SP: ciclo único não aumenta nota

Mais um estudo mostra que a argumentação da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo para justificar a reorganização de escolas, não é real. Estudo que verifica o IDEB destas escolas revela que o ciclo único não aumenta a nota das escolas.

“Estudantes de escolas estaduais do Estado de São Paulo de ciclo único não têm notas maiores que aqueles de unidades mistas. Essa é a conclusão de uma análise realizada pelo economista Renan Pieri, coordenador acadêmico do Sinapse, uma consultoria de gestão educacional.

O melhor desempenho de alunos de escolas de ciclo único em relação a instituições mistas era o principal argumento para a reorganização escolar da rede estadual de São Paulo.”

Veja reportagem sobre o estudo aqui.

Indiferente às evidências, o Estado de São Paulo conduz uma “reorganização branca”:

“A rede estadual de ensino paulista deixou de abrir classes de 1.º e 6.º anos do ensino fundamental e 1.º ano do ensino médio, as chamadas “séries de entrada”, em 158 escolas neste ano. Em resposta ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), obtida com exclusividade pelo jornal O Estado de S. Paulo, as explicações vão de falta de demanda à ampliação do ensino médio diurno e municipalização, entre outros motivos.”

Veja aqui.

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USA: aprendamos com os erros dos outros – II

Recentemente, o Ministro Meirelles foi aos Estados Unidos e afirmou aos investidores estrangeiros que irá propor o uso de vouchers na educação e na saúde. Note que ele disse isso aos investidores. O uso de vouchers, assim como a terceirização de gestão, é uma forma de privatização que vem associada à diminuição do tamanho do Estado e à abertura de mercado. Nela o aluno recebe um determinado valor do estado e escolhe em que escola quer estudar – pública ou privada. Ao diminuir o tamanho do estado retirando demanda de alunos, não é preciso aumentar impostos e o lucro do empresariado está preservado.

A privatização em suas várias formas, está associada a isso. Mesmo que a implantação de vouchers e de terceirizadas não gere economia direta, pois nem sempre é mais barata, o gasto com estas formas de privatização, além de abrir mercado, não entra na lei de responsabilidade fiscal brasileira, a qual regula o montante máximo de salários gasto pelo estado com os servidores públicos – sejam ou não os que trabalham na chamada “parte não pedagógica” da escola. Com a crise fiscal, os estados estão violando os limites da lei de responsabilidade fiscal – ainda que em alguns casos, p. ex. Mato Grosso, isso seja mais desculpa do que realidade.

É exatamente por isso que é ilusório pensar que os estados que estão privatizando, hoje, “a parte não pedagógica” dos serviços escolares, irão manter concursos públicos para contratar servidores para a chamada “parte pedagógica” das escolas, como afirma o estado de Mato Grosso. O que se quer, de fato, é diminuir o número total de servidores públicos no estado a começar pela parte não pedagógica, por ser mais fácil. Mas não vai parar aí.

No caso da privatização por vouchers é pior ainda, o crescimento das escolas públicas é simplesmente paralisado, pois os alunos recebem um pagamento mensal para ir fazer seus estudos nas escolas privadas, transferindo os recursos públicos para a iniciativa privada e aumentando o lucro desta.

Os governos convencem os pais, pois estes acham que a escola privada é sempre melhor que a pública e que, portanto, seu filho vai se sair melhor se for estudar na iniciativa privada.

Um estudo que acaba de ser divulgado pela Brookings, uma instituição americana que não é contra vouchers, mostra que alunos de escolas públicas de Louisiana e Indiana, nos Estados Unidos, receberam vouchers para estudar em escolas privadas e não obtiveram melhora em seu desempenho.

“Pesquisas recentes sobre programas de vouchers estaduais em Louisiana e Indiana descobriram que alunos de escolas públicas que receberam vouchers para frequentar escolas privadas, posteriormente obtiveram as menores pontuações em testes de leitura e matemática em comparação com estudantes semelhantes que permaneceram nas escolas públicas. As magnitudes dos impactos negativos foram grandes. Estes estudos usaram desenhos de pesquisa rigorosos que permitem conclusões causais fortes.”

Veja a matéria completa aqui.

A Brookings é uma defensora da política dos reformadores empresariais e, portanto, indaga se para corrigir isso, não seria preciso que as escolas privadas – que sempre ficam à margem das políticas de controle do estado – fossem também incluídas nessa política de responsabilização, como são as públicas.

“Precisamos conhecer mais sobre os resultados de longo prazo a partir desses programas de vouchers recentemente implementados, para ver se eles são um investimento bom ou ruim para os fundos públicos. Bem como, precisamos saber se as escolas privadas melhorariam em um cenário em que o desempenho de seus alunos com voucher fosse divulgado publicamente e sujeito tanto às regulamentações como ao mercado. E, finalmente, há questões filosóficas e políticas difíceis que os eleitores e os eleitos precisam abordar conscientemente, incluindo se as famílias mais ricas que podem pagar a matrícula em uma escola particular devem ter a oportunidade de escolher a escola, mesmo que seja de baixo desempenho nos testes tradicionais acadêmicos, enquanto que as famílias de baixa renda têm este direito negado.”

As questões acima são duas: primeiro se as privadas devem ficar fora da cobrança das políticas de responsabilização e, segundo, se faz sentido o “direito de escolha”. A lógica deste “direito” parte da ideia de que colocando as escolas para concorrer umas com as outras haverá melhoria da escola pública e que os mais pobres têm o direito de escolher, como os ricos, entre a boa escola privada e a má escola pública. A receita é para a escola pública porque não faz sentido pensar que a concorrência melhoria a escola privada, pois esta já se encontra no mercado.

Foram os reformadores que introduziram a ideia da concorrência como instrumento de melhoria da educação pública. Diziam que se fossem colocadas no “mercado educacional”, então naturalmente isso conduziria à qualidade das escolas públicas, como ocorre com as empresas.

Porém, é uma armadilha. A concorrência fortalece quem já é forte e elimina do “mercado” quem não é tão forte. Foi assim que aconteceu nos Estados Unidos com o fechamento de centenas de escolas públicas. A concorrência não melhorou a escola pública, mas a eliminou e a converteu em privada.

Para nós, todas as escolas públicas deveriam ter as condições necessárias para serem tão boas como as privadas e para tal, não podemos desviar o dinheiro das escolas públicas para as escolas privadas na forma de vouchers, ou então sempre teremos um sistema em que as escolas públicas poderão ser as piores – por falta de recursos.

Mas, são as escolas privadas de fato melhores, quando levamos em consideração o nível sócio-econômico e as condições operacionais das mesmas? Sabemos que a vantagem das escolas privadas são seus próprios estudantes que têm um nível sócio-econômico maior.

A tese de que os vouchers seriam a saída para os pobres estudarem em escola de rico começou a ser vendida em 1990 nos Estados Unidos e após 16 anos os próprios reformadores se perguntam se isso foi um bom investimento para os recursos públicos.

Porém, o fracasso evidencia que são as concepções trazidas da iniciativa privada, que não se aplicam ao campo da educação. Educação é uma atividade colaborativa e não concorrencial. A finalidade destas ideias é criar mercado pela diminuição do tamanho do Estado e encher o bolso dos empresários da educação, piorando a escola pública. Estas ideias não funcionam para melhorar a qualidade, mas funcionam para dar lucro – sua real finalidade. É por isso que Meirelles falou para os investidores e não para os educadores.

Sobre o fiasco da utilização de vouchers no Chile, veja aqui.

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MT: greve contra a privatização da educação

O SINTEP MT colocou entre suas reivindicações a paralisação dos processos de privatização que estão sendo conduzidos pelo governo no estado do Mato Grosso. A categoria decretou greve.

Educadores definem greve por tempo indeterminado na rede estadual

Os profissionais da educação da rede estadual de ensino de Mato Grosso deliberaram pela greve, por tempo indeterminado, a partir de terça-feira (31.05). A categoria definiu também por se manter em assembleia geral permanente, buscando a negociação. A mobilização foi deflagrada hoje (23.05), na Escola Estadual Professor Nílo Póvoas, em Cuiabá, com a presença de mais de 2 mil profissionais, além de estudantes.

A Assembleia foi fortalecida por profissionais de Cuiabá e Várzea Grande e as representações de 116 municípios que participaram do Conselho de Representantes, no final de semana. Além de estudantes, que apoiam a luta contra a privatização da Educação, implementada pelo Governo via MTPAR.

A categoria exige definição do Governo para três pontos básicos de reivindicação: calendário de realização de Concurso Público para o Estado de Mato Grosso; Pagamento da Revisão Geral Anual (RGA), para o cumprimento integral da Lei 510/2013 (11,27% + 7%), direito dos trabalhadores; e, romper com o MTPAR, a política de privatização da gestão e da administração das escolas.

A discussão e avaliação da pauta aprovada pelo Conselho foi contemplada nas falas dos profissionais durante a Assembleia. A presença maciça dos trabalhadores e trabalhadoras da Educação, revelou a discordância com as políticas para a Educação estadual implantadas pela gestão Pedro Taques. A indignação da categoria com o Governo resultou, inclusive, com o apoio dos estudantes, que ocupam escolas em protesto pelos registros de corrupção na Seduc/MT e contra a privatização da Educação.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep/MT) Henrique Lopes do Nascimento, diz que a Assembleia confirmou o sentimento manifestado pelos trabalhadores/as desde a decisão pelo Estado de Greve, em 2015. Conforme ele, a Assembleia deliberou pela greve, mas abertos a negociação. “Esperamos que o Governo do Estado venha a público buscar a negociação com os trabalhadores para evitar a greve. A greve se evita com o cumprimento dos pontos de reivindicações apresentados”, disse.

Leia mais aqui.

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SP: leitora relata experiência

Leitora relata sua experiência na rede estadual de São Paulo, imersa nas reformas empresariais da educação desde 2008:

“Sou professora da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo desde 1999. Amo minha profissão, no entanto, desde que essas reformas começaram a ser implantadas em 2008, minha energia vem sendo minada ano após ano, a ponto de não saber quanto tempo mais conseguirei enfrentar a força e a bestialidade com que este processo de enterrar de vez a qualidade da educação das escolas públicas vem sendo implantado.

