ANFOPE questiona a BNCC

A Associação Nacional pela Formação dos Professores da Educação – ANFOPE – divulgou a Carta de Vitória na qual questiona a Base Nacional Curricular. Diz:

“As versões da BNCC, até agora apresentadas, não asseguram os princípios garantidos pela Constituição Federal (1988), pela LDB (1996) e pelas metas e estratégias do PNE (2014-2024), e ameaçam o pluralismo de ideias e concepções politico-pedagógicas, a valorização das experiências em espaços não escolares e a formação para a cidadania; assim como a formação e a valorização dos profissionais da educação. Além disso, não estimulam a gestão democrática, a pesquisa, o trabalho como principio educativo, fragilizando a autonomia da comunidade escolar − professores, estudantes, trabalhadores e pais − na elaboração do projeto político pedagógico curricular da escola.”

Baixe a íntegra da carta aqui.

O documento ainda afirma acertadamente que:

“Entendemos que a BNCC, com sua ênfase no conteudismo, disciplinarização e controle, também promove a mercantilização da educação, reduzindo a avaliação a processos externos de controle baseados em resultados para o ranqueamento de instituições, a adoção de sistemas de bonificação e a responsabilização de professores sobre o desempenho de estudantes. Esses condicionantes, provocam o esvaziamento e alienação do fazer docente, reforçando históricos processos de desvalorização dos profissionais da educação, e fragilizando, sobretudo, a formação, carreira e salários; assim como deslegitimando a escola como espaço de produção do saber, do ensino, da aprendizagem e da profissionalização docente.”

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“Escritos de guerra” a favor da resistência organizada já – Fim

A contradição entre neodesenvolvimentistas e neoliberais que durante o governo Lula e Dilma nos atormentou, todos no governo (basta lembrar que Moreira Franco o agora chefe das privatizações de Temer era Secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República; que Reynaldo Fernandes, Presidente do INEP sob Lula, o pai da Prova Brasil, revela-se agora um defensor das escolas charters; que Ricardo Paes de Barros, ajudante de Mangabeira Unger e Moreira Franco, é agora um crítico dos programas sociais – para citar alguns) esta contradição agora se resolve pelo lado dos neoliberais e na área da educação pelos reformadores empresariais que disputaram a agenda com os educadores profissionais todo o tempo.

Os liberais, dentro do governo de Lula e Dilma tentaram colocar sua agenda. Ganharam em vários aspectos, mas isso não era suficiente para a dimensão do realinhamento que eles esperavam fazer em associação com forças políticas locais. Cansados, resolveram rever a aliança e associar-se a forças neoliberais nacionais e internacionais.

É claro que o que mais incomodou as elites empresariais foi a política econômica que estagnou a produtividade do trabalhador brasileiro ao longo deste período e elevou, ao mesmo tempo, a renda média da força de trabalho, jogando o país no que os economistas chamam de “a armadilha da renda média elevada” que acabou por dificultar a realização do lucro nos patamares convencionados pelo capital, e gerou o descrédito do governo junto a estes setores. Ao mesmo tempo que os salários e os gastos sociais aumentavam, a produtividade empacava. O pato amarelo da FIESP tem este significado.

Este é um possível entendimento para o momento que estamos vivendo. Mas independentemente de sua precisão, sempre discutível, o fato é que ele aponta – e isso é mais importante – para políticas de ciclo longo e para uma mudança do cenário político, econômico e social brasileiro. E neste quadro, a educação será atingida pela privatização em todos os níveis, por um lado, e por outro, por uma onda conservadora que se expressa muito bem nos projetos de retirada da autonomia do professor como o “escola sem partido”. São lados de uma mesma moeda, pois eles exemplificam as próprias forças que neste momento se juntam, como na era FHC, para “tornar o país confiável” perante as grandes corporações internacionais: por um lado os liberais, por outro os conservadores.

Este é um cenário que, concretizado, colocará grandes dificuldades para os educadores nos próximos anos. Daí a necessidade de que, agora, nossas entidades e lideranças encontrem temas que nos unifiquem na luta. E penso que a questão da escola pública de gestão pública (estatal) pode ser um dos bons candidatos à unificação da luta.

Por ela passarão boa parte das lutas mais específicas que teremos de realizar: contra a padronização da base nacional comum, contra a padronização da formação de professores, contra a padronização de materiais didáticos e sistemas on line de ensino, contra a privatização em suas variadas formas, contra a indução destas políticas através da lei de responsabilidade educacional e da lei do sistema nacional da educação, e outras mais.

Não tenho Los abuelos de chilea menor dúvida de que os professores, estudantes, gestores e pais se unirão para barrar esta política educacional como fazem hoje no Chile e nos Estados Unidos. Mas isso não ocorrerá automaticamente. E não devemos permitir, em defesa das novas gerações, que estas fiquem relegadas a esta política educacional por 30 anos, como aconteceu em outros países.

Temos que encurtar este ciclo e podemos fazê-lo, pois, hoje, estamos apoiados pela luta que já se desenvolve nestes outros países: por mais de 100 mil estudantes nas ruas do Chile contra estas políticas, por meio milhão de pais que nos Estados Unidos retiraram seus filhos dos testes padronizados, pela academia que investiga e desmascara diariamente os efeitos nefastos destas políticas, pelos professores que rejeitam serem convertidos em meros atendentes de sala de aula, manipulando sistemas de ensino pré-fabricados.

Mas isso implica que levemos a sério a ameaça em que estamos inseridos e que não subestimemos nossos adversários. São pessoas inteligentes e competentes com concepções de educação que conduzirão a práticas equivocadas no âmbito da educação. Somente uma resistência ativa e massiva de professores, gestores, estudantes e pais, poderá barrar esta política e essa resistência precisa ser constituída de imediato. Uma vez iniciado, o trajeto da privatização é longo. Começa modesto e avança continuamente ao longo dos anos até chegar, como no Chile, a 70% da educação básica. E insistimos, não há diferença se a privatização é por organizações sociais com ou sem fins lucrativos.

Não há dúvida que ao final seremos muitos a lutar contra tais políticas. Não há dúvida que os problemas centrais da educação brasileira serão agravados e não resolvidos e outros serão acrescidos, entre eles:  o estreitamento curricular (ensinar para o teste); competição entre profissionais e não a colaboração; pressão sobre o desempenho aluno e preparação para testes com adoecimento progressivo e grande recurso à medicalização; fraudes na contagem das proficiências e na gestão; aumento da segregação socioeconômica nos territórios; aumento da segregação dentro da escola; precarização da formação do professor; destruição moral do professor; destruição da escola pública, o que constitui uma ameaça à própria democracia contemporânea.

Sobre todos estes aspectos, há farta literatura proveniente dos países que se envolveram com tais políticas. Não se trata de mero pessimismo, há evidências. Se o que a literatura descreve também ocorrerá ou não no Brasil e em que ritmo, isso não é uma questão teórica e sim prática. Em minha experiência de participação em inúmeras atividades com os professores das redes de ensino do país, o que se percebe é que muitas destas políticas já estão se materializando nos dias de hoje, bem na contramão do que alguns pensam. Ainda me lembro daqueles que consideravam, nos idos de 1989, que falar em neoliberalismo no Brasil era fantasmagoria de marxistas. Os governos de Color e de FHC, logo depois, modificariam nossa forma de pensar.

No entanto, quanto destas políticas conseguiremos evitar, dependerá de quanta resistência consiga ser organizada para contrariar tais ideias desde já. O cenário aponta para elas e isso é suficiente para agirmos de imediato, ao invés de louvarmos uma hipotética resistência teórica que um dia cairá dos céus…

As contradições certamente estarão permeando a prática das escolas, mas elas não se converterão em luta pela mera constatação de que haverá resistência. Se esta resistência não for convertida em prática concreta, organizada, poderemos entrar em um longo ciclo destas políticas cujos efeitos se farão sentir desde já, mas cuja reação só aparecerá muito tardiamente, depois que tenha atingido várias gerações de nossas crianças e jovens. E um elemento central na mobilização da resistência é saber contra o que e contra quem devemos lutar e por que.

Há um longo caminho para mostrar aos pais, principalmente, que média mais alta na escola não é sinônimo de boa educação. E estamos atrasados.

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“Escritos de guerra” a favor da resistência organizada já – IV

Vários autores têm tentado dar pistas sobre estas mudanças de alinhamento nas alianças de classes e frações de classes no cenário atual. Tudo indica que o compromisso de Temer é com um quadro de reformas e de entrega do país às forças neoliberais (internas e externas), e ele assumiu este compromisso de promover as reformas necessárias (duras e antipáticas se necessárias) para readequar o pais à lógica das cadeias produtivas internacionais e suas exigências operacionais.

Isso inclui alterar a legislação trabalhista, aprovar e regulamentar a terceirização, cortar e desvincular gastos sociais, alterar a previdência social (aqui as administradoras de fundos de pensão estão aguardando), legislar para favorecer a abertura do país, liberar a ação do agronegócio ainda mais, assinar acordos de comércio internacionais e, claro, a privatização é um dos pontos centrais das reformas, na esteira da diminuição do estado em todas as formas (outorga, concessão e venda). São pressões que passam por grandes corporações que exigem alterações que “provem” que o país esta se “modernizando” para garantir que os investimentos sejam rentáveis. A isto chama-se “recuperar a confiança no Brasil”.

Como analisa Dowbor:

“Por meio do endividamento do Estado e dos outros mecanismos, gera-se um processo em que o governo, cada vez mais, tem de prestar contas ao ‘mercado”, virando as costas para a cidadania. Com isto, passa a dominar, para a sobrevivência de um governo, não quanto está respondendo aos interesses da população que o elegeu, e sim se o mercado, ou seja, essencialmente os interesses financeiros, se sentem suficientemente satisfeitos para declará-lo ‘confiável’. De certa forma, em vez de república, ou seja, res publica, passamos a ter uma res mercatori, coisa do mercado”.

