Servidores do INEP alertam para cortes

A ASSINEP, Associação dos Servidores do INEP, divulgou Nota Pública sobre os riscos de cortes no orçamento daquele órgão e que inviabilizariam sua atividade.

Baixe aqui a Nota do INEP.

Os servidores do INEP vêm a público alertar a sociedade brasileira sobre as consequências nefastas dos cortes orçamentários nas áreas sociais, em decorrência da Emenda Constitucional nº 95/2016, que congela por 20 anos o gasto público nos valores de 2016. Como se discutiu à época, isso significaria restrições aos programas das áreas sociais, incluindo a Educação. Pois bem, os cortes ao MEC chegaram!

Se não bastasse isso, o governo indicou a necessidade de um corte adicional de 25% no orçamento, tornando ainda mais crítica a realização das atividades do Inep. Neste último caso, existe a alternativa para reverter a situação, já que foi aprovada uma emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias estabelecendo que o orçamento do MEC para 2019 não pode ser menor que aquele aprovado em 2018, eliminando assim o corte programado dos 25% das despesas. Mas, esta emenda pode ser vetada pelo Presidente da República.

Como, pelo limite do teto, o orçamento de 2019 não pode ultrapassar o valor de 2018, algumas atividades do Inep não poderão ser realizadas. Um exemplo das decisões que terão que ser tomadas caso essa situação perdure é a escolha entre realizar em 2019 o Saeb, avaliação que acontece desde 1993 a cada dois anos ou a realização do Enem. Se deixar de realizar a primeira, não será possível o cálculo do Ideb, importante instrumento para acompanhar a evolução da qualidade educacional e base para execução de diversas políticas educacionais; se deixar de realizar a segunda, centenas de milhares de jovens não terão acesso à universidade.

De toda forma, caso não seja possível aumentar o orçamento para 2019 e o corte decorrente do veto à emenda que garante para 2019 o mesmo valor para o orçamento de 2018, o Inep perderá cerca de R$800 milhões. Isso, não é demais frisar, paralisaria as atividades do Inep e os serviços que o instituto presta à população, obrigando o Instituto a fazer escolhas, qualquer uma delas danosas para os programas educacionais.

Num cenário de cortes à educação, tanto pela proibição de investimento pela EC 95, quanto pelo corte de 25% dos já poucos recursos aprovados para 2018, , se houvesse uma decisão de preservar o orçamento do Inep, recursos teriam que ser retirados de outros órgão do MEC, seja das Universidades que já enfrentam uma grave crise orçamentária, ou retirando recursos para as transferências voluntárias da União para estados e municípios. Qualquer destas duas alternativas é catastrófica!

Assim, os servidores do Inep decidiram em assembleia na manhã de 20 de julho, em decisão unânime, lutar:

  • Contra cortes orçamentários das áreas sociais;

  • Contra o dispositivo constitucional que limita o teto dos gastos (Emenda constitucional 95/2016);

  • Contra o veto do Presidente à emenda à LDO que estabelece que não deva haver corte no orçamento do MEC para 2019;

  • Pela ampliação do orçamento do Inep para 2019 de forma a permitir a realização de todas as atividades previstas.

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Filantropia política “sem fins lucrativos”

Uma nova crise nos meios universitários americanos expõe o real interesse de corporações e milionários ao efetuarem suas doações. Mostra como atuam através de  Fundações e “organizações sem fins lucrativos” que são máquinas de interesses políticos de doadores que não aparecem na cena, mas que de fato controlam as atividades e finalidades de tais organizações e de suas financiadas – o chamado “dark money”.

“Dark Money” diz respeito a fundos que são doados por milionários a organizações sem fins lucrativos para que exerçam algum tipo de influência em atividades que interessam aos doadores, sem que eles e/ou seus objetivos apareçam como doadores de fato destas organizações. Os doadores ou os termos da doação permanecem ocultos e tais organizações podem receber uma quantidade sem limite deste tipo de dinheiro.

Sem fins lucrativos (declarados), mas com muita finalidade política, Peter Greene as definiu como “máquinas de lavagem de dinheiro”.

O caso mais recente e emblemático acontece agora com a Fundação dos milionários irmãos Koch. As críticas dizem respeito à transparência das doações, bem como aos termos específicos das doações que poderiam levar a uma influência indevida dos doadores em questões acadêmicas, envolvendo pesquisa e até o currículo das instituições, passando pela própria seleção de professores.

É sabido que os Koch, como são conhecidos, financiam pela sua Fundação a agenda da nova direita americana. São mais de mil pessoas financiadas na área do ensino superior nos Estados Unidos. Mas isso é apenas parte da filantropia dos Koch que, segundo Castells, envolve até o MBL no Brasil.

Para uma visão da atuação destas organizações no Brasil leia aqui.

Segundo o blog Inside Higher Ed “um acordo já extinto de 2008 entre Koch e a Florida State University, por exemplo, deu à fundação um papel na revisão de candidatos a docentes.” O blog também remete para outra denúncia feita por Angel Cabrera, da George Mason University:

“Angel Cabrera, presidente da universidade desde 2012, compartilhou a notícia com os membros do corpo docente em um e-mail dizendo: “Fui informado de vários acordos que foram aceitos pela universidade entre 2003 e 2011 e levantam questões sobre a influência de doadores em questões acadêmicas”. “

Leia aqui também.

Inside Higher Ed informa que, sob crítica, a “Fundação Charles Koch planeja tornar públicos seus futuros acordos plurianuais com universidades. A mudança vem depois de anos de críticas de membros do corpo docente e estudantes que afirmam que as concessões de Koch em alguns campi se desviaram das normas acadêmicas.” Mas as mudanças anunciadas pela Fundação não acalmaram as críticas, pois elas não vão atingir os acordos já realizados no passado, exatamente o foco das denúncias.

A influência dos Koch e de outros nas universidades, levou à criação de uma organização que trabalha para libertar as universidades da influência das grandes corporações chamada “UnKoch my campus”:

“A influência corrosiva do “dark money” minou as instituições democráticas dos Estados Unidos, mas não apenas em nosso sistema político. A educação, em particular o ensino superior, serve como o motor da investigação crítica e fundamento da nossa democracia. É onde os cidadãos são expostos a ideias e, por sua vez, é responsável por moldar a opinião pública, o discurso político e a política.

Os mesmos ricos doadores e corporações que têm poluído nosso sistema político por mudanças políticas egoístas voltaram seus olhos para as universidades em busca de mudanças políticas e culturais de longo prazo. Ninguém mais exemplifica esse tipo de filantropo político do que Charles Koch, CEO da Koch Industries.”

O debate passa pelo financiamento das instituições universitárias e deveria ser levado em conta no Brasil, onde o governo tem restringido o seu financiamento. Como aponta o Blog Inside Higher Ed, citando Eric Austin:

“Como muitos outros professores nos últimos anos, Austin também expressou uma preocupação mais geral sobre a ameaça crescente para a academia de um financiador privado ideologicamente orientado, juntamente com um financiamento público dramaticamente reduzido. “Essas duas tendências em conjunto – são realmente problemáticas”.

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Educação Infantil:  a “boca torta” do TPE

Dizem que os cachimbos entortam a boca de quem os usa por muito tempo. Nada mais adequado para ilustrar a posição de Priscila Cruz, em recente post: Avaliação na Educação Infantil: criança aprende muito, mas aprende bem?  Priscila Cruz é fundadora e presidente-executiva do movimento Todos Pela Educação (TPE).

Seu post refere-se às mudanças no agora chamado Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), que incluiu a avaliação da educação infantil e reuniu todas as avaliações do ensino fundamental e do médio sob uma mesma rubrica, SAEB, aplicadas no 2º, 5º, 9º do ensino fundamental e 3º do ensino médio. Com isso, desaparecem as denominações Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA) e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc), mais conhecida como Prova Brasil. No caso da ANA, ela foi antecipada do 3º para o 2º ano, criando pressões sobre a educação infantil em função de uma suposta “idade certa” para se alfabetizar.

Na avaliação feita no 9º ano, final do fundamental, incluiu-se também Ciências da Natureza e Ciências Humanas, mas só nesta avaliação, em consonância com o destino que se quer dar ao ensino médio, ou seja, abrir espaço para a profissionalização precoce do estudante de baixa renda e criar um caminho para os de maior poder aquisitivo para as universidades – a título de flexibilização do ensino médio. Por isso, a avaliação no final do ensino médio prevê focar somente Língua Portuguesa e Matemática (como as avaliações do ensino fundamental no 2º e 5º anos). Mas note, ciências naturais e humanas, incluídas apenas no 9º ano, não contarão no cálculo do IDEB que continuará focado em Língua Portuguesa e Matemática.

A propósito da inclusão de uma avaliação da educação infantil no SAEB, indaga a autora, “a proposta é positiva?”