Trabalhar com vistas apenas em obter resultados no Saresp – Sistema de Avaliação de Resultados do Estado de São Paulo – é deprimente. O Caderno do Aluno (apostila obrigatória na rede) é uma afronta à inteligência e capacidade de professores e alunos, com conteúdos totalmente imbecilizados em algumas disciplinas e praticamente impraticáveis em outras (como no caso do Inglês, matéria que seria de grande valia, se fosse apropriado para a realidade das aulas na rede pública, uma vez que muitas escolas não dispõem de livros didáticos para essa disciplina).

A nova ferramenta, tão alardeada pela Secretaria – SARA – Sistema de Acompanhamento dos Resultados de Avaliações -, só serve para atrapalhar nossa vida, tomando ainda mais nosso precioso tempo, com digitação e acompanhamento de resultados de testes padronizados, que, na verdade, não dizem absolutamente nada a respeito de nosso trabalho e sobre o rumo que devemos tomar para levar nossos alunos ao que realmente é necessário. Precisamos parar esses reformadores, antes que eles nos parem.”

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USA: aprendamos com o erro dos outros

No momento em que as reformas empresariais da educação são adotadas como referência pelo novo governo brasileiro, torna-se mais necessário ainda que os resultados destas políticas em outros países sejam considerados.

Novo relatório da Network for Public Education nos Estados Unidos alerta para a situação crítica que as políticas de responsabilização e meritocracia estão produzindo nos professores ao longo do pais. Para os pesquisadores, “os professores escolhem a profissão por causa de seu amor pelas crianças e seu desejo de ajudá-las crescer e florescer”, no entanto, “através da nação, os educadores estão deixando a sala de aula”. A escassez de professores é uma realidade em quase todos os estados americanos. (Veja aqui também.)

Um dos fatores que afetam esta situação é o movimento da reforma empresarial que está aumentando cada vez mais a pressão para que as escolas subam as notas dos alunos, ao mesmo tempo em que reduz o apoio. Esta pressão aumentou drasticamente com a inclusão das notas dos estudantes nas avaliações dos professores – através de cálculo de valor agregado. Em alguns estados o cálculo de valor agregado é responsável por 50% do salário dos professores.

O estudo foi encomendado em 2015 para saber mais sobre o impacto da avaliação de professores sobre a profissão. Ao longo de algumas semanas, 2.964 professores e diretores de 48 estados participaram. Uma equipe de professores e administradores analisou os dados e avaliou as narrativas.

Aqui está o que se obteve:

– Os professores e diretores acreditam que as avaliações dos professores com base nos resultados de testes dos alunos, especialmente o Cálculo de Valor Agregado (VAM), não são nem medidas válidas e nem confiáveis de seu trabalho. Eles afirmam que as pontuações obtidas por Cálculo de Valor Agregado punem os professores que trabalham com os alunos mais vulneráveis. Dos respondentes, 83% indicaram que o uso de pontuações nas avaliações teve um impacto negativo sobre o ensino, e 88% disseram que gastam mais tempo em preparação para o teste do que nunca.

– A ênfase na melhoria de pontuações dos alunos em testes tem sobrecarregado todos os aspectos do trabalho dos professores, obrigando-os a gastar um precioso tempo colaborativo debruçado sobre os dados dos alunos, ao invés de ter conversas sobre os estudantes e o ensino. Sessenta e seis por cento dos entrevistados relataram um impacto negativo nas relações com os seus estudantes como resultado da pressão pelo foco em resultados de testes.

– Mais da metade dos entrevistados (52,08%) são testemunhas de viés contra professores mais velhos. Há evidência de que estas avaliações estão tendo impacto negativo, contribuindo para a diminuição de professores negros, professores mais velhos, e daqueles que servem aos alunos em situação de pobreza.

– O desenvolvimento profissional de professores ligado ao processo de avaliação está tendo um efeito que mina seu senso de autonomia e limita sua capacidade de crescimento profissional real. 85% dos entrevistados indicaram que o desenvolvimento profissional de alta qualidade não está ligado à suas avaliações, e 84% relataram um efeito negativo sobre as relações entre professores e supervisores. 81% dos entrevistados relatam mudanças negativas nas conversas sobre ensino com seus colegas.

Baixe aqui (em inglês) o relatório completo da NPE sobre os professores americanos.

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Cai Manuel Palácios na SEB-MEC


Secretaria de Educação Básica – SEB – do MEC será ocupada por Rossieli Soares da Silva que estava na Secretaria do Estado do Amazonas e é vice-presidente do CONSED – Conselho Nacional de Secretários de Educação.

Segundo o site de Nova Escola:

 “Advogado, Rossieli trabalhou como assessor jurídico na Comissão Geral de Licitação do Estado do Amazonas por quatro meses até ingressar na Secretaria de Educação (Seduc), em julho de 2008. Por lá, trabalhou como diretor de Planejamento, diretor de Infraestrutura e Assessoria Estratégica e como Secretário Executivo Adjunto de Gestão, antes de assumir a chefia da pasta.

Durante seu período no governo do Amazonas, o novo titular da SEB implantou projetos como o Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas, o Programa de Aceleração do Desenvolvimento da Educação do Amazonas (Padeam) e o Professor na Era Digital, que distribuir 44 mil notebooks para professores.

Confira a entrevista exclusiva de NOVA ESCOLA com Rossieli Soares sobre os assuntos prioritários e planos para a Educação Básica.”

Veja mais aqui e aqui.

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Polêmica com os ocupantes do MEC

Os ocupantes do MEC estão criando polêmica. Segundo o site BR247:

“Dono da Ser Educacional, maior grupo de faculdades privadas do Nordeste, o empresário pernambucano Janguiê Diniz bancou a indicação de Mendonça Filho, do DEM, para o Ministério da Educação; dias depois, ele indicou um de seus diretores, Maurício Costa Romão, para ocupar a poderosa Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior, do MEC, que tem o poder de abrir novos cursos e faculdades; bilionário e extremamente agressivo, Janguiê tem a ambição de obter licenças para vários novos cursos, especialmente nas áreas médicas; o ministro Mendonça Filho, por sua vez, sugeriu o fim da gratuidade das universidades públicas, mas voltou atrás; tanto reitores das federais como donos de faculdades privadas temem uma espécie de privatização branca do MEC, com Janguiê dando as cartas no setor.” Leia mais aqui.

O Ministro nega, veja abaixo.

Em carta a Temer, Janguiê, que segundo o site BR247 teria indicado Mendonça, diz:

“Necessário se faz uma reforma previdenciária para evitar a bancarrota do Estado. Uma reforma trabalhista que possa flexibilizar as relações entre capital e trabalho, cujo fim primacial consiste em aumentar os números de empregos. E até uma reforma educacional cujo desiderato seja acabar com a gratuidade do ensino público para os ricos, mantendo, e até ampliando, para os pobres. Apenas lembramos, ilustrativamente, que cerca de 80% dos estudantes das universidades públicas federais são ricos e estudam sem pagar nada, enquanto os alunos pobres, que precisam trabalhar para sobreviver, vão estudar nas boas faculdades privadas através de bolsas de estudo (ProUni), via financiamentos públicos (Fies) ou financiamentos privados, o que é paradoxal e inconcebível em um país de tantas desigualdades sociais.

O Brasil precisa mudar completamente a sua relação com a sociedade e com o mundo. São necessárias atuações que permitam mais parcerias público-privada, promovendo mais eficiência nas ações. Precisamos ser mais abertos, competitivos e menos burocráticos. Nós, brasileiros, queremos confiar na nossa classe dirigente, para que ela nos mostre uma sociedade madura e apta a crescer juntamente com parceiros comerciais do mundo afora.”

É claro que Janguiê defende a privatização das universidades na carta a Temer. O que complicou foi o fato do Ministro ter criado a confusão, ele mesmo, ao falar sobre pagamento em universidades públicas.

O Ministro divulgou ontem que vai processar o PT e outros:

“O atual ministro da Educação, Mendonça Filho (DEM), anunciou nesta terça-feira (24) que vai processar por danos morais, calúnia e difamação o Partido dos Trabalhadores, o professor de ciência política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Michel Zaidan, o ex-vereador do Recife Dilson Peixoto (PT) e o site BR247.

A decisão foi após a nomeação de Maurício Romão para a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, quando os alvos do pernambucano, segundo ele, divulgaram textos na internet afirmando que a indicação de Romão foi feita com o objetivo de privatizar o ensino superior, sob a influência de Janguiê Diniz, presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior e dono do grupo Ser Educacional, onde Romão trabalhava.”

O Ministro facilitou a confusão. Um cargo que visa fiscalizar e autorizar o funcionamento de instituições privadas deveria ser ocupado por alguém procedente da área pública e não da própria iniciativa privada. Em qualquer lugar do mundo isso levantaria suspeitas, pois poderia ser visto como “amarrar cachorro com salsicha”. E mais, segundo o próprio Ministro, o nomeado deixou de ter ligações apenas em fevereiro com um grande grupo privado da educação superior em Pernambuco ligado a Janguiê.

Quanto a ser considerado privatista, se este for o prolema, o Ministro não deveria ver nisso nenhum mal. Não há problema algum em alguém defender a privatização da educação, quando acredita nisso. Há ônus, mas todas as posições têm ônus. Defender a privatização não deve ser visto como uma ofensa, é uma posição legítima. Da mesma forma que é legítima a crítica à privatização da educação.

Se o Ministro se sente injustiçado por não ser privatista, ao invés de processar este ou aquele, bastava uma boa declaração do Ministro dizendo que é contra a privatização. Mas nada deveria impedi-lo, também, de manifestar-se a favor da privatização, se desejasse.

A questão, no entanto, não são as declarações: o que vai definir a posição do Ministro, a favor ou contra a privatização, é a sua prática no Ministério. O mesmo ocorrerá em relação à SERES. Sabe-se que o conjunto do governo é francamente favorável à privatização – seja Temer, seja Meirelles. Muito razoável achar que também na educação esta será a orientação. Surpresa será o inverso.

A julgar pela posição que teve na privatização da CELPE em Pernambuco, creio que o Ministro continuará, s. m. j., favorável à privatização, mas mesmo que continue, isso não é nenhum demérito. Muitos outros são favoráveis à privatização, inclusive da educação.

Claro, nós continuaremos sendo contra.

