para tais fins.

Este momento devastador deve ser um alerta para as forças democráticas do país, no sentido de preservação do patrimônio cultural da nação. O inadmissível acontecimento que afeta o Museu Nacional da UFRJ tem causas nitidamente identificáveis. Trata-se de um projeto de país que reduz às cinzas a nossa memória. Nós desejamos que a sociedade brasileira se mobilize junto à comunidade universitária e científica para ajudar a mudar o tratamento conferido à educação, à memória, à cultura e à ciência do Brasil.

A Reitoria se reunirá nesta segunda-feira, 3/9, com os ministros da Educação e da Cultura, e, por meio da bancada federal do Rio, solicitou audiência com a Presidência da República para que os recursos necessários possam estar na Lei Orçamentária Anual de 2019.”

Reitoria da UFRJ

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Reforma educativa no México

CLACSO – Conselho Latino Americano de Ciências Sociais – editou um livro sobre as reformas educativas em México.

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Villarreal, R. G. ; Ferreiro, L. R.  e Mendoza, M. G. Luchas por la reforma educativa en México : notas desde el campo. Ciudad Autónoma de Buenos Aires : CLACSO ; Xalapa, Veracruz : Portal Insurgencia Magisterial, 2018.

Baixe aquí.

“Las propuestas gubernamentales de cambio educativo en el siglo XXI son fundamentalmente reformas laborales que forman parte de nuevos paquetes de ajuste estructural que se adelantan en correspondencia a la nueva generación de políticas neoliberales en curso. Algunas de sus expresiones más evidentes son la despedagogización del hecho educativo, el ataque a la profesión docente, la destrucción de la educación pública y las limitaciones para el desarrollo de formas organizativas autónomas de los y las trabajadoras de la educación.”

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BNCC: quem pediu a opinião do INEP?

Saíram, em parte, os resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica Brasileira – SAEB – vulgo Prova Brasil. Sobre isso voltaremos oportunamente. Mas, o que chama a atenção, neste momento, é outro ponto. Não bastasse a recente censura a pesquisadores do INEP que apresentavam propostas mais avançadas do que as praticadas atualmente, agora o INEP, um órgão que deveria ser de Estado, passa a ser apêndice de divulgação das políticas de governo. Novamente a credibilidade do órgão é atingida.

Não temos relatório decente sobre os resultados do SAEB de longa data. O que temos nestes momentos é um “press release” que a direção do INEP prepara para o Ministro da Educação divulgar ante a imprensa. Chamo de relatório decente a divulgação do NAEP americano, por exemplo.

Desta vez, avançaram o sinal. O “press release” vergonhosamente assume a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio (e por tabela, assume a Reforma do Ensino Médio) que é um assunto que não tem nenhuma relação com o trabalho específico do INEP – um órgão que deve ser imparcialmente dedicado à avaliação da educação nacional – principalmente depois que foi convertido em central de avaliação.

No “press release” pode-se ler em tom panfletário:

“As evidências demonstram que o EM tem agregado muito pouco ao desenvolvimento cognitivo dos estudantes brasileiros, em média.

A baixa qualidade, em média, do Ensino Médio brasileiro prejudica a formação dos estudantes para o mundo do trabalho e, consequentemente, atrasa o desenvolvimento social e econômico do Brasil.

A BNCC para toda a educação básica é uma medida importante para reduzir as desigualdades educacionais. Na Educação Infantil e no EF, estados e municípios já estão revendo os seus currículos (primeira etapa da implementação). Para completar o ciclo, a aprovação da BNCC para o Ensino Médio é urgente e necessária uma vez que é um passo importante para essa mudança.”

Tudo parece ter sido feito para direcionar a imprensa nacional a associar o desempenho do ensino médio brasileiro, medido no SAEB, à “solução” do problema: a implantação da Base Nacional Comum Curricular deste nível de ensino e sua reforma.

O Ministro da Educação foi na mesma direção em sua entrevista dizendo que o ensino médio brasileiro está falido, mas que a solução já está a caminho. Surpreendentemente, ao contrário da catástrofe global da educação brasileira anunciada anteriormente pelo ex-ministro Mendonça Filho, agora temos apenas uma catástrofe no ensino médio. Já melhorou.

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Estudo analisa “Educação – Compromisso São Paulo”

Dissertação de mestrado de Andressa de Sousa Rodrigues Mesko – “O programa Educação-Compromisso de São Paulo e as estratégias de implementação das políticas empresariais na gestão escolar” – (2018) examina o programa Educação-Compromisso de São Paulo, anunciado no dia 15 de outubro de 2011, pelo Governador Geraldo Alckmim do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). O programa reúne todas as políticas educacionais a partir de 1990 no Estado de São Paulo, tendo como foco principal a formulação de ações educacionais a partir de parcerias entre o setor público e o setor privado.

Acesse o programa do governo de SP aqui.

Acesse a Dissertação aqui.

RESUMO: A presente pesquisa de mestrado apresenta resultados sobre as formas de privatização endógena e exógena aplicadas a partir do programa Educação – Compromisso de São Paulo via Gestão Escolar. O estudo revela a participação da classe empresarial na elaboração das políticas públicas educacionais paulistas e o processo de sedimentação de suas ações na gestão escolar. A hipótese é a de que a classe empresarial se tornou interlocutora privilegiada nas formulações das políticas públicas educacionais paulistas (privatização exógena) e vem atuando na implementação de modelos, práticas e métodos (privatização endógena) utilizando-se dos diretores e diretoras de escolas para garantir a efetivação deste projeto no seu interior. Analisa-se, por meio da pesquisa qualitativa, como, amparado no discurso que elegeu a qualidade como indicador central das políticas educacionais recentes, emergiu através da pesquisa documental o conceito de um “novo diretor gerencial” em confluência com os ditames da agenda global dos organismos multilaterais sob o prisma do imaginário neoliberal.

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Novo livro: ocupações estudantis no Brasil (atualizado)

CapaLivro de Adriana Alves Fernandes Costa e Luís Antonio Groppo (Orgs.) analisa “O movimento de ocupações estudantis no Brasil”.

Baixe ebook aqui.

“Quando tivemos a ideia de organizar essa coletânea, O movimento de ocupações estudantis no Brasil, desejávamos registrar uma série de ações coletivas potentes do ponto de vista político e formativo. Nessas ações coletivas, adolescentes e jovens tomaram as rédeas da resistência contra o retrocesso político e social perpetrado por um golpe institucional e um governo que despejou uma série de medidas de cunho neoliberal e conservador. Mas também se tratou de um movimento que trouxe à luz a capacidade dos estudantes serem sujeitos de sua própria história e guiarem, sozinhos ou ao lado de gerações mais velhas, seu processo educativo.

Nas ocupações, os modos de organização e a riqueza das atividades formativas foram, também, processo educativo aos adultos educadores que se deixaram inspirar, processo que propôs e efetivou por algum tempo outro projeto de educação e de escola, talvez uma saída para a tão falada crise da educação escolar pública em nosso país. Outros de nós, adultos educadores, tanto quanto jovens educandos, quiçá possam aprender mais com as experiências trazidas por este livro, que deseja que esse movimento não vire mera poeira na história, mas sim memória viva e edificante.”

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Uma BNCC à procura do magistério

No Brasil o suporte à BNCC está sendo dado por um grupo de tecnocratas e especialistas (alguns bem intencionados), organizados no Movimento pela Base, financiado pela Fundação Lemann. Há algum tempo, a Fundação Lemann vem se aproximando do Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) criando uma espinha dorsal que, alinhada com o MEC, cujo atual ministro foi do CONSED, constituem uma máquina de indução para a aprovação e implementação da BNCC. Como resultado, construíram uma proposta disforme e agora estão em busca do magistério para que ele a adote.

Sempre dissemos que é uma falácia a afirmação dos apoiadores da BNCC, incluindo o MEC, argumentando que ela não é currículo. Eles dizem que a base vai virar currículo nos Estados de nos Municípios com a participação dos professores. Uma argumentação, e nada mais que isso, para fugir da crítica da verticalização das decisões e ocultar a própria falta de participação na construção da base.

O Movimento pela Base, em associação com o MEC, continua sua tarefa de mobilizar os estados brasileiros para que adequem a BNCC já aprovada a seus estados. Note que nem nos Estados Unidos a base nacional comum (Common Core) foi implantada obrigatoriamente. Lá, o governo federal teve, pelo menos, que fazer algum esforço para que houvesse a adoção pelos estados. Mas no Brasil, resolveram pular esta parte e acelerar. Portanto, aqui ela é obrigatória e por pouco o próprio conteúdo da BNCC não virou lei no Congresso. Mas, como dizem, quanto mais alta a árvore, maior é o tombo.