O que mais temos ouvido é que o governo Dilma perdeu a confiança e que o governo interino de Temer está recuperando a confiança no país. Confiança de quem, em que? As modificações em curso jamais seriam postas em prática pela via eleitoral. Daí a utilidade do golpe.

Como chegamos a isso é o tenta esclarecer Tatiana Berringuer:

“As explicações para tais alterações têm suas razões em fenômenos sócio-econômicos acumulados ao longo dos últimos 20 anos e que envolveram duas grandes correntes: por um lado, o neodesenvolvimentismo aglutinado em torno das classes empresariais nacionais, assustadas com as reformas do primeiro ciclo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso que se aglutinaram no apoio a Lula; por outro, o neoliberalismo remanescente da era FHC de forte tendência entreguista e submissa ao capital internacional. A partir de 2014, pressionada pelos parcos resultados econômicos e pela crise internacional, as classes empresariais nacionais desfazem esta aliança com os neodesenvolvimentistas e retomam a articulação com os neoliberais, rompida na era FHC. ”

Bresser Pereira também, a propósito de analisar o Brexit (Inglaterra), nos dá uma pista importante:

“A força do capitalismo esteve sempre baseada em um pacto nacional, em uma relação entre nacionalismo desenvolvimentista e liberalismo econômico. Isso foi esquecido pelas elites globais. ”

Para ele, cada vez mais os liberais dependem da mais valia internacional e não da produzida localmente e isso leva à secundarização das alianças locais. Isso ajudaria a explicar porque se desfez a aliança construída no Brasil entre os neodesenvolvimentistas e os liberais, com Lula.

Disto deriva, também, a importância que tomam os acordos internacionais. O caso destes acordos é emblemático, como aponta Ladislau Dowbor:

“Tais acordos amarram um conjunto de países com regras internacionais em que os Estados nacionais perderão a capacidade de regular questões ambientais, sociais e econômicas, e muito particularmente, as próprias corporações. Pelo contrário, serão as próprias corporações a impor-lhes — e a nós todos — as suas leis. Nas palavras de Luís Parada, um advogado de governos em litígio com grupos mundiais privados, “a questão finalmente é de saber se um investidor estrangeiro pode forçar um governo a mudar as suas leis para agradar ao investidor, em vez de o investidor se adequar às leis que existem no país. ”

Não é outra a razão para Temer ter sinalizado a José Serra, Ministro das Relações Exteriores, para seguir com o TISA – Trade In Services Act – que sob Dilma esteve paralisado.

“Um desses acordos chama atenção especial: o TISA, um acordo multilateral secreto que está sendo negociado desde os meados de 2012, sob a liderança dos EUA e da União Europeia. Esse acordo já inclui mais de 50 países e tem a pretensão de estender o alcance e as normas do AGCS na OMC. Um texto de 19 páginas desse acordo foi vazado em junho de 2014 por Julian Assange, do Wikileaks. O texto revela os objetivos de privatizar serviços básicos, como saúde, transporte, energia, telecomunicações, limpeza e educação, que passariam a ser cobrados e geridos por empresas e não mais pelos Estados. Posto em prática, o acordo abarcaria cerca de 70% dos serviços públicos do mundo, o que implica na perda da soberania sobre recursos naturais, como água e serviços públicos essenciais, incluindo educação. ”

Haverá um esforço muito grande em caracterizar a educação como um “serviço” com a finalidade de mercantilizá-la. Convertida em “serviço”, ele poderá ser prestado por “fornecedores públicos ou privados”. Também como serviço, o aluno deixa de ser usuário e passa a cliente. Como cliente deve pagar pelos serviços, a menos que não possa: os gastos públicos ficam “focalizados” no atendimento desta parcela que não pode pagar, segundo determinados critérios. Os demais pagam.

Leia mais aqui e aqui sobre o TISA.

Se estas análises se firmarem como explicação para o momento que estamos atravessando, isso nos coloca diante de um novo cenário com desdobramentos para a área educacional muito distintos do que até agora tínhamos.

Continua no próximo post.

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“Escritos de guerra” a favor da resistência organizada já – III

A questão agora, não é como nós faremos uma educação pública alternativa. Isso as CONAES já vinham sistematizando. No máximo, isso poderá continuar a ser construído em alguns estados e municípios. Mas no plano federal, a questão passa a ser a de abrir uma clareira neste mar de ações que o governo interino Temer está pondo e porá em ação. A questão, agora é prática, é organizar a resistência, para poder, então, em algum momento, permitir a sobrevivência de experiências locais e voltar a construir um sistema de educação público voltado para a emancipação humana.

Este momento de reconstrução da educação pública, em nível federal, pode não estar muito próximo. Estas políticas dos reformadores são de ciclo longo. Daí que toda resistência que nos leve a abreviar seu ciclo é de extrema importância. As ações sugeridas no post anterior, entre outras, têm esta destinação. Hoje, com o que já sabemos destas políticas em voga no Chile e nos Estados Unidos, já estamos em melhores condições de combate-las do que estávamos há 13 anos atrás. E como demonstra a experiência destes países, os reformadores empresariais não vão ser bem-sucedidos por aqui. Portanto, temos que, desde já, divulgar suas consequências, discutir sua concepção, seus conceitos, a quem servem e a quem prejudicam e organizar uma agenda de resistência a favor da escola pública de gestão pública. O que está em jogo é o futuro da formação de nossa juventude e de nossas crianças. E em nome delas, este não pode ser um ciclo longo.

Mas ainda faz sentido falar em “escola pública”?

Escola pública e gratuita, como bandeira de luta, perdeu sentido. Ficou deturpada quando a escola pública pôde ser colocada, no todo ou em parte, sob controle de organizações sociais com ou sem fins lucrativos, continuando a ser chamada de “escola pública”. Para acessar recursos públicos, encontrou-se uma forma de continuar chamando esta hibridização da gestão de “escola pública”. Para retomar seu sentido original, no entanto, será necessário recuperar o sentido de “estatal” presente na antiga denominação de “escola pública”.

A escola pública gerida privadamente é uma escola gratuita para o aluno e paga pelo estado diretamente à organização social. Mas como esta escola privatizada não cobra dos seus alunos, pois recebe diretamente do estado, ela continua gratuita para este aluno, e também é chamada de escola pública. O uso desta denominação é mantido até mesmo para que a iniciativa privada possa acessar recursos públicos.

Portanto, ficou confuso, hoje, dizer que se luta pela escola pública e gratuita, já que essa formulação adequa-se também às escolas charters, aos vouchers e a todas as outras formas de privatização. Se queremos nos diferenciar e retomar o verdadeiro sentido de “escola pública e gratuita”, hoje, devemos adicionar que desejamos uma “escola pública, gratuita e de gestão pública” ou se quisermos ser mais explícitos “escola pública, gratuita e de gestão estatal”. Declarando o lado da gestão estatal como entendimento de “publico”, evitamos os “atalhos” com que os privatistas estão iniciando a rota da privatização das escolas públicas brasileiras, entre elas a manutenção de um diretor ligado à rede pública, concursado, tentando separar o pedagógico do administrativo, e colocando este último sob a gerência de uma Organização Social (inicialmente sem fins lucrativos), como se fosse possível separar a gestão administrativa e a gestão pedagógica da escola. Pouco resolverá, adicionar que lutamos por uma educação de qualidade socialmente referenciada, pois isoladamente, também essa formulação ficou limitada, já que não se concretizará em escolas privatizadas inseridas em um mercado competitivo guiado pelo IDEB.

Fundamental, também, é que passemos de um “reconhecimento teórico da importância da resistência” a “ações práticas de resistência (ativa) ”. A onda privatista que se avizinha é um tsunami que exigirá muita resistência, talvez nunca vista. Mas se não caracterizamos contra o que e contra quem estamos resistindo, como as pessoas podem se envolver na resistência? Não há resistência em um vácuo político. É preciso estabelecer que estamos em luta contra as teses dos reformadores empresariais da educação baseadas em responsabilização, padronização/avaliação e privatização. É pela responsabilização, padronização e avaliação, que se coloca os sistemas públicos na rota da privatização. Isso amplia nossa luta que deve ser não só contra a privatização, mas também contra as práticas que preparam e viabilizam a privatização.

O que está sendo previsto, não é algo como aquela resistência que nos acostumamos fazer quando estas ideias apareceram durante o governo FHC, ou mesmo durante os governos de Lula ou Dilma. Estamos diante de um novo cenário, de um novo arranjo entre classes e frações de classes hegemônicas, com efeito generalizado.

As classes empresariais e financeiras locais resolveram mudar sua estratégia e se associar ao neoliberalismo internacional com o objetivo de conectar suas cadeias locais de negócios à geração da mais valia no plano internacional. É este um dos significados mais importantes do golpe em curso.

Continua no próximo post.

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“Escritos de guerra” a favor da resistência organizada já – II

Continuação do post anterior.

Novamente, o que pode nos unir e quem são os que precisamos unir? Entre os temas candidatos a incentivar tal união, penso que a questão da “sobrevivência da educação pública de gestão pública”, como oposição à sua privatização (com ou sem fins lucrativos), seja uma forte proposição. Esta é uma formulação inicial que precisa ser mais discutida, mas é pelo menos um bom termômetro de quanto estamos ou não saindo danificados destes últimos 13 anos. Para enfrentar os tempos difíceis que virão, temos que definir limites balizadores dos objetivos da resistência. A flexibilidade das ações, não pode diluir a clareza estratégica do que se pretende.