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MT: governo aposta em confusão conceitual

Era de se esperar. Bastou os alunos ocuparem e os professores decretarem greve contra a privatização e o governo do MT começou a causar confusão conceitual. Antecipei para os sindicalistas de MT que o governo Pedro Taques ia dizer que terceirizar a gestão de processos escolares não é privatizar. Ou que a privatização dele é melhor do que a dos outros. Elas sempre aparecem como uma “inovação”.

Para o governador, só haveria privatização se ele estivesse vendendo o hospital, a escola ou a estrada. Como na terceirização de gestão o bem continua público, então ele considera que não há privatização. Antecipei isso em base à experiência de Goiás, onde também se usa esta argumentação oportunista.

Diz o governo:

“Sobre o primeiro ponto reivindicado pelos jovens, a possível privatização de 76 das 456 unidades escolares, Taques voltou a afirmar que o Estado não irá privatizar nenhuma unidade sequer e que o processo de Parceria Público Privada (PPP) será amplamente debatido com a população.

“Não acreditem em mentiras, nós não privatizaremos escolas. A PPP não significa privatização, a estrutura física do prédio será gerida pela iniciativa. Isso significa dizer que o banheiro quebrado, que a descarga com problema, que a pintura, por exemplo, serão executados pela parceria, mas a gestão disso será feita, notadamente, pelos servidores públicos. Nós não podemos mudar, a escola tem que ser pública”, completou.”

O governo de Mato Grosso quer começar a passar as escolas para a iniciativa privada mas não quer ter o ônus de ser considerado um governo que privatizou a educação. Daí a fala dúbia e a tergiversação. Há uma privatização da gestão da escola disfarçada de privatização de serviços não pedagógicos, como se a gestão de uma unidade escolar não fosse uma questão pedagógica.

Em Goiás, foi a mesma coisa. Para se disfarçar a privatização, manteve-se o Diretor da Escola com status público, junto com uma Organização Social que administra terceirizadamente as escolas. Mas quem responde pelas metas pedagógicas da escola (IDEB) é a terceirizada.

De fato, estes movimentos em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Ceará e outros constituem apenas o começo de processos de privatização e como sabem que há forte reação à privatização de escolas, começam por privatizar as áreas que são mais fáceis de serem vistas como “não pedagógicas”. Outros passos virão depois. Mas o próprio governador se complica ao tentar explicar a diferença entre administração por PPP e por OS, pois ao fazer isso, acaba por reconhecer ambos como processos de privatização:

“Taques também explicou a diferença do projeto de PPPs e da administração feita por Organizações Sociais (OSS). Ele pontuou que o modelo desenvolvido por Mato Grosso não leva em conta a gestão pedagógica, visto que os professores continuarão sendo servidores públicos com vínculo na Seduc, como é atualmente, sem alteração. A proposta é que somente a parte de estrutura e serviços ficam com a empresa que ganhar a licitação para tocar a obra. Além disso, ao fim do contrato, a escola passa a ser um bem do Estado.”

Mas isso, como apontei acima, é o que também diz o estado de Goiás para justificar o uso de OS por lá. Onde está a diferença?

Esta diferenciação entre administração por PPP e por OS não convence, pois elas podem ser perfeitamente combinadas. Não é uma diferenciação propriamente dita, pois estes dois processos (PPP e OS) podem ser complementares e não opostos. Podem ser objetos de processos complementares de privatização, com chamadas diferenciadas e sequenciais.

O estado de MT tem hoje mais de 50% de seus professores contratados provisoriamente, sem concurso. São temporários. Em Goiás estes professores serão transferidos para as organizações sociais. Nada impede que se faça isso também em MT, em momento posterior, contratando-se ou ampliando-se o contrato das empresas que já estiverem administrando as escolas e mudando o escopo do contrato para incluir serviços pedagógicos.

O fato é que os Estados estão iniciando os processos de privatização cada um a seu modo, tentando obviar os embates políticos e procurando apresentar-se como “não privatistas”.

É preciso enfrentar este projeto privatista agora, e não importa se é PPP ou OS – é privatização que uma vez iniciada seguirá em frente.

Como diz o presidente do Sindicato:

“Historicamente, defendemos a escola pública. Alguns projetos chegam para a sociedade sem revelar a intenção e causam confusão. Por que Mato Grosso, um dos estados mais ricos da federação, não tem condições de construir escolas? Porque a riqueza do estado está sendo canalizada para uma pequena parcela da sociedade”, avaliou o sindicalista.

Ele pontuou, no entanto, que o sindicato não é contra todos os pontos do projeto, mas alguns, segundo ele, não podem ser aplicados no setor público. “Nós somos contra a concessão de serviços públicos para a iniciativa privada, até porque o público e o privado já fazem parcerias e a própria operação [Rêmora] mostra que as relações com o público e o privado nem sempre atendem aos interesses públicos”, declarou Lopes, se referindo às irregularidades em contratos firmados pela Seduc com empresas para a construção e reformas de escolas. Os crimes vieram à tona durante a operação.”

Devemos ter presente que existem várias formas de privatização: por venda, por vouchers e por terceirização. São apenas modalidades diferentes de privatização. Na primeira, o bem é transferido integralmente para o comprador. Na segunda, apenas se dá dinheiro para os pais escolherem qual a escola (pública ou privada) em que querem matricular seus filhos, e na terceira, apenas a gestão da escola é privatizada, sem que o bem seja transferido para a iniciativa privada.

Quando as estradas foram entregues a terceirizadas para que fossem geridas, falou-se sem cerimônia em “privatizar as estradas”. Mas agora, quer se ocultar a privatização de escolas alegando que terceirizar não é privatizar. Ou que vão terceirizar a gestão que não é pedagógica. Ou ainda que PPP é diferente de OS. Ora, tudo isso é privatização.

Outra argumentação para tentar escapar da acusação de terceirização, é separar a gestão do pedagógico da gestão propriamente administrativa – como se fosse possível fazer esta separação. A escola não é uma fábrica onde os processos possam ser separados e tratados isoladamente. O gestor de uma escola exerce um papel pedagógico e sempre se defendeu que o especialista (gestor) fosse formado no professor, exatamente porque a administração de uma escola exige que o gestor seja familiarizado com o exercício profissional. Esse é o sentido de formar o especialista no professor, ou seja, que antes de ser um especialista em gestão ele deva ser um professor experiente.

Além disso, uma escola lida com jovens e com a finalidade de promover relações educativas. Todos os profissionais que trabalham na escola, independentemente de serem ou não professores, têm funções pedagógicas.

Uma terceirizada recruta pessoas que possam ser mal remuneradas, procuram pagar pouco e, portanto, tendem a colocar pessoas mais desqualificadas em seus postos de trabalho, ou seja, pouco preparadas para exercer uma função educativa. Trocam estas pessoas frequentemente e quebram as relações que possam ser estabelecidas por profissionais estáveis que conhecem os alunos e acompanham sua vida ao longo dos anos na escola. Destroem a comunidade escolar pela frequência das trocas que fazem diariamente demitindo uns e contratando outros para as escolas.

O governo de MT quer navegar na confusão conceitual e, com isso, passar o seu projeto.

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MT: estudantes ocupam contra terceirização

Teve início a ocupação de uma escola no Estado de Mato Grosso contra o sucateamento da educação pública e a terceirização de gestão para organizações que serão selecionadas em parcerias público privadas que incluem desde a construção e reforma até a gestão de 76 escolas públicas e 15 Cefapros. O Estado constituiu uma empresa de Sociedade Anônima para coordenar os processos de terceirização.

No dia de hoje os professores estão em assembleia para decidir se entram em greve também.

Veja mais aqui.

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Roteiro do golpe é revelado

Como compartilho dos que defendem que Dilma está sendo vítima de um golpe, divulgo abaixo o que todos sabíamos, mas não tínhamos nenhuma evidência objetiva para documentar, ou seja, a fala de Jucá Romero, homem chave do atual governo interino Temer, demonstrando que em março, semanas antes de votar o impeachment de Dilma, o roteiro do golpe já estava definido envolvendo transformar Temer em presidente.

A mídia golpista está em choque. Eliane Castanhede dá o tom de como será o abafa-abafa do episódio: substituir Jucá para esfriar o tema. Ela não fala nada sobre o fato de Jucá estar envolvido na própria trama do roteiro do golpe e pretende limitar o dano à figura de Jucá, advogando pela sua substituição. É como se a substituição de Jucá resolvesse tudo. Mas não é assim. Ele tramou o golpe e foi beneficiário com Temer da própria trama.

Na fala, Jucá ainda compromete o PSDB e o Supremo Tribunal Federal. Caso este país fosse sério, o Senado deveria restituir de imediato Dilma na presidência, acelerando e votando o impeachment naquela casa, em caráter final.

Leia a descrição antecipada do golpe feita por Jucá em março, antes do impeachment acontecer.

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Mendonça, o Cebraspe e o INEP: não é o que parece

O Ministro da Educação enveredou pelo sequestro da semântica. Aliás, o governo Temer foi com muita sede ao pote e todo dia está tendo que remendá-lo, pelo menos semanticamente, para não parecer tão à direita. Agora, o Ministro resolveu “defender” o INEP da “privatização”. Veja:

“BRASÍLIA – O ministro da Educação, Mendonça Filho, suspendeu a transferência do controle do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para uma organização terceirizada, medida planejada na gestão de Aloizio Mercadante. Ele rejeitou contrato aditivo para que a Organização Social Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe) passasse a ter o controle de todas as operações relativas às provas. A expectativa é de reduzir o custo nacional.”

A medida poderia ser vista como uma opção pelo fortalecimento do INEP e contra seu enfraquecimento pela via da terceirização das atividades daquele órgão. Mas se analisamos as razões dadas, vamos ver que não é bem assim:

“Mendonça Filho teria avaliado esse montante como um valor “absurdo e injustificável”, frente ao contingenciamento planejado para a pasta no governo do presidente em exercício, Michel Temer. Na edição mais recente, o valor do Enem, por exemplo, ficou em R$ 405 milhões, ante R$ 452 milhões em 2014.”

Trata-se, possivelmente, de pressão de outras empresas de avaliação que operam no mercado educacional, que querem também abocanhar fatias consideráveis dos recursos destinados à avaliação (uma pechincha de dois bilhões de reais). Daí a crítica ao “monopólio”. A fila deve estar grande na porta do INEP, e todos de olho nestes recursos.