“Sim, mas é preciso lembrar que estamos falando de um público muito especial e, portanto, é preciso ficar claro o que pode e o que não pode ser essa avaliação. Não pode: ser de seleção, aprovação/reprovação de alunos. Pode: ser um instrumento de acompanhamento do desenvolvimento individual de cada aluno e monitoramento da Educação Infantil”.

Então, segundo a autora, a avaliação da educação infantil pode ser destinada a 1) acompanhar o desenvolvimento individual de cada aluno; e 2) monitorar a Educação Infantil. São dois objetivos distintos, pois, monitorar a educação infantil é mais amplo e leva a avaliação para o campo das condições de oferta. No entanto, acompanhar o desenvolvimento individual de cada aluno, remete ao efeito das condições sobre a aprendizagem de cada um, revelando a real intenção, avaliar individual o aluno – com ou sem exames formais.

Ao admitir que a avaliação pode ser um “acompanhamento do desenvolvimento individual de cada aluno” (grifos meus), está admitida a avaliação (externa) com vistas a determinar a proficiência de cada aluno, nos termos dos supostos “direitos de aprendizagem” fixados na Base Nacional Comum Curricular para esta faixa etária.

A autora informa “que não pode ser um exame”, pois “trata-se de criar um espaço em que a criança possa criar, brincar, inventar, experimentar, sentir, relacionar-se e, no meio de tudo isso, aprender.” (Grifos meus.) Aprender o quê? Aquilo que está definido na Base Nacional Comum Curricular. O fato de não ter o “formato” de um exame, não implica em que não haja avaliação da criança, pois somente assim se pode ter um “acompanhamento do desenvolvimento individual de cada aluno” como quer a autora. E como no segundo ano do ensino fundamental temos avaliação de língua portuguesa e matemática, as pressões para este tipo de avaliação individualizada vão penetrar na educação infantil de forma inadequada, gerando primeiro a adoção de “check-lists” de competências e habilidades, bem como simulados informais, e posteriormente pressionando para que se tenha, sim, exames formais nacionais neste nível de ensino.

Por ora, sobre o aluno não haverá o peso de um exame. A proposta vem embalada em uma avaliação da escola e sua infraestrutura, ou seja, uma avaliação de condições de oferta, mas o post da autora revela sua eventual destinação: vem dentro de uma “filosofia” que prega o acompanhamento “externo” daquilo que a autora admite ser o escopo da avaliação, ou seja, um “acompanhamento do desenvolvimento individual de cada aluno”.

É compreensível que as escolas sejam avaliadas em termos das condições de oferta – embora as escolas particulares, como sempre, estejam fora do circuito das avaliações nacionais – mas qual a finalidade de uma avaliação para “acompanhamento individual de cada aluno”, quando isso já é feito regularmente pelo professor em sua sala de aula e por métodos muito mais adequados? Só pode ser uma: impor desde fora um controle sobre a escola e seus professores, em função da Base Nacional Comum Curricular – um instrumento de padronização nacional que tolhe a autonomia docente, através de avaliações.

E não é outra a razão pela qual, no Brasil, as nossas avaliações de larga escala nacionais são censitárias, cobrindo todas as escolas e seus estudantes, quando poderiam ser simplesmente amostrais.

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Diretrizes da Formação: CNE concede mais 1 ano

“O Conselho Pleno do Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, em 9 de maio de 2015, o Parecer CNE/CP nº 2/2015, que fundamentou a Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015, que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a formação inicial em nível superior (cursos de licenciatura, cursos de formação pedagógica para graduados e cursos de segunda licenciatura) e para a formação continuada.

No “Capítulo VIII – Das Disposições Transitórias”, artigo 22 da referida Resolução, estabeleceu-se que os cursos de formação de professores que se encontram em funcionamento deverão se adaptar a esta Resolução no prazo de 2 (dois) anos, a contar da data de sua publicação.

Em 9/5/2017, o Conselho Nacional de Educação recebeu documento conjunto da Secretaria de Educação Superior (SESu) e da Secretaria de Educação Básica (SEB), do Ministério da Educação (MEC), apresentando proposta de alteração do prazo previsto no artigo 22 da referida Resolução.

Manifestações no mesmo sentido foram encaminhadas ao Conselho Nacional de Educação pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), pela Associação Brasileira das Universidades Comunitárias de Educação Superior (Abruc), pela Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) e pelo Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular (Fórum), todas apresentando documentos e propondo ampliação do prazo em comento. Importante ressaltar que, nesses documentos, o teor geral da referida Resolução não foi questionado.”

A matéria foi relatada por Cesar Callegari e Malvina Tuttman os quais foram contrários à prorrogação solicitada. Mas, o conselheiro Antonio Carbonari Netto solicitou vistas ao processo e discordou dos relatores, defendendo a concessão de mais prazo. Em votação, o Conselho Nacional de Educação decidiu por atender a solicitação de ampliação de prazo e concedeu mais um ano.

Leia Parecer CNE 7/2018 aqui.

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Livro: Nenhum Lucro Deixado para Trás

Remo Bastos tem sua tese de doutorado editada como livro.

 Acesse aqui.

“A crítica encetada neste livro é expressa, desde logo, no próprio título, onde o autor utiliza ácida ironia em referência ao programa educativo No Child Left Behind, instituído, nos Estados Unidos, por George W. Bush em 2001. Se em tradução livre, o programa chamou-se “Nenhuma criança deixada para trás”, a análise de Remo Bastos condu-lo a verter o sentido das transformações ocorridas no sistema educacional estadunidense para “Nenhum lucro deixado para trás”. O título é por demais oportuno pela cabida ironia que encerra e porque lança luzes, já de início, sobre um dos objetivos do estudo: deslindar as consequências da captura da educação pública básica pela macroestrutura de poder político-econômico global, comandada pelos imensos conglomerados empresariais oligopolistas, pelos organismos internacionais e pelos Estados Nacionais.

CapaRemoOra, numa economia mundializada em que as 500 maiores empresas transnacionais têm faturamento correspondente a cerca de 35 a 40% do PIB mundial; em face da tessitura de intrincadas redes de influência dessas megacorporações sobre empresas de menor porte, sobre agências governamentais e sobre os próprios governos nacionais, não é de menor importância tratar do poder desses oligopólios na determinação das tendências do “livre” mercado, das políticas estatais e na definição do modo de vida em escala planetária.

Abordando os casos dos Estados Unidos e do Brasil, o autor mostra como os sistemas educacionais públicos básicos, contemporaneamente, são apropriados pelas mencionadas corporações e refuncionalizados para a acumulação privada de capital – transformação qualitativa que requer a intrusão, nessa esfera social, da lógica corporativa, do gerencialismo empresarial e de formas de regulação amplamente controladas pelas corporações, configurando uma tendência mundial que, todavia, se realiza de formas particulares em cada nação.

Na direção oposta, a autor explora as vitoriosas experiências educacionais da Finlândia e de Cuba, as quais evidenciam a plausibilidade da construção, em qualquer formação social, de um sistema educacional minimamente justo e eficaz, demonstrando, portanto, que a questão é política, e não necessária e unicamente econômica.”

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BNCC vai ser “aprimorada”: nada a comemorar

As bases nacionais comuns que estão sendo aprovadas no Brasil têm a função de permitir o aumento do controle sobre as redes públicas naquilo que ensinam e como ensinam. Quem faz esta sintonia fina são os processos de avaliação associados a elas, bem como a indústria do material didático.

Nada a comemorar no anúncio do MEC sobre eventuais mudanças na BNCC do ensino médio. Nossa base é outra e a reforma do ensino médio deve ser revogada.

Nas críticas que apareceram recentemente à base do ensino médio (e do fundamental) a questão da avaliação nem é tocada. Somente poderia haver uma relativa democratização das bases se elas fossem seguida de avaliações amostrais e não censitárias, como é no Brasil. Mas os interlocutores do MEC não são os profissionais da educação e sim os movimentos financiados pelos empresários: Todos pela Educação e Movimento pela Base.

O fato é que as bases propostas pelo MEC e pelo CNE não são adequadas e as mudanças que o MEC agora ensaia podem até piorar a situação, já que se pretende dar maior explicitação às competências e habilidades na BNCC do médio, como já se fez com a do fundamental.

“Dá para aprofundar competências e habilidades específicas dos itinerários formativos, desde que não traga engessamento ao trabalho das redes”, afirmou Rossieli. “Entendemos agora, ouvindo a sociedade, que devemos aprofundar isso, e faremos.”

Nada a comemorar.

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USA: educação ainda é vista como bem público

No país das mil e uma estratégias para privatizar a educação pública, uma pesquisa surpreende e mostra que os americanos, apesar deste massacre, ainda acreditam que a educação pública fornecida pelas universidades é um “bem público”.