Um passo importante já foi dado: a criação do Comite Nacional contra o Golpe. É preciso que haja coordenação. Mais ainda falta uma agenda temática aglutinadora que mobilize a academia, os sindicatos, os pais, professores, estudantes, gestores e a sociedade em geral. É fundamental ampliar o arco de alianças e ir além da usual articulação exclusivamente baseada na representação de entidades. Temos também que chegar nos sujeitos que serão diretamente afetados por estas políticas. No novo modelo de gestão que está sendo construído, as entidades e sindicatos mais progressistas terão pouco espaço, ou nenhum, na condução da política. Elas precisam voltar-se mais para suas bases, olhando para as contradições ou descontinuidades vivenciadas por elas.

Já havíamos perdido a batalha dos “recursos públicos exclusivamente para a educação pública” antes, na Constituição de 88 e no próprio PNE. Mas, hoje, o cenário da privatização da própria escola pública na educação básica torna esta perda maior ainda. Agora é todo o sistema, da educação infantil até o ensino superior, passando por toda a educação básica, que está em jogo. Ou seja, a formação básica da juventude corre o risco de ser colocada sob controle da iniciativa privada, financiada com recursos públicos, impondo o controle político ideológico a toda a cadeia formativa e até mesmo correndo riscos de desnacionalizar a própria formação da juventude, com a entrada de grandes corporações na administração das escolas. O cerco criado pelas Fundações privadas, Institutos privados, entidades nacionais e internacionais como a OCDE e o no nosso caso, o próprio Movimento Todos Pela Educação, disputa cada escola brasileira, com farto financiamento empresarial.

E isso nos leva para uma questão de fundo posta pelo atual governo Temer: a questão da retomada da reforma do estado (para menos) e o aprofundamento dos processos de privatização em suas múltiplas formas, no âmbito da educação. Se no primeiro ciclo de reformas do estado, a educação e a saúde não eram prioridade, agora são.

As centrais sindicais e os movimentos em geral estão demorando para colocar na pauta a questão da privatização da e na educação. É uma bandeira que mesmo que Dilma pudesse voltar, precisaria ser mantida – pelas pressões que continuariam nesta direção. Sem escola pública de gestão pública, o financiamento, por maior que seja, irá parar no bolso de organizações sociais com ou sem fins lucrativos. A batalha pelo financiamento não pode ser desgarrada da luta contra todas as formas de privatização.

É importante indicar que estamos preocupados com a privatização da educação básica, neste escrito. Pois isto é o novo. A educação superior vive há mais tempo o drama da privatização – e isso aumentará lá também. Mas a educação básica agora foi incorporada ao foco destas políticas como demonstra a ação de municípios e estados que já se movimentam nesta direção. No Chile as variadas formas de privatização da educação básica atingem 70% ou mais do sistema de educação – dependendo da localidade.

É verdade que a educação básica é território de estados e municípios e estes já vinham trabalhando na direção da privatização, pressionados pela crise econômica e pelo fato de que não se contabiliza na lei de responsabilidade fiscal os gastos com terceirização de gestão, por exemplo. Isso alivia as finanças. E o que é novo então?

Novo é a possibilidade de que, agora, perdendo o governo federal, se crie uma política de privatização via Ministério da Educação que apoie, amplie e induza – a partir da Lei de Responsabilidade Educacional e da lei do Sistema Nacional de Educação – os processos de privatização nos estados e municípios. Ambas as leis estão em tramitação no Congresso. Se até agora, a privatização caminhava pelos estados e municípios, agora o governo federal poderá entrar com força, induzindo-a. Por 15 anos os reformadores americanos utilizaram-se desta via para forçar a criação de um mercado educacional nos estados.

Eis aí um foco de atenção para nossas entidades e lideranças: acompanhar tais leis, mobilizar parlamentares, esclarecer a sociedade.

Uma batalha permanente que ocorre nas cortes supremas americanas é a batalha jurídica pela definição do que é “escola pública”, para tentar impedir o acesso das formas de privatização da educação aos recursos públicos, na forma de financiamento. Exatamente porque nada está predestinado e depende de luta é que este é outro foco prioritário para o pessoal de financiamento e para uma frente talvez nova que temos que desenvolver mais na educação e que é a frente jurídica, incorporando juristas, promotores públicos e parlamentares.

Não menos importante é o papel que a academia pode desenvolver neste momento. Uma das virtudes dos governos do PT foi interromper (pelos menos em ritmo e intensidade) as reformas que estavam em curso no governo de Fernando Henrique Cardoso. Enquanto esta reforma caminhava lentamente e empacava em vários aspectos nos últimos anos, vários países caminharam para a implementação das políticas de privatização da educação e aplicaram as teses dos reformadores empresariais da educação.

A academia pode contribuir para sistematizar as teses, os caminhos seguidos e as consequências obtidas por estes países na utilização destas políticas e, principalmente, fazê-las chegar até os professores, os estudantes, os gestores e os pais. Quais foram os efeitos sobre os estudantes, sobre seus professores e gestores? Elas são de fato necessárias para se ter melhor educação? É daí que vai partir a resistência. Nossos programas de pós-graduação precisam tomar as experiências locais em curso nos estados e municípios brasileiros e analisá-las, produzir conhecimento sobre elas e divulgá-las.

Nossos programas de pós-graduação precisam também reforçar o domínio de análises quantitativas de dados no campo das políticas públicas de forma a poder fazer o enfrentamento das análises de economistas que tentarão mostrar as virtudes das políticas privatistas. Temos que ter bons profissionais conhecedores profundos da estatística avançada para poder analisar criticamente a produção que procurará mostrar a eficácia de tais políticas.

Grupos de pesquisadores precisam se especializar na análise de relatórios de fundações privadas e grupos de advocacia de ideias para checar metodologias e a saúde de conclusões que tendem a ser veiculadas sem revisão de pares em apoio – inclusive pela mídia – da ampliação de soluções educacionais e pedagógicas por vezes já devidamente pesquisadas em outros países e descartadas ou pelas implicações colaterais que geram, ou pela própria ineficácia. Temos que fazer meta-análise séria destas políticas.

As Universidades e todas as instituições (inclusive as sindicais) que estejam na luta pela escola pública precisam aumentar o contato com as redes públicas de ensino, por meio de suas linhas regulares de atuação, e levar até as redes este conhecimento. Não é hora de se retirar de nenhum espaço.

Os estudantes secundaristas têm dado uma demonstração de vigor ao ocuparem suas escolas e democratizarem seu espaço exigindo mais debate e participação nos destinos da escola. Mas é fundamental que a bandeira a “escola pública de gestão pública” seja levantada mais alto. Não vai demorar muito para que percebam o massacre dos simulados e testes emburrecedores baseados em múltipla escolha, frente a cansativos softwares e plataformas de ensino. A medicalização da educação vai proliferar: em 1998 o Chile consumia 25 kg. de Ritalina por ano, em 2011 já eram 300 kg. ao ano.

Também professores e gestores têm motivos para se somar aos estudantes e conclamar os pais para se prepararem para resistir ao impacto da privatização por dentro do sistema. O impacto destas políticas irá gerar desqualificação profissional, na esteira da introdução dos sistemas de ensino pré-fabricados on line. Deve-se esperar flexibilização da formação de professores, processos de avaliação e certificação profissional, bem como alterações nos sistemas de pagamento envolvendo cada vez mais políticas de bônus e salário variável.

Um dos focos do ataque das políticas em curso é a destruição do servidor público e nisso ele terá apoio de outras áreas também atingidas. Estará em jogo a própria estabilidade dos professores no emprego e as regras de aposentadoria. Aqui, os sindicatos têm uma grande responsabilidade no esclarecimento dos impactos destas tendências para os profissionais da educação.

A educação infantil precisa ter uma atenção especial. Os pais estarão vulneráveis e ficarão aterrorizados com os argumentos sobre a importância da antecipação da escolarização, e a propaganda do desenvolvimento cognitivo antecipado das crianças para “aproveitar as janelas de oportunidade que se abrem na infância” antes que se fechem, pois, se perdem estas oportunidades, elas se vão para sempre – um mecanismo para introduzir o treinamento em habilidades socioemocionais (padronizá-las e avaliá-las) e movimentar milhões de dólares em softwares destinados a “ensinar” habilidades socioemocionais e avaliá-las.

Espera-se, a partir da inclusão da educação infantil na base nacional comum curricular, a título de reconhecer a importância da educação infantil, consequências importantes. O custo poderá ser alto, pois ela estará, agora, inserida nos processos de padronização e avaliação da base.

Penso que todas estas ações têm um propósito maior que pode nos unir: garantir a sobrevivência da escola pública de gestão pública (ou estatal), colocando o foco na luta contra sua privatização em todas as suas formas (por vouchers, por reorganização territorial, via “turnaround” de escolas, via “charterização”, via introdução de sistemas de ensino pré-fabricados, contra a padronização das bases nacionais e os testes censitários, pela valorização das experiências alternativas que fortaleçam o magistério e a escola pública, etc. )

Continua no próximo post.

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“Escritos de guerra”a favor da resistência organizada já – I

A função da academia, em geral, é o exercício da crítica das teorias e das práticas sociais que organizam a nossa compreensão do mundo. Para os que acreditam que não é suficiente ficar ao nível da crítica das “narrativas”, impõem-se outras exigências: envolver-se com a transformação das práticas à luz daquele posicionamento crítico. Tudo pareceria simples, uma questão de coerência. Mas nada é simples e via de regra, a simplicidade e até mesmo o óbvio, escondem complexidades surpreendentes – em todas as ciências.