“A equipe técnica de Mendonça Filho interpretou o aditivo como “privatização do Inep, com entrega do monopólio da gestão das avaliações para uma empresa privada”. Outros gestores do MEC avaliaram que a assinatura significaria “o total esvaziamento” do instituto que cuida do Enem.” (Grifos meus LCF.)

Leiamos bem: a equipe técnica interpretou a medida como “privatização do INEP com entrega do monopólio da gestão das avaliação para uma empresa privada”. Note que são “outros gestores do MEC” que avaliam a medida como “total esvaziamento do INEP” e não a “equipe técnica” do Ministro. Entendo que o que incomodou os técnicos foi o “monopólio” estar ligado a uma OS de uma universidade e não o fato de privatizar as avaliações como quer o Ministro transparecer.

Esta questão do Cebraspe já apareceu outras vezes por aqui. Recentemente o blog dos servidores do INEP questionava esta situação:

“Para isso, também é importante ter informações claras e precisas sobre pontos que geram angústia e insegurança entre os servidores, tais como o projeto de criação do Insaes (sobre o qual este blog já escreveu – aqui , aqui, aqui  e aqui ) e o contrato de gestão com a OS Cebraspe.

Quanto a este último tema, embora a Assinep tenha, há tempos, formalmente requerido informações precisas sobre o contrato de gestão com a OS, o que se tem até agora são raras declarações, no mais das vezes, lacônicas. “

O atual problema com o Cebraspe é herdeiro deste debate. A questão é: estamos diante de uma opção que o atual Ministro estaria fazendo pelo fortalecimento do INEP, como queriam seus servidores, ou estamos diante de um realinhamento de prestação de serviços com outros fornecedores em função de pressões de mercado sobre o MEC? Ou ainda, não caminharia o MEC para criar um INSAES privado ou algo semelhante, como o ETS americano, igualmente uma organização social? Com a quantidade de dinheiro envolvendo o campo da avaliação, quem pensou que a UNB/FUB pudesse, através da criação de uma organização social, ficar com a condução de tais avaliações, avaliou mal o poder do mercado em disputar este espaço.

A lógica de colocar estes recursos no Cebraspe, ligado à UNB, era que uma parte deles acabaria fortalecendo a esfera pública, via Fundação da Universidade de Brasília, o que ainda seria melhor do que ir totalmente para o bolso do empresariado.

Trata-se-ía agora, lendo pelo oposto a declaração da equipe técnica do Ministro, de “privatizar o INEP sem monopólio de gestão da avaliação por uma empresa privada”, ou melhor dizendo, sem o monopólio controlado por uma empresa privada (OS) ligada a uma Universidade. Até porque, o contrato com o Cebraspe impedia a subcontratação (cláusula vigésima, Contrato 1/14), paralisando a fila de fornecedores do INEP e a “cadeia produtiva” da indústria da avaliação.

Baixe aqui o Contrato 01/14.

O INEP não sairá fortalecido disso. Não se trata de fortalecer o INEP, mas sim de atender a disputas de mercado e de, eventualmente, se criar um modelo diferenciado para o gerenciamento da produção das avaliações, um modelo colocado na dependência do mercado e não na dependência de uma Universidade.

Não podemos esquecer que a opção geral do governo Temer é pela privatização – isso inclui a venda do Estado, a terceirização de gestão e os vouchers.

Hoje a Folha de São Paulo, em seu Painel, revela o que foi a reunião de Meirelles com a elite financeira e empresarial em Nova York, antes dele assumir como Ministro. Sabemos que um mês antes de ser nomeado Ministro ele foi lá pedir licença ao mercado financeiro internacional para assumir a Fazenda. Para tal se comprometeu com:

“O que pensa Meirelles. Menos de um mês antes de se tornar chefe da equipe econômica, Henrique Meirelles deu a um seleto grupo de investidores em Nova York sua receita para o Brasil: reforma da previdência, fim das amarras trabalhistas, desindexação do salário mínimo e cortes no seguro-desemprego. Apontado pelo mercado como opção ao Planalto em 2018, ele citou ainda soluções para saúde e educação. Defendeu um sistema de “vouchers”, com o qual o governo reembolsaria gastos em redes privadas.” (Grifos meus LCF.)

Meirelles tem a chave do cofre e está comprometido com a privatização, como disse Temer, “de tudo que for possível”. Isso inclui, no caso da Educação, terceirização de gestão (a mesma que o Ministro recusa agora) e também a privatização por “vouchers”.

By the way… nenhuma das duas melhorou a qualidade da educação nem nos Estados Unidos e nem no Chile, mas criaram um mercado educacional de empresas ligadas à educação monumental. Nos Estados Unidos ele está perto de um trilhão de dólares.

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Nelson Pretto: o privado na educação pública

Nelson Pretto denuncia o entrelaçamento das empresas privadas com a educação pública:

“O Correio de 20/05/2016 (http://glo.bo/1XnGsDF) anuncia a viagem do prefeito ACM Neto e do seu Secretário de Educação aos Estados Unidos para uma visita de uma semana à sede da Google para conhecer as soluções dessa mega-empresa para a educação. Anuncia que o acordo com a Google está sendo feito para implantar o sistema Google Educação (veja aqui) nas escolas municipais de Salvador. Uma pergunta preliminar é quem paga essa viagem?

O avanço dos tentáculos da Google no campo educacional é algo assustador. Levantamentos que estamos realizando indicam que, entre outros, a Google já havia firmado acordo para o fornecimento dessa solução para a educação com os governos dos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com a Prefeitura de Florianópolis/SC, com a Unicamp, dentre outros.”

Leia mais aqui.

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As “duas Marias” de Demétrio: salvando a pátria?

Demétrio Magnoli escreve na Folha em defesa de Maria Helena Castro e Maria Inês Fini, alertando para os prováveis problemas que enfrentarão no que ele chama de a guerra das “duas Marias”. Segundo ele:

“Maria & Maria têm uma plataforma para a Educação. 1) Base curricular unificada, com foco no “aprender a aprender”; 2) Avaliação sistemática das escolas, baseada em metas definidas; 3) Qualificação permanente dos professores; 4) Bonificação por mérito para escolas e professores.

Elas sofrerão, por isso, intensa sabotagem de camarilhas políticas, interessadas na colonização do sistema de ensino por cabos eleitorais, da burocracia aparelhada do MEC, consagrada a diversos tipos de doutrinação ideológica, e de associações sindicais de professores, avessas a distinções meritocráticas de remuneração. Todos esses grupos tecerão pactos de conveniência contra as duas Marias, boicotando suas iniciativas. São eles os “conservadores”: querem conservar um ensino público que conspira contra o direito à educação dos filhos dos pobres.”

O problema com Demétrio é que, não sendo da área da educação, não tem a obrigação de saber dos resultados das políticas acima resumidas por ele. Mas poderia se assessorar antes de tomar posição. Na ausência de informações da área, acaba sendo obrigado a fazer uma defesa puramente ideológica e rancorosa -típica das duas Marias.

O problema com as duas Marias é que elas sempre estão em guerra com alguém – ora com os professores, ora com os sindicatos, ora com os dois. E é por isso que em SP foram colocadas em “stand by” pelos governos do próprio PSDB: elas arrumam guerras e não soluções que aglutinem. E em educação, não existem salvadoras da pátria.

Mais ainda, os professores e os sindicatos, não são o problema. Eles fazem parte da solução. Enquanto isso não for reconhecido pelas políticas públicas, não haverá solução para a educação melhorar. Não precisamos de “guerras”, precisamos de convencimento e de trabalho conjunto. E claro, um pouco de evidência empírica sobre as propostas, é sempre bem vinda. Não podemos fazer experimentos com redes inteiras quando sabemos que as medidas propostas já não deram resultados antes.

Já cansei os leitores deste blog de apresentar dados que comprovam que a política das duas Marias é um fracasso mundial, onde foi tentada. De Nova York ao Chile, passando pela época em que Maria Helena era Secretária da Educação em SP, o uso destas políticas não melhoraram a educação. Em Nova York foram declaradas falidas por Bloomberg que não era membro de nenhuma “associação sindical de professores” e cuja doutrinação ideológica era absolutamente alinhada com a das duas Marias. Tanto que foi de lá que copiaram a política.

Em São Paulo, como já divulguei aqui, a aplicação destas políticas mostrou-se inócua para alavancar a melhoria da educação. O penúltimo Secretário da Educação de Alckmin (PSDB) disse publicamente que “tinha vergonha dos números da educação paulista”.

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A fala de Demétrio pode até convencer incautos, mas, infelizmente, está baseada em números ruins. Somente a quinta série do ensino fundamental mostrou avanço consistente em SP, mas isso aconteceu no Brasil inteiro e não é mérito da política local.

Como se vê, estes números desmentem o “sucesso” das duas Marias em SP. E é por isso que objetamos esta política acima resumida por Demétrio e não por mera ideologia como ele sugere. A defesa das duas Marias, esta sim é puramente ideológica. Nada de mal nisso, mas ela precisa ser acompanhada dos resultados obtidos e estes, no caso das políticas das Marias, são ruins. Este blog está cheio de outros relatórios e dados sobre o fracasso destas propostas.

As duas Marias, como são chamadas por Demétrio, vão reproduzir esta política que não funciona, agora em escala nacional. Mais tempo perdido para a educação brasileira.

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CE: 49 escolas ocupadas

“Alunos da rede pública já ocupam 49 unidades de educação do Ceará até a manhã desta quarta-feira, 18. O movimento estudantil reivindica melhorias nas instituições, como mais verba para a merenda escolar, passe livre no transporte público, e também está alinhado às pautas dos professores, em greve desde último dia 25 de abril.”

Veja aqui.

“Professores da rede estadual de ensino do Ceará mantiveram a greve, iniciada no dia 20 de abril, após assembleia realizada nesta quinta-feira (18), no Ginásio Poliesportivo da Parangaba, em Fortaleza. Nesta sexta-feira (20), a paralisação completa um mês. Em paralelo à paralisação, estudantes ocuparam 45 escolas do Estado – 34 em Fortaleza e 11 em cidades do interior do Estado.”

Leia aqui.

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RS: sobe para 100 escolas ocupadas

Segundo o Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul, o número de escolas ocupadas subiu para 100. O movimento também se alastra para escolas do campo que teve hoje sua primeira escola ocupada. Os professores também estão em greve.