A informação é do blog Inside High Education que afirma:

“A maior parte da discussão política sobre o ensino superior nos dias de hoje se concentra nos ganhos que os indivíduos têm e não nas contribuições que as faculdades e universidades dão à sociedade em geral. Assim, não seria surpreendente descobrir que muitos americanos não atribuiriam grande importância aos argumentos da educação como “bem público”, sobre os quais se baseava grande parte da justificativa do financiamento governamental para o ensino superior.

Mas um novo estudo constata que a maioria dos americanos continua a apoiar o financiamento governamental para o ensino superior e reconhece que as faculdades e universidades desempenham muitos papéis além de ajudá-la (ou aos seus filhos) conseguir um bom emprego ou outro ganho pessoal.”

O estudo realizado por pesquisadores da Teachers College da Universidade de Columbia, chama-se Americans’ Views of Higher Education as a Public and Private Good.

Leia mais aqui.

Acesse o estudo aqui.

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Tese sobre a Nova Direita no Brasil

Tese de doutorado sobre a Nova Direita no Brasil (2016) defendida por Flávio Henrique C. Casimiro, no Departamento de História da Universidade Federal Fluminense aborda o desenvolvimento desta vertente entre 1980 e 2014.

Acesse aqui.

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Público X privado: mais ilações da Folha…

Matéria no site da Folha de São Paulo de ontem – 9-07-18 – mostra a dificuldade que é produzir informações jornalísticas adequadas (do ponto de vista técnico) sobre educação. Ela faz parte de um conjunto de tentativas de mostrar que as escolas públicas são piores que as privadas, sem incluir na análise as reais causas desta diferenciação de desempenho. Isso contribui para que as teses da privatização do público se fortaleçam.

O caso em questão tem como título: “Matemática agrava abismo entre escolas públicas e privadas no ENEM”. Os dados usados são novamente do famigerado ENEM. Sim, pasme, o mesmo que gerou recentemente toda a polêmica com um estudo do IPEA (não coincidentemente publicado também pela Folha) que chegou à conclusão, infundada, de que a introdução da obrigatoriedade de filosofia e sociologia no ensino médio havia derrubado as médias de matemática.

Naquela oportunidade, vários estudos alertaram para as fragilidades das bases de dados do ENEM. Desta forma, nenhum jornal medianamente bem informado pode alegar desconhecimento sobre as limitações do ENEM. Até o próprio governo as admite e parou de fazer alarde com os dados, terceirizando para os jornais esta tarefa e com isso se protegendo. Portanto, não se pode alegar ignorância das fragilidades do ENEM ao se produzir matérias sobre ele na grande mídia.

Mas para demonstrar boa preparação para elaborar matérias educacionais, não basta o autor reconhecer as fragilidades do ENEM e depois apresentar as conclusões sem levar em conta tais limitações, sugerindo mais do que os dados podem expressar, ou montando títulos e manchetes para as matérias de forma a influenciar previamente a opinião dos leitores.

No caso específico, a matéria já diz a que veio em seu título: mostrar a superioridade das escolas privadas sobre as públicas. Uma falsa superioridade, pois sabemos que as metas do IDEB não estão sendo atingidas também pelas escolas privadas.

A matéria começa introduzindo uma conclusão em seu título e na sua parte privilegiada, ou seja, logo no início, diz:

“A matemática é a disciplina que mais agrava o abismo entre as escolas estaduais e privadas no país. Os resultados do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) de 2017 mostram desempenho inferior das redes estaduais em todas as áreas avaliadas na prova, mas em matemática essa distância é de até 67%.”

Leia aqui.

Aqui, neste início, já se “fisga” o leitor para a conclusão que se quer passar. A comparação, indevida, está feita com base nas médias das escolas públicas “versus” médias das escolas privadas, uma das formas de comparação de resultados mais primárias e frágeis.

Além disso, sabemos que o ENEM é um exame voluntário e que os estudantes que participam do exame nem sempre são representativos do conjunto de uma escola. Mas fazemos de conta que não importa. Sabemos também que média mais alta não é sinônimo de boa educação, mas fingimos que é.

Na matéria, os próprios autores apontam um limite fundamental para este tipo de análise, mas não o incluem de fato na conclusão a que chegam. Dizem:

“Essa diferença entre escolas estaduais e privadas esconde diferenças do perfil socioeconômico dos alunos. Escolas com alunos de nível mais elevado têm mais facilidade para alcançar maiores resultados.”

Feita esta breve ressalva técnica, a matéria logo em seguida se encarrega ela mesma de cancelar a interferência do nível sócio-econômico na diferença de médias, apresentando casos de escola com baixo nível sócio-econômico que tiveram “sucesso”. Para tal, irá citar uma escola do interior do Piauí, em Cocal dos Alves. A mensagem é que se uma pode, as outras também poderiam, o que descaracteriza o impacto do nível sócio-econômico.

Como dissemos em 2016, a propósito do IDEB do ensino médio, em outra investida da Folha contra as escolas públicas:

“Não faz sentido nenhum, portanto, a insistência da Folha (inclusive em edital recente) tentando mostrar que as escolas privadas são melhores do que as públicas, sem considerar os fatores que favorecem o aumento da média das escolas privadas. Por isso elas têm metas diferentes: a meta da escola privada é 6,3 e a meta da escola pública (estadual) é 4. Enquanto a escola privada está a 1 ponto de sua meta, a escola pública está a 0,5 ponto da dela. A escola pública está fazendo sua lição de casa melhor do que as privadas.”

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Como se vê no gráfico, enquanto as escolas públicas aumentam, as privadas caíram nos últimos anos.

Veja-se, no gráfico abaixo, que os resultados gerais do SAEB mostram que a matemática vem caindo no ensino médio, mas desde 2003 o ensino fundamental nos anos iniciais e anos finais vêm melhorando seu desempenho. Esta onda de melhoria não atingiu o ensino médio devido a uma série de fatores que não estão ligados ao fato da escola ser pública ou privada (como mostra o gráfico anterior).

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E para concluir a reportagem,  a Folha inclui um “gran finale”: a reforma do ensino médio salvadora da pátria. Depois de sugerir que a interdisciplinariedade é o caminho, a matéria encerra com a reforma do ensino médio de Temer – não sem mencionar, de passagem, a resistência de Callegari à reforma.

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Tambelli: igualdade de oportunidades ou de condições?

Alexandre Tambelli escreve para Viomundo diferenciando o que é igualdade de oportunidades e o que é igualdade de condições.

“Li no texto do Márcio Pochmann o termo igualdade de oportunidades e creio ser um equívoco a esquerda associar este termo a algo positivo no todo da sociedade, o correto é a igualdade de condições. Igualdade de oportunidades é discurso conservador e neoliberal. Fica como registro de que podemos utilizar o termo mais apropriado para nós. Fiz um texto neste sentido de diferenciar igualdade de oportunidades e igualdade de condições e qual delas representa a verdadeira meritocracia, coloco aqui.”

Leia aqui.

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Proposta de pagamento de bônus avança no Congresso

A agência Senado informa que a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o projeto 294/2014 que institui bônus para professores de escolas públicas com desempenho acima da média nas avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Com isso, pretende-se jogar pelo ralo, em uma proposta falida, cerca de 1 bilhão de reais por ano. Cada professor pode receber até mil reais de bônus salarial. A proposta segue agora para a Comissão de Educação.

Como divulgamos frequentemente por este blog, estudos demonstram a ineficácia deste procedimento como forma de valorizar o professor. Foi assim na Cidade de Nova York onde o bônus foi suspenso. É assim também no Estado de São Paulo onde é utilizado há muito tempo sem que tenha reflexo algum sobre a melhoria da qualidade de ensino.

Segundo a Agência Senado:

“O texto, um substitutivo do senador Cristovam Buarque (PPS-DF) ao PLS 294/2014, também garante prioridade no acesso ao aperfeiçoamento profissional continuado aos docentes de escolas com baixo desempenho no Inep. Para o senador, ambas as medidas promovem a valorização do professor e, consequentemente, da educação.

— Creio que é um modo barato de incentivar os professores, sem criar uma disputa entre eles, o que é muito criticado por sindicatos. Haverá ainda algo interessante: os professores vão se fiscalizar, se incentivar, pois, se um não for eficiente na melhoria da performance da escola, os outros perdem também. Haverá um incentivo coletivo aos professores da instituição — explicou Cristovam.”

Eis aí a visão “educacional” do Senador: colocar professores para vigiar professores, destruindo as relações de colaboração que são fundamentais para uma escola funcionar.

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Cerco ao serviço público

A bancada do PT na câmara dos deputados divulgou nota denunciando o cerco estabelecido pelo governo sobre o serviço público. Como é sabido, uma das formas de induzir privatização é retirar condições de funcionamento de maneira a derrubar a qualidade das instituições públicas.

“A Bancada do Partido dos Trabalhadores na Câmara manifesta profunda preocupação e contrariedade com o relatório apresentado ao projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2019, o qual delimita as diretrizes que devem ser seguidas para a elaboração do Orçamento do próximo ano.