Estes dias o Movimento pela Base divulgou um “roteiro” para os estados engolirem a BNCC do MEC. Um exame deste só atesta o que já dissemos: a BNCC (associada à avaliação do SAEB) padroniza o currículo das escolas em todo o país – fato negado pelo MEC e apoiadores. Vejamos o que planejaram para os estados “participarem”.

O texto, logo no início diz a que veio (todos os grifos que se seguem são meus):

“A (re)elaboração dos currículos em regime de colaboração com os municípios é um passo essencial para que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) se torne realidade nas escolas de todo o país.”

“A ideia é que professores, gestores e a comunidade escolar possam enviar sugestões para deixar os currículos com a cara da região.”

“Para que as contribuições sejam mais significativas, é preciso conhecer bem o que a BNCC determina.”

O foco do esforço é que a BNCC chegue até a sala de aula e a “participação” está limitada a isso: aplicar a base em sala de aula. “Reelaborar” e  “dar a cara da região” é a mensagem de abertura. Aqui nada sugere que se possa “participar” de fato da elaboração de uma base estadual curricular. O nível de participação permitido é aquele que “dá a cara” do local à base pronta. É um convite para que o magistério coloque um “máscara” na BNCC pronta, para que ela se pareça com a região. A ênfase está na aplicação da base já pronta:

“Seja contextualizando um objeto de conhecimento ou habilidade dentro da riqueza sociocultural da região, seja acrescentando novas competências e habilidades que fazem sentido para os alunos do estado, seja sugerindo práticas pedagógicas que podem ajudar a aprimorar o trabalho do professor.”

No entanto, onde está o pulo do gato: mesmo que você consiga acrescentar ou contextualizar algo, isso só vale para os estudantes do seu município ou estado. Saiba que nada disso cairá na avaliação do SAEB – a avaliação que dirá se sua escola está fracassando ou não em seguir a BNCC já pronta e não a do estado ou município. Padronizar a educação pela base é só um primeiro passo. O controle do MEC será feito sobre a BNCC que já está pronta e não por esta “base mascarada”.

E era muito fácil melhorar isso: bastava tornar o SAEB amostral e liberar os estados e municípios para que fizessem suas próprias avaliações (como aliás é nos Estados Unidos), pelo menos podendo levar em conta suas próprias “caras” construídas sobre a BNCC. Não salvaria a lavoura toda, mas do ponto de vista do próprio MEC, melhoraria a situação da colheita. Mas como o que conta é o SAEB, de nada adianta a avaliação estadual ou municipal – ela não salvará sua escola.

Em seguida o texto elenca uma série de dimensões para a tarefa dos estados que permite ver o que se espera da “participação” do magistério:

“1. CONTEXTUALIZAÇÃO: adequar o que está proposto pela BNCC à realidade local, usando as características regionais (culturais, históricas, sociais, naturais) e a própria vivência dos alunos.” Por exemplo: “escolha dos autores das obras”; “questões municipais/estaduais em relação à coleta e reciclagem de materiais”; e outros como “para trabalhar estatística, use a vivência em sala de aula”.

Atente-se para o verbo “adequar” e veja os exemplos de “participação”: definir autor de obra e outras formas de trabalhar com a BNCC em sala de aula. Trata-se de fazer uso da BNCC e não de participar na sua construção local. Mas além de “contextualizar”, você pode “complementar”.

“2) COMPLEMENTAÇÃO: os currículos podem adicionar habilidades, módulos e componentes inteiros que não estão na BNCC.” “Exemplos: no município de São Paulo, programação e letramento digital farão parte do currículo a partir do 1º ano do Ensino Fundamental. E no estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, além de Língua Inglesa, que é obrigatória, o currículo incluirá Língua Espanhola.”

Veja. São exemplos que indicam claramente que isso jamais cairá em uma avaliação nacional. São acessórios. Mas além de “contextualizar”, “complementar” (com acessórios locais), você pode fazer “aprofundamentos”. Vejamos do que se trata.

“3) APROFUNDAMENTO: é possível incluir sugestões de aprendizagens mais específicas, de práticas pedagógicas para a sala de aula, do que se espera do professor e de orientações para a avaliação.” Exemplo: “em Ciências da Natureza, há uma habilidade que prevê caracterizar os principais ecossistemas brasileiros. Ela pode ser aprofundada quando os alunos consultam fontes de dados como mapas, cartas geográficas e inventários da fauna e da flora. O professor também pode propor, por exemplo, que eles comparem o ecossistema local com outros ecossistemas do Brasil. Já em Geografia, para analisar as mudanças na paisagem causadas por diferentes tipos de sociedade, além de pinturas e fotografias o currículo pode propor o uso de imagens do Google Earth para comparar ambientes urbanos e rurais, analisando os tipos de construção e as condições espaciais, como o relevo e a hidrografia.”

Novamente, estamos falando do nível da sala de aula e não de “participar” da elaboração de uma base estadual curricular. O termo “participar” aqui tem o sentido de “colocar em prática”. O ponto seguinte, “interdisciplinaridade” – que está longe de significar “fazer junto” – atesta isso.

“4) INTERDISCIPLINARIDADE: sempre que o mesmo tema aparecer em disciplinas diferentes, e no mesmo ano, os professores podem trabalhar juntos”.

Finalmente chegamos a duas dimensões que são lapidares quanto à sua diretividade:

“5) DESENVOLVIMENTO INTEGRAL: o currículo deve ajudar o aluno a se desenvolver em todas as suas dimensões, por meio das 10 Competências Gerais que estão no capítulo introdutório da BNCC.”

“6) PROGRESSÃO: é preciso ter em mente quais habilidades precisam estar garantidas em cada etapa, pensando que a aprendizagem segue uma sequência de complexificação, conforme os anos escolares avançam.”

Ou seja, as habilidades e competências são as indicadas na BNCC e até a sequência conceitual está definida. Veja que uma tal especificação determina até mesmo a abordagem que se fará nos materiais didáticos. Eles mesmos já estão com sua estrutura definida. Elimina-se qualquer possibilidade de métodos de ensino com uma estrutura diferenciada.

Fim de papo? Ainda não. As instruções do Movimento pela Base ainda têm uma advertência final:

“Vale lembrar que todas as habilidades e competências previstas na BNCC precisam aparecer nos currículos estaduais. Nada pode ficar de fora!  Além disso, é importante prestar atenção aos verbos utilizados no texto da habilidade para não diminuir a complexidade do processo cognitivo. Por exemplo, se a BNCC fala em relacionar informações, o currículo local não deve falar em identificar informações, pois identificar é menos complexo do que relacionar. Lembre-se de não é apenas o conteúdo em si que precisa estar contemplado na descrição de cada habilidade, mas também os processo cognitivos envolvidos: identificar, diferenciar, relacionar etc.”

Ou seja, todas as escolhas relevantes, já foram feitas ao se montar a BNCC em Brasília. Agora, trata-se de que a pílula seja engolida: um verdadeiro desrespeito à inteligência do magistério. A isso foi reduzida a “participação” do magistério. E ainda querem dizer que a BNCC não é currículo.

É preciso começar tudo de novo, exatamente porque uma base nacional curricular comum não deve ser currículo é que ela está condenada, pois amarrou tudo de cima para baixo. Uma base deve ser uma referência construída coletivamente, que tenha o sentido de um projeto nacional, que aponte o que entendemos todos (não apenas os empresários, suas fundações e ONGs) por ser uma “boa educação para nossas crianças e jovens”. Ela deveria ter começado pelos Estados e Municípios, envolvendo aqueles que fazem a educação.

Sem uma definição coletiva do que entendemos ser uma boa educação, não há BNCC que dure. A prescrição curricular, por si, não garante a prática curricular. Para tal, terão que acionar um sistema repressivo via avaliação do SAEB, mas isso, é mais do mesmo que já não funcionou na matriz americana.

Um dos pontos fracos das políticas públicas neoliberais que estão sendo aplicadas pelo MEC é que elas encantam à primeira vista com suas lógicas de senso comum, mas não se sustentam ao longo do tempo, principalmente quando os primeiros resultados começam a aparecer (ou a não aparecer). É o caso típico destas políticas nos Estados Unidos onde elas estão constantemente empacando. Mas a reforma empresarial da educação tem sua própria lógica movida a fé (e mercado) e não pode abrir mão de suas receitas, nem quando caminha em direção ao precipício. O problema é que existem gerações de jovens sendo atingidas por políticas que gerarão mais décadas perdidas.