Como parte da academia, somos instados a escrever e a falar apenas quando temos evidências que sustentem nossas afirmações – evidências que garantam alguma coerência interna no discurso ou com a própria prática social em questão. Portanto, não gostamos de correr riscos. Isso, que tem sua lógica, no entanto, às vezes nos impõe uma lentidão na análise, à procura de segurança, incompatível com a velocidade dos fatos políticos, sociais e econômicos que fluem como um turbilhão, atropelando ensaios interpretativos e minando a segurança das proposições. Isso é especialmente verdadeiro, quando nos propomos a interpretar conjunturas.

Tendentes a esperar pela segurança das proposições, vamos ficando fora das contradições e da política. No entanto, há certos momentos em que temos que “arriscar o diploma” e ensaiar nem que sejam alguns “escritos de guerra”, imprecisos, mas que possam ajudar na construção de uma imagem mais global que estimule o debate e coletivamente procure construir uma interpretação mais segura, ainda que provisória, do que estamos vivendo e de como podemos nos organizar para agir face à realidade mutante, para não corrermos o risco de ficar “vendo a banda passar”. Outro não é o objetivo desta sequência de posts.

Não bastasse isso, a multiplicidade de posições teóricas e alternativas práticas constituiu-se em rica diversidade a ser preservada e, ao mesmo tempo, uma grave dificuldade de articulação e acumulação de forças. Meu colega Luciano Mendes em seu Blog do Pensar a Educação, aborda este aspecto em um post em que diz:

“Os enfrentamentos são muitos e de ordens diversas. E as forças estão muito desigualmente distribuídas. É preciso, portanto, que passemos a agir de forma mais articulada e de estabelecermos temas e ações prioritárias para o enfrentamento coletivo. Nisso, nossas instituições, movimentos e frentes têm que cumprir o papel de ordenar e conduzir os movimentos de resistência. ”

Nada mais correto. Em um quadro de resistência, é necessário ter “temas e ações prioritárias” amplas, que aglutinem e não dispersem. Quanto mais formos ao detalhe – como gosta a academia – mais nos dividiremos. Portanto, uma certa dose de “superficialidade aglutinadora”, é benvinda. Além disso, a escolha dos temas deve nos levar aos pontos centrais de enfrentamento com a política em curso e não a questões subsidiárias. Teremos tempo para acertar nossas diferenças.

Nilda Alves em uma intervenção na Anped Sudeste alertou para a necessidade de que deixemos de lado, pelo menos neste momento de reorganização, as nossas diferenças mais específicas, para nos concentrarmos naquilo que pode nos unir.

E o que pode nos unir?

Temos que continuar este exercício agora sob novas condições, mais adversas, impostas pelo golpe. Antes, porém, é preciso estarmos alertas para um impedimento muito comum, para o qual chamava atenção Piaget em seu modelo teórico da aprendizagem baseada em assimilação e acomodação. Dizia ele que em um primeiro momento, tendemos a assimilar o novo e acomodá-lo ao que já sabemos. Ou algo parecido. Neste processo, também corremos o risco de anularmos a própria novidade, ao identificarmos a mesma com o já conhecido, descartando indevidamente suas características diferenciadoras. Penso que este seja um requisito essencial para, neste momento, não corrermos o risco de acomodar o novo ao velho e nos desarmarmos perante o novo, achando que ainda somos regidos pelo velho.

Temos muito de “acomodação” neste momento, ou seja, há muita liderança achando que as novidades da nova fase encampada pelo governo interino Temer, são uma simples continuidade do que já estava sendo feito e criticado durante os governos do PT, portanto, não há por que nos assustarmos. A posição beira à ingenuidade.

Alguns, mais ávidos pelo espólio petista, concentram o debate na crítica ao PT. É uma crítica merecida, mas concentrar nisso, é um equívoco: se o que está ocorrendo fosse o mesmo de antes, as atuais forças hegemônicas não teriam precisado tirar Dilma. Ao aceitar este entendimento, minimizamos as ações do governo interino e colocamos a discussão em um fla-flu sobre quem tinha ou não razão sobre os rumos do PT.

Isso não vai longe. Até porque, penso, um dos principais erros do PT e coligados foi separar-se dos movimentos sociais. Sem movimentos sociais fortes, não há possibilidade de se levar adiante uma agenda progressista mais definida. E não vejo nenhum partido político que foi crítico do PT ter uma ligação forte com movimentos sociais atuais que o credenciasse a fazer mais do que fez o PT. Dilma, de fato, é uma desculpa para se implantar uma agenda que jamais seria aprovada pela população brasileira em um pleito eleitoral.

Esta é uma análise que precisamos fazer, em algum momento. No entanto, há outras mais urgentes, na linha de criar um arcabouço de temas e ações prioritárias de resistência.

Novamente, o que pode nos unir?

Continua no próximo post.

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Rondônia: precarização da educação continua

O Blog recebeu material referente à implantação do projeto da Secretaria de Educação de Rondônia chamado “Ensino Médio com Mediação Tecnológica” (EMMTec). Esse projeto está sendo implantado em mais de 100 escolas do estado, sob a justificativa de que não existem professores habilitados em todas as áreas para suprir a demanda do ensino médio.

Baixe aqui a portaria da SEDUC de Rondônia que implanta o projeto

Baixe aqui a autuação feita pelo Ministério Público e que enquadra o projeto como Ensino à Distância e não de Mediação Tecnológica

Baixe aqui documento redigido pelo HISTEDBR – Grupo de Estudos e Pesquisas “História, Sociedade e Educação no Brasil” em Rondônia, dirigido ao Conselho Estadual de Educação daquele estado

Em janeiro deste ano havíamos abordado esta iniciativa no Blog e os protestos que já estavam em curso. Agora, chega mais material que relata como a precarização está se alastrando:

 “a grande verdade é que o projeto se configura enquanto Ensino à Distância, que nem de longe representa “mediação tecnológica”. A estrutura do projeto é a seguinte: a SEDUC organizou um grupo de professores de diversas áreas, que gravam as aulas em um estúdio do IFRO em PVH e a mesma é transmitida. De fato, ela está sendo passada por pendrive para os alunos das escolas. Na sala de aula, os alunos assistem as aulas e contam com o auxílio de um professor presencial (chamado de tutor), formado em qualquer área e quando possível tira suas dúvidas em um chat.

Para a SEDUC e o Conselho Estadual de Educação o projeto não se caracteriza como Ensino à Distância, eles se amparam no artigo 23 da LDBN, o qual garante “formas de organizações diversas” (A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar).

Um dos grandes agravantes do projeto é a oferta das disciplinas de forma modular, ou seja, o aluno aprende matemática em determinado período do ano e o restante é destinado a outras disciplinas. Além disso, as aulas estão sendo repassadas por pendrive, o que resolve o problema de contratação de professores para a SEDUC, pois se não têm professor, basta inserir o pendrive.

Na última segunda-feira, conseguiu-se suspender a votação da reestruturação do projeto no CEE, por 45 dias. Nesse período está sendo efetuado um levantamento das condições de implantação do projeto nas escolas e se mobilizando a sociedade a fim de conhecer a verdadeira proposta do projeto.”

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Luciano Mendes:  quem coordena a resistência?

“Os enfrentamentos são muitos e de ordens diversas. E as forças estão muito desigualmente distribuídas. É preciso, portanto, que passemos a agir de forma mais articulada e de estabelecermos temas e ações prioritárias para o enfrentamento coletivo. Nisso, nossas instituições, movimentos e frentes têm que cumprir o papel de ordenar e conduzir os movimentos de resistência.”

Leia mais aqui no Blog do Pensar a Educação.

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“Turnaround” em escolas: sem evidência

A No Child Left Behind, algo como uma lei de responsabilidade educacional americana, que vigiu até pouco tempo, foi um rotundo fracasso como admite o próprio “perdão” dado por Obama aos estados, e não foram poucos, por não terem atingido suas metas. A principal era a de que em 2014 – sim, 14 – todas as crianças americanas seriam proficientes em leitura e matemática.

Este objetivo foi denunciado exaustivamente como sendo inatingível, ao longo da vigência da lei. Mas nada convenceu os reformadores empresariais americanos de que estavam no caminho errado. A lei teve sua reautorização abandonada seis anos no Congresso americano e só foi examinada recentemente e convertida no Every Student Succeeds Act que introduziu algumas mudanças importantes.

Algo bem parecido com as exigências americanas da antiga NCLB existe em nosso PNE, na estratégia 7.2.

Para que serviu? Para estabelecer uma série de pressões sobre as escolas, que durante o período (a lei foi aprovada em 2001), não estivessem alinhadas com a possibilidade de chegar em 2014 com a meta atingida e colocá-las na trilha da privatização.

Entre estas “ações de acompanhamento” cresceu o uso de um procedimento conhecido como “turnaround”. Como sempre, estas coisas vêm da área empresarial, pois esta é a base conceitual das reformas empresariais da educação.

Para saber como é usado na indústria, clique aqui.

Para um resumo do que é “turnaround”, clique aqui.

Entre as várias formas de aplicação desta “ferramenta”, existe a que privilegia a “substituição” a qual implica em uma troca dos integrantes da gestão, entendendo-se que já tiveram sua oportunidade e que seus métodos não conduziram ao sucesso. A nova gestão, estaria, então, mais susceptível à mudança.

“Turnaround” pode ser traduzido por “dar uma virada” na organização.

Como sempre, os reformadores acham que se transferirem os métodos de funcionamento das indústrias e empresas para dentro da educação, criando competição, a qualidade da educação melhora. Partindo desta fé na iniciativa privada, é que fazem as mudanças – sem necessidade de outra evidência empírica.