O relatório apresentado por senador do PSDB proíbe reajustes para os servidores públicos, elimina a possibilidade de criação de novos cargos para a administração pública, restringe nomeações necessárias ao bom funcionamento das instituições e impõe mais limitações à manutenção das instituições públicas da área de educação.”

Leia íntegra aqui.

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A democracia da “nova” direita

O general Eduardo Villas Bôas afirmou que se as forças armadas tiverem que intervir “será para fazer cumprir a Constituição, manter a democracia e proteger as instituições“. Nenhuma novidade se pensarmos que na ditadura militar de 1964 foi o que se disse para justificar o golpe. Em 2016, nem se precisou de militares, pois se descobriu um modo mais fácil: o “lawfare” (uso ilícito de recursos jurídicos para eliminar inimigos políticos).

A questão é: o que é democracia? Quando a democracia está ameaçada? Ameaça de quem e para quem? Não temos só um tipo de democracia. Temos a democracia dos capitalistas, e a democracia dos trabalhadores. Para os capitalistas, a democracia dos trabalhadores é autoritária, corporativista, populista e conduzida por partidos e sindicatos que impõem, pela força de representarem a maioria, uma ditadura contra a minoria que, por mérito, acumulou propriedades. Mesmo em suas formas mais simples, considera ser injusto ter que pagar mais impostos para financiar programas de distribuição de renda.

Para a democracia dos trabalhadores, a democracia dos capitalistas atende a uma elite que explora o povo pagando salários irrisórios e promove a desigualdade social, utilizando-se do Estado “democrático” para institucionalizar sua violência. São concepções antagônicas que dão base a diferentes filosofias sociais. Lula tentou fazer estes dois mundos conversarem, mas fracassou. Não há interesse, pelo menos neste momento, em um entendimento. O capital sente-se extremamente forte para rejeitar composições.

O cenário político nacional está em ebulição. Os partidos que deram sustentação à primeira onda neoliberal (PSDB e DEM, antes PFL), estão sofrendo com o rescaldo do “lawfare” de 2016, com as mudanças na agenda dos empresários nacionais, acuados pelo avanço das cadeias de produção internacionais, e com a emergência de uma “nova” direita.

O PSDB, um partido social-democrata em sua origem, teve que se converter em um partido de direita para se diferenciar do PT, que tomou o seu lugar. O DEM, de direita, é inexpressivo e só apareceu um pouco mais recentemente devido a seu apoio ao golpe em 2016. Ameaçou até lançar candidato à presidência, mas recuou. Sempre fez parceria com o PSDB. No entanto, com o PSDB “endireitando”, ficou difícil diferenciar-se dele. Neste momento não sabe se apoia Alckmin ou Ciro Gomes (validado por Cid Gomes perante a direita).

Todos estes partidos foram atropelados pelos acontecimentos e estão sendo obrigados a rever suas teses pelo avanço da “nova direita” – uma agenda radical que cresce motivada pelas contradições de desenvolvimento do sistema capitalista internacional. João Doria é o seu representante, seguido de empresários outsiders, como ele, mas menos preparados ainda. PSDB e DEM estão tentando absorver o crescimento da “nova” direita, atualizando sua teses, na expectativa de se tornarem críveis perante o “mercado”.

Doria ameaçou mudar para o DEM, mais à direita, mas acabou permanecendo no PSDB por conveniência. O DEM é muito inexpressivo para seus propósitos. Fernando Henrique Cardoso tenta costurar as teses do PSDB com a nova direita, e ao mesmo tempo chamar para seu partido apoio de partidos do centro. Em artigo recente, não por acaso denominado “Sejamos radicais”, após elencar ações a serem feitas, escreve:

“Que os governos se unam à iniciativa privada se for necessário e lhe cedam o passo quando for mais racional para assegurar o atendimento às necessidades do povo.”

Ele propõe um Polo Popular e Progressista que deveria respeitar a dinâmica dos mercados, já que vivemos em um sistema capitalista, e pretende, também, que se tenha a consciência de que isso não é suficiente para atender a toda a população. É o mesmo problema que tem Ciro Gomes ao criar uma proposta híbrida, para chamar apoio mais amplo.

Mas um programa deste tipo não agrada à nova direita, de olho nas contradições que crescem e atingem seu faturamento e estabilidade. Doria, em apenas um ano que esteve como prefeito da cidade de São Paulo, mostrou que não compartilha deste caminho. Se continua no PSDB é por mera conveniência e muito provavelmente o PSDB sabe disso. O partido tenta emplacar Alckmin como candidato a presidência, que era o primeiro da fila e chegou ao partido antes de Doria. Mas mantém Doria como um possível candidato a presidência, mesmo que oficialmente este esteja concorrendo ao governo do Estado de São Paulo e não à presidência. Há quem defenda Doria no lugar de Alckmin dentro do próprio PSDB. O DEM adoraria. O cenário eleitoral ainda não está definido. A nova direita atende aos interesses do 1% mais rico, o “mercado”, e exige apoio aberto às suas teses – muitas impopulares. Alckmin não é o candidato preferido do mercado. É Doria o seu candidato.

Mas, voltando ao início deste post, as forças armadas, nas teses da “nova direita” brasileira emergente, são o braço armado do “mercado”. Seu conceito de democracia é o da democracia capitalista, sob controle do “mercado”, segundo ela baseado na visão do “liberalismo clássico”, do “livre mercado”. Logo, sempre que a democracia [do capital] esteja ameaçada, ela considera que é legítima a intervenção das forças armadas – principalmente se o “lawfare” falhar.

Para os liberais clássicos, não haveria nenhum tipo de liberdade, se não houvesse, antes, liberdade econômica, leia-se: livre concorrência em um ambiente de livre mercado pleno. Com esta justificativa, legitima-se uma intervenção militar (ou um “lawfare”) sempre que a liberdade econômica, ou seja, o próprio capital,  estiver cerceado – digamos pelo “planejamento econômico estatal” – pois, sem liberdade econômica, não há possibilidade de desenvolvimento das outras formas de liberdade social, vale dizer, não há possibilidade de que haja “democracia” [de tipo capitalista]. Isso, em si, não é novo. Novo, por aqui, é a retomada desta versão do liberalismo clássico de forma aberta e radical.

A tese do “livre mercado” exige um estado mínimo e não “misto” como propõe Fernando Henrique no artigo citado acima, recomendando que o Estado se associe, se necessário, à iniciativa privada para realizar as necessidades do povo. Mas esta não é a proposta da “nova direita” e, sim, da terceira via, que defende uma economia mista. A direita radical acha que isso é a deturpação do “livre mercado”, é deturpação do “liberalismo”, causada pela social-democracia, e precisa ser corrigida por um retorno às teses do liberalismo clássico.

Portanto, quando os generais afirmam que as forças armadas só intervirão para manter a democracia, eles não estão dizendo nada [ou muito]. Tudo depende de como se defina democracia. Pelas teses da “nova direita”, competiria às forças armadas garantir o “livre mercado” – tido por ela como a fonte de todas as liberdades e da própria democracia. Neste sentido, deveríamos levar a sério pedidos de intervenção militar, por mais que nos pareçam impossíveis. O “lawfare” também parecia impossível no Brasil, quando ocorreu no Paraguai. O futuro pode depender da situação econômica e de como ela atingirá o conceito de “livre mercado”.

Este recrudescimento da direita atual não é meramente ocasional, mas reflete as dificuldades que o próprio sistema capitalista [além da matriz, os Estados Unidos] vem tendo para manter as bases do processo de acumulação de riquezas e, neste sentido, é imposto por esta realidade econômica internacional, ciente de que tal realidade exigirá medidas que elevarão a tensão e o conflito de classes, para que sejam mantidos os patamares de acumulação.

Neste quadro, o controle político do Estado e de suas instituições ganha nova cor, juntamente com as reformas em andamento no país. No caso da educação, caracteriza e aprofunda o seu duplo papel: ideológico (controle político do aparato escolar via privatização, bases nacionais comuns curriculares e movimento “escola sem partido”, este último, um braço político da “nova” direita na escola) e técnico (alinhamento da escola com as necessidades dos novos processos produtivos, coordenado pela OCDE, visando a inserção das cadeias produtivas nacionais na lógica das cadeias internacionais). Como adverte Fernando Henrique, nada se conseguirá sem que a educação seja o centro das atenções governamentais e populares. A escola, como nunca, é um terreno em disputa.

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Comissão da BNCC tem novo presidente

Eduardo Deschamps, atual presidente do Conselho Nacional de Educação, agora é também o novo presidente da Comissão Bicameral da BNCC onde tramita a BNCC do ensino médio. Cesar Callegari pediu demissão por divergências com os encaminhamentos da atual proposta de base comum para o ensino médio.