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Vouchers, neoliberalismo tardio e as eleições

Uma espécie de neoliberalismo tardio toma conta da América Latina e consequentemente do Brasil. As eleições deste ano não poderiam deixar de refletir esta situação. Desde a década de 20, o liberalismo econômico, vulgo também neoliberalismo, organiza-se mundialmente sob a orientação das teses de Mises e Hayek e seus discípulos Milton Friedman e James G. Buchanan.

Mostramos em uma série de posts, anteriormente, como se desenvolveu nos Estados Unidos, onde estes mentores tiveram atuação destacada e longa. Para Bresser-Pereira, as crises do início do século passado motivaram seu aparecimento:

“O surgimento de um segundo liberalismo econômico radical – os Anos Neoliberais do Capitalismo – foi uma resposta a esses fatos. (…) Grandes intelectuais liberais, como Friedrich Hayek, Karl Popper, Milton Friedman e James Buchanan, desempenharam um papel ideológico estratégico na conversão dos departamentos econômicos das principais universidades em modelos neoclássicos hipotético-dedutivos abstratos, cujo papel era legitimar o liberalismo econômico” (Bresser-Pereira, 2017, p. 698).

Ainda segundo ele, o neoliberalismo é um orientação constituída ao redor do 1% mais rico, os rentistas mundiais, e experimenta um esgotamento desde 2008 com a crise da financeirização e desde o Brexit e a eleição de Trump. Mas não parece assim no Brasil. Por aqui está em pleno crescimento, especialmente depois de 2016.

Doria tem sido seu representante mais destacado, mas o neoliberalismo está preparando novas estruturas políticas e novos personagens. Nestas eleições, segundo reportagem do Sindicato dos Bancários que alertava para o fato já em 2016, ele ensaia seu próprio partido. Trata-se do Partido Novo. Quem são os financiadores:

“Os financiadores do novo partido – João Dionísio Amoêdo (ex-dono do BBA e ex-diretor do Itaú): R$4,5 milhões; Jayme Garfinkel (fundador e acionista da Porto Seguro): R$250 mil; Cecília Socupira (filha do dono da 3G Caítal, do grupo Itaú): R$250 mil; Pedro Moreira Salles (Presidente do conselho do Itaú Unibanco): R$150 mil; Eduardo Mazzilli (vice-presidente do Itaú): R$100 mil; Fernão Bracher (fundador do BBA, comprado pelo Itaú): R$50 mil; Israel Vainboim (ex-presidente do Unibanco): R$25 mil e Fábio Barbosa Ex-presidente do Santander e presidente da Itaú Social): R$15 mil.”

João Amoêdo, candidato a presidente da república, defendeu nesta semana a aplicação do sistema de “vouchers” para toda a educação básica, da pré-escola até o ensino médio. Os vouchers são um sistema pelo qual o dinheiro público que deveria ir para a escola pública é desviado para as escolas privadas. Até Alckmin sabe que ele não deu certo: “não pensamos em (…) utilização de vouchers” disse ao Estadão recentemente. E o próprio Estadão completa, comentando a resposta de Alckmin: “pesquisas não mostram melhor desempenho dos estudantes que usam vouchers”.

Em cinismo tipicamente neoliberal, Amoêdo diz que aplicará o sistema em toda a educação básica e que as escolas públicas continuarão e sairão fortalecidas.

“As escolas públicas continuariam a existir e seriam fortalecidas, mas os pais teriam a opção de usar os recursos para colocar seus filhos em escolas particulares”, diz ele.”

Isso não tem base empírica. É apenas argumento e nada mais. O sistema de vouchers destrói a escola pública. Um estudo que acaba de ser publicado nos Estados Unidos mostra exatamente o oposto: a drenagem do dinheiro das escolas públicas leva à falência o sistema público de educação:

 “… os estudantes de escolas públicas de comunidades de três distritos escolares da Califórnia estão arcando com o custo da expansão descontrolada de escolas privadas. Em 2016-17, as escolas charter ocasionaram um déficit fiscal líquido de US$ 57,3 milhões para o Distrito Escolar Unificado de Oakland, US$ 65,9 milhões para o Distrito Escolar Unificado de San Diego e US$ 19,3 milhões para o Distrito Escolar de East Side Union do Condado de Santa Clara.” (…) “Quando um aluno deixa uma escola da comunidade e vai para uma escola charter, sua parcela de financiamento proporcional vai com ele, enquanto o distrito continua sendo responsável por muitos custos que esses fundos apoiavam. Isso intensifica a pressão fiscal para cortar serviços essenciais, como aconselhamento, bibliotecas e educação especial, e aumentar o tamanho das turmas nas escolas das comunidades.” (p. 3).

No Chile, os vouchers foram implantados na ditadura militar de Pinochet com assistência de grandes nomes do neoliberalismo. Em relação ao Chile a situação é ainda mais dramática:

Um estudo de Treviño et al de 2018 examinou 56 estudos empíricos sobre o uso de vouchers no Chile. Os resultados indicam que as “famílias [de classe média] não escolhem as escolas, mas são as escolas que escolhem as famílias e estudantes. Os pais podem escolher apenas onde entregar um pedido de matrícula; se o candidato for aceito, as famílias de classe média têm o “privilégio” de completar o valor da mensalidade para ter uma escola de maior demanda” (p. 4).

Em relação aos estudantes mais pobres, “a competição os relegou a escolas de baixo desempenho e altamente segregadas.” Para escapar a esta situação os pais destas crianças precisam ter mais capital econômico e social. “No entanto, as famílias mais pobres que não têm esses recursos não têm outra opção senão a escola pública local – que é o padrão para aqueles que não têm como pagar nada além de seus vouchers” (p. 4-5).

Mas, além de não resolver os problemas de segregação, os vouchers adicionam problemas graves: “estudantes em condições de discriminação e exclusão generalizada; baixa confiança pública; foco em habilidades acadêmicas visíveis e uma negligência que acompanha a educação cívica; e um profundo desconforto estudantil” (p. 5).

As evidências indicam que há efeitos indesejáveis presentes nestas políticas que recomendam que elas não sejam universalizadas em redes de ensino, pois, como se constata no Chile, a implementação universal dos vouchers “não só não cumpriu seus objetivos originais, mas também provocou vários resultados prejudiciais adicionais” (p. 6).

Portanto, a única justificativa para se continuar falando desta e de outras ideias brilhantes dos neoliberais é ideológica. Interessa ao neoliberalismo colocar a escola sob controle direto dos empresários, diga-se do capital, para poder definir suas finalidades e seus objetivos atrelados aos seus interesses comerciais. É o neoliberalismo tardio chegando por estes lados.

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Capes, Consed e Undime: unidos no equívoco

Dando continuidade à equivocada estratégia do MEC de implementar a BNCC de cima para baixo, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) firmou (em maio deste ano) um Acordo de Cooperação Técnica com o Conselho Nacional de Secretários de Educação (CONSED) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME), visando à implantação dos programas que integram a Política Nacional de Formação dos Profissionais da Educação Básica.

O acordo visa, também, o aprimoramento da formação de professores em cursos de formação inicial e continuada.

O Acordo, publicado no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (6), terá vigência de dois anos, prorrogáveis por iguais e sucessivos períodos.

Não se deve desprezar o fato de que CONSED e UNDIME trabalham em articulação com a Fundação Lemann e o Movimento pela Base.

Baixe o acordo aqui.

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Livro: Políticas Neoliberais e Escola Pública

capa

Livro de José Carlos Libâneo e Raquel A. Marra da Madeira Freitas (Orgs.) analisa as políticas educacionais neoliberais na escola pública e a qualidade restrita que a educação escolar ganha com estas.

O livro pode ser encontrado aqui.

O livro apresenta uma reflexão sobre a política educacional de Goiás, um dos estados assediados pelas políticas neoliberais privatizantes, inserindo-a no contexto mais amplo das políticas internacionais. Trata-se de um esforço que deveria se repetir em cada estado, para que se pudesse além de gerar interpretações que rompam com o pensamento único que tais políticas geram, em especial pela mídia, também entender os detalhes do funcionamento destas nos vários estados e disponibilizar materiais para orientar os processos de resistência pelos nossos professores, estudantes, gestores e pais.