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MT: adeus ao educador? – final

Continuação do post anterior.

As ações que estão em curso nos estados, municípios e agora no governo federal, com o apoio da mídia, procuram criar no Brasil o “caldo” necessário para que as leis de mercado assumam o controle da gestão e do processo pedagógico das escolas. O conservadorismo virá junto. O neoliberalismo é uma junção política de forças conservadores e liberais.

A mídia e o Todos pela Educação, coadjuvantes deste processo, procuram apoiar jogando a formação de educadores no limbo da preparação rápida e pragmática para a “sala de aula”. Um neotecnicismo emerge com força neste processo e abre caminho para enfoques como os da Ensina Brasil, visto no post anterior.

Trata-se de difundir a ideia de que a formação teórica dos educadores atrapalha e que um pragmatismo nos cursos de formação de educadores é o caminho para se resolver o problema da qualidade da educação. No entanto, o objetivo deste enfoque é mais ambicioso: trata-se de desprofissionalizar o educador/professor, na contramão do que já havíamos aprendido nos anos 80, ou seja, que “o professor se forma no educador” e o “especialista se forma no professor”.

Estudo da ONG Todos pela Educação é apresentado na mídia (17-5-16) para justificar a redução da teoria na formação dos educadores.

“Os professores da educação infantil e dos primeiros anos do ensino fundamental que lecionam na rede pública têm melhor formação teórica do que seus pares das escolas privadas. Isso vale para duas métricas: percentual de docentes com ensino superior completo e com currículo adequado ao que a lei determina.

Formação universitária apropriada para lecionar no Brasil, porém, não é garantia de qualidade. O excesso de teoria nos cursos de pedagogia e licenciatura e a distância com a realidade escolar podem prejudicar o ensino.”

Se o pragmatismo de uma formação aligeirada, como a que dizem vigorar em maior proporção nas escolas privadas, fosse melhor para a educação, tais escolas privadas deveriam ser melhores que as públicas. Mas sabemos que as escolas privadas, quando são melhores, devem isso ao maior nível sócio-econômico de seus “clientes” e não, em geral, a uma atuação diferenciada de seus professores.

Segundo Fernando Abrucio, da FGV, em estudo para o movimento Todos pela Educação:

“Quem fez pedagogia no país estudou sobre educação, mas não é um profissional preparado para enfrentar a sala de aula. O mesmo vale para as licenciaturas”, diz Alejandra Velasco, superintendente da entidade.”

Esta afirmação é de quem não entende nada de formação de educadores e do exercício da profissão, pois sabemos que um professor recém formado necessita de 3 a 4 anos para desenvolver um “estilo profissional” próprio. Para tal existem processos de acompanhamento destes profissionais, como a residência pedagógica, que cumprem este papel. Não é assim com os médicos? Portanto, não existe esta estória de que a pedagogia ou a licenciatura coloquem no mercado um “profissional preparado para enfrentar a sala de aula”. Isso se adquire com boa formação teórica, com a prática (durante o curso e no início de carreira) e com formação continuada, entre outros fatores.

Concluir que a formação teórica atrapalha, sem examinar as demais variáveis que afetam uma boa educação nas escolas, é “junk science”. Mais do que isso, não defender a formação teórica de qualidade (inclusive culturalmente ampla), ficando apenas no jargão da formação centrada em técnicas profissionais, é mais do que “junk science”, é atraso cultural. Infelizmente, há indícios de que a base nacional da formação de professores em curso na SEB do MEC, vai por este mesmo caminho.

Colocada de forma isolada, a crítica à boa formação teórica dos educadores somente se presta a um discurso que prepara a tese da desprofissionalização. E as ONGs que estão se preparando para gerir as escolas nos processos de privatização por terceirização de gestão (como em Goiás e em Mato Grosso) vão precisar de “professores” que tenham como foco garantir metas numéricas e seguir manuais (impressos ou on line). Para isso, as ONGs não precisarão de formação teórica, mas de profissionais obedientes e que ganhem pouco.

É isso que está em jogo: desprofissionalizar, aligeirar a formação para aumentar a oferta de profissionais e derrubar salários, formando “profissionais” obedientes que não tenham formação adequada para questionar os processos de ensino e que preferencialmente não pensem sobre seu trabalho.

Para entender porque a Folha de São Paulo publicou esta matéria no dia 17-5-17, leia o Editorial da Folha de ontem, 18-5-16. Diz:

“Além disso, o elo consagrado entre qualificação docente e qualidade de ensino pressupõe que a capacitação ofertada nas faculdades de pedagogia seja eficaz. Ou seja, que efetivamente preparem os bacharéis e licenciados para serem bons professores em sala de aula.

Não é essa a realidade, lamentavelmente. Como ressaltou no relatório artigo de Fernando Abrucio, da FGV, elas dão muito mais ênfase a teorias educacionais do que à didática propriamente dita —vale dizer, às competências e ferramentas úteis na realidade da classe.”

A imprensa e a ONG Todos pela Educação abrem caminho para as ideias que destruirão a formação de educadores e justificarão toda sorte de reducionismos da formação do educador às técnicas didáticas de sala de aula, ou a “agentes de transformação” ocasionais. O Mato Grosso, com certeza, esta sendo pioneiro na implementação deste reducionismo. Pelo que já fez este Estado pela educação do Brasil e por ele mesmo, não merecia ser o pioneiro na destruição da formação do educador e da escola pública.

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MT: adeus ao educador? – I

À medida que as Secretarias de Educação vão procurando a terceirização de gestão como solução para seus problemas econômicos, cresce também a necessidade de promover um aumento do número de professores disponíveis no mercado que, para sobreviver, aceitem a condição de serem empregados de escolas públicas com gestão terceirizada a baixo custo.

Estas organizações sociais precisam recrutar pessoas jovens, formadas em quaisquer carreiras universitárias, desempregadas ainda que momentaneamente, ambiciosas o suficiente para acreditar em suas promessas e que se disponham a trabalhar, enquanto não arrumam emprego melhor, pelo que estas escolas desejem pagar. Tais jovens serão qualificados rapidamente em cursinhos para serem professores.

No entanto, não serão as próprias operadoras charters ou terceirizadas que formarão estas pessoas e as Universidades demoram para formar profissionais capacitados e que, por serem bem formados, não aceitam facilmente tais condições. Hoje, já temos uma crise na formação de professores e com falta de professores os salários tendem a subir, algo que não está nos planos das operadoras de escolas terceirizadas.

Como ocorre em outros países, esta parte da formação tenderá a desenvolver uma outra indústria educacional, a de preparação rápida de profissionais para as escolas charters. Trata-se de uma cadeia produtiva que tem a terceirização da gestão como carro chefe e puxa a indústria da formação. As escolas com gestão terceirizada contratam pela CLT, sem estabilidade no emprego e podem pagar bônus.

Uma condição preponderante para tal é desacreditar a atual formação de professores e caracterizá-la como muito teórica e pouco prática. Sobre isso falarei em post seguinte.

Outra condição, uma vez criada a demanda de professores com a terceirização de gestão, é abrir espaço para as empresas de formação de professores se instalarem. E é isso que está acontecendo em Mato Grosso de forma simultânea: ao mesmo tempo que privatizam 76 escolas e 15 Cefapros, instalam uma corporação internacional ligada à indústria de formação de professores. No caso de MT já foi firmada parceria com a ONG internacional Teach for All que opera por aqui com o nome Ensina Brasil. Os Cefapros são Centros de Formação Profissionais espalhados pelo estado e se constituirão, provavelmente, em base de operação da Ensina Brasil.

Veja aqui sua filosofia.

Ela é um braço internacional da Teach for América que forma, nos Estados Unidos, professores em cursinhos rápidos. Aqui, eles estão falando em formar “agentes de transformação”, mas não está claro nos materiais que o Blog teve acesso como irão proceder, face à legislação existente.

O complemento necessário para esta “política” é a desprofissionalização da formação de professor. O primeiro passo é aligeirar a sua formação. Mas há pelo menos mais um: criar um sistema que permita que se forme professor em quaisquer entidades, inclusive nas ONGs. Daí se teria a associação ou não com um processo de certificação profissional (tudo depende das exigências, pois professores certificados podem ser mais caros), delegando-se a ele o controle de qualidade e a permissão de entrada na profissão. Documento do IPEA propôs recentemente que a Prova Nacional Docente em desenvolvimento no INEP, fosse este processo de certificação. Este cenário, no Brasil, está em construção e o seu formato final ainda está por ser definido pelo mercado educacional a ser criado.

A desprofissionalização exige ainda que exista um outro elo na cadeia produtiva que permitirá a formação aligeirada: a indústria dos sistemas de ensino. Com o aligeiramento, os professores precisarão de suporte de sistemas impressos ou on line que tenham todas as decisões mais relevantes em termos de conteúdos e métodos já dispostas. Convertem-se em seguidores de apostilas controlados por sistemas de gestão.

Para dar parâmetros para a indústria de formação e para a produção de sistemas operar em escala nacional, é necessário uma base nacional comum – tanto a curricular, como a de formação de professores – ambas em curso.

O modelo aplicado em MT é o da ONG Teach for América, que funciona em âmbito mundial com o nome de Teach for All e que no Brasil recebeu o nome de ENSINA BRASIL. A CEO da Teach for América e da Teach for All esteve no Brasil em 4 de maio passado.

As primeiras ações da Ensina no Brasil ocorreram ao que tudo indica no Rio de Janeiro, conforme denunciamos aqui no Blog em 2012. Atualmente, as informações apontam para um contrato da organização com o governo do Mato Grosso, ao qual se atribui o status de pioneirismo. Veja aqui.

A atuação destas organizações nos Estados Unidos tem mais de duas décadas e não resolveram em absoluto o problema por lá, conforme mostra o seguinte resumo:

  • O que sabemos agora sobre a Teach for America (TFA): a base de pesquisa crescente sobre a TFA revela um cenário misto, mas também mostra que a defesa da TFA é enganosa (ver também “três maiores mentiras”). Além disso, a TFA contribui negativamente para alguns problemas centrais que a educação pública enfrenta: evasão de professores; rotatividade do professor; e atribuição desigual de professores (alta pobreza e estudantes das minorias sendo atribuídos desproporcionalmente a professores novos e não certificados).