“As divergências sobre a reforma do Ensino Médio e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) chegaram ao Conselho Nacional de Educação (CNE). E esse movimento ocasionou na última segunda-feira (2/7) a renúncia de César Callegari do cargo de presidente da Comissão Bicameral da BNCC no CNE. Em uma carta de cinco páginas, o conselheiro elencou os motivos de sua saída e suas críticas às duas maiores políticas educacionais que mais têm dividido os educadores. O novo responsável por liderar as discussões da Base dentro do CNE é Eduardo Deschamps, indicado pelos conselheiros e eleito com maioria dos votos.”

Leia aqui reportagem em Nova Escola.

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Callegari: MEC produz fake news da BNCC

Em entrevista a Leandro Silva, veiculada no portal do Centro do Professorado Paulista, Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação, volta à carga contra a lei do ensino médio e sua base nacional comum curricular em trâmite no Conselho Nacional de Educação. Há alguns dias ele divulgou carta de demissão da presidência da Comissão que trata da aprovação da BNCC do médio, naquele órgão.

“Um mês depois do cancelamento da audiência pública da BNCC do Ensino Médio na Região Sudeste, por causa de intenso protesto de professores e estudantes em São Paulo, Callegari falou sobre o documento e fez severas críticas ao governo. A mais dura delas é que o MEC produz fake News – fenômeno de propagação de notícias falsas – sobre as mudanças na educação brasileira, especialmente no Ensino Médio.”

Leia íntegra da entrevista aqui.

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PPPs, OSs e o que vem por aí… (atualização)

Estamos presos entre duas forças privatistas que trarão novos problemas para a educação – não bastassem os que já temos. Com a entrada do mercado na área da educação (seja pelas mãos dos privatistas clássicos que defendem a educação nas mãos da iniciativa privada, fora do Estado; seja pelas mãos dos privatistas de terceira via que defendem uma economia mista, pública/privada) teremos modalidades variadas de oferta educacional com o envolvimento de Organizações Sociais e Parcerias Público-Privadas. Elas já estão presentes no âmbito da área da saúde e avançam na área da educação, entre outras. Por esta curta experiência já podemos ver o que vem por aí.

Reportagem da Folha de São Paulo mostra que as atuais PPPs firmadas são verdadeiras bombas-relógio: “entre 53 estados e municípios que firmaram Parcerias Público-Privadas, 42 não têm projeção desse gasto sobre o orçamento futuro”.

Leia aqui.

Outra reportagem da Rede Brasil Atual, sobre a CPI que apura irregularidades em Organizações Sociais do Estado de São Paulo, aponta o problema da remuneração dos dirigentes de Organizações Sociais.

“… o deputado estadual Carlos Neder (PT) considera imprescindível saber a remuneração dos dirigentes e se está sendo usada verba pública para este pagamento. “Nas várias reuniões que fizemos esse assunto apareceu. Alguns dirigentes disseram que não poderiam nos dizer quanto estavam recebendo. Já a dirigente da Casa de Saúde Santa Marcelina admitiu que recebia entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. Ou não há um procedimento geral em todas as organizações ou há um acordo entre elas para não divulgar esse tipo de dado”, afirmou.

Leia aqui.

Atualização:

A CPI também tem outras linhas de investigação:

“A Comissão Parlamentar de Inquérito que mira Organizações Sociais de Saúde na Assembleia Legislativa de São Paulo identificou 22 médicos do Estado que também são donos de empresas que prestam serviços para entidades responsáveis pela gestão de hospitais públicos de São Paulo em contratos milionários.”

Leia aqui também.

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BNCC: Callegari deixa presidência de Comissão

Cesar Callegari, membro do Conselho Nacional de Educação e presidente da Comissão Bicameral deste Conselho que analisa a Base Nacional Comum Curricular para o ensino médio, divulga carta em que explica as razões pelas quais deixa a presidência da Comissão.

Leia íntegra aqui.

“Como se pode constatar no documento preparado pelo MEC, com exceção de língua portuguesa e matemática (que são importantes, mas não as únicas), na sua BNCC desaparece a menção às demais disciplinas cujos conteúdos passam a ficar diluídos no que se chama de áreas do conhecimento. Sem que fique minimamente claro o que deve ser garantido nessas áreas.”

***

“O atual governo diz que o “novo ensino médio” já teria sido aprovado pela maioria dos jovens. Não é verdade. Nenhuma mudança chegou às escolas e talvez para a maioria elas nunca cheguem. Alardeia a oferta de um leque de opções para serem escolhidas pelos estudantes, mas na sua BNCC não indica absolutamente nada sobre o que esses “itinerários formativos” devem assegurar.”

***

“A nova Lei abre o ensino médio para que ele seja oferecido a distância. Nesse simulacro de educação, pacotes EAD poderão substituir professores e dispensar laboratórios e bibliotecas. Pior: poderão desintegrar o território de encontros, afetos e descobertas coletivas constituído pela escola, seus estudantes e seus profissionais. Isso é muito grave! Não será isolado atrás de uma tela de computador que o jovem brasileiro vai desenvolver valores como liberdade, solidariedade, respeito à diversidade, trabalho colaborativo, o apreço à democracia à justiça e à paz. Na escola se aprende muitas coisas que não estão nos livros: estão nas relações presencias entre os estudantes e deles com seus professores e a comunidade.

As novas tecnologias estão aí, mas elas devem ser utilizadas a favor da escola e não em substituição a ela. A escola precisa ser protegida e valorizada, não ameaçada. Na minha visão, a não ser em casos excepcionais já regulamentados, a participação da modalidade a distância na oferta do ensino médio não deve ser admitida, como, aliás, já orientam as atuais Diretrizes Curriculares Nacionais para essa etapa.

Destaco esses problemas para não discorrer sobre outros, como, por exemplo, o dispositivo da Lei que permite que recursos públicos da escola pública passem a ser compartilhados por instituições privadas; ou a possibilidade de que profissionais práticos com notório saber e não licenciados possam ministrar aulas na educação básica.”

***

“No que concerne à Lei nº 13405 [reforma do ensino médio] propriamente dita, penso que ela deva ser revogada. E, a partir disso, em novas bases sociais, políticas e administrativas advindas das eleições de outubro, iniciar um amplo debate nacional com participação ativa deste CNE.

Quanto à proposta de BNCC elaborada pelo MEC, proponho que ela seja rejeitada e devolvida à origem. Seus problemas são insanáveis no âmbito do CNE. Ela precisa ser refeita.

Quanto aos trabalhos do CNE e, particularmente, os da Comissão Bicameral da BNCC, proponho uma imediata revisão da estratégia de estudos e debates, com a suspensão do ciclo de audiências públicas e a organização de uma ampla agenda de diálogos em profundidade com os diferentes setores da educação nacional. Mais do que nunca, o CNE deve assumir seu papel de Órgão de Estado, guardião dos interesses educacionais da Nação e protetor da Educação contra os males das descontinuidades e dos oportunismos.”

***

“Ao defender essas posições e essas propostas perante o nosso colegiado e perante a sociedade, entendo não ser mais adequada a minha permanência à frente da Comissão Bicameral da BNCC. A presidência de um colegiado exige um esforço de imparcialidade que já não posso oferecer.”

Leia a íntegra aqui.

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Brasil e USA apostam no desmonte dos sindicatos

Mais um golpe na resistência. A “nova” direita odeia organização sindical. Considera-a corporativista. Esquece-se de que a categoria dos empresários é super-corporativista e atua através de lobbies junto ao Congresso e outros órgãos decisórios, influenciando a elaboração e interpretação de leis. Para ela, há uma luta desigual entre “homens de bem”, os empresários, que tudo o que desejam é apenas dar mais emprego para os outros, e os “sindicatos corporativistas” que desejam destruir a atividade econômica e controlar o Estado para atender a seus interesses populistas.

A “nova” direita fará de tudo para dificultar a atuação dos sindicatos. Já vimos isso com Thatcher na Inglaterra nos anos 80. Acha que quando as maiorias se organizam para proteger seus direitos, isso é um desrespeito com as minorias ricas, o tal 1% que constitui o “deus mercado”. Para estas minorias, os trabalhadores organizados representam um perigo, pois como são maioria, podem influenciar o Congresso a tomar atitudes que penalizem as elites e influenciem o Congresso a proteger direitos dos trabalhadores. O 1% só aceita a democracia se for para ela atuar em seu próprio favor. Portanto, tudo que puder fazer para desorganizar a atividade sindical, será feito.

Entre estas medidas, a que está na agenda internacional é retirar a base financeira dos sindicatos de forma que não tenham recursos financeiros para defender os direitos dos trabalhadores. É isso que está ocorrendo agora nos Estados Unidos – com a decisão da Suprema Corte americana referendando que os trabalhadores cobertos por contratos sindicais do setor público não são obrigados a pagar taxas aos sindicatos.

“Por um voto (5 a 4), a Corte anulou as leis de 23 estados e do Distrito de Colúmbia que obrigavam aqueles que são cobertos por contratos sindicais do setor público a pagar taxas. Essas taxas cobrem o custo de negociar e fazer cumprir os contratos de trabalho. Ao fazê-lo, o Supremo Tribunal revogou decisão de 40 anos de um tribunal anterior que afirmava o direito dos sindicatos de receber o pagamento de todos os que eles representam.”