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Lemann lança mais um Centro, o D3E

No dia 8 passado, em São Paulo, foi realizado o sétimo seminário do Centro Lemann (localizado nos Estados Unidos e financiado pela Fundação Lemann). Durante o evento foi anunciado o lançamento de mais um “bunker” da Fundação: o D3E – uma espécie de filial da matriz por aqui.

Segundo o site da Porvir “a iniciativa busca facilitar divulgação de estudos de diferentes linhas de pensamento entre educadores, gestores públicos, membros da academia e da sociedade para qualificar o debate educacional.”

Visa ainda: “diminuir a distância entre a academia e a gestão pública e facilitar a tomada de decisões com base em evidências que transformem a educação.” Segundo o seu diretor João Cossi:

“Além dos relatórios sobre financiamento e ensino em tempo integral, o D3E ainda deve lançar dois novos estudos e promover outros encontros. Também será lançada uma rede de pesquisadores parceiros, que serão remunerados para apoiar o trabalho de organização do conhecimento que chegará até gestores públicos.”

Leia mais aqui.

Estas ideias costumam emergir com a expectativa de que seja possível colocar uma ordem nos dados da pesquisa gerada em inúmeras partes e fazer saltar a “evidência empírica” – caminho árduo. Ou surgem para sintetizar experiências de pesquisadores ou de países preferenciais, selecionados para causar impacto e abrir caminho para certas políticas – caminho fácil.

Sempre é possível e desejável reunir dados de pesquisa. Mas tem método para isso. E eles são rigorosos e trabalhosos e se situam no campo da “meta análise”. Portanto, se não for para fazer meta análise (e da boa), vai se converter em mais um arauto das ideias prontas da Fundação Lemann.

O caminho da meta análise está cheio de corpos de pesquisadores que tentaram trilhá-lo e terminaram caindo na ribanceira da metodologia. Alguns, de fato, apenas arranjaram os dados segundo ideias pré-definidas que lhes interessavam ou interessavam a seus financiadores. Vamos ver qual vai ser o destino da D3E.

Além de João Cossi, Mauricio Holanda e Tássia Cruz, o D3E tem em sua equipe David Plank, professor pesquisador da Escola de Educação da Universidade de Stanford (EUA) e codiretor do Centro Lemann. O conselho é formado por Felipe Michel, coordenador de relações institucionais e governamentais na Fundação Lemann e Martin Carnoy, também professor da escola de educação da Universidade de Stanford (EUA) e codiretor do Centro Lemann.

Em tempo: precisa ser “peer reviewed”, ou seja, ter “revisão por pares”.

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Novo livro sobre Trabalho Docente

“O livro “Trabalho Docente sob Fogo Cruzado” aborda questões de natureza política, socioeconômica e ideológica que vem incidindo direta e indiretamente sobre o trabalho docente. Assumindo uma perspectiva crítica em relação aos discursos e políticas públicas que culpabilizam o professor pelo fracasso escolar, os autores discutem temas como a autonomia docente, a reforma do Ensino Médio, a reestruturação do trabalho docente, as parcerias público-privadas, o projeto Escola “Sem Partido”, dentre outros.

Partindo de análises que tomam o trabalho docente na sua relação com a totalidade sócia-histórica no qual está inserido, os textos conformam um panorama que aponta para a perda de autonomia e para a desqualificação dos professores. Por outro lado, coloca na ordem do dia a tarefa teórico-prática e ético-política de resistência e luta em prol da educação pública e de qualidade, o que inclui a defesa da profissão docente e a afirmação do sentido político-pedagógico que este assume na sociedade de classes.

Os textos que compõem o livro foram escritos por membros do grupo de estudos “Trabalho, práxis e formação docente” vinculado ao Grupo de pesquisa THESE – Projetos Integrados de Pesquisas em Trabalho, História, Educação e Saúde (UFF-UERJ-EPSJV/Fiocruz) e por autores convidados que atuam na educação básica em instituições como Colégio Pedro II, Cap-UERJ e escolas da Rede Estadual de Ensino do Rio de Janeiro, além de professores e pesquisadores de universidades como a UFF, UNIRIO, UNB e URCA. Assina o prefácio o professor Gaudêncio Frigotto e a apresentação a professora Marise Ramos, ambos da UERJ.”

O livro “Trabalho Docente Sob Fogo Cruzado” pode ser encontrado aqui.

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STF decidirá se crianças podem ser “educadas” em casa

Uma das frentes de privatização da educação é o “homeschooling”, ou seja, a educação é feita pela família, em casa, tirando os filhos da escola ou não enviando as crianças para uma escola.

Nesta rota de privatização e conservadorismo, depois de legislar sobre a possibilidade de “homeschooling”, o passo seguinte é demandar a instituição de voucher ou de um tipo de vouchers que nos Estados Unidos é chamado de Contas de Poupança da Educação – Education Savings Accounts – ESA. Com os vouchers as famílias podem reter dinheiro na forma de isenção de imposto de renda e aplicar diretamente no pagamento da educação dos filhos, em casa.

É um processo para minar a escola pública e que produz o isolamento social da criança, privando-a de uma formação diversa. A intolerância da criança tende a crescer com o isolamento, além de torná-la refém de seus pais e das concepções que assumem.

“O STF deve julgar ‘homeschooling’ no dia 30. Advocacia Geral da União e estados dizem que a educação domiciliar priva aluno de ‘socialização’; para família, escola se tornou violenta e sem qualidade.”

Leia aqui.

Os vouchers são a forma preferida de privatização da educação dos neoliberais inspirados por F. Hayek e L. von Mises. A ideia foi apresentada por Milton Friedman (1955) e posteriormente por Chubb e Moe (1990). Para os privatistas, a instituição de vouchers permitiria aos pais a livre “escolha” da escola dos seus filhos, transferindo recursos públicos para as escolas privadas de sua escolha. Mas a ideia é tirar a educação da esfera pública transferindo-a para a privada. A proposta movimenta também toda uma gama de instituições financeiras interessadas em investimentos.

A ideia de vouchers é explicada por Friedman em um texto clássico “The role of government in education (1955):

“O governo, preferencialmente as unidades governamentais locais, daria a cada criança, através de seus pais, uma soma específica [de dinheiro] a ser usada unicamente no pagamento de sua educação geral; os pais estariam livres para gastar essa soma em uma escola de sua escolha, desde que esta atendesse a certos padrões mínimos estabelecidos pela unidade governamental apropriada. Tais escolas seriam conduzidas sob uma variedade de auspícios: por empresas privadas operadas com fins lucrativos, instituições sem fins lucrativos estabelecidas por doações privadas, entidades religiosas e algumas até mesmo por unidades governamentais” (p. 14).

Friedman faz uma clara separação entre financiar a educação e gerir a educação. O papel que o governo passa a ter é, principalmente, o de administrar o repasse de recursos públicos aos pais e não a gestão em si de escolas – ainda que se admita que ele até pode ter “algumas unidades”.

Mesmo a formulação inicial de Friedman, admitindo que o Estado poderia estabelecer “padrões mínimos” de funcionamento das escolas para que fossem elegíveis para receber o dinheiro dado aos pais, é hoje questionada, advogando-se que isso já seria uma interferência indevida do Estado no mercado educacional.

O que estes setores privatistas defendem, hoje, é diversificar as formas de implementar os vouchers originalmente propostos por Friedman, para impedir a fixação de tais padrões mínimos. Eles preferem créditos fiscais individuais, bolsas de crédito fiscal e Contas de Poupança da Educação (Education Savings Accounts – ESA). As ESAs permitem que as famílias reservem uma parte de seus dólares de impostos da escola pública em uma conta de poupança aprovada pelo governo – se elas deixarem a escola pública.

O movimento para livrar-se da regulação do governo e de suas escolas através das “contas de poupança da educação” prevê o uso dos recursos para a instrução das crianças em suas próprias casas (homeschooling), incentivando processos de “desescolarização” e ainda pagamento de aulas particulares, aprendizado on-line, aulas comunitárias, materiais escolares em casa, escolas particulares e até mesmo aulas de faculdades – desde que a criança não frequente uma escola pública.