Uma visão da recente crise educacional americana, depois de 25 anos de Teach for América, pode ser encontrada aqui. Como se verá na citada matéria, este não é um caminho para o Brasil trilhar.

Para finalizar, eis a recomendação de quem viveu durante 20 anos a depredação da Teach for América nos Estados Unidos:

“O problema com a TFA é que ela exagera grosseiramente o seu papel na educação americana. Este ano, a TFA enviou 8.000 jovens às escolas de alto risco; eles concordam em ficar lá por dois anos, alguns permanecem por mais tempo, mas a maioria terá desaparecido no prazo de três anos. (…)

Precisamos de um corpo docente estável, não uma porta giratória. Nós precisamos recrutar novos professores, que planejem permanecer no ensino e fazer uma carreira. Os novos professores devem ter uma formação sólida e uma forte preparação para o trabalho. Eles devem ter mentores e o apoio que precisam para sobreviver aos julgamentos dos primeiros anos de vida e melhorar continuamente.”

Continua no próximo post.

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Entidades educacionais reagem a novo governo

MANIFESTO DE ENTIDADES NACIONAIS DE EDUCAÇÃO SOBRE O GOVERNO PROVISÓRIO

Um governo provisório não pode comprometer negativamente o futuro

As entidades que subscrevem este manifesto compreendem que a aprovação da admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff expressa uma ruptura institucional promovida por coalisão de forças políticas derrotadas nas urnas nas últimas eleições presidenciais e por agentes econômicos que buscam consolidar o conservadorismo e aprofundar desigualdades em nosso país.

Temos a firme convicção de que o Governo provisório do Vice-Presidente Michel Temer, que não tem legitimidade nem aceitação da população brasileira, iniciou de forma irresponsável suas decisões relativas às pastas da Educação, da Cultura e da Ciência e Tecnologia.

O afastamento da Presidente eleita Dilma Rousseff por 180 dias e a posse do vice-presidente para um mandato como presidente em exercício por este período não pode significar descontinuidade na construção e manutenção da política educacional construída de forma negociada com a sociedade organizada. Um governo provisório não pode comprometer um projeto de educação construído em duas Conferências Nacionais de Educação, discutido, negociado e expresso no Plano Nacional de Educação aprovado em 2014.

O documento do PMDB “Uma ponte para o futuro” e as primeiras horas de atuação do novo Ministro da Educação já foram indícios suficientes para que se pudesse perceber que se encontra em curso uma política de terra arrasada visando destruir as políticas implementadas do “governo derrotado” pela admissibilidade do impeachmeant. Em especial, a noção de “Orçamento com base zero” para as políticas e programas sociais representa um duro golpe naquilo que se já se avançou no Estado brasileiro para a construção da necessária segurança orçamentária para a continuidade republicana das políticas públicas.

O PNE tem duas orientações muito explicitamente construídas para a garantia do direito à educação no Brasil: 1) a meta 20, que determina a ampliação de recursos para educação tendo como referência o crescimento dos investimentos em relação ao PIB brasileiro. Esta meta não admite qualquer possibilidade de desvinculação de recursos para educação; 2) a necessidade de assegurar uma educação pública, gratuita, de qualidade, inclusiva e que respeite a diversidade. Assim, é imprescindível que o projeto educacional brasileiro assegure as condições de construção e consolidação do Sistema Nacional de Educação, respeitando o diálogo democrático com o conjunto plural de sujeitos que compõe este sistema.

Expressamos nossa preocupação com as medidas recentes do presidente em exercício que colocam em risco conquistas importantes para um projeto de inclusão e construção de cidadania efetiva no Brasil.

Outro ponto crítico refere-se ao equívoco de fusão do Ministério da Educação com o Ministério da Cultura, que além de evidenciar a não disposição para o diálogo com a sociedade civil organizada e especialistas do setor, coloca em risco as condições de garantia de políticas públicas nas duas áreas. O mesmo se coloca com a fusão do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação com o Ministério das Comunicações.

A preocupação é que mudanças demagógicas em nome de uma equivocada diminuição de custos na administração pública coloquem em risco políticas estruturantes. A descontinuidade destas significará retrocessos nas condições de produção científica, formação humana e desenvolvimento social do país.

Esperamos e cobraremos dos dirigentes que assumem interinamente a gestão da política educacional, científica e cultural do país responsabilidade republicana para a travessia do grave momento vivido pela democracia no Brasil.

ANPEd – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO

ANPAE- ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE POLÍTICA E ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR

ANFOPE – ASSOCIAÇÃO NACIONAL PELA FORMAÇÃO DOS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO

CEDES – CENTRO DE ESTUDOS EDUCAÇÃO E SOCIEDADE

FORUMDIR- FÓRUM DE DIRETORES DAS FACULDADES DE EDUCAÇÃO

AbdC – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CURRÍCULO

Baixe aqui o Manifesto.

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CNE: nomeações de Mercadante podem ser revistas

Antes de sair do cargo Mercadante nomeou algo em torno de 50% dos novos componentes do Conselho Nacional de Educação. Mendonça Filho está procurando base jurídica para rever as nomeações. Certamente quer criar uma maioria folgada para aprovar sua política educacional naquela câmara. Quem avisa é Josias de Souza:

“Numa das decisões consideradas atípicas, Mercadante antecipou a nomeação de membros do Conselho Nacional de Educação. Trata-se de um dos órgãos mais relevantes do MEC. Auxilia o ministro na formulação e avaliação da política nacional de educação. Integram-no 24 membros. Seus mandatos expiram apenas em julho. Mas Mercadante antecipou-se.

Entre reconduções e substituições, o ex-auxiliar de Dilma, hoje uma presidente afastada, definiu algo como metade do conselho. Com isso, impôs um fato consumado ao sucessor. Entretanto, como Cavalo de Troia não trota, a AGU busca embasamento jurídico para retirar os conselheiros que Mercandante enfiou dentro da gestão alheia.”

Leia aqui.

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RS: ocupações atingem 20 escolas

O Rio Grande do Sul já tem 20 escolas ocupadas e seus professores entraram em greve. É mais um estado onde os estudantes e professores resolvem assumir a frente em defesa da escola pública.

“Carregando colchões e barracas, cerca de 30 alunos entraram na escola em um dia incomum: o domingo. “O que vocês vieram fazer aqui?”, perguntou o vigia. “Temos reunião do grêmio estudantil”, responderam. Entraram e logo colocaram cadeados em todos os portões.

Assim começou a ocupação do colégio estadual Protásio Alves, no último domingo (15), em Porto Alegre. A escola é uma das 20 ocupadas em todo o Rio Grande do Sul –sendo dez na capital gaúcha–, segundo levantamento do grupo “Ocupa Tudo RS” divulgado na tarde desta segunda-feira (16).”

Leia aqui.

Independentemente dos ganhos imediatos destes movimentos, eles serão fundamentais na geração de novas lideranças experientes na luta em defesa da escola pública. Enquanto as contradições vão se aprofundando pela guinada à direita do governo Temer, os movimentos vão se preparando para o embate. A geração de lideranças entre a juventude é fundamental para a luta em curso.

É de fundamental importância que estas novas lideranças incluam entre as bandeiras de luta a recusa à terceirização de gestão das escolas públicas, bem como, seguindo os passos dos estudantes do Rio de Janeiro, comecem a questionar os sistemas de avaliação de larga escala destinados a pressionar as escolas e dividir os trabalhadores da educação por mecanismos como o pagamento de bônus.

É preciso unificar a pauta de luta nacionalmente e generalizar a resistência a partir dos estudantes, professores e pais.

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RJ: ocupações e greves mudam a pauta

O ex-secretário da educação do Estado do Rio, Wilson Risólia, gabava-se de ter deixado as escolas estaduais do Rio no topo da qualidade. Mas a qualidade “numérica” das médias, nem sempre corresponde à qualidade real, social, esperada para a educação. A educação é uma área colaborativa, por excelência. Não se presta para as ideias concorrenciais. A concorrência, associada à adoração da elevação das médias, promove a fratura das relações entre os profissionais das escolas.

Risolia, agora, dedica-se a ganhar dinheiro na Consultoria Falconi fazendo marketing com o exemplo da “excelência” que implantou no Rio. Com isso, procura convencer outros estados a copiarem a receita. No entanto, o Rio de Janeiro está com a educação em crise. Com 68 escolas ocupadas e greves, as escolas estão literalmente paradas. O que ocorre?

É sabido que as políticas de responsabilização verticalizadas, como as implantadas no Rio, têm pernas curtas. São resultados obtidos sob pressão de uma gestão autoritária. Quando passa a pressão e quando os efeitos colaterais de tais medidas se apresentam, as redes beiram a crise.

Se o Rio tivesse investido em uma política de responsabilização participativa negociada com as escolas; investido menos em sistemas de avaliação externos para pressionar as escolas, gastando milhões; se tivesse chamado as forças vivas das escolas a se envolverem com um projeto de qualidade negociada, as mudanças – mesmo em tempos de crise – teriam mais sustentação e apoio.

Como é típico dos reformadores empresariais, não se deve esperar que reconheçam a falha de suas próprias políticas. Para eles, quando elas falham, é porque não foram bem aplicadas ou não se soube dar continuidade a elas. São sempre os outros que acabam comprometendo os resultados de suas receitas. Em outros países onde estas políticas fracassaram, ocorre o mesmo.

A crise da educação estadual no Rio trouxe preocupação para os adeptos da política implantada por Risolia. Como sabemos, esta semana o Secretário de Educação do Rio de Janeiro, Antonio Neto, caiu em meio à crise da educação e foi substituído no cargo por Wagner Victer. A troca é bem vista pelos reformadores pois Neto, o secretário que saiu, acenava com possibilidades de modificação desta política.

Juntamente com saudar a troca de secretários, o editorial de “O Globo” ataca: “Maus passos na Educação fluminense: Extinção do sistema de avaliações nas escolas, fruto de pressão sindical, acaba com método responsável por avanços no ensino do estado e que virou parâmetro para bonificações”.

“Mas resta saber se a mudança ficará ao nível das mexidas tópicas ou se o câmbio na direção representará uma real correção de rumo na gestão, providência inadiável. Após um período, pré-crise, em que se contabilizaram avanços no gerenciamento da Educação fluminense, a secretaria tem dado maus passos. Um deles com potencial para botar a perder importantes conquistas no setor.