“É claro que esta foi uma decisão politicamente motivada, destinada a reduzir o poder e a voz dos sindicatos do setor público – incluindo todos os sindicatos que representam professores, enfermeiros, cuidadores, assistentes de instrução e administradores em escolas públicas”.

“Os sindicatos dão voz aos professores para defender mais financiamento para as escolas e melhores condições de trabalho. Isso proporciona grande benefício para os alunos.”

Leia aqui.

E é isso também que está acontecendo no Brasil agora, com o Supremo Tribunal Federal validando o não pagamento de taxas aos sindicatos, previsto na nova lei trabalhista.

Leia aqui.

Como se vê o Brasil está atualizadíssimo na colocação em prática da agenda da “nova” direita. Os sindicatos dos profissionais da educação certamente serão atingidos, em suas lutas, por estas medidas.

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Estudo da Rand detona salário variável no magistério

Ooops…foi mal. Estudo da Rand mostra que associar salário do professor a rendimento do aluno em testes, não produz “ensino eficaz”.

A Rand já havia detonado, em outro estudo, o pagamento de bônus para o magistério na cidade de Nova York. Desta vez, o estudo tem a ver com pagamento do magistério por valor agregado.

Em 2009 a Fundação de Bill Gates teve uma nova ideia para melhorar a educação americana e chamou seu novo programa de “Parceria Intensiva para o Ensino Eficaz”. Três distritos escolares participaram da iniciativa, apoiados em quatro organizações administradoras de escolas charters.

O programa exigia das escolas que os professores se comprometessem com o desenvolvimento dos estudantes e suas práticas fossem avaliadas através de observação estruturada. A observação era usada para identificar as debilidades dos professores e superá-las através de desenvolvimento profissional associado a elas. Além disso, era usada para efeito de estabelecer compensações salariais para incentivar a permanência dos professores mais eficazes.

Para Matt Barnum, do Chalkbeat:

“Os maus professores eram o problema; bons professores eram a solução. Foi uma simplificação binária, mas a ideia e a pesquisa que ela desenhou estimulou mudanças de políticas em todo o país, incluindo uma série de leis estabelecendo novos sistemas de avaliação projetados para recompensar os melhores professores e ajudar a eliminar os de baixo desempenho.”

Leia aqui.

Esta política foi apoiada pelo governo Obama e influenciou a aplicação do chamado pagamento por valor agregado, quando o professor tem um salário base que é complementado a partir dos resultados dos testes a que seus alunos são submetidos. Na esteira do fracasso da lei de responsabilidade educacional No Child Left Behind, Obama condicionou o “perdão” aos Estados que não cumpriram a lei à aceitação desta política.

Agora, um estudo de seis anos da Rand mostra que os resultados esperados não foram atingidos, apesar de terem sido gastos 575 milhões de dólares com ela.

Baixe o estudo aqui.

Diane Ravitch, que combateu esta política, escreve em seu blog, a propósito do novo estudo da Rand:

“Lembram-se da emoção de usar os resultados dos testes para medir a eficácia do professor? Lembram-se de Raj Chetty, que esperava ganhar um Prêmio Nobel por sua pesquisa sobre a eficiência do professor ligada a resultados dos testes? Lembram-se do debate acalorado sobre se um único professor poderia produzir ganhos enormes de longa duração. Lembram-se quando os reformadores afirmaram com segurança que sabiam como identificar os melhores e os piores professores (pela ascensão ou queda das notas dos estudantes)? Lembram-se das previsões estridentes de que as escolas se livrariam de todos os “maus” professores e logo teriam apenas “ótimos” professores. Os arquitetos da Race to the Top de Obama ficaram tão impressionados com essas afirmações que exigiram que os estados mudassem suas leis para exigir esse método de avaliação dos professores. A maioria dessas leis ainda está em vigor. Um novo estudo da Rand mostra que esta iniciativa falhou.”

Leia aqui.

Diane pergunta: “A Fundação Gates alguma vez aprende ou apenas quebra pratos e segue em frente?”

Esta mesma pergunta pode ser feita também ao “pop star” da econometria educacional americana Eric Hanushek. Como aponta Diane Ravitch em uma discussão com Hanushek:

“Quando Rick [Hanushek] diz que “a pesquisa mostra” que a remoção dos [professores] de “5-10 por cento [de desempenho] inferiores” geraria resultados [positivos] dramáticos, ele está se referindo aos seus próprios cálculos (grifos meus LCF), não a qualquer programa real que já tenha sido tentado.”

O estudo da Rand confirma. Mas, lá como aqui, a reforma empresarial não se impressiona com evidências. Para os reformadores, é tudo uma questão de fé nas teses do liberalismo.

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BNCC: avaliação nacional vai ser realinhada

O Ministro da Educação divulgou que haverá mudanças na organização do Sistema de Avaliação da Educação, informa a Agência Brasil. O anúncio também confirma o “alinhamento” entre a Base Nacional Comum Curricular e as provas atualmente existentes, as quais serão reformuladas.

“A educação infantil será avaliada pela primeira vez no ano que vem pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Atualmente, as avaliações nacionais são aplicadas apenas a partir do ensino fundamental. Ao contrário das outras etapas, as crianças das creches e pré-escolas não terão que fazer nenhuma prova. A avaliação será por meio de questionários aplicados a professores, dirigentes e equipe escolar.

Serão avaliadas por exemplo questões de infraestrutura e formação dos professores. As escolas serão bem ou mal avaliadas se ofertarem as condições necessárias para o desenvolvimento das crianças. Entram no cálculo, entre outras questões, a oferta de brinquedos. O anúncio foi feito hoje (28), pelo ministro da Educação, Rossieli Soares.”

“Além da avaliação da educação infantil, o Inep vai reformular o sistema de avaliação de toda a educação básica. Os diversos nomes das provas: Prova Brasil, Avaliação Nacional da Alfabetização (ANA), entre outras, deixarão de existir e todas as avaliações são identificadas como etapas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Ao todo, o sistema terá seis etapas de avaliação: creche, pré-escola, 2º ano do ensino fundamental, 5º ano do ensino fundamental, 9º ano do ensino fundamental e 3º ano do ensino médio.”

Leia outras mudanças aqui.

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O que é educação como um “bem” público?

O National Education Policy Center revisou o relatório do Cato Institute, uma instituição conservadora americana, que parte da definição da educação como um “bem público”, mas na ótica conceitual do mercado, para justificar sua privatização. O trabalho mostra a importância de conceituarmos muitos dos termos que temos usado e que estão sendo apropriados pelo liberalismo radical.

BOULDER, CO (26 de Junho, 2018) – Um relatório recente do Cato Institute, inicia com a bem conhecida convicção de Horace Mann: as escolas públicas são a base de uma sociedade democrática – um bem público que deve estar disponível para todos. Ele termina, no entanto, com uma proposta de retirada de financiamento das escolas públicas e a introdução de um programa nacional de conta de poupança escolar (voucher).

A professora Doris A. Santoro, do Bowdoin College, revisou o trabalho do Cato Institute: “Is Public Schooling a Public Good? An Analysis of Schooling Externalities”, e considera que ele combina de forma inadequada definições cívicas e econômicas do que seja bem público.

Embora o relatório comece com a visão de Mann sobre o papel das escolas públicas na construção de uma sociedade melhor, em seguida, ele enganosamente desloca a análise para o valor econômico das escolas públicas como um “bem” baseado no mercado, como aço ou milho. O relatório se baseia em uma falsa equivalência das definições cívicas e econômicas de bem público, para promover sua proposta de voucher.

Embora haja uma extensa pesquisa sobre os propósitos educacionais da escolarização, a revisão limitada da literatura, por parte do relatório da Cato, consistentemente deturpa o significado, o escopo e as implicações dessa literatura. O resultado é um retrato das escolas públicas como “agentes prejudiciais” para o que parece ser um experimento motivado ideologicamente.

Mesmo para aqueles que podem ser a favor dos vouchers, conclui Santoro, o desequilíbrio do relatório, a lógica falha e a base de pesquisa limitada tornam o relatório inútil para formuladores de políticas.

Baixe aqui a revisão de Doris A. Santoro para a NEPC.

Baixe aqui o relatório original do Cato Institute: Is Public Schooling a Public Good? An Analysis of Schooling Externalities, escrito por Corey A. DeAngelis.

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Arthur Virgílio: “Mike, go home”!

Em tempos de copa do mundo é possível que tenha passado em branco a reação do prefeito da cidade de Manaus à passagem do vice-presidente americano Mike Pence por aquela cidade, a título de conhecer a situação dos refugiados americanos. De fato, a visita tinha o objetivo de maximizar a questão humanitária da Venezuela e montar um cerco regional àquele país – a verdadeira motivação da viagem de Mike à América Latina.