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Revista Nova Escola e a Fundação Lemann

A Fundação Lemann assumiu como mantenedora as revistas Nova Escola e Gestão Escolar desde 2015. É o que se pode ler no site da própria revista:

 “A Associação Nova Escola é uma organização sem fins lucrativos. Nossa missão é transformar a Educação brasileira por meio de conteúdos e serviços de alta qualidade para professores e gestores do Brasil. A Associação foi criada em 2015 com o apoio de sua mantenedora, a Fundação Lemann. Desde então, publica as revistas e sites NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR, as maiores e mais tradicionais publicações para educadores do país. Até o nascimento da Associação, NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR eram publicadas pela Fundação Victor Civita (FVC), onde se desenvolveram durante 30 anos e conquistaram milhares de leitores e leitoras.”

Leia aqui.

Com isso a Lemann dá mais um passo na direção da criação de um poderoso cerco sobre a educação pública brasileira.

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BNCC: audiência é cancelada novamente

Além da audiência de São Paulo, agora foi a vez dos educadores de Belém, no Pará, protestarem contra a base nacional comum curricular (BNCC) do ensino médio. A audiência que ocorreria ontem, dia 10 de agosto, foi cancelada.

Leia aqui.

A ANPEd divulgou nota a respeito:

“Na manhã de hoje, dia 10 de agosto de 2018, estudantes, dirigentes de sindicatos de professores e pesquisadores, ocuparam a mesa e o auditório no qual se realizaria a Audiência Pública sobre a BNCC, proposta pelo Conselho Nacional de Educação. A manifestação teve início com a movimentação de um grande número de trabalhadores da educação e estudantes que reivindicaram entrar no espaço (um hotel no centro da cidade) e foram impedidos pela coordenação do evento com auxílio de seguranças e policiais militares.

Após muita pressão, estudantes e professores conseguiram entrar no espaço e um grupo ocupou a mesa de debates. A tônica das manifestações foi o repúdio à apresentação e tentativa de legitimação da Base Nacional Comum Curricular. A Audiência foi cancelada e em lugar, instalou-se um Ato político de repúdio à BNCC e demais políticas do atual Governo Federal.

A representação da ANPEd Norte no evento, (Profª Drª Lúcia Isabel Silva / vice-coordenadora do Programa de Pós-graduação em Educação da UFPA), usou a palavra para reafirmar os posicionamentos críticos da Associação à elaboração da BNCC, já amplamente divulgados desde o ano de 2015 em cartas e documentos públicos. Manifestamos (mais uma vez) nossa posição contrária, não apenas a esta versão da Base do Ensino Médio, mas às outras versões da BNCC para a Educação Infantil e Ensino Fundamental. A representante da ANPEd defendeu o respeito à autonomia e a liberdade dos sujeitos e grupos que fazem a educação no país e a valorização da diversidade como direitos e conquistas da população; criticou ainda, a lógica da homogeneização curricular a partir do mínimo, a metodologia de elaboração por um grupo de especialistas e, sobretudo, a direção das políticas do atual governo com cortes de recursos e adesão à lógica do mercado e das elites dirigentes que, com anuência do Governo e do MEC, passaram a ditar a agenda educacional no Brasil nos últimos anos.

Nossos cumprimentos aos estudantes e às trabalhadores da educação da Amazônia –  mostraram disposição de luta e resistência que precisa ser mantida!!!”

Diretoria da ANPEd

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Alckmin e a privatização da educação: evasiva?

O jornal Estadão está entrevistando os candidatos a presidência sobre o que pensam fazer na educação em seus eventuais governos. Indagado se considera algum tipo de privatização para a ensino público (básico ou superior, ainda que parcial), Alckmin responde: “Não pensamos em privatização nem em utilização de vouchers.”

Leia aqui.

O que significa esta resposta? Para que ela tivesse algum sentido, se deveria ter partido da própria definição do que se entende por privatização. A resposta que ele dá sugere que considera privatização somente quando se implanta vouchers. Neste caso, o objetivo é eliminar a rede pública e passar o dinheiro diretamente aos pais para que ele “escolha a escola”, usualmente privada ou terceirizada.

No entanto, existem outras formas de privatização sobre as quais ele não se manifesta. Por exemplo, é o caso da “terceirização de escolas” que para muito social-democrata não é considerada privatização, pois não há alienação ou venda da escola para terceiros. É o mesmo caso das estradas sob concessão privada cobrando pedágio. No entanto, mesmo sem haver venda, a escola passa a ser gerida pela iniciativa privada, o que caracteriza uma forma de privatização.

Como social-democrata – mais para a direita do que para social – não há nada incoerente nele defender a privatização por terceirização. De fato em São Paulo, ele ensaiou uma “parceria público-privada” com a implantação de Contratos de Impacto Social com 61 escolas, que está neste momento parado por conta da mudança do governo estadual e a reação da rede à proposta. Sem que se saiba o que ele considera “privatizar”, não se pode acreditar na resposta.

Portanto, a resposta de Alckmin é mais evasiva do que resposta. A pergunta deveria ser direta: pretende implementar parcerias público-privadas na educação, terceirização por concessão ou vouchers?

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Vouchers: versão final de estudo mostra impacto negativo

Diane Ravitch informa em seu blog o resultado final de um estudo longitudinal que foi previamente disponibilizado mostrando que os estudantes que recebiam vouchers para abandonar a escola pública e ir para uma escola privada, nos Estados Unidos, apesar de terem uma queda inicial nas notas de matemática no primeiro ano, com a passagem do tempo na escola privada, recuperavam as notas. O estudo é dos pesquisadores R. Joseph Waddington e Mark Berends e sua versão final, mostra que isso não ocorre.

Em artigo recente no Instituto Millenium, Fernando Schuler, também do INSPER e defensor dos vouchers para o Brasil, tenta explorar um efeito semelhante (a passagem do tempo na escola privada melhoraria o desempenho do aluno transferido) citando um outro estudo do CREDO (2013). Dizíamos em resposta a Schuler:

“No caso em questão, Schuler apela em sua manifestação para dados periféricos de um relatório do CREDO de 2013 no qual, através de uma curiosa medida chamada “dias de aprendizagem ganhos pelo aluno”, tenta mostrar a superioridade da proposta.

Os autores do relatório (CREDO) procuram registrar que à medida que os alunos são transferidos para o programa de vouchers e permanecem nele, melhoram (0.08) seu desempenho ao longo de quatro anos (em termos de dias de aprendizagem a mais obtido em comparação com estudantes da escola pública), a despeito de que o primeiro ano ele seja inferior (-0.08).”

Leia aqui.

Agora, a versão final do estudo de R. Joseph Waddington e Mark Berends, feito para explorar o desempenho de alunos que têm voucher para ir estudar em escolas privadas, foi publicada no Journal of Policy Analysis and Management. Abaixo segue a história e o resumo com o resultado final do estudo. Os estudantes com vouchers não recuperaram a queda no desempenho em matemática que tiveram no primeiro ano de transferência para a escola privada, não importando quanto tempo tenham passado na escola privada.

Os autores do estudo são R. Joseph Waddington e Mark Berends: “Impact of the Indiana Choice Scholarship Program: Achievement Effects for Students in Upper Elementary and Middle School”.

Aqui está o resumo do estudo final:

“Este artigo examina o impacto do Programa de Bolsas para Escolha de Indiana no aproveitamento de alunos de baixa renda do ensino fundamental e médio que usaram vouchers para se transferir de escolas públicas para privadas durante os primeiros quatro anos do programa. Analisamos dados longitudinais em nível de estudantes de escolas públicas e privadas, utilizando a mesma avaliação padronizada em todo o estado. No geral, os alunos com vouchers sofreram uma perda média de desempenho de 0,15 DPs em matemática durante o primeiro ano ao frequentar uma escola particular em comparação com os alunos pareados que permaneceram em uma escola pública. Essa perda persistiu, independentemente da extensão de tempo passado na escola particular. Em Leitura não observamos efeitos estatisticamente significativos. Embora os vouchers tenham como objetivo proporcionar maiores oportunidades educacionais para os alunos, o objetivo de melhorar o desempenho acadêmico dos estudantes de baixa renda que usam vouchers para se mudar para uma escola particular ainda não foi realizado em Indiana.”

O site Politico Morning Education conta a história:

“A versão final de um estudo de alto perfil que avalia o programa de vouchers de escolas particulares de Indiana constatou que os estudantes com vouchers tiveram uma queda nas notas de matemática e essas perdas persistiram “independentemente do tempo passado em uma escola particular”.

Leia mais aqui.

Neste sentido, a pesquisa longitudinal reafirma o que outros estudos sobre os efeitos de uso de vouchers nos Estados Unidos têm mostrado, ou seja, sua ineficácia. Há mais variáveis em jogo do que o confronto escola pública versus escola privada.

