Depois do impeachment de Fernando Collor, veio a primeira onda neoliberal de Fernando Henrique Cardoso. Há razões para se acreditar que depois do impeachment de Dilma, teremos uma segunda onda neoliberal comandada pela oposição, PMDB à frente.
Mais ainda, Dilma não tem como parar a operação Lava Jato da Polícia Federal porque a mesma foi, basicamente, feita contra ela, o PT e Lula. Moro, que conduz a Lava Jato, é um juiz que já foi criticado, no passado recente, por supostos excessos em investigações e, pasme, por ninguém menos do que o próprio Gilmar Mendes.
Toda a pressão por geração de evidências que conduzam ao impeachment recai sobre o empresariado nacional pego pela Lava Jato, o mesmo empresariado que deu sustentação ao governo Lula e Dilma, enquanto o empresariado internacional que sempre foi contra e que está envolvido no escândalo do Metro de SP está fora da prisão. Mas, sem Dilma e Lula desaparece o motivo para se manter a Lava Jato, abrindo caminho para um grande acordão que salve os políticos que estão sendo processados com foro especial, via STF. Ou seja, aprovar o impeachment de Dilma pode ter virado tábua de salvação de boa parte do Congresso que vê, neste, o fim das investigações.
Diz-se que impeachment não é golpe porque está previsto na constituição. Sim, mas as condições para se aplicar o dispositivo exigem que haja crime de responsabilidade e, se isso for seguido, não há como justificar o mesmo no caso de Dilma. Impeachment não é golpe apenas se as regras do jogo forem seguidas. Se não forem, é golpe sim. Aqui entra o Supremo Tribunal Federal, único, a meu ver, que pode parar este processo, se houver mobilização social.
“Pedalada fiscal” não dá impeachment e não há nenhuma investigação em curso sobre envolvimento de Dilma com as propinas. Ou seja, até agora, não há crime de responsabilidade. A Lava Jato está pressionando os executivos da Odebrecht como cartada final para ver se sai algo. No presidencialismo não cabe “voto de desconfiança” do Congresso sob pressão “das ruas”, isso é coisa do regime parlamentarista que a população brasileira rejeitou em plebiscito. Presidente não é Primeiro Ministro que o Congresso derruba em uma votação sob pressão das ruas ou de pesquisas de opinião.
Se isto for adiante, o que ocorrerá com a educação?
O desejo do PSDB na privatização não é segredo e o PMDB acompanha. São os governos do PSDB que já estão puxando, hoje, a privatização em Goiás, Pará e em São Paulo. Mas isso, está sendo feito em pequena escala. Trata-se, agora, de montar uma política pública em larga escala para induzí-la para a federação. Os documentos de Mangabeira que tanto nos horrorizaram, parecerão coisa de principiante.
Examinando o que se tem dito para um eventual governo de transição do PMDB, alguns desenvolveram a convicção de que haverá uma grande onda neoliberal de privatização do Estado brasileiro, em especial da educação e da saúde (ver aqui, na fala do último palestrante). Mas não só.
Está em curso um amplo processo que começa com o impeachment, mas não se sabe onde terminará. Possivelmente com a alteração da própria constituição de 88 com a retirada de despesas constitucionalizadas (entre elas as da educação) a revisão do Plano Nacional de Educação (adeus 10% do PIB) e a retirada de direitos sociais hoje garantidos por ela, sem falar de ampla reformulação das relações de trabalho que pode chegar até à substituição da atual CLT. Revisão de regras de aposentadoria e aumento da idade mínima para aposentar, e, claro, a destruição do serviço público pela privatização. É um projeto para um novo estado brasileiro.
Dias trágicos se aproximam para a educação brasileira. A hora é agora.