Uma vez posta em marcha as mudanças é que aparece a necessidade de “provar” que ela deu certo. Aí, então, começam os relatórios conduzidos por advogados das próprias ideias com o objetivo de legitimá-las, a posteriori, e convencer outros a imitar a grande ideia.

É nesta trilha, já conhecida, que apareceu nos Estados Unidos um relatório que tenta mostrar que o “turnaround” é eficaz na melhoria da qualidade da escola, chama-se: “Encontrando uma medida do sucesso do “turnaround” escolar, pelo impacto público”, publicado pelo WestEd’s Center on School Turnaround, por Cassie Lutterloh, Jeanette P. Cornier, e Bryan C. Hassel.

O pessoal do Colorado, do National Education Policy Center (NEPC), revisou o relatório. O estudo foi analisado por Tina Trujillo e Marialena Rivera e conclui que:

“No entanto, uma revisão do relatório conclui que, dada a escassez de evidências de pesquisas e técnicas metodológicas adequadas incorporadas em sua análise, bem como a omissão de vários estudos rigorosos e revistos por pares que contradizem a maioria das suas propostas, o relatório não atende a um padrão mínimo de evidência para apoiar as suas reivindicações.”

Os formuladores de políticas e profissionais que procuram orientação sobre como medir o sucesso do “turnaround” não vão encontrar recomendações que valham a pena. Em vez disso, os revisores concluem que tais formuladores vão encontrar algumas recomendações infundadas e outras que estão em contradição com a sólida pesquisa revisada por pares.”

Como tem sido frequente, estas tentativas não convencem, pois, em ciência, quando se divulga um relatório, logo ele é examinado pela comunidade científica quanto à sua “saúde” metodológica e quanto à propriedade dos dados apresentados versus seu potencial para justificar as conclusões. A revisão de pares é essencial para validar um estudo.

Encontre a revisão de Tina Trujillo e Marialena Rivera aqui.

Encontre o relatório original de Cassie Lutterloh, Jeanette P. Cornier, & Bryan C. Hassel aqui.

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Goiás: escolas técnicas vão para OSs

As escolas técnicas e colégios de ensino tecnológico de Goiás também vão para Organizações Sociais, no formato das escolas charters, apesar do governo de Goiás cancelar, para ajustes, o edital que transferiria a administração de 31 institutos e 45 colégios de ensino tecnológico para organizações sociais (OS) na semana passada, mas vai retomá-lo. De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico e Tecnológico, a medida foi adotada para adequação do chamamento à nova legislação de contratação de OS do estado.

Com o poder da pena e da política, vai emergir uma legislação nos estados que tentará criar os marcos legais para permitir a criação das charters (e outras formas de privatização) e acesso aos recursos públicos. À medida que os tribunais forem questionando e o MP apertar, a legislação irá sendo mudada para contornar as objeções – é para isso que o Banco Mundial está por lá com seus técnicos.

Leia aqui.

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Nery: PPP é incompatível com a educação

O advogado Vilson Nery alerta que as parcerias público-privadas são juridicamente incompatíveis com a educação. Em texto divulgado no Blog de Enock Cavalcanti ele diz:

No Reino Unido as FPI (Private Finance Iniviative) foram criadas em 1992 e tiveram como resultado o enriquecimento ilícito, desvio de recursos e aumento de tarifas. Em Portugal os SCUT (Sem Custo para o Utilizador) chegaram a consumir em 2009 cerca de 900 milhões de euros no gasto com rodovias, o que representa um acréscimo de cerca de 40% da despesa prevista com as outras estradas mantidas pelo governo português.

Um detalhe é que nem nas discussões sobre o projeto de lei no Brasil, e nem nos modelos existentes no exterior os contratos são utilizados para o serviço de educação, estaríamos usando nossas escolas e crianças de Mato Grosso como “cobaias” de uma experiência que deu errado em outros setores da vida pública.

Leia toda a argumentação jurídica aqui.

A greve dos professores contra a privatização continua.

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As charters e a internacionalização do controle da educação

Há algum tempo publicamos um post no qual mencionávamos o envolvimento de um clérigo da Turquia (Fethullah Gulen) com o desenvolvimento de uma cadeia de escolas charters nos Estados Unidos e em outros países. Nos Estados Unidos ela atende a 66 mil alunos. Mostrávamos o risco de colocar a educação básica nas mãos da iniciativa privada que é cada vez mais globalizada nos tempos atuais.

Hoje Diane Ravitch relata que o New York Times (16-7-16) traz reportagem na qual o atual presidente da Turquia pede a extradição deste clérigo (Fethullah Gulen) acusando-o de estar ajudando a tramar o fracassado golpe na Turquia. Ele vive exilado na Pensilvania. Segundo o NYT:

“Na manhã de sábado, Erdogan disse, referindo-se ao Sr. Gulen, “Eu tenho uma mensagem para Pensilvânia: Você se envolveu em traição suficiente contra esta nação. Se você é corajoso, volte para o seu país.” Em um comunicado divulgado no site do seu grupo, Aliança para Valores Compartilhados, o Sr. Gulen condenou o golpe e apoiou o processo democrático do país.”

Veja mais aqui e aqui.

Em post anterior dizíamos:

“Já falamos muito neste blog sobre a duvidosa eficácia das escolas charters. Os estudos, em seu conjunto, não apontam vantagem das escolas charters sobre as escolas públicas de gestão pública. Mas há um outro aspecto que talvez seja até mais relevante: trata-se dos riscos de “desnacionalizar” suas escolas no médio prazo, colocando-as nas mãos de grupos econômicos que operam escolas charters e que estão radicados até mesmo fora do nosso país.

A democracia exige escolas públicas de gestão pública. Só este tipo de escola pública pode ter uma amplitude democrática que inclua a todos. A escola pública é responsável pela execução de um projeto de democracia e sem ela, terceirizada, a escola pública de gestão privada não terá a necessária abrangência inclusiva e a necessária isenção para permitir a pluralidade de ideias. Entregar a escola pública à administração de uma parte da sociedade, seja na forma de organizações sociais sem fins lucrativos ou aos empresários nacionais e/ou estrangeiros, é reduzir o alcance democrático da escola pública, além de expô-la ao controle de grupos confessionais ou empresas estrangeiras em operação pelo mundo na área educacional.

Caso emblemático é um movimento religioso da Turquia que controla mais de 200 escolas charters em território americano, o grupo Gulen. O jornal USA Today afirma que:

“O movimento fundou Centenas de escolas charter em todo os Estados Unidos e ao redor do mundo, ele tem a sua própria organização de mídia, e esteve profundamente enraizado com o regime turco até ser posto para fora há dois anos. Isso levou o presidente Recep Tayyip Erdogan a declarar que Gülen estava montando “um estado paralelo” no interior do país com a intenção de prejudicar o governo. Antes das eleições turcas, neste fim de semana, a polícia invadiu os escritórios das organizações de mídia da Gülen. ”

A reportagem ainda relata a existência de relações duvidosas do grupo com os congressistas americanos, foco da matéria, tendo o grupo financiado mais de 200 viagens para congressistas:

“Divulgações do Congresso mostram que as viagens apoiadas pela Gulen totalizaram mais de US$ 800.000 em viagens gratuitas para os legisladores e funcionários. Esse número provavelmente subestima os custos já que muitas das despesas no país não eram reportadas.”

Veja reportagem completa aqui.

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ANPED: os “novos reformadores” e a disputa pela escola

Durante a abertura da ANPED sudeste fizemos uma exposição sobre o pensamento dos chamados “novos reformadores”. O termo “reformadores empresariais da educação” foi proposto pela pesquisadora Diane Ravitch, historiadora americana e se refere fundamentalmente à transferência da lógica dos negócios para a o interior da educação.

A proposta desta política para a educação, apoiada nos estudos da OCDE e amplamente financiada pelas agências internacionais como o BID e o Banco Mundial, baseia-se fundamentalmente em três conceitos: responsabilização, meritocracia e privatização.

Durante a exposição, examinamos como esta política tende a ser dominante no cenário educacional brasileiro e as repercussões que podem ser esperadas, se não houver uma resistência organizada e forte a estas ideias.

Disponibilizo aqui, uma parte da conferência (a que foi projetada) usada para exemplificar estudos que revelam os limites destas políticas. Todos os estudos estão disponíveis neste blog, podendo ser encontrados outros mais, tanto na página de bibliografia, como de links para relatórios.

Não foi produzido um texto sobre toda a conferência, ao longo da qual os slides foram sendo agrupados e projetados para exemplificar os aspectos analisados e eles não dão conta, sozinhos, de todo o conteúdo da conferência.

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Charters: como elas asfixiam a educação pública

Um novo estudo mostra como as charters e os vouchers destroem as finanças das escolas públicas convencionais instaladas no mesmo território e aumentam os processos de privatização. O Blog Edushyster entrevistou um dos autores do estudo, David Arsen, que resumiu a situação da seguinte forma:

“A pergunta que estudamos foi: quanto do padrão de aumento das dificuldades financeiras entre os distritos escolares em Michigan era devido a coisas que os distritos locais têm controle, em oposição às políticas de nível estadual que estão fora do controle dos distritos locais: os salários dos professores, benefícios de saúde, tamanho de classe, gastos administrativos. Também olhamos para um item que os “think tanks” conservadores gostam: terceirização e privatização. Descobrimos que, esmagadoramente, o maior impacto financeiro sobre os distritos escolares foi resultado do declínio de matrícula e perda de receitas, especialmente onde os vouchers (escolha da escola) e as charters são mais prevalentes. Olhamos para cada distrito escolar em Michigan com pelo menos 100 alunos e os acompanhamos por quase 20 anos. As estatísticas são causais; não estamos apenas olhando para uma correlação.”