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BNCC: Lemann leva servidores do INEP a Nova York

Assim como o Common Core nos Estados Unidos (uma base comum curricular) tem seu financiador – a Fundação Bill Gates -, o Brasil tem também sua Fundação benemerente – a Lemann -, que além de apoiar o Movimento pela Base, também financia a ida de servidores do INEP para os Estados Unidos a fim de aprender com a experiência dos americanos em avaliar a BNCC deles e transferi-la ao Brasil.

O Common Core, nos Estados Unidos, algo como uma base nacional comum curricular, está em seu sexto ano. Ninguém seriamente informado por lá arrisca dizer se está funcionando e se vai funcionar algum dia, mas é tomada como modelo e injetada diretamente na veia do INEP.

Pelo Sistema Eletrônico de Informações do governo ficamos sabendo que a Fundação Lemann convidou 8 servidores do INEP para o Encontro Internacional sobre Avaliações Educacionais de Larga Escala alinhadas à base nacional comum curricular que realizou-se nos dias 5, 6 e 7 de agosto na sede do Teachers College – Universidade de Columbia – na cidade de Nova York.

O objetivo é oferecer acesso às principais referências internacionais sobre o tema: experiência americana em alinhar as avaliações dos estudantes aos currículo nacional (Common Core State Standards) e criar um sistema coerente de avaliação; medição de competências cognitivas mais complexas previstas pelos currículos; inovações no processo de elaboração de itens que compõem a avaliação.

No mesmo dia do convite, 10 de julho p. p., outra carta dirigida à direção do INEP elenca os servidores escolhidos para participar do encontro em Nova York. Nota-se que é a Lemann quem escolhe os servidores do quadro do INEP para ir a Nova York, em carta assinada pelo Gerente de Políticas Educacionais da Lemann.

A carta conclui dizendo que a Lemann será responsável pelos custos da organização do evento referentes às passagens e hospedagens dos oito servidores convidados – menos despesas de alimentação.

É dessa forma que as Fundações vão interferindo e definindo a política pública, tudo em nome das boas intenções da filantropia. Vamos admitir que a Lemann tem “boas intenções” para com a educação brasileira e só quer ajudar. Não importa. Como dizia Milton Friedman: “o poder concentrado não se torna menos perigoso pelas boas intenções dos que o criam”.

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Petição contra BNCC do Ensino Médio

Petição contra a BNCC – base nacional comum curricular – e a reforma do ensino médio atinge 31 mil assinaturas.

Clique aqui para assinar a petição.

Nós, trabalhadores e trabalhadoras em Educação, juntamente com toda a sociedade civil, SOMOS CONTRÁRIOS à Lei 13.415/2017, que dispõe sobre a Reforma do Ensino Médio, razão pela qual exigimos sua REVOGAÇÃO, e requeremos aos membros do Conselho Nacional de Educação a REJEIÇÃO da BNCC do Ensino Médio, pelos seguintes motivos:
• A Reforma do Ensino Médio, da qual a BNCC faz parte, tornou obrigatórias nas escolas de Ensino Médio apenas as disciplinas de português e matemática.
• Todas as outras disciplinas (história, geografia, sociologia, filosofia, artes, educação física, língua estrangeira, física, química e biologia) não serão mais obrigatórias.
• O currículo flexível poderá ser cumprido totalmente fora das escolas, por meio de inúmeras certificações de qualidade duvidosa e desatreladas dos princípios da formação escolar, tais como: cursos de aprendizagem oferecidos por centros ou programas ocupacionais (ex: Pronatec e Sistema S); experiência de trabalho supervisionado ou outra experiência adquirida fora do ambiente escolar (ex: trabalho voluntário); estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; cursos realizados por meio de educação a distância etc.
• A Reforma e a BNCC servem para dificultar cada vez mais o ingresso da população de baixa renda na universidade. Aos pobres, só português e matemática! Aos abastados, todas as outras disciplinas (certamente vendidas em pacotes extras) que ajudam a ingressar em uma boa universidade pública.
• Caso essa proposta de BNCC seja aprovada, as escolas terão reduzidos seus quadros de educadores/as, já que precisarão basicamente de professores/as das disciplinas de português e matemática.
• Porém, até para as disciplinas obrigatórias (português e matemática), a Reforma pretende oferecer conteúdos curriculares a distância, diminuindo a necessidade de professores/as em sala de aula.
• Além de demissões em massa, as relações de trabalho nas escolas serão precarizadas pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/17) e pela contratação de profissionais com “notório saber” na educação técnica-profissional.
• O objetivo de mercantilizar o Ensino Médio, transferindo a parte flexível do currículo e até mesmo componentes da BNCC para iniciativa privada, através da educação a distância, é exigência dos maiores apoiadores da BNCC, entre eles: Sistema S (SESC, SENAI, SENAC, SESI etc), Federação Nacional das Escolas Particulares e o Sistema Globo de Comunicações, por meio de seus Telecursos.
• A mercantilização e a privatização do Ensino Médio, fomentadas pela Reforma, caminham em sintonia com a Emenda Constitucional n. 95, a qual congela por 20 anos os investimentos públicos em políticas sociais, inclusive na educação.
• A BNCC e a Reforma do Ensino Médio fazem parte do projeto de Estado Mínimo de um governo sem legitimidade eleitoral e que é produto do Golpe.
Como gentileza nos deram 1(um) dia, isso mesmo, 1 dia para discussão, porém destinando somente um único professor para responder um questionário fechado, como tudo que eles fazem, somente x (xizinho).
Não podemos permitir que isso ocorra, que nos empurrem garganta abaixo, não podemos aceitar tal imposição, violentando com uma pseudo-legalidade, nossos direitos, os direitos de nossos filhos, a um princípio fundamental, constitucional, que é a educação.

Clique aqui para assinar a petição.

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Lula lança programa de governo

ProgrLulaCapa

O Partido dos Trabalhadores distribuiu o programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente da república nas eleições de 2018.

Baixe aqui a parte relativa à educação.

Baixe aqui o programa todo.

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Luciano Mendes: Cortes na CAPES, alguma novidade?

Luciano Mendes examina os cortes previstos para o orçamento da CAPES:

“Se os golpistas continuarem vencendo, nenhuma de nossas instituições públicas, mesmo aquelas que atendem majoritariamente os andares de cima, terão suas continuidades asseguradas. Por isso, a única forma de sustarmos minimamente a continuidade da destruição das políticas públicas, sobretudo aquelas que afetam a vida das populações mais pobres, é aumentarmos a nossa capacidade de organização e, no curto prazo, ganharmos as eleições deste ano.”

Leia aqui em Pensar a Educação em pauta.

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Marina, mais uma inimiga do magistério

Nestas eleições, muito vai se falar em valorização do magistério. A questão é de que forma se pretende fazer esta valorização. Uma das maneiras mais perversas de “valorizar” o professor e condicionar seu salário ou parte dele ao desempenho de seus alunos em testes.

A ideia de pagar por resultado fundamenta-se na tese de que o dinheiro é o principal motivador do trabalho do professor. Tem também base na concepção que considera o servidor público como uma pessoa descompromissada e preguiçosa, que só trabalharia adequadamente se seu salário dependesse de resultados. Finalmente, revela uma total ignorância das variáveis educacionais que afetam a aprendizagem, das quais 60% estão localizadas fora do ambiente da escola, dependendo das condições de vida do aluno e de suas características. Esta visão iguala o magistério a um vendedor que recebe por comissão.

O pagamento por valor agregado, como é conhecida a proposta, foi tentado nos Estados Unidos e resultou em grandes e graves problemas. Primeiro, não são todas as disciplinas que são avaliadas nos testes, pois estes se concentram em leitura e matemática.  Como se faria o pagamento do salário do professor de artes, por exemplo? Seria a partir da avaliação do professor de matemática?

Segundo, as formas de calcular o valor agregado ao salário não são confiáveis gerando situações injustas e também equívocos. Sobre isso já se pronunciou até mesmo a Associação Americana de Estatística alertando para a inconsistência do pagamento de professores por valor agregado.

Marina deu uma entrevista ao Estadão onde rejeita a privatização da educação, mas tropeça abertamente ao propor uma política salarial para o magistério a partir de dois componentes:

  1. A primeira parte seria implantada gradualmente, na proporção do crescimento do orçamento federal para educação em relação ao PIB, em conformidade com o PNE.