Pressionada pelos grevistas e acuada pelo movimento de ocupação de escolas, a secretaria trocou a negociação por um nefasto escambo, ao pôr na mesa a proposta da extinção do Saerj (Sistema de Avaliação da Educação do Estado do Rio de Janeiro). Eficiente dispositivo de monitoramento do aprendizado, o sistema tornou-se uma pedra no caminho do corporativismo sindical. Ao admitir revogá-lo, o governo cedeu ao anacronismo.”

Leia mais aqui.

Os reformadores defendem suas ideias por fé ideológica que têm nelas, ou seja, não precisam de evidência empírica. Não existem dados que comprovem a eficácia de bonificação para professores. De Nova York até São Paulo, os dados não sustentam estas políticas. Desde 2008 a rede estadual de São Paulo utiliza bônus de desempenho para seus professores, implantado por Maria Helena Castro, e isso não melhorou em nada sequer a média das escolas que têm oscilado em torno do mesmo valor. Como “premio” ela vai espalhar esta besteira pelo Brasil, agora no MEC. Como se vê, a realidade não conta. Como diz Ravitch: bônus é uma ideia que nunca funciona e nunca morre.

Bônus é uma medida usada por aqueles que querem resolver a crise fiscal e de quem não prioriza a educação e não quer pagar salários adequados. É uma armadilha que os professores e suas entidades precisam evitar. Levará, no momento seguinte, a políticas mais perversas para o magistério público.

A existência de um sistema de avaliação de larga escala para as redes é um instrumento que pode até existir, mas que precisa estar dentro de uma outra política pública. Ele deve avaliar os governos e não as escolas e seus profissionais. Deve estar associado à avaliação institucional participativa em cada escola, envolvendo pais, professores, gestores e, principalmente, os estudantes. É preciso olhar para os condicionantes globais do desempenho de uma escola e não pressioná-la a melhorar médias. Estas não servem como métrica para avaliar o trabalho da escola.

Torçamos para que o Rio tenha a possibilidade de reorientar a sua política educacional apostando no envolvimento das escolas, na avaliação conduzida pelas próprias escolas e seus profissionais, dentro de uma política que não tenha como horizonte a pressão por metas irrealizáveis e bônus.

Em um artigo publicado em março de 2016, Diane Ravitch resume a longa e desastrosa experiência dos Estados Unidos no uso destas ideias que Risolia deixou para o Rio:

“grandes ideias não podem ser impostas às pessoas sem o seu consentimento. Dinheiro e poder não são suficientes para melhorar as escolas. A verdadeira melhoria acontece quando estudantes, professores, diretores, pais e da comunidade local colaboram para o benefício das crianças. Mas uma outra lição é ainda mais importante: melhorar a educação não é suficiente para “salvar” a todas as crianças da vida de pobreza e violência. Como uma sociedade, nós devemos ter vergonha que tantas crianças estejam imersas na pobreza e na violência todos os dias de suas vidas.”

O Rio pode optar por continuar a pressionar as escolas a melhorar suas médias de desempenho nos testes. Será muito bom para consultorias que vendem avaliação de larga escala, mas isso não conduzirá à melhoria sustentável da educação do Rio. Outras alternativas estão à disposição, mais colaborativas e negociadas que conduzem a uma responsabilização participativa, com a qual se pode contar em momentos de crise.

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MT vai privatizar 76 escolas e 15 Cefapros

A Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso publicou material que dá base para o processo de privatização de 76 escolas e 15 Cefapros – Centros de Formação e Aperfeiçoamento Profissional – da rede estadual.

Baixe aqui e aqui a relação de escolas e Cefapros envolvidos.

O processo de privatização se amplia e, com a crise fiscal, os governos vão sendo jogados cada vez mais para estas alternativas que somente vão agravar, no futuro, os problemas educacionais nos estados.

É lamentável o desmonte da educação que está em curso no Estado de Mato Grosso e que segue o caminho do Estado de Goiás.

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Maurício Romão na SERES do MEC

A Assessoria de Comunicação do MEC divulga a nomeação do economista Maurício Romão para a Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (SERES) no MEC:

“O ministro da Educação e Cultura, Mendonça Filho, anunciou nesta terça-feira, 17, o economista Maurício Costa Romão como novo titular da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). A secretaria é responsável pela regulação e supervisão de instituições de educação superior públicas e particulares do sistema federal de educação superior; dos cursos superiores de graduação nas modalidades bacharelado, licenciatura e tecnológica e de cursos de pós-graduação lato sensu nas modalidades presencial e a distância.

Cabe ainda à Seres a certificação de entidades beneficentes de assistência social na área de educação e a promoção da qualidade do ensino, a partir do estabelecimento de diretrizes para a expansão de cursos e instituições, de conformidade com as diretrizes curriculares nacionais e de parâmetros de qualidade de cursos e instituições.

Maurício Romão é mestre e pós-doutor em economia pela Universidade de Illinois, Estados Unidos, e atuou como professor visitante das universidades de Illinois, da University College London e em Harvard. Foi secretário de administração e reforma do estado do governo de Pernambuco, secretário-adjunto de planejamento da prefeitura de Recife, diretor de administração de incentivos da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), consultor do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (Iica) da Organização dos Estados Americanos (OEA) e coordenador do Projeto Iniciativa pelo Nordeste, apoiado pelo Banco Mundial.

Na academia, foi chefe do Departamento de Economia e coordenador de mestrado de economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), membro da comissão de especialistas de economia do MEC e do Comitê Assessor de Economia do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), consultor ad hoc do CNPq e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pesquisador nível I do CNPq. Atuou ainda como secretário-executivo da Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia (Anpec), diretor da Sociedade Brasileira de Econometria, membro da comissão deliberativa do Programa Nacional de Pesquisa Econômica. Foi bolsista de estudo e de pesquisa no exterior pela Capes–Comissão Fulbright, pela Ford Foundation e pelo CNPq–British Council.

O economista, em seu blog, defende a “avaliação sistemática com recompensa e remuneração variável” e a “flexibilização da estabilidade do funcionalismo público”:

“Hoje em dia, em tempos de revolução nas comunicações, requer-se transformar estruturalmente o aparelho do Estado, adotando uma administração pública moderna, orientada por cultura gerencial, de eficiência e qualidade na prestação de serviços: descentralização decisória, forma flexível de gestão, horizontalização de estruturas, descentralização de funções, avaliação sistemática de desempenho do servidor, mas com recompensa e remuneração variável, etc. O carro-chefe é o controle a posteriori dos resultados com foco no cidadão-cliente.

Para atingir esse desiderato é essencial flexibilizar a estabilidade do funcionalismo público, preservando o instituto apenas para algumas poucas carreiras típicas de Estado, a exemplo do que ocorre em vários países do mundo moderno, como na Coreia, Dinamarca, Nova Zelândia, Finlândia, Reino Unido, Suíça, entre outros.”

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MEC: travessia para nenhum lugar

O Ministro da Educação divulgou quem ocupará a Secretaria Executiva do MEC e o INEP: duas áreas importantes. Pela primeira delas passa toda a política educacional das várias Secretarias do MEC e pela segunda toda a política de avaliação da educação básica e de acompanhamento do PNE. As indicações tendem a isolar mais ainda o MEC da comunidade educacional.

Os novos habitantes do MEC há muito militam em círculos políticos e têm compromissos com outra comunidade: a dos reformadores empresariais da educação.

Maria Helena Castro milita há anos na ONG Parceiros da Educação (acesso em 17-5-16, 11:27h) a qual participou da elaboração do programa que orienta a educação paulista até hoje, chamado “PROGRAMA EDUCAÇÃO – COMPROMISSO DE SÃO PAULO”. O programa é financiado por meia dúzia de fundações articuladas em torno de Jair Ribeiro do Banco Indusval & Partners. Contém uma parte destinada à Educação Integral no ensino médio copiada de Pernambuco, cujo início em forma experimental se deu à época em que o atual Ministro da Educação Mendonça Filho substituiu Jarbas Vasconcelos no governo daquele Estado, e foi implementado com apoio da ONG Instituto de Co-responsabilidade Educacional – que atua em vários estados, inclusive em São Paulo paga por fundações privadas. Na Secretaria já atuou a McKinsey e agora atua a consultoria Falconi.

Em 2010 a Parceiros da Educação produziu um documento síntese das suas ideias para transformar a educação brasileira. O link para este material já não existe mais (encontrei apenas um resumo), mas você pode recuperar parte das ideias lendo uma análise que fizemos à época de sua divulgação (veja aqui neste post e nos seguintes).

O Estado de São Paulo já usou quase todo o arsenal de ideias dos reformadores que agora está sendo transferido para Brasília no MEC. Os resultados para a educação paulista, mesmo que medidos na métrica dos testes dos reformadores, são desalentadores. Importar a estratégia paulista para o MEC é premiar o insucesso, é fazer política pública desconsiderando as evidências.

Nos gráficos abaixo é apresentado o rendimento médio dos estudantes da rede paulista no SARESP, criado pelos próprios reformadores, em português e matemática, ano a ano desde 2008, para o ensino fundamental inicial (5a.), para o ensino fundamental anos finais (9o.) e para o ensino médio (3o.).

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Leia análise aqui.

No Estado de São Paulo, mesmo Geraldo Alckmin (PSDB), atual governador, procurou manter este grupo distante da Secretaria de Educação. Maria Helena Castro, que já foi Secretária da Educação no estado entre 2007 e 2009, andava em desvio lá pela Diretoria Executiva da SEADE (Consulta em 17-5-16, 11:55h). Alckmin preferiu colocar Herman na Secretaria de Educação e mesmo agora com a saída de Herman, não chamou de volta os remanescentes do grupo de Paulo Renato Souza, mas preferiu alguém de fora, o jurista Nalini.

Esta é a razão pela qual toda essa equipe de Fenando Henrique Cardoso está “desocupada” no Estado de São Paulo e pronta para seguir para Brasília. Há outros reformadores, mas poucos com a definição ideológica destes. E Raquel Teixeira, de Goiás, está ocupada privatizando a educação goiana. Francisco Soares esteve até poucos meses no INEP, mas problemas pessoais o retiraram deste posto. Manuel Palácios, de Minas Gerais, já está na SEB no MEC e se nenhum “grandão” precisar de seu espaço, pode ser que nem venha a ser trocado, pois tem perfeita sintonia com os novos ocupantes. Há muitos outros, mas estão alojados em empresas educacionais, Institutos e ONGs. Tentam trazer Claudia Costin para o MEC, que está no Banco Mundial, também defensora de reformas empresariais para a educação.