Baixe o estudo aqui.

Este estudo é importante porque sempre se afirma o potencial destrutivo das charters e dos vouchers sobre as escolas públicas, através da denúncia de que os recursos públicos deixam de ir para a escola pública e acabam indo para o bolso dos empresários (com ou sem fins lucrativos). Agora temos uma medição.

O estudo dá uma contribuição importante à medição concreta deste impacto, mostrando que este deslocamento de recursos termina por arruinar as finanças das escolas públicas de gestão pública que estão no mesmo território com as charters.

Segundo os pesquisadores:

“Vimos impactos grandes e muito significativos da penetração das charters sobre os saldos do fundo distrital para diferentes limites: para 15, 20 ou 25 por cento de estudantes que se transferiram para as escolas charter. Isso foi realmente impressionante. Em cada um desses limites, quanto maior a penetração das charters, maior o impacto negativo sobre as finanças do distrito. Estes são grandes saltos, e todos eles são muito significativos estatisticamente. O que está claro é que, quando a porcentagem sobe para 20 por cento ou mais dos estudantes do bairro, ocorrem impactos negativos consideráveis sobre as finanças do distrito.”

Isso mostra também que uma vez iniciado o processo de privatização por terceirização, dificilmente ele para, pois cada vez mais há menos dinheiro para manter as escolas públicas de gestão pública com qualidade. A queda da qualidade produzida pela privatização, acaba sendo usada como justificativa para continuar privatizando.

Por outro lado, as charters trabalham confortavelmente (e escolhendo alunos) e não só recebem dinheiro público mas também contam com o apoio financeiro das fundações privadas que transferem dinheiro diretamente para os orçamentos das escolas charters, com a finalidade de incentivar a sua ampliação e estimular o mercado educacional.

Eis aí um tópico para nossos especialistas em financiamento…

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Charters: com ou sem fim lucrativo?

Na nascente discussão brasileira sobre escolas charters, vê-se seus defensores, para adoçar a pílula da privatização, argumentar que somente assumirão a gestão de escolas públicas as organizações sociais sem fins lucrativos. É como se isso desculpasse o fato de privatizar a educação pública. Esta é posição da Secretária de Educação de Goiás, disposta a entregar 30% das escolas estaduais para organizações sociais “sem fins lucrativos”, começando por Anápolis.

Nada mais falso como bem aponta Peter Greene, que convive nos Estados Unidos com esta política nos últimos 30 anos:

“Uma escola charter sem fim lucrativo é tão ruim (e rentável) quanto as que têm fins lucrativos.”

E continua:

 “Fingir que existe uma diferença substancial entre as charters com lucro e as charters sem fins lucrativos é ignorância ou engano deliberado. Eu já disse isso muitas vezes – uma escola charter sem fins lucrativos de hoje é apenas uma escola com fins lucrativos que tem um bom plano de lavagem de dinheiro.”

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USA: Programa de Hillary endurece com as charters

A entrada de Bernie Sanders na campanha de Hillary Clinton puxou o programa do Partido Democrático para a esquerda, ao menos na questão do posicionamento do partido em relação às escolas charters, nas próximas eleições. É o que se pode constatar das reações presentes nos vários blogs americanos que repercutiram a questão, reunidos pela Education Opportunity Network.

Segundo a matéria, o documento original da campanha vinha sendo criticado pela falta de apoio decisivo à agenda progressista e pela falta de propostas específicas para a educação básica e por não ter uma resposta eficaz para enfrentar a onda privatista das indústrias educacionais de escolas charters.

A pressão vem na direção de alterar a posição do documento original da campanha de Hillary e mudar a posição sobre testes, disciplina escolar, currículo, financiamento e as escolas charters. Apoiadores de Sanders se uniram com setores mais à esquerda que apoiam Hilary para favorecer uma plataforma que agora toma posição “contra os testes de alto impacto, se opõe ao fechamento de escolas com base em resultados de testes, opõe-se à avaliação de professores com base em resultados em testes e enfatiza a importância de que as escolas públicas sejam controladas democraticamente”.

O documento foi recebido com objeções iradas por antigas lideranças de Hillary que têm uma posição favorável aos “reformadores” moderados. Eles acham que a mudança significa um reconhecimento de que está havendo uma rejeição à política praticada por Obama, também Democrata e que apoia Hillary. E provavelmente têm razão, pois Obama pouco trabalhou contra tais políticas.

“Como relata Valerie Strauss em seu blog no Washington Post, “adeptos dessas reformas estão furiosos com as mudanças, revelando um racha no partido sobre como melhorar a educação básica”. Como exemplo, Strauss destaca um comunicado de Shavar Jeffries presidente dos Democratas para Reforma da Educação, que Strauss descreve como “um comitê de ação política influente apoiado fortemente por gestores de fundos de hedge.”

O que irritou este e outros grupos de reforma centristas, Strauss explica, são as mudanças na plataforma que apoiam o direito dos pais a retirar seus filhos dos testes padronizados de alto impacto e a opor-se à utilização dos resultados dos testes para “fins de avaliar professores e alunos.”

A mudança mais controversa e a que afeta os reformadores que são apoiadores de Obama e diz respeito às escolas charters. Das mudanças feitas no programa, esta foi a única que não passou por unanimidade, revelando o racha entre os apoiadores.

Strauss ainda destaca alguns dos principais pontos de atrito na nova secção do programa sobre as escolas charter, principalmente, a defesa de que estas escolas sejam “democraticamente governadas”. “Estas duas palavras realmente significam muito no mundo das charters,” explica Strauss, “pois as escolas charter estão em dívida com conselhos que lhes autorizam a operar, não com o público em geral, e elas não são obrigadas a revelar informações importantes sobre suas finanças e governança para o público “.

Outra questão controversa relacionada com as charters é a declaração da plataforma de que essas escolas não deveriam “substituir ou desestabilizar escolas públicas tradicionais.” Esta declaração, segundo Peter Greene, é “um desafio extraordinariamente direto ao modelo de charters atual, que tem como objetivo a ruptura e afastamento do sistema escolar público. “

Como Greene explica, ao passo que “a definição da plataforma original do que era uma má escola charter, antes, era dirigida apenas àquelas com “fins lucrativos”, a nova linguagem define uma má charter como aquela que não tem governo democraticamente eleito, não serve exatamente à mesma população, como a escola pública local, e que “desestabiliza ou causa danos à escola pública local.” Isso é claro, atinge as charters tidas como sem fins lucrativos.

A formulação anterior era inadequada, para Greene, porque ela esquecia que uma escola charter sem fim lucrativo é tão ruim (e rentável) quanto as que têm fins lucrativos.

Para Greene:

“fingir que existe uma diferença substancial entre as charters com lucro e as charters sem fins lucrativos é ignorância ou engano deliberado. Eu já disse isso muitas vezes – uma escola charter sem fins lucrativos de hoje é apenas uma escola com fins lucrativos com um bom plano de lavagem de dinheiro.”

Leia mais aqui.

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Escolas Charters: novo livro detona

Charter School Report Card é o nome de um livro lançado em maio e que reúne informações sobre as escolas charters nos Estados Unidos: nada do que se orgulhar.

Editado por Shawgi Tell, inclui: O que é uma escola charter? De onde elas vêm? Quem as promove, e por quê? O que elas fazem? Elas são a bala de prata para os males que afligem o sistema de ensino público americano?

Este livro fornece uma visão geral e uma análise das escolas charter e as suas muitas dimensões. Mostra que as escolas charter, como um todo, baixam a qualidade da educação através da privatização e da mercantilização da educação. O capítulo final fornece aos leitores um caminho em direção a repensar e refazer a educação de uma forma que seja consistente com as exigências modernas. A sociedade e seus membros precisam de um sistema de educação pública de alta qualidade, totalmente financiado e aberto a todos e controlado por uma autoridade pública.

CONTEÚDO

Introdução. Informação versus desinformação. Charter School: definições, fatos, números e tendências. Política, economia e contexto histórico das Charter Schools. Origem e Evolução do conceito de escola autônoma. Examinando o fracasso da proeminente charter school de Nova York: 1999-2010. Caminho à frente. Referências.

novo livro

Publicado em 2016

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Mais “junk science” sobre a eficiência das Charters

Em nova revisão publicada pelo NEPC, outro relatório sobre a eficiência das escolas charters é, mais uma vez, reprovado. O NEPC tem feito um trabalho muito bom eliminando o “lixo científico” que tenta justificar a superioridade destas escolas, a partir de relatórios e estudos que são feitos por institutos privados e que operam fora das regras da academia. Submetidos a regras metodológicas sérias, não passam.

Agora é a vez de uma avaliação feita em Milwaukee que tentava sugerir, em relatório feito pelo Wisconsin Institute for Law and Liberty, que as escolas mais eficientes de lá seriam as escolas charters, por sua autonomia. O relatório não fornece evidências disso, segundo avaliação de Casey Cobb, da Universidade de Connecticut.

Baixe a revisão do NEPC aqui.

Baixe o relatório original aqui.

O relatório foi considerado muito fraco para poder orientar a elaboração de política pública.