  2. A segunda está vinculada ao cumprimento de metas de desempenho em sala de aula, aos resultados do Exame Nacional de Docentes, à participação de cursos e formação continuada e à docência em escola integral.

Leia aqui.

A ideia é irmã gêmea do pagamento de bônus por desempenho. Sobre isso Maria Alice Setubal assim se manifestou:

“O Sistema de bônus cria competição danosa e afasta bons professores dos alunos ruins; a educação não é como o mercado, em que a concorrência pode ser saudável.”

Leia aqui.

Mas, pagamento por resultados nos testes era o que propunha também Aécio Neves do PSDB nas últimas eleições presidenciais. Bônus por desempenho é usado no Estado de São Paulo há tempos, na política do PSDB de Alckmin, sem que tenha sido eficaz.

Ao mesmo tempo, Marina também se diz favorável ao Exame Nacional Docente, cuja forma mais elaborada tramita no Congresso, agora, como ENAMEB – Exame Nacional do Magistério da Educação Básica. Ele tenderá a ser um exame de certificação também – ainda que não esteja colocado dessa forma no projeto em tramitação – e servirá para igualmente submeter a controle as agências de formação de professores.

Aprovado o ENAMEB ele também incentivará a desqualificação e aligeiramento na formação inicial do magistério, já que a autorização para exercício da profissão se dará de fato no exame de certificação, permitindo toda sorte de simplificação que conduza rapidamente a ele.

Há muito tempo Ricardo Semler, um empresário, se manifestou sobre estas ideias:

“O caminho de ouvir empresários e dar bônus aos professores em função de nota, por exemplo, demonstra como se está pensando a escola de trás para a frente.

Ora, dar gratificação ao professor para que gere boas notas em provas tacanhas, em apenas duas matérias, é o mesmo que dar comissão a corretor imobiliário para que venda aquele terreno micado, e não o mais difícil de mostrar.”

Leia aqui.

Se o programa de Marina está assim, aguardemos pelo de Alckmin, sob coordenação de Maria Helena Castro.

Leia mais sobre esta questão na tag: “pagamento por valor agregado”, neste Blog.

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Bilionários de todo o mundo, uni-vos!

Nos Estados Unidos, meia dúzia de Fundações de bilionários definem a política educacional do Departamento de Educação que, aliás, tem como secretária atualmente, uma bilionária da família DeVos.

A consigna de Marx chamando os trabalhadores a lutarem contra a opressão: “trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”, agora tem seu contraponto em um chamado de Bill Gates e Warren Buffet para que os bilionários do mundo se unam em um projeto de doações de suas fortunas chamado “Giving Pledge” ou Compromisso de Doação”.

 “Agora temos 183 compromissos em 22 países diferentes. Essas promessas estão sendo dadas a uma gama diversificada de causas, incluindo alívio da pobreza, assistência em desastres, saúde global, educação e pesquisa médica. A filantropia pode ser ousada, assumir riscos importantes e incubar novas ideias. Ele também pode se associar efetivamente ao governo para ampliar as inovações para obter o máximo impacto.”

É óbvio que bilionários não querem mudar o mundo. Por que haveriam de querê-lo? O que chamam de mudança é meramente cosmética e supõe apenas a otimização da lógica social atual. Para bilionários, os problemas sociais que temos podem ser corrigidos com mais dinheiro e caridade (com alguma pitada de tecnologia). Não são problemas gerados pela própria lógica de funcionamento de um sistema que acumula riqueza em uma ponta à custa da pobreza na outra.

Para eles, o sistema, em si, é bom e os problemas sociais devem ser minorados (pelo menos para não colocarem o sistema de acumulação em cheque, ou seja, manter o status quo) para que continue e se aprimore.

O apelo de Gates foi atendido no Brasil por Elie Horn:

“O empresário Elie Horn é aquele tipo de pessoa que, de um jeito ou de outro, vai impressionar o interlocutor. Fundador da Cyrela, a segunda maior incorporadora imobiliária brasileira, este judeu ortodoxo nascido na Síria há 73 anos é um caso singular na história empresarial do país. Horn decidiu doar 60% de sua fortuna pessoal para a filantropia. Jamais, em tempo algum, qualquer outra pessoa fez algo parecido no Brasil. Não é só. Ele é também o único brasileiro a integrar o The Giving Pledge, espécie de clube idealizado por Bill Gates para estimular bilionários a bancar projetos de forte impacto social.”

Leia a entrevista aqui.

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CNTE contra a BNCC do Ensino Médio

A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação divulga manifestação contra a base nacional curricular comum para o ensino médio. As críticas quanto à concepção política-pedagógica que orienta a base do ensino médio podem ser aplicadas, igualmente, à base nacional aprovada para o ensino fundamental.

Não adianta alterar a Base Nacional Comum Curricular: o problema é de concepção político-pedagógica e a única solução é a retirada dessa proposta de BNCC e a revogação da Lei da Reforma do Ensino Médio

Publicado em 23 Julho 2018

Nessa última semana, a grande imprensa repercutiu o interesse do governo Temer, por meio de seu Ministro da Educação, em alterar a proposta da Base Nacional Comum Curricular – BNCC do ensino médio, apresentada de forma definitiva em abril desse ano, quando passou a ser objeto de debates no Conselho Nacional de Educação (CNE) e nas audiências públicas nos Estados. A ideia do governo é dirimir as enormes resistências encontradas à proposta de BNCC, dentro até do CNE que eles recompuseram à sua maneira para, artificialmente, obter maiorias nas votações.

Acontece que, como diz o ditado conhecido por muitos, “pau que nasce torto, nunca se endireita!”. Modificações pontuais na proposta da BNCC não serão suficientes para alterar, ao fim e ao cabo, a própria concepção político-pedagógica que sustenta e motiva a BNCC. As avaliações sobre essa proposta da BNCC dão conta de que ela é apenas um instrumento para operacionalizar a própria privatização do ensino médico. A Reforma do Ensino Médio, aprovada pela Lei 13.415 ainda no ano passado, é uma legislação que fomenta a privatização dessa etapa da educação básica brasileira, que é um verdadeiro nicho para o mercado. Essa Lei cria um enorme fosso entre, de um lado, escola para ricos e classe média alta e, de outro, escolas para pobres e classe média baixa. É uma lei que institucionaliza a segregação social e, portanto, a sua BNCC cumprirá o papel de atender a esses princípios privatizantes e de exclusão social. Não adianta remendar.

A falta de clareza da proposta da BNCC apresentada é tão grande que, além de ter rachado a composição do CNE na sua avaliação, terminou por resultando no pedido de afastamento do então conselheiro presidente daquele colegiado. O governo foi tão desastroso e pouco assuntado na apresentação dessa proposta que, agora, depois do fiasco das audiências públicas pelos Estados, chegando ao ponto até do cancelamento daquela agendada a ocorrer em São Paulo, em função de fortes protestos contra a proposta, diz estar aberto para o aperfeiçoamento dessa proposta.

A CNTE já se manifesta, e não de agora, contra a Lei da Reforma do Ensino Médio e contra todas as tentativas de mercantilização e privatização da educação básica brasileira. Já nos pronunciamos em diversos fóruns contra essa proposta, inclusive no âmbito do parlamento brasileiro. Nunca nos furtamos em discutir politicamente e apresentar os argumentos técnicos de nossa posição. Não aceitaremos, agora, remendar o que não tem mais jeito. Defendemos a revogação imediata da Lei da Reforma do Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017) e pela retirada da proposta da BNCC!

A CNTE tem consciência da enorme resistência que essa proposta encontra no seio da sociedade e, em especial, no âmbito do movimento educacional e entidades científicas. Uma nova nota foi tornada pública ainda essa semana, também contrária a esse arremedo de proposta feito agora pelo governo. Junta-se, agora, à oposição a esse movimento do governo a Sociedade Brasileira de Sociologia (SBS), Associação Brasileira de Ensino de Ciências Sociais (ABECS), Associação Brasileira de Antropologia (ABA) e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (ANPOCS). Juntos e mobilizados, derrotaremos essa proposta da BNCC e a Lei da Reforma do Ensino Médio!