O grupo que segue para Brasília é tido aqui em SP como um grupo que gera mais problemas do que resolve. E isso não tem nada a ver com a competência destas pessoas. O problema é que são pessoas competentes com ideias e métodos errados sobre educação. E é isso que as torna um risco. Quando temos incompetentes, seja qual for a ideia, nada acontece. Isso não é bom. Mas, da mesma forma, pessoas competentes com ideias erradas, podem produzir grandes estragos.

Para piorar, estas ideias já estavam orientando o governo de Fernando Henrique Cardoso há 13 anos. Lula as interrompeu em 2003, embora tenha seguido flertando com algumas delas, como sempre denunciamos. O mundo girou. Estas ideias foram aplicadas em vários países e avaliadas. Há farta literatura mostrando a inadequação das políticas de responsabilização verticalizadas, movidas a testes padronizados e a indução baseada em acesso a recursos federais, em troca de implantar certas políticas centrais. (Veja aqui e aqui.) Estados Unidos e Chile, colocaram o pé no freio. Só não conseguem revertê-las mais porque há um poderoso mercado educacional de bilhões de dólares ligado a elas.

Estas ideias voltarão agora a ser implementadas quando já demonstraram não ser adequadas para a educação. Nem suas sucessivas atualizações demonstraram igualmente avanço – a cidade de Nova York que o diga, vítima que foi por 12 anos. É uma agenda internacional induzida por organismos internacionais e pelo dinheiro de fundações locais privadas que está destinada a criar um mercado que drena recursos públicos da educação pública, contribuindo para sua derrocada. É a retomada da Reforma do Estado de FHC.

Conduzem à privatização da educação básica através de vouchers e terceirização de gestão destruindo a educação e o magistério públicos. Por onde passaram geraram epidemias de testes pelas redes de ensino que fizeram com que nos Estados Unidos mais de 500 mil pais no ano passado proibissem seus filhos de realizar testes, temendo os efeitos negativos sobre suas personalidades e sobre a saúde destes. Estas políticas não diminuíram a brecha educacional entre estudantes pobres e ricos, nem entre negros e brancos. Precarizaram o magistério propondo uma formação aligeirada e pagamento de bônus, pretensamente a título de “valorizar” o professor. Nada disso funcionou para melhorar a educação.

Com quinze anos de atraso, retomaremos de forma intensa o ideário dos reformadores, para confirmar ao final o que outros países já sabem: sem a participação de cada escola, de seus profissionais, estudantes e da comunidade, não há como ampliar a melhoria da qualidade da educação. Ela não se impõe por responsabilização verticalizada, via avaliação, bônus e privatização, mas por um compartilhamento das responsabilidades, por uma responsabilização participativa e negociada que tenha como centro a própria escola.

Poderão até induzir, por pressão, um aumento na média de desempenho dos alunos nas escolas, mas média mais alta em testes não é sinônimo de boa educação.

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Educação: golpe dentro do golpe

O golpe jurídico-parlamentar que levou Temer ao poder sem nunca participar de uma eleição nos coloca diante de um governo ilegítimo e biônico. Isso já seria motivo suficiente para se esperar da área educacional uma atitude enérgica de recusa ao reconhecimento deste governo. Não bastasse isso, há ainda um golpe dentro do próprio golpe quando olhamos para as indicações que estão sendo feitas para a área da Educação.

Político de carreira desde seus 20 anos, na esteira do pai, e ignorante da área da educação, se vê obrigado a entregar o Ministério ao PSDB. Este partido não quer titularidade nos ministérios do governo Temer, mas quer o controle, na prática, da política desenvolvida pelo governo. Se der certo, mérito do PSDB, se não der, culpa do PMDB. Típico do tucanato. Para complementar, ocorre que o DEM, partido do Ministro, não tem quadros na área da educação para fazer frente ao PSDB – nunca foi governo de fato. Como partido nanico que é, além de conservador, sequer poderia tirar proveito de um eventual sucesso no MEC.

Ora, a política educacional proposta pelo PSDB nas últimas eleições gerais através da candidatura de Aécio Neves foi recusada por 54 milhões de brasileiros e brasileiras. Seu programa apresentado às urnas para a área da educação e derrotado, foi feito inclusive com a participação da própria Maria Helena Castro, agora nomeada Secretária Executiva do MEC, e é uma retomada do governo de Fernando Henrique Cardoso, com os mesmos personagens e as mesmas ideias. O que temos é um golpe na educação dentro do golpe jurídico-parlamentar o que coloca oportunistamente em cena um programa educacional recusado nas urnas.

Pede o Ministro em pronunciamento que haja diálogo. Infelizmente, não é possível, pois o diálogo está condicionado a que se aceite um programa biônico em um governo biônico.

Espera-se que as entidades educacionais e sindicais sejam firmes na rejeição a este governo. Sejam firmes em não reconhecer um programa de governo que foi derrotado nas últimas eleições e que não tem legitimidade para ser implementado. Um programa que nos países onde foi implementado conduziu à ruína da educação pública e à destruição do magistério público, sem levar à prometida melhoria da qualidade da educação.

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Confirmadas as indicações do PSDB

Embora o novo Ministro da Educação seja do DEM, na prática, o MEC está sendo terceirizado para o  PSDB que assume a condução, de fato, da política educacional. As indicações de Maria Helena Castro e Maria Ines Fini já estão confirmadas.

“A educadora Maria Inês Fini será a nova presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais), órgão do Ministério da Educação responsável, por exemplo, pela realização do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

Maria Inês já integrou o Inep no governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) entre 1996 e 2002. Na época, chefiou a diretoria de Avaliação. A nomeação foi confirmada pela Folha.

É o segundo nome já confirmado para a nova equipe do ministro Mendonça Filho (DEM) à frente do MEC (Ministério da Educação e Cultura). Maria Helena Guimarães de Castro será a secretária-executiva da pasta.”

Leia mais aqui.

Caminhamos para a implementação da fase II das propostas de Fernando Henrique Cardoso.

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Ministro fala aos servidores do MEC

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USA: professora derruba classificação na justiça

Uma professora e seu marido, que é advogado, estão dando trabalho para o Estado de Nova York ao ganhar na Suprema Corte do Estado uma ação, interposta pelo marido, contra o uso de cálculo de valor agregado na avaliação da professora. Neste tipo de avaliação, a proficiência do aluno medida em testes é um componente da avaliação do professor. De um ano para o outro a professora caiu para o ranking dos “professores ineficientes” o que motivou a ação contra o Estado de Nova York.

As razões pelas quais a Suprema Corte do Estado acolheu a demanda de anular a classificação negativa da professora foram, segundo o blog Answer Sheet as seguintes:

– a evidência convincente e detalhada sobre o viés dos cálculos de valor agregado contra professores situados em ambas as extremidades do espectro (por exemplo, aqueles com alunos de alto desempenho ou aqueles com os alunos de baixo desempenho);

 – o efeito desproporcional do pequeno tamanho da turma da professora e a porcentagem relativamente grande de alunos de alto desempenho;

– a incapacidade funcional dos estudantes de alto desempenho para demonstrar crescimento semelhante a alunos com desempenho mais baixos;

– a variação total inexplicável na pontuação de crescimento de 14 para 1 apesar da presença de estudantes de pontuação estatisticamente semelhantes entre a classe do ano anterior e a atual classe da professora;

– a imposição rigorosa de restrições de classificação sob a forma de uma “curva do sino” que coloca os professores em quatro categorias através de porcentagens pré-determinadas, independentemente de o desempenho dos alunos ter aumentado dramaticamente ou caído dramaticamente em relação a anteriores.

A Corte, em seu julgamento, ouviu um conjunto de profissionais da área sobre cálculo de valor agregado para chegar a este resultado.

O resultado da Suprema Corte estimulou a Rede em Defesa da Educação Pública a estabelecer uma campanha nacional contra o uso de resultados de avaliação de alunos na avaliação dos professores.

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SASE: um pouco de história

O Blog teve acesso a um relatório feito por Flávia Nogueira sobre a constituição e o trabalho da SASE – Secretaria de Articulação com os Sistemas de Ensino – do MEC, o qual conta um pouco da sua história nos últimos anos.

Baixe aqui o relatório.

Links alternativos para alguns materiais mencionados pelo Relatório:

Relatório Final do GT sobre o CAQ. Anexos ao relatório. 2015

Relatório do GT sobre ADE. Anexos ao relatório. 2015

Relatório do Fórum de Avaliação Financiamento Educação Básica 2013

Sistema Nacional Educação – junho 2015

Plano de carreira

Diagnóstico plano de carreira

Outras publicações

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Claudia Costin na equipe do MEC?

Com a possibilidade de retomar o Ministério da Educação, os reformadores empresariais estão procurando recrutar seus melhores quadros. Com Maria Helena Castro (Secretaria da Educação Básica ou Secretaria Executiva do MEC), Maria Ines Fini (INEP), nada difícil termos também Claudia Costin (Banco Mundial) por lá.

Ela já foi pensada para a sucessão de Herman em São Paulo, mas não vingou. Agora, com um desafio maior, ela poderia sentir-se tentada a aceitar deixar a Diretoria Global de Educação do Banco Mundial (onde deve ficar até 2018) para ajudar nesta tarefa, ou mesmo atuar como assessora no MEC enquanto está no Banco.

Em 2012 ela quase foi indicada para a Secretaria de Educação Básica do MEC, mas uma forte reação contrária fez com que a ideia fosse abortada. Relembre aqui.

Veja aqui o que ela pensa:

“A legislação brasileira que deveria proteger os professores armou uma bomba para as contas públicas e criou uma armadilha para a categoria, afirma a diretora global de Educação do Banco Mundial, Claudia Costin. Tirar o professor da sala de aula em 30% de sua jornada, como determina a lei do piso nacional do magistério, vai exigir, “no limite, um terço a mais de professores”.”

Matéria de hoje confirma a possibilidade de Claudia Costin na assessoria do MEC. Veja aqui: MEC no governo Temer terá assessoria de burocrata que defende mais aulas para os professores .

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