O governo Temer não tem espinha dorsal para reagir a isso, mas Arthur Virgílio Neto (PSDB) mostrou que tem. E curiosamente, foi mais longe que a própria esquerda a qual fez de conta que não soube da visita.

Virgílio Neto irritou-se com as condições de segurança que costumam ser impostas por setores de segurança americanos que acompanham tais visitas: estar duas horas antes da chegada de Mike no aeroporto e além disso não poder estar acompanhado pela sua esposa, exatamente a presidenta do Fundo Manaus Solidário. Mas a questão não é só essa, pois o posicionamento do prefeito de Manaus foi também político.

A reação de Virgílio Neto foi forte e como exigia a situação: “não aceito a intervenção militar [na Venezuela] nem por brincadeira. Por favor, volte para sua casa”. Sobre a questão dos refugiados, Virgílio afirmou que não tem nada a aprender com os Estados Unidos, especialmente com o tratamento que eles dão a refugiados…

Após o Golpe de 2016 os americanos sentem-se em casa no Brasil e se dão ao luxo de vir ao país confabular uma intervenção na Venezuela, como nos velhos tempos.

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O PNE não é nossa praia…

Desde sua aprovação em 2014 defendemos que o Plano Nacional de Educação – PNE – é um documento (lei) do Congresso e não dos movimentos e entidades da educação. Se já era assim antes do golpe, depois deste ficou mais evidente a necessidade de abandonar este barco.

A razão é que os pontos progressistas que ele contém podem muito bem continuar a ser defendidos a partir de outros documentos mais genuinamente ligados aos movimentos e entidades educacionais: as Conferências Nacionais de Educação de 2010 e 2014. Onde coincidirem com o PNE, continuarão a ser apoiados independentemente do PNE.

O argumento legalista de que o PNE é uma lei e, portanto, temos que defendê-lo por isso, não convence. Se isso fosse motivo, teríamos que apoiar a lei que definiu o teto de gastos para o Estado, e no entanto, continuamos sendo contra, mesmo depois que foi aprovada pelo Congresso. Há outros exemplos.

O Plano Nacional de Educação atual contém muitos aspectos que não deveriam ser defendidos por nós. Vamos a um exemplo. Na meta 7, pode-se ler a estratégia abaixo:

“7.2: Assegurar que:

  1. a) no quinto ano de vigência deste PNE, pelos menos 70% dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível suficiente de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu ano de estudo, e 50% pelo menos, o nível desejável.

  2. b) no último de vigência deste PNE, todos os estudantes do ensino fundamental e do ensino médio tenham alcançado nível suficiente de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de seu ano de estudos, e 80%, pelo menos, o nível desejável.”

Este é um dos resquícios introduzido no PNE pelos amantes da falida lei de responsabilidade educacional americana No Child Left Behind que nos Estados Unidos estabeleceu, à época de sua promulgação por Bush em 2002, que todas as escolas americanas deveriam ter todos os seus alunos “proficientes” em leitura e matemática no ano de 2014.

A lei foi um rotundo fracasso e em 2015 foi substituída por outra que aboliu a exigência. O presidente dos Estados Unidos, Obama, passou o ano todo de 2014 tendo que dar “perdão” aos estados americanos por não terem conseguido atingir tal meta. No entanto, a lei foi muito eficaz para incentivar a privatização das escolas americanas, pois colocava para estas, um objetivo inatingível – tal como faz o nosso PNE na estratégia 7.2.

Essa estratégia não está no nosso PNE só para enfeite. No último Relatório de monitoramento do PNE (2018) o INEP coloca atenção sobre este aspecto. Na página 150 do relatório há uma observação que é importante levar a sério, por suas implicações danosas para a educação brasileira. Diz o relatório:

“Nesse contexto, vale notar a consecução da Estratégia 7.1 da Meta 7, com a promulgação da Base Nacional Comum Curricular, e ressaltar a necessidade premente de se definir o nível “suficiente” de aprendizado em relação aos direitos e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de cada ano de estudo, conforme preconiza a Estratégia 7.2. Apenas assim será possível efetivamente monitorar o aprendizado dos alunos da educação básica e garantir a todos o direito à aprendizagem.”

A questão é que, ao usar o termo “nível de aprendizado suficiente”, o PNE criou um conceito fora das escalas de proficiência normalmente usadas (ou seja: abaixo do básico, básico, proficiente, avançado) e isso exige que se chegue a uma definição: o que significa nível “suficiente”? É o nível “básico”, ou o “proficiente” das escalas? Ou ambos?

Esta é uma “necessidade premente” do INEP, pois sem esta definição a meta não pode ser adequadamente cobrada.

Os resultados desta exigência já são conhecidos se olharmos para a realidade americana: mais privatização.

Leia também aqui.

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BNCC: manifestação das estaduais paulistas

Coordenadores, professores e estudantes de cursos de licenciatura da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho (UNESP) e da Universidade de São Paulo (USP), reunidos no Fórum dos Cursos de Formação de Professores das Universidades Públicas Estaduais Paulistas, em reunião realizada na UNICAMP no dia 17 de maio de 2018 para discutir a proposta de Base Nacional Comum Curricular (BNCC) para o Ensino Médio, apresentada pelo Ministério da Educação (MEC), e suas implicações para a formação de professores e o desenvolvimento da educação brasileira, divulgam manifestação.

Leia aqui.

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Ravitch: lições sobre privatização da educação

Recentemente a Rede para a Educação Pública e a Fundação Schott para a Educação Pública, nos Estados Unidos, publicaram um relatório sobre o nível de privatização existente em cada Estado americano. Isso permite acompanhar qual a extensão da privatização da educação naquele país. O relatório será regularmente atualizado.

Link para o sumário executivo.

Link para o relatório completo.

Eis aí uma boa ideia para se realizar no Brasil, a partir de uma de nossas entidades nacionais ou de nossas universidades. Diane Ravitch explica o que aprenderam:

“Atualmente, 9% dos estudantes americanos frequentam escolas particulares e religiosas; 6% frequentam escolas charter; e 85% frequentam escolas públicas.

O público não percebe que cada dólar gasto em uma charter ou em vouchers é um dólar subtraído das escolas públicas. Nenhum estado adicionou dinheiro extra para pagar charters ou vouchers. Eles simplesmente tiram dinheiro das escolas públicas, que é frequentada pela maioria dos alunos.

Charters e vouchers são um substituto para o financiamento integral de nossas escolas públicas.

Como vimos na dramática onda de greves dos professores, na primavera passada, nossas escolas públicas, que educam 85% de todos os alunos, estão sendo sistematicamente subfinanciadas.”

Leia mais aqui.

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ADUSP divulga estudo da McKinsey para a USP

Relatório da McKinsey, que custou R$ 5 milhões, propõe à USP “foco em unidades-chave”, expandir oferta de cursos pagos e cobrar por “dormitórios estudantis”. A Associação dos Docentes da USP teve acesso ao documento após decisão do juiz Luis Fernando Camargo de Barros Vidal, da 4ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça (TJ-SP), que mandou a Reitoria divulgar o termo de encerramento dos instrumentos contratuais firmados com a Comunitas e a McKinsey, depois que a USP recorreu ao tribunal contra busca e apreensão de documentos determinada pela 3a Vara da Fazenda Pública.

Leia informativo aqui.

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A batalha pela sobrevivência das escolas públicas

Não basta brigar para alocar mais recursos públicos para a educação básica. Esta tese tem perna curta. É preciso que estes recursos sejam reservados à educação pública, entendida esta como aquela que é composta por escolas públicas de gestão pública e democrática. A iniciativa privada não cumpre estes requisitos. Sem este adendo, o financiamento que deveria chegar às redes públicas de ensino, será desviado para a iniciativa privada.

A direita defende o acesso do privado a recursos públicos e a esquerda acabou comprando a ideia do privatismo de terceira via e não recoloca a pauta. Mas esta é uma questão de sobrevivência da educação como um bem público. Os “ongueiros” de esquerda precisam entender a nova realidade.

Escolas de redes públicas terceirizadas ou escolas privadas financiadas com o repasse de dinheiro diretamente dado aos pais para que eles escolham colocar seus filhos em escolas privadas, usando dinheiro público, não têm o status de escolas públicas.

Esta batalha está em curso no Chile e nos Estados Unidos (ver abaixo), e mais cedo ou mais tarde chegará até nós com o crescimento das teses da nova direita, ávida em exterminar a educação pública estatal e lançá-la ao controle da iniciativa privada.

A tese desta vertente é que as escolas atuais inseridas na livre concorrência através de processos de privatização, pelas mãos do “deus mercado”, melhoram sua qualidade e as escolas públicas se extinguem, dando lugar à consolidação de um parque de escolas privadas, de qualidade para todos. Como a crença é que o Estado deve ficar fora de todos os espaços que podem ser ocupados pela iniciativa privada, sempre eficaz na opinião destes, as escolas administradas pelo Estado desapareceriam por seleção natural – ou permaneceriam apenas operando com aquelas parcelas da população que não interessam à iniciativa privada, em um primeiro momento.