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New York City: na contramão da segregação

Enquanto a reforma do ensino médio no Brasil, a título de flexibilizar, aprofunda a segregação socioeconômica e racial, a Cidade de Nova York – que já foi inspiração dos reformadores empresariais americanos – tenta corrigir o impacto destas políticas. Informe do National Education Policy Center afirma que o atual prefeito resolveu apostar em outra direção:

“Os estudantes negros e hispânicos compreendem quase 70% das matrículas das escolas médias públicas (middle-school) em Nova York. No entanto, eles normalmente representam apenas 10% dos alunos da oitava série admitidos nas oito escolas especializadas da cidade, incluindo Stuyvesant e a Bronx High School of Science (high school). Essas escolas são alimentadoras de faculdades da Ivy League e de outras universidades de ponta.

As decisões de admissão são atualmente baseadas em um único exame, o Teste de Admissão nas Escolas Secundárias Especializadas (SHSAT). Mas uma recente proposta do prefeito de Nova York, Bill de Blasio, busca diversificar essas escolas especializadas, substituindo o SHSAT por um sistema baseado na classificação de sua classe na escola média e os resultados dos testes estaduais.

Para as três maiores escolas especializadas, essa reforma exigiria mudanças em uma lei estadual de 1971. Essas mudanças podem levar tempo, se ocorrerem. Então, de Blasio também propôs reservar 20% dos assentos em cada escola para estudantes de baixa renda, que estão bem abaixo da pontuação de corte do SHSAT. O prefeito estimou que, combinadas, essas mudanças aumentariam a porcentagem de estudantes negros e hispânicos para 45%.

Preocupações importantes sobre o teste e seu uso são explicadas por um resumo de pesquisa do National Education Policy Center de 2008, elaborado por Joshua Feinman, que descobriu falhas no uso do SHSAT. A análise de Feinman mostrou que milhares de estudantes admitidos com base no exame obtêm pontuações estatisticamente indistinguíveis dos resultados daqueles que não conseguem a nota de corte.”

Acesse o estudo de Feinman sobre o SHSAT: Feinman, J. (2008). High stakes, but low validity? A case study of standardized tests and admissions into New York City specialized high schools. Boulder, CO: National Education Policy Center.

Acesse também o estudo de Corcoran: Corcoran, S. & Baker-Smith, C. (2018). Application, admission, and matriculation to New York City’s specialized high schools. Education Finance and Policy, 13(2).

Leia mais aqui.

Veja também aqui.

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CNTE convoca para a luta no Dia D da BNCC

A Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação distribuiu nota convocando educadores, gestores e estudantes para a luta no Dia D da BNCC do ensino médio, promovido pelo Consed/MEC no próximo dia 2 de agosto:

LogoCNTE“Devido à convocação do Ministério da Educação (MEC) e do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) para o “Dia D” de debate nas escolas sobre a Base Nacional Comum Curricular do Ensino Médio, previsto para 2 de agosto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) orienta as afiliadas a promoverem intenso calendário de mobilização e denúncia para discutir com os/as trabalhadores/as as reais consequências das medidas propostas pelo governo antidemocrático.

Além do livro BNCC e Reforma do Ensino Médio, produzido pela entidade e lançado em maio de 2018, a instituição elaborou texto de subsídio voltado ao tema, caso o sindicato local opte por convocar paralisação nessa data. Também disponibilizou carta escolar para que cada escola do país registre a indignação com as mudanças no currículo. O instrumento também pede a revogação da Lei 13.415 e a rejeição das alterações indicadas. Está previsto, ainda, o envio de panfleto acerca do assunto voltado aos educadores e a população em geral.

A luta, neste momento, é decisiva para desmascarar a intenção do MEC de viabilizar mais um golpe midiático.”

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Vitória em MG: piso é incorporado à Constituição

Em 17 de julho passado a Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais havia aprovado a PEC 49/18 que insere o piso salarial dos educadores da educação básica na Constituição Estadual. Como se trata de emenda na Constituição do Estado, tinha que passar por segunda votação.

Alguns deputados da Assembleia Legislativa de Minas Gerais tentaram modificar a PEC do Piso dos educadores aprovada em primeiro turno, com um substitutivo de última hora que a descaracterizava. Mas por 68 votos a favor, ontem o projeto original foi aprovado em segundo turno com uma grande vitória dos educadores de Minas e Sind-UTE/MG.

Leia mais aqui.

Segundo o site de notícias da Assembleia Legislativa de Minas:

Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 49/18, que prevê o pagamento do piso nacional da educação aos servidores estaduais da área, foi aprovada em 2° turno no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Na manhã desta quarta-feira (25/7/18), a matéria foi aprovada na forma do vencido (texto aprovado com alterações em 1º turno) com a emenda nº 1, apresentada em 2º turno pela Comissão Especial que analisou a proposta.

A votação aconteceu com as galerias da Casa Legislativa cheias. Profissionais da educação estavam presentes e pressionaram pela aprovação da PEC. Assim, os 68 votos dos presentes foram favoráveis e, após a votação, parlamentares da situação e da oposição fizeram declaração de voto e parabenizaram os trabalhadores da educação.

De autoria do deputado Rogério Correia (PT) e de outros 72 deputados, a proposição determina que o vencimento inicial das carreiras dos profissionais de magistério da educação básica não será inferior ao valor integral vigente.

Os valores devidos aos servidores estaduais da área deverão ser atualizados anualmente de acordo com as atualizações do piso salarial profissional nacional do magistério público da educação básica, previsto no inciso VIII do caput do artigo 206 da Constituição da República.

O piso será pago a servidores com jornada de 24 horas semanais, já que a emenda aprovada altera o termo “horas-aula” do texto do vencido por “horas”, sem prejuízo de revisão geral ou outros reajustes. A norma valerá para as seguintes carreiras:

  • Professor de Educação Básica (PEB);
  • Especialista em Educação Básica (EEB);
  • Analista de Educação Básica (AEB);
  • Assistente Técnico de Educação Básica (ATB);
  • Técnico da Educação (TDE);
  • Analista Educacional (ANE);
  • Assistente de Educação (ASE);
  • e Auxiliar de Serviços de Educação Básica (ASB)

No fim da manhã, ainda durante a Reunião Extraordinária, o parecer de redação final da PEC foi aprovado. Conforme prevê o Regimento Interno da ALMG, a proposta deve ser promulgada pela Mesa da Assembleia no prazo de cinco dias úteis, contados da aprovação em redação final da PEC.”

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Dia D da BNCC do Ensino Médio

A BNCC do ensino fundamental, como demonstrado por Fernando Cassio, foi vítima da participação por meio de um formulário “on line” em sua elaboração. Também houve o dia D da BNCC do ensino fundamental. O método vai ser reproduzido na BNCC do médio, agora liderado pelo Consed para socorrer o MEC que recebeu críticas por não ter discutido com as redes a BNCC do ensino médio.

Como bem aponta uma leitora:

“O campo do formulário não deixa brecha para discutir os pontos favoráveis ou desfavoráveis da reforma. O que está sendo proposto aos professores é analisar se as habilidades indicadas são claras ou pertinentes. Sendo assim, não existe discussão ou análise da proposta de reforma do EM, somente imposição e prejuízo para os estudantes e professores.”

Tal como na época do primeiro dia D realizado em 6 de março desde ano, disponibilizamos novamente o documento com as 12 razões para não ser coadjuvante nessa aventura.

Baixe aqui as 12 razões.

A atual BNCC do ensino médio tem pelo menos três problemas: o primeiro é a sua forma de elaboração, o segundo sua vinculação a uma política educacional baseada em testes, e o terceiro é que ela implementa a Lei da reforma do Ensino Médio já aprovada, uma lei que aprofunda a segregação dos nossos jovens. As questões de fundo já estão definidas e não estão abertas a discussão.

Segundo a Agência Brasil, no dia 2 de agosto próximo haverá outro Dia D para discutir a base em 28 mil escolas públicas e privadas de todo o país. Ela é destinada a receber sugestões e melhoria para o documento que está sob análise no CNE – Conselho Nacional de Educação. Material de apoio está disponibilizado no portal do Consed. Novamente a “participação” é “on line”.

Segundo o site do Consed:

“O Dia D será promovido nas próprias escolas. Cada uma delas deverá reunir o corpo docente do Ensino Médio para a realização de cinco atividades. A principal delas é o preenchimento do formulário de avaliação da BNCC. Nesse momento, de acordo com a atividade proposta, os professores serão divididos por áreas de conhecimento, para analisar as competências e habilidades da sua área.”

A iniciativa é apoiada pelo “Ministério da Educação, o Conselho Nacional de Educação, o Fórum dos Conselhos Estaduais de Educação, a Federação Nacional das Escolas Particulares, a Associação Nacional das Escolas de Educação Católica, o Sistema S e o Movimento Pela Base.”

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