“Cinco grandes problemas surgem da abordagem do relatório, diz Cobb. Em primeiro lugar, os resultados dos testes não representam precisamente os propósitos das escolas. Em segundo lugar, o relatório não discute fatores que podem invalidar sua suposição de que há uma contabilidade financeira uniforme entre as escolas e tipos de escolas. Em terceiro lugar, a descrição analítica do estudo é incompleta, tornando difícil sua interpretação. Em quarto lugar, o conceito de “autonomia” nunca é realmente definido, sendo usado apenas como termo vago que sugere independência, assim, o comportamento autônomo é assumido em virtude apenas do seu carácter de escola charter. O relatório, em seguida, faz afirmações fortes, mas não evidenciadas, sobre a “eficiência” superior das escolas charter, com base no fato de que elas têm mais autonomia. Finalmente, apesar da análise do relatório controlar algumas características demográficas da escola, ele não parece controlar o efeito de seleção, efeito que pode ser fatal para suas conclusões.
Como resultado de suas falhas múltiplas, e porque as suas conclusões não são suportadas pela evidência apresentada, o professor Cobb conclui que o relatório é de pouca ou nenhuma utilidade para os formuladores de políticas.”

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Frente Parlamentar: mais privatização

A Frente Parlamentar da Educação, composta por 237 deputados, reuniu-se com o Ministro da Educação, o qual pediu a eles que se envolvam com a agenda da educação no Congresso. Durante o evento o deputado Alex Canziani, presidente da Frente, foi claro:

“O presidente da Frente Parlamentar da Educação, Alex Canziani, observou que a Frente Parlamentar da Educação defendeu a participação de toda rede de ensino, privada e pública, na Olimpíada Brasileira de Matemática e a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional 395, que permite que as universidades públicas cobrem por cursos de pós-graduação lato sensu, como cursos de especialização. O parlamentar também ressaltou a importância de uma legislação que regule a criação de fundos patrimoniais para as universidades.

“As grandes universidades do mundo têm fundos patrimoniais que ex-alunos, pessoas que passaram por essas universidades, doam a essa universidade em gratidão por aquilo que a universidade fez, muitas vezes universidades pagas no exterior. Aqui nós temos uma quantidade significativa de universidades públicas e os alunos não contribuem, e muitas vezes não contribuem porque não existe um mecanismo legal pra poder acontecer’’, defendeu Canziani.”

Vem aí, mais privatização e filantropia. Educação séria, no entanto, não é coisa para empresários e nem para “boa ação” da filantropia. É matéria de prioridade nacional que necessita de investimento público e planejamento.

A filantropia e os homens de negócio, nas crises, desaparecem e não investem e nem doam. E como vivemos em um mundo cercado de crises, não é nada responsável vincular a educação com estas áreas.

Leia mais aqui.

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Luciano Mendes: como superar a avaliação como política?

Blog do Pensar a Educação comenta a Anped Sudeste:

“Nesse sentido, uma das perspectivas que foi ressaltada é que é urgente a elaboração de uma política de pesquisa e de pós-graduação para a área de educação. Essa seria a única forma de evitar que a avaliação continue sendo a única política e, também, de responder de forma consistente aos grandes desafios postos pela sociedade brasileira. Seria uma forma, também,  de resgatar nossa capacidade de planejar e, portanto, de definir prioridades de produção de conhecimentos, de formação e de investimento.”

Leia mais aqui.

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ONU alerta para comercialização na educação

A ONU recomendou que os países criem um “marco regulatório” com regras e normas mínimas para disciplinar prestadores de serviços educativos.

Pede aquele órgão internacional que se estabeleça um:

“marco regulador para los proveedores de servicios educativos, incluidos los que operan de manera independiente o en colaboración con los Estados, inspirado en las obligaciones internacionales de derechos humanos, que prevea, entre otras cosas, reglas y normas mínimas para la creación y el funcionamiento de los servicios educativos, trate de acabar con todas las repercusiones negativas de la comercialización de la educación y refuerce el acceso de las víctimas de vulneraciones del derecho a la educación a los recursos y reparaciones adecuados; Insta también a todos los Estados a ampliar las oportunidades educativas para todos sin discriminación, reconociendo la considerable importancia de invertir en la enseñanza pública hasta el máximo de los recursos disponibles, a aumentar y mejorar la financiación interna y externa de la educación, como se establece en la Declaración de Incheon y en el Marco de Acción Educación 2030, a velar por que las políticas y los programas educativos estén en consonancia con las normas y principios de derechos humanos, incluidos los enunciados en la Declaración Universal de Derechos Humanos y en los instrumentos internacionales de derechos humanos pertinentes, y a reforzar la colaboración con todas las partes interesadas pertinentes, incluidas las comunidades, los agentes locales y la sociedad civil, para contribuir a la educación como bien público;

(…)

  1. Insta además a todos los Estados a reglamentar y supervisar las actividades de los proveedores de servicios educativos, así como a exigir responsabilidades a aquellos cuyas prácticas incidan negativamente en el disfrute del derecho a la educación y a promover actividades de investigación y sensibilización que permitan comprender mejor las amplias repercusiones de la comercialización de la educación en el disfrute del derecho a la educación; (…)”

Uma declaração contra o funcionamento desregulamentado da atividade comercial e lucrativa das prestadoras de serviço já é importante. No entanto, estes órgãos internacionais não se manifestam de forma específica contra as atividades das organizações sociais sem fins lucrativos no âmbito da educação – uma forma de privatização branca a que se submete a educação.

As organizações sem fins lucrativos acabam drenando recursos da educação pública da mesma forma que as organizações com fins lucrativos e ainda se credenciam a receber polpudas doações de fundações que complementam o seu financiamento.

Juntas, as organizações com e sem fins lucrativos constituem um mercado que atua desarticulando a educação pública de gestão pública o que termina por igualá-las em termos de consequências nefastas para a educação pública.

Veja também análise da CLADE – Campanha Latino Americana pelo Direito à Educação.

A Rede Brasil Atual repercutiu a matéria:

“Aprovada por consenso dos 47 Estados-membros do Conselho de Direitos Humanos da ONU e aclamada por 21 organizações da sociedade civil em todo o mundo, a medida é consequência de uma anterior, de junho de 2015, que apesar de conter alguns pontos em comum, não era tão enfática quanto à necessidade de conter a comercialização do ensino.”

“Presidenta da Campanha Global para a Educação, Camilla Croso afirmou que a Comissão de Financiamento de Oportunidades Globais de Educação, que finaliza suas recomendações ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, deve seguir o exemplo do Conselho de Direitos Humanos. “Os Estados têm a obrigação de aumentar o financiamento nacional e internacional da educação pública. Qualquer solução de financiamento que possa vir a minar a noção de educação como um bem público, contrariando a todos os documentos de direitos humanos internacionais, contraria o que exorta esta resolução.”

Leia mais aqui.

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MEC convoca empresários e elenca prioridades

O Ministro da Educação convocou os empresários a participar da melhoria da qualidade da educação nacional.

 “Eu ouso aqui fazer um chamamento ao empresariado brasileiro para, juntos, nos mobilizarmos, a fim de fortalecer a base educacional do país, melhorando a qualidade do ensino.” A convocação foi feita nesta sexta-feira, 8, pelo ministro da Educação, Mendonça Filho, durante reunião do comitê de líderes da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, e que contou com a presença do presidente interino Michel Temer.”

“Mendonça Filho disse, ainda, que o MEC terá como foco quatro grandes prioridades: a discussão da base nacional comum curricular, a formação de professores, a alfabetização plena e na idade certa e a reforma do ensino médio.”

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ANPED SUDESTE começa amanhã

Acesse aqui entrevista sobre a conferência de abertura da Anped Sudeste amanhã no Estado do Espírito Santo.

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Araújo: Voucher no Distrito Federal

Luiz Araújo informa que o Distrito Federal está implantando privatização por “vouchers”:

“O surpreendente é que, ao admitir o não cumprimento da obrigação constitucional, o GDF decidiu aprofundar os caminhos tortuosos que vem seguindo em contínuos governos. Anunciou a concessão de um voucher, no valor de 456,00 reais, para que os pais busquem matricular seus filhos em escolas particulares.”

Leia mais aqui.

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Por que bônus não funciona?

Os reformadores empresariais transferem para a educação a lógica da gestão baseada em pagamento variável (bônus) para quem atinge metas previamente estabelecidas. Com os processos de terceirização em alta, vai piorar, pois as terceirizadas seguirão o mesmo caminho com uma condição adicional: enquanto o servidor público não pode ser demitido por não atingir uma meta, o terceirizado pode. Este cenário da terceirização, completa as condições para que a política de bônus seja implantada em toda sua concepção.

Eles acham que se o ser humano for colocado na condição de escolher entre atingir a meta e receber um bônus e não atingir e ser demitido, ele se esforçará mais e a qualidade da escola irá melhorar. É uma relação baseada na desconfiança.

No entanto, os reformadores se esquecem de que quando se adiciona controle e pressão na relação e a torna dependente de dinheiro, ela se mercantiliza e esta forma de relação também é repassada para a relação do professor com a criança, deixando de ser na sala de aula, uma relação educativa e de confiança, para ser convertida em uma relação igualmente de controle e pressão do professor sobre o estudante, pois o resultado financeiro do professor fica dependente de resultado acadêmico do aluno. Todo o sistema de relações se modifica. O que deveria ser uma relação de confiança, colaborativa e processual, passa a ser um “toma lá, da cá”.

Podemos dizer que o vínculo financeiro que existe entre patrão e empregado na empresa, no caso da educação não passa exclusivamente pela remuneração, ainda que esta seja importante. Há outros aspectos, sem os quais a educação – um fenômeno colaborativo e processual – não pode se estabelecer de fato.

Como diz Ravitch, bônus é uma política que nunca funciona e nunca morre.

Por um lado, os empresários entendem que ele é decisivo para o empenho e a qualidade, por outro os professores têm outras necessidades motivacionais, ou não estariam na profissão. Se estão na profissão e não têm estas outras motivações, certamente não serão “eficientes” nem com bônus, pois não conseguirão ficar na profissão e sairão dela. São estes, que motivados pelo bônus entram na profissão e depois vão embora gerando alta rotatividade na escola.