Esta é uma das vertentes de privatização da educação pública que deveremos enfrentar, oriunda das teses da nova direita radical em alta no Brasil. Mas não é a única. Há outras, derivadas das teses da “terceira via” privatista, mais moderada mas igualmente perigosa, representada aqui pela reforma do estado proposta por Bresser Pereira e que têm ancoragem até mesmo na esquerda. São formas disfarçadas de privatização que envolvem, por exemplo, a transferência por “concessão da escola” à iniciativa privada e a organizações sociais (a chamada “publicização”).

No entanto, todas estas formas de privatização (umas mais disfarçadas, outras menos) conduzem a uma só: à eliminação da escola pública, submetendo a formação da juventude ao controle direto da iniciativa privada. Está em jogo a disputa pelo espaço formativo da juventude e a escola é uma instituição pela qual, por lei, passam todos os jovens. Ao privatizar o processo educativo das crianças e jovens – por vouchers como quer a nova direita, ou por terceirização como quer a “terceira via”), coloca-se este processo sob controle direto das grandes corporações educacionais – estrangeiras, note-se. De fato, a “publicização” via terceirização, pavimenta o caminho para os vouchers, pois inicia o processo de retirada de recursos da educação pública, minando sua qualidade.

Esta ação no campo da gestão e do financiamento, complementa-se com a criação das bases nacionais comuns curriculares e de formação de professores, que também definem as plataformas digitais de aprendizagem e os materiais didáticos impressos, além de regular as agências de formação de professores, sem falar do movimento “escola sem partido” que transforma cada estudante e cada pai em um vigilante atento do que o professor faz em sala de aula. O cerco é total.

Neste cenário, é importante olhar para os países que estão lutando, de longa data, pela preservação do financiamento da educação para as escolas públicas de gestão pública. Esta será uma longa batalha e precisamos aprender a resistir e a organizar a nossa luta. Não será apenas longa, mas desigual, pois os empresários e suas fundações despejarão milhões de dólares para convencer a sociedade do acerto deste caminho para a educação. A grande imprensa estará com eles. Caberá a nós, acumulando nossa experiência à experiência internacional de luta contra estas ideias, mostrar quão nefasta é esta política para a formação de nossa juventude e para a própria democracia.

Já evidenciamos neste blog, como o dinheiro público termina sendo apropriado pelas corporações empresariais e como a atividade educativa entra na lógica concorrencial do mercado e com isso passa a ter como objetivo o atendimento às regras do mercado financeiro e rentista, deixando de lado as exigências formativas da juventude; como a concepção de educação passa a ser voltada para apoiar exclusivamente as necessidades da permanente reestruturação dos processos produtivos das empresas e abandona a formação crítica e ampla dos jovens; como estas políticas usam o dinheiro público (acobertado na escolha dos pais) para financiar a segregação racial, a segregação de gênero e a própria segregação dos mais pobres em guetos escolares.  Veja a seguir, a luta contra os vouchers nos Estados Unidos.

“Os eleitores do Arizona deverão decidir sobre a possibilidade de permitir a expansão de um programa que usa fundos públicos para pagar as mensalidades das escolas particulares.

A corrida será acompanhada de perto já que o estado é o segundo no país projetado para oferecer vouchers para todos os alunos, não apenas crianças, por exemplo, de famílias de baixa renda ou estudantes com necessidades especiais. (Nevada foi o primeiro, mas esse esforço foi interrompido depois que a Suprema Corte estadual considerou o mecanismo de financiamento inconstitucional, e os esforços dos legisladores para mudar o fluxo de financiamento falharam até agora.)

Os vouchers do Arizona tomam a forma de contas poupança para educação (ESAs) – chamadas “Contas de Bolsas de Empoderamento” no Arizona. Em vez de emitir um voucher para ser descontado por uma escola privada, os fundos da conta poupança fluem para contas que podem ser usadas pelos pais para pagar as mensalidades da escola particular ou outras despesas de educação. Para receber o dinheiro, as famílias devem simplesmente concordar em não enviar seu filho para uma escola pública.

Um grupo anti-vouchers chamado Save Our Schools Arizona reuniu assinaturas suficientes para obrigar a colocar em votação popular a expansão do programa. Em março, a Suprema Corte do estado havia bloqueado os esforços de apoiadores dos vouchers (incluindo os bilionários irmãos Koch e a American Federation for Children, uma organização formalmente chefiada pela atual Secretária de Educação dos Estados Unidos, Betsy DeVos), para manter os vouchers sem necessidade de ir a votação popular. Espera-se, portanto, que os ricos defensores gastem uma grande quantia de dinheiro para derrotar a medida, chamada de Proposição 305, e manter a expansão do programa.

À medida que o campo de batalha do voucher no Arizona esquenta, a NEPC oferece esses recursos para ajudar a entender a luta:

The State of Education Savings Account Programs in the United States, Oscar Jimenez-Castellanos, William J. Mathis, e Kevin G. Welner definem e descrevem as ESAs, que existem atualmente em seis estados (Arizona, Flórida, Tennessee, Mississippi, Nevada, e Carolina do Norte). O resumo dos autores sobre estas políticas conclui que a educação privada subsidiada pelo Estado é altamente problemática, com pesquisas recentes sugerindo que os estudantes com vouchers teriam se saído melhor se tivessem permanecido em suas escolas públicas. Clique aqui para ouvir uma entrevista com Jimenez-Castellanos.

Em um memorando de política chamado Assessing The Fiscal Impact Of Wisconsin’s Statewide Voucher Program, Ellie Bruecker examina o impacto fiscal do programa estadual de escolha da escola pelos pais em Wisconsin, que visa oferecer acesso universalizado a vouchers até 2026. Ela acha que os distritos escolares poderiam perder porções substanciais do seu financiamento público à medida que a participação no programa crescesse.”

Leia mais aqui.

Esta batalha também está em curso no Chile.

Veja as consequências desta política para o país vizinho aqui e aqui.

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Haroldo Rocha não vai mais para o MEC

O Secretário de Educação do Estado de Espírito Santo, Haroldo Rocha, confirmou hoje que não irá mais para o cargo de Secretário Executivo do MEC. Depois do Ministro da Educação ter anunciado a sua indicação, houve uma mudança de última hora na destinação de Haroldo e lhe foi oferecida a SESU – Secretaria de Educação Superior. Haroldo considerou que isso não era satisfatório, pois seu foco é o ensino básico e preferiu continuar seu trabalho na Secretaria de Educação no Espírito Santo. Para uma mudança deste tipo, deve haver uma razão muito forte.

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Todos pela Educação Pública

Em época de eleição, cobre de seu candidato o compromisso com a defesa da escola pública de gestão pública, contra a terceirização e a privatização. É preciso distinguir quem de fato está disponível para defender nossas escolas públicas, no momento em que o Brasil aperta o passo em direção à retomada neoliberal privatista.

Baixe aqui a íntegra da versão 1.3.

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Universidade de Chicago: de olho na inclusão?

A Universidade de Chicago, uma das melhores universidades americanas, acaba de anunciar que não vai mais exigir que todos os seus postulantes façam o teste de seleção conhecido como SAT.

Leia mais aqui.

O SAT – Scholastic Aptitude Test – é um teste padronizado utilizado para admissão em faculdades nos Estados Unidos. Equivaleria ao nosso ENEM – talvez mais apropriadamente ao “novo ENEM” em elaboração pelo INEP e que será destinado especificamente à seleção para as universidades brasileiras.

Há um grande debate sobre o papel que os testes padronizados cumprem nos processos seletivos nas universidades. Para Rubin, “se as universidades querem alcançar resultados meritocráticos, elas deveriam considerar, raça, etnia, gênero e renda familiar dos postulantes.”

A Universidade de Chicago também anunciou que vai expandir a ajuda financeira e as políticas destinadas a atrair estudantes de baixa renda e que sejam a primeira geração a frequentar a universidade.

Isso incluirá bolsas de estudo completas para alunos cujas famílias ganham menos de US $ 125.000 ano; bolsas de estudo de US $ 20.000 ao longo de quatro anos e um estágio pago para todos os estudantes de primeira geração; e novas bolsas especiais para veteranos e filhos de policiais, bombeiros e veteranos.

A política de Chicago, se de fato for mantida, é uma boa surpresa. Não é a primeira instituição a relativizar o SAT, mas pelo rigor acadêmico que lhe é característico, certamente causará um impacto significativo e poderá levar a outras deserções do SAT.

No Brasil, deveria levar uma certa intelectualidade que arrota “rigor acadêmico” a uma maior reflexão, antes de ser contra uma melhor representação da população brasileira nas universidades.

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