Mencionei tudo isso só porque queria criar o clima para trazer o depoimento de uma professora que escreveu um comentário em um dos nossos posts e exemplificar do que estamos falando:

“Que pena que Brasil não é a Finlândia! Aqui, nós, educadores infantis, falo pela minha realidade, temos como recurso didático, a voz e nada mais. Contar histórias, brincar, realizar atividades de música, arte e movimento, numa sala com 25 crianças de 4 ou 5 anos e sozinhos, nos coloca na condição de super heróis. Escolas sem vida, sujas, sem ambientes favoráveis ao desenvolvimento das habilidades e competências (ouvir, falar, raciocinar, conceituar, debater…) necessárias ao êxito escolar nos anos subsequentes fazem da educação infantil neste país uma violência contra a infância e nós, educadores infantis, apontados como os vilões dessa etapa ímpar na vida de nossas crianças. Queria então, morar na Finlândia e fazer o que sempre sonhei para as crianças: prepará-las para o sucesso escolar e, consequentemente, torná-las capazes de realizar sonhos, promover mudanças e serem de fato adultos felizes e realizados.”

O Estado de São Paulo, utiliza a solução há mais de uma década sem que tenha nenhum sucesso (veja aqui, aqui e aqui também). Experiências internacionais largamente divulgadas dão conta do fracasso da estratégia de pagamento de bônus variável para uma profissão complexa como a dos professores (veja aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

Veja opinião de Maria Alice Setúbal sobre bônus.

O ex-prefeito de New York, Bloomberg, utilizou fartamente a estratégia de pagar bônus quando esteve 12 anos à frente da Cidade de New York, e concluiu honestamente que deveria parar os bônus para não malgastar dinheiro público (veja aqui também). A National Academy of Science americana não aponta efetividade dos bônus. Nem mesmo a poderosa Associação Americana de Estatísticos que desaconselha o procedimento consegue deter a ideia.

É fé, não é ciência.

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CNE: novos nomes são divulgados

Circulou pela internet os novos indicados para o Conselho Nacional de Educação, no lugar dos antes propostos por Mercadante e cujo ato foi revogado pelo atual Ministro da Educação/Temer. São os seguintes:

Câmara Educação Básica

Alessio Costa Lima – Undime Ceará; FNE

Eduardo Deschamps – Secretário Educação de Santa Catarina; Presidente CONSED

Gersem José dos Santos Luciano – Professor adjunto da FE e Diretor políticas afirmativas da UFAM

José Francisco Soares – Professor Titular aposentado da UFMG e ex-presidente do INEP

Nilma Santos Fontanive – Coordenadora do Centro de Avaliação da Fundação Cesgranrio

Suely Melo de Castro Menezes – Forum Nacional Conselhos Estaduais de Educação, Presidente da Fundação Ipiranga e Presidente do Sindicato de Escolas Particulares do Ensino do Pará.

Câmara Educação Superior

Antonio Araujo Freitas Junior – Pró-Reitor de Ensino, Pesquisa e Pós-graduação da FGV

Antonio Carbonari Netto – fundador do grupo Anhanguera. Vice-presidente do grupo Ser Educacional.

Francisco Cesar de Sá Barreto – Professor Titular aposentado da UFMG

José Loureiro Lopes – Fundador dos Institutos Paraibanos de Educação

Luiz Roberto Liza Curi – desde 2012 é conselheiro do CNE, indicado pela SBPC, ABC, SBM e SB; Sistema Educacional Brasileiro, Diretoria Nacional de Educação de Educação Superior.

Estes conselheiros se somam à outra metade do CNE que não foi objeto de renovação.

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Fini: sem punição na medicina

A presidente do INEP falou sobre o novo exame a ser aplicado aos estudantes de medicina, estruturado ainda na gestão de Aloisio Mercadante. A concepção que transparece é mais avançada do que a prevista antes.

Na versão Mercadante, o aluno que não fosse aprovado no exame de 6º ano não poderia receber o diploma e nem prosseguir com a residência médica, agora, haverá uma separação entre o processo de avaliação de qualidade e o processo de avaliação para entrada na profissão. Correto.

Segundo Fini:

“A nota do exame também não deve ser um “critério” para a residência médica, mas uma “referência de qualidade”, afirma Fini, questionada sobre o projeto em estudo. Também não haverá “caráter punitivo” ressalta ela. “Não será nada que possa constranger os alunos e os cursos a que eles pertencem. Não há perspectiva de punição nem mesmo de reter o aluno na instituição”, diz.”

Leia matéria aqui.

Maria Ines Fini participou da criação do ENEM e o fez com a finalidade de avaliar a ensino médio, foi durante os governos do PT que ele se converteu em processo seletivo para ingresso na Universidade. Dupla finalidade para um mesmo exame. Resultado: sobrou só a última, é fundamentalmente visto, hoje, como um processo seletivo. Quando repercute no ensino médio o faz gerando treino para a prova como o portal Hora do ENEM.

Para completar, o PNE ainda incluiu como estratégia universalizar o ENEM o que pode significar sua obrigatoriedade para terminalidade no ensino médio. Uma bobagem que já produziu problemas em outras partes.

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MT: manifesto contra privatização

O Programa de Pós Graduação em Educação (PPGEdu/UNEMAT), o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica do Estado de Mato Grosso (SINTEP/Sub Sede de Cáceres) e a ADUNEMAT divulgam documento que analisa as ações de privatização naquele estado.

Baixe o Manifesto aqui.

“O Sindicato dos Trabalhadores da Educação Básica do Estado de Mato Grosso (SINTEP/Sub Sede de Cáceres), em conjunto com o Programa de Pós Graduação em Educação (PPGEdu/UNEMAT) e com apoio da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (ADUNEMAT), preocupados com as ações governamentais que se configuram como um desmonte das políticas públicas educacionais, fruto das lutas dos movimentos acadêmicos e sindicais dos últimos anos, conclamou os profissionais da educação e demais interessados para um debate público sobre a situação. Com o objetivo de tornar público nosso repúdio ao processo de desmonte da escola e da educação pública em Mato Grosso, apresentamos este manifesto, produzido com base no profícuo debate realizado no Seminário “Privatização oculta da educação pública: o caso de Mato Grosso”, no dia 10 de junho de 2016, em Cáceres, Mato Grosso.”

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Vouchers: efeitos positivos questionados

Dois novos relatórios sobre os efeitos “positivos” dos vouchers (programas nos quais os pais recebem dinheiro público referente à mensalidade ou custo do aluno na escola, para escolher, eles mesmos, em qual escola querem matricular seu filho) são examinados pelo National Education Policy Center:

 “Um dos relatórios (A Win-Win Solution) é o mais recente de uma série elaborada pela Fundação Friedman sobre escolha educacional. O relatório Friedman analisa os estudos que se propõem a mostrar impactos positivos de programas de vouchers nos EUA. O outro relatório “The Participant Effects of Private School Vouchers across the Globe) é do Departamento de Reforma da Educação da Universidade de Arkansas. Os autores do relatório de Arkansas conduziram uma meta-análise limitada de programas de voucher nos EUA e em estudos internacionais.”

O NEPC analisou os relatórios. O primeiro inclui 18 estudos e foi considerado rudimentar. O segundo é uma pretensa meta-análise de Arkansas, que aspira ser “global”, identificando 9.000 estudos potenciais para análise, mas somente utiliza 19, quase metade deles realizados pelos próprios autores em Arkansas ou seu aliados. Segundo o revisor do estudo ainda, a meta-análise “global” abrande apenas três países.

“Os dois relatórios se concentram em estudos randomizados dos efeitos dos vales sobre os resultados da educação e ambos concluem que os vouchers têm impactos positivos. No entanto, ambos os relatórios estão marcados por uma série de problemas e erros graves, incluindo não abordar as deficiências dos fundamentos teóricos dos vouchers, métodos que influenciam as seleções dos estudos para avaliar, imprecisões do corpo de evidência representados na literatura de pesquisa, e incapacidade de reconhecer as limitações de suas abordagens.

O professor Lubienski conclui que as múltiplas e graves falhas de cada relatório minam a confiabilidade de suas conclusões e tiram qualquer utilidade para quem toma decisões políticas.”

Acesse aqui a revisão do NEPC feita por C. Lubienski: http://nepc.colorado.edu/thinktank/review-meta-analysis
Acesse abaixo os dois relatórios:
A Win-Win Solution: The Empirical Evidence on School Choice, por Greg Forster, publicado pela Fundação Friedman:
http://www.edchoice.org/wp-content/uploads/2016/05/A-Win-Win-Solution-The-Empirical-Evidence-on-School-Choice.pdf
The Participant Effects of Private School Vouchers across the Globe: A Meta-Analytic and Systematic Review, por M. Danish Shakeel, Kaitlin P. Anderson, and Patrick J. Wolf, publicado pela Universidade de Arkansas:
http://www.uaedreform.org/downloads/2016/05/the-participant-effects-of-private-school-vouchers-across-the-globe-a-meta-analytic-and-systematic-review-2.pdf
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O MEC sumiu?

Numa aparente tentativa de ocultar os ocupantes dos cargos no Ministério da Educação e, ao mesmo tempo, dando uma dimensão do desmonte que ocorre naquele órgão, o site do Ministério retirou do ar todos os nomes dos ocupantes de cargos com exceção de alguns poucos já divulgados, a titular da SECADI e da Secretaria Executiva. A SECADI é para mandar uma contra-mensagem à acusação de que foi extinta. Não foi? E a Secretaria Executiva porque é inevitável.

A impressão que se tem é que o Ministério quer esconder quem está trabalhando nos variados postos do MEC para evitar que sejam submetidos à crítica. Bela transparência